terça-feira, 5 de junho de 2007

Terça

GEOPOLÍTICA
Responda rápido: o que o presidente Lula foi fazer ontem na Índia, onde foi recebido pela cúpula do governo (presidente, primeiro ministro e líderes partidários)? E até recebeu um troféu de boa vontade internacional que, no seu estilo populista, tratou de exibir como se fosse um troféu de futebol?

Pois é, como os jornais e as revistas só se ocupam dos escândalos, e escândalo não tem faltado, a gente não tem acompanhado direito as idas e vindas internacionais do Lula. No caso da Índia, fala-se de alguns memorandos de cooperação nuclear e espacial (a Índia tem a bomba e tem satélites sobrevoando o globo, poderia usar estações de rastreamento no Brasil). E, principalmente, quer fazer parte do Conselho de Segurança da ONU e por isso paparica tanto Lula e o governo brasileiro.

Hoje Lula estará no Marrocos e no dia 7, na Alemanha, participa como convidado, da reunião do G8.

ESCUTA SÓ...
Desanimado com a semana, que começa fria e fraca com um feriado no meio, estava lendo a decisão do juiz Leopoldo Augusto Brüggemann, titular da 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital, que condenou o vereador Guilherme da Silva Grillo “à pena de dois anos de reclusão e mais multa pela prática de interceptação telefônica (escuta e gravação ilegal)”.

O esperto Guilherme montou um esquema (em janeiro de 2005) para ouvir os telefonemas do Juarez Silveira, esse mesmo, que foi gravado pela PF. Como a gravação do Grillo era ilegal e ele foi pego com a orelha na botija, nada mais justo que levar uma condenação mesmo.

Mas o que chama mais a atenção no caso é que o Ministério Público, titular da ação, “ao final do trâmite processual solicitou a absolvição do acusado sob o argumento de ausência de provas e, ainda, de um possível perdão concedido pela vítima em relação ao acusado em nome de uma velha amizade”.

O juiz Brüggemann deve ter ficado assustado, tanto quanto qualquer um de nós, com essa história de “perdão” e de falta de provas. O cara foi preso no ato, tinha até fita da escuta no bolso. Que provas teriam faltado?

O Juiz mesmo escreveu: “Devo asseverar que de perdão não há que se falar, seja por não previsto em lei, seja porque versa a questão de ação penal pública incondicionada, que não comporta tal instituto”. Traduzindo: na letra da lei não existe essa conversa de vítima perdoar o réu. O juiz, convencido da culpa do Grillo na maracutaia, lascou uma sentença condenando-o a dois anos de serviços comunitários (mas, é claro, cabem inúmeros recursos).

E ainda deu um puxão de orelhas: “Homem público que é, o vereador Grillo deveria, mais do que ninguém, respeitar os direitos e garantias fundamentais e os direitos e deveres individuais e coletivos consagrados em nossa Constituição Federal, e não poderia atrever-se, em hipótese alguma, em assacá-los, como de fato fez”, afirmou o juiz Brüggemann.

Update do meio da manhã – O vereador Guilherme Grillo escreveu, nos comentários do blog, um contraponto interessante à posição do juiz. Trago para cá, porque nem todo mundo abre a caixa de comentários:
"Caro Cesar, leitor diário do teu excelente Blog, democraticamente venho fazer alguns comentarios a respeito de trechos da senteça que deixaram a mim e meu advogado intrigados. Por exemplo: o tal pedido de perdão nunca existiu em momento algum do processo! Qdo na sentença fala em testemunhas do edifício contra o Grillo, só pode ser em outro processo, pois na fase processual, nem a polícia pode testemunhar contra mim. A polícia foi apenas informante. Portanto, a acusação levou ZERO testemunhas contra mim, e eu tinha 7 a meu favor. Por que não levaram testemunhas contra mim? Porque simplesmente não as tinham. Todo aquele processo que ocorreu comigo foi muito estranho, ainda mais depois que apareceram gravações de figuroes do governo estadual em uma fita que a polícia "apreendeu" dentro do gravador, e que disse na época textualmente na imprensa que aquela fita era absolutamente virgem. E por ai vai... Nunca pude falar sobre isso pq o processo corria em segredo, mas agora falarei e mostrarei a quem quiser as estranhezas desse rolo todo. Faço questao de escrever neste espaço democrático, até p/ interagir. Abraço, Guilherme Grillo"
PIROTECNIA
O LHS deveria prestar atenção na forma como alguns membros do BOPE da Polícia Militar estão agindo. Parece que o comando da PM não vê muito problema, mas politicamente, quando a coisa estourar, vai estourar no colo do LHS mesmo.

Portanto, governador, abra os olhos. Se tiver alguém de confiança na PM, peça para dar uma assuntada, discretamente. A coisa, logo-logo, vai sair de qualquer controle e depois, por favor, não diga que ninguém avisou. Outro dia, depois de “limpar”, com alguma violência a rótula da Trindade de uma gurizada de segundo grau que andava por lá, um cabo metido a exterminador do futuro passou a desacatar senhoras que estavam na calçada. Sexagenárias, assustadas, tiveram que ouvir aquele servidor público, pago com o suado imposto delas, mandá-las “tomar no cu” e ameaçar agredi-las. Este tipo de doença, de irracionalidade, é prenúncio de algo muito pior.

O RENAN TRAÇA A JORNALISTA E NÓS É QUE SE F...
Agora é o Senado Federal. Não sabem o que fazer com o Renan Calheiros. Coitado. Se cassarem seu mandato vai perder o salário e aí, como é que ele vai pagar a pensão de R$ 12 mil? O Senador Corregedor Romeu Tuma tá certo, não dá pra cassar o moço. E sabe o que o Senado falou pro Tuma?

– Tuma que o filho é teu...

E sempre que acontece um fato de grande repercussão, de grande apelo emocional vem um deputado ou senador propondo uma lei para que o fato não ocorra mais. Quando os ladrões dimenor, no Rio de Janeiro, arrastaram e mataram aquele menino, o Congresso Nacional decidiu resolver o problema e rapidinho legalizou a redução da idade criminal. Com a “operação furacão”, da Polícia Federal que botou criminosos bem dimaior na cadeia, deputados já se aligeram pra legalizar o bicho. Agora tem deputado querendo legalizar a atuação dos lobistas e eleger o Zuleido como profissional do ano... Só o que falta, por enquanto, é deputado querendo legalizar esse negócio de político ter filho com jornalista e nós que pagar a pensão...

UM “CONSULTOR ESTRATÉGICO” COM BONS ANTECEDENTES
E o Luiz Henrique continua sua cruzada pró jogo, bingo, caça-níquel, bicho, raspadinha, casa feliz, rifa, roleta, trimania... Próximo ato é promover seus servidores envolvidos na “operação moeda verde”. Tá armando a operação “caiu prá cima”. Quando, na administração pública, um amigo comete um ato ilícito ou simplesmente é um incompetente e não dá conta do recado, ele é “demitido” e vai pra outro posto, maior e mais rendo$o... É a operação que vem sendo montada pelo Luiz Henrique para seus amigos. “Cair pra cima”, por exemplo, é ser derrotado numa eleição e virar Secretário de Estado, Diretor do BADESC, da CELESC... Em Itajaí, “cair pra cima” seria ser demitido da prefeitura e transferido para um cargo no porto...

No Estado um dos últimos premiados pelo Luiz Henrique é o pastor e ex-deputado Adelor Vieira, envolvido na “operação sanguessuga” aquela que superfaturava ambulâncias, não tem? e que foi derrotado nos últimas eleições. Pois, homem de Deus! Acredite! O pastor foi nomeado pro pomposo cargo de “Consultor para Assuntos Estratégicos da Casan”! Por falar nisso, a tarifa da água acabou de subir... né, seu De Luca?

4 comentários:

Upiara Boschi disse...

Quando eu tava fazendo essa matéria, liguei na Casan para saber exatamente qual era o cargo do Adelor Vieira. Passaram a ligação para o gabinente da presidência. Ouvi a mulher que atendeu perguntar a alguém próximo:

- Como é o mesmo o nome do cargo do Adelor?

Ela volta ao gancho e diz: "Consultor para Assuntos Estratégicos". Foi a piada do dia na redação. Se tivesse chamado de Aspone teria sido mais simpático.

Guilherme disse...

Caro Cesar, leitor diário do teu excelente Blog, democraticamente venho fazer alguns comentarios a respeito de trechos da senteça que deixaram a mim e meu advogado intrigados. Por exemplo: o tal pedido de perdão nunca existiu em momento algum do processo! Qdo na sentença fala em testemunhas do edifício contra o Grillo, só pode ser em outro processo, pois na fase processual, nem a polícia pode testemunhar contra mim. A polícia foi apenas informante. Portanto, a acusação levou ZERO testemunhas contra mim, e eu tinha 7 a meu favor. Por que não levaram testemunhas contra mim? Porque simplesmente não as tinham. Todo aquele processo que ocorreu comigo foi muito estranho, ainda mais depois que apareceram gravações de figuroes do governo estadual em uma fita que a polícia "apreendeu" dentro do gravador, e que disse na época textualmente na imprensa que aquela fita era absolutamente virgem. E por ai vai... Nunca pude falar sobre isso pq o processo corria em segredo, mas agora falarei e mostrarei a quem quiser as estranhezas desse rolo todo. Faço questao de escrever neste espaço democrático, até p/ interagir. Abraço, Guilherme Grillo

Anônimo disse...

Se o Juarez perdoou o vereador, com certeza naquelas 160 garrafas de uisque e vinho, tinha alguma que era o presente de Natal para o Grillo!!!
Em tempo: É verdade que o Juarez viajou (para buscar a "muamba") com diárias pagas pela Codesc -leia-se Icurity-?? Ou seria com diárias da Camara de Vereadores??
Ah! Teve aquela Ata de Reunião em que o Juarez pede licença para fazer campanhia eleitoral...
Então...

Anônimo disse...

Seu Upiara, quer ficar mais admirado ainda? Dê uma olhada em quantos Consultores para Assuntos Estratégicos tem no gabinete do governador, tudo dirigido por um grande "estrategista" chamado Secretário para Assuntos Estratégicos. Isso dava no mínimo um post-pimenta do Tio Cesar não? hehehehe