segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

SEGUNDA


MADRE BENVENUTA, ROGAI POR NÓS

Muitas ruas e avenidas de Florianópolis têm problemas. Mas a avenida Madre Benvenuta, que liga a Trindade ao Itacorubi, pelo Santa Mônica, merece uma atenção especial. Não tem um dia, há muito tempo, que ela não esteja com algum vazamento, buraco, depressão, calombo ou obra.

Com certeza passa por baixo dela uma tubulação de água feita com canos de porcelana e uma tubulação de esgoto feita em malha de algodão (doce). Todo mundo que usa aquela avenida sabe que tem que transitar com cuidado porque em algum ponto encontrará um buraco, recente ou antigo, um monte de terra acabado de tirar desse buraco ou de outro, um remendo mal feito, água jorrando ou um cheio insuportável de esgoto demonstrando que, desta vez, não era água tratada.

E todos que por ali passam também sabem que as coisas acontecem num ritmo extremamente lento. Os leitores podem escrever para o jornal chamando-me de mentiroso, se no que vou dizer tiver alguma inverdade: digamos que comece a jorrar água do asfalto numa quinta-feira. Vai continuar jorrando até sexta, quando alguém vai aparecer para olhar. Com sorte, será aberto um buraco no final da tarde, para que o povo da Casan ou de alguma terceirizada possa espiar melhor.

Sábado e domingo ninguém toca a obra, porque é sábado e domingo. Na segunda, ali pelas dez da manhã, começa lentamente a reaparecer gente pra mexer no buraco. Na terça, se for um conserto rápido, o buraco é tapado com terra. Remendar o asfalto é coisa muito complexa. Só quando já se passaram quase 15 dias é que alguém aparece e joga umas “pazadas” de asfalto sobre o buraco, amassa com os pneus do caminhão mesmo e tá feito. Mais um calombo, que em uns dias vira outra depressão no piso.

Nesse meio tempo, a uns 50m dali, já começou outro vazamento e o cronograma segue mais ou menos no mesmo ritmo. Às vezes mais lento. Ainda esses dias, por exemplo, estava lá um monte de terra ao lado de um buraco, que ficou atrapalhando o trânsito por uma semana. Uma placa da Casan, num cavalete quebrado, era tudo o que se via à guisa de “proteção” para os motoristas. E se alguém, numa noite chuvosa, bate no monte ou cai no buraco, quem paga a conta desse obstáculo mal sinalizado?

Serão certamente anos e anos de pendenga jurídica, com recursos sucessivos da Prefeitura e da Casan. Até que, por alguma dessas brechas legais que sempre aparecem quando menos se espera, a vítima acaba tendo que pagar as custas, os advogados e a conta do cavalete da Casan. Aquele, que já estava quebrado e que não servia como advertência de nada. Isso se não for processado pela Prefeitura por danos morais e pela Vigilância Sanitária por usar esgoto para banhar-se.

Claro, como a cidade toda sabe que aquela é uma avenida de alto risco, normalmente se transita com cuidado. Mas nunca é demais lembrar que debaixo daquele piso irregular, cheio de remendos e daquelas oito lombadas (cujo asfalto é periodicamente reforçado), passam redes de água e esgoto feitas com frágeis canos de palha trançada.

Coitada da Madre Benvenuta, devota irmã da Congregação da Divina Providência, que foi superiora da Província Coração de Jesus de 1921 a 1948. Certamente não merecia ter seu nome associado a uma via tão maltratada. Terá ela que apelar a muitos santos, de variados matizes, para tentar resolver os problemas criados por esse abissal desencontro entre a física, a química, a geologia e a mecânica, entre outras ciências, patrocinado pela prefeitura e pela Casan. Tomara que consiga, um dia, com a ajuda celestial, aplainar esse caminho e dar-lhe um subsolo menos agitado, onde tubulações e canalizações, como acontece em tantos países do mundo, não arrebentem todos os dias.

EXPLICAÇÃO: Escrevi esta crônica há mais de um ano (em junho de 2004) e tirei as fotos acima ontem à tarde, às 16h15min. Mesmo já tendo publicado este texto em outros lugares, no ano passado, republico aqui porque as coisas continuam exatamente iguais. Mesmo com a mudança de prefeito nada mudou. A foto mostra um dos buracos da avenida, que já está ali há uma semana ou mais. E cresce a cada dia.


ASFALTO DE 3 cm
A prefeitura de Florianópolis está tocando a todo vapor uma tal “Operação Tapete Preto”, que tem dado o que falar entre os engenheiros, porque utiliza, para recapear as ruas, uma camada de apenas 3cm de asfalto. Afirma quem entende do assunto que é pouco.

“Em um ou dois anos, no máximo, dependendo do volume e peso do tráfego, será necessário refazer tudo”, diz um engenheiro. O Deinfra, do governo estadual, utiliza, quando vai recapear rodovias, uma camada de 7 cm de asfalto.

Além do asfalto fininho, do tipo “pré-eleitoral”, em algumas ruas estariam acontecendo problemas adicionais por causa da pressa: não são revisados os sistema de drenagem e nem como está o terreno abaixo da rua. Em pouco tempo pode ser que tenha que esburacar tudo pra consertar alguma coisa que não foi vista antes.

SOB SUSPEITA
Já que estamos falando da prefeitura e da operação “Tapete Preto”: o Tribunal de Contas parece não ter recebido muito bem a anulação das licitações dos dois viadutos que a prefeitura queria construir na Av. Ivo Silveira e no trevo do Cemitério do itacorubi, envolvendo cerca de R$ 11,8 milhões.

O Tribunal tinha apontado 11 ilegalidades em cada um dos editais de concorrência (que acabavam, no entender deles, impedindo justamente a livre concorrência). Em vez de corrigi-las, a prefeitura preferiu anular a licitação. Parece coisa de criança mal educada: “se não posso brincar como eu quero, então não quero mais brincar”.

O presidente do TC, Otávio Gilson dos Santos, afirmou que “o Tribunal não quer inviabilizar qualquer tipo de obra pública”, mas tem que fiscalizar “a correta aplicação dos recursos públicos”.

“O BADESC PAGA”
Na semana passada o Tribunal de Contas colocou o dedo numa ferida antiga: a utilização do Badesc como uma espécie de tesoureiro do governo para pagamentos diversos. Multou o ex-presidente Arno Garbe por irregularidades cometidas em 2002, quando o governador era Esperidião Amin.

Cerca de R$ 5,4 milhões foram gastos “sem finalidade pública e em desacordo com os objetivos da empresa”. Parte do valor foi aplicado em inúmeras despesas feitas a título de “representação”, incluindo o pagamento de diárias, hotéis, restaurantes, bares e similares, confecção de salgadinhos, compra de flores, arranjos, decorações, artigos para festas, em eventos, confraternizações e congressos.

No processo, também foram identificadas despesas de R$ 4 milhões com materiais publicitários em jornais, rádios e televisões e com a confecção de impressos.

Cerca de R$ 444 mil foram gastos com o pagamento de “comissões” à Agência de Propaganda Propague, sem, contudo, especificar os serviços efetivamente prestados. As despesas com publicidade, além disso, não foram precedidas “dos competentes processos licitatórios”.

Garbe ainda pode recorrer ao próprio TCE para explicar o que aconteceu e tentar provar que os técnicos do Tribunal se enganaram.

A GALEGA É ITALIANA

Lula chama, carinhosamente, a Dona Marisa de “galega”. Pois agora ficamos sabendo, via jornais italianos, que ela conseguiu a cidadania italiana. Esse é um direito que ela tem, como neta de italianos.

Pro Lula ficou melhor, porque se a coisa apertar por aqui, ele pode naturalizar-se italiano, já que é casado com uma italiana.

Um comentário:

Ilton disse...

Além disto, assumindo a cidadania italiana, o Lula não poderia mais ser o presidente do Brasil. Mas isto é querer demais. Abraço.