quarta-feira, 26 de julho de 2006

QUARTA

SUBSTITUIÇÃO AOS 44 MINUTOS...
Na foto acima, a partir da esquerda, a nova Secretária de Estado do Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, professora Zuleika Mussi Lenzi, o Dr. Moreira, o Sussu (ou seria Suçu?) Pereira (também conhecido como Içuriti), que foi o secretário interino e o grande Fenelon Daminani, dono da voz de veludo que acaricia os ouvidos oficiais nas solenidades. Isso foi ontem à noite, no Centro Administrativo, na concorrida posse da secretária. Quando acabou aí, a Zuleika foi pra secretaria (na Av. Mauro Ramos, no centro da cidade), onde os servidores a receberam com um coquetel.

Estão todos muito animados com a nova secretária, mas uma servidora de carreira resumiu bem o espírito da coisa: “é muito bom ter uma pessoa que conhece a área, que sempre foi muito ativa e preocupada, mas o que a gente não entende é por que demorou tanto. Isso devia ter acontecido há três anos e meio.” Os servidores já estavam achando que só quando mudasse o governo eles teriam um pouco de atenção e chefes que não estivessem apenas preocupados em usar os recursos públicos para sua campanha política. E fora os fantasmas, que tinha em todo canto.

SOBE E DESCE
O Ibope divulgou ontem no Jornal Nacional uma nova pesquisa de intenções de voto para a presidência da república. Geraldo continua crescendo (chegou aos 27%), Lula não tem do que se queixar (44%). A dona Heloísa se mantém (8%). E no segundo turno (se tiver), Lula continua ganhando, mas por uma diferença menor: 48% a 39%, quando em junho era 53% a 31%.

A NOSSA GUERRA
Ontem aqui em Florianópolis continuou o tiroteio. Parece que a gente está no Líbano. De um lado, o governo federal, explicando que o dinheiro federal para aliviar os efeitos da seca ainda não chegou por causa do governo estadual. Do outro, o governo estadual, explicando que o dinheiro ainda não chegou por culpa do governo federal.

Um lado atira bombas, granadas, mísseis e pedras no outro. No meio, ou embaixo desse bombadeio, estão os produtores rurais, principalmente do oeste, amargando seu terceiro ano consecutivo de seca. Seca completa e total: na conta do banco, no bolso, na lavoura e na criação de animais. E os governos, sem se acertar, fazendo uma briga que tem todo o jeitão de ser uma guerra eleitoral.

O governo federal diz que não mandou o dinheiro porque o governo estadual não entregou os documentos necessários. E o governo do estado afirmou, ontem à tarde que não entregou os documentos porque não teve nenhum pedido por escrito, só em reuniões e por telefone.

Aí o governo federal diz que não mandou o dinheiro porque, no meio da história, o governo estadual pediu pra reduzir a verba. É que o estado tem que entrar com uma parte, a tal da contrapartida e como o caixa estava meio vazio, disse que era bom maneirar o tamanho da ajuda federal.

Bom, com isso o governo do estado ficou brabo resolveu acabar com a brincadeira: lança hoje e amanhã, no oeste, um plano de socorro por conta própria. Vai colocar alguns milhões na roda imediatamente (mas não deixou claro quanto). E aproveitar, naturalmente, para descer o cacete no governo Lula um pouco mais.

É como já dizia minha Tia Tinoca: meu filho, em briga de grande quem sofre é sempre o pequeno.

DERRUBAR OU NÃO?
Meu amigo jornalista Moacir Pereira, dia desses, se indignou com o embargo da obra do shopping Santa Mônica (que agora parece que é Iguatemi), meio que dando a entender que não tem cabimento mandar demolir o que já está quase pronto.

Pensei sobre o assunto e cheguei à conclusão que, ao contrário dele, acho que se a coisa tiver sido construída ao arrepio da lei, tem que ser demolida mesmo, não importa em que estágio esteja. Se metade do shopping está em terreno da União e outra metade em área de preservação e se as licenças foram obtidas fraudulentamente, põe na chon.

Mas se o construtor tocou a obra fiando-se em licenças dadas por autoridades incompetentes, então põe na cadeia as autoridades e larga o pé do construtor. Né não?

NOSSO REPRESENTANTE
Agora é oficial: Santa Catarina tem mesmo um deputado envolvido no escândalo dos sanguessugas. O deputado Adelor Vieira (PMDB) foi notificado ontem pela CPI e terá que apresentar defesa escrita até agosto (ele e mais 89 colegas). Ah, e o PT perdeu a virgindade: tem dois na roda.

O PP SE DIVERTE
Circula por aí um e-mail com um trecho de um discurso do senador Jorge Bornhausen (PFL) criticando o mensalão e a compra de apoio de partidos para formar a base do governo Lula. E um pessoal do PP escreveu que é só trocar as referências ao PT e a Lula por PMDB e LHS, para ficar direitinho a situação catarinense. Trata-se, é claro, de uma alfinetada no PFL, a quem acusam de ter casado com o PMDB por interesse.

CASA CHEIA – Ontem, para minha surpresa, encontrei o plenário da Assembléia Legislativa cheio de... deputados. Tá certo que a “convocação” do governo para que a sua base fosse até lá para aprovar o tal de “Revigorar” (uma espécie de fortificante de final de ano, que dá uma forcinha pros caloteiros) levou muita gente. Mas, de qualquer forma, até deputados que aparecem pouco no serviço estavam lá. Deve ser o efeito TVAL. Como quase todos são candidatos à reeleição, eles fazem qualquer negócio pra aparecer na TV. Até encarar uma sessão extraordinária. Acho que mesmo que fosse ordinária eles iriam. Ainda mais agora, que só tem sessão no começo de agosto, pra votar a LDO.


Update das 9:30: alguém fez um comentário ali no espaço de... comentários e como eu sei que nem todos abrem aquele troço, puxo para cá, juntamente com a minha réplica.
Anonymous said... Ora, Cesar! Se eles lá não estivessem, você estaria malhando. E estando presentes, também levam malho!
Assim fica difícil convencer o pobre eleitor que alguém possa merecer seu voto.
Cesar said... Caro anônimo: de fato, ao reler percebi que generalizei a crítica. Tem uma boa parte que trabalha normalmente, é assídua e realmente sabe o que faz. E tem uma pequena parte que só está lá por causa da TV. Na nota, essa distinção não aparece, o que é injusto para com aqueles que fazem por merecer os votos que receberam. E acaba diluindo a responsabildade daqueles que habitualmente matam o serviço.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ora, Cesar! Se eles lá não estivessem, você estaria malhando. E estando presentes, também levam malho!
Assim fica difícil convencer o pobre eleitor que alguém possa merecer seu voto.

Cesar disse...

Caro anônimo: de fato, ao reler percebi que generalizei a crítica. Tem uma boa parte que trabalha normalmente, é assídua e realmente sabe o que faz e tem uma pequena parte que só está lá por causa da TV. Na nota, essa distinção não aparece, o que é injusto com aqueles que fazem por merecer os votos que receberam. E acaba diluindo a responsabildade daqueles que habitualmente matam o serviço.