quarta-feira, 6 de junho de 2007

Quarta

Segundo o TCU, o aeroporto de Jaguaruna foi superfaturado em cerca de R$ 4,3 milhões. A foto da pista é de 2005.
ARG? ARGH!
Uma notícia publicada na IstoÉ desta semana conta sobre um superfaturamentozinho básico, de R$ 4,3 milhões, descoberto pelo Tribunal de Contas da União nas obras do aeroporto de Jaguaruna, sul de Santa Catarina. A obra, feita com dinheiro federal, repassado pelo Deinfra, era (é?) tocada pela construtora ARG, de Belo Horizonte.

A ARG é famosa no submundo das empreiteiras com folha corrida: foi ela mesma que, acusada de superfaturamento, teve que parar a BR 282, naquele trecho intermináááável, a oeste de Lages. E agora o procurador Celso Três descobriu, ao conseguir romper o sigilo bancário da empresa, que “o dinheiro público entregue à ARG desaguou, precisamente, no núcleo operacional e financeiro do mensalão, qual seja, o Banco Rural”.

Já naquela célebre, antiga e quase esquecida denúncia da “organização criminosa” do mensalão (os 40 ladrões, lembram?) a ARG aparecia, mas sem muito destaque.

A partir da denúncia de superfaturamento do aeroporto de Jaguaruna, descobriram-se documentos relativos a 1.800 saques em dinheiro vivo, com valores de R$ 10 mil a R$ 1 milhão.

RABOS CATARINENSES

Como a construtora foi escolhida pelo governo federal, toca dezenas de obras para o DNIT, teoricamente a gente, aqui em SC não teria muitas emoções com esse imbroglio. Que nada. O Deinfra está tão envolvido na história que até recebeu advertências diretas do Tribunal de Contas da União. E num dos acórdãos (nº 1.269/2005) era recomendado que Edinho Bez e Mauro Mariani fossem ouvidos.

Segundo a IstoÉ, o TCU calcula que em outra obra, o contorno ferroviário de Jaraguá do Sul, houve um roubo bem mais vistoso: R$ 33 milhões. Quem conhece, sabe que esses superfaturamentos não ficam apenas com a construtora. E geralmente não são feitos à revelia ou sem o conhecimento de todos os envolvidos.

Ainda mais que a ARG é empresa experiente, conhecedora dos esquemas que abrem portas das obras oficiais. Além do Brasil, a empresa está com obras no Paraguai e na Bolívia.

O DNIT se defende dizendo que nenhum tribunal (ainda) considerou a ARG “inidônea”. Bom, a Gautama também não era “inidônea”. E a turma do Deinfra acabou com o estoque daquelas baciinhas de inox, usadas para colocar as barbas de molho. Estão todos com os celulares desligados e, por via das dúvidas, com seus travesseiros e cobertores de estimação sempre ao alcance da mão.

O Tribunal de Contas da União detectou, em 2005, que aditivos assinados pela Secretaria de Estado da Infraestrutura de Santa Catarina tinham irregularidades. E, por coincidência, segundo o relatório 5.563/2005, “um dia antes de deixar o cargo de Secretário de Infra-Estrutura do Estado de Santa Catarina, o então titular da Secretaria assinou o 4º aditivo ao Contrato 008/STOGetra/2002. Segundo o termo, o valor global do contrato foi acrescido de R$ 436.578,60, valor resultante dainclusão, na planilha da obra, do tópico “Recomposição da Obra”.”

Ou seja, a laminha escorre lá e cá e, se a coisa estourar, vai ter muita gente de cabeça inchada cá e lá. Mas também poderá ocorrer uma “operação blindagem”. E aí ninguém se machuca.

E A FAMÍLIA, VAI BEM?
Não tem jeito, em todo lugar os parentes dos presidentes sempre dão trabalho. Lembram do irmão do Carter? E do irmão do Clinton? E do irmão do Bush? Pois agora tem o irmão do Lula. E o compadre. Os dois enroscados na mesma operação. Antes teve os filhos. O empresário e aquele que, depois de andar no avião da FAB e levar os amigos pra tomar banho de piscina no Alvorada, colocou as fotos num blog.

O presidente, enquanto isso, brinca de fazer soar o “gongo da paz mundial” (foto acima. Se estiver com saudade do Lula, clica na foto que se abre uma ampliação). Só um estadista com a agenda apertada e cheia de compromissos importantes teria tempo para uma atividade de tamanha relevância. Não vi a D. Marisa nas fotos, mas bem que ela poderia ter ido, afinal o passeio do Lula na Índia, visitando vários pontos turísticos, parece ter sido bem agradável.

O NOSSO ÊNIO
Li a notinha abaixo no blog do Ricardo Noblat na segunda-feira e depois mais nada, nem uma linha, em lugar nenhum.
“A Polícia Federal investiga se uma pessoa identificada apenas como Ênio nas gravações telefônicas da Operação Navalha, que conversa com Sérgio Sá, lobista da Gautama, seria Ênio Branco, diretor-presidente da Celg (Companhia Energética de Goiás).

“Em conversa captada pela PF, Sá conversa com Ênio sobre suas relações com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O lobista diz que ele e sua mulher foram convidados por Renan para um almoço em sua casa.

“Ênio é ligado ao PFL de Santa Catarina, do ex-senador Jorge Bornhausen.”
Esse Ênio... está fazendo uma bela carreira em Goiás. Além do cargo polpudo, ainda aparece em grampos graúdos. O Jorge (ex-PFL-SC, atual Demosc) deve estar orgulhoso do pupilo.

COLETIVO DE CAPINZAL
A propósito do caos no transporte coletivo da capital, um leitor lembra que em Capinzal, no meio-oeste catarinense, a tarifa dos ônibus é de R$ 0,75 para percursos superiores a 18 quilômetros. E não tem rolo.

É que lá a prefeitura tirou a iniciativa privada relapsa da jogada e assumiu o transporte coletivo. O número de usuários aumentou a partir da retomada dos serviços pelo município, que cortou pela metade o valor das tarifas cobradas anteriormente. Será que o Dário topa?

3 comentários:

marcello disse...

Prezado Cesar
O Lula tinha de ser gongado...
Afinal é governo ou desgoverno?

Paulo disse...

Caro Cesar,

O governo Estadual está descentralizando todas as suas ações, as Secretarias Centrais ficam apenas como normatizadoras. Entretanto, as obras do DEINFRA não foram descentralizadas. Por que será?

Anônimo disse...

... e tudo fica como está. Esta é a democracia brasileira.

É necessário lembrar que o transporte coletivo da Capital é obra da senhora Ângela Amim.