quarta-feira, 25 de outubro de 2006

QUARTA

O QUE EU SEI DO AMIN
Num ano qualquer da década de 70, eu era repórter do jornal O Estado e depois de um temporal que inundou vários pontos da cidade fui, de capa e botas, acompanhar uma vistoria que o prefeito de então faria aos locais mais atingidos. Era um barbudinho a quem os políticos chamavam de “técnico”. A ditadura tinha essa mania: político não era boa coisa e aí, quando queriam elogiar alguém, diziam que era “um técnico”. O governador Colombo Salles era “um técnico”. O jovem prefeito Esperidião Amin também.

Com o passar dos anos, o técnico foi tomando gosto pela política e acabou sumindo da vista do eleitor. A ninguém mais ocorre dizer que o bem falante Amin não tenha sido, sempre, um político. Com tudo de bom e de ruim que isso possa sugerir.

Engraçado que esse político, a quem todos, mesmo os adversários, reconhecem que exerce com maestria a fundamental arte de cativar o interlocutor, tenha conseguido, nos últimos anos, uma reputação de companheiro difícil de conviver. Que o digam os pefelistas, com quem Amin tem um longo histórico de tapas e beijos.

Inteligente, de raciocínio rápido, culto, interessado por muitos assuntos, Amin é tomado por muitos como um sujeito pedante. Daqueles que sabe tudo, que tem solução pra tudo.

O partido político onde iniciou sua vida pública já passou por várias metamorfoses. E hoje é um partido que, na sua versão nacional, não enche de orgulho seus filiados. Muitos de seus companheiros já mudaram, foram e voltaram. Mas ele continua ali. Sem virar a casaca. O que, num mundo de infidelidades, talvez seja uma boa qualidade.

O QUE EU SEI DO LHS
Meus colegas jornalistas que trabalhavam em Brasília sempre falavam muito bem de um deputado federal catarinense a quem eu conhecia pouco.

Em 2003 fui convidado para ser assessor de imprensa de uma das secretarias do governo Luiz Henrique. E, por força do cargo, acabei conhecendo-o pessoalmente e pude acompanhar, durante dois anos e meio, a forma como conduziu seu governo.

A impressão que tive é que LHS tinha, a assombrá-lo, dois fantasmas. Um, interno, intestino, era formado pelas várias sombras deixadas pelo governo anterior do PMDB. Para combatê-las era preciso, por exemplo, espantar o temor do atraso dos salários. E a manutenção, a uma distância segura, da equipe de Paulo Afonso não foi uma simples coincidência.

O outro fantasma era, e é, Esperidião Amin e seu séquito de admiradores na estrutura do funcionalismo estadual. Isto adiciona outros níveis de acompanhamento das ações de governo, como uma espécie de auditoria interna permanente que, embora informal, parece ser tão rigorosa e atenta quanto, por exemplo, o Tribunal de Contas.

Inteligente, de raciocínio rápido, culto, interessado por muitos assuntos, LHS é tomado por muitos como um sujeito pedante. Daqueles que sabe tudo, que tem solução pra tudo.

O partido político onde iniciou sua vida pública já passou por várias metamorfoses. E hoje é um partido que, na sua versão nacional, não enche de orgulho seus filiados. Muitos de seus companheiros já mudaram, foram e voltaram. Mas ele continua ali. Sem virar a casaca. O que, num mundo de infidelidades, talvez seja uma boa qualidade.

FICA FRIO
Assim que estourou o escândalo do dossiê, fomos lembrados, pelo noticiário, que funcionava, no comitê de campanha do Lula, uma “divisão de inteligência”, cujo chefe era o catarinense Jorge Lorenzetti. Ironias à parte, “divisão de inteligência” é como normalmente são chamadas aquelas equipes encarregadas do serviço sujo, de descobrir os pontos fracos dos adversários e se antecipar aos ataques. Dependendo de como a campanha caminha, a gente quase nem nota a atuação desse pessoal. Quando fica mais acirrada, eles são mais exigidos.

Aqui em Santa Catarina, especialmente nesta semana, os serviços de... vá lá, “inteligência” dos comitês de campanha estão a toda.

Descobrem coisas para o horário político, distribuem denúncias por e-mail, anonimamente, e tentam plantar, nas colunas, informações que possam comprometer o adversário. Cuidam, enfim, de produzir e distribuir uma abundante lama eleitoral.

Naturalmente, os comitês afirmam desconhecer a ação desses grupos, negam ter alguma coisa a ver com isso e atribuem a militantes mais exaltados as iniciativas. Exatamente como aconteceu com o a turma do dossiê: quando são pegos com a boca na botija, os membros dessa “divisão de inteligência” têm que amargar sozinhos. O candidato os jogará aos leões, afirmando nada saber do que eles faziam.

Por isso tudo é importante que a gente, que não é filiado a partido, não faz parte de torcida organizada e nem precisa defender emprego público, não se deixe levar pelos ânimos exaltados destes últimos dias. Primeiro, porque é só uma eleição, não é uma guerra. E eleição tem a cada dois anos. E depois porque, se vocês prestarem atenção, verão que os adversários de hoje poderão ser os aliados de amanhã, assim como adversários de ontem estão abraçadinhos hoje. A política, lembrem-se, é como uma nuvem. A cada momento que a gente olha, ela tem uma forma diferente.

O PT DE NOVO...
Novamente, a eleição em Santa Catarina terá uma participação fundamental do PT. Como da outra vez, o partido trabalha para eleger um aliado de ocasião. Imagina-se que as pesquisas ainda não tenham medido o que esse empurrão do PT pode representar para Amin. Que, se for eleito, ficará devendo muito ao PT. Exatamente como o LHS, em 2002.

O Arcebispo D. Murilo Noel Krieger deu um presentinho para o Dr. Moreira, na visita que fizeram às obras da Catedral.

3 comentários:

Anônimo disse...

Cezar,
Acho que o control c, controlv te pegou. o texto doamin e do LHS repete a mesma coisa no final.
Um abraço
Gilberto Gonçalves

Anônimo disse...

Liga não...
Isto é que é "ficar em cima do muro..."
Quer ficar de bem com todos... e acaba desagradando os dois...

Faltou os prós do Lula e do Alckmin

Cesar disse...

É, Gilberto. O texto é igual porque nisso eles são iguais. E, de fato, anônimo, a idéia era não opinar. Quem sabe amanhã...