sábado, 17 de novembro de 2007

FLORIANÓPOLIS HOJE

Acompanho, meio de longe, a associação FloripAmanhã desde que foi criada. Como tudo, tem coisas boas e coisas que nos deixam preocupados. A parte boa é o interesse pela cidade e a Ilha. Quanto mais gente discutir o que está sendo feito e o que poderá ser feito, melhor. A omissão e a apatia são piores do que alguma proposta da qual eventualmente discordemos.

A parte marromeno, além do uso do “floripa”, é o fato de ser uma associação cujos principais animadores, alinhados com o governo LHS, têm grandes empreendimentos envolvidos em sérias discussões ambientais. A presidente da associação, Anita Pires, por exemplo, foi diretora geral da secretaria de Planejamento do governo. E um dos fundadores (embora não conste da lista oficial), foi o dono do Costão Golf, Fernando Marcondes de Mattos.

Fora isso, que diz mais respeito às minhas manias de jornalista velho e rançoso, tem pelo menos uma iniciativa da tal FloripAmanhã que merece uma olhada mais de perto.

Eles fizeram uma Oficina de Desenho Urbano com o objetivo de colocar “Florianópolis de Frente Pro Mar”. Foram produzidos, como resultado, oito projetos arquitetônicos. Cada projeto corresponde a um segmento do trecho compreendido pela Oficina (veja ilustração acima), entre o trevo da seta, na Caeira, até o Shopping Iguatemi, na Avenida Beira-mar, incluindo também a orla de Coqueiros.

Segundo a associação, “em breve os projetos poderão ser vistos pela população em formato de posters, que serão patrocinados pela Unisul para exposições itinerantes.”

Participaram da oficina algumas dezenas de arquitetos. No último dia 5/11 eles se reuniram para “socializar as conclusões obtidas pelos oito grupos”. Para cada trecho foram apontadas diferentes soluções, mas todas, afirmam eles, com algumas características em comum: “respeito aos limites naturais da Ilha; necessidade de planejar junto com as comunidades; necessidade de mais acessos para pedestres e bicicletas; criação de vias alternativas para o trânsito de veículos e preocupação em evitar a segregação urbana”.

A seguir a discussão deverá incluir profissionais de outras áreas, até que o material seja apresentado ao núcleo gestor do Plano Diretor de Florianópolis. O Instituto dos Arquitetos do Brasil em Santa Catarina (IAB/SC) pretende estimular o surgimento de outras oficinas.

Segundo a presidente da associação, Anita Pires, o trabalho “é uma importante contribuição para o planejamento da cidade, que cresce sem estratégias de futuro e sem a cultura da valorização da orla – um privilégio de Florianópolis”.

Em algum momento, contudo, as boas intenções dos voluntários que estão pensando a Ilha e seus acessos ao mar, irão cruzar com as intenções nem sempre boas dos espertos que sempre moldaram a Ilha conforme seus propósitos. E aí a coisa poderá ficar interessante. Afinal, nos embates anteriores entre o interesse econômico e o interesse ecológico, este último sempre foi à lona, nocauteado. Soterrado por punhados verdes de moeda malcheirosa.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sobre este teu último parágrafo, vide as notas "Reação" e "Dificuldade" da coluna de hoje (17/11) do Paulo Alceu, onde ele lembra algumas palavras no nosso Ilmo Governador, esclarecendo o que ele pensa sobre o assunto.
Estou começando a perder as esperanças e me conformando em morar em uma pequena São Paulo...
Abraços,
Yuri R. Dominschek

jânio disse...

Aquele espaço entre as pontes deveria ser aterrado, ficando apenas um canal para navegação e fluxo das marés, o que permitiria a construção de pequenas pontes e de uma malha viária que acabaria com esses engarrafamentos asiáticos nas 2 pontes, além de espaço para a parada gay, lógico. É claro, a Hercílio Luz deveria ser desmontada e vendida como sucata, antes que caia na cabeça de alguém. Sem essa de agressão ambiental. Aquilo ali é um esgoto só. LHS viaja tanto para a Ásia, mas só vai para a Rússia que, além da vodka, só tem atraso. Que vá ao Japão aprender o que é aterro e não apenas passear.Daqui a pouco, Floripa terá que ter entrada pelos fundos, por "de frente para o mar" está difícil... Ah, e sem nenhuma ónegê metida no assunto!

Ilton disse...

Bem! Se eles não conseguirem melhorar alguma coisa, pelo menos deixaram a parte mapeada de ponta-cabeça, ou seja, o Sul é o Norte e o Norte é o Sul, desobedecendo as convenções ditadas pela representação do globo terrestre e, principalmente, pelo mapa oficial do Brasil. Um abraço.