sexta-feira, 27 de outubro de 2006

SEXTA


AOS AMIGOS, TUDO

O Luiz Henrique é um bom amigo. Que o diga o acordeonista, maestro e empresário José Antônio Barcellos de Mello. Além de participar de viagens internacionais com o LHS, tem merecido patrocínio do governo para algumas de suas iniciativas.

No Diário Oficial do Estado de 3 de outubro (que, como está virando praxe, circulou agora, há poucos dias, com grande atraso), na página 2, está publicada a Portaria 192, de 25/9/2006 que comunica que em 20/12/2005 o Sr. José Antônio Barcellos de Mello foi agraciado com a módica quantia de R$ 100 mil, referente ao Projeto do Funcultural 808/059. O projeto menciona o 4° Concordeon, um evento anual que reúne acordeonistas em Joinville.

Entre as várias atividades do amigo Mello, está a montagem da Phantom Band, criada para acompanhar o espetáculo em que Jeff Keller, um cantor norte-americano que atuou no musical O Fantasma da Ópera, se apresentava com Márcia Mell, filha do LHS.

O valor destinado à Concordeon foi pequeno, se comparado ao que Vera Fischer ganhou (R$ 500 mil) ou mesmo o que chegou a ser pensado para o novo show da Márcia Mell (R$ 830 mil, cancelados à última hora porque alguém, no governo, teve um ataque de bom senso), ambos do programa Funcultural (um desses fundos criados para que as empresas usem o dinheiro dos impostos para financiar projetos privados).

Mas ninguém pode dizer que o LHS não prestigia os amigos. Apesar de se apresentar como “músico amador, fui profissional na década de 60”, o maestro Mello já participou três vezes da abertura do Festival de Dança de Joinville, tocou na posse de Luiz Henrique em janeiro de 2003 e tocou para Lula no aniversário do Bolshoi. Até em Moscou, ele já tocou, acompanhando uma cantora russa que canta músicas brasileiras.

A AGENDA ESQUECIDA
Talvez eu devesse deixar para falar nestes assuntos segunda-feira. Mas tenho a impressão que estes comentários não farão a menor diferença e ninguém deixará de votar em LHS por causa disso. Ao contrário.

Não sei se vocês lembram, a filha do governador, que sonha ser cantora, Márcia Mell, fez uma tournée por várias cidades do País. Acompanhada daquele cantor do Fantasma da Ópera e da banda do amigo Mello, o show teve uma estrutura de super-produção.

Uma vez recebi um e-mail malcriado de uma pessoa do “staff” do show, porque tinha me referido, aqui na coluna, à divulgação que uma SDR estava fazendo do espetáculo.

Tive, desde o início, uma grande curiosidade relativa a esse show: coincidência ou não, o governador LHS quase sempre estava, em missão oficial, na cidade onde Márcia Mell se apresentaria, exatamente no dia da apresentação. Ele foi visto, na primeira fila, na maioria das apresentações.

A oposição chegou a ensaiar uma reação, mas acho que alguém ficou com preguiça de pesquisar: seria necessário, para fazer alguma poeira, cruzar os dados das viagens oficiais do governador com a agenda dos shows. Juiz de Fora, Goiânia, São Paulo e por aí afora. Nada contra o governador ser um pai amoroso e extremoso. O problema é fazer isso com nosso dinheiro.

EMPRESÁRIO FALADOR
Fui dar uma olhada na tal matéria do Estadão à qual o presidente Lula se referiu, dizendo que “um empresário catarinense irresponsável” seria o causador do embargo russo.

Escrita pelo meu ex-colega de Gazeta Mercantil, Jamil Chade, a matéria não cita nomes. E relata um caso escabroso, onde, de fato, parece que tem russo achacando o exportador catarinense. O presidente de vocês falou no caso como se os corruptos russos pudessem agir sem serem incomodados.

Deveria ser o primeiro a ficar indignado com a baixaria, mas aceitou com naturalidade a retaliação do governo que, segundo ele mesmo deu a entender, é conivente com a corrupção.

Mas, como o assunto não foi levantado para esclarecer, apenas para marcar a posição de Lula na disputa estadual, logo apareceu o nome do tal “empresário irresponsável” e mais: a informação, perfeitamente inútil para efeitos práticos, mas completamente útil para uso eleitoral, que ele participou de uma comitiva oficial do governo do estado à Rússia.

Tanta gente participou dessas comitivas (até o maestro Mello já foi), que pretender ligar o governo ao boquirroto só por causa disso chega a parecer brincadeira.

Claro que o LHS não fará isso (não antes da eleição), mas eu, no lugar dele, discutiria melhor o assunto. Por que só países de primeiro mundo podem condenar a corrupção e denunciar propinas no comércio internacional? Se tem que molhar a mão de corruptos (e já aqui em Itajaí, onde eles têm um escritório) para exportar para a Rússia, o governo estadual, federal e os organismos internacionais de comércio deveriam denunciar e tomar uma posição. Sem ficar com medo que chamem de “irresponsável” quem é contra a corrupção.

O tal empresário, por falar nisso, não parecia indignado com a cobrança de propina. Estava mais ou menos satisfeito de ter encontrado um “jeitinho” de driblar o embargo. O que é tão indigno quanto fazer de conta que a gente não liga pra pagar propina.

SAMBA NO PÉ
O Tribunal de Contas do Estado vai mostrar para a turma das Escolas de Samba da capital como fazer para prestar contas direitinho da grana que vão receber do estado, do município e de outros órgãos públicos. Não é só pegar o dinheiro e sair gastando.

DE OLHO NAS IMOBILIÁRIAS
O Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, publicou quarta-feira uma resolução que determina um controle mais rigoroso sobre as atividades das imobiliárias. Todas as compras e vendas acima de R$ 100 mil terão que ficar registradas, com cadastro atualizado.

Com isso, o governo espera cercar um pouco mais os lavadores de dinheiro e aqueles que querem fugir do fisco.

Aqui em Florianópolis mesmo tem algumas operações imobiliárias, de venda de terrenos e apartamentos, por preços tão absurdos, tão fora da realidade, que merecem um exame cuidadoso.

MAX FICA DE FORA
O TRE acatou, na sessão de quarta-feira, o pedido do ex-secretário da Fazenda, Max Bornholdt, para que o Amin pare de citar seu nome na propaganda eleitoral. O tribunal deu razão a Max, que achou demais ser vinculado aos crimes do Aldinho sem que nada sobre isso tivesse sido provado. Como a campanha já termina hoje, o Max fica de fora por pouco tempo.

SONTAG X GODINHO
Quando uma disputa, num partido com “Socialista” no nome, tem, de um lado o ínclito Godinho e do outro o álgido Sontag, a gente tem que manter uma distância segura e ficar quieto.

Godinho é aquele que teve uma gestão ruinosa e surrealista na Secretaria do Desenvolvimento Social. E o Sontag foi aquele que enviou por escrito a lista de cargos que gostaria de ter para declarar apoio no segundo turno. Um dia, quando encontrar o baixinho invocado Roberto Amaral (o ex-ministro, vice-presidente do PSB, não o presidente do SCC), vou perguntar a ele por que o diretório nacional não interveio no diretório estadual.

“FOI TU. NÃO, FOI TU”
O Amin disse no horário eleitoral que o LHS e o Dr. Moreira vetaram o projeto do Paulo Eccel que acabava com a assinatura básica de telefones. Mas em 2001 o Amin vetou um projeto semelhante. E em 2002 provocou uma liminar do STF para manter o veto, por se tratar de “assunto privativo da União”.

Razão tinha Richard Nixon lá pelos idos da década de 60, quando disse uma das frases definitivas da humanidade: “A memória do povo é fraca e seu coração, complacente”. A gente, de fato, esquece muito rápido.

4 comentários:

Anônimo disse...

INTERVEIO

Cesar disse...

É verdade. Obrigado pelo lembrete. Já corrigi.

Wladimir disse...

Para melhor compreender o texto do Cesar Valente:
Ínclito: ilustre; famoso
Álgido: aquele que provoca sensação de frio, calafrios
Cesar Valente também é cultura!

Anônimo disse...

Impressões do debate:

O do bigode verde tem q comer mais amendoim: pra memória (segundo o dito popular)