terça-feira, 29 de agosto de 2006

TERÇA

A Associação dos Magistrados Brasileiros lançou, dentro da campanha Eleições Limpas, uma cartilha infantil, desenhada pelo Ziraldo, com o Menino Maluquinho vivendo uma aventura eleitoral. Dentro dos objetivos da campanha, a cartilha discute os principais problemas que envolvem uma eleição, com ênfase para a fiscalização do dinheiro utilizado. Fala também sobre a compra do voto (como nos quadrinhos acima) e o abuso do poder econômico. As cartilhas (tanto a infantil como a dos adultos, com um resumo da legislação eleitoral e recomendações) podem ser solicitadas no seguinte endereço: www.amb.com.br/portal/eleicoes/

Na história em quadrinhos, há uma disputa para escolher o mascote da escola. Concorrem o boto, o leão e a coruja. Mesmo correndo o risco de estragar o suspense, não resisto em mostrar o final (abaixo) que, sem querer, pode ajudar um conhecido candidato catarinense.


ELEIÇÕES LIMPAS. SERÁ?
Fui assistir ontem de manhã ao lançamento, em Florianópolis, da campanha Eleições Limpas, da Associação dos Magistrados Brasileiros.

O presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Pedro Manoel de Abreu, bateu forte e disse que diante de tantos agentes públicos e parlamentares sendo denunciados, o país vive quase uma crise institucional. Ele se preocupa com um “retorno populista” na América Latina e acha que se não dermos jeito na corrupção, devemos temer pelo futuro do País.

O presidente da Associação Brasileira de Magistrados, o catarinense Rodrigo Collaço, disse que é preciso direcionar todo esforço e vontade política, para fiscalizar as eleições, especialmente o trajeto do dinheiro que irriga as campanhas.

Ainda falaram os jornalista Paulo Markun e Moacir Pereira, o presidente do Tribunal de Contas e o presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses, todos, da mesma forma, indignados com a situação a que chegamos e todos igualmente preocupados com o futuro, no caso de não conseguirmos curar nossas feridas.

Markun levantou uma questão interessante: ele sabe em que não votar, afinal, somos todos os dias advertidos sobre mensaleiros e sanguessugas, mas ainda não sabe em quem votar, porque o horário político obrigatório não permite que a gente tenha, dos candidados a deputado estadual e federal, informações suficientes para fazer a escolha.

Ao mesmo tempo em que todos se preocupam com a ética, as pesquisas mostram que a maioria dos eleitores não parece preocupada com essas questões. O presidente-candidato Lula está próximo de receber uma votação que, no entender dele e de seus partidários significa perdão, anistia e absolvição dos pecados passados.

E nada indica que os empresários que têm ou pretendem ter negócios com o governo, possam negar-se a fazer doações eleitorais e mesmo assim terem tratamento isonômico, igual ao daqueles empresários que usam seu “dinheiro não contabilizado” para umedecer a mão dos políticos safados e alimentar a caixa 2 das campanhas. O buraco da corrupção, portanto, além de ser mais embaixo, é grande demais para ser tapado com uma peneira. Ou com uma rolha, apenas.

E não temos muita saída a não ser falar cada vez mais sobre este assunto, chamar a atenção dos distraídos e fazer ver aos “espertos” que o País começa a mudar. Nem todo mundo quer viver num País onde esperteza é sinônimo de desonestidade e “sucesso” significa roubalheira. Ou onde cometer crimes tem até um certo “charme”. Mas a tarefa será árdua e longa.

CAMPANHA NA TV
Teoricamente a legislação eleitoral proíbe imagens externas e montagens ou uso de recursos sofisticados na produção dos programas eleitorais de TV. Mas nem precisa ser especialista para perceber que as campanhas majoritárias usam tanto imagens externas especialmente produzidas, quanto recursos de edição e gráficos bem sofisticados. Afinal, pode ou não pode?

MIRO GANHA PRAÇA
O saudoso colunista Miro (Cláudio Silva), que durante cerca de 15 anos fez, no jornal O Estado, o contraponto ao Cacau Menezes, agora é nome de praça na Praia da Joaquina, que a prefeitura acabou de “revitalizar” (agora ninguém mais reforma nada, só “revitaliza”). E o Toló, surfista que morreu num acidente na década de 80, deu nome ao terminal turístico, que passa a se chamar Jucundino Pereira Neto (seria mais simpático chamá-lo apenas de TTT: terminal turístico do Toló).

Pelo que entendi (não fui lá olhar) fecharam a rua que ia até a praia e fizeram, no lugar, a tal “praça de acesso” a que deram o nome do Miro. “Praça de acesso”? Esse Dário...

O PASSEIO DO ARQUIVO
O Arquivo Público vai ocupar a antiga sede da Imprensa Oficial do Estado, no Saco dos Limões. Reabre na quinta-feira. Pelo menos saiu ali da Mauro Ramos, onde as condições eram bem precárias. Mas, ao que tudo indica, não ficará muito tempo no novo endereço. O projeto é mudar, tanto as máquinas da antiga IOESC (agora Diretoria de Atos Oficiais) quanto o Arquivo, para o Centro Administrativo, em prédio que será construído ao lado da Secretaria da Administração, a quem os dois órgãos estão vinculados.

UM ANO DE OLHO
Abre hoje, às 19h, na Sala de Imprensa da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, a exposição com que o DIARINHO e este que vos fala comemoram o feito de termos conseguido sobreviver por um ano fazendo esta coluna, de forma completa e absolutamente independente.

E vamos comemorar na Casa do Povo. Uma espécie de homenagem aos políticos honrados, aos deputados que levam seu mandato a sério. Que não são muitos, é verdade, mas que ainda existem e merecem nosso respeito.

4 comentários:

Anônimo disse...

O "povo" aqui pode ir hoje ?
Vanio Michels

Wladimir Crippa disse...

Parabéns valente Cesar. Que este seja o primeiro de muitos aniversários. Mas não espalhe muito, nem faça alarde, senão corres o risco de também ser comprado pela RBS.

um abraço,


Wladimir Crippa
1º Sec. PSB Florianópolis

Anônimo disse...

Caro Cesar, Vez por outra posto aqui. Parabens pelo aniversario. Sucessso... tua coluna esta muito boa. Sobre o terminal da Joaquina ficou muito legal mesmo. Na saida passou uma revoada de gaivoatas. Uma delas, na maior cara de pau, lancou um petardo que explodiu na cabeca do Secretaria Mario Cavallazzi. Lendo hj a resposta do Dario ao Esperidiao Amin na coluna do Paulo Alceu, vejo que a gaivota estava a servico do ex-governador. Agora nao sei se alvo era o mesmo acertado, pois o Cavallazzi ate bem pouco tempo atras era fiel escudeiro do casal Amin. Va entender....

Cesar disse...

Ô Vânio: a festinha foi feita na Casa do Povo justamente para que o povo possa aparecer sem medo.Claro que quem for pagará um certo "pedágio": terá que ouvir os discursos. O meu está, por enquanto, com duas horas de duração e ainda nem comecei a fazer os agradecimentos. hehehe