segunda-feira, 31 de julho de 2006

SEGUNDA

SEM COMPARAÇÃO
O candidato do partido azul (se este jornal fosse a cores vocês veriam que na foto acima só tem vermelho na gravata do Fritsch. Se clicar na foto abre-se uma ampliação) disse ontem aqui em Florianópolis o seguinte:
“As falhas e os erros cometidos em governos anteriores são bem maiores. Eles não podem querer se comparar com o nosso governo na questão ética nem em nenhuma outra área”.
Aí eu não sei se escrevo apenas “então tá” e desligo o computador ou se continuo tentando entendender as coisas confusas que esta campanha está fazendo os candidatos dizerem. Primeiro Lula disse que o escândalo do mensalão só apareceu porque o governo dele apurou. E agora diz que nenhum governo anterior pode ser comparado ao governo atual.

Eu olho ao meu redor, converso com amigos, pergunto a quem encontro e não vejo sinais que a nossa vida tenha melhorado tanto assim. O fato do goveno não ter sido um desastre completo não autoriza a afirmação pedante e autoritária de que não tem comparação.

E mesmo que em muitas áreas o governo Lula tenha tido sucesso, na questão ética foi uma enorme decepção. Já disse aqui muitas vezes: nós, que votamos no Lula, estávamos preparados para muitas dificuldades e problemas. Governar o Brasil não é fácil. Mas nunca na vida imaginávamos que os Lulistas fossem do jeito que o poder mostrou que são.

Ou você esqueceram que o Delúbio viajava no aeroLula, dormina na Granja do Torto, freqüentava o gabinete do presidente e fumava charutos cubanos com ele? Tão íntimo quanto o Zé Dirceu. Os dois foram postos pra rua por que? Porque as acusações eram injustas e inventadas?

Toda a roubalheira que existia no governo FHC não só continuou como aumentou. Todo ladrão que se deu bem no governo FHC se deu ainda melhor no governo Lula. E aí Lulistas e petistas saem dizendo, com a maior cara de pau, que “todo mundo faz assim”, “todo partido usa caixa dois” e “quem nunca roubou que atire a primeira pedra”.

Lula chegou ao poder, em 2002, literalmente nos braços do povo. Com votos da classe média, da “elite”, de todo mundo. Devia ter respeitado esses votos e colocado na cadeia o Marcos Valério assim que ele apareceu propondo o esquema criminoso de financiamento partidário. Colocado na cadeia a máfia das ambulâncias no primeiro dia de governo. Mas não, quiseram embolsar algum, preferiram sujar as mãos, escolheram o código penal, em vez do código de ética.


O QUE DIZ O CÓDIGO BRASILEIRO DE TRÂNSITO?
“Art. 235. Conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo, salvo nos casos devidamente autorizados:
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para transbordo.”


DESISTA DE “ENTENDER” A GUERRA
Os jornais “modernos” costumam fazer uma bobagem “modernosa” que é criar gráficos do tipo “entenda isto”, “entenda aquilo”. Quando eu vi um “entenda a guerra”, me indignei: não tem como entender a guerra. Nenhuma guerra. Não existe nenhuma justificativa para a matança indiscriminada de gente. Não interessa quem atirou a primeira pedra (e ali naquela região a briga já dura uns milhares de anos). O fato é que está morrendo gente em Israel e no Líbano. O ataque israelense de ontem, que matou dezenas de crianças, não tem explicação. Assim como não têm explicação as bombas terroristas que matam tanta gente em tantos países. Santa Catarina, como todo o Brasil, tem uma população grande de descendentes de libaneses, que devem estar tão espantados quanto o resto do mundo. A guerra, definitivamente, é um atraso de vida.

Um comentário:

Carlito Costa disse...

César,
Entender ou compreender não é aceitar. Só tentando entender o que leva à guerra é que podemos ter opinião responsável sobre o assunto e até agir - ainda que o alcance dessa ação seja limitado ou inexistente - com o objetivo de condenar a própria guerra. E nisso os jornais fazem bem em tentar, mesmo que não consigam. Isso vale não só para a guerra, mas para outros assuntos, como a corrupção.