quarta-feira, 30 de agosto de 2006

QUARTA

EXPOSIÇÃO ABERTA
Na fotinha acima, a exposição que está aberta na Sala de Imprensa da Assembléia Legislativa (de segunda a sexta), com entrada grátis, até o dia 15 de setembro. Mostra alguns momentos desta coluna De Olho na Capital, que conseguiu completar um ano sem que eu fosse despedido, processado ou vaiado na rua.

O DILEMA DO VOTO NULO
Já falei aqui, umas duas vezes, contra a campanha do voto nulo. Mas esta coluna não só tem leitores, como tem leitores exigentes que cobram explicações melhor elaboradas e claras. Na última vez eu disse uma coisa que soou como uma bobagem e é claro que os leitores defensores do voto nulo estão me enchendo a caixa postal de gozações. Sim, eu também erro. Erro sempre. Vivo com a cabeça cheia de galos porque no dia seguinte, ao olhar o jornal vejo os erros e fico batendo com a cabeça na parede: “burro, burro, burro!” o que não adianta muito, mas pelo menos me ajuda a esquecer mais rápido os erros cometidos.

Mas, neste caso, não chega a ser um erro. Talvez uma divergência de interpretação. Eu disse: “se tiver um milhão de votos nulos e trezentos votos válidos, a eleição será decidida por estes”. E os defensores de uma anulação maciça dos votos citam o artigo 224 do Código Eleitoral, que fala que “Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações” e aí serão marcadas novas votações.

MAIS UMA ELEIÇÃO?
O problema, o xis da questão está justamente no conceito de nulidade. Porque o mesmo Código, quando enumera, no seu Art. 220, as razões de anulação, não cita o fato de um grande número de eleitores terem anulado o voto (tecnicamente, terem errado seu voto, votado em candidato inexistente) como motivo para anular a votação. Segundo esse entendimento, então, só quando as anulações correspondentes aos motivos legais, em geral problemas da mesa coletora e/ou da urna, chegarem a mais da metade do total dos votos é que será realizada nova eleição.

Em todo caso, como não sou advogado, rábula ou bacharel, pedi a alguns conhecidos que são advogados e à própria Associação Brasileira de Magistrados, orientações mais precisas, para poder voltar depois ao assunto.

Enquanto isso, minha posição permanece a mesma: ainda que seja possível convencer milhares de pessoas a anular seus votos e que isso de fato resulte na realização de nova eleição, o efeito prático é apenas este: uma nova eleição. Com as despesas correspondentes. Não há nada que garanta que os candidatos serão outros. E nem que o dinheiro público, o caixa 2 e todos os “recursos” usuais de campanha não serão utilizados nesse segundo pleito.

LEMBRAM DO CACARECO?
É claro que entendo o sentido desse protesto e, como muita gente, até acho que seria bom se pudessemos dar um recado claro nas urnas. Nestas urnas eletrônicas que não prevêem a anulação, só o voto branco.

Um recado como o que foi dado na eleição de 1959, em São Paulo, quando o rinoceronte Cacareco recebeu uma média de 30 a 40 votos por urna (teve cerca de 100 mil votos). Foi o “vereador” mais votado. Era um protesto que começou localizado, contra impugnação de candidaturas em Osasco, bairro que queria se emancipar da capital. Só que empolgou a cidade inteira e criou um fato político histórico.

“REJUVENESCIMENTO”
Ontem falei aqui que agora as autoridades municipais só falam em “revitalização”, ninguém reforma mais nada, ninguém dá uma demão de tinta, ninguém faz uma meia-sola. Só “revitalizam” as coisas.

Pois a coligação PMSDBFL (Todos por Toda Santa Catarina contra o Amin), coloca hoje na rua um jornalzinho de campanha, coisa mais linda, impresso pela RBS na gráfica do Diário Catarinense, 250 mil exemplares, falando dos feitos do governo na Grande Florianópolis. Decerto para provar que o LHS gosta da capital.

E lá, na página central do jornalzinhozão, está dito, com todas as letras, que o recapeamento de asfalto das rodovias estaduais que cortam a cidade se chama “rejuvenescimento do asfalto”. Pode? Onde que essa gente está com a cabeça?

Depois de rejuvenescer o asfalto só nos falta a “lipoaspiração da praça”, o “peeling da ladeira” ou a “siliconização das rótulas”. E, como toque final, rímel na mata ciliar, batom na boca da noite e blush nos viadutos, que estes nunca me enganaram mesmo.

GAIVOTA TERRORISTA
Um leitor (hoje a coluna foi quase toda feita pelos leitores) comenta que “o terminal da Joaquina ficou muito legal mesmo”. E, como foi testemunha ocular da história aproveita para contar um episódio ocorrido na solenidade de inaguração:
“Na saída passou uma revoada de gaivotas. Uma delas, na maior cara de pau, lançou um petardo que explodiu na cabeça do Secretário Mário Cavalazzi (do Turismo). Lendo hoje na coluna do Paulo Alceu a resposta do Dário ao Esperidião Amin, vejo que a gaivota estava a servico do ex-governador. Agora não sei se alvo era mesmo aquele, pois o Cavallazzi, até bem pouco tempo era fiel escudeiro do casal Amin. Vá entender...”
Para quem não sabe, está ocorrendo uma troca pública de farpas e desaforos entre o prefeito Dário e Amin. Donde a impressão, do leitor, que a gaivota poderia ser um terrorista treinado para cagar na cabeça dos desafetos. E como os israelenses e norte-americanos já provaram, essa história de bombardeio cirúrgico (acertando apenas o alvo militar) não existe, é muito difícil e sempre causa vítimas civis ou secundárias. O que pode ser o caso do Cavalazzi. Ah, e o Dário se licenciou para mergulhar de cabeça na campanha de 2010 para o governo.

PROJETO LULA 20 ANOS
Ontem o Jornal Nacional anunciou o resultado de mais uma pesquisa. Por causa da abertura da exposição, tive que fechar esta coluna mais cedo. Mas não acredito que tenha acontecido alguma grande surpresa. Lula tem chances reais de ser reeleito e isto não vai mudar. E as hostes lulistas estão tão animadas que já falam abertamente no “projeto Lula 20 anos”.

Acabada a campanha e consumada a vitória, Lula começa a se preparar para o terceiro mandato, em 2015. A jornalista Eliane Catanhêde (Folha) avalia que a costura está sendo feita com a aprovação dos cinco anos de mandato, sem reeleição, passando a faixa para Aécio Neves (ou mesmo Serra) em 2010 e retornando em 2015.

Como parte deste “projeto”, o programa de governo apresentado ontem se distancia da linha econômica ortodoxa, reduzindo o superávit primário e aumentando os gastos do governo.

Tudo seria muito lindo se, acima, por trás, por baixo e envolvendo tudo, não estivesse o descarado descaso pela ética e o abandono de alguns princípios que deveriam ser fundamentais.

A reunião de Lula com os “intelectuais” e artistas desnudou o rei. Ao afirmar que “o jogo real da política” é esse mesmo, Lula admitiu, sem meias palavras que os fins justificam os meios. E que foram utilizados todos os meios disponíveis para atingir o fim, que é “uma situação altamente confortável” diante do eleitorado. O poder.

“Política a gente faz com o que a gente tem, não com o que a gente quer”, afirmou o pragmático e aético Lula para uma platéia de ilustres. E não recebeu uma só vaia, uma torta na cara nem viu caras de espanto. Ao contrário. Seguiu-se um coro idiota de “é isso mesmo, companheiro”, como se a “organização criminosa” tivesse tomado o poder para realizar uma revolução social relevante e aguardada. O fim nobre justificaria os meios ilícitos.

Mas não é nada disso. Eles são como tantos outros, corruptos como muitos e querem o poder para as mesmas coisas de sempre. Só.

3 comentários:

JECastro disse...

Bom Dia, Prezado Cesar, não lembro bem, mas acho que na então Guanabara foi eleito, também, um chimpanzé do Zoológico , Tião, acho que este era o nome, Saudações Algo como o saudoso campeonato Rio-São Paulo, a velha concorrência estre as nossas duas maiores capitais

Davi Paes e Lima disse...

Depois que descobri sua coluna, não deixo de ler um dia! Parabéns pela sua coragem e pelo 1º ano da coluna.

Anônimo disse...

Penso que o voto nulo é a defesa legal de quem não quer votar. Por ser obrigado pela legislação e pelo baixo nível dos candidatos. Se 51% (podia ser 50% mais um voto, mas...) dos eleitores escolher para presidente o candidato indicado pelo 23 (nada a ver com os novos comunistas), que oficialmente não candidato, não abre uma brecha para anular o resultado? Novos gastos, os mesmos nomes, as mesmas "propostas"... E lá vão os 51% dos eleitores e repetem a dose. Não se elege ninguém e lei precisa ser alterada. Os políticos, receosos com tanta resistência, hão de melhorar a proposta. Só assim o povo pode ser ouvido. Por bem, como dizia minha nona, não há jeito.