sábado, 30 de junho de 2007

Sábado, domingo e segunda

IL PERIPLO ITALIANO
Na quinta-feira o palácio, digo, o Centro Administrativo, distribuiu uma mensagem dizendo o seguinte:
“Por favor, na matéria enviada nesta quinta (28) sobre a viagem do governador à Itália,o evento em Roma teve a participação de cerca de 100 empresários e não de mais de 150.”
Era uma correção rotineira, de uma notícia divulgada poucos minutos antes. Nada fora do comum. Mas é claro que fiquei curioso.

E ontem peguei uma das fotos distribuídas pelo governo (essa aí de cima), para ver se, de fato, tinha 100 empresários. Malino como sou, ampliei a foto no monitor o máximo que deu, pra ver se dava pra contar os presentes (para ampliar aqui, é só clicar sobre a foto).

De cara, vi que a Dona Ivete estava lá. E o Galina, da SDR de Florianópolis (ou alguém muito parecido com ele). E, roendo unhas, o ex-secretário da Fazenda, Felipe da Luz, diretor da Sadia. E mais uns tantos que não sei o nome, mas que, pelo “pin” (broche) com as bandeiras de Santa Catarina e da Itália, devem ser membros da comitiva brasileira. Aliás, só a comitiva já lotaria uma sala como essa, da embaixada brasileira.

Contei duas vezes e mesmo levando em conta que, no cantinho que ficou de fora da foto esteja uma porção de gente, difícilmente haverá mais de 60 presentes. No momento da foto, os 100 empresários (italianos?) para quem LHS fez uma palestra sobre oportunidade de investimentos em Santa Catarina talvez ainda não tivessem chegado. Ou então já tivessem saído.

E qual é a importância disso? Nenhuma. Não faz muita diferença que o LHS tenha falado para 20 ou para 100 empresários italianos. Afinal, o importante é que Santa Catarina está, mais uma vez (é verdade que só este ano já é a quarta viagem?) mostrando ao mundo seu potencial.

Como diria o MasterCard:

– Levar a comitiva de deputados, prefeitos e servidores públicos à Europa: alguns milhares de reais;

– Preparar recepções, contratar salgadinhos e som para os encontros no estrangeiro: outros milhares de reais.

– Ver o prefeito Morastoni (PT) e o ex-prefeito Jandir Belini (PP) passeando em Roma de mãos dadas: não tem preço!

PAI SORTUDO
Quando a filha do LHS estava estrelando um show musical, numa tournê nacional, o governador sempre tinha a sorte de seus compromissos administrativos o levarem às cidades dos espetáculos justamente nos dias em que ela se apresentava. Juiz de Fora, Goiânia, São Paulo, Brasil afora, sempre numa coincidência danada. Mas LHS, além de pai atencioso, é também um sujeito de muita sorte e consegue estar no lugar certo na hora exata.

Pois agora não foi diferente. O Cacau Menezes, no Diário Catarinense, publicou ontem a seguinte nota:
“Esta é exclusiva: governador Luiz Henrique da Silveira aproveita a sua nova viagem à Europa para acompanhar o casamento da sua filha, Márcia Mel, na Itália. O noivo, que ela conheceu em Floripa, é chef de cozinha.

Aliás, não são poucos os cozinheiros europeus que estão se casando com mulheres catarinenses. Alguns se conheceram pela Internet.”
Não entendi direito o que é que o segundo parágrafo tinha a ver com o casamento da filha do governador, mas o importante é que, no próximo final de semana, quando boa parte da comitiva viaja para Portugal, LHS e dona Ivete (que, como vimos naquela foto ali também está por lá), ficam na Itália para o casamento da filha. Por coincidência, novamente os compromissos oficiais do LHS o levaram para perto da filha. É, de fato, um pai sortudo.

O palácio, digo, o Centro Administrativo, faz questão de esclarecer que o compromisso social de LHS é extra-agenda, cumprido com recursos próprios, num final de semana, sem comprometer as atividades previstas.

INTERIOR ADENTRO
Embalado por aquela “conversa municipal” publicada aqui ontem, o jornalista Luiz Lanzetta, residente em Brasília, mas leitor assíduo do DIARINHO, mandou o seguinte e-mail:
“Jovem, a propósito da nota sobre a penetração pelos interiores e recônditos catarinenses, devo lamentar não ficarem por aí localidades como Curralinho, Ponta Grossa, Analândia, Campo Largo e Rolândia. Precavido, recolho-me a Não-Me-Toque...”
NOMÍNIMO FECHOU
O NoMínimo era um site de jornalismo e jornalistas, que publicava notícias, comentários, crônicas. Fechou ontem e anunciou sua “morte súbita” com uma “nota de falecimento”, onde explica que morre “vítima de inanição financeira decorrente do desinteresse quase geral de patrocinadores e anunciantes em sua sobrevida na web. NoMínimo deixa órfãos cerca de 150 mil assinantes entre os mais de 3 milhões de visitantes que, em média, se habituaram a passar por aqui todo mês nos últimos 5 anos.”

O fechamento de um site com o tamanho e a qualidade do NoMínimo equivale ao fechamento de um jornal. A gente tem que ficar triste e preocupado, porque é um canal a menos para difusão de informação, idéias e debates.

A falta de uma forma eficiente para financiar o jornalismo de qualidade assume, a cada dia, cores mais dramáticas e assustadoras.

O MAL DA GRAVATA
O Mário Gentil Costa (MaGenCo) é médico em Florianópolis. Muito conhecido e respeitado, é uma das figuras tradicionais da cidade. De uns tempos para cá, tem publicado, num blog, seus escritos, comentários e desenhos. Até já o recomendei aqui, como um dos meus endereços preferidos da internet (magenco.blog.uol.com.br).

Esta semana ele publicou um artigo bem interessante sobre médicos que usam gravatas no trabalho, com este título: “O mal da gravata”. Conta que leu, numa revista médica catarinense, o artigo “Doutor de gravata pode estar mal acompanhado”, de autoria do neurocirurgião Cezar Zillig, de Blumenau. Zillig fala dos “riscos de contaminação dos ambientes hospitalares por germes habitualmente presentes em gravatas”.

E o Magenco complementa, concordando com a tese do colega:
“gravatas são, a rigor, o único elemento do vestuário que não é lavado. E são constantemente manuseadas pelo usuário, tanto ao vestir-se quanto no ato involuntário e quase automático de ajustá-la ao colarinho. Então, de que adiantam um jaleco e uma camisa trocados diariamente, imaculados em sua brancura asséptica, se a gravata estiver contaminada?”

IMAGEM NO EXTERIOR
A revista The Economist desta semana tem uma reportagem sobre o Lula ilustrada com o desenho acima e com o título bem maroto (com rima e tudo): “Lazy, hazy days for lucky Lula” (algo como “Dias preguiçosos e nebulosos para o Lula sortudo”).

A revista mostra que Lula navega num mar de tranqüilidade, cercado de escândalos por todos os lados e fustigado por uma imprensa lida por muito poucos. Afinal, o maior jornal, (Folha de S.Paulo) vende 300 mil exemplares num país de 190 milhões de habitantes.

Para ler a matéria (em inglês), clique aqui.

5 comentários:

Anônimo disse...

"...governador Luiz Henrique da Silveira aproveita a sua nova viagem à Europa para acompanhar o casamento da sua filha..."

Como é fácil ir a festa de casamento da filha no exterior com o dinheiro público, e ainda levar todos os amigos.
É só inventar uma viagem para "vender" o Estado lá fora.
"isso é uma vergonha"

Anônimo disse...

Cesar,
Voce foi generoso na contagem, porque eu contei e tirando a comitiva, os funcionários da embaixada e as estátuas, não há 30 pessoas.

Anônimo disse...

Enquanto isso, já está faltando até papel higiênico em algumas repartições públicas...

Anônimo disse...

Caro Cesar e demais leitores...
Nós (idiotas) não sabemos entender as entrelinhas. Ele gosta tanto de SC que quase não fica aqui. Eu já tô na fase. LHS vá e não volte! Arrivederci.
Ass. Gefferson
EM TEMPO: sobre o fechamento do NoMínimo, quem sabe o Dep. Djalma Berger queira financiar....rss...

MARIO GENTIL COSTA disse...

VALENTE, AGRADEÇO A DIVULGAÇÃO DO ARTIGO "O MAL DA GRAVATA"; NÃO POR MIM, MAS PELA IMPORTÂNCIA QUE TEM. TENHO CERTEZA DE QUE SE O DR. CEZAR ZILLIG, AUTOR DO TEXTO ORIGINAL, ACESSAR SEU BLOGUE, TAMBÉM FICARÁ SATISFEITO COM A REPERCUSSÃO. NA PIOR DAS HIPÓTESES, TEREMOS, NÓS TODOS, CONTRIBUÍDO PARA LEVANTAR A LEBRE.
GRANDE ABRAÇO DO MaGenCo.