sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

SEXTA

RED STAR?
Mesmo longe sempre é bom dar uma olhada no que está acontecendo no mundo real. Leio na Folha que o Paulo Okamoto, amigão que paga as contas do Lula, fez “operações financeiras atípicas” de cerca de R$ 93 mil.

Nada disso me espanta mais. A única coisa que chamou a atenção foi saber o nome da empresa que produz brindes para o PT: “Red Star”(estrela vermelha). Okamoto era, claro, sócio da empresa, acumulando com uma diretoria do Sebrae.

Vejam só... dirigentes do partido dos trabalhadores, de origem socialista, nascido da luta legítima e secular do trabalho contra o capital, americanizaram a marca de seu fornecedor de brindes. Estrelinhas pra botar no peito? Agendas com palavras de ordem? Adesivos estrelados? Encomende à Red Star.

MEXERAM NO BOLSO
O PP entrou com uma ação contra a propaganda que o governo faz no Santa Catarina em Ação. Daí o governo, como retaliação, fechou o cofre e suspendeu toda a veiculação paga: deixou agências de propaganda, jornais, rádios e TVs a ver navios.

Pois a pressão está funcionando: todas as entidades que representam jornais, agências, rádio e TV foram reclamar com o PP. Dizem que a ação proposta pelos oposicionistas não está correta, choram e se lamentam.

Claro, tem jornais que estavam vivendo quase só das verbas oficiais, rádios estavam nadando no mar da prosperidade, televisões estavam adorando. É natural que tenham se rebelado contra a medida que, embora aparentemente saneadora, mexe com o principal órgão do corpo humano: o bolso.

SARNA MUNICIPAL
Dário Berger inicia uma “caça às bruxas” entre os servidores municipais, para “limpar” seu governo. Acho que, em vez de limpar, ele vai é arranjar sarna pra se coçar.

ORÇAMENTO ELEITORAL
Tá nos jornais: “o governo retirou R$ 2,1 bilhões do orçamento da saúde e praticamente acabou com a bolsa paga às crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) – ao sumir com R$ 946 milhões previstos para o programa – para inflar o Bolsa Família”.

Pois esse Bolsa Família é um programa assistencialista que dá dinheiro para os mais pobres, camada da população de onde Lula pretende obter os votos necessários para reeleger-se.

Com isso, a votação do orçamento empacou e eu decidi voltar às minhas férias de baixo custo e pouco gasto, em Montevideo.

ESPECIAL: NA ESTRADA COM O TIO CESAR

COMO CONHECER MONTEVIDEO POR R$ 3,20
Tem cidades como Nova Iorque, Montevideo, Vancouver, Porto Alegre e tantas outras, cujo sistema de transporte público funciona e onde se pode usar os ônibus comuns para conhecer a cidade.

Metrô é rápido, mas nada supera o ônibus se o negócio é ver como é que é a cidade. Ontem peguei um ônibus do centro até a praia de Pocitos, que é uma praia urbana, de areia muito limpa (vou mostrar aqui amanhã). Paguei mais ou menos R$ 1,60 (16 pesos uruguaios).

Dei uma volta por lá e daí peguei um ônibus até a Cidade Velha, que é perto do centro. Passapela Avenida Brasil, por várias outras vias importantes, pela Calle Colonia, pelo porto, dá a volta, vê-se o mar, entra nas ruelas da Cidade Velha. Um gande city tour por R$ 3,20.

Nas empresas de turismo um passeio de três horas pela cidade custa US$ 10 (mais ou menos R$ 23,00), o que também não é caro.

Em muitas ruas transversais do centro existem trailers de cachorro quente (pancho). O pão do pancho é um pouco menor que o utilizado no Brasil. E tem também a húngara, que é um tipo de pancho com uma lingüiça picante, fininha, que lembra a calabresa.

Tem lugares em que se pode comprar três panchos por R$ 1,50. Como no Brasil, se pedir mais coisas (eles colocam presunto e queijo dentro do pancho, por exemplo), o preço vai subindo.

Pra acompanhar a cerveja, a húngara é uma boa pedida.

O sanduíche nacional é o chivito, uma espécie de x-tudo: bife (lomo), alface, tomate, cebola, palmito, bacon (panceta), ovo, presunto (jamón) e queijo. Praticamente uma refeição, custa entre R$ 5,00 e 7,00 e tem em todo lugar.

Se quiseres, pra variar, comer num restaurante melhor um prato do dia, de carne ou peixe, com água mineral, café e sobremesa, vais gastar cerca de R$ 12,00.

Um garçon com quem conversei (e que já esteve em Florianópolis) contou que em Punta del Este, para agradar os brasileiros riquinhos que visitam o balneário, o dono de um bar fez um acordo com a Brahma e só servia cerveja brasileira. Não deu muito certo, o pessoal conhece a fama das cervejas uruguaias e queria experimentar as marcas locais.
Dizem os especialistas que estupidamente gelada as cervejas ficam todas iguais. Mas a uma temperatura um pouco maior só se consegue beber as melhores cervejas. Lembre-se: helado é sorvete. Cerveja gelada é cerveza fría.

No Uruguai as cervejas não vêm estupidamente geladas. Para ficar perto da temperatura a que estamos habituados, tem que pedir um balde de gelo. O chopp vem gelado, mas não demais.

Mas, como são muito boas (a Patrícia, a Norteña e a Pilsen são as mais populares), não tem grande problema. Dá pra beber bem.

Um comentário:

Pedro Lemos disse...

Cesar é um patriota: tanto que mesmo quando se refere ao "que está acontecendo no mundo real", ele insiste em incluir o Brasil na jogada ...