quinta-feira, 20 de julho de 2006

QUINTA

CALOTE COMEMORADO
Vocês, que são pessoas mais experientes já devem ter se acostumado, mas eu ainda me espanto com coisas como essas aí da foto: o prefeito Dário, de mangas de camisa, segura um enorme cheque de R$ 3 milhões, que a Unimed estava entregando. Estão todos felizes e contentes como se a cooperativa médica fosse boa pagadora. Que nada, a Unimed deu calote na Prefeitura desde 1997 e só pagou agora porque ganhou um bom desconto (20%) e um cálculo de pai pra filho do total da dívida.

Em vez dos devedores estarem constrangidos, cabisbaixos, estão festejando o bom negócio, feito às nossas custas e com o nosso dinheiro.

PREJUÍZO NO SÍTIO
O Tribunal Superior Eleitoral mandou suspender a distribuição das cartilhas “Emília e a Turma do Sítio” porque tinham na capa o logotipo do Fome Zero, um slogan e a marca oficial do governo federal, coisas proibidas pela legislação eleitoral. São “só” 40 milhões de cartilhas. Faz as contas aí do tamanho do prejuízo que nós vamos pagar porque alguém “esqueceu” que este é um ano eleitoral.

PFL CONTRA-ATACA
O PFL de Santa Catarina mandou ontem avisar aos vereadores e prefeitos que quiserem mijar fora da pichorra, que podem ir arrumando as malas. Quem inventar de apoiar o PP será convidado a cantar noutra freguesia. O PFL-SC já iniciou o processo de expulsão de um vereador de Camboriú e prepara o de um vereador de Lages.

E o kaiser Jorge Bornhausen disse que não tem medo da queixa que o PT fez ao TSE, “ela traduz o desespero ante a derrota eleitoral que, a cada dia, se aproxima mais”.

AMBULÂNCIAS FATAIS
Nessa história de sanguessugas tá faltando o pessoal do ministério. Pro deputado lucrar, alguém no governo tem que concordar. Ou não?

O mapa do gabinete do Lula já reflete as últimas pesquisas
[Se clicar sobre a foto abre-se uma ampliação]


ESSES JORNALISTAS...
Caiu na minha caixa de e-mail, ontem, uma reportagem que, segundo quem a enviou, tinha sido “censurada no jornal A Notícia”. Diz o texto que acompanha a reportagem que “A matéria não traz revelações bombásticas ou colocará alguém na cadeia, mas, como estava escrita e foi proibida de ser veiculada, é repassada para que todos a saibam”. E explica que “trata-se apenas de uma vingança moral em nome da classe jornalística”.

Quem cometeu este ato impensado certamente não tinha noção do que estava fazendo. E talvez até tivesse a melhor das intenções, mas de boas intenções o inferno está cheio.

A coisa é simples: um erro não justifica outro. Não podemos, só porque achamos que alguém errou, sair por aí fazendo coisa errada. Os jornalistas, embora às vezes se achem acima do bem e do mal, mas devem se submeter, como todos os mortais, às leis, normas e regulamentos.

DESSERVIÇO
A divulgação não autorizada de texto redigido por um funcionário ou funcionária, numa redação de jornal, configura grave quebra de confiança e dependendo do contrato de trabalho, justifica demissão imediata.

Antes de me apedrejar, deixem-me explicar que nem entrei na discussão sobre se o editor de A Notícia que vetou a matéria estava certo ou não, porque o repórter ou a repórter que pretendeu, com seu gesto tresloucado, prestar um serviço à categoria, na verdade estava demonstrando apenas despreparo e amadorismo.

Uma história bem contada sobre o suposto deslize do jornal, informações bem apuradas sobre o que aconteceu e a freqüência com que isso acontece, eventuais danos que a omissão da informação poderia causar, etc, seria muito mais importante para a discussão sobre a imprensa e suas formas de agir, do que a molecagem pura e simples de mandar o texto “censurado” por e-mail para todo mundo.

AVISO AOS LEIGOS
Quem não é jornalista ou não trabalha em jornal não deve ter entendido as duas notas anteriores. E quem é jornalista talvez não tenha entendido minha posição a respeito. Então tomo um pouco mais do tempo e do espaço de vocês para explicar um pouco mais (e, se possível, melhor).

Numa redação que se preze, a coisa que um editor mais faz é jogar texto no lixo. Jornalismo é depuração, ensinam os velhos mestres. Então, vetar textos, suspender reportagens, modificar textos, são coisas corriqueiras e comuns. Nem sempre fica claro, para o repórter, o motivo ou motivos da “derrubada” da sua matéria. Há editores que conseguem trabalhar mais facilmente em equipe, outros menos.

E em algumas situações, como parece ter sido a da tal “denúncia”, o jornal resolveu não entrar em alguma briga ou achou que a reportagem criaria problemas que o jornal não queria ter. E não cometeu, com isso, nenhum crime. Todos os jornais tomam, todos os dias, dezenas de decisões semelhantes. Mesmo este aqui, que entra em muitas brigas, não entra em todas as brigas. E vez por outra reportagens são canceladas, adiadas, refeitas.

Faz parte do jogo, de um jogo profissional que, a partir da assinatura do contrato de trabalho, não pode ser jogado ingenua ou aeticamente. As empresas de comunicação sofrem pressões de inúmeros lados. Todos se acham no direito de puxar a brasa para sua sardinha.

Cabe aos jornalistas entender essa geopolítica empresarial e escolher a melhor forma de agir para defender a informação correta, socialmente relevante e equilibrada.

E nem sempre chutar o balde é a melhor saída.

O TEMPO PASSA...
Esta aí é a capa da revista Placar de 11 de novembro de 1983 (roubei, a foto e a nota, do blog do Juca Kfouri). Parreira tinha assumido a seleção no lugar de Telê Santana e estava indo mal. Ele acabou saindo, foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 84 e reassumiu a seleção em 1994.

2 comentários:

João E Castro disse...

Bom Dia, Leio todos os dias de manhã sua coluna, é excelente, muito informativa e com opinião, não pausterizada. Outrossim, não lembro bem dos detalhes do contencioso Unimed x PMF, mas era matéria controversa, por ser uma cooperativa de trabalho, e não uma empresa comercial, não sou triburtista, mas creio que tinha algo como isto. De qualquer modo, não é uma doação, portanto tens toda a razão, fica um pouco constrangedor esta citada cena.Atenciosamente

frank disse...

Professor, li essa e lembrei de vc na hora: http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundovirtual/2457501-2458000/2457626/2457626_1.xml
abração