quinta-feira, 7 de junho de 2007

Quinta

Lá no fundo, à esquerda, fazendo careta, o secretário do Turismo, Gilmar Knaesel. Na cabeceira, o secretário da Fazenda, Sérgio Alves (pra ver melhor, é só clicar sobre a foto). E os outros, em sua maioria, são os cervejeiros artesanais, que lutam contra a concorrência feroz das grandes cervejarias e também contra a fome do governo por impostos. Na mesa da sala de reuniões, uma caneca de cerveja fazia as vezes de porta-lápis, o que pode ser um bom sinal. Prosit!

CERVEJA É CULTURA!
Ontem representantes das pequenas cervejarias catarinenses, que produzem cervejas e chopes artesanais da melhor qualidade, estiveram no Centro Administrativo (foto no alto), pedindo que o Secretário da Fazenda alivie a barra dos impostos. Não pedem nada absurdo, apenas que tenham um tratamento como, por exemplo, o do vinho. Claro, LHS tem amigos vitivincultores e deu-lhes alíquota de 17%, enquanto que a cerveja, mesmo sendo considerada alimento (na Bavária), amarga uma carcada de 25%.

O roteiro das cervejarias (Brusque, Gaspar, Blumenau e Pomerode, sem falar em Joinville, Jaraguá e outras cidades) pode ser uma atração turística adicional, além de gerar empregos. E. principalmente, alegram-nos a todos, os fãs de boas cervejas, que não agüentam mais a mesmice aguada das grandes cervejarias.

CONTE CONOSCO!
Acho que falo em nome de todos os jornalistas catarinenses quando digo que, mesmo discriminados pelo Knaesel e pelas cervejarias, a gente dá a maior força a esta justíssima campanha pela justiça tributária.

No mês passado, eles trouxeram jornalistas do centro do país para conhecer, passear e tomar cerveja. Claro que a gente ficou com inveja. Mas não tem importância, mesmo sem mordomia a gente vai continuar falando bem, por uma simples razão: a cerveja que essa moçada faz é muito boa.

E uma das razões pelas quais escolhi Itajaí para morar é justamente o fato de poder, num final de tarde, ir a Brusque tomar Zehn Bier na Zehn Bier e comer aquelas comidinhas maravilhosas que eles fazem para acompanhar a cerveja.

Seria fantástico que, a exemplo de tantos locais civilizados no mundo todo, as cervejarias artesanais proliferassem e a gente pudesse degustar dez ou vinte marcas regionais catarinenses, acompanhadas pela rica culinária local.

PACOTE COMPLETO
Como a cerveja não combina com a direção de qualquer veículo, o melhor é escolher um hotelzinho maneiro, em Brusque, Blumenau ou Pomerode, pra não ter que pegar a estrada de barriga cheia. Alguns hotéis mais espertos já começam a oferecer pacotes que incluem o transporte para as várias cervejarias, tipo vai-bebe-e-volta.

Naturalmente, se é pra encher a cara, fique em casa. O programa, aqui, é para saborear bebidas e comidas, num ambiente alegre e sem exageros.

O CASO DO GRAMPO
Falei aqui, na terça, sobre a sentença do Juiz Leopoldo Brüggemann, condenando o vereador Guilherme Grillo a dois anos de serviços forçados, por ter feito escuta ilegal no telefone do também vereador Juarez Silveira.

O vereador Grillo, naquele dia mesmo, mandou-me alguns comentários sobre o caso. Dizia ele, entre outras coisas:
“Quando na sentença fala em testemunhas do edifício contra o Grillo, só pode ser em outro processo, pois na fase processual, nem a polícia pode testemunhar contra mim. A polícia foi apenas informante. Portanto, a acusação levou ZERO testemunhas contra mim, e eu tinha 7 a meu favor. Por que não levaram testemunhas contra mim? Porque simplesmente não as tinham. Todo aquele processo que ocorreu comigo foi muito estranho, ainda mais depois que apareceram gravações de figurões do governo estadual em uma fita que a polícia “apreendeu” dentro do gravador, e que disse na época textualmente na imprensa que aquela fita era absolutamente virgem. E por ai vai... Nunca pude falar sobre isso pq o processo corria em segredo, mas agora falarei e mostrarei a quem quiser as estranhezas desse rolo todo”.
Publiquei esse comentário na versão online da coluna e, em seguida, o próprio Juiz Brüggemann, por intermédio da sua assessoria de imprensa, enviou-me um calhamaço de 22 páginas com a íntegra da sentença, para que eu tomasse conhecimento das razões que levaram à condenação (que, de resto, poderá ser revista em segunda instância).

Da leitura da sentença fica a impressão que está certo, o Juiz. Afinal, foram encontrados o gravador e uma extensão da linha telefônica do Juarez num apartamento vazio, de propriedade do vereador Grillo. E o vereador ia todos os dias lá, como se fosse trocar a fita. Entrava, demorava um pouquinho e saía.

Pra mim (e para o juiz) se tem gravador e um fio ligados à linha do outro, não resta espaço para muita dúvida. Mas, na política florianopolitana, as coisas andam tão estranhas, que é bem capaz que o vereador Juarez acabe afirmando que tinha pedido, a seu amigo Grillo, que fizesse uma auditoria informal nas ligações telefônicas. Tudo de comum acordo. E tudo, como sempre, muito esquisito.

Ah, o Juiz transcreve depoimento do porteiro do edifício que, por uma dessas esquisitices, não foi ouvido no curso do processo. Por que? Sei lá. E, a estas alturas, tenho a impressão que nem quero saber.

NEGÓCIOS D’ANGOLA
Recebi ontem, de amiga que é jornalista em Angola, alguns jornais que circulam naquele sofrido país africano. A curiosidade deles sobre os negócios catarinenses em terras d’além mar cresceu bastante depois daquelas notas que publiquei aqui, sobre a viagem a Luanda de empresários catarinenses, assessorados por um consultor amigo do presidente da Codesc, Içuriti Pereira (e, segundo me contaram, casado com uma funcionária da empresa).
De lá, recebo a informação que a reunião dos catarinenses com autoridades angolanas não foi muito bem sucedida. Mas, por aqui, estão todos otimistas, certos que reverterão o quadro em mais algumas semanas.

6 comentários:

Anônimo disse...

Nao quero entrar no merito no caso do grampo, mas se eu fosse o Grillo ou o advogado dele, representaria esse juiz na corregedoria do TJ. Ele(o juiz) debocha e agride a propria justiça quando lhe remete um "calhamaço"com paginas de processo que corre(ou corria) em segredo de justiça, que só poderia vir a publico quando transitado em julgado(ultima instancia), até porque esta sentença é de primeiro grau, ou seja, provisoria, porque poderá ser revertida em segundo ou terceiro grau.

Paulo Sérgio de Souza disse...

Vai chegar o dia em que o Brasil será 100% correto. Políticos honestos, população sem fome, sem violência, onde viveremos em armonia. Há quase esqueci, e o Figueirense na série C, de onde nunca deveria ter saido.

Cesar disse...

Ô anônimo, o calhamaço que ele me mandou não é o processo, que tem centenas de páginas. É só a sentença que, até onde sei, é pública.

Anônimo disse...

César, a sentença é pública, até pq tem que ser publicada no DJ, porém, jamais deve aparecer o nome das partes. Voce pode reparar no processo (tive o cuidado de ver porque o numero consta na sentença) e a parte nao aparece. Só aparece as iniciais, e é assim que deve constar na sentença tbem. Nao quero polemizar, mas se o Grillo violou o direito individual de alguem, o juiz tambem fez isso com o Grillo. Faltou maturidade e ética tambem ao meretíssimo. Mas, no Brasil de hoje, violar direitos individuais e falta de ética é regra e não excessão.

Anônimo disse...

No Brasil de hoje o grande problema é o excesso de direitos individuais. Quanto mais bandido e safado, mais direito tem, principalmente se for político. Se esse Grillo e o Juarez tivessem um pingo de vergonha na cara, pediriam demissão dos seus cargos.

Anônimo disse...

Grilo e Juarez: estou fora... voto nulo.

O certo é que já se sabe o motivo pelo qual os dois fizeram as pazes.

Há um encontro entre a mãe do Grilo e o Juarez, onde foi selado paz, cujo custo, parodiando o "Neco Menez" - dizem eu nao afirmo - foi um apartamento num daqueles predios onde era a residencia da familia.

Fora o apartamento e o alto honorário pago ao jurista Rodrigo da Silva, dizem que o pior foi a licao de moral dada pelo Juju tipo assim: - veja a senhora, eu um simples filho de motorista aqui sentado recebendo pedido da filha do Governador e lider politico mais importante da historia dessa ilha para que facilite o processo contra meu colega de bancada. Como o "Neco diz, - dizem eu......, a Mae do aloprado James Bond quis matar o espiao.