sábado, 17 de dezembro de 2005

SÁBADO E DOMINGO

UMA LINDA BORDA DE PIZZAS,
EM HOMENAGEM AO CONGRESSO


Neste final de semana não quero incomodar vocês, queridas leitoras e estimados leitores, com informações chatas que só dão raiva, incomodam e azedam o bom humor. Por isso, tratei de recolher algumas lindas pizzas de todos os sabores e tipos, para uma homenagem singela, porém sincera, aos nossos representantes na Câmara dos Deputados e no Senado da República.

Durante todo o ano eles se esforçaram para demonstrar basicamente três coisas:

1. Que trabalham bastante;
2. Que são honestos; e
3. Que, quando um deles erra, acaba sendo punido.

EM RECUPERAÇÃO
Parece que não tiveram muito sucesso em um ou dois ítens de sua proposta. Tanto que, da mesma forma que estudantes com problemas entram em recuperação e têm que fazer segunda época ou exames adicionais, os congressistas estão em recuperação.

Vão trabalhar nas férias, para tentar comprovar aquilo que não conseguiram no período normal de aulas, digo, de sessões.

FINAL FELIZ
Não sou daqueles que acha que todo político é “poblemático”. E espero que os leitores e leitoras do Diarinho também saibam que tem uns melhores e outros piores.

Da mesma forma, embora tudo indique que vai ser assim, prefiro continuar acreditando que a parte boa do Congresso não vai deixar que tudo acabe em pizza.

E para que tenhamos um final feliz não basta cassar mandatos, coisa que às vezes, de certa forma, até beneficia o sujeito. É preciso que todos, nós e eles, a gente e vocês, mudemos de atitude e passemos a respeitar um pouco mais (ou muito mais) o dinheiro público e a vontade popular.

O sujeito eleito para nos representar tem que se sentir pressionado: não pode nem mais ir ao banheiro do jeito que ia antes. Agora ele é nosso representante. E tem que andar na linha. Lavar as mãos antes e depois. Cumprir a lei. Mesmo que os outros não cumpram.

E a gente tem que ter vergonha na cara pra nunca mais votar em quem não nos representa direito.

TURNO ÚNICO
A prefeitura de Florianópolis aderiu ao tal “horário de verão” e vai fazer turno único, das 13 às 19h, tal e qual o governo estadual já faz (e outras prefeituras também).

De novo, como no caso das folgas e pontos facultativos, caem de pau como se ficar na repartição das 8 às 18h fosse fazer a malandragem trabalhar mais. Quem não leva o serviço público a sério, até gosta de dois turnos, porque tem mais tempo pra vender Natura, trocar uma idéia com os colega e dar um rolê pelo centro da cidade.

E quem trabalha consegue se organizar no turno único e ganha, como um presente justo, mais tempo para ficar com a família e para tratar de sua vida.

CHEFIAS MOLENGAS
Insisto que o problema do funcionalismo público são as chefias frouxas e incompetentes, que não sabem gerenciar, não têm noção do que devem fazer e só pensam em agradar seus padrinhos políticos. Se o nível gerencial e de direção fosse profissional e competente, entrava todo mundo nos eixos e ninguém acharia ruim uns dias de folga no final de ano ou duas horinhas a menos de trabalho.

MATEMÁTICA BÁSICA
Não acho que o turno único signifique menos tempo de trabalho. Querem ver?

No turno integral o servidor, teoricamente, trabalha das oito ao meio-dia e depois das duas às seis. Mas o que acontece é que ele chega 8:30 porque o trânsito a essa hora é horrível e antes teve que deixar as crianças na escola.

Como vai ficar o dia inteiro na repartição, antes de começar a trabalhar tem que dar uma circulada, pegar o café e achar o jornal. Depois tem que ligar o computador, esperar o sistema entrar, colocar a senha e aquelas coisas todas muito demoradas. Às 9:30 o trabalho começa.

Se sair só ao meio-dia, o sujeito já não pega mais lugar no quilinho pra almoçar ou então enfrenta uma fila enorme. Tem que sair um pouquinho antes: 11:45 no máximo.
A hora do almoço é a única que sobra para ir ao banco e outros compromissos, que sempre demoram muito. Às 14:30 o trabalho reinicia. E com esse trânsito não dá pra sair às seis: 17:45 no máximo.

Somou? Nosso amigo trabalhou, de fato, 5h30min. Menos que as 6h do turno único.

MAIS BADERNA

Os vereadores de Florianópolis e a prefeitura como um todo terão que mudar sua forma de atuar e de se comunicar com a população, se não quiserem ficar reféns de grupos de pressão.

Na sessão da Câmara que aprovou o orçamento, os baderneiros do passe livre (aqueles que querem que o operário pobre pague passagem de ônibus e os estudantes riquinhos não) estavam lá, fazendo sua festa.

Acostumados a conversar apenas na surdina e em ambientes fechados e sigilosos com lobistas e empresários da construção civil e do transporte, os vereadores precisam encontrar uma forma de dialogar às claras com a gurizada, com os usuários do transporte, enfim com todos os segmentos até agora excluídos, para que a cidade não vire uma praça de guerra.

POLÍTICA ENVELHECIDA
A impressão que se tem, olhando aqui de fora, é que os políticos não sabem fazer aquilo que se propuseram a fazer. Política é uma arte que exige talento, inteligência, dedicação e sensibilidade. E muitos dos vereadores, prefeitos, secretários, deputados e quetais que a gente vê falar e atuar, parecem viver em outro mundo ou pelo menos em outra época.

Os conchavos a boca pequena, as negociações secretas, os ajustes por baixo dos panos precisam urgentemente ser substituídos por acordos coletivos, discussões públicas, negociações claras em torno de propostas expostas sobre as mesas e nas tribunas.

CONVIVÊNCIA CORDIAL
Forçosamente, à medida em que as coisas vão sendo discutidas, alguns grupos terão que ceder, outros serão derrotados e não devem, nem podem, recorrer à violência ou à força para fazer valer seus pontos de vista.

Se o jogo for jogado sem patifarias e “jeitinhos”, fica mais fácil exigir respeito às regras do jogo. Enquanto vivermos numa democracia e este for o regime que escolhemos para nosso governo, será preciso conquistar o apoio da maioria no gogó, no confronto de idéias e de projetos.

Quando mudarmos para a anarquia e extingüirmos todo tipo de governo, a conversa será outra. Mas até lá, não dá para tolerar quem não saiba ter, em sociedade, uma convivência cordial.

2 comentários:

Beto disse...

Muito boa e oportuna essa homenagem aos nossos políticos. Cambada! Veremos o que fazer nas próximas eleições.

Pedro Lemos disse...

Tá bom ... Tá bom ... Vou até a Paparella hoje traçar uma das grandes ... em nossa homenagem!