quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Quase esqueço...

O Guia Prático Michaelis da Nova Ortografia, em pdf, pode ser baixado aqui. É facil e tranquilo de ler e de entender. Acho que iremos todos achar meio esquisito, pelo menos nos primeiros meses, mas não é complicado.

Para quem lida com design gráfico e diagramação, a norma mais desafiadora está na página 29. Como disse abaixo, boas entradas!

Feliz ano novo!

Quando comecei esta coluna, em agosto de 2005, não podia imaginar que ela duraria tanto tempo. Assim como também não poderia imaginar o enorme volume de palavras carinhosas e de estímulo que tenho recebido por e-mail, nos comentários, por telefone e pessoalmente ao longo destes três anos e quatro meses.

Se no começo achava legal por causa da novidade (nunca tinha feito coluna de opinião política antes), agora acho legal por causa dos leitores e leitoras que dizem o que pensam, que me ajudam a fazer melhor todos os dias e que merecem um ano realmente novo, próspero e feliz.

Dia 1º à tarde eu volto.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Bita tira Medaglia do sério

O Mário Medaglia teve saco de ouvir a entrevista do viceBita na CBN. E diz que a lenga-lenga do surfista-bispo azedou-lhe o dia. Bem feito. Não mudou de estação porque não quis...

Para ler o que o Medaglia escreveu, é só clicar aqui.

Como aperitivo, taí o comecinho da nota “Pastor também mente. E como”:
“O vice prefeito Bita Pereira e prefeito interino de Florianópolis estragou meu dia e azedou meu fim de ano com a entrevista que deu hoje pela manhã na rádio CBN aos jornalistas Mário Motta e Moacir Pereira. Com sua conversa pastoral e sem conteúdo desfiou um monte de baboseiras sem o menor sentido, transformando aquele espaço em uma grande peça de ficção.”

Prefeitos na corda-bamba

“... não se pode, mediante a prática de ato formalmente lícito (mudança de domicílio eleitoral), alcançar finalidade incompatível com a Constituição, qual seja, a perpetuação no poder. O apoderamento de unidades federadas para, como no caso, a formação de clãs políticos ou hegemonias familiares.”

Ministro Carlos Ayres Brito, presidente do TSE
Putz, preciso estudar a reforma ortográfica. Afinal, corda-bamba também perde o hífen? Bom, enquanto não desvendo essa momentosa questão, o fato é que há prefeitos que podem perder, além do hífen, o mandato.

O TSE publicou o acórdão sobre o Recurso Especial Eleitoral nº 32.507, relatado pelo ministro Eros Grau, referente ao prefeito de Porto de Pedras (no sapato?), Alagoas.

E ali, com todas as letras, está dito que mudar de domicílio eleitoral para concorrer a um terceiro mandato é uma fraude à Constituição. A decisão interessa diretamente aos eleitores de Florianópolis, que deram mais dois mandatos a um prefeito que já tivera outros dois mandatos.

Como fraude à Constituição não prescreve, o rolo, aqui, ainda vai dar muito pano pra manga. Assim que o Judiciário recomeçar a trabalhar, acho que no dia 6, será protocolada uma ação (se não forem várias) pedindo a cabeça do Dário Berger. Digo, pedindo o mandato. Porque, como está estabelecido no caso de Alagoas, não se trata nem de pedir a cassação do diploma, mas “apenas” que o TSE declare a nulidade do ato.

É, provavelmente, o fato político mais importante do primeiro semestre de 2009 na capital. E o que vai dar mais bate-boca (ou seria bateboca?). Os partidários dos Berger, naturalmente, tentarão levantar aquela velha questão: “o povo elegeu, agora querem dar um golpe no povo, e a vontade popular, onde fica?” Como se o voto significasse absolvição de todos os pecados presentes, passados e futuros.

Pelo que se lê no processo (e posso estar errado, afinal não tenho luzes jurídicas), ocorreu o inverso: o povo, o eleitor, é que foi ludibriado. Não tinha como saber que a interpretação da lei feita pelos advogados do candidato e aceita pelo TRE era questionável. E que, afinal, tratava-se de uma fraude (desculpe repetir a palavra, mas está no acórdão e é, mesmo, muito forte).

Taí. Se vocês estavam achando que 2009 ia começar devagarinho preparem-se, a coisa vai ser de tirar o fôlego.

Ah, a decisão:
ACÓRDÃO
RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 32.507 – CLASSE 32ª – PORTO DE
PEDRAS – ALAGOAS.
Relator: Ministro Eros Grau.
Recorrente: José Rogério Cavalcante Farias.
Advogado: Fabio Costa Ferrario de Almeida.
Recorrido: Ministério Público Eleitoral.
RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2008. REGISTRO CANDIDATURA. PREFEITO. CANDIDATO À REELEIÇÃO.TRANSFERÊNCIA DE DOMICÍLIO PARA OUTRO MUNICÍPIO. FRAUDE CONFIGURADA. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NO § 5º DO ART. 14 DA CB. IMPROVIMENTO.

1. Fraude consumada mediante o desvirtuamento da faculdade de transferir-se domicílio eleitoral de um para outro Município, de modo a ilidir-se a incidência do preceito legal disposto no § 5º do artigo 14 da CB.

2. Evidente desvio da finalidade do direito à fixação do domicílio eleitoral.

3. Recurso a que se nega provimento.
Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por maioria, em desprover o recurso, nos termos das notas taquigráficas.

Brasília, 17 de dezembro de 2008.

CARLOS AYRES BRITTO – PRESIDENTE

EROS GRAU – RELATOR
REspe nº 32.507/AL.”

E, para terminar, trecho de uma das peças mais importantes do acórdão (talvez devesse ter começado com isto), que é o voto do presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Brito, redigido com uma clareza e uma contundência que chegam a surpreender:
“(...) 4. Essa, pois, a discussão dos autos: saber se é lícito a uma pessoa ser “prefeito” por mais de dois mandatos consecutivos, ainda que em municípios diversos (um mandato num município, e dois mandatos em outro, no caso). Ou, ainda: se é constitucionalmente aceitável a figura daquilo que vem sendo apelidado de “prefeito intinerante”.

5. Pois bem, o Min. Eros Grau, Relator do feito, negou provimento ao recurso especial e, em conseqüência, manteve o indeferimento do registro de candidatura do recorrente. Isso, por entender que, no caso, “a fraude é evidente. (...) Fraude (...) consumada mediante o desvirtuamento da faculdade de transferir-se domicílio eleitoral de um para outro Município, de modo a ilidir-se a incidência do preceito”.

6. Após analisar as peças dos autos, cheguei à mesma conclusão do Relator e da maioria que o acompanhou. É dizer: não se pode, mediante a prática de ato formalmente lícito (mudança de domicílio eleitoral), alcançar finalidade incompatível com a Constituição, qual seja, a perpetuação no poder. O apoderamento de unidades federadas para, como no caso, a formação de clãs políticos ou hegemonias familiares.

7. Em verdade, tenho para mim que o princípio republicano está a inspirar a seguinte interpretação basilar dos §§ 5º e 6º da Carta Política: somente é possível eleger-se para o cargo de “prefeito municipal” por duas vezes consecutivas. Após isso, apenas permite-se, respeitado o prazo de desicompatibilização de 6 meses, a candidatura a “outro cargo”, ou seja, a mandato legislativo, ou aos cargos de Governador de Estado ou de Presidente da República; não mais de Prefeito Municipal, portanto.”

A inconstitucionalidade da 254

O advogado Gley Sagaz (que foi um dos autores de algumas das ações contra LHS, em nome da coligação opositora, Amin incluído), produziu um estudo, um parecer, sobre a Lei Complementar 254. Essa mesmo, a que promete aumento para servidores da segurança e tem gerado todo tipo de atrito e interpretação ao longo de cinco anos.

Ele procura provar, no documento, que a Lei é inconstitucional. Entre outras coisas, porque propõe um aumento sem previsão orçamentária.

Esta é a conclusão:
“Quando foi encaminhado à Assembléia o Projeto de Lei do qual originou a Lei Complementar 254, não tinha a acompanhá-lo os documentos exigidos pelos artigos 16 e 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo por isso os atos nulos conforme prescreve o art. 21 da citada Lei de Responsabilidade.

Portanto, dentro dos ditames legais e constitucionais, a Lei Complementar 254, afronta os incisos I e II do art. 169 da Constituição Federal, bem como os arts. 16 e 17 da Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo por isso, seus efeitos nulos, conforme art. 21 da Lei de Responsabilidade.”

A íntegra, com a argumentação que o levou até aí está aqui.

Desconectado

Das três e pouco da tarde até tarde da noite, com o Virtua desfalecido, sem levar a lugar nenhum.

Eles justificam a falha dizendo que “foi a chuva”: uns quinze minutos de chuva de verão, hoje à tarde. Aquelas chuvas de verdade, que deixaram gente debaixo dágua e derrubaram encostas, não interromperam o serviço. Mas esta chuvinha de hoje deu pobrema. Vá entender...

EM TEMPO

Por causa disso, as coisinhas que tinha pra colocar aqui hoje (acórdão do prefeito itinerante “te cuida, Dário”, os desvãos da lei 254, fotinhas da sessão da Alesc e outras cositas) ficam pra depois. Desculpem a falha involuntária.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Hora do recreio

Fantástica compilação de bons exemplos de humor gráfico e histórias em quadrinhos feita pela Smashing Magazine.

Aqui.

Tradução (livre) do balão do cartum acima: “Você tem enormes problemas de auto-estima. Recomendo que desabilite imediatamente os comentários do seu blog.”

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ainda em ritmo de festas

Tinha falado antes do Natal, mas acabei aparecendo tanto por aqui que provavelmente muitos nem notaram que o blog está em slow motion. Por vários motivos. Os dois principais:

1. É uma das raras ocasiões em que a família inteira está reunida na mesma cidade (de uns tempos pra cá as reuniões mais freqüentes têm sido via skype) e é preciso aproveitar, porque as passagens estão cada vez mais caras, as distâncias maiores e os salários cada vez menores;

2. O blog entrará em 2009 ano de cara nova, em novo endereço e preciso de uns dias para poder organizar a migração e fazer os acabamentos da outra casa. Quando estiver pronta, aviso aqui qual será a data de ativação do “novo” De Olho na Capital.

Nestes dias, portanto, publico aqui apenas o conteúdo da coluna do DIARINHO, que continuará a sair todos os dias, sem ponto facultativo e sem folga. Na prática, significa uma diminuição da quantidade de notas e provavelmente uma única atualização diária. E os comentários serão liberados no mesmo ritmo: de vez em quando.

Como estarei trabalhando normalmente, se ocorrer algum fato extraordinário, provavelmente comentarei. Mas não contem muito com isto. ;-)

Bom, um feliz Ano Novo a todos e todas, muito obrigado pela leitura, pela gentileza dos comentários/colaborações e espero oferecer, em 2009, mais e novos motivos para que continuem dando uma passadinha por aqui todos os dias.

sábado, 27 de dezembro de 2008

E agora?

Assim como começou, o movimento dos Praças terminou: sem que a gente entendesse direito. Não sei vocês, mas eu não entendi direito por que acirrar a mobilização pela implementação da utópica lei 254, se não ocorreu nenhum fato novo. Desde a sua sanção sabia-se que era uma lei faz-de-conta, inaplicável. Isto foi dito mais de uma vez da tribuna da Assembléia. Daí, de repente, aumentar a pressão faria com que o governo amolecesse e abrisse o cofre? Meio improvável, né?

Hoje, depois do aumento da multa imposta pela Justiça e do governo ter colocado as cartas na mesa, endurecendo o discurso e ameaçando chamar a “Força Nacional” (um destacamento cujos efeitos seriam, principalmente, midiáticos, porque, na prática, teriam atuação muito restrita), resolveram tirar o time de campo. Uma retirada estratégica, como afirmaram.

Ah, mesmo com o término do movimento, o site da Aprasc (www.aprasc.org.br) foi pro saco. Foi censurado pela Justiça e deve ficar fora do ar por 90 dias.

O deputado Sargento Soares, como “presidente interino” da Aprasc assina a nota de 14 pontos onde se informa a “suspensão temporária” do movimento, com “Saudações a quem tem coragem”.

Trecho:
“12. O mesmo governo que não tem dinheiro para honrar seus compromissos com os servidores gasta muito mais do que isso com perdão de impostos para os grandes empresários. Ao invés de se prevenir contra a crise, pagando melhores salários aos servidores, prefere usar o dinheiro para fazer concessões fiscais à General Motors, uma empresa dos Estado Unidos que está falindo por causa da crise;”
Leia a íntegra da nota aqui.


Bom, parece que esta parte mais movimentada da novela acabou. Mas a coisa continua. Porque está tudo onde sempre esteve, com a agravante de que há algumas feridas novas expostas ao sol.

O aprendiz de LHS

Bem feito! Quem mandou dar uma espiada na internet neste sábado maravilhoso. Uma nota sinistra me deixou de cabelos em pé (sim, ainda tenho alguns).

No blog do Azevedo estão os planos do prefeito eleito de Florianópolis. De férias há meses, vai convocar extraordinariamente a Câmara para resolver algumas pendências, contando com a complacência e apoio dos novos vereadores e dos reeleitos.

Na pauta, as mudanças no Plano Diretor solicitadas pelo LHS (penitenciária e, embora não tenha falado, também o Saco Grande, onde está o Centro Administrativo) e a criação daquilo que poderíamos chamar de “supersecretaria da Moeda Verde”: Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano. Vai concentrar ali todas as engronhas que têm feito a (má) fama das administrações municipais da capital (Floram, Ipuf, Susp...).

Ah, e o principal: “Dário quer, no segundo mandato, mais tempo para se dedicar à política, por isso pretende montar um secretariado de "notáveis".”

Candidatíssimo a governador, portanto. Estimulado por LHS. E, como ele, exercerá apenas o papel nada decorativo de chefe de Estado (e embaixador itinerante, claro! Afinal, precisa estadualizar o nome), sem se imiscuir (no que não for de seu interesse imediato) nos negócios de governo, entregue a “notáveis”.

Estamos bem arranjados...

Rumo Sul

Um leitor deixou uma dica de blog de viagem de “um remador do Martinelli e que resolveu dar uma pedalada até... Ushuaya!!! E vai subir o Andes na volta...”

Além da preparação e da viagem propriamente dita (ele já chegou ao extremo sul da América e está voltando), também tem fotos do percurso.

É o Confins Austrais.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Nada de novo...

A novela é a mesma, o enredo não está levando a lugar nenhum e pelo jeito o final feliz ainda está longe.

Resumo do capítulo de hoje

O governador tomou finalmente conhecimento do caso, disse que a coisa foi montada pelo deputado sargento Soares e não tem conversa;

As esposas e familiares dos praças contra-atacaram com uma nota onde sugerem que se ninguém for punido, pode ser que o movimento entre na fase final;

O juiz que tinha determinado o final do movimento não gostou de ver sua determinação descumprida e aumentou a multa diária da Aprasc para R$ 90 mil. E adicionou outra decisão: não podem ser usadas crianças e adolescentes no movimento, porque isso contraria a lei;

A Aprasc, no final do dia, também publicou uma nota, explicando novamente suas razões e respondendo ao que o governador disse em nota e numa entrevista coletiva. A íntegra da nota da Aprasc pode ser lida aqui

Sei não, mas acho que a coisa vai se arrastar 2009 adentro...

A resposta dos praças

O movimento dos praças publicou hoje à tarde uma nota em resposta à nota do governo. A principal novidade é que dá, de certa forma (e para bom entendedor), uma pista para o final da paralisação: “É preciso dizer que só encerraremos o movimento das esposas e familiares quando for acertado que não haverá punição a nenhum de nossos familiares”. Ah, e a Aprasc desaparece da nota, que é assinada pelo “Mulheres que lutam!”. Naturalmente na tentativa de não configurar desrespeito à ordem judicial e aos regulamentos militares.
NOTA DO MOVIMENTO DAS ESPOSAS E FAMILIARES DE PRAÇAS DE SC

Nós esposas e familiares dos Policiais e Bombeiros militares de SC estamos nos mobilizando junto com todos os nossos em busca do cumprimento da lei 254. Essa lei foi construída por todo o governo e por entidades representativas dos servidores tendo sido sancionada pelo atual governador há cinco anos. Trata da política salarial dos servidores da segurança pública, com o objetivo de restabelecer a justiça salarial numa escala vertical de salários, onde o menor salário seja pelo menos ¼ do maior salário.

Em 2004 e 2005 o governador fez algumas concessões, com abonos que somam R$ 290,00 e 20% da gratificação de atividade. Mas já faz três anos que o governo não apresenta nenhuma proposta de incremento salarial para os servidores da segurança, não obstante todas as nossas tentativas de negociação em todo esse período.

Estamos nessa luta, que é justa e legítima, em busca de dignidade, respeito de valorização de nossas famílias. É preciso esclarecer à população catarinense que conhecemos a realidade de nossos lares, a dificuldade na hora de ir ao mercado, de procurar assistência à saúde, colégio e moradia.

Por todos esses motivos estamos há cinco dias em frente aos quartéis. Passamos o natal e, se preciso for, entraremos 2009 unidos e fortes junto com nossos familiares policiais e bombeiros militares. Não abandonaremos essa luta! Vamos sim buscar fortalecê-la a cada dia.

É importante esclarecer algumas inverdades que o governo Luiz Henrique e outras autoridades vêm divulgando:

1 – O Movimento das Esposas e Familiares é autônomo e independente, sendo assim, estamos aqui por livre e espontânea vontade. Ninguém está nos usando ou forçando a ficar na frente dos quartéis;

2 – Não existe motim de policiais e bombeiros, pois nossa arma mais potente é nossa vida e nossa disposição de persistir. Estamos, sim, em manifestação pacífica!

3 – É preciso que o governador do Estado assuma diante da população de Santa Catarina que a culpa da situação da segurança pública tem nome e sobrenome: Luiz Henrique da Silveira, Nós procuramos vários canais de negociação e não foi apresentada nenhuma proposta. Ou seja, faltou vontade política para resolver ao longo dos três últimos anos e não deixar chegar aonde chegou;

4 – É preciso que a cúpula da segurança pública para de enganar a população, respeite o povo catarinense e os turistas, e fale que a segurança está comprometida;

5- É preciso dizer que só encerraremos o movimento das esposas e familiares quando for acertado que não haverá punição a nenhum de nossos familiares.

Nós esposas e familiares de praças, queremos juntas com nossa família construir outra história para os praças de Santa Catarina, uma história de dignidade e respeito, porque nós temos esse direito e porque a sociedade precisa de policiais e bombeiros conscientes de sua missão.

MOVIMENTO DAS ESPOSAS E FAMILIARES DE PRAÇAS – Mulheres que Lutam!”

EM TEMPO

O blog A política como ela é tem publicado notas muito interessantes sobre o movimento. A de hoje recupera alguns dados do passado recente do deputado Sargento Soares e transcreve o juramento “bolivariano” que ele fez em 1º de janeiro de 2007. Leia aqui.

LHS X Sargento Soares

Não sei se li errado, mas a principal mensagem passada pela nota oficial do governo do estado a respeito do movimento “guerrilheiro” dos praças está na personalização do líder do movimento, deputado Sargento Soares (PDT), como o inimigo preferencial. Ao dar-lhe nome, sobrenome e o rosto de um deputado, o governo decerto pretende atribuir, ao motim, uma característica de política partidária, que pode ajudar na desqualificação dos manifestantes. Ou, pelo menos, no enfraquecimento do caráter reivindicatório de seus pleitos.

Por falar nisso, os dirigentes do PDT, que participaram de uma animada visita à China (leia aqui), acabam de voltar e bem que poderiam explicar como é que um partido cujo líder na Assembléia é nomeado, pelo próprio governador, como inimigo, mantém uma secretaria de estado e o rótulo (cada vez mais desbotado), de partido da base de apoio (!) do governo.

O restante da nota não tem surpresas: se a implementação das quimeras incluídas na Lei 254 não foi feita antes, quando a conjuntura era mais estável, não será agora, a bordo de crises internas e externas, que haverá qualquer alteração.

O ponto fraco (em termos de argumentação) foi a tentativa, no início da nota, de criar um clima emocional, citando o desastre no Vale do Itajaí e o número de mortos, como quem pretende dizer que “apesar disso, esses insensíveis ainda pensam nos próprios soldos”.

EM TEMPO – o moderníssimo site de notícias do moderníssimo governo da modernidade não permite links diretos a cada uma das notícias. Então, coloquei a íntegra da nota do governo aqui.

E a novela continua...

Nas vésperas do Natal o governo armou uma tentativa de conversa com os policiais grevistas (ou amotinados). Mas entregaram a negociação para o secretário Benedet. E ele, infelizmente, parece ter decidido passar à história como um político local que, por algum acidente, ocupou um cargo de responsabilidade estadual e não aproveitou a oportunidade.

Anteontem circulou a informação que, depois da reunião com a Aprasc, Benedet tinha sido desautorizado e retirado da negociação. Ontem, ele informava que não tinha abandonado as negociações.

Esses sinais contraditórios e confusos, num setor estratégico como a segurança pública, não ajudam em nada e só demonstram que o governo foi mesmo pego com as calças na mão.

EM TEMPO

Cinco dias depois do início da coisa o governador, finalmente, anuncia que tomará conhecimento formal dos fatos provocados pelo movimento dos praças. Segundo informa o DC Online, LHS reune-se agora de manhã com o comandante da PM, que lhe passará um quadro da situação. Ontem, como uma espécie de preparação para as medidas que serão anunciadas, o governador disse que vai punir os amotinados (“Este é um movimento guerrilheiro e não reivindicatório”), que seriam uma minoria (“O protesto não chega a 2% da corporação”).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O silêncio do PDT

[Texto atualizado às18:40]

Vamos fazer de conta que a gente não conhece a real situação dos partidos políticos brasileiros e, ingenuamente, cobrar, da direção estadual do PDT, uma posição quanto à ação do deputado Sargento Soares.

Como poucos ignoram, o deputado, que foi presiente da Associação dos Praças, pertence ao PDT. E está liderando ou pelo menos apoiando ativamente, um movimento dos praças, contra o governo do estado, para que sejam cumpridas algumas promessas de reajuste, consolidadas na Lei 254.

Ora, o PDT é partido da base de apoio do governo LHS, que lhe destinou inclusive uma secretaria de estado (ocupada, por coincidência, pela esposa do presidente estadual da sigla). E um de seus deputados, que inclusive é líder da bancada na Assembléia aparece, em público, criando uma situação de constrangimento para LHS. O outro deputado, o brusquense Dagomar Carneiro, já disse que é contra a mobilização dos praças e, portanto, discorda de seu líder.

A esta altura o PDT precisa tomar uma atitude. Ou desembarca do governo e apoia seu deputado nesta luta, ou chama o deputado às falas e dá-lhe um ultimato, exigindo lealdade aos compromissos que o partido assumiu com LHS.

O que não dá é para manter a secretaria e demais benesses de participante da aliança de governo e, ao mesmo tempo, concomitante e simultaneamente, atuar como oposição, dando uma prensa justamente no calcanhar de aquiles do governo: o tesouro.

Viajando com a Cris e a Márcia

Dica de blog de viagem, daqueles que são escritos à medida em que as autoras se aventuram por novas terras, gentes e costumes.

É o Segura o leme.

Não deixem de dar uma espiada. E boa viagem.

Supresinhas de Natal

A gente às vezes é excessivamente pessimista. Na viagem que minha filha e meu genro fariam, de Paris a Florianópolis, no dia 23, o trecho que mais nos preocupava era o doméstico, via Gol. Achávamos (a família toda), que iria atrasar, que seria cancelado, que daria algum problema.

Pois bem, tivemos que morder a língua. Foi a Air France que roeu a corda e deixou os viajantes na mão. O avião que deveria sair 23 à noite, só deixou Paris dia 24 à tarde. Os passageiros que imaginavam chegar a São Paulo no dia 24 de manhãzinha, chegaram nas primeiras horas do dia 25. Natal a bordo.

Já o vôo da Gol saiu com pontualidade britânica e chegou a Florianópolis no momento em que deveria chegar. Tá certo que, para remarcar de um dia para outro, alguém teve que ficar uma hora e meia no telefone do atrapalhadíssimo atendimento Gol. Mas isso não foi nada perto da surpresinha que a Air France aprontou para seus diletos clientes.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

É hoje!

Desde pequeno a gente, de tempos em tempos, acha que vai poder ignorar essas datas convencionais. O Natal geralmente aparece como o principal feriado a ser combatido, quando a gente está numa fase de combater feriados e a “comercialização e banalização dos sentimentos”. E tem épocas em que alguns de nós realmente conseguem passar pelo Natal como se passa por um outro dia qualquer. Afinal, a gente, durante a vida, faz tanta coisa, não é mesmo?

Quando chegam os filhos, a resistência amolece e a gente começa a reproduzir as informações culturais, criando nas crianças o sentimento de que hoje é um dia especial. Quem é cristão (e muitos que não são) conta a história do menino Deus. Quem não é religioso reforça o sentido familiar da festa. E os encontros são marcados para hoje.

Hoje é aquele dia, de todos no ano, em que esses laços familiares pesam. Se está tudo bem e se todos estão bem, pesam menos. Se falta alguém, se as brigas não se resolveram ainda, pesam mais. Mas eles estão ali, mais visíveis que nunca, estampados nas camisetas, tatuados nas nucas, pendurados nos narizes feito piercings não-metálicos: é uma data em que a gente vê os irmãos, sente a presença dos pais, procura pelos filhos, corre atrás dos netos. Mesmo que apenas em pensamento. Mesmo longe.

Não dá para fugir do Natal. Não dá para encarar o Natal como se fosse um dia qualquer. Nem sempre é bom, nem sempre é ruim. Mas não é um dia qualquer.

Quanto mais longe do Natal, mais fácil teorizar sobre ele e seu significado. O problema para continuar escrevendo sobre isso, é que o Natal é hoje. A comida será especial, tem uma árvore esquisita na sala, as economias foram-se todas na compra de presentes, os filhos estão chegando, os pais virão em seguida, os irmãos já ligaram. Não é, sem dúvida, um dia comum. Pode ser que seja divertido, pode ser que seja chato. Pode ser que os abraços encham o coração de alegria, pode ser que as mágoas encham os olhos de lágrimas. Mas, definitivamente, não será apenas mais um dia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E o Papai Noel somos nós...

Dica de leitura para esta antevéspera de Natal: “A praga dos vereadores”, no blog do Noblat. Um bom histórico de como o contribuinte brasileiro passou a ser, para milhares de vereadores, o Papai Noel que dá presente todo mês.

Clique aqui para ler.