quinta-feira, 21 de junho de 2007

Quinta

CIDADÃO CATARINENSE
A Assembléia Legislativa de Santa Catarina concedeu ao governador do Paraná, Roberto Requião, o título de cidadão catarinense. E a solenidade de entrega será no próximo dia 25.

Como todo o processo demorou e a data de entrega do título ficou muito longe do fato determinante, tem gente fazendo todo tipo de suposições sobre o motivo pelo qual Santa Catarina estaria dando essa honraria ao governador do estado vizinho.

O governador do Paraná, dado a gestos e opiniões polêmicas, entrou para o anedotário nacional por causa de uma gafe na audiência mostrada na foto acima. Quando Lula abriu um daqueles vidros e apresentou a Requião as baguinhas secas de mamona, usadas para produzir combustível, o governador colocou algumas na boca, como se fossem amendoins ou sementes de girassol. E Lula teve que avisá-lo, constrangido, que aquilo era venenoso.

Até o colega Cláudio Humberto, ali da página 4, publicou uma notinha bem humorada, sob o título “Mamonas assassinas”, dizendo que não sabia se seriam distribuídas mamonas na cerimônia de entrega do título.

Mas Requião não será agraciado por causa dessa ou de outras mancadas. A iniciativa de conceder-lhe o título foi do ex-deputado Cesar Souza (pai), entusiasmado com o fato do governo do Paraná, na época do furacão Catarina, ter ajudado, com presteza, a socorrer as vítimas, enviando pessoal e material.

Para lembrar o episódio do Requião com a mamona, recorra ao www.youtube.com e faça uma busca por “Requião come mamona”. Ou clique aqui e vá direto.

CÁ COMO LÁ!

Nos últimos dias muita gente tem comentado a decisão do presidente Lula, de aumentar o número de cargos de confiança e dar um substancial aumento salarial aos cargos já existentes. Ora, por aqui também acontecem coisas semelhantes, mas a turma é meio distraída e só pega no pé do Lula.

A prestação das contas de 2006 do governo do estado de Santa Catarina, aquela que levou, do Tribunal de Contas, alguns puxões de orelha, contém informações muuuito interessantes.
Antes de citar alguns números, é bom relembrar que 2006 foi ano eleitoral. Bom, mas comparando janeiro com dezembro de 2006, obtém-se o seguinte:

O número de servidores efetivos (aqueles admitidos por concurso) aumentou 4,94%; o número de servidores comissionados (em cargos de confiança), aumentou 20,55% e o número de servidores temporários (principalmente os ACTs, professores substitutos), aumentou 635,45%!

Uau! é isso mesmo? Seiscentos por cento? Sim, em janeiro havia seiscentos por cento menos temporários que em dezembro. Fantástico!

E como se comportou a folha de pagamentos do estado? Ora, mais ou menos acompanhou esse crescimento: a folha dos efetivos aumentou 18,45%, a dos comissionados cresceu 35% e a dos temporários, 390%.

Cá, como lá, o enxugamento da máquina e a contenção das despesas (para permitir, mais adiante, redução de impostos e mais investimentos) é apenas um discurso bonito que ninguém consegue transformar em prática.

O LOBBY DO VINHO
Gosto de vinho quase tanto quanto de cerveja, mas não canso de me admirar com a capacidade dos vitivinicultores catarinenses em sensibilizar nosso governador LHS.

A turma das pequenas cervejarias esteve, há alguns dias, com o secretário da Fazenda, pedindo um tratamento tributário mais justo. Pois ontem, como um dos resultados da viagem a São Paulo, divulgou-se que Luiz Henrique, depois de ouvir João Paulo Freitas, mandou o secretário da Fazenda estudar a forma de conceder benefícios fiscais a fabricantes de máquinas e insumos utilizados na cadeia produtiva... do vinho!

O Freitas é presidente do Instituto Catarinense de Tecnologia da Vitivinicultura e, ao que tudo indica, amigão do LHS. O vinho já tem uma alíquota menor de ICMS (17%) e agora quer mais alguns benefícios fiscais. A turma da cerveja, que por enquanto só quer os mesmos 17% do vinho, deveria criar um Instituto Catarinense de Tecnologia Cervejeira e convidar o Domenico Di Masi para presidente de honra. Aí, quem sabe, o LHS notaria a existência desse setor produtivo.

ACABOU O PAPEL!
Um servidor do Deinfra ligou-me indignado. Fez as contas das diárias que os secretários ganharam para ir à tal reunião de Lages e algumas outras depesas correlatas, como o deslocamento aéreo do governador, e chegou a alguns milhares de reais, que poderiam ser muito úteis, por exemplo, na repartição em que ele trabalha, onde faltam várias coisas, entre as quais o papel.

SEM NOÇÃO DO PERIGO
O Carlos Gonçalves, leitor desta coluna que, como tantos leitores, gosta de observar o que fazem aqueles a quem o povo deu poder, notou, numa foto distribuída aos jornais (publicada ontem na coluna do Prisco, em A Notícia), que o prefeito de Palhoça (PMDB) e o deputado federal Djalma Berger (PSB) estavam realizando um evento partidário, abonando novas filiações e falando sobre política partidária, num ambiente que, provavelmente seria uma sala da prefeitura de Palhoça.

Parece que ninguém está muito preocupado com o uso dos espaços públicos (pelo que se vê na foto – que está logo ali embaixo – o local tem tudo para ser o gabinete do prefeito Ronério Heiderscheidt), como se fosse permitido a um prefeito, um governador, ou mesmo ao presidente, fazer política partidária no mesmo gabinete onde trabalha, pago por nós.

Se o alegre convescote bipartidário foi realizado sobre a mesa de reuniões do gabinete do prefeito de Palhoça, no interior da prefeitura, configura inaceitável confusão sobre o que a lei permite e o que proíbe. E cidadão nenhum pode (e muito menos um prefeito e conceituado líder partidário ou um deputado federal e também dirigente partidário) alegar ignorância da lei.

Depois ainda tem gente que pergunta por que a imagem dos políticos anda tão desgastada. Ora, dêem-se ao respeito! Tratem de política partidária na sede do partido, na praça, onde quiserem, mas não numa repartição pública. Saco!

Da esquerda para a direita: Pedro Dias, Paulo Amâncio (presidente do
Conselho Comunitário do Brejaru), Gilberto Rosa (vice-presidente do PSB catarinense e secretário de Administração de Palhoça), prefeito Ronério Heidersheidt (PMDB), deputado Djalma Berger (presidente do PSB-SC) e Sidionei Mota (suplente de vereador). Dias, Amâncio e Mota, na solenidade mostrada na foto, conforme explica o texto também enviado aos jornais, filiaram-se ao PSB.

3 comentários:

Anônimo disse...

O que faz a Assembléia pagar 29.100,00 para Lars Grael dar uma palestra de 40 minutos?
Estão jogando dinheiro no lixo como se o dinheiro fosse deles.

Anônimo disse...

O LHS é um burguês que pensa que pode ser rei. Só ajuda amigos próximos e mesmo assim enquanto eles estiverem babando seus ovos.
De outra forma abandona-os de pronto.
Assim foi com o Geovah Amarante, com o Miguel Ximenes, e tantos outros.
Este Domenico De Masi está vivendo às custas do Estado, de tantos projetos em SC. Todos patrocinados pelo Governador, sem licitação.
E o Tribunal de Contas que deveria ver isto, nem liga.
O que a sociedade pode fazer?
A OAB está calada, a imprensa amordaçada, o MP inoperante, e a justiça conivente.

Paulo sérgio de Souza disse...

Cesar,
Em janeiro não há professores ACTs, logo, dezembro poderia até ser 10.000% maior o número de servidores temporários em relação a janeiro na Adm Estadual e seria normal.