Segunda-feira, 31 de Julho de 2006

SEGUNDA

SEM COMPARAÇÃO
O candidato do partido azul (se este jornal fosse a cores vocês veriam que na foto acima só tem vermelho na gravata do Fritsch. Se clicar na foto abre-se uma ampliação) disse ontem aqui em Florianópolis o seguinte:
“As falhas e os erros cometidos em governos anteriores são bem maiores. Eles não podem querer se comparar com o nosso governo na questão ética nem em nenhuma outra área”.
Aí eu não sei se escrevo apenas “então tá” e desligo o computador ou se continuo tentando entendender as coisas confusas que esta campanha está fazendo os candidatos dizerem. Primeiro Lula disse que o escândalo do mensalão só apareceu porque o governo dele apurou. E agora diz que nenhum governo anterior pode ser comparado ao governo atual.

Eu olho ao meu redor, converso com amigos, pergunto a quem encontro e não vejo sinais que a nossa vida tenha melhorado tanto assim. O fato do goveno não ter sido um desastre completo não autoriza a afirmação pedante e autoritária de que não tem comparação.

E mesmo que em muitas áreas o governo Lula tenha tido sucesso, na questão ética foi uma enorme decepção. Já disse aqui muitas vezes: nós, que votamos no Lula, estávamos preparados para muitas dificuldades e problemas. Governar o Brasil não é fácil. Mas nunca na vida imaginávamos que os Lulistas fossem do jeito que o poder mostrou que são.

Ou você esqueceram que o Delúbio viajava no aeroLula, dormina na Granja do Torto, freqüentava o gabinete do presidente e fumava charutos cubanos com ele? Tão íntimo quanto o Zé Dirceu. Os dois foram postos pra rua por que? Porque as acusações eram injustas e inventadas?

Toda a roubalheira que existia no governo FHC não só continuou como aumentou. Todo ladrão que se deu bem no governo FHC se deu ainda melhor no governo Lula. E aí Lulistas e petistas saem dizendo, com a maior cara de pau, que “todo mundo faz assim”, “todo partido usa caixa dois” e “quem nunca roubou que atire a primeira pedra”.

Lula chegou ao poder, em 2002, literalmente nos braços do povo. Com votos da classe média, da “elite”, de todo mundo. Devia ter respeitado esses votos e colocado na cadeia o Marcos Valério assim que ele apareceu propondo o esquema criminoso de financiamento partidário. Colocado na cadeia a máfia das ambulâncias no primeiro dia de governo. Mas não, quiseram embolsar algum, preferiram sujar as mãos, escolheram o código penal, em vez do código de ética.


O QUE DIZ O CÓDIGO BRASILEIRO DE TRÂNSITO?
“Art. 235. Conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo, salvo nos casos devidamente autorizados:
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para transbordo.”


DESISTA DE “ENTENDER” A GUERRA
Os jornais “modernos” costumam fazer uma bobagem “modernosa” que é criar gráficos do tipo “entenda isto”, “entenda aquilo”. Quando eu vi um “entenda a guerra”, me indignei: não tem como entender a guerra. Nenhuma guerra. Não existe nenhuma justificativa para a matança indiscriminada de gente. Não interessa quem atirou a primeira pedra (e ali naquela região a briga já dura uns milhares de anos). O fato é que está morrendo gente em Israel e no Líbano. O ataque israelense de ontem, que matou dezenas de crianças, não tem explicação. Assim como não têm explicação as bombas terroristas que matam tanta gente em tantos países. Santa Catarina, como todo o Brasil, tem uma população grande de descendentes de libaneses, que devem estar tão espantados quanto o resto do mundo. A guerra, definitivamente, é um atraso de vida.

Sábado, 29 de Julho de 2006

SÁBADO E DOMINGO

PROBLEMÃO
Na foto acima dá pra ter bem uma idéia da localização do novo Shopping do bairro Santa Mônica (para ver maior, é só clicar sobre a foto). Está próximo ao mangue, mas não foi o primeiro nem o único a usar aquela área. Em todo caso, quando a obra parou por decisão judicial, pararam as obras nas vias próximas (na foto abaixo, que mostra a rua Joe Collaço: tiraram o pavimento e estavam preparando para asfaltar) deixando a vizinhança comendo poeira e enfrentando a buraqueira. Calçadas foram arrebentadas e tá tudo uma bagunça. Parado. Como se a prefeitura tivesse vendido as ruas para o Shopping e não tivesse responsabilidade pelo inferno em que o pessoal, que paga os impostos, foi metido.


REPÚBLICA DE LADRÕES
Tem uma nuvem negra, ameaçadora, repleta de raios, trovões e granizo, pronta para se instalar sobre a cabeça dos próximos governantes, quaisquer que sejam eles. Lula ou Geraldo, Heloísa ou Eymael, não faz a menor diferença quem ganhar a eleição, aquela sombra ameaçadora estará lá, louca para desabar sobre nossas cabeças. É a nuvem da corrupção, essa praga que se instalou faz tempo e já tem raízes profundas, alimentada pela impunidade e pela abundante falta de vergonha na cara.

Se não for feita uma reforma política séria, profunda e rápida, será impossível governar este país. Estamos nos transformando numa república de ladrões onde a democracia perde sentido a cada dia. Tudo porque a corrupção rompe, estraçalha, esmigalha a confiança que o cidadão deveria ter nos políticos.

Como todos deveriam saber, a democracia vive e se renova na confiança: ou vocês acham que chegar na urna e assinar uma procuração ou um cheque em branco para que um sujeito nos represente não é um ato supremo de confiança?

Portanto, se não criarmos condições para que se restabeleça a confiança, melhor empacotar tudo, botar a mochila nas costas e ir embora. E o último a sair que apague a luz do aeroporto.

“SUPRAPARTIDÁRIO”
Lula passa o domingo em Florianópolis mas não faz comício. Participa de eventos “suprapartidários”, que é como a coordenação da campanha resolveu chamar os dois compromissos na cidade. De fato, é um nome apropriado para um candidato que, a cada dia, demonstra que está mais descolado de seu partido. Lula é o próprio candidato “suprapartidário”.

O HOSPITAL E OS RATOS
A Secretária da Saúde, Carmem Zanotto, afastou ontem o diretor do Hospital Celso Ramos, na esteira do escândalo dos ratos e do pouco caso.

O contribuinte cada vez entende menos por que hospitais e outras instituições públicas têm tantos gerentes, diretores e gente engomada: eles não vêem nada, não tomam nenhuma providência. E aí, quando os ratos aparecem em close na tela da TV tem que vir Secretária e Governador correndo pra apagar os incêndios e recolher o lixo e a lama.

As duas notícias acima saíram num jornal de Florianópolis, em 1957. Pra vocês verem que não é de hoje que o mundo tá cheio de ladrão e maluco.
(Os recortes foram coletados pela Vera Sayão, fotógrafa compentente que agora, pelo jeito, está estudando história).

Movimentação da Planam, empresa que
criou a máfia dos sanguessugas, segundo a PF

De ambulância em ambulância essa praga
vai embolsando o nosso rico dinheirinho...

Sexta-feira, 28 de Julho de 2006

SEXTA

NATUREZA ESTRESSADA
A foto acima foi tirada ontem de manhã aqui perto de casa. A coitada da árvore estava achando que já era primavera ou verão e se floriu toda. Mas aí olhou no calendário, viu que era julho e as flores começaram a cair. Provavelmente na semana que vem ela frutifica. Ou caem as folhas. Tem uma amendoeira que só esta semana ficou com as folhas vermelhas (como deveria ter ficado no outono) e agora vão começar a cair. Se a gente fosse capaz de conversar com as plantas e as árvores notaria que as pobres estão completamente estressadas com esse tempo maluco, sem saber direito o que devem fazer. E nós, que criamos essa situação com nossa gasolina, nossas queimadas e outras sandices, fazemos de conta que não temos nada com isso.

ATO IMPENSADO
Comentei, há alguns dias, sobre um repórter que, quando teve sua matéria vetada pelo editor, enviou e-mail para uma porção de gente acusando o jornal de censura comercial.

Eu disse, naquele dia: “A divulgação não autorizada de texto redigido por um funcionário ou funcionária, numa redação de jornal, configura grave quebra de confiança e dependendo do contrato de trabalho, justifica demissão imediata”.

Ontem me contaram que o autor do “protesto” foi demitido pelo jornal. Mas quem me deu a notícia estava achando que a pena foi muito severa. “Afinal ele é muito jovem, não pensou direito, não mediu as conseqüências”, argumentou minha amiga, morta de pena da criatura demitida. É claro, ficar sem emprego num país como o nosso não é pouca coisa.

No jornalismo, como em tantas outras profissões, é saudável que jovens inexperientes convivam com os veteranos. Mas a forma como as empresas têm se organizado faz com que as redações fiquem com excesso de jovens jornalistas inexperientes (são mais baratos) e muito poucos sujeitos mais vividos (são mais caros).

Se o jovem deste caso aí tivesse um colega de cabelos brancos com quem pudesse trocar uma idéia, talvez ouvisse as palavra mágicas (“vai dar merda!”) e até algumas histórias sobre como agiram em outras situações semelhantes. E o desfecho poderia ter sido outro.

ATO PENSADO
[E por falar em jornalismo peço licença para transcrever aqui o comentário que fiz ontem na rádio Som Maior Antena 1 de Criciúma e na Rádio Clube de Lages.]

Hoje não vou falar sobre política. Pelo menos não sobre política partidária. falarei sobre esta nossa nobre, incompreendida e sempre admirada profissão de jornalistas. Os jornalistas ocupam, na sociedade, lugar de destaque. Sempre foi assim, desde o tempo em que, nas pequenas vilas medievais, o arauto vinha de longe e reunia o povo para contar as novidades.

Todos nós gostamos de saber o que acontece à nossa volta. Informar-se é uma necessidade vital, tão importante como matar a sede e alimentar o corpo. O ser humano não consegue se isolar completamente. Sempre quer saber o que ocorre ao seu redor. E cabe aos jornalistas manter abertas as janelas por onde podemos todos espiar para fora. Por ali conseguimos ver o buraco das ruas, os engarrafamentos mais adiante, saber da guerra acolá e das últimas do Lula.

Pois a última do Lula foi o veto integral de um projeto, aprovado no Congresso, que complementava a regulamentação da profissão de jornalista. Não sei por que, ou sei mas prefiro fazer que não sei, as empresas jornalísticas, que vivem do que os jornalistas fazem, odeiam qualquer tentativa de organização dos jornalistas. É sacrilégio falar em dotar os jornalistas de uma carreira. É pecado mortal tentar estabelecer regras mínimas para o exercício profissional.

A artilharia contra quem quer que pretenda defender a qualificação da profissão e do profissional é tamanha, que muitos colegas têm até medo e vergonha de dizer que têm diploma de jornalista. Muitos ficam quietos e acuados em momentos como este, em que o presidente-candidato, atendendo a seus marqueteiros, toma uma decisão demagógica e eleitoreira. Tão demagógica quanto a redução da multa por excesso de velocidade.

Não que se tenha muito o que fazer ou dizer. Mas, pelo menos, não se deveria deixar de dizer: senhor presidente-candidato, sinto muito, mas na minha opinião esse veto foi uma enorme, monstruosa e agressiva idiotice.

NOSSOS COMERCIAIS
Na Som Maior Antena 1, a FM líder de audiência em Criciúma, faço comentários no programa do Adelor Lessa, de manhã cedo, por volta das 8h e no programa Última Edição, no final da tarde, por volta das 18:30. Na rádio Clube de Lages, a AM que é líder há 60 anos, o comentário é por volta das 12:30. E na Rede TV Sul (aquela que tem o Festival de Dança e o Pânico na TV) o comentário é dentro do jornal Notícias do Sul, que começa às 12:30.

Para ver e ouvir pela internet: www.antena1criciuma.com.br e www.tvip.tv.br (neste endereço dá pra ouvir a rádio Clube e ver a Rede TV Sul).

TEFLON NA CARECA
O primeiro pedido de resposta da atual campanha eleitoral foi do ex-secretário de segurança do governo LHS, Ronaldo Benedet, que se sentiu ofendido pelo que disse Esperidião Amin numa entrevista à rádio Som Maior Antena 1 de Criciúma no dia 21. Mas não colou, porque o TRE negou o pedido.

O juiz não viu ofensa no que o careca falou:
“O que desfavorece isso é a politicagem, é nomear deputado, suplente de deputado, para secretário de Segurança. É ter delegado da maior cidade de Santa Catarina, Joinville, delegados que têm mandato, e mandato de partido da base do governo, preso e condenado”.
ANOS EM FESTA
Com atraso uno-me a todos os leitores e leitoras do DIARINHO nos parabéns ao colega JC, aqui da página 2, que há dois anos cumpre a espinhosa tarefa de comentar a política local. E ainda nos ilustra com as fotos das ambulâncias superfaturadas. Parabéns, amigo, e sucesso crescente. Como disse, o JC merece todas as homenagens, porque é muito mais difícil falar do político municipal do que do estadual. Sempre se corre o risco de encontrar o cara na padaria.

Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

QUINTA

Nota do editor: para evitar problemas legais, vou adotar, aqui, a mesma providência que muitos blogs já adotaram (inclusive eu próprio, no meu antigo blog, o Carta Aberta), que é avisar aos comentaristas, em especial aos comentaristas anônimos, que nem tudo pode ser dito. Pela simples razão que, em princípio e para todos os efeitos, o responsável por tudo o que vocês escreverem nos comentários sou eu. Assim, o texto abaixo será depois colocado ali ao lado e ficará lá, como uma espécie de norma de convivência com os comentaristas. E uma garantia, ainda que débil, para o caso de alguém resolver me processar por algo que eu não tenha efetivamente escrito.

ADVERTÊNCIA

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CRISE DE IDENTIDADE
Amiga minha, leitora da coluna, que nem é loira, contou-me ontem que ficou uns minutos intrigada por que diabos, no estacionamento do Centro Administrativo do Governo, tinha tanto carro com adesivos de um tal de Geraldo. “Puxa, esse candidato a deputado deve ser forte mesmo...” pensou ela. Claro que logo depois caiu a ficha. Mas que sempre rola uma confusão básica, lá isso rola. Eu também acho muito estranho, quando entro no site do candidato e leio Geraldo pra cá, Geraldo pra lá, Geraldo isso e Geraldo aquilo. Nos jingles (as musiquinhas da campanha) é ainda pior, porque o Geraldo é cantado com um ô bem comprido no final: Geraldoooo.
Deve ser por isso que o Alckmin não decola nas pesquisas. Não tem nenhum cartaz com o nome dele...

OBRA EMBARGADA
Na coluna de ontem citei meu amigo Moacir Pereira e fiz alguns comentários sobre a obra embargada de um shopping na capital. Como somos leitores um da coluna do outro, ele me ligou para conversarmos sobre o assunto e ver se temos de fato alguma discordância ou se pensamos da mesma forma.

Acho que, no fundamental, estamos de acordo: se um empresário age de boa fé, vai atrás de todas as permissões, autorizações e alvarás, paga as taxas, emolumentos e impostos, começa sua obra e a alturas tantas alguém acha que tem irregularidades nos alvarás concedidos, é preciso ir devagar com o andor.

Não tem sentido privar a cidade de uma fonte de empregos importante porque alguma autoridade municipal ou estadual não fez seu trabalho direito. Quando a gente recebe uma autorização para construir, imagina que seja uma autorização mesmo. Não um “quem sabe, talvez, vai tocando que depois a gente vê”. Não dá pra trabalhar assim.

E se não vai demolir a obra, se não vai colocar tudo no chão, não adianta ficar criando empecilhos, protelamentos e embargos. Até porque, no ponto em que o shopping Iguatemi (ex-Santa Mônica) se encontra, parece mais útil para a cidade e para a cidadania de seus habitantes, colocar gente na cadeia (provavelmente quem autorizou o que não poderia ter autorizado) do que impedi-lo de funcionar.

SC, CAPITAL LAGUNA
O governo do estado será instalado provisóriamente em Laguna nesta sexta (28), como parte do aniversário (330 anos) da cidade. O Dr. Moreira vai aproveitar a data para homenagear a Associação Catarinense de Imprensa (presidida pelo Moacir Pereira), com a medalha Anita Garibaldi. A honraria comemora o bicentenário de Jerônimo Coelho e os 175 anos da imprensa catarinense.

O governador cumprirá agenda de inaugurações na cidade, que será capital do estado por um dia.

O POVO NO PODER
Como conseqüência natural, depois de tomar posse, o diretor comercial eleito pelos funcionários da Celesc vai debater como estruturar sua diretoria num seminário com 200 participantes, todos empregados da empresa. Se fosse o P-SOL ou o PSTU que estivesse à frente da estatal, a gente talvez nem se surpreendesse com esse romântico e saudoso “revival” socialista. Mas estamos falando de uma empresa que tem ações na bolsa de valores, o que a torna radicalmente capitalista. Vai ver estão tentando achar uma terceira via, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

PDT TAMBÉM VAI
O TRE-SC tinha multado o Manoel Dias, candidato do PDT ao governo, por propaganda fora de época. Nos programas partidários foi apresentado o currículo do Maneca e ele foi mostrado como “um exemplo de luta e coerência” (praticamente todos os partidos fizeram o mesmo). Só que agora o procurador federal eleitoral quer estender a multa ao PDT. Acha que o partido também é responsável.

EMPERRAMENTO
Na segunda-feira o secretário que tem a chave do cofre vai se reunir com os secretários que tem concursos realizados nas suas áreas, pra ver se dá pra chamar alguém. Como a coisa está a conta-gotas, é bom os classificados nos concursos, que estão esperando há dois anos pelas vagas, não se animarem demais.

Cálculos mais otimistas estimam que serão chamados 300 na polícia civil e uns 90 na educação (assistentes de direção).

A GUERRA DA SECA
No bombardeio de ontem, o governo do estado anunciou que colocou cerca de R$ 100 mil em cada uma das 20 secretarias regionais que estão em áreas de emergência. A grana será repassada aos municípios “sem burocracia”. A alfinetada é no governo federal, que diz que não deu ainda pra mandar o dinheiro porque o estado não cumpriu os requisitos e nem preencheu os formulários. Daqui a um mês, o Dr. Moreira vai ordenhar o Fundo Social pra ver se saem mais outros R$ 2 milhões.

REMENDOS LOCALIZADOS
A língua é uma coisa elástica, que se presta aos mais diversos malabarismos. A meia-sola nas estradas da Ilha ganhou, de uns tempos para cá, a pomposa denominação de “revitalização de rodovias”.

Pois agora, a operação tapa-buracos está sendo chamada de “fase de remendos localizados”. Não é uma maravilha?

O governo anunciou exatamente desta maneira, sem tirar nem por, as novidades:
“Já estão em fase de remendos localizados as obras de revitalização do pavimento asfáltico das SCs 404, 405 e 406”.
LHS TEM PRESSA
Dizem os velhos sábios em ciência política que segundo turno é segundo turno e primeiro turno é primeiro turno. Ciente disso, ontem o LHS fez um apelo a seus militantes e companheiros de chapa que passem sebo nas canelas e ponham o pé na estrada: “só assim ganharemos a eleição ainda no primeiro turno”. Tem razão o candidato. Quem tem segundo turno, tem medo. Melhor resolver no primeiro.

Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

QUARTA

SUBSTITUIÇÃO AOS 44 MINUTOS...
Na foto acima, a partir da esquerda, a nova Secretária de Estado do Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, professora Zuleika Mussi Lenzi, o Dr. Moreira, o Sussu (ou seria Suçu?) Pereira (também conhecido como Içuriti), que foi o secretário interino e o grande Fenelon Daminani, dono da voz de veludo que acaricia os ouvidos oficiais nas solenidades. Isso foi ontem à noite, no Centro Administrativo, na concorrida posse da secretária. Quando acabou aí, a Zuleika foi pra secretaria (na Av. Mauro Ramos, no centro da cidade), onde os servidores a receberam com um coquetel.

Estão todos muito animados com a nova secretária, mas uma servidora de carreira resumiu bem o espírito da coisa: “é muito bom ter uma pessoa que conhece a área, que sempre foi muito ativa e preocupada, mas o que a gente não entende é por que demorou tanto. Isso devia ter acontecido há três anos e meio.” Os servidores já estavam achando que só quando mudasse o governo eles teriam um pouco de atenção e chefes que não estivessem apenas preocupados em usar os recursos públicos para sua campanha política. E fora os fantasmas, que tinha em todo canto.

SOBE E DESCE
O Ibope divulgou ontem no Jornal Nacional uma nova pesquisa de intenções de voto para a presidência da república. Geraldo continua crescendo (chegou aos 27%), Lula não tem do que se queixar (44%). A dona Heloísa se mantém (8%). E no segundo turno (se tiver), Lula continua ganhando, mas por uma diferença menor: 48% a 39%, quando em junho era 53% a 31%.

A NOSSA GUERRA
Ontem aqui em Florianópolis continuou o tiroteio. Parece que a gente está no Líbano. De um lado, o governo federal, explicando que o dinheiro federal para aliviar os efeitos da seca ainda não chegou por causa do governo estadual. Do outro, o governo estadual, explicando que o dinheiro ainda não chegou por culpa do governo federal.

Um lado atira bombas, granadas, mísseis e pedras no outro. No meio, ou embaixo desse bombadeio, estão os produtores rurais, principalmente do oeste, amargando seu terceiro ano consecutivo de seca. Seca completa e total: na conta do banco, no bolso, na lavoura e na criação de animais. E os governos, sem se acertar, fazendo uma briga que tem todo o jeitão de ser uma guerra eleitoral.

O governo federal diz que não mandou o dinheiro porque o governo estadual não entregou os documentos necessários. E o governo do estado afirmou, ontem à tarde que não entregou os documentos porque não teve nenhum pedido por escrito, só em reuniões e por telefone.

Aí o governo federal diz que não mandou o dinheiro porque, no meio da história, o governo estadual pediu pra reduzir a verba. É que o estado tem que entrar com uma parte, a tal da contrapartida e como o caixa estava meio vazio, disse que era bom maneirar o tamanho da ajuda federal.

Bom, com isso o governo do estado ficou brabo resolveu acabar com a brincadeira: lança hoje e amanhã, no oeste, um plano de socorro por conta própria. Vai colocar alguns milhões na roda imediatamente (mas não deixou claro quanto). E aproveitar, naturalmente, para descer o cacete no governo Lula um pouco mais.

É como já dizia minha Tia Tinoca: meu filho, em briga de grande quem sofre é sempre o pequeno.

DERRUBAR OU NÃO?
Meu amigo jornalista Moacir Pereira, dia desses, se indignou com o embargo da obra do shopping Santa Mônica (que agora parece que é Iguatemi), meio que dando a entender que não tem cabimento mandar demolir o que já está quase pronto.

Pensei sobre o assunto e cheguei à conclusão que, ao contrário dele, acho que se a coisa tiver sido construída ao arrepio da lei, tem que ser demolida mesmo, não importa em que estágio esteja. Se metade do shopping está em terreno da União e outra metade em área de preservação e se as licenças foram obtidas fraudulentamente, põe na chon.

Mas se o construtor tocou a obra fiando-se em licenças dadas por autoridades incompetentes, então põe na cadeia as autoridades e larga o pé do construtor. Né não?

NOSSO REPRESENTANTE
Agora é oficial: Santa Catarina tem mesmo um deputado envolvido no escândalo dos sanguessugas. O deputado Adelor Vieira (PMDB) foi notificado ontem pela CPI e terá que apresentar defesa escrita até agosto (ele e mais 89 colegas). Ah, e o PT perdeu a virgindade: tem dois na roda.

O PP SE DIVERTE
Circula por aí um e-mail com um trecho de um discurso do senador Jorge Bornhausen (PFL) criticando o mensalão e a compra de apoio de partidos para formar a base do governo Lula. E um pessoal do PP escreveu que é só trocar as referências ao PT e a Lula por PMDB e LHS, para ficar direitinho a situação catarinense. Trata-se, é claro, de uma alfinetada no PFL, a quem acusam de ter casado com o PMDB por interesse.

CASA CHEIA – Ontem, para minha surpresa, encontrei o plenário da Assembléia Legislativa cheio de... deputados. Tá certo que a “convocação” do governo para que a sua base fosse até lá para aprovar o tal de “Revigorar” (uma espécie de fortificante de final de ano, que dá uma forcinha pros caloteiros) levou muita gente. Mas, de qualquer forma, até deputados que aparecem pouco no serviço estavam lá. Deve ser o efeito TVAL. Como quase todos são candidatos à reeleição, eles fazem qualquer negócio pra aparecer na TV. Até encarar uma sessão extraordinária. Acho que mesmo que fosse ordinária eles iriam. Ainda mais agora, que só tem sessão no começo de agosto, pra votar a LDO.


Update das 9:30: alguém fez um comentário ali no espaço de... comentários e como eu sei que nem todos abrem aquele troço, puxo para cá, juntamente com a minha réplica.
Anonymous said... Ora, Cesar! Se eles lá não estivessem, você estaria malhando. E estando presentes, também levam malho!
Assim fica difícil convencer o pobre eleitor que alguém possa merecer seu voto.
Cesar said... Caro anônimo: de fato, ao reler percebi que generalizei a crítica. Tem uma boa parte que trabalha normalmente, é assídua e realmente sabe o que faz. E tem uma pequena parte que só está lá por causa da TV. Na nota, essa distinção não aparece, o que é injusto para com aqueles que fazem por merecer os votos que receberam. E acaba diluindo a responsabildade daqueles que habitualmente matam o serviço.

Terça-feira, 25 de Julho de 2006

TERÇA

Acima a capa da Ediçãozinha Extra do Diarinho Sports que circulou ontem, com a notícia da contratação do Dunga.
Esgotou nas bancas em menos de uma hora.
[Molecagem sobre fotos desapropriadas da Internet.
Dunga é marca registrada da Branca de Neve.]


AGORA VAI
O novo técnico da seleção brasileira de futebol, com contrato que vai até 2010 é Carlos Caetano Bledorn Verri, um gaúcho de Ijuí, com 42 anos que nunca foi técnico. Mas foi jogador. E jogou na seleção, o que parece ser suficiente para garantir que venha a ser um técnico compentente. Na seleção Carlos Caetano era facilmente reconhecido pelo corte de cabelo a escovinha. Nas horas vagas atuava no cinema, TV e teatro, como um dos sete anões que acompanhavam a Branca de Neve no seu show de variedades.

BRIGA DE GENTE GRANDE
Quando eu era pequeno (já entrei no espírito da era Dunga) ouvia uns disquinhos com historinhas infantis e tinha uma que me impressionava muito porque terminava mais ou menos assim: “vamo embora, porque em briga de grande quem sofre é sempre o pequeno”.

Senti-me da mesma forma quando li a extensa nota com que o Ministério da Integração Nacional jogava no governo do estado a culpa pela demora na liberação de recursos para aliviar os efeitos da seca em SC.

Alega o governo federal que o governo do estado não foi ágil, nem competente e nem teve pressa (usou até a velha desculpa de que o correio sumiu com a papelada). Certamente para poder, na campanha, dizer que o dinheiro não chegou a tempo.

Seja qual for o motivo, tenha ou não tenha componente de campanha eleitoral envolvido, o fato é que a grana de emergência demorou. O pequeno, portanto, já sofreu e continua sofrendo. Os grandes continuam a duelar, atirando pedras para lá e para cá, e o pobre do eleitor tem que correr pra sair de baixo.

SUPERSTAR DA CELESC
Vocês viram o noticiário, por muitas semanas, sobre a escolha do novo diretor comercial da Celesc? Teve mais notícia do que eleição de deputado. Teve campanha, voto, debates e agora uma festança para a “diplomação”, digo, posse.

Que moda é essa? Pra que tanta firula para escolher um executivo? Ah, mas aí o povo da Celesc enche a boca “é o primeiro diretor eleito pelo voto direto dos empregados”. Por que um executivo de empresa tem que ser escolhido pelos seus pares?

O Ximenes não vai gostar, mas alguém tem que dizer que transformar a escolha de ocupantes de cargos técnicos, mesmo que de escalão superior em ato pretensamente político deixa no ar um suave aroma de demagogia. E cria complicadores para o bom funcionamento da empresa.

Quer ver? Digamos que o novo diretor (a quem não conheço e que provavelmente deve ser capaz e merecedor de todos os elogios que lhe fizeram) pise na bola (acontece nas melhores famílias) e precise ser substituído. Naturalmente, o presidente da Celesc não poderá demití-lo assim, sem mais nem menos. Afinal, quem ascende nos braços do povo tem o povo a respaldá-lo e não será qualquer um que o retirará da função. Será preciso colocar em votação a substituição do diretor? Como ter agilidade nas decisões se os diretores são irremovíveis e, por serem eleitos, não respondem ao presidente?

ESQUERDA MILIONÁRIA
O site Congresso em Foco fez as contas dos bens dos candidatos da região Sul e chegou à conclusão que “a esquerda tem maior patrimônio que a direita”. E justifica essa classficação porque os candidatos mais ricos são de partidos que antigamente até seriam chamados de esquerda: PSB, PDT, PV, PPS e PT.

Santa Catarina tem o candidato a cargo majoritário mais rico dos três estados do Sul do País: o empresário Antônio Carlos Sontag, candidato a governador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), que declarou bens no valor de R$ 11,4 milhões. Alguém aí tem a menor ilusão quanto ao fato do Sontag ser de esquerda? Ou o PSB ser de fato um partido socialista?

De qualquer maneira, ninguém, dentre os candidatos, chega nem perto da fortuna desse gaúcho de Três Passos, dono de uma empresa de vigilância onde, até onde sei, não se praticam os princípios da socialização dos lucros e da administração participativa. Pergunta pro Sontag se ele tem diretores comerciais eleitos pelos trabalhadores da EBV, que nem a Celesc anda fazendo?

Só os carrões declarados pelo Sontag (uma BMW de R$ 163 mil, um Chrysler de R$ 190 mil e uma Pajero de R$ 150 mil) valem mais do que todos os bens somados de todos os 12 candidatos majoritários de cinco pequenos partidos (PCO, PSL, PSTU, PRP e PRTB). E vai gastar R$ 3 milhões na campanha socialista.

PT BATE NA HELOÍSA
O presidente do PT mostrou que a pequenina Heloísa Helena está mesmo incomodando os lulistas. Ontem ele disse que a candidata do P-SOL faz gênero, “vende uma imagem diferente da que tem”.

Berzoíni não disse quais são as informações que ele tem que comprometem a Heloísa, mas deixou no ar a suspeita. E, é claro, acusou a imprensa de ser parcial ao dar corda para a senadora.

Disse também que a imprensa está sendo injusta com o ex-ministro da saúde Humberto Costa, “porque tudo começou na gestão do Serra”. Só que o chefe da máfia dos sanguessugas, nos seus depoimentos, não falou o nome do Serra, mas falou o do Costa.

Quanto à Heloísa, é claro que se ela continuar crescendo, teremos que olhar com mais atenção para o que ela diz que quer fazer e como diz que vai fazer. E se tiver que levar cacete, vai levar. O que não dá é pra ficar achando que tem um complô pra emporcalhar o PT. O PT já demonstrou que não precisa da ajuda da imprensa para isso.

DISTÂNCIA DO VERMELHO
Já que estamos falando do PT: no novo comitê de campanha do Lula e no site do candidato, o vermelho da bandeira do partido foi substituído pelas cores da bandeira brasileira. Ajuda a separar, aos olhos do eleitor, o Lula do PT. Lula é azulzim, verdim, amarelim e branquim. O partido continua vermelhim, mas mais longim.

Segunda-feira, 24 de Julho de 2006

SEGUNDA

O Geraldo esteve em Santa Catarina no final de semana mas pouca gente viu, porque um tal de Alckmin insistia em aparecer nas fotos ao lado do LHS. Não sei não, mas essa estratégia dos marqueteiros tucanos, de querer que a gente chame o candidato deles de Geraldo, achando que Alckmin é muito complicado pro povo, mais atrapalha que ajuda. Vai que o pessoal ache que são mesmo dois candidatos?

ORDEM NA CASA, AFINAL
As gestões do PDT na Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Trabalho e Renda (com os deputados Godinho e Cezar Cim) deixaram uma situação de terra arrasada. Servidores debandaram, os que ficaram perderam o ânimo, os programas sociais foram utilizados de forma equivocada, o Ministério Público foi acionado e a imagem de Santa Catarina junto aos órgãos do governo federal que cuidam da área social, nunca esteve tão por baixo.

Mas amanhã, às 18h, assume como secretária a professora Zuleika Mussi Lenzi, com a tarefa de cuidar dos problemas mais urgentes, para colocar, nos meses que restam, ordem na casa. “O secretário interino, o Içuriti, já começou a tratar dos casos mais graves, recolheu os carros e encaminhou várias providências”, disse a professora. No dia seguinte à posse ela vai a uma reunião do governo federal, em Palmas, TO, para começar a tomar pé da situação das verbas e programas que a secretaria gerencia aqui no estado, como o Sine.

Perguntei a ela se iria demitir os comissionados fantasmas que ainda assombram o prédio da secretaria e ela me disse que talvez nem seja preciso: “acho que eles já se demitiram”.

Zuleika Lenzi é peemedebista com uma vida partidária ativa e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.

LULA CANDIDATO
Parece meio estranho, mas oficialmente o primeiro discurso de Lula como candidato à reeleição foi no sábado, num lugarejo chamado de Brasília Teimosa, em Pernambuco, seu estado natal. Os discursos anteriores não eram de candidato.

Lula usou o teleprompter (coisa que ajuda a ler o discurso sem precisar abaixar a cabeça), mas improvisou uma frase o outra e aí deu a entender que se sente agredido injustamente pelas acusações de falta de ética e vai dar o troco.

O PROBLEMA DO PT
Desde que começaram os escândalos na base do governo, o PT e seus dirigentes optaram por uma linha de defesa completamente torta (a meu ver): tipo assim “todo mundo faz, quem nunca roubou que atire a primeira pedra”. E se sentem ofendidos por causa dessas “acusações sem fundamento”, como se cada vez que a gente falasse nos desvios de conduta de Delúbio, Marcos Valério e tantos ourtos, estivesse mentindo para a população. Só porque outros partidos, quando estiveram no poder, fizeram igual ou pior, o PT e Lula não querem que a gente fale nisso. Pra não falar seria preciso que a roubalheira não tivesse acontecido. Mas aconteceu.

CANDIDATOS QUERIDOS
A história política recente do Brasil tem vários exemplos de polítcos que “todo mundo” acha ou achava o máximo. Honestos, decentes, trabalhadores, um exemplo para o País. Mário Covas era um deles, Ulysses Guimarães, outro, e, de certa forma, também Brizola. E todos esses, quando foram candidatos a presidente, receberam votações insuficientes.

Parece que é o que vai acontecer com a queridinha do momento, a senadora Heloísa Helena, que está recebendo tantos afagos. “Todo mundo” gosta dela (menos, é claro, os bancos e investidores internacionais), mas na hora de votar...

RESPONDA RÁPIDO
E se na hora do voto aparecesse só o nome da coligação, tu saberias em quem votar? Tá lá “A força do povo”, ou “Por uma nova Santa Catarina”, ou “Frente de esquerda”, ou “Salve Santa Catarina”, ou ”Todos por toda Santa Catarina” e agora?

Pois então, vou te ajudar: “Força” é Fritsch (PT); “Por uma nova” é Sontag (PSB); “Frente” é Fachini (PSOL); “Salve” é Amin (PP) e “Todos por toda” é Luiz Henrique (PMDB). Como é coligação tem outros partidos envolvidos na composição da chapa.


ADIVINHAS TURÍSTICAS
Atenção para o resultado do fantástico concurso turístico da coluna do final de semana. Mostrei três fotos e fiz três perguntas, esperando que todos corressem para responder. Mas acho que o prêmio (um abraço, um aperto de mão ou um beijo, conforme o caso) não entusiasmou, porque só recebi poucas respostas, todas completamente erradas.

Mas vamos ao resultado do teste (quem não viu o jornal do final de semana pode olhar a miniatura das fotos, aí em cima e aqui no blog é só rolar a tela pra ver mais embaixo as fotos grandes e as perguntas):

1. O nome da montanha atrás da bicicleta é Morro da Boa Vista, que tem uns 900 m de altura e orna o horizonte de Jaraguá do Sul.

2. O rio que aparece na foto é o Itajaí-Açu, na beira da BR 470, entre Blumenau e Rio do Sul, já na região conhecida como “alto vale do Itajaí”.

3. A igreja da foto é a catedral diocesana de Lages, construída entre 1912 e 1921. E por causa do Frei Rogério Neuhaus, lendário franciscano conhecido como “missionário do planalto catarinense” falecido em 1934, o nome masculino mais comum em Lages é... Rogério. Praticamente todo mundo tem Rogério no nome.

Conforme for, semana que vem eu faço mais um concurso turístico.

Sábado, 22 de Julho de 2006

SÁBADO E DOMINGO

O MENINO ARTEIRO QUER ATENÇÃO
Já notaram que o Lula agora deu pra fazer gracinhas no meio de chefes de estado estrangeiros, na hora da foto? Dá olhada nessas duas fotos e nota que os demais presidentes e primeiros-ministros estão posando normalmente e o Lula está aprontando alguma. A grande pergunta é: será que os colegas do Lula entendem a piada, que ele provavelmente faz em português? Razão tem o Fidel Castro, que não nasceu ontem, ao olhar para o Lula com a cara de quem está pensando: “esse Luliña não toma jeito...”


VIVA ITAJAÍ
Tenho que ficar de olho na capital, mas não resisto a dar uma olhada na terra deste nosso querido DIARINHO: Itajaí teve o melhor desempenho na arrecadação de impostos federais em 2005 entre as cinco maiores cidades catarinenses. Ninguém é bairrista, mas creio que vocês estejam comemorando o fato de Itajaí ter passado Blumenau (que tá meio caidinha, coitada) e agora é a terceira maior arrecadação federal do estado. Parabéns, pagadores de impostos peixeiros.

DEVAGAR COM O ANDOR

O governo do estado suspendeu ontem, à última hora, o lançamento de alguns produtos turísticos, como portais, mapas, roteiros, etc. Não quis arriscar que o material fosse considerado, pela Justiça Eleitoral (e pelos adversários), como propaganda.

MULTIDÃO CIENTÍFICA
A reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência que foi realizada na UFSC, teve 8 mil inscritos (mais uns 2 mil na SBPC jovem) e foi coberta por 54 veículos de comunicação, que credenciaram 230 repórteres, cinegrafistas, etc.

Só que no meio de toda essa enormidade e modernidade, alguém esqueceu dos jornais e revistas: as fotos colocadas à disposição da imprensa não tinham resolução para serem usadas em jornais e revistas. A menos que a gente quisesse utilizá-las pequenininhas como esta ao lado.

CONSPIRAÇÕES
O jornalista Paulo Henrique Amorim (na fotinha) esteve na SBPC, numa mesa redonda sobre “O poder da imprensa e os seus limites”. Meu amigo Orlando Tambosi conta que ele fez um surpreendente discurso chapa-branca. O colega Amorim enxerga nas notícias que a imprensa publica sobre Lula e o PT, uma conspiração para “abreviar o mandato do presidente Lula”. Mensalão, dinheiro na cueca e outras mazelas fazem parte da busca desenfreada de pretextos para o impeachment. Pode?

ADIVINHAS TURÍSTICAS
DE FINAL DE SEMANA

Este é mais um daqueles concursos em que o prêmio é apenas um abraço e um aperto de mão (ou até um beijo, se for o caso). Veja as fotos abaixo: saí de manhã do lugar onde está a bicicleta , passei por aquele rio ali e cheguei ao meio-dia na praça onde tem essa igreja, coitada, espremida por um prédio modernoso.

As perguntas são:
1. Como é o nome da montanha atrás da bicicleta?
2. Como é o nome do rio?
3. Qual é o nome masculino mais comum na cidade dessa igreja?

É tudo em SC. Respostas para o e-mail da coluna. Ah, como sempre, para abrir uma ampliação das fotos é só clicar sobre elas.

Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

SEXTA

DE MÃOS DADAS – O candidato a governador da coligação “A turma toda contra o Amin”, Luiz Henrique, assistiu emocionado ao espetáculo de abertura do Festival de Dança de Joinville, de mãos dadas com a D. Ivete (d) e com o seu candidato a vice, Leonel Pavan (e). O Festival é uma espécie de filho do LHS.

PFL CONTRA-ATACA
O recado duro que o PFL estadual mandou aos vereadores que estavam ensaiando apoiar Amin já deu resultado. O vereador Jacinto Bet, de Lages, pediu sua desfiliação e vai mudar para um partido onde apoiar Esperidião não seja proibido.

E o vereador de Camboriú (Alcione teixeira) puxou o freio de mão e pediu pra conversar com a chefia do PFL.

DESCAMINHO
Faz tempo que falo, aqui, sobre a absurda impunidade daqueles vendedores de DVDs piratas no centro de Florianópolis. Agressivos e donos do campinho, acostumaram-se com a boa vida e anteontem, quando a fiscalização resolveu dar uma dura, eles não se intimidaram, reagiram agredindo os Guardas Municipais, ferindo um deles com um paralelepípedo.

PETISTA ILUSTRE

Transcrevo trecho de uma nota do blog do Noblat:
“Sabe o que é um sujeito folgado, espaçoso e que não está nem aí para nada que não lhe seja conveniente? Esse é o Bruno Maranhão, líder do MLST. Ainda no aeroporto de Brasília, ele furou a fila de passageiros para embarcar no vôo 1810 da GOL com destino ao Recife. (...)

A bordo do avião, atrapalhou mais de uma vez o trabalho das comissárias por se levantar com freqüência para conversar com amigos durante o vôo.
Nos últimos 20 minutos de viagem, plantou-se com um amigo perto da cabine do comandante de vôo e, só de meias, jogou conversa fora até a hora de voltar ao seu assento.”

E O MANUAL DO ELEITOR,
NÃO VAI TER?


Pois então, esta época é comum encontrar manuais para candidatos, manuais para partidos, manuais de propaganda eleitoral, etc e tal. Mas não é fácil, nunca foi, encontrar um mapa, um roteiro, um manual que nos ensine a ser os eleitores exemplares que todos gostaríamos de ser.

Votar todo mundo sabe: é só apertar uns botões, conferir se o que aparece na tela é mesmo o que a gente escolheu e pronto. Mas todo o processo anterior é muito complicado.

Nem sei se todos vocês têm as mesmas preocupações que eu, mas no momento o que me aflige é o fato que tem tanto deputado envolvido com tanta coisa que acho que não posso ter certeza se o meu candidato também não tem, no seu passado e no seu currículo secreto, uma corrupçãozinha qualquer. Ou se planeja, nos próximos anos, enfiar o pé na jaca.

SEM FRONTEIRAS

Embora eu seja brasileiro e tenha vivido praticamente toda a minha vida no Brasil, meu primeiro contato direto e pessoal com a corrupção aconteceu no México, no final da década de 70.

Amigos mexicanos foram me levar ao centro da cidade do México, de carro e explicaram que sempre levavam, separado, algum dinheiro para a propina do guarda de trânsito. Um suborno básico e tabelado que permitia estacionar em fila dupla ou em locais proibidos.

Quando o guarda se aproximou, imponente com seus óculos rayban e jaqueta de couro com gola de pele, imaginei que meus amigos se dariam mal, porque ele tinha toda pinta de ser incorruptível. Pois ele nem conversou: passou a mão na mão estendida do meu amigo e ficou com a graninha. E ficamos em fila dupla, em frente à loja da Varig, em pleno centro da cidade, sem qualquer problema pelo tempo que precisávamos.

APARÊNCIAS ENGANAM

Este episódio me ensinou que não existe “cara de corrupto”, assim como nunca devemos confiar em alguém pela aparência. Dos deputados acusados de participar do esquema de superfaturamento das ambulâncias, ou de maracutaias na construção de hospitais com verbas da Funasa, alguns são respeitáveis senhores, a cima de qualquer suspeita, de quem compraíamos sem medo um carro usado e a quem entregaríamos, sem susto, a guarda de nossa carteira.

Mas, se a alma corrupta e venal não está aparente, se ninguém traz escrito na testa “vende-se”, como saber em quem votar? Cá entre nós, o fato de simplesmente aparecer nos jornais como suspeito, também não é uma grande ajuda, porque nós sabemos como são feitos os jornais. E pode ser que a suspeita não passe disso e que seja um sujeito honrado a quem foram feitas acusações falsas.

DÚVIDA CRUEL
A questão permanece e continua cada vez mais insolúvel: como saber em quem votar? Para presidente, senador e governador o problema não é tão grave, porque são poucos candidatos e se falou e fala muito a respeito deles, do que fizeram e do que farão. Basta um pouco de cuidado e tempo para conseguirmos levantar muitas informações sobre esses candidatos.

Para escolher os nossos candidatos a deputado estadual e a deputado federal é que a coisa fica realmente difícil. Como são muitos, centenas, os jornais falam pouco deles. Não tem como fazer debates. As informações são escassas.

Estou, neste momento, justamente nesta dúvida cruel: como escolher? como saber se aquele sujeito riquinho que se candidata pela primeira vez não vai usar o cargo para favorecer suas empresas, defender seus interesses particulares e ficar ainda mais rico?

Como saber se aquele deputado que quer se reeleger não conseguiu dinheiro para a campanha com alguma maracutaia? além disso, todos os deputados, estaduais e federais, já começam a campanha com grande vantagem sobre os demais concorrentes: têm verba de gabinete, franquia postal, ajuda de gasolina, muitos auxiliares pagos por nós e tantos outros benefícios que ajudam bastante.

Tem até uma campanha por aí que fala “eleja, não reeleja”. Não sei se é a solução. Capaz da gente apenas renovar os corruptos. Colocar ladrões novos e mais entusiasmados no parlamento.

CHEQUE EM BRANCO
O desfecho desta história sem fim é um enigma. E um paradoxo: por mais que a gente desconfie dos políticos, votar é sempre uma demonstração de confiança. Por mais que a gente tenha consciência que precisa duvidar das boas intenções dos candidatos, não tem como ter certeza.

Então, mesmo duvidando, acabamos dando a maior prova de apreço que uma pessoa pode receber: nosso voto. Uma procuração para nos representar. Com plenos poderes de falar em nosso nome. Assinar despesas, iniciar obras, mudar alíquotas de imposto, criar restrições à nossa lberdade ou tornar mais leves as penas dos criminosos.

Não é uma coisa angustiante, difícil e preocupante? ainda mais porque tem muito candidato que acha que com um sorriso, um tapinha nas costas e uma promessa vaga de que vai arranjar um emprego praquele nosso sobrinho malandro, ganha automaticamente a nossa confiança. Agem como vendedores de coisas lindas e caras que a gente sabe que não conseguirão entregar.

Quinta-feira, 20 de Julho de 2006

QUINTA

CALOTE COMEMORADO
Vocês, que são pessoas mais experientes já devem ter se acostumado, mas eu ainda me espanto com coisas como essas aí da foto: o prefeito Dário, de mangas de camisa, segura um enorme cheque de R$ 3 milhões, que a Unimed estava entregando. Estão todos felizes e contentes como se a cooperativa médica fosse boa pagadora. Que nada, a Unimed deu calote na Prefeitura desde 1997 e só pagou agora porque ganhou um bom desconto (20%) e um cálculo de pai pra filho do total da dívida.

Em vez dos devedores estarem constrangidos, cabisbaixos, estão festejando o bom negócio, feito às nossas custas e com o nosso dinheiro.

PREJUÍZO NO SÍTIO
O Tribunal Superior Eleitoral mandou suspender a distribuição das cartilhas “Emília e a Turma do Sítio” porque tinham na capa o logotipo do Fome Zero, um slogan e a marca oficial do governo federal, coisas proibidas pela legislação eleitoral. São “só” 40 milhões de cartilhas. Faz as contas aí do tamanho do prejuízo que nós vamos pagar porque alguém “esqueceu” que este é um ano eleitoral.

PFL CONTRA-ATACA
O PFL de Santa Catarina mandou ontem avisar aos vereadores e prefeitos que quiserem mijar fora da pichorra, que podem ir arrumando as malas. Quem inventar de apoiar o PP será convidado a cantar noutra freguesia. O PFL-SC já iniciou o processo de expulsão de um vereador de Camboriú e prepara o de um vereador de Lages.

E o kaiser Jorge Bornhausen disse que não tem medo da queixa que o PT fez ao TSE, “ela traduz o desespero ante a derrota eleitoral que, a cada dia, se aproxima mais”.

AMBULÂNCIAS FATAIS
Nessa história de sanguessugas tá faltando o pessoal do ministério. Pro deputado lucrar, alguém no governo tem que concordar. Ou não?

O mapa do gabinete do Lula já reflete as últimas pesquisas
[Se clicar sobre a foto abre-se uma ampliação]


ESSES JORNALISTAS...
Caiu na minha caixa de e-mail, ontem, uma reportagem que, segundo quem a enviou, tinha sido “censurada no jornal A Notícia”. Diz o texto que acompanha a reportagem que “A matéria não traz revelações bombásticas ou colocará alguém na cadeia, mas, como estava escrita e foi proibida de ser veiculada, é repassada para que todos a saibam”. E explica que “trata-se apenas de uma vingança moral em nome da classe jornalística”.

Quem cometeu este ato impensado certamente não tinha noção do que estava fazendo. E talvez até tivesse a melhor das intenções, mas de boas intenções o inferno está cheio.

A coisa é simples: um erro não justifica outro. Não podemos, só porque achamos que alguém errou, sair por aí fazendo coisa errada. Os jornalistas, embora às vezes se achem acima do bem e do mal, mas devem se submeter, como todos os mortais, às leis, normas e regulamentos.

DESSERVIÇO
A divulgação não autorizada de texto redigido por um funcionário ou funcionária, numa redação de jornal, configura grave quebra de confiança e dependendo do contrato de trabalho, justifica demissão imediata.

Antes de me apedrejar, deixem-me explicar que nem entrei na discussão sobre se o editor de A Notícia que vetou a matéria estava certo ou não, porque o repórter ou a repórter que pretendeu, com seu gesto tresloucado, prestar um serviço à categoria, na verdade estava demonstrando apenas despreparo e amadorismo.

Uma história bem contada sobre o suposto deslize do jornal, informações bem apuradas sobre o que aconteceu e a freqüência com que isso acontece, eventuais danos que a omissão da informação poderia causar, etc, seria muito mais importante para a discussão sobre a imprensa e suas formas de agir, do que a molecagem pura e simples de mandar o texto “censurado” por e-mail para todo mundo.

AVISO AOS LEIGOS
Quem não é jornalista ou não trabalha em jornal não deve ter entendido as duas notas anteriores. E quem é jornalista talvez não tenha entendido minha posição a respeito. Então tomo um pouco mais do tempo e do espaço de vocês para explicar um pouco mais (e, se possível, melhor).

Numa redação que se preze, a coisa que um editor mais faz é jogar texto no lixo. Jornalismo é depuração, ensinam os velhos mestres. Então, vetar textos, suspender reportagens, modificar textos, são coisas corriqueiras e comuns. Nem sempre fica claro, para o repórter, o motivo ou motivos da “derrubada” da sua matéria. Há editores que conseguem trabalhar mais facilmente em equipe, outros menos.

E em algumas situações, como parece ter sido a da tal “denúncia”, o jornal resolveu não entrar em alguma briga ou achou que a reportagem criaria problemas que o jornal não queria ter. E não cometeu, com isso, nenhum crime. Todos os jornais tomam, todos os dias, dezenas de decisões semelhantes. Mesmo este aqui, que entra em muitas brigas, não entra em todas as brigas. E vez por outra reportagens são canceladas, adiadas, refeitas.

Faz parte do jogo, de um jogo profissional que, a partir da assinatura do contrato de trabalho, não pode ser jogado ingenua ou aeticamente. As empresas de comunicação sofrem pressões de inúmeros lados. Todos se acham no direito de puxar a brasa para sua sardinha.

Cabe aos jornalistas entender essa geopolítica empresarial e escolher a melhor forma de agir para defender a informação correta, socialmente relevante e equilibrada.

E nem sempre chutar o balde é a melhor saída.

O TEMPO PASSA...
Esta aí é a capa da revista Placar de 11 de novembro de 1983 (roubei, a foto e a nota, do blog do Juca Kfouri). Parreira tinha assumido a seleção no lugar de Telê Santana e estava indo mal. Ele acabou saindo, foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 84 e reassumiu a seleção em 1994.

Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

QUARTA

O “CASO NORTON” AINDA INCOMODA
No último dia 13 escrevi uma longa nota sob o título “O calo de cada um”, onde citava vários assuntos que a imprensa sempre se enche de dedos para tratar. Este era o primeiro deles:
“CASO NORTON – Agora no dia 15 de julho, sábado, o assassinato do colunista social Norton Batista da Silva completa 17 anos sem uma solução. Norton foi “morto com seis tiros exatamente no momento em que Maguila nocauteava Evander Hollyfield”, como relatam, aqui e ali, os jornais. O Ministério Público denunciou seis homens como envolvidos no crime. Mas foram absolvidos por falta de provas.”
Existem vários relatos e algumas lendas envolvendo as matérias feitas a respeito do Caso Norton, como passou a ser conhecido. E no dia do aniversário de 17 anos do assassinato, o caso ganhou mais uma história que tem tudo para, daqui a algum tempo, virar lenda.

O jornal Notícias do Dia, de Florianópolis, publicou uma matéria lembrando o caso na sua edição de final de semana. Não cita o nome dos suspeitos e dos envolvidos, apenas faz um histórico do crime e suas circunstâncias. Mesmo assim, a certa altura do sábado, a direção do jornal teria tomado uma decisão, no mínimo, curiosa: recolher das bancas os exemplares que ainda restavam.

O dono de banca que falou nisso não soube explicar os motivos, apenas que a empresa mandou recolher os jornais depois do meio-dia. E além disso, jornaleiros relatam vendas de até 20 jornais para uma mesma pessoa. Eles achavam que a movimentação teria a ver com os cupons para ganhar um faqueiro ou algum anúncio que teria sido publicado errado.

Na segunda-feira comentava-se, em rodas de jornalistas, que o motivo do estresse era mesmo a matéria sobre o Caso Norton. A direção do jornal teria atendido aos apelos do pai de um dos envolvidos, que ficou incomodado com a exposição, mais uma vez, do caso.

CRIMINOSO(S) IMPUNE(S)
Enquanto o crime continuar sem solução, será inevitável que o assunto volte às páginas dos jornais de tempos em tempos.

Faço um resumo, para quem não conhece o caso: um colunista social famoso, Norton, foi assassinado numa das principais avenidas do centro de Florianópolis, na noite de 15 de julho de 1989. As investigações levaram a um grupo de rapazes, alguns de famílias conhecidas na cidade. Um deles foi defendido pelo atual Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (que era criminalista de reputação nacional) e teve seu nome retirado do inquérito. Outros chegaram a ser presos por algum tempo. Mas a Justiça considerou que faltavam provas e não aceitou a tese levantada pela polícia no inquérito. Ou seja, o crime continua sem autoria definida.

Mesmo assim, sempre que se fala no crime, algum ou alguns dos citados na primeira denúncia ficam muito incomodados, ainda que, para todos os efeitos, não sejam mais objeto de investigação ou processo. Foi o que provavelmente ocorreu agora e que teria levado o jornal a tomar essa providência inusitada de se “auto-recolher”.

Quando o caso fez 15 anos, em julho de 2004, o colunista Cacau Menezes publicou uma nota, no Diário Catarinense do dia 13/7, em que rememorava, de forma sintética, o caso. Um trecho:
“O crime rendeu amplos espaços na mídia, chegando a ser tema do programa Linha Direta, exibido pela Rede Globo. (...) Na época, após intensas investigações, seis pessoas foram presas e indiciadas em inquérito policial. A investigação, conduzida pelo delegado Renato Hendges, apontou que tráfico de cocaína, roubo de automóveis, seqüestros, estupros, invasões de domicílio, agressões e sessões de picadas em carros e apartamentos estavam por trás de um crime que abalou a opinião pública de Santa Catarina.”
Um crime, portanto, que tem todos os ingredientes para manter o interesse permanente dos leitores e telespectadores, pelo menos enquanto continuar misterioso, impune e gerando fatos pitorescos a cada vez que é relembrado.

NORTON NA LISTA DA SIP
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP na sigla em espanhol) faz o registro sistemático dos assassinatos de jornalistas. O objetivo é acompanhar eventuais pressões contra a liberdade de imprensa.

O curioso, no caso específico do Norton, é que embora ele esteja na lista, muito provavelmente não foi sido morto por causa de sua profissão (os colunistas sociais dedicam-se mais a fazer amigos e elogiar personalidades do que a denunciar e investigar), mas os jornalistas que escrevem sobre o seu assassinato não raro se incomodam.

Norton é citado como um dos 299 jornalistas assassinados na América Latina, entre novembro de 1987 e abril de 2006 (está entre os 29 mortos no Brasil neste período) e consta do site da Unidade de Resposta Rápida do projeto Crimes Sem Castigo Contra Jornalistas, da SIP. O objetivo é exercer pressão para que os crimes sejam esclarecidos e em conseqüência, inibir a violência contra jornalistas.

PROBLEMA ADICIONAL
Ontem o fotógrafo Marco Cezar, autor da foto do Norton que o Notícias do Dia publicou (ao lado) estava irritado com o uso do seu material sem autorização. Ele era fotógrafo do jornal O Estado na época do crime e segundo ele a foto utilizada agora estava no arquivo do jornal e ninguém o procurou para negociar a publicação em outro veículo. Isto só mostra que mexer com o Caso Norton é mesmo uma coisa muito complicada e com enorme potencial de confusão.

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BOLSHOI NA RODA
A denúncia do Ministério Público Federal contra a escola Bolshoi brasileira, de Joinville, foi aceita pela Justiça Federal e ontem foram expedidos os mandados de citação dos onze denunciados. Esta aceitação não significa qualquer tipo de juízo de valor, mas informa que a denúncia tem condições de se transformar em ação penal.

Claro que a abertura desse processo em plena campanha eleitoral terá conseqüências políticas. Principalmente porque mexe com a menina dos olhos do LHS, na cidade do seu coração e a denúncia fala em desvio de dinheiro público e formação de quadrilha (fatos que teriam ocorrido entre 2000 e 2003).

O interrogatório dos acusados residentes em Joinville está previsto para 25 de outubro (bem entre o primeiro e o segundo turno da eleição).

O PT DESCE E LULA SOBE
Os candidatos petistas vão mal das pernas em muitos estados, segundo mostra reportagem de Ronaldo Brasiliense publicada no site Congresso em Foco. Ele fez as contas a partir das pesquisas divulgadas neste final de semana Brasil afora. E chega à conclusão que Lula descolou-se definitivamente do partido que ajudou a fundar. Enquanto Lula vai bem, o PT vai mal.

VISITAS ILUSTRES
A vantagem do período eleitoral é que os políticos aparecem para tomar cafezinho, apertar mãos e tirar fotos. Alckmin vem a Santa Catarina no sábado, 22 e desce direto em Chapecó. Depois vai a Criciúma. E Lula, preocupado com o desempenho marromeno que teve por aqui, vem no dia 30, domingo, depois de passar pelo Rio Grande do Sul. Vai vistoriar obras federais.

A possibilidade, cada vez mais concreta, de segundo turno, está enchendo de gás os tucanos e de preocupações os lulistas.

PAU NO BORNHAUSEN
O PT entrou ontem no TSE com uma notícia-crime contra o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen e o senador José Jorge (vice de Alckmin): pede que os dois sejam investigados por terem dito que o PT teria algo a ver com os ataques do PCC em São Paulo.

BANCADA SANGUESSUGA
Saiu ontem a lista de 57 parlamentares investigados por participação no esquema sanguessuga (compra de ambulâncias superfaturadas). Deles, 36 são dos partidos ligados ao esquema do mensalão: PP, PTB e PL. Mas tem também deputados do PMDB, PSDB, PSB, PRB, PSC e um do PPS. Só tem um Senador: o líder do PMDB, Ney Suassuna (PB).

Treze dos envolvidos são da bancada do Rio de Janeiro, dez de São Paulo e 18 são da chamada “bancada evangélica” (dez da Igreja Universal).

Uma ex-funcionária do Ministério da Saúde ligada ao esquema, Maria da Penha Lino, chegou a dizer que um terço do total de deputados federais, cerca de 170, levou grana da Planam para apresentar emendas ao Orçamento da União, mas até agora só existem provas contra uns 70. E a gente respira aliviado porque (por enquanto?) não tem ninguém de Santa Catarina.

As continhas foram feitas pelo blog do Noblat (www.noblat.com.br).

Terça-feira, 18 de Julho de 2006

TERÇA

NERVOS DE AÇO
Anteontem a Heloísa Helena deu o beijo da foto acima no Pedro Simon em Porto Alegre. Compreendi o gesto da senadora, afinal eu também acho o Pedro Simon um dos poucos políticos brasileiros que merece um abraço, um beijo, um aperto de mão. Mas é claro que fiquei com ciúmes. Ontem, quando a candidata da Frente de Esquerda à presidência esteve em Florianópolis, tentou me acalmar carregando uma faixa enorme onde se lia “cesar valente é o cara” (foto abaixo).Fiquei à distância. Senti que a senadora me procurava no meio da multidão, mas não estava preparado para uma reaproximação. Não depois dessa cena com o Simon. Tinha que ser forte, mostrar que também tenho o coração, além do cesar, valente.

A caminhada da Catedral até o terminal de ônibus foi feita a uma velocidade impressionante. Parecia que a senadora estava atrasada para pegar o Ponta das Canas. Miúda, no meio daquela homarada, mulherada, cinema, mil jornais, fotógrafos, confusão, ela desapareceu. O povo queria ver a candidata, mas estava difícil.

“ME LEVA PRA JOAQUINA”
Mais sorte tiveram os surfistas da Praia da Joaquina. A caminho do aeroporto a senadora fez questão de conhecer a famosa praia que tem nome de mulher. Foi lá molhar os pezinhos e, cercada pelos surfistas, aproveitou para fazer campanha. Não chegou a pegar uma onda, porque está acostumada a águas mais quentes, mas falou sobre suas idéias sobre como combater o narcotráfico, criar opções para que a juventude não seja recutada pelo crime e disse que não terá pena da bandidagem. Ela não perde tempo.

CONSELHOS TUTELARES
A foto acima mostra o momento em que a Assembléia Legislativa, representada pela deputada Odete de Jesus, entregava ao presidente da Associação dos Conselhos Tutelares, Paulo Vendelino Kons, uma placa de reconhecimento pelos dez anos de funcionamento da entidade.

E é claro que a foto não está aí por causa da bem cuidada franja da deputada, nem pelo deputado Paulo Eccel ou pela secretária Rose Berger, que estão lá em cima, mas sim pelos Conselhos Tutelares, que cuidam das crianças e dos adolescentes que a nossa sociedade perversa e hipócrita abandona, maltrata e quer empurrar para debaixo do tapete.

E também para homenagear o Paulo, que além de dirigir essa entidade que reúne abnegados, é leitor da coluna, o que muito me honra.

SENADORES EM APUROS
Raimundo Colombo e Luci Choinacki não são propriamente novatos na política catarinense. Luci já foi até candidata a senadora e por pouco não se elege.

Mas ao que parece a população catarinense não sabe que eles são candidatos ao senado. Para que 85% dos entrevistados pelo Ibope digam que não sabem em quem votar para senador, é preciso que alguma coisa esteja muito errada, na campanha ou na pesquisa.

Para evitar de mexer em vespeiro, prefiro acreditar que a campanha está mesmo muito no começo e que mal e mal o eleitor começa a saber quem são os candidatos ao governo e ainda não deu tempo para conhecer os candidatos ao senado. Deputados, então, ainda levam mais um mês para começarem a ser mencionados nas rodinhas de conversas de amigos e familiares, que é onde o voto se decide de fato.

Na reunião do G-8, em São Petersburgo, na Rússia, Lula teve uma conversa com seu grande amigo George Bush, a quem, entre sorrisos e gracinhas, pediu apoio para o programa de energia renovável. Bush não deu a menor bola para a proposta.

Segunda-feira, 17 de Julho de 2006

SEGUNDA

Começou a temporada de pesquisas eleitorais feitas depois da definição das coligações e das candidaturas. Eu recomendaria algum cuidado antes de comemorar ou se desesperar: é preciso esperar algumas pesquisas para se poder ter uma idéia da tendência do eleitorado, principalmente com o início do horário gratuito eleitoral.

Em todo caso parece claro que temos, neste início de campanha, uma polarização parecida à da última eleição para governador, entre o ex-governador Luiz Henrique da Silveira (o que continua de bigode) e o ex-governador Esperidião Amin (que tirou o bigode). E sem “já ganhou”, porque pelo jeito teremos dois turnos (o Fritsch, do PT, poderá, tal como em 2002, fazer diferença).

Vai ser uma eleição histórica, pela sua característica especial de revanche, com os mesmos competidores principais.

VAI COM CALMA
A pesquisa Ibope/RBS tem alguns dados interessantes, mas não pode ser tomada como indicador absoluto por vários motivos. Primeiro porque uma pesquisa, qualquer pesquisa, é sempre relativa e não subsitutui a eleição propriamente dita. Segundo porque esta, em especial, foi feita com uma amostra relativamente pequena (1.008 entrevistas em 50 municípios). Isto não sinifica automaticamente que numa amostra maior e com um número maior de entrevistas o resultado seja diferente. Mas em todo caso, enquanto não tivermos uma série de pesquisas para poder identificar uma tendência, é bom ficar calmo.

Naturalmente, os dois primeiros colocados, LHS e Amin, gostaram do resultado. Luiz Henrique, especialmente, gostou de ter saído na frente, com vantagem pequena, “uma distância menor mantém a militância alerta e dá responsabilidade ao pessoal”. Ele lembra que em 2002 o Esperidião Amin saiu na frente, com larga margem e aí a militância relaxou, ficou de salto alto e perdeu a eleição.

GUERRA CIVIL
Décadas de discursos sobre Segurança Pública sem as correspondentes ações estão escorrendo pelo ralo, lavadas pelo sangue derramado por terroristas que sabem extamente o tipo de “autoridades” que temos nos principais cargos ligados à Segurança.

Má preparação, baixa escolaridade, visão de curto prazo e sobretudo ausência de lideranças profissionais competentes tornam os oficiais das polícias militares e os delegados das polícias civis vítimas fáceis do terror.

Os governos, conduzidos por políticos fisiológicos com DNA de avestruzes, oferecem pouca ou nenhuma alternativa de combate e enfrentamento.

Sem dinheiro, sem coragem e sem inteligência (e, portanto, sem criatividade), as “forças da lei” estão esmagadas sob duas pressões antagônicas: de um lado o Estado, que precisa apresentar resultados urgentes sem ter se preparado para isso e do outro os terroristas, que conhecem as fragilidades e sabem que o que está em jogo é bem mais que o controle de uma penitenciária.

UM NOME A MENOS
Aquela lista de agentes públicos que têm problemas com o Tribunal de Contas, encaminhada ao TRE para definir a inelegibilidade, tem um nome a menos: o TCE limpou a ficha de Aristorides Vieira Stadler, ex-presidente da Casan.

SECRETARIA ÀS TRAÇAS
A Secretaria do Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda só é importante na campanha política. Todo mundo promete desenvolvimento, trabalho e renda. Na prática, tem sido a Secretaria mais abandonada e jogada às traças do governo LHS. Entregue ao PDT teve secretários de baixíssimo nível, como os deputados Godinho e Cezar Cim, que demonstraram à saciedade como não devem agir os agentes políticos.

Depois, a Secretaria ficou à deriva, entregue ao Içuriti, interino bem intencionado, mas com outras prioridades. Os comissionados fantasmas e os terceirizados fantasmas da época do PDT continuam mamando nas tetas que LHS estendeu-lhes. A farra dos carros alugados (o MEB 7639 está trabalhando na campanha do Cezar Cim e o MEB 7609 virou carro particular do diretor geral) continua a mil. Um escândalo que revela o que a política tem de pior.

Sábado, 15 de Julho de 2006

SÁBADO E DOMINGO

DIARINHO ENTRA NA CAMPANHA ELEITORAL
Este jornal se preocupa com o eleitor indignado, que agora começa a ser bombardeado por folhetos, adesivos e santinhos, fora os carros de som e os comícios.

Por isso preparamos uma campanha publicitária de contra-ofensiva, de utilidade pública e beneficente. Todas estas sugestões de cartazetes, adesivos e diabinho (esta folhinha aqui ao lado pra entregar a quem lhe der um santinho) podem ser reproduzidas livremente desde que mantenham a linha que faz referência ao DIARINHO e não alterem seu conteúdo.

Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma campanha contra os políticos ou contra as eleições: é justamente uma campanha em defesa do voto consciente e dos bons políticos (que devem existir, embora sejam escassos). Somos contra a vulgarização do voto, a corrupção, o caixa 2 e a impunidade.

Então, não deixem de ter sempre no bolso vários diabinhos, para entregar cada vez que alguém lhe entregar um santinho. Aposto que em pouco tempo nenhum candidato vai querer conversa com vocês.

Ah, a campanha não é colorida porque a gente não aceita dinheiro não contabilizado de fonte suspeita.

(Se clicar nos cartazetes abre-se uma ampliação)

Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

SEXTA

EFEITOS ESPECIAIS
Li em algum lugar alguém reclamando que a foto do LHS nos cartazes de propaganda tinha sido alterada no computador ou então estavam usando uma foto muuuito antiga.

Pois ontem, no próprio site da campanha do LHS, o pessoal tratou de esclarecer o caso. Colocaram uma foto (essa aí, acima), onde aparecem os dois LHS, um na frente do outro. E a gente pode ver que não são assim tão diferentes.

Foram feitos pequenos retoques (vejam que daria para eliminar, por exemplo, todas as rugas ao redor dos olhos, mas elas só foram suavizadas) cosméticos que em nada comprometem o candidato. E se este jornal fosse a cores (uêba, o blog é a cores!), vocês veriam que no cartaz o governador está mais rosado do que “pessoalmente” e que seus dentes estão mais brancos. E essa recauchutada básica, cá entre nós, todos fazem.

ESSA HELOÍSA...
Bem que o deputado Afrânio Boppré andou me procurando, ligando várias vezes por dia. Mas como ultimamente só atendo telefones de candidados a governador ou a presidente, nem retornei. Só ontem fiquei sabendo que ele precisava falar comigo para passar um recado da senadora Heloísa Helena, candidata do P-Sol a presidente.

Ela, só para me agradar (decerto porque é leitora da coluna e sonha um dia aparecer numa das molecagens fotográficas) usou meu sobrenome no seu slogan de campanha: “Coração Valente: Heloísa Helena para Presidente”. E as iniciais são as mesmas de Cesar Valente: “CV”.

Muito gentil da parte dela, mas infelizmente devo dizer de público que não vou tomar parte na campanha e embora honrado com a homenagem, devo manter-me equidistante dos competidores, para poder servir melhor aos leitores e leitoras.

Na segunda-feira ela vem a Florianópolis, para uma caminhada no centro da cidade, pra dar uma força pro Fachini (candidato a governador), pro Salgado (candidato a senador) e pros demais candidatos da Frente de Esquerda. Acho que vou até lá agradecer a lembrança e, quem sabe, dar-lhe um beijo de boa sorte, coisa que não farei com nenhum outro candidato, porque não sou argentino, pra sair por aí beijando homem.

ESSAS PESQUISAS...
Hoje a Rede Bandeirantes e a revista Carta Capital divulgam a pesquisa de intenções de voto realizada pelo Instituto Vox Populi. Ontem à noite os tucanos já cantavam e dançavam em torno da fogueira.

Segundo o vazamento dos dados da pesquisa publicado no blog do Noblat, se a eleição fosse hoje haveria segundo turno. Lula caiu três pontos (45% para 42%), Alckmin subiu um (31% para 32%) e a Heloísa Helena subiu três (está com 7%). Os demais somam 3%.

Na simulação do segundo turno Lula tem 45% e Alckmin 40%.

Numa outra pesquisa, publicada na edição de hoje do Diário do Grande ABC, Alckmin bate Lula em seis das sete cidades da região do Grande ABC, em São Paulo, inclusive em São Bernardo do Campo.

ESSE TEMPO DE TV...
O TSE divulgou ontem a divisão do tempo da propaganda eleitoral no rádio e na TV (que começa dia 15 de agosto). Alckmin terá o maior tempo: 10 minutos e 22 segundos; Lula: 7 minutos e 21 segundos; Cristovam Buarque: 2 minutos e 23 segundos; Heloísa Helena: 1 minutos e 11 segundos (mal vai dar tempo de dizer “meu nome é Heloísa Helena!”).

Os candidatos a presidente aparecerão às terças, quintas e sábados em dois blocos diários de 25 minutos: às 13h e às 20h30min.

Além do programa maior, os presidenciáveis vão dispor de 540 inserções curtas no rádio e na TV durante 45 dias. Serão 12 inserções diárias de 30 segundos cada. Neste rateio Alckmin ficou com 2 minutos e 29 segundos por dia; Lula, 1 minuto e 45 segundos; Cristovam, 34 segundos; e Heloisa, 17 segundos (chii, aí só vai dar mesmo pra dizer “meu nome é Heloísa!”).

Vamos ver o que os marqueteiros prepararam para esta temporada.

DÁRIO EM CAMPANHA
Já falei aqui dia desses que o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, estava em campanha no oeste. Pois agora foi para o sul. O pretexto é acompanhar o irmão, que é candidato a deputado federal. Mas o objetivo nada oculto é estadualizar o nome e iniciar, desde já, a campanha para governador em 2010.

O senador Pavan e o Dr. Moreira, que também estão em campanha para o mesmo cargo, já devem ter percebido a movimentação dos irmãos Berger.

JORNAIS “POPULARES”
Agora virou mania as empresas caretas de comunicação lançarem jornais “populares”. O Globo do Rio tem o Extra, a Folha de SP tem o Agora, a Zero Hora de Porto Alegre tem o Diário Gaúcho, a rede dos Petrelli tem o Notícias do Dia em Florianópolis e o Diário Catarinense prepara o lançamento, para agosto, de outro jornal em Florianópolis, cujo nome será Folha Catarinense ou coisa parecida.

Como os jornais ditos “sérios” perdem leitores todos os dias (são mesmo muito chatos e alguns bem mal feitos), a turma do marketing descolou um “nicho de mercado” que poderia render uns trocados a mais. E assim eles lançam jornais “populares” às carradas.

Nenhum chega aos pés do DIARINHO no essencial: compromisso verdadeiro com o leitor, mesmo o mais humilde, distanciamento dos poderosos, linguagem solta, irreverente e bem humorada. Isso porque o DIARINHO não é um jornal inventado pra parecer popular, ele é popular sem aspas.

Ontem o Carlos Damião, jornalista de Florianópolis, informou no seu blog que os Petrelli (Notícias do Dia) e os Thomazi (A Notícia) têm se reunido para criar uma rede de jornais “populares” em Joinville, Blumenau e Florianópolis.

Achei muito estranho: Thomazi e Petrelli não se acertaram no canal de televisão de Joinville, que era um negócio mais interessante para A Notícia, por que iriam se acertar nessa verdadeira aventura mercadológica?

Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

QUINTA

JOGO DO “RESPONDA RÁPIDO!”
Olhe atentamente para as duas fotos abaixo e depois responda rápido à questão que eu levanto logo ali, no pé das fotos. Ânimo, coragem, ninguém ganha coisa nenhuma se acertar, mas pelo menos a gente se diverte.

Se um governador está na Alemanha e outro em Brasília, quem ficou cuidando do lojinha?
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O CALO DE CADA UM
Existem alguns assuntos que sempre que a imprensa menciona parece que pisa no calo de alguém. São histórias cabeludas ou nem tanto, que estão começando a ficar cercadas de lendas, de mistérios e até de superstições. E tem jornalista que tem até medo de tocar nesses assuntos, de tanto que já se incomodou. A lista é extensa e cresce de tempos em tempos. Estes são alguns temas cabeludos, que metem medo, dentre os que me lembro:
CASO NORTON – Agora no dia 15 de julho, sábado, o assassinato do colunista social Norton Batista da Silva completa 17 anos sem uma solução. Norton foi “morto com seis tiros exatamente no momento em que Maguila nocauteava Evander Hollyfield”, como relatam, aqui e ali, os jornais. O Ministério Público denunciou seis homens como envolvidos no crime. Mas foram absolvidos por falta de provas.

JOGO DO BICHO – Quando as eleições se aproximam, as ligações de políticos com o jogo do bicho começam a circular com mais intensidade, mas em voz baixa. Um prefeito da grande Florianópolis é citado em todas as conversas, pelo entusiasmo com que atua e defende a “categoria”, vereadores e parentes de vereadores também têm padrinhos ou envolvimento direto. Praticamente todas as lotéricas da Caixa têm, numa portinha anexa, uma banca do bicho. Há quem diga que obedecem orientação de funcionários da Caixa e que se trata de uma “venda casada”. A Associação dos Banqueiros do Bicho da Grande Florianópolis realiza assembléias e publica folhetos com as resoluções. Trata-se de uma contravenção cujo dinheiro circula com desenvoltura em outras áreas igualmente à margem da lei, mas ninguém mexe com isso.

PROPAGANDA/GOVERNO – O esquema de financiamento ilegal de campanhas da base do governo federal passava, comprovaram as CPIs, por agências de publicidade e propaganda. Esse relacionamento promíscuo não é novo e não é exclusivo do governo federal. Nos estados ocorre coisa semelhante: as agências de propaganda têm participação central nos esquemas de distribuição e administração de verbas paralelas. Mas não interessa aos veículos investigar, as provas são difíceis de obter e mesmo os políticos da oposição não metem a mão no vespeiro porque já foram governo e esperam voltar a ser. E sem essa válvula de escape fica difícil administrar dentro dos rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal.

TERCEIRIZADAS – a contratação, pelo governo, de empresas terceirizadas para segurança, limpeza e outras funções transformou-se numa complexa rede de favores. A empresa que ganha a licitação para trabalhar em determinado órgão emprega quem a autoridade daquele órgão recomendar. Com isso, o secretário ou diretor pode contratar seus cabos eleitorais, amigos, parentes, ampliando sua força política para as eleições seguintes. E as empresas, com esses contratos, crescem estratosfericamente e, em cada estado, uma empresa ou um pequeno grupo de aliadas domina o “mercado”. Todas sempre estreitamente ligadas a políticos e ao financiamento eleitoral.

CALAMIDADE
O governo federal reconheceu oficialmente o estado de emergência em 194 municípios catarinenses (66% do estado) por causa da seca. Das 30 Secretarias do Desenvolvimento Regional 20 estão em situação de emergência. Em alguns municípios já falta água para consumo humano e a agricultura e a pecuária acumulam prejuízos.

Com esse reconhecimento pode ser que comece a pingar algum dinheirinho pra ajudar a aliviar a crise. Só que a população tem que ficar de olho: é bem nessas situações de emergência que os mais espertos acham sempre um jeito de embolsar algum.

EFICIÊNCIA
Na entrevista coletiva da terça-feira, onde o PP anunciou que entrou com representação contra o contrato suspeito entre o governo e a produtora DPM a melhor, mais sofisticada e provavelmente mais cara câmera de TV que registrava o evento era da... DPM.

Não é o máximo? A produtora mandou um cinegrafista e três advogados à coletiva que, teoricamente, deveria ser só para a imprensa, só pra saber o que o PP iria dizer deles em primeira mão.

Mas eles são mesmo muito eficientes. Não tem um lugar onde o governador LHS esteve, no país ou no exterior, onde não tivesse um cinegrafista da DPM. Devem ter alguns milhares de horas de gravação do LHS.

UMA DENTRO
Pra que ninguém diga que eu tenho implicância com o alcaide sorridente, o figurinha difícil Dário Berger, deixa eu elogiar um negócio que a prefeitura está fazendo e que é da maior importância: eles vão começar a atuar no controle das ocupações irregulares.

E, o que é fundamental: antes que elas se consolidem. As prefeituras são, em geral, muito relaxadas quanto a isso. A gente vê um barraco surgir, dali a semanas outro e em poucos meses tem uma favelinha, sem que ninguém tivesse ido lá dizer pro pessoal que não podiam se instalar ali. Depois de ter moradores tudo fica mais complicado.

Se eles cumprirem o que estão anunciando, terá equipes que assim que o sujeito colocar a primeira parede chegarão junto pra impedir que a “obra” continue. Tomara que funcione, porque a Ilha é frágil e merece mesmo toda a atenção da Prefeitura.

SENADOR SEM VOTO
O site Congresso em Foco fez as contas: 11 dos atuais 81 senadores eram suplentes. E suplente de senador, vocês sabem, não tem votos (só o titular concorre nas eleições), mas se assumir ganha todos os direitos e benefícios dos titulares, até o final do mandato. Os substitutos dos deputados são definidos pela ordem de votação, mas no senado não tem estresse, o suplente vem a reboque. É o melhor emprego do mundo.

Quarta-feira, 12 de Julho de 2006

QUARTA


PROLEGÔMENOS
O PP, com sua chapa majoritária à frente, chamou ontem a imprensa para fazer duas denúncias que, segundo eles, eram muito importantes.

A primeira, apresentada pelo candidato a vice-governador, Hugo Biehl, não era novidade, tinha saído na coluna do Prisco (e quando a coletiva terminou o governo já distribuía sua resposta).

O que chamou a atenção foi a demora do Hugo pra chegar no que era realmente importante, naquilo que, em jargão jornalístico se chama de “lide”. Decerto os coleguinhas pensaram (mas não falaram) que o Hugo Biehl pertencia ao MSL (Movimento dos Sem Lide), onde está em companhia ilustre: tem muita gente boa que não sabe ir direto ao ponto, que não consegue, já nas primeiras frases, dizer algo de impacto.

Abre parênteses: como aqui tem mais espaço que no jornal, coloco uma definição simples de lide, retirada da Wikipédia:
"O elemento estrutural mais importante de uma matéria é o seu lide ou lead (ou, até lede, uma grafia usada em inglês para evitar confusão com leading, um conceito usado em tipografia). O lide é a primeira frase — ou, em casos especiais, as duas primeiras frases. O princípio de antecipar a informação se aplica especialmente ao lide, mas a ilegibilidade de frases longas contrai o tamanho do lide. Por isso, redigir um lide é, tecnicamente, um problema de otimização, no qual o objetivo é articular o dado mais inovador ou relevante em uma única frase, de acordo com o material da apuração.

É comum afirmar que a imensa maioria dos leitores lê apenas o lide de cada matéria."
OLHANDO SOB O TAPETE
A outra denúncia deixou os coleguinhas da imprensa mais animados: o presidente do PP estadual, Joares Ponticelli (que sabe encontrar o lide), informou que o partido deu entrada a uma representação, no Tribunal de Contas e no Ministério Público, denunciando novas irregularidades naquela campanha publicitária do governo, a Santa Catarina em Ação, que foi feita pela produtora joinvilense DPM.

Essa foi uma campanha que já deu bastante pano pra manga. Vocês lembram, a justiça tirou-a do ar, daí o governo suspendeu toda a publicidade e, com a seca, os veículos começaram a chiar. Depois voltou com outra cara e deu rolo de novo.

Pois bem, a campanha publicitária, com 102 peças, teve um custo total de R$ 20 milhões. E a parte da DPM nesse latifúndio foi de “apenas” R$ 4 milhões. As suspeitas de irregularidades vão desde 65 orçamentos feitos sempre com as mesmas três empresas e com a DPM sempre ganhando, até aumentos inexplicáveis dos custos: em quatro meses o custo de produção subiu quase 80%. Na representação, o PP lembra que nos três primeiros anos, segundo o Tribunal de Contas, o governo LHS gastou mais de R$ 150 milhões em publicidade.

Foi meio fraco, mas pra começo de campanha, como uma espécie de aquecimento, já tá bom. Ah, e os reflexos que o candidato a senador, o Basso, fez nos cabelos, deram um toque especial e sofisticado ao evento.

[Como sempre, neste blog, para abrir
uma ampliação das fotos é só clicar sobre elas]


ASSEMBLÉIA SEM FÉRIAS?
Os deputados só vão votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias no começo de agosto. Como o recesso de julho só pode começar depois da votação da LDO, isso sgnifica que a Assembléia funcionará normalmente, sem férias.

Ah, como é ano eleitoral, tem um calendário especial, só três sessões ordinárias (duas hoje e uma amanhã), poucas extraordinárias, audiências públicas e só. Nada que estresse demais suas excelências, que precisam ir à luta, porque estão tentando se reeleger.

GUGU ESCAPOU!
Gugu Liberato está livre, leve e solto. Lembra daquela entrevista criminosa, com falsos membros do PCC, que ameaçaram os inimigos do Gugu? Pois é, os crimes cometidos pelo apresentador prescreveram mês passado e a ação judicial foi suspensa.

Terça-feira, 11 de Julho de 2006

TERÇA

Até quando é feia, Florianópolis é bonita. Taí a Beira-Mar Norte, uma avenida que engoliu a praia, margeada por um horrendo paredão de prédios, que bloqueia a paisagem e a aragem das ruas próximas. Mas, numa tarde ensolarada e enevoada de inverno até que fica bem charmosa.

TRABALHADORES
Deputados e senadores têm sessão conjunta hoje ao meio dia. Não é que de repente deu uma vontade danada no pessoal de trabalhar e votar de uma vez o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2007?

Claro que o fato dos parlamentares só poderem entrar de férias dia 17 se a LDO tiver sido aprovada não tem nada a ver com o esforço sobre-humano que estão fazendo.

LIMBO ETERNO
Ontem conversei com o deputado federal Édison Andrino (PMDB) que está na tal lista de Veja. Claro que ele está chateado e preocupado, porque esse processo a que a revista se refere inferniza a vida dele há 18 anos.

“Está há 18 anos sem uma solução, sem julgamento” e aí, a cada eleição, os adversários tratam de ressuscitar o processo, pra tentar azedar a vida do Andrino, que sempre teve boas votações, apesar disso.

Quando era prefeito, Andrino precisou contratar com uma certa urgência 43 merendeiras e auxiliares de enfermagem, para escolas e postos de saúde. Havia uma dúvida se podia ou não, por causa da época eleitoral, mas como ele achou que era necessário, fez as contratações. E isso gerou o processo.

A coisa já estava quase terminando, com pareceres pelo arquivamento, quando ele foi eleito deputado federal. Aí o processo parou e foi transferido para o Supremo Tribunal Federal, onde começou tudo de novo.

Como não teve julgamento, os adversários não podem dizer que ele é culpado, mas em campanha política isso não faz muita diferença: basta dizer que fulano tem um processo nas costas. E como não teve julgamento, o próprio Andrino não tem como provar sua inocência e sair desse purgatório.

TRABALHO ESCRAVO
No blog do jornalista Ronaldo Brasiliense está a informação que entidades historicamente aliadas a Lula, como a Comissão Pastoral da Terra e a Cáritas, ligadas à Igreja Católica, divulgaram carta aberta reclamando providências contra o trabalho escravo.

Durante o atual governo, mais de 600 proprietários rurais foram flagrados com escravos, mas nenhum está na cadeia, nenhum teve a propriedade confiscada e muitos reincidiram.

De janeiro de 2003 a junho de 2006 foram libertadas 14.566 pessoas que essa gente tratava como animais e explorava da maneira mais vil e atrasada. E ninguém foi punido.

As entidades estimam que no total os trabalhadores escravizados chegem a 40 mil no País.

ALLES BLAU
Tá rolando em Berlim, na Alemanha, um encontro empresarial bilateral e o governo catarinense, com o Dr. Moreira à frente, foi lá pra tentar ajudar os empresários a fechar alguns negócios que tragam investimentos europeus para o estado. Ou pelo menos que representem um aumento no comércio entre os dois países.

O outro motivo da comitiva oficial catarinense estar lá, gastando nossas diárias e nossas passagens, é que no ano que vem querem fazer uma reunião semelhante em Blumenau.
Pelas fotos (acima) parece que alguns ainda não conseguiram se habituar ao fuso horário e continuam tendo sono nas horas erradas.

PAVAN SE LAMENTA
Dentro da estratégia de ocupar a tribuna do Senado pra amplificar as vozes da campanha, o senador Pavan foi ontem pro plenário. Só que parece ter planejado mal o discurso. Primeiro reclamou que o Mercadante (PT) não cumpriu a palavra de ajudar a liberar recursos de emendas parlamentares: “o Mercadante me enganou!” disse ele.

E depois afirmou que estava decepcionado com o ministro do Turismo, que também não cumpriu uma promessa de liberação de recursos.

Eu tinha o Pavan como um cara mais esperto, desses que não confia em qualquer um e, principalmente, que não cai na conversa eleitoral dos petistas. Mas parece que me enganei.

É impressionante o volume que esse desgraçado consegue com essa caixinha de som, anunciando produtos de limpeza genéricos. E fica parado na frente das casas, azucrinando a vida de quem quer trabalhar. Ou só dormir.

Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

SEGUNDA

É SÓ UM JOGO...
Não sou fã de futebol, não conheço escalações de times de cor, não freqüento estádios, não sou torcedor habitual. Interesso-me esporadicamente por bons jogos, bons debates, boas brigas, boas disputas de muitos esportes.

Mas ontem, no final da tarde, surpreendi-me, alegre e faceiro, fazendo a ilustração acima, que é a demonstração de um revanchismo dos mais vulgares.

Todos achamos o Zidane um espetacular jogador de futebol, mas o monstro que habita o fundo das nossas almas gargalhou da maneira mais sinistra quando Zidane perdeu a cabeça e foi expulso. E soltou rojões e saiu pulando pelos telhados quando o time francês entrou pelo cano do pênalti perdido.

O lado racional do meu cérebro tem absoluta convicção que a Seleção Brasileira de Futebol perdeu o jogo. Não foi a França que ganhou, foi o Brasil que perdeu. E, portanto, não teríamos por que dar techauzinho pro Zidane, que, como já disse, foi um dos poucos que salvou esta Copa do Mundo de ser uma das mais chatas de todos os tempos.

Mas o lado animal do meu cérebro não queria que justamente aquele que foi nosso carrasco saísse da competição carregado nos braços da Deusa Vitória, essa loira inatingível que vive provocando os mortais com seu seio à mostra e suas pernas ágeis.

Foi melhor assim. Embora os italianos papudos também não sejam fáceis de aturar nos próximos quatro anos.

Bom, agora podemos voltar à programação normal?

O OESTE SAI NA FRENTE
Na semana passada a campanha majoritária teve seus principais lances no oeste do estado. Os votos, na região de José Fritsch e Luci Choinacki, (candidatos a governador e senadora, pelo PT), estão sendo muito disputados.

Um debate numa rede de emissoras de rádio regional levou todos os candidatos a Chapecó. E depois, carreatas e reuniões em várias cidades mostram que a coligação “Nós tudo contra todo o resto” pretende abrir uma grande clareira na floresta petista.

LULA TEM PRESSA
Pode parecer estranho, mas o presidente Lula, que demorou pra decidir se seria candidato (só saiu do armário na última hora), já tem todo o material de campanha pronto. O pessoal trabalha rápido mesmo. Quem quiser pode pegar as artes no site do PT e sair fazendo adesivos e camisetas.

Já no site do PSDB não tem nem sinal de material de campanha.

VALÉRIO VAI BEM
Marcos Valério, o operador daquelas estranhas (pra dizer o mínimo) movimentações de dinheiro entre o PT e os partidos da base aliada, finalmente terminou a reforma de sua casinha em Belo Horizonte, MG.

Só o sistema de ar condicionado custou R$ 3 milhões. A casa ocupa metade de um quarteirão e seu custo total é estimado em R$ 10 milhões. Mas como o Marcos Valério é muito discreto, jamais saberemos com exatidão. Ainda mais que, para desmentir os boatos de que gastou todo esse dinheiro ele mandou dizer à imprensa que se alguém oferecer uns R$ 3,5 milhões fica com a casa.

Se vocês achavam que só porque as empresas dele perderam contratos e ficaram sujas na praça ele iria ficar triste, estão muito enganados. Ele está muito contente em poder morar de novo na casa, seu casamento vai bem, deixou o cabelo crescer (pelo menos o que resta de cabelo) e nada indica que aquele baixinho tranqüilo seja um sujeito que está no centro de um dos maiores escândalos da República.

DIVERSIDADE SELETIVA
Pra “Marcha pra Jesus” foram liberados R$ 280 mil de dinheiro público. Pra passeata das bichas, lésbicas e simpatizantes o governo deu a ré e na última hora não repassou os R$ 60 mil prometidos. Estranho, porque o voto dos evangélicos e dos multigêneros vale a mesma coisa. E o eleitor GLSTBFG faz muito mais barulho.

LICITAÇÕES CAPENGAS
O Tribunal de Contas do Estado mandou suspender 36 licitações que iriam comprar comida para alimentar os presos estaduais. Encontrou 14 irregularidades, o que é bastante coisa. Entre elas, a utlização de grana que deveria ser usada só para manutenção e serviços administrativos. O Secretário da (in) Segurança tem 15 dias pra se explicar, corrigir os erros ou anular a compra.

QUE MEDO!
Se eu fosse amigo do Reitor da UFSC, avisaria pra ele tomar muito cuidado antes de dar à “Segurança do Campus” mais poderes e mandá-la “encerrar qualquer festa que esteja sendo realizada sem autorização”. Sem treinamento adequado, esse pessoal pode se achar tipo “polícia especial” e tomar atitudes que depois todos nós iremos lamentar. E em vez de defender o patrimônio da UFSC (é grande o número de roubos no campus) a “Segurança” pode achar que é prioritário infernizar a vida da estudantada e dos professores. Acho bom o pessoal abrir o olho.

DIPLOMA FALSO
O presidente da Câmara de Vereadores da Capital disse, em público, que não vai cumprir a decisão judicial que manda pagar gratificações aos servidores que apresentaram diplomas falsos de curso superior. De fato, olhando assim de longe, parece uma decisão esquisita, mas não pode, um membro do poder legislativo (que faz leis), simplesmente dizer que não cumpre as leis.

Seria mais correto examinar antes o que os advogados da Câmara apresentaram, se não perderam nenhum prazo e ver o que levou o juiz a decidir dessa forma: e aí lutar para modificar a decisão. Tudo dentro da lei.

Sábado, 8 de Julho de 2006

SÁBADO E DOMINGO

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA COLUNA
Para que tudo fique muito claro e transparente é importante dar a maior divulgação possível, em letrinhas minúsculas e apagadinhas, aos princípios que nortearão esta coluna durante todo o período da campanha política e mesmo depois das apurações e da posse dos eleitos:

1. Esta coluna não tem preferência partidária, nem pessoal. Não gosta nem desgosta de nenhum candidato. E só tem compromisso com sua (da coluna) consciência.

2. Como esta é uma coluna pobre e não pode pagar um fotógrafo para ir atrás dos candidatos para flagrá-los em poses ridículas, nem tem recursos para comprar fotos, só uso aqui as fotos gratuitas que encontro nos sites dos candidatos ou são enviadas pelos fotógrafos que têm pena da coluna.

3. Se você é candidato a governador ou presidente e sonha um dia aparecer nesta coluna como o LHS, o Esperidião, o Alckmin e o Lula têm aparecido, informe onde encontro fotos suas que eu possa utilizar sem pagar royalties. Como disse, não tenho preconceito. Faço piada com qualquer um e pego no pé sem olhar a quem.

4. Por causa do elevado número de candidatos a deputado estadual e federal, não vou abrir espaço para todos. Pra aparecer aqui tem que ter feito alguma coisa muito, muito, muito grave, esquisita ou estranha.

5. As reclamações e casos omissos devem ser encaminhados ao titular da coluna, que reunirá seus dois neurônios para tomar um café e decidir o que fazer.

Florianópolis, 8 e 9 de julho de 2006
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OUTRO GOVERNADOR!
Ontem o Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Pedro Abreu, tomou posse como governador 2. Santa Catarina, nos últimos tempos tem tido só governadores provisórios. O Dr. Moreira ficou em exercício bastante tempo, foi efetivado anteontem e ontem, de saída para a Alemanha, já passou o cargo para outro interino.

O lado bom dessas substituições é a demonstração que as instituições estão funcionando perfeitamente, sem problemas. Os titulares dos cargos podem se afastar sem que isso gere qualquer tipo de crise.

Desde 1982, aqui em Santa Catarina, já tivemos cinco desembargadores ocupando interinamente o governo estadual, sempre em períodos curtos, de no máximo 12 dias. Os presidentes do Tribunal de Justiça só assumem quando o vice governador e o presidente da Assembléia Legislativa não podem assumir.

Bom, então, desde às 11h30minutos de ontem, o nosso governador é o Dr. Pedro Manoel Abreu, desembargador que tem 56 anos e nasceu em Santo Amaro da Imperatriz, município da Grande Florianópolis e presidia o Tribunal de Justiça desde fevereiro deste ano. Deve ficar no governo até a próxima sexta-feira, quando o governador 1 retorna.

O Dr. Moreira, ex-governador em exercício, depois governador por 24 horas e agora governador licenciado, no seu discurso de transmissão de cargo, lamentou que o Brasil não estivesse na final da Copa do Mundo, porque, por coincidência ou de propósito, ele terá a oportunidade de assistir ao jogo do domingo na Alemanha.

É dura essa vida de governador...

OS ELEITORES
Ontem o TSE divulgou os números oficiais relativos aos eleitores brasileiros: somos quase 126 milhões de votantes. E destes, 6,57% são analfabetos e 3,33% têm diploma universitário. E a estatística também mostra que Blumenau entra para o clube de municípios que poderá ter segundo turno nas próximas eleições municipais: já está com 102 mil eleitores.

PEGADINHA DA CIDE
Em junho publiquei aqui uma carta de um leitor que estranhava o Dr. Moreira ir de município em município entregando um cheque da Cide, que é um tributo federal que tem parte distribuído automaticamente aos municípios, sem necessidade da intervenção do governo estadual.

Pois esta semana o Secretário de Estado da Infra-Estrutura, Justiniano Pedroso, escreveu-me para explicar o que ocorria com os cheques distribuídos pelo Dr. Moreira: os estados recebem uma parcela (29%) da Cide. E em Santa Catarina estes recursos a que o estado tem direito foram utilizados em obras de infra-estrutura e grande parte em convênios com os municípios para pavimentação de acessos. E os cheques que o Dr. Moreira entregava eram o repasse desses recursos que cabiam ao estado.

FAMA INTERNACIONAL
Quanto mais a gente quer afugentar os migrantes, mais propaganda aparece. Agora foi a revista norte-americana Newsweek, de julho, que fez uma lista das Dez Cidades Mais Dinâmicas do Mundo e, adivinhem quem está lá, ao lado de Nova Delhi (Índia), Moscou (Rússia), Nanchang (China), Goyang (Coréia), Toulouse (França), Londres (Inglaterra), Munique (Alemanha), Fukuoka (Japão) e Las Vegas (EUA)?

Isso mesmo, Florianópolis, SC.

E o desgraçado do repórter enche a bola da cidade dizendo que o fato dela crescer não a tornou pior. Diz que aqui é uma espécie de “Vale do Silício com praias”. E lembra que foi aqui que nasceu a urna eletrônica que permitiu o sistema eleitoral brasileiro transformar-se num sistema seguro contra fraudes e eficiente. Com tanta propaganda, não tem cidade que agüente!

[para ler a matéria, em inglês, clique aqui]

Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

SEXTA

A CAMPANHA COMEÇOU
O Geraldo Alckmin e seu fiel escudeiro José Jorge abrilhantaram ontem a festa de lançamento da campanha da coligação “Nós tudo contra eles” (que é como poderia se chamar a coligação Todos por Toda Santa Catarina). Nos discursos, juras de amor eterno. E muitos aplausos para todos. (Neste blog, ao clicar nas fotos, abre-se uma ampliação)


Os candidatos a deputado estadual e federal e mais uns tantos fãs aproveitaram para tirar fotos ao lado de seus ídolos. Subiam no palco e ficavam ao lado das estrelas da festa enquanto os flashes iluminavam a cena alegre. Uma espécie de “filma eu, Galvão!” eleitoral.

NOVO GOVERNADOR
Ontem foi um dia bem movimentado. Antes do meio-dia, na Assembléia Legislativa, o LHS apresentou seu pedido de renúncia e, logo depois, o Dr. Moreira tomou posse. Emocionado, o cardiologista mostrou que tem coração fraco: ao se referir aos seus pais, engasgou e quase que cai no choro. Conseguiu se controlar depois de alguns minutos.

Caravanas do sul do estado estavam lá, dando uma força e pedindo que o Dr. Moreira continue dando não só uma colher de chá, mas também algumas carradas de dinheiro para a região.

Quando uma jornalista perguntou a ele sobre seus planos políticos, o Dr. Moreira deixou claro: em 2010 é candidatíssimo. “Não sei se conseguirei, mas vou lutar para ser”, disse ele. Cá com os meus botões pensei: “acho que o Pavan vai ter muito trabalho pra ganhar o apoio do PMDB em 2010”.

A ARTE DA POLÍTICA
Nos discursos, o PFL, o PSDB, o PMDB e o PPS pareciam muito afinados. Cheios de elogios mútuos, para demonstrar coesão e firmeza. LHS disse, num tête a tête com um repórter que perguntava sobre oligarquias, que o candidato não era Jorge Bornhausen, era Colombo. E Colombo, muito aplaudido, não tocou na questão dos cabides (lembram daquele filme do PFL sobre descentralização que tinha um monte de cabides balançando?). Esforçaram-se todos para deixar de lado as águas passadas.

MULTAS PARA TODOS
Eles eram só dois Guardas Municipais (daqueles que a população já se acostumou a chamar de “engomadinhos”), mas fizeram um estrago e tanto na festa em que o candidato a presidente do partido do prefeito lançava sua campanha em Santa Catarina. Postados bem na frente do Hotel Cambirela, onde rolava o comício, não orientavam o trânsito nem queriam saber de conversa: o negócio deles era o bloco de multa.

O pessoal que cuida do estacionamento do hotel disse que achava que eles tinham preenchido uns dois blocos cada um. O cara chegava procurando um lugar para estacionar, parava um pouco e pimba, os dois caíam em cima. Quando me viram tirando fotos deles, ficaram olhando feio. Medroso como sou (apesar do sobrenome), esperei eles irem embora antes de sair do hotel (sorte que o expediente deles termina cedo).

Não sei vocês, mas eu tenho saudade dos nossos antigos guardas de trânsito da Polícia Militar. Pareciam mais civilizados.

(Pra quem não é de Florianópolis poder entender a piada: o Dário, prefeito que manda nos guardinhas, é tucano, estava na festa e até discursou)

Quinta-feira, 6 de Julho de 2006

QUINTA

(Os três cumpañeros voltaram a se encontrar na solenidade em que a Venezuela entrou oficialmente para o Mercosul. Pra ver melhor a alegria do reencontro, clique sobre a foto que se abre uma amplicação)

O GOVERNADOR SULISTA
Dr. Moreira assume hoje o governo do estado, substituindo LHS, que pediu o boné para poder se dedicar à campanha. Já na sexta, mostrando que incorporou de vez o espírito viajante do cargo, o Dr. Moreira vai para a Alemanha, a tempo de assistir à final da Copa. Como representante do sul do estado (região colonizada em grande parte pelos italianos) promete torcer pela Itália.

E o presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Pedro Manoel Abreu assume como Governador 2, para ficar em exercício. O segundo na linha de substituição, que é o presidente da Assembléia, não pode assumir por causa das restrições pré-eleitorais.

Durante o tempo em que ficou como interino de LHS, o Dr. Moreira já mostrou que vai tratar o sul do estado (sua base eleitoral) a pão-de-ló. Assim como o norte tem toda a atenção e o carinho do LHS, agora o sul terá sua fada-madrinha. E o pessoal de lá anda muito faceiro com toda essa atenção. Afinal, não estavam acostumados a ver Criciúma ser tratada como sede do governo e menina dos olhos do governador.

MULTIMÍDIA EXIBIDO
Tem uma parte de mim que acha feio ficar falando estas coisas, tem outra que até gosta de se exibir.

O fato é que estou me tornando, literalmente, um jornalista multimídia. Além da coluna, no DIARINHO, que já está quase completando um ano e deste blog na Internet, comecei na segunda feira a ter uma rápida participação no Jornal da Rede TV Sul (que inicia às 12h30min e está na Net, na TVA e na TV aberta em todo o estado e em Curitiba), na terça foi a vez de estrear no rádio, com um comentário na Rádio Clube de Lages, que vai ao ar de segunda a sexta por volta das 12h30min.

E, tchan, tchan, tchan, tchan! a partir de hoje a rádio Som Maior Antena1 FM, de Criciúma, também abre seus microfones (de madrugada, às 8h) para meus comentários, palpites e outras bobagens, no programa do Adelor Lessa.

Embora tenha feito televisão e rádio nas décadas de 70 e 80, sinto-me meio enferrujado e fora de forma. Assim, se vocês fizerem a gentileza de só assistir ou ouvir daqui a algumas semanas, eu agradeço. Creio que até lá terei conseguido retomar o ritmo e a coisa estará um pouco melhor.
Para ver e ouvir ao vivo, pela Internet:
Rede TV Sul! e Rádio Clube de Lages AM: www.tvip.tv.br
Som Maior Antena1 FM: www.antena1criciuma.com.br

A BANANA CRESCE
Cheia de amor pra dar, será realizada em Santa Catarina, em outubro, uma importante reunião internacional sob o tema “Bananicultura, um negócio sustentável”.

Já não era sem tempo dos catarinenses, que prezam a sustentabilidade da sua banana, serem levados a sério internacionalmente. A banana precisa, talvez até mais que outras culturas, enfrentar de pé os desafios da globalização e entrar e sair de maneira firme e decidida nos mercados, mostrando que consegue sustentar, pelo tempo que for necessário, a atitude ereta que se espera de uma banana competitiva.

A 17ª Reunião da Associação para a Cooperação nas Pesquisas sobre Banana no Caribe e na América Central (Acorbat), que é o principal congresso sobre bananicultura no mundo será realizada em Joinville, de 15 a 20 de outubro. Para quem está no negócio da banana as inscrições estão abertas em www.acorbat2006.org.

CARAS DE PAU
A Câmara dos Deputados gasta por ano R$ 19 milhões para custear a moradia dos deputados, informa o site “Congresso em Foco”.

Esse dinheiro daria para construir casas populares para umas 1.151 famílias, mas o que mais espanta nem é isso. É o fato que dois deputados, que foram cassados se recusam a entregar os apartamentos da Câmara que tinham direito a usar quando eram deputados.

Rogério Silva, do PPS do Mato Grosso, foi cassado em janeiro de 2004 por ter comprado votos. No mês seguinte, deveria ter desocupado o apartamento. Que nada, ficou lá, com a família, como se fosse casa dele.

Paulo Marinho, do PL do Maranhão, foi cassado em 2005 por causa de maracutaias no tempo em que era prefeito de Caxias (MA). E simplesmente não saiu do apartamento funcional.

Nos dois casos a Câmara já esgotou as vias administrativas para reaver os imóveis e a Advocacia Geral da União vai pedir na Justiça a reintegração de posse.

Não é o máximo da cara de pau? Não é uma ladroagem da grossa? O sujeito ganha um lugar pra morar enquanto é deputado e depois que não é mais deputado se acha no direito de ficar ali pra sempre.

SÃO TODOS CANDIDATOS
Está no site do PT a relação completa dos candidatos do partido a deputados estadual e federal, senador e governador em São Paulo.

Conforme notou o jornalista Ricardo Noblat, está cheia de nomes bem conhecidos: José Genoíno, Antônio Palocci, Ângela Guadagnin (a dançarina da pizza) e os mensaleiros absolvidos João Paulo Cunha, Professor Luizinho e José Mentor, entre outros.

Não existia a menor dúvida que os envolvidos em algum escândalo tratariam de tentar a reeleição. Quando por mais nada, porque podem precisar do foro privilegiado. E muitos petistas acreditam que o eleitor voltará a dar à legenda uma votação esmagadora.

COORDENADOR TUCANO
Depois de um estranho boato falando que a campanha de Alckmin no estado seria coordenada pelo coordenador da campanha do LHS, correram todos a esclarecer: quem vai coordenar a campanha de Geraldo Alckmin em Santa Catarina será Dalírio Beber, presidente do PSDB.

Segundo o senador Pavan, o seu coleguinha de coligação, senador Bornhausen (PFL) também aprovou a indicação de Beber para a função.

FESTA INAUGURAL
Com o encerramento da fase de negociações, acertos e coligações, a campanha começa pra valer. À frente de uma penca de nove partidos, LHS, Pavan e Colombo farão a festa hoje às 14h30min no Hotel Cambirela, no Estreito.

Outras coligações estão também agendando coletivas e eventos para marcar o início das atividades.

Por falar nisso, só hoje ao longo do dia é que o TRE deverá divulgar a relação dos registros feitos até ontem às 19h, quando terminou o prazo para oficializar as coligações.

MUDANÇAS NA TV ALESC
A legislação eleitoral, que estabelece restrições à divulgação de atos políticos com dinheiro público e à publicidade de candidatos, fez com que o sistema de comunicação da Assembléia Legislativa, que é mantido com o dinheiro público e tem como principal objetivo e razão de existir justamente a divulgação das ações dos deputados, tivesse que rever toda a sua programação.

Mas o essencial, que é a transmissão integral das sessões legislativas, será mantido. Sinal de bom senso do Judiciário Eleitoral, que desde eleições passadas entende que é importante o acesso da comunidade a essa informação. Ainda que muito deputado, fraco no desempenho, use a tribuna a qualquer pretexto apenas para aparentar, ao telespectador mais ingênuo, que está trabalhando.

Em todo caso, em tempo de campanha, a tendência é o esvaziamento das casas legislativas.

Quarta-feira, 5 de Julho de 2006

QUARTA

O TEATRO MONUMENTAL
O Centro Administrativo do BESC tinha um grande auditório. Quando o governo estadual se mudou pra lá, foi usado bastante e, de tão grande, poucas vezes lotou. Mas o governador LHS, que gosta de um “Centreventos” decidiu, um dia, que ali faria o maior teatro da capital.

E o que a gente achava que seria apenas uma reforma se transformou numa obra imensa. Derrubaram todas as paredes do auditório (deixaram apenas parte da estrurura da concreto) e partiram para a construção de um teatro totalmente novo. A obra (foto acima e se clicar fica ainda maior), que pelo jeito só será concluída no próximo ano, impressiona pelo tamanho. E pela lentidão.

“NÃO SOU EU”
Alguns jornais informaram que o Coordenador da Campanha do Luiz Henrique, ex-secretário Derly Massaud de Anunciação, coordenaria também a campanha do Alckmin no estado. Ontem ele negou até que tivesse sido convidado. Afirma que o trabalho na coordenação da coligação “Todos por Toda Santa Catarina” (esse nome só pode ter sido inventado pelo LHS), que tinha ontem nove partidos, já é suficientemente complicado. Nem tem como assumir mais coisas.

TROCA DA GUARDA
Em solenidade concorridíssima, que lotou o auditório da Fiesc, o Dr. Moreira empossou alguns dos auxiliares que vão carregar o piano nos meses que faltam para terminar o mandato.

Naturalmente o destaque era a saída do discreto Secretário de Comunicação, substituído pelo jornalista Ricardo Fabris. Derly, que não é candidato a cargo eletivo, dedicou-se ao projeto de governo do LHS sem a natural distração que têm os secretários com projetos políticos pessoais.

Aproveitou um esquema de aproximação com os jornais do interior que começou a ser montado no governo Amin e levou-o a níveis de sofisticação que fazem com que todos os radiodifusores e donos de jornais sejam sempre todos sorrisos. Nunca as verbas do governo foram distribuídas de forma tão ampla. E isso fez com que tenham surgido, como nunca, diários em todos os cantos do estado.

Agora na coordenação da campanha, Derly certamente vai colher os frutos que plantou em três anos com o funcionamento desse esquema de comunicação bem azeitado.

MUDANÇA NA IMPRENSA
Hoje será nomeado o novo Diretor de Imprensa da Secretaria de Comunicação (é o cargo que o José Augusto Gayoso ocupava, depois o Ricardo Fabris): será o jornalista Flávio de Sturdze, que atua profissionalmente em Florianópolis desde a década de 70 e no governo LHS era um dos assessores de imprensa encarregados de acompanhar o governador.

Perguntei ao Secretário Ricardo Fabris se haverá alguma mudança na forma de atuar da secretaria mas, como seria de se esperar, ele disse que o tempo é curto, fica tudo como está.

O PREFEITO AUSENTE
O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, anda se escondendo. Não atende o telefone, não retorna as ligações, não toma posições a respeito de alguns temas importantes para a cidade.

A queixa acima não é minha. Faz tempo que desisti de tentar falar com o Alcaide Sorridente. Mas a ouvi de mais de uma autoridade estadual ontem, na cerimônia em que alguns secretários e o presidente da Fatma foram empossados. E o mais engraçado é que, como o salão estava cheio, com inúmeros grupos conversando entre si, ouvi a mesma queixa relacionada a assuntos diferentes, em rodinhas diferentes.

Na última, alguém deixou escapar “ele não está atendendo telefonemas nem do governador”. O que tanto pode ser verdade quanto exagero. Mas o fato é que tem muita gente reclamando.


CAPITAL ÀS ESCURAS
Na foto acima, à esquerda, o presidente da Celesc, Miguel Ximenes (à direita dele Cláudio Prisco com seus dois metros de altura e uma mini-cadernetinha e eu com meu metro e meio e um cadernetão).

E o que o Ximenes estava conversando conosco era o problema da tal subestação que a Câmara de Vereadores inventou de proibir. Pra Celesc restou uma única opção: não fazer a obra. Pra cidade sobraram todos os riscos de uma sobrecarga que nos leve de volta aos tempos da Elfa (na década de 60), quando o normal era a falta de luz ou uma luz tremelicante e instável.

A PENCA DE CADA UM
O prazo pra registrar as coligações termina hoje às 19h e naturalmente este quadro aí em cima pode ter modificações (e até já pode ter-se modificado de ontem pra hoje). Mas eu fiz questão de colocar só pra vocês verem como tem partido político. Aposto que vocês não sabem o que significa a sigla da maioria deles. E vários (independentemente do tamanho) têm a consistência ideológica de uma gelatina de morango. Mas se levam a sério e estão presentes a todas as negociações. Principalmente de cargos e outros benefícios.

Terça-feira, 4 de Julho de 2006

TERÇA

CURSINHO TIO CESAR DE AUTO-AJUDA ELEITORAL
Aprenda a votar em
seis lições rápidas e fáceis


A pior coisa que a gente pode fazer, para os maus políticos, é aprender a votar. Nenhum deles quer que vocês se interessem por política, todos fazem questão que a gente nem queira saber o que está acontecendo. Um eleitor consciente, que sabe dos seus direitos e sabe o que quer é tudo o que os maus políticos odeiam.

Por isso, reuni algumas dicas que acho importantes para tentar ajudar o pessoal a fazer justamente aquilo que a quadrilha de corruptos não quer: endender um pouco mais de política e votar sabendo do que está fazendo.

1. A IMPORTÂNCIA DO VOTO

Não tem nenhuma outra oportunidade ou lugar em que pobre, rico, milionário, desempregado, culto, ignorante, esperto e burro sejam tão iguais quanto no momento do voto.

O voto de um cidadão é exatamente igual ao voto do outro, tem o mesmo peso. E ninguém “dá” esse direito pra gente. A gente adquire esse direito ao nascer no Brasil ou se naturalizar.

E pra “tirar” da gente esse direito é preciso ter cometido algum crime cuja pena seja a perda dos direitos políticos.

Ou seja, o voto é um dos principais e mais valiosos bens que a gente tem. Só que nem todo mundo sabe disso ou acredita nisso.

Pra perceber o valor do voto é só notar como tem gente atrás dele. Como eles gastam dinheiro pra conseguir o nosso voto. Como eles fazem qualquer negócio pelo nosso voto.

2. A IMPORTÂNCIA DA ELEIÇÃO

Praticamente tudo, na nossa vida, tem a participação dos políticos. Todas as leis são feitas por políticos. Da velocidade máxima na estrada ao imposto, da exigência de planta pra construir a casa à obrigação de andar vestido na rua, tudo, em algum momento, passou por um parlamento.

No município as leis são feitas e modificadas na Câmara de Vereadores, no Estado, na Assembléia Legislativa, no País, na Câmara dos Deputados e no Senado (que formam o Congresso Nacional). E toda essa gente que mexe com isso está lá falando em nosso nome. Eleitos e pagos por nós.

E nas prefeituras, no governo estadual e na presidência da república, os caras que gerenciam o dinheiro dos impostos e os serviços públicos, os que executam as tarefas que sejam necessárias para que a vida da gente seja melhor, também são políticos. E também são todos eleitos e pagos por nós.

Dá pra entender, então, como é importante o momento da eleição: é a única chance que a gente tem, em geral a cada quatro anos, de tirar quem não trabalhou direito e de colocar quem parece que nos representa melhor.

3. A IMPORTÂNCIA DE SE DAR AO RESPEITO

Se eu tenho esse poder, de escolher meu representante e de mantê-lo como meu representante pelo tempo que eu achar necessário, o poder de tirá-lo (ou a ela) de lá assim que sentir que não está trabalhando direito, então não posso me apequenar. Não posso ficar de cabeça baixa como se não fosse ninguém. Não posso dar, emprestar ou vender meu voto como se eu fosse um merda qualquer.

Por acaso você empresta sua mulher pra qualquer um que pedir? Por acaso você deixa seu marido ir pra noite com qualquer uma que lhe prometa um emprego? Você conta sua senha do banco pro primeiro que apertar sua mão? Você libera a chave do carro em troca de um cartão de boas festas?

Pois tem gente que entrega o voto em troca de um aperto de mão, de um cartão de feliz aniversário, de uma promessa de emprego. Ou de uma dentadura, ou de um sapato. Ou de vinte reais.

E, muitas vezes no desespero das dificuldades, a gente nem se lembra que é muito possível que estejamos assim, na pior, porque o voto dos pobres sempre foi dado em troca de um prato de comida. E enquanto continuar assim, nada muda.

4. A IMPORTÂNCIA DE ENTENDER A POLÍTICA

De tanto ver maus políticos roubando e fazendo pouco de nós, é natural que a gente crie um certo nojo de política. E quando a gente deixa de prestar atenção e se desinteressa, aí mesmo que a bandidagem engravatada se esbalda: nosso desinteresse significa que não terão problemas para se reeleger ou para se eleger.

Eles também gostam de dizer que política é coisa complicada, que não é pra qualquer um, que só pessoas “especiais” (eles!) podem se meter em política. E não é nada disso.

Política é uma das coisas mais simples e antigas do mundo. A gente aprende a fazer política em casa mesmo. Quando o filha quer sair e o pai não quer deixar, a menina vai conversar com a mãe, explica seus motivos, faz uma cara de tristinha. A mãe então vai falar com o marido, com um jeito que só ela tem. E o pai, que é brabo mas não é de ferro, acaba deixando.

O que aconteceu aí? um exercício político, uma negociação política. Algúem, em defesa de seus interesses, tentou e conseguiu modificar a posição de um opositor, usando argumentos e um aliado, no caso uma aliada. E o grupo com maior poder (mãe e filha) reverteu a decisão.

O pai, politicamente, cedeu para não perder autoridade e para manter outras posições de prestígio, com a patroa ou com a filha, com quem poderá se aliar mais adiante.

Portanto, não acredite em quem diz que política é complicada. Ela é trabalhosa, mas não é complicada.

5. A IMPORTÂNCIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Na nossa democracia, a participação da gente no governo começa pelos partidos políticos: não posso me candidatar a nenhum cargo se não for filiado e indicado por um partido político. Por isso, não adianta se interessar por política e pela valorização do voto só às vésperas da eleição.

Em geral um ano antes da eleição termina o prazo de filiação a um partido político para quem quer concorrer.

Cada partido faz reuniões municipais, estaduais e nacionais, para escolher e indicar seus candidatos. Isso quer dizer que a primeira luta política se dá dentro dos partidos.

Num partido que tenha “dono”, que o manda-chuva seja o Coronel Fulano, só serão candidatos aqueles que o “dono” do partido quiser.

Isso explica a nossa surpresa, quando olhamos a lista de candidatos a vereador ou deputado ou mesmo governador e vemos ali umas criaturas que não têm a menor condição de representar nem uma manada de mulas, quanto mais uma comunidade como a nossa.

É que, como a gente não presta atenção ao processo político inteiro, e só presta atenção na política na véspera das eleições, perde a parte que talvez seja a principal: a escolha dos candidatos pelos partidos.

Há partidos que não têm “dono”, cujos filiados indicam livrevemente seus candidatos, é feita uma votação e os nomes representam de fato o que a maioria do partido acha que tem de melhor pra oferecer. Mas mesmo aí, onde tudo funciona direito, só votam os filiados, aqueles que participam da vida partidária.

Portanto, os nomes que vão aparecer nas propagandas políticas, os candidatos, não nasceram das ervas: eles vêm de partidos políticos, indicados com maior ou menor nível de seriedade.

6. A IMPORTÂNCIA DE FICAR ESPERTO

Tem alguns candidatos que são indicados só porque são ricos e os partidos não têm muito dinheiro para a campanha e precisam que alguém banque as despesas. Tem outros que são indicados porque já são muito conhecidos e podem garantir um número grande de votos para o partido (e isso ajuda aos demais candidatos da mesma legenda).

Lembram que falaram em indicar o Sílvio Santos pra concorrer à presidência? Pois é, radialistas, apresentadores de TV, jornalistas e artistas podem ser muito simpáticos e parecer muito bonzinhos ou muito lindos, mas nada disso significa que saberão nos representar direito, que não vão meter os pés pelas mãos. Uma coisa é animar um programa de auditório. Outra é dar palpite em coisas que afetam nosso bolso, nosso bem estar e nosso futuro.

Nas campanhas eleitorais, os candidatos mal intencionados não só prometem de tudo, como prometem coisas que eles não têm a menor condição de cumprir. Por isso, agora é a época de começar a ficar esperto.

Ninguém resolve todos os problemas sozinho. Nem o Lula conseguiu, nem o FHC, nem o Amin, nem o LHS. Não tem como fazer milagre. Por exemplo, se o sujeito vier prometendo emprego pra todo mundo, não leve a sério: mais emprego depende do crescimento da economia e de uma série grande de outros fatores. Ou seja, tá prometendo o que não teria como cumprir, mesmo se quisesse.

Abra o olho, procure saber quem é e de onde veio o(a) candidato(a) e principalmente se é honesto e sincero. De corrupto bem falante a gente já tá cheio.

Segunda-feira, 3 de Julho de 2006

SEGUNDA

PROCOM NELE!
Recomendo a todos os que compraram (!) e leram (!!!) o livro “Formando Equipes Vencedoras”, de um tal de Carlos Alberto Parreira (Editora Best Seller, com texto final de Ricardo Gonzales), que procurem o Procom para reclamar da propaganda enganosa e tentar reaver a grana.

A VOZ DO POVO
Merda amarela (Olé, Argentina);
Um time para esquecer (O Estado de S. Paulo)
França, de novo, elimina o Brasil (Folha de S. Paulo)
França liquida Brasil (O Globo, RJ)
Volta, Felipão! (O Dia, RJ)
De novo (Correio Braziliense, DF)
Au revoir (A Crítica, AM)
Convulsão geral (O Poti, RN)
Acabou (Jornal do Commercio, PE)
Que saudade! (Diário de Pernambuco, sobre uma foto de Felipão)
Vergonha (O Povo, CE)
Decepção em campo (Diário do Nordeste, CE)
Au revoir mon ami (Diário da Manhã, GO, sobre uma foto de Ronaldo)
Faltou raça. Sobrou Zidane (O Popular, GO)
Desabou (Jornal de Londrina, PR)
O pesadelo era real (Zero Hora, RS)

Manchetes de jornal reunidas pelo blog do Noblat de onde, sem cerimônia, surrupiei.

MUDANDO DE ASSUNTO
Vamos voltar a falar de política e tratar de conhecer os candidatos, pra não pensar mais naquele careca magro dando balão naquele careca gordo.

Sabes quem são os candidatos a Presidente da República? Já sabes quantos candidatos a governador teremos em Santa Catarina?

Pois então, anota aí: Lula, Geraldo Alckmin, Cristovam Buarque, Heloísa Helena, Luciano Bivar, Rui Costa Pimenta e José Maria Eymael querem ser presidentes.

O problema é saber direito que partidos os apóiam, porque mesmo com a verticalização, nos estados está valendo quase tudo. Em alguns casos virou uma grande sopa de letrinhas, uma maionese melequenta de ovo galado, intragável.

A TABELINHA DA ELEIÇÃO EM SC
(pra esquecer da outra)

Governador: Antônio Carlos Sontag
Vice: Jair Miotto
Senador: (aberto)
Coligação/Partido: PSB, PTB. PMN e quem mais vier.

Governador: César Alvarenga
Vice: Genésio Adolfo
Senador: Ari de Camboriú
Coligação/Partido: PSDC

Governador: Elpídio Neves
Vice: (aberto)
Senador: Osmar Picker
Coligação/Partido: PTC, PTN, PSL e PAN

Governador: Esperidião Amin
Vice: Hugo Biehl
Senador: (aberto)
Coligação/Partido: PP e quem mais vier

Governador: João Fachini
Vice: (aberto)
Senador: Gilmar Salgado
Coligação/Partido: PSOL, PSTU e PCB

Governador: José Fritsch
Vice: (aberto)
Senadora: Luci Choinacki
Coligação/Partido: PT, PcdoB e quem mais vier

Governador: Luiz Henrique (LHS)
Vice: Leonel Pavan
Senador: Raimundo Colombo
Coligação/Partido: PMDB, PSDB, PFL e PPS

Governador: Manoel Dias
Vice: (aberto)
Senador: (aberto)
Coligação/Partido: PDT e quem mais vier

AINDA TEM JOGO
Pela quantidade de cargos em aberto nas chapas majoritárias (tabela acima), dá pra sentir que muita conversa ainda será feita até o último minuto. Enquanto houver prazo, haverá conversas.

Naturalmente, muitos acertos já estão prontos, mas serão concretizados e divulgados só no segundo turno. E no andar de baixo, na turma de candidato a deputado estadual e federal, o pau tá comendo. Mas eles vão ter que se entender até o final desta semana.

SECRETÁRIO PARCEIRO
A Secretaria de Estado do Planejamento informa, por e-mail, que o edital para construção de uma via expressa em Criciúma é inciativa da SC Parcerias e aceita propostas até o dia 28. E diz que a pessoa que está disponível para dar entrevistas sobre esse projeto é o Secretário do Planejamento, Olvacir José Bez Fontana, dono da Construtora Fontana, de Criciúma. Ora, se o secretário tem tempo de sobra pra atender à imprensa, então pra que incomodar os rapazes da SC Parcerias, que devem ter mais o que fazer, né?

VOLTOU A CENSURA
Depois de alguns meses de trégua, o Ciasc e o tal “Conselho de Segurança” das redes do governo voltou a bloquear o acesso aos blogues políticos que tenham “blog” no endereço. Alguns, como o blog no Noblat, que pode ser acessado por www.noblat.com.br escapam da censura. Mas esta coluna, que também pode ser lida em deolhonacapital.blogspot.com está de novo inacessível para boa parte dos servidores públicos estaduais.

Outros blogs políticos escapam da censura, mas têm os comentários bloqueados pelo sistema governamental.

O mais engraçado é que o presidente do Ciasc, Fábio Carpes da Costa (membro ilustre da República de Criciúma) mandou semana passada um texto para os jornalistas, mesmo os censurados, falando em “incluir o cidadão no mundo digital e social”.

Claro, todos eles fazem de conta que não têm nada a ver com o bloqueio e fingem que apenas tentam preservar o bom ambiente de trabalho aos impedir o acesso a “bobagens”. Como se os servidores fossem crianças precisando de proteção contra as más leituras.

SORRIA VOCÊ ESTÁ NO SATÉLITE!
Quem tem computador e uma boa conexão de internet já deve conhecer o Google Earth e se não conhece tem que procurar imediatamente. É um programa que a gente baixa no endereço earth.google.com e que permite ver a terra inteira em fotos de satélite. Dá pra literalmente viajar um monte.

Até pouco tempo, as fotos do litoral catarinense eram de baixa resolução. Agora melhorou e dá pra ver até os automóveis nas ruas e identificar as casas e praças.

A imagem pode ser vista de vários ângulos e distâncias. Legal, né?

Um detalhe interessante: as fotos foram batidas quando a ponte Pedro Ivo estava interditada por causa daquele incêndio do apagão. Só tem carros na Colombo Salles.

Sábado, 1 de Julho de 2006

SÁBADO E DOMINGO

Na foto acima, o Arcebispo Metropolitano de Florianópolis, Dom Murilo Krieger (e), ouve a confissão do Secretário da (in)Segurança, Dejair Pinto.

INSEGURANÇA PÚBLICA
Num dia, um sujeito armado rouba um restaurante próximo da UFSC, no outro dia, um sujeito armado (o mesmo?) rouba outro restaurante próximo da UFSC, no outro dia um sujeito armado (o mesmo?) rouba um terceiro restaurante próximo da UFSC. No intervalo desses roubos, outros locais, na Trindade, Córrego Grande e regiões próximas à UFSC, sofrem roubos e arrombamentos de veículos (à luz do dia, em ruas movimentadas).

Nas ruas próximas à UFSC não se nota um aumento significativo de policiamento. Ao contrário, nota-se uma tranqüilidade ostensiva dos ladrões. Que conhecem, bem melhor que nós, como a polícia funciona ou deixa de funcionar. E, pelo jeito, a tal promessa do Comandante Geral da Polícia Militar, de aumentar o que ele chama de “ostensividade”, continua sem ter o necessário efeito prático. Ou então entendi errado: iam aumentar a “ostensividade” dos assaltantes e não da polícia.

PAISAGEM ROUBADA
Ontem um amigo comentou sobre o absurdo que é a gente não poder levar quem nos visita para ver a paisagem do alto do Morro da Cruz.

Cidades planas, como Toronto, no Canadá e Seattle nos Estados Unidos, gastam os tubos para construir torres-mirantes, de onde se pode ver a cidade do alto. E aqui a gente tem um mirante privilegiado, uma natureza invejável, uma paisagem de cinema, mas não podemos ver nem mostrar, porque a bandidagem tomou conta.

Não tem graça levar alguém ao alto do morro para ser assaltado. Então o melhor é mostrar fotos antigas, tiradas no tempo em que a gente ainda tinha direito àquela paisagem.

ESPETÁCULO PROIBIDO
O posto policial que um dia existiu lá no alto foi desativado certamente para conter despesas. Os bandidos transitam pelas picadas do morro como os donos da casa que de fato são.

Podem perguntar a moradores antigos de Florianópolis que tenham viajado mundo afora: existem poucas paisagens mais encantadoras que aquela que é possível ver do alto do morro da cruz à noite.Se tiver lua cheia e céu limpo, então, é um espetáculo inesquecível.

Espetáculo que as “autoridades” interditaram para cidadãos de bem e entregaram para os assaltantes. Que, como em tantas outras áreas da cidade, sentem-se à vontade, agem sem pressão e sem medo.

INSEGURANÇA ALEMÃ
Pra que vocês não fiquem pensando que a bandidagem livre leve e solta é um problema apenas brasileiro: assaltaram a sede da ESPN-Brasil na Alemanha e levaram uma câmera de TV, três laptops e uma câmera fotográfica (da Soninha, com mil fotos). Claro que os mais pessimistas devem estar pensando “só pode ser coisa de algum brasileiro que anda por lá”.

LULA E A LEI
O presidente-candidato tem reclamado muito da legislação que limita as ações dos candidatos à reeleição. Ele se insurge contra as leis como se elas tivessem sido feitas para prejudicá-lo e em nenhum momento parece entender que elas foram feitas para proteger o nosso dinheiro, o dinheiro público.

O uso do cadastro do bolsa-família, por exemplo, é um desses abusos que Lula comete: todos os beneficiados pelo programa são convidados a comparecer a eventos eleitorais na região onde moram. Isso caracteriza o uso imoral e inaceitável dos recursos públicos.

Ilustração de um folheto do Sansibar (pronuncia-se Zanzibar), um bar na Lagoa da Conceição, que convida pra ir assistir ao jogo lá. Usei porque expressa o desejo de muitos de nós.

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Divirtam-se: taí a “lista negra” do Tribunal de Contas

O DIARINHO dá uma de Diário Oficial e publica a lista de 208 agentes públicos que o Tribunal de Contas de Santa Catarina encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral. O documento servirá de base para que o TRE declare a inelegibilidade da turma toda.

Integram a lista os nomes de 106 agentes políticos cujas contas anuais receberam parecer prévio pela rejeição. Também estão na relação, os nomes de mais 102 pessoas que exerceram cargos ou funções públicas com contas julgadas irregulares e que foram condenados a devolver os recursos utilizados indevidamente.

Tá numa tripa bem comprida, mas vale a pena pegar os óculos e ver se acha algum conhecido aí:

Adelino Machado
Ademar Ribas do Valle
Ademir Niehues
Ademir Valduga
Adi Xavier de Castro
Adílcio Cadorin
Adilson Jorge Costa
Adir João Zanco
Adir Zonta
Adolar Pieske
Adolfo Ern Filho
Alaor Gotz
Alcebiades Soccol
Alcides Borges
Aldo Schneider
Aldo Tadeu Vieira Waltrick
Aldori Batista dos Anjos
Alexandre Alvadi Di Domenico
Alexandre Ivo Seidel
Altair Cardoso Rittes
Amadeus Boaventura Pereira
Amélio Rossi
Anoldo Ferreira de Castilho
Antonio Bavaresco
Antonio Cesar Camargo Gamba
Antonio Eduardo Ghizzo
Antônio Francisco Comandoli
Antônio Geraldo Martins
Antonio Jose Venturi
Antonio Luiz Duarte
Antônio Pedro Thomazi
Antonio Sorly de Souza
Ari Antonio Dalmolin
Aristorides Vieira Stadler
Arno Affonso Schwendler
Augustinho Fusinato
Aureo Schneider
Bertilo Wiggers
Braz Ciseski
Carlos Alberto Nunes Caetano
Carlos Eduardo Bezerra Saliba
Carlos Ivan Zanotto
Carlos Jose Stüpp
Cezar Armando Brancher
Cladimir Jorge Zacchi
Claudionor Carlos Pinheiro
Claudionor de Vasconcelos
Clodoveu Agostinho Righez
Clóvis Bergamaschi
Clóvis José da Rocha
Décio da Fonseca Ribeiro
Deoclecio Ricardo Zanatta
Dercilio Crispim Correa
Dorvalino Dacoregio
Ede Geraldo da Cunha
Edi Luiz de Lemos
Edilson Lisboa
Edio Minatto
Edson Carlos Rodrigues
Elton Geraldo Gauer
Epitácio Bittencourt Sobrinho
Ervino Vermoehlen
Essiorni Cardoso da Silva
Flavio Luiz Agustini
Francisco Nicolau Verginaci
Gelson Luiz Padilha
Geraldo Antonio de Bortoli
Gerci de Lorenzi
Gilberto Carvalho
Giliard Reis
Gilmar Paulo Leidens
Gilson Silveira Duarte
Heinz Hermann Martin Haake
Henrique Drews Filho
Henrique Manoel Borges
Henrique Peron
Hermes Bao
Hilário Carlos Scherner
Hildon Kuhl
Honorato Pedro Accorsi
Humberto José Travi
Idernei Antônio Titon
Ildefonso Batista de Souza
Irineu Pinto
Irmoto José Feuerschuette
Itacir José Moro
Itamar Bressan Boneli
Ivaldino Antônio Frigo
Ivo Abel
Izes Regina de Oliveira
Jacinto Bet
Jaime Cesca
Janir Brandt
Jarbas Neri Brum
Jerônimo Lopes
João Batista Araújo Soares
João Batista de Geroni
João Bento de Moraes
João Carlos D Avila Bittencourt
João Carlos Pagani
João Gualberto Pereira
João Luzia Duarte Ribeiro
João Nazario
João Pedro França
João Pedro Martins de O. Primo
João Valmir Schlatter
Jocelino Amâncio
Jorge Luiz Koch
Jose Aldo Furlan
José Cláudio Gonçalves
José Davi Pereira
José Elio Borges
Jose Samuel Nercolini
Jose Sarmento
Jose Zani Xavier
Jucimar Custódio
Julio Cesar Ribeiro
Julio Cezar Cechinel
Juraci Obetudes da Silva
Lairton Tenconi
Lauri Antunes da Silva
Leopoldo Joao Francisco Filho
Leopoldo Renato Alves da Silva
Lino João Dell Antonio
Lourdes Matias
Lourival Jarschel
Lourival Martins
Luís Roberto de Oliveira
Luiz Carlos Thomazoni
Luiz Fernando Francalacci
Luiz Iremar Chaikowski
Luiz José Gaya
Luiz Pedro da Silva Pereira
Manoel Izidoro dos Santos Neto
Marcio Antonio Ferrari
Marcos Leal Nunes
Marildo Domingos Felippi
Marilucia Silva da Costa
Mauro João Jaques
Milton Aurelio Uba de Andrade
Moacir Alfredo Bento
Morwan Antonio Borges
Nardi Mello
Nelsirio Gasperin
Nelson Cruz
Nelson dos Santos
Nelson Gasperin Junior
Nelson Guckert Scheidt
Neri Francisco Garcia
Newton Luiz Barata
Newton Stelio Fontanella
Nilo Tozzo
Nilvo Dorini
Oclair Carlos Silveira
Odenir Deretti
Onelio Francisco Menta
Orasil Coelho Pina
Orlando Nogaroli
Oscar Eugênio Grossl
Otto Entres Filho
Ozair Coelho de Souza
Paulo Roberto Meller
Pedro Agilar Giongo
Pedro Ferreira
Pedro Henrique Ducker Bastos
Pedro Orlando Muniz
Pedro Paulo Chiminello
Pedro Tyszka
Reginaldo Jose Fernandes Luiz
Remi Alécio Mascarello
Renato Gunther
Renato Pagani de Arruda
Roberto da Silva
Romualdo Theophanes de F. Jr
Ronei Matos
Rosita Jung
Rubens Padilha dos Santos
Sadi Peixoto
Santin Palavro Junior
Sebastião Ari Martins
Sergio Luiz Biehler
Sérgio Luiz Bortolon
Sérgio Oselame
Sidnei Pensky
Silvestre Diomar Felix
Sueli Nair Zeferino
Tarcisio Ribeiro de Lima
Tereza de Medeiros Luciano
Tito Pereira Freitas
Trajano Martins
Valcir Jordão Heiderscheidt
Valcir Ferreira Pereira
Valdevino Eifler
Valdir Gonçalves
Valdir Schappo
Valmir Effting
Valmor Ribeiro da Silva
Valter Floriano Schafer
Valter Marino Zimmermann
Vanderlei Olivio Rosso
Volmir Jose Giumbelli
Vitorio Altair Lazzaris
Waldir Muniz Galindo
Waldir Vieira da Rocha
Wilmar José Einsfeld
Wilson Antunes de Lima
Wilson Pazini
Zairo Cabral Luiz