quarta-feira, 23 de agosto de 2006

QUARTA

A POLÍTICA É UMA NUVEM
Nas duas fotos acima, duas figuras lendárias da política catarinense aplaudem duas figuras lendárias da política catarinense. São, como vocês decerto já identificaram, os ex-adversários e agora aliados Jaison Barreto e Esperidião Amin e os ex-adversários e agora aliados Jorge Bornhausen e Luiz Henrique da Silveira (se clicar na foto abre-se uma ampliação).

A política, como já se disse tantas vezes, é como uma nuvem. E quem está na política não pode dizer “desta água não beberei”, porque lá, como cá, tem sempre um dia depois do outro.

O namoro de Jaison com Amin é antigo, mas foram adversários numa renhida disputa ao governo que Amin venceu, ou melhor, que Jaison foi impedido de ganhar. Naquela época eu fiz campanha para o Jaison e achava que ele nunca, mas nunquinha mesmo, sentaria à mesma mesa com o Esperidião Amin, quanto mais andar de beijos e abraços, como depois andaram.

Da mesma forma, tanto cacete deu Luiz Henrique em Bornhausen que a gente era capaz de jurar que eles nunca mais se falariam. Muito menos que virassem unha e carne, casados até que a morte (ou a derrota eleitoral, o que é a mesma coisa) os separe.

HOMENS DE BEM
Jaison Barreto, em 29 de abril de 2002, esteve no “SBT Entrevista”, que era conduzido pelo jornalista Cláudio Prisco e comentou sobre os candidatos da época, que são exatamente os mesmos de hoje: “o governador Esperidião Amin é muito competente, é um dos melhores quadros desse País. Se vaidoso, se auto-suficiente (referindo-se ao governador), tudo bem, mas ele é muito superior a Luiz Henrique da Silveira, inclusive intelectualmente. Luiz Henrique, que é uma figura decente. Santa Catarina está bem servida de candidatos. O (José) Fritsch também é um homem de bem. Até posso discordar das atitudes, mas é um homem de bem.”

E agora em 2006 o velho emedebista Jaison Barreto entra na campanha e abraça com naturalidade o tema da “farsa da tríplice aliança”. Os candidatos continuam sendo gente de bem, mas a verdade é que enquanto os partidos forem fracos, as alianças não se darão em torno dos programas, mas do prestígio de candidatos e de grupos de candidatos. E aí tudo é possível.

NOITE DE SEGUNDA
As duas fotos acima são de segunda-feira à noite. A da esquerda, na grande concentração do PFL em Lages e a da direita da grande concentração “suprapartidária” de apoio a Amin em Balneário Camboriú.

O encontro do PFL funcionou também como uma espécie de desagravo ao Raimundo Colombo, candidato ao senado que foi acusado, pelo seu inimigo Sérgio Godinho, de ter recebido dinheiro para aliar-se a Luiz Henrique. Dez oradores (meu Deus!) defenderam a aliança com o PMDB. Mas o ponto alto foi quando Casildo Maldaner conjugou o verbo “colombar”. E disse que depois do Cristóvão Colombo, do Colombo Salles chegou a vez do Raimundo Colombo.

CHUMBINHO AVANÇA
No Rio de Janeiro e na Bahia já apareceram pesquisas que mostram Heloísa Helena em segundo lugar e o Chumbinho, em sua trajetória lenta e gradual rumo ao fundo, em terceiro.

Lamentavelmente, Lula está na frente, muito na frente. Já disse aqui que, se dependesse de mim, a disputa seria mais equilibrada. No mínimo para que os candidatos caprichassem mais, se esforçassem mais e que a gente tivesse alternativas reais.

Daí, quando um candidato dissesse, como o Lula disse ontem no programa eleitoral obrigatório, que mudou a economia, tendo sido, na manutenção dos princípios econômicos do governo anteior, mais ortodoxo que franciscano de batina, os eleitores poderiam pensar em, quem sabe, votar em outro candidato que não torcesse a verdade ou não espancasse a gramática.

Ah, e que tal essa história que o voto em Lula vai manter o governo? Nada mais falso, ainda mais depois das declarações recentes do próprio Lula, em que afirma que mudará radicalmente a composição do seu ministério, retirando do PT o protagonismo e entregando ministérios importantes ao PMDB governista (Sarney e amigos). Será, portanto, um governo totalmente novo e cheio de surpresas.

Mas vou parar por aqui antes que alguém entenda que estou fazendo campanha contra o Lula. Não se trata disso. Só estou chateado com a falta de competitividade dos outros candidatos e aborrecido com as emoções escassas desta campanha.

5 comentários:

Anônimo disse...

A Coluna de hj do Jornalista Claudio Prisco diz que o Max Bornholdt ja havia sido informado que o seu assessor estava "operando". Nessa historia, fundamentalmente pelos valores envolvidos, tem boi na linha. Como tem boi na linha o acordo entre a Codesc e Siemenns no Processo de Execucao onde a Codesc era avalista. Essas coisas em fim de governo, todos sabem, eh para fazer caixa pra campanha. So nao entendo como a imprensa nao investiga esses assuntos. Que saudades do Manuel de Menezes!!

Anônimo disse...

Outra coisa Cesar, nao entendo como nao interages com as pessoas que fazem seus comments aqui. Se fizeres comentarios mais pessoas vao estar aqui. Esse eh o sentido de um blog. Ontem foi o Jornalista Orlando Tambosi quem fez humorado comentario.

Cesar disse...

Ô anônimo: pois é, durante os três anos que mantive o blog Carta Aberta, conversava bastante com os leitores. Agora, na verdade, isto aqui é uma transcrição da coluna usando ferramentas de blog, mas sem que eu tenha a disponibilidade de interagir com os leitores como num blog. Ao contrário do blog, que a gente atualizava várias vezes ao dia e entrava outras tantas, neste eu não tenho conseguido ter o mesmo cuidado. Em todo caso, embora nem sempre responda, leio cuidadosamente todos os comentários.

Cesar disse...

Data vênia, ipso facto, primeiro anônimo, podes ter saudades do Manoel de Menezes por inúmeras razões. Mas nunca pela capacidade "investigativa" dele. Deves estar brincando. Mas que os nossos bravos repórteres poderiam trabalhar com mais afinco, lá isso poderiam.

Anônimo disse...

Eh verdade Cesar, o Manuel de Menezes nao era investigador. Mas se leres o livro Retalhos do Tempo, veras que ele nao deixaria passar um escandalo dessa natureza. Muito menos o valoroso Adolfo Ziguelli. Eu nao consigo entender como ate agora nao se falou nada da origem e do destino do dinheiro. Um milhao de dolares encontrado com o assessor do Max proveniente da corrupcao eh muito dinheiro aqui e em qualquer lugar do mundo. O desleixo da imprensa para com esse assunto eh incompreensivel. De qualquer obrigado pelas respostas.