sexta-feira, 10 de novembro de 2006

SEXTA

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quinta-feira, 9 de novembro de 2006

QUINTA

[Vocês já sabem, né? É só clicar na foto que se abre uma ampliação]

CHEQUE MATE. JÁ?
O governador eleito fez os primeiros movimentos do seu jogo de xadrez preferido: o grande jogo da acomodação dos aliados e correligionários. Há alguns dias, falei sobre o problema que Luiz Henrique enfrentaria em Florianópolis, mais especificamente com seus aliados, os irmãos Berger, Dário, prefeito da capital e Djalma, deputado federal eleito. Eles têm planos ambiciosos para seu futuro político e se preparam para chegar a 2010 como uma força capaz de disputar o governo.

Pois Luiz Henrique tratou de dar um jeito nisso logo de cara. O colunista Cláudio Prisco, de A Notícia, pensa da mesma forma e escreveu isso na coluna dele de ontem: a indicação de Mauro Mariani para a secretaria de infra-estrutura joga um balde de água fria nas pretensões dos irmãos Berger. E representa uma intervenção clara no processo eleitoral de 2008 na capital.

Eles estavam pleiteando justamente essa secretaria, que é uma posição estratégica, até pelo relacionamento com as empreiteiras e com os municípios onde as obras serão realizadas.

POIS É, E O PAVAN?
A decisão de LHS, de tirar a Infra-estrutura da disputa já nos primeiros dias do jogo, foi tomada em sigilo e o anúnciou surpreendeu muita gente. Eu mesmo fiquei meio cabreiro. Afinal, falara na tarde anterior com gente muito próxima a Luiz Henrique e ninguém tinha sequer sugerido essa possibilidade. Mas ontem fiquei sabendo que o vice-governador eleito, Leonel Pavan, também só soube da indicação depois que ela foi anunciada. Aí fiquei um pouco mais aliviado. Afinal, não estava sozinho na ignorância.

Se bem que, cá entre nós, depois do Luiz Henrique ter retirado da vice governança as atribuições administrativas, que irão, com Eduardo Moreira, para a Celesc, não é de se admirar que o Pavan esteja entre aqueles que não sabiam com antecedência, desse movimento fundamental do mestre enxadrista Luiz Henrique.

O vice-governador eleito anda muito quieto (pelo menos em público). Sinal que LHS e ele, durante algum longo trajeto, na campanha, podem ter se acertado.

CRIME NA BOCAINA
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) acolheu denúncia do Ministério Público Eleitoral sobre uma estranha história envolvendo compra de votos em Bocaina do Sul, simpático município serrano que antigamente se chamava Rio Bonito.

O que torna a história especial não é a compra de votos em si. É que o candidato a prefeito, que supostamente teria dado R$ 1.400,00 a um cabo eleitoral para comprar votos (em 2004), depois da eleição, já como prefeito, chamou um cabo da PM e um outro capanga e foram pra cima do cabo eleitoral pedir o dinheiro de volta. Decerto a votação do prefeito, naquelas urnas, foi baixa.

O cara não tinha mais o dinheiro, mas, em todo caso, conseguiram arrancar dele uma moto e seis ovelhas. O barulho causado para recuperar o dinheiro foi tamanho, que acabou chamando a atenção do Ministério Público. Teria sido muito mais barato deixar o dinheiro pra lá.

DESLEIXO
Santa Catarina tem inúmeros municípios que fariam bonito em qualquer país do mundo. Uns são bonitos pela própria natureza, outros são legais por causa da ação de seus habitantes, outros reunem o melhor de vários mundos. Mas todos precisam ter planos diretores para evitar que interesses de momento e especulativos degradem irremediavelmente suas belezas. Só que a maioria está injustificavelmente atrasada: não tem Plano Diretor.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

QUARTA

[Para ler o que está escrito na foto, clique sobre ela que se abre uma ampliação]
COMEÇOU!
Agora ninguém segura. LHS vai poder colocar em prática todas as suas idéias, mesmo as mais estranhas: com 27 deputados (a caminho de 30) num total de 40, dificilmente encontrará obstáculo intransponível.

A primeira delas (das idéias estranhas) já foi anunciada ontem: a Celesc vai controlar o Ciasc (Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina) e coordenar, portanto, a implantação do governo eletrônico.

Como assim, a Celesc? Que a Celesc assuma a SC-Gás (outro anúncio de ontem) nem parece tão estranho, afinal, gás é energia. De Centrais Elétricas de Santa Catarina para Central Energética de Santa Catarina não é uma mudança assim tão radical. Mas incluir aí o gerenciamento dos sistemas informatizados do governo, parece um pouco demais.

E a Celesc não é (era? vai mudar?) uma empresa com ações na bolsa? não tem um objetivo, um propósito, uma razão de ser? Pode, assim, sem mais nem menos, assumir uma outra empresa de finalidade diversa?

RITMO ACELERADO
Eu achava, e falei isto aqui na coluna, que o LHS fosse caminhar um pouco mais lentamente com os anúncios do secretariado. Mas parece que meus informantes me enganaram e eu acabei enganando vocês.

Ontem LHS fez vários anúncios:

1. O Mauro Mariani vai pra secretaria da Infra-estrutura;

2. O ex-embaixador Márcio Dias cuidará da Secretaria das Relações Exteriores (aquela, das viagens ao redor do mundo, que voltará turbinada no segundo mandato );

3. O deputado João Henrique Blasi será o líder do governo na nova legislatura que inicia em fevereiro;

4. Eduardo Moreira será o presidente da Celesc (e, por extensão, da SC-Gás e do Ciasc, que serão incorporados à companhia de eletricidade, conforme comentei na nota acima).

Desse jeito, antes que o mês termine LHS já terá anunciado todos os secretários. Os maldosos dirão que ele tem que correr mesmo, porque são muitas as secretarias. Mas vamos ver como serão os próximos dias.

LEMBRETE IMPORTANTE
Às vezes começo a falar aqui sobre jornalismo, jornalistas e coisas parecidas e me esqueço de fazer uma ressalva: quando se fala de reportagens, jornalismo e matérias de jornal, não estamos falando de coisas como esta coluna. Isto aqui é uma coluna de opinião, que embora faça parte do jornal, não é a mesma coisa que uma reportagem (ou o noticiário).

As reportagens devem ser equilibradas, conter os vários ângulos da informação, relatar o ocorrido da forma mais fidedigna possível e atender a todos aqueles princípios do bom jornalismo. Aqui e em praticamente todas as colunas assinadas da maioria dos jornais do mundo, o leitor encontrará palpites, opiniões, comentários e análises feitos a partir de um ponto de vista específico.

Portanto, é importante saber que uma coisa é a coluna de opinião e outra a reportagem. Uma é, por essência, opinativa, subjetiva, a outra tenta ser informativa, desapaixonada e, de certa forma, impessoal, sem opinião.

AINDA O APAGÃO AÉREO
Agora descobriram que o governo Lula determinou, no orçamento de 2007, um corte de 8% na verba do programa de Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo. Mas é 8% em relação aos valores previstos para este ano. Na verdade o que o governo colocou no orçamento é 22,6% menos do que a Aeronáutica considera “o mínimo aceitável” para o Programa.

E tem outra coisa: quando a gente viaja de avião, paga, embutido no preço da passagem, uma taxa especial, para um “Fundo Aeronáutico”, de onde deveria sair a verba para o tal programa. Mas o governo reteve essa grana (o fundo tinha um saldo de cerca de R$ 1,9 bilhão no final de outubro) para garantir superávit nas contas públicas.

Ou seja: cobram da gente uma taxa além e acima dos impostos, para proteção ao vôo e segurança do tráfego aéreo, mas esse dinheiro não é utilizado para isso. Não é utilizado. Ponto.
E já que estamos falando no Lula: num dos noticiários da Rede Record notei que eles não dizem mais que Berzoíni era coordenador da campanha do Lula . Dizem apenas que ele era “coordenador de campanha”. Como se isso fosse uma profissão, uma ocupação isolada. Sem qualquer relação com o candidato. Pode?

terça-feira, 7 de novembro de 2006

TERÇA

[Nota do editor: a atualização desta página tem estado irregular nos últimos dias em função de fatores de força maior como a lua cheia, a internet vagalume, viagens de negócios, jantares de lazer e uma pitada de preguiça.
Perdão, leitores.]

[Para abrir uma ampliação da foto, basta clicar sobre ela]

O GRANDE JOGO
O governador eleito, LHS, anuncia hoje a equipe que vai preparar o novo governo. Escolheu o auditório da Celesc, para encerrar a fase de campanha, onde os locais improvisados, a proximidade do público e o “calor humano” da falta de ar-condicionado eram quase que obrigatórios.

Agora a brincadeira terminou. E começa a fase mais complicada e delicada de todo o governo, que é o grande jogo de xadrez da atribuição de funções, distribuição de cargos e preenchimento de espaços políticos na máquina administrativa. Uma peça fora de lugar, um grupo descontente, uma solução infeliz e pronto, o governo entrará janeiro sob críticas e já corre o risco de perder aliados para as próximas eleições, de 2008.

Por isso, não acreditem em listas de prováveis secretários que estão circulando por estes dias. É pura especulação. Ou, pior, campanha de candidatos a cargos, que passam aos colunistas, como quem não quer nada, seus nominhos. Vai que cola, né?

(Update das 10h: o LHS anunciou agora de manhã, na RBS, que o deputado reeleito Mauro Mariani será o secretário de Infra-estrutura)

Talvez LHS até tenha, na sua cabeça, algumas preferências, mas é um político experiente e sabe que, para acomodar um aliado ou mesmo um correligionário, poderá ter que deixar sua preferência de lado.

Portanto, é muito cedo ainda para anunciar quem irá para onde. O grande jogo está no começo e talvez em dezembro LHS comece a revelar seus principais movimentos. Provavelmente os aflitos aspirantes a secretários e diretores saberão se foram escolhidos a tempo de passar as festas de final de ano em paz. Mas nada impede que no dia anterior à posse ainda sejam feitos alguns ajustes.

Boa parte da equipe que será anunciada hoje ficará distante desse jogo, porque participará de um outro, não menos interessante: a construção do que LHS chama de “aprofundamento da descentralização”. Um conjunto de novas normas legais que serão submetidas à Assembléia Legislativa já no início de fevereiro. As mudanças vão desde a nova hierarquia das Secretarias regionais (oito serão “promovidas”, as restantes serão divididas em dois níveis e serão criadas mais algumas) até a inclusão do Fundo Social na Constituição (agora ele é apenas lei ordinária).

AINDA O DOSSIÊ
Outro leitor escreve dizendo que acha que eu ando mesmo meio “amargo” com o Lula. Antes de continuar deixem-me dizer que sou um colunista de grande sorte: os leitores, mesmo os que discordam de mim, tratam-me com grande urbanidade e argumentam com sensatez. Não encontrei pela frente, ainda, aquelas criaturas que, por exemplo, xingaram a Eliane Catanhede de “vaca nazista”.

Este leitor argumenta, a certa altura, que achou que a cobertura da “mídia” ao caso do dossiê pendeu muito para um lado. E achou que a análise dessa cobertura, feita pela Carta Capital é “assustadora”. E também ficou espantado com o teor da conversa entre o delegado que divulgou as fotos do dinheiro e os jornalistas.

Não vou entrar em grandes detalhes por causa de tempo e espaço, mas gostaria de fazer alguns rápidos comentários. Todos os escândalos envolvendo petistas tiveram, por parte da “esquerda” e dos petistas, a mesma reação: “eles também fazem ou fizeram”. Isto não é defesa que se apresente. Parece confissão de culpa.

No caso do dossiê, já li e ouvi quem dissesse que a imprensa deveria mostrar o conteúdo do dossiê antes de ficar condenando quem iria comprá-lo. Não tem nada mais esfarrapado do que essa linha de pensamento. É como se um crime justificasse ou perdoasse o outro.

Se o dossiê mostrar o Serra recebendo propina dos Vedoin o crime dos aloprados petistas fica menor? Eles deveriam ser inocentados apenas por causa disso? Ou usar dinheiro ilegal para obter ilegalmente informação sobre supostos delitos para uso eleitoral não deve ser denunciado no caso dos delitos serem verdadeiros?

E o caso das fotos, então? Há anos a Polícia Federal tem, por norma, como procedimento usual, fotografar e distribuir a foto do material apreendido. Foi assim na prisão do Aldinho (o ex-funcionário da Fazenda catarinense). Nesse caso, escamoteou a foto. A conversa do delegado não tem nada de muito escabroso (como seria se ele tivesse cobrado pelas fotos, por exemplo). E o que os jornais deveriam ter feito? Entrar no jogo do governo, recusar a oferta e manter ocultas as fotos?

ESSE GODINHO...
Nada é simples quando se trata do quase ex-deputado Sérgio Godinho. Acaba de ser multado (ele e o Correio Lageano) por propaganda fora do padrão na época eleitoral (publicou um encarte de propaganda, quando só poderia ter publicado um anúncio numa das páginas do jornal).

Quando comecei a ler a nota do TRE-SC em que estava registrada a sentença, levei um susto, na primeira vez entendi que o Godinho tinha sido multado por “propaganda enganosa”, aí reli e vi que era propaganda irregular mesmo. E fiquei surpreso com o valor relativamente pequeno da multa: R$ 2 mil para cada um (jornal e candidato). Claro que para o jornal deve ser bastante, mas para um deputado não é nada.

FALSO BRILHANTE
Todo dia a PF deixa vazar mais um fragmento de informação sobre a investigação do escândalo do dossiê. E eu, aqui com os meus botões, acho muito estranho o valor que se dá ao fato de terem encontrado ligações de telefone entre o coordenador da campanha de Lula e um membro do comitê de campanha ou ao assessor particular do presidente. Ou mesmo ao chefe de gabinete do presidente.

Com quem essa gente imagina que o coordenador da campanha falaria, senão com as pessoas de alguma forma relacionadas ou com a campanha ou com o próprio candidato? A existência de telefonemas entre essas pessoas não significa, de per si, nada.

Seria mais ou menos como alguém “descobrir” que Jorge Lorenzetti recebeu uma ligação de Lula, ou que ligou para o gabinete de Lula. Ora bolas, ninguém ignora que os dois são amigos de longa data e que amigos, em geral, se falam, nem que seja para combinar o próximo churrasco. Querer atribuir ao simples fato de existir um telefonema (sem saber o que foi dito) entre pessoas que têm relações conhecidas de amizade e trabalho, um ar delituoso é sacanagem. E hipocrisia.

Ao dar importância a esse tipo de “informação” e requentar todo dia a mesma história para poder usar o “novo dado” liberado pela PF, a “mídia” desvaloriza seu papel crítico, de avalista e avaliadora com fé pública, sobre o que é e o que não é relevante.

domingo, 5 de novembro de 2006

SEGUNDA

Uma réplica do 14bis (avião inventado pelo Santos Dumont) que deveria fazer uma exibição em Paris para comemorar o centenário do primeiro vôo, estabacou-se todo e não voou nem um metro. Os norte-americanos, que dizem que foram os irmãos Wright que inventaram o avião, devem estar rolando de rir com o fiasco.

LIBERDADE! LIBERDADE! ABRE AS ASAS SOBRE NÓS
Uso um verso do hino da Proclamação da República para começar uma conversa que venho adiando.

No final de semana, um leitor, do PSB, mandou uma provocação que me estimulou a deixar a preguiça de lado e, mesmo cheio de dedos e cuidados, enfrentar o assunto.

Disse-me o Wladimir Crippa:
“Ô Cesar, desde que ‘descobri’ sua coluna na internet, não passa um dia sem que eu a acesse. Mas ultimamente tenho achado você meio ‘amargo’. Parece que não digeriu a vitória do Lula, e a cada dia que passa não deixas de ‘dar uma cutucada’.
É preciso sim haver a crítica, mas uma crítica fundamentada, séria. A crítica pela crítica diminui a dimensão do jornalismo.

Se fala muito na questão da liberdade de imprensa. Sou plenamente a favor! Mas os mesmos que criticam Lula, não escreveram uma linha a respeito do absurdo que foi a condenação do Emir Sader por causa de um artigo em que criticava Jorge Bornhausen. Inclusive você, Cesar, não comentou nada a respeito.

O assunto não merece ser comentado, ou como se trata de um expoente da esquerda que foi condenado, nada merece ser dito?”
VAMOS POR PARTES
Para que eu “não digerisse a vitória do Lula” seria necessário, primeiro, que eu fosse partidário de outro e que tivesse me considerando derrotado nas urnas. Quanto às cutucadas, não as pratico porque o governante é este ou aquele. Cutuco porque governo existe para ser cutucado. A “esquerda” e a “direita” fazem isso quando seus interesses são contrariados. Os jornalistas devem fazer sempre. Quando por mais nada, para sentirem-se livres, independentes, para incomodar os poderosos.

E Lula, embora seus marqueteiros joguem com essa dicotomia fraco-forte, povo-elite, é o poderoso de plantão e máximo representante da elite que dirige o País.

CRÍTICA FUNDAMENTADA
Quando eu era jovem e o presidente da república era um general, havia censura prévia em alguns jornais e auto-censura nos demais. Falava-se muito que as críticas deveriam ser sempre construtivas. Qualquer coisa que desagradasse, parecesse fora do esquema, era qualificado como crítica destrutiva, nociva, despropositada.

Agora, essa história volta, com vocábulos ligeiramente diferentes. Crítica série, crítica fundamentada, são netas da crítica construtiva. O Crippa, talvez até inspirado pela nota oficial que a direção nacional do seu partido publicou, reclama que falo mal do Lula. E nas últimas semanas, no País todo, muita gente resolveu bater nos jornalistas, para exigir que as críticas superficiais e levianas sejam substituídas por críticas fundamentadas e sérias.

EXPOENTE DE ESQUERDA
O Crippa, como muitos outros brasileiros, tem o Emir Sader em alta conta. Alguns chegam a considerá-lo um intelectual a cujas opiniões devem prestar atenção. Não compartilho do mesmo ponto de vista.

Da mesma forma, não morro de amores pelo Senador Jorge Bornhausen. Embora muita gente o considere um líder político a cujas opiniões devem prestar atenção.

Pois bem, o Senador, otimista, disse que o PT seria derrotado e que o País se veria livre “dessa raça” pelos próximos 30 anos.

O Emir Sader, a exemplo de tantas outras pessoas, não gostou do que Bornhausen falou. E escreveu um artigo, que reli ontem, para refrescar a memória, que exalava ódio por todas as letras. Espero que não seja exemplo da tal crítica séria e fundamentada que nos pedem. Foi uma cacetada raivosa e sem qualquer brilho.

O CONDENADO
Bornhausen sentiu-se ofendido com o artigo de Sader e processou-o por injúria, calúnia e difamação. O juiz aceitou os argumentos e condenou Sader (que ainda pode recorrer).

A reação à condenação do expoente foi tal (a CUT emitiu uma nota solene e grave, como se as instituições estivessem ameaçadas) que um sujeito mais distraído poderia pensar que algum desvão autoritário, algum resquício ditatorial o teria alcançado.

E falam que a condenação cerceia a opinião, que o pobre professor Sader não pode dizer o que pensa. Até onde eu sei, todos podemos. E cabe a quem se sentir ofendido, buscar seus direitos. E a quem for processado, defender-se. Não entendi o que pretendem os que protestam contra a sentença do Juiz. A impunidade não é boa para a democracia, por mais que isso doa.

MIOPIA
Esquerda e direita são conceitos que têm sido modificados pela prática, pela história. Não fosse assim, poderíamos dizer que temos, no Brasil, um governo de esquerda. E não temos.

Mas há parcelas da esquerda que insistem em viver no melhor dos mundos. Atribuem a Bornhausen e a FHC toda a maldade humana e não enxergam o que ocorre no governo Lula.

E a face perversa é que em vez de se irritarem com quem permite, dentro do governo, que os aloprados ajam, que as trapalhadas aconteçam, que as propinas sejam cobradas na maior cara de pau, preferem colocar a culpa na imprensa, porque divulga o que acontece.

É claro que nem todos são calmos e bonzinhos como eu e nem todos os jornais são sérios como o DIARINHO, mas não consigo lembrar de um único episódio da nossa história recente, que tenha sido inventado pela imprensa.

A meu ver, aliás, os jornalistas estão devendo reportagens investigativas e um acompanhamento mais agressivo dos fatos. As coisas têm surgido por causa de denúncias, de gravações clandestinas, do Ministério Público, da Polícia Federal. Não por causa de repórteres fuçadores e teimosos.

Portanto, caro Crippa, lamento não considerar o Emir Sader um mártir da liberdade de opinião. E vou tentar balancear melhor as minhas críticas: cutucar também o governo estadual, não só o federal. Pra equilibrar, pau na turma do Bornhausen aqui e no Lula lá.

sábado, 4 de novembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

INTRIGA DA OPOSIÇÃO
Desde o momento em que o Collor decretou que tudo que era serviço público não prestava e começou a desmontar o Estado, que umas tantas repartições que prestavam excelente serviço, apesar de serem públicas, começaram a sofrer, junto com outras que não deixaram saudades.
A gente brinca, pondo a culpa no reeleito barbudo, que deixou a coisa chegar ao ponto que chegou, mas é claro que o reeleito anterior também não viu o buraco que se abria sob nossos pés.

Essa história da falência do sistema de controle do espaço aéreo brasileiro é semelhante ao que acontece nos grandes hospitais públicos, nas universidades, nas estradas: de corte em corte de verbas as condições vão ficando de um jeito que um dia estouram.

Trouxe pra vocês uns trechos de um texto escrito pelo Wilson Cavalcanti, que é piloto militar reformado, instrutor de pilotos e conhece por dentro essa história toda. Olha que interessante:
“Só existem duas escolas de qualificação de controladores no Brasil, uma em Guaratinguetá, SP (militar) e outra aqui onde moro, São José dos Campos, SP, este sendo um instituto que admite civis e militares e promove reciclagens de pessoal, além de servir de base tecnológica para o chamado ‘serviço de proteção ao vôo’, que engloba tudo o que se chama em geral de ‘controle’. Portanto, a formação de controladores é limitada e tem de ser bem equacionada, para assegurar a existência de uma quantidade mínima em atividade. Não se repõem controladores de uma hora para outra.

Mas vejam bem: os controladores são a ‘ponta da linha’ do sistema, imaginem tudo o mais que está por trás: radares, sistemas de comunicação, computadores, formação contínua de todo o pessoal, etc. São a ponta que somente agora está visível ao grande público. Nos anos (19)70, por diversas razões, entre as quais a economia de escala e a defesa aérea nacional, o nosso país optou por um modelo híbrido de controle de tráfego aéreo, que serve tanto às Forças Armadas como à aviação comercial. Esta nunca foi ‘onerada’ pelo fato de os militares estarem a controlar o espaço aéreo. Mais recentemente, algumas funções menores do sistema foram passadas à Infraero (uma empresa estatal), mas o núcleo principal, onde está de fato o coração do sistema, é ainda da Aeronáutica.

(...) Assim como os hospitais públicos sofrem hoje com falta de pessoal, equipamentos desatualizados e mal mantidos, podem todos fazer uma analogia e transplantar tudo o que todos conhecem sobre esse desmantelamento do serviço público para essa área que poucos ainda conhecem, o sistema de controle do espaço aéreo brasileiro.

Saibam que nessa área o Brasil, como todos os demais países do mundo, é constantemente auditado por diversos organismos internacionais (em especial a Federal Aviation Agency dos EUA) e quando as coisas não vão bem em algum país, este é ‘rebaixado’ nos rankings, sofrendo restrições sérias. Sempre tivemos grau máximo e se as coisas agora não vão bem (o que poderá levar a algum rebaixamento nessas auditorias), acho que o problema não é dos técnicos nem do fato de ser a Aeronáutica a controlar esse sistema.
(...)

O problema está certamente na área financeira do nosso governo federal, que ultimamente tem tido a obsessão de pagar as contas externas em detrimento dos problemas internos.”
Outra coisa interessante que o Wilson Cavalcanti fala é que o controlador de tráfego aéreo tem muitas responsabilidades, claro, “mas eles são assistidos por muita tecnologia, de forma que não acho que seja algo mais estressante do que, digamos, um plantão médico em um pronto-socorro como o Souza Aguiar, no Rio”.

[Encontrei o texto do Wilson no blog da Cora Rónai, jornalista de O Globo]

CONCORRÊNCIA
Foi só eu dizer que o jornal Notícias do Dia, dos Petrelli (Rede SC/SBT) é “popular” (com aspas) que um leitor, provavelmente funcionário do jornal, me escreveu pra reclamar. Sem se identificar, disse o seguinte:
“Desculpe Cesar, mas um jornal que vende de 6 a 7 mil jornais para classe B,C e D, com IVC, sendo mais de 1.500 exemplares na porta do TICEM, é POPULAR com letras maiúsculas. Sobre empregos, em Florianópolis o JND abriu vagas para mais de 25 jornalistas, mais 60 empregos diretos. Em Joinville, são mais 20 jornalistas que trabalharão na redação e mais 30 empregos diretos para outras funções.”
Que bom que o jornal está indo bem e empregando bastante gente. Parabéns. Mas continuo achando que o DIARINHO resume melhor as qualidades de um autêntico jornal popular. E para isso não basta ter popularidade.

PAU NOS JORNALISTAS
Uma historinha contada ontem no blog do jornalista Ricardo Noblat mostra com clareza o clima “pouco amistoso” com os jornalistas que existe no Palácio do Planalto.
“Na última segunda-feira, ao ver uma jornalista vestida de preto, Clara Ant, assessora especial de Lula, perguntou a ela:
– De preto? O que é isso? Está de luto por causa da vitória de Lula?
A repórter respondeu que vestia preto para parecer mais magra.”
Noblat lembra também que o jornalista Merval Pereira, colunista político de O Globo, transcreveu, uma frase famosa de Thomas Jefferson, um dos fundadores da América:
– Se me coubesse decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última solução.
Outra frase importante para este momento político:
– A imprensa existe para satisfazer os aflitos e afligir os satisfeitos.
Quando ela faz o contrário, diz Noblat e eu concordo, descumpre sua missão.

O SILÊNCIO DA FENAJ
Tem gente estranhando (e eu também) que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), não tenha se pronunciado sobre os vários episódios que demonstram esse tal clima “pouco amistoso” entre o governo (e os petistas) e a imprensa. Já teve agressões diante do Palácio da Alvorada (praticamente diante de Lula, que, é claro, não viu nada), teve o incidente do interrogatório dos repórteres de Veja, que está envolto em controvérsias, tem as agressões a colunistas e jornalistas feitas por e-mail e outros meios e um silêncio conivente do próprio Lula, que durante a campanha deixou subentendido que é vítima de um esquema montado pela Zelite e pela imprensa para desmoralizar o governo do povo, pelo povo e para o povo.

O presidente da Fenaj, que é o catarinense Sérgio Murillo, me disse que a entidade vai dizer alguma coisa. Só que ele não queria se precipitar. A Fenaj tentou conversar com os repórteres de Veja para tomar conhecimento do que eles passaram na Polícia Federal, mas a revista não permitiu o acesso da entidade a eles. Além disso uma procuradora da República diz que não houve a intimidação alegada. Pelo sim, pelo não, ele preferiu ir com calma.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

SEXTA

A CULPA É DA IMPRENSA
Assim como todas as outras informações distorcidas, maliciosas e partidárias que têm sido divulgadas com o único propósito de deixar mal o pobre operário rico que dirige esta Nação, essa história de falência múltipla dos órgãos de controle do tráfego aéreo é, também, culpa da imprensa.

Tá certo que a Aeronáutica e o Ministério da Defesa sempre trataram desse assunto debaixo de um pesado manto de sigilo (“segurança nacional”), mas a imprensa, de tempos em tempos, sempre vinha com uma história maluca de crise na área de controle de vôo. Só porque faltava gente e porque o salário era baixo. Só porque o número de aviões aumentava em proporção geométrica e o número de controladores praticamente ficava o mesmo, ano após ano.

A defesa do governo Lula deve ser a mesma que usou em todos os outros casos: “FHC ficou 8 anos e não consertou, vocês querem que a gente conserte em apenas 4 anos?” ou “Nos governos anteriores isso também existia, só que agora a gente denuncia”.

APAGÃO DO LULA
A imprensa maledicente da Zelite tá chamando esta semana de “Apagão aéreo do Lula”. Absurdo! Só porque uns 2 mil vôos atrasaram, milhares de pessoas tiveram prejuízo, perderam seus compromissos, foram maltratadas, não quer dizer que tenha sido um apagão. E muito menos do Lula: ele já cansou de dizer que não sabia de nada!

(DES) PREPARADO
A Zelite não fala noutra coisa: “o Lula estava desinformado, quando dizia que o Brasil estava preparado para crescer. Como crescer sem um transporte aéreo eficiente e seguro?”

O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, conta que Lula foi alertado para as condições de trabalho dos controladores de vôo já em 2003. O último concurso para contratar controladores é de 1986. E diz Rodrigues:
“O dia em que o Brasil crescer 5% ao ano, por dois ou três anos, as filas de aeroportos darão voltas na esquina (...) porque o governo Lula preferiu gastar em granito para reformar e ampliar aeroportos (que mais parecem palácios se comparados a aeroportos de países ricos) em vez de investir em tecnologia. Esse é só um exemplo da falta de sofisticação no planejamento estratégico da administração pública federal”.
CONCORRÊNCIA
O jornal Notícias do Dia, dos Petrelli (Rede SC/SBT) anda azedando a vida da RBS. Lançado em Florianópolis antes do Hora de Santa Catarina (versão catarinense do Diário Gaúcho), sai de novo na frente e lança uma edição joinvillense, também antes da RBS, que comprou o A Notícia, lançar um jornal “popular” naquela cidade.

Os leitores do DIARINHO já sabem que tanto o Hora quanto o Notícias são jornais “populares”, coisa muito diferente deste jornal, que é o único popular sem aspas. Mas é bom ver o mercado de jornais se agitando. Além de sempre abrir uma ou outra vaguinha pra jornalista, atrai novos leitores. Na esteira da briga dos dois, a vendagem do DIARINHO continua crescendo.

Resposta: a família do presidente reeleito. Tios, primos, sobrinhos, a parentada toda viajou de Aerolula, sem atrasos, sem fila para decolar ou aterrisar e ficou na praia particular da Marinha, protegida do povo por fuzileiros navais fortemente armados.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

QUINTA

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?

Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...
Mário Quintana
Inscrição para uma lareira

Eu e meus mortos
Hoje é o dia nacional de ir aos cemitérios. Coisa estranha. Mais estranha ainda é aquela gente que diz que é o dia de “ver os mortos”. Não literalmente, é claro, mas de ir até as tumbas, dar uma olhadinha. Varrer, limpar, colocar flores de plástico novas, polir as letras. Acho que muita gente vai aos cemitérios como quem vai à feira ou ao shopping. E limpa os túmulos como quem varre a frente da casa.

Os nossos mortos não estão lá, estão aqui. E se não estão aqui, é porque talvez não sejam nossos mortos ou quem sabe já deixaram de ser. Eu, pelo menos, carrego os meus sempre comigo. Às vezes guardo num armário e deixo por uns tempos meio esquecidos, mas é só me descuidar e eles voltam, ficam ali do lado, observando, sem dar palpites, é verdade, mas eu sei que eles estão ali.

Depois de um tempo, aprendemos a conviver com nossos mortos, acho, da mesma maneira que eles aprendem a conviver com a gente. Sem espantos, sem incômodos. Por isso não acho que seja assim tão necessário ir até o cemitério uma vez por ano, no dia nacional de ir aos cemitérios. Lá está uma ossada (ou nem isso, dependendo do tempo que passou), talvez uma lápide, quem sabe um epitáfio. Lá fica mais fácil de lembrar a data exata, porque geralmente está escrita. Os nossos mortos, contudo, não estão lá.

Quando meu pai estava doente, dei pra ele um livro do Mário Quintana. E marquei um verso, que achei interessante. Meu pai gostou muito, soube depois, porque pediu que ele fosse colocado no túmulo, como epitáfio: “Que importa restarem cinzas, se a chama foi bela e alta?” Os mortos, ou pelo menos os meus mortos, não são a cinza. São a chama, bela e alta, que aparece vez ou outra no olhar de algum neto, na sonoridade de alguma tarde, na risada que de repente me sai mais do jeito dele que meu.

Talvez, daqui a alguns anos, eu até vá ao cemitério. Não por causa das cinzas e ossos, mas como quem vai visitar a obra do prédio em que comprou um apartamento na planta. Observar como é a vizinhança, ver se a paisagem é interessante, se venta muito, se tem muito barulho ao redor. Mas eu, como meus mortos, não pretendo morar ali. A vizinhança é muito quieta, as ruas são arborizadas, mas, com toda essa violência, essas desinteligências, acho que é muito melhor e mais interessante sair por aí, ajudando os coitados dos anjos da guarda e, nas horas vagas, ficar vendo as moças, coitadas, que saem às ruas de saia, em dia de vento sul.

TIO CESAR ERROU
Definitivamente, estou precisando de férias. Até já encaminhei o requerimento pedindo férias, mas foi recusado porque estava só em duas vias e sem o carimbo da alfândega. A prova que estou no limite das minhas forças é que numa única nota da coluna de ontem cometi vários erros. Todos devidamente anotados e corrigidos por leitores atentos e bem educados, que me xingaram polidamente.

Foi naquela história da convocação extraordinária da Assembléia para apreciar a batelada de novas leis que LHS vai propor: a Assembléia Legislativa de Santa Catarina não tem mais graninha extra. Os deputados aprovaram uma emenda constitucional que acabou com a remuneração extra no caso de convocação extraordinária, ao mesmo tempo em que reduziu o tempo de recesso (que é como eles chamam as férias).

A outra confusão que fiz foi quanto à data da convocação: o governador toma posse dia 1° de janeiro, mas os deputados estaduais só no dia 1° de fevereiro. Portanto, é possível, provável e natural que o LHS só coloque em votação os novos projetos em fevereiro, na nova legislatura, pela simples razão que ali ele terá folgada maioria, que garantirá aprovação rápida e fácil.

O TAMANHO DA MAIORIA
O leitor Rogério Paiva pede que se faça um esclarecimento. Lula foi reeleito com 60,83% dos votos válidos, o que não significa que tenha sido eleito pela maioria dos 126 milhões de eleitores. Os votos válidos excluem abstenções, votos brancos e nulos. Portanto, Lula teve 46% dos votos dos eleitores brasileiros. E isso, argumenta o Rogério, não é a maioria dos eleitores. É um pouco menos da metade. E bem longe da unanimidade.

O CAOS ANUNCIADO
Há muitos anos que se sabe que o controle do espaço aéreo brasileiro é uma bomba prestes a explodir. Pois agora explodiu. No rastro de 144 mortos, quase uma semana de caos e desordem com incalculáveis prejuízos para enorme parcela da população (num país do tamanho do Brasil avião não é luxo, é necessidade). E os responsáveis estão batendo cabeça, sem saber o que fazer ou como resolver o problema, que continua crescendo.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

QUARTA

MAIS SECRETARIAS
O governador eleito Luiz Henrique da Silveira está contente e faceiro como estão aqueles que ganham as eleições. E, bem a seu estilo acelerado, fez ontem, numa entrevista coletiva, uma série de anúncios importantes.

Os novos deputados serão convocados para trabalhar já em janeiro de 2007 (hum, convocação extraordinária, já começarão o ano embolsando graninha extra), para votar e, naturalmente, aprovar, a terceira fase da reforma administrativa, o tal “aprofundamento da descentralização”.

Segundo Luiz Henrique, as oito secretarias regionais principais, hoje chamadas de meso-regionais, serão promovidas a Secretarias de Estado, o que permitirá, por exemplo, que sejam ocupadas por deputados. Isto significa que o estado passará a ter 22 secretarias plenas. As regionais restantes manterão o status de agências de desenvolvimento micro-regional, só que serão divididas em dois níveis, que definirão a estrutura e o tamanho de cada uma. E serão criadas, em princípio mais cinco secretarias regionais: Itapiranga, Quilombo, Seara, Taió e Braço do Norte.

Pra entender a numeralha: hoje tem 14 Secretarias de Estado “plenas” e 30 secretarias do desenvolvimento regional. Com a nova mexida, teremos 22 Secretarias de Estado e 27 regionais. No total aumenta, portanto, de 44 secretarias para 49. Uêba!

Seria uma festa para a oposição, mas a oposição será tão pequenininha que provavelmente não conseguirá fazer muita coisa além de espernear. LHS tem 27 deputados e espera ter, até janeiro, 30, de um total de 40.

Update das 10h - O Leonardo escreve para lembrar que o tanso aqui errou ao dizer que os deputados já começam a trabalhar em janeiro: os deputados tomam posse em fevereiro. Portanto, é possível que a convocação seja só em fevereiro (se for em janeiro a graninha vai ainda para os atuais deputados).

Update das 11h – Outro leitor avisa que não tem mais graninha extra nas convocações extraordinárias. Portanto, numa notinha só, consegui fazer vários erros: errei a data da convocação da nova legislatura e atribuí aos deputados uma gratificação à qual eles não têm mais direito. Acho que preciso de férias.

DISTRIBUIÇÃO DE CARGOS
Na próxima terça-feira o governador eleito anuncia o gabinete de transição, que irá preparar o novo governo e toda a legislação que será examinada pela Assembléia já no dia 2 de janeiro. E será instalado um Conselho Político, composto pelos partidos que elegeram deputados, também para acompanhar a formação do colegiado.

A propósito, o governador reafirmou o critério para preenchimento dos cargos de confiança: os votos obtidos. Na primeira linha, os partidos que elegeram deputados. Ele quer manter uma forte conexão com a bancada eleita. E nas linhas seguintes, também entram, conforme o volume de votos, os partidos que não elegeram deputados, mas estavam apoiando a coligação.

Só que, ao mesmo tempo, como uma espécie de balde de água fria no entusiasmo dos componentes da penca, Luiz Henrique lembrou que entra em vigor, em janeiro de 2007, aquela determinação, da segunda reforma política: 50% dos cargos de confiança de cada secretaria terão, por força de lei, que serem ocupados por servidores de carreira. Isto reduz pela metade as vagas para aqueles livre-atiradores, que sonham com uma boquinha no governo.

LULA LÁ, LHS CÁ
Na relação com o governo federal, Luiz Henrique, que jantou segunda com Michel Temer, presidente do PMDB, disse que espera que o partido acerte, institucionalmente, com Lula, alguns pontos básicos de convivência. Os mais importantes, segundo o governador eleito, são um compromisso de não discriminar os estados e um novo pacto federativo, para melhorar a divisão da grana com estados e municípios.

Luiz Henrique disse que, se fosse Lula, convocaria imediatamente uma constituinte exclusiva, para em seis meses dotar o País de uma nova constituição com esse novo pacto federativo que modifique a distribuição dos recursos dos impostos.

O NOVO SENADOR
O ex-deputado Neuto de Conto (foto ao lado), que também estava presente à entrevista coletiva do governador, era chamado por todos, inclusive por Luiz Henrique, de senador. É dado como fato resolvido que Pavan irá renunciar ao mandato e que Neuto de Conto, seu suplente, do PMDB, assumirá. Há ainda dúvidas sobre a data em que isso acontecerá, se logo em janeiro ou alguns meses depois (para dar tempo do PSDB ocupar as comissões e marcar presença em algumas votações). Mas Luiz Henrique diz que todas as dificuldades serão contornadas.

PAU NOS JORNALISTAS
Enquanto o presidente reeleito acena com bandeiras brancas e diz que vai tentar reunificar as forças políticas do pais em torno de um projeto comum, a face mais obscura da intolerância dá provas que estamos, de fato, numa nova era, onde o autoritarismo demonstra que deitou raízes em alguns setores que antigamente se intitulavam “de esquerda”. Primeiro, na segunda-feira, militantes petistas hostilizaram aberta e violentamente jornalistas, diante do Palácio do Alvorada.

E ontem, a Polícia Federal interrogou três repórteres da revista Veja (Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro). Teoricamente para depor no inquérito que apura vazamento de informações do encontro clandestino de Freud Godoy, assessor de Lula e Gedimar Passos, o petista preso com dinheiro, nas dependências da PF.

Uma vez dentro da PF, os jornalistas foram intimidados, ameaçados e submetidos a um interrogatório que pouco ou nada tinha a ver com o que foram fazer ali. Os advogados dos jornalistas foram proibidos de se manifestar e nas poucas vezes que conseguiram dizer alguma coisa, não foram levados em conta. Quando um dos jornalistas reclamou que já estavam ali por duas horas o delegado Moysés Eduardo Ferreira, que conduziu a sessão de prensa, fez pouco caso: “está achando muito? seu chefe vai ficar aqui por quatro horas!”

É claro que, a seus superiores, o delegado explicou que tratou os repórteres “com toda a urbanidade”, o que até pode ser verdade, dependendo do conceito que se tenha de urbanidade.

Se ninguém fizer nada, daqui a pouco a coisa aumenta e, sem liberdade de expressão, a democracia, que é uma plantinha frágil e necessita de cuidados constantes, poderá murchar.

(Clique aqui para ler o que diz a nota da revista Veja)
(e aqui para ler a defesa do delegado)

terça-feira, 31 de outubro de 2006

TERÇA

[Clique na foto para abrir uma ampliação]

PAU NOS JORNALISTAS
Ontem perto do meio-dia, logo depois que Lula veio à frente do Palácio do Alvorada cumprimentar o pessoal que lá estava, com bandeiras e camisetas, alguns militantes começaram, gratuitamente, a agredir os jornalistas. Chegaram a derrubar um fotógrafo, bater numa jornalista e um repórter chegou a ser agredido com o mastro de uma bandeira.

Os gritos dos militantes davam uma pista do que eles pretendiam:
“Eu prefiro a ditadura do que a imprensa”;
“Vamos fechar todos os jornais”; e
“Se falar de dossiê, vai levar dossiê na cara”.
É claro que Lula não instigou direta e claramente seus áulicos. Mas o tom de suas queixas, durante a campanha, dava a entender que ele estava sendo vítima de perseguições e armações.

A própria trapalhada do dossiê, autênticamente petista, ganhou, nos discursos de campanha, uma nebulosa co-autoria tucana. Como se tudo de ruim que se diz sobre o Lula fosse invenção ou pura maledicência malintencionada.

O resultado é que os mais exaltados resolvem fazer justiça com as próprias mãos: ainda mais agora, que, contra tudo e contra todos (e contra as elites brancas, principalmente) o pobre Lula conseguiu, a duras penas, se reeleger. O slogan “deixa o homem trabalhar” tem esse conteúdo simbólico: parem de atrapalhar, de zoar com quem só quer trabalhar honestamente.

O NOVO LULA
Criticado porque não deu entrevistas durante seu primeiro mandato, Lula resolveu ser, a partir de hoje, uma nova pessoa. Dará entrevistas a quatro emissoras de TV. Cá entre nós, não acredito que vá resolver muito: o presidente que vocês reelegeram desenvolveu uma sólida habilidade de falar sem ouvir e fala, com convicção, que o “único dado concreto”, “neste País”, é que ninguém fez mais e melhor que ele.

Mas, em todo caso, Lula tem repetido que aprendeu com seus erros. Resta saber o que ele considerou erros. Pode ser que venham por aí cooptação de parlamentares aperfeiçoada, “financiamento de campanha” sem rabo e “operações secretas” sem trapalhadas.

O PAPEL DA OPOSIÇÃO
Não é só Lula e alguns petistas que têm uma visão torta da oposição e do papel fiscalizador. Lula diz claramente que quem faz oposição, ou faz a crítica do seu governo, “instiga para que as coisas não dêem certo”. Como se mostrar o erro fosse errado: o certo seria deixar pra lá ou colocar panos quentes, “uma atitude mais positiva”.

Aqui em Santa Catarina o PMDB também tem, graças à miopia de alguns de seus líderes, uma ojeriza à crítica. Não tolera jornais independentes e vive colocando, na testa de jornalistas, os rótulos “nosso” e “contra”. Sempre que podem, “estimulam” os donos dos veículos a reduzir o espaço dos “contra” e ampliar o dos “nossos”.

CRISE NO AR
Com as eleições a gente quase nem prestou atenção no problema dos aviões, com a greve dos controladores de vôo. Segundo o jornalista Ricardo Noblat, “antes da tragédia do avião da Gol, que caiu matando 154 pessoas, cada controlador dava conta de até 20 aviões querendo descer ou subir. Agora o limite baixou por decisão dos próprios controladores para 12 aviões – como manda o regulamento”.

Essa redução tem feito com que praticamente todos os vôos tenham atrasos de horas. E que os aviões pequenos, particulares, tenham restrições para decolar ou aterrissar em Brasília.

Gente de menos e salário baixo numa atividade de enormes responsabilidades. E vai piorar, porque, como sempre, a conta de todas as bondades do ano eleitoral será cobrada no ano seguinte.

OS NÚMEROS
Acho que todo mundo já sabe, mas caso alguém queira saber os resultados da eleição, por cargo, por município e até por seção eleitoral (você sabe quantos votaram no seu candidato na urna em que você votou?), o TRE-SC reuniu tudo num site de internet:

www.tre-sc.gov.br/resultado

É bem fácil de consultar e tem os números dos dois turnos. No primeiro turno, é claro, inclui os resultados para deputado e senador.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

SEGUNDA


PRONTO, ACABOU.
A agonia terminou e agora já sei em quem devo “bater” ou a quem devemos fiscalizar com maior atenção. O fato dos dois eleitos serem nossos velhos conhecidos, facilita o trabalho. Já sabemos do que eles são capazes e, de certa forma, sabemos o que esperar.

Campanha política é bom, oxigena a democracia, mas cansa. Enche o saco. Com todo o respeito, eu não agüentava mais ver o esforço de todos eles para mostrar que são boa gente, que sabem resolver todos os problemas do mundo.

Mas agora, acabou. Dez segundos, ou quinze, na urna e depois quatro anos de arrependimento ou de alegrias. E em poucas horas já sabíamos quem tinha levado o grande prêmio dos votos brasileiros. Tudo muito rápido. Espero que tenha sido rápido e limpo. Sem maracutaia.

CARO LULA
Pro Lula gostaria de dizer pouca coisa. Na verdade, apenas uma coisa: por favor não tome o voto generoso e abundante dos brasileiros como uma espécie de anistia, de perdão. Não acredito que a maioria dos eleitores de Lula tenha votado nele para dizer que não se importa com as práticas desonestas que o PT e os auxiliares mais próximos de Lula importaram e adaptaram dos partidos que eles criticam.

CARO LHS
Pro LHS também tenho coisa pouca a dizer. Assim como no primeiro governo, os maiores inimigos do seu bom nome estarão mesmo dentro de casa. Um secretário incompetente numa secretaria de desenvolvimento social, por exemplo, é um presente para os adversários. E uma desgraça para os contribuintes.

Uma turma gananciosa e incompetente numa Fesporte, por exemplo, joga lama sobre todo o colegiado. Um governo que não vê ou faz que não enxerga esses absurdos, passa atestado de conivência, diz para o tolo do eleitor que concorda com o desmando.

Esse loteamento de áreas e cargos, que transforma secretarias e outras entidades em troféus, em capitanias hereditárias, é a face frágil e perversa do governo. Porque o serviço público vira servir-se da coisa pública. E nem adianta o LHS dizer que é honesto e bem intencionado. É preciso que os demais membros do colegiado também sejam. E, no primeiro governo, todos sabemos que vários estavam ali só para aproveitar a oportunidade, para resolver seus problemas e turbinar seus projetos pessoais.

E QUEM PERDEU?
O Esperidião, a bordo de um partido com evidentes dificuldades, enfrentou aquilo que sua campanha chamava de Golias: os maiores partidos do estado, estruturados em todos os municípios, sustentados pela máquina administrativa governamental, animados por uma maciça utilização dos meios de comunicação, tiveram que suar a camisa para vencer, no segundo turno, por uma diferença menor do que a prevista, um cavaleiro quase solitário. Amin mostrou que está vivo. E talvez não seja um grande articulador, mas é um osso duro de roer.

PUXA, QUE RÁPIDO...
O governo do estado anunciou, na sexta-feira, que “a recuperação da estrutura do viaduto de acesso insular da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, deve estar pronta em 75 dias”. Claro que o anúncio, aparentemente caído do céu, sem razão ou motivo, tinha uma função eleitoral, de tentar vencer o chato do Amin na capital (coisa que não deu certo, porque a derrota aqui foi ainda maior).

Gosto de ver a precisão dessas previsões: 75 dias. Às vezes a gente faz uma reforminha de nada em casa e não consegue saber se a coisa levará uma semana ou duas. Mas eles sabem exatamente.

Só que a informação mais importante está no final da nota do governo: esses dias que eles anunciaram com tanta alegria, completam um terço da primeira etapa. E a gente só poderá usar de novo a ponte depois da terceira etapa. Falta coisa pra chuchu.

Naturamente, a tal terceira etapa está prevista para terminar, por coincidência, claro, coincidência, em 2010, ano eleitoral, em que a reabertura da ponte terá novo papel importante. E voltará à campanha o bonde (“metrô de superfície” nada mais é que um bonde moderno), como complemento e parte da promessa.

Portanto, se a ponte não cair até lá, na campanha de 2010 ela estará de volta, como cabo eleitoral.

sábado, 28 de outubro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

FESTA DE ANIVERSÁRIO
O presidente-candidato fez aniversário ontem: completou 61 anos e ganhou, dos institutos de pesquisa, um presentão. Eles dizem que amanhã as urnas darão uns 61% de votos para o aniversariante.

O Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, disse uma coisa muito certa: ou o Lula se elege por uma larga margem, confirmando o que as pesquisas estão dizendo, ou então os institutos de pesquisa terão que mudar de ramo. “De provedores de estatísticas, passarão a tendas de quiromancia”, afirmou o jornalista. É verdade, se o Alckmin se eleger ou mesmo se perder por pouco, tem que transformar todos os institutos em barraquinhas de adivinhação, leitura de tarô e mapa astral.

Mas, voltando ao aniversário do candidato: na frente do palácio do Alvorada montaram uma barraquinha (?) onde Lula soprou as velinhas de um bolo de dez quilos (foto acima) ao lado da D. Marisa e cercado por crianças, petistas e fãs. Modesto e confiante, Lula só pediu, de aniversário, “saúde, saúde e saúde”. Nem pediu para ganhar a eleição, porque, de acordo com as pesquisas, já está ganha.

ALCKMIN, O RESISTENTE
A gente pode falar muitas coisas do Geraldo Alckmin. Pode achar ridículo aquele “penteado” dele (na foto acima: os americanos chamam aquilo ali de “combover”). Pode achar muito comportadinho. Mas não pode achar que ele é um sujeito que desiste fácil.

Lembram do começo, quando todos os tucanos queriam que o Serra fosse candidato? E o Serra fazendo doce. Aí o Alckmin dizia que queria ser candidato e a tucanada nem tchuns. Fizeram de conta que ele não existia.

Até que tiveram que engolir o chuchu. Ninguém abriu portas ou facilitou nada, cada passo teve que ser meio na marra. E durante a campanha, inúmeras rasteiras dos “aliados”. Tudo gente boa, só começou a citar o nome do Alckmin ou dizer que era do mesmo partido dele, quando deu segundo turno.

E assim que as pesquisas começaram a mostrar uma diferença crescente, novamente parte da tucanada bateu asas e foi lamber as alpargatas do Lula. Ontem, em vários locais de Santa Catarina era possível ver bandeiras do 15, do 11, do 13, mas raríssimas do 45. Como disse meu amigo Adelor Lessa, o Alckmin dos últimos dias “é o próprio maior abandonado”.

Só enfrentar o Lula já seria uma tarefa gigantesca. Mas o Alckmin teve ainda que lutar contra vários “aliados” de peso, contra as pesquisas, contra a desorganização da sua campanha, contra as “ajudas” de FHC... enfim, uma luta e tanto. Vamos ver o que dizem as urnas. Qualquer que seja o resultado, o Alckmin sai dessa eleição em melhor posição que o PSDB. Ô raça!

TUCANOS EM CAMPANHA
Por falar em PSDB, assim que terminar a contagem dos votos, ou assim que se souber quem será o presidente, Serra e Aécio vão começar suas campanhas para 2010. Há quem diga que primeiro um tentará controlar o partido e escantear o outro. E, a seguir, o escanteado (ou o que não conseguir a hegemonia tucana) pode mudar de partido ou até criar um novo partido de “centro-esquerda”. Então tá.

VILÃO ECOLÓGICO
A famosa Procuradora da República Analúcia Hartmann deu uma entrevista para uma dupla de militantes ecológicos da Reserva Particular de Proteção Natural Rio das Lontras. E a certa altura perguntam o seguinte:

Quem são os maiores vilões do meio ambiente em Santa Catarina?
Analúcia Hartmann: “Santa Catarina tem um grave problema em seu órgão de proteção ambiental, a FATMA, que não tem estrutura e está contaminada pela pressão política e por práticas irregulares. Os poucos bons funcionários que lá estão não encontram espaço ou estímulo para atuação.

Além disso, parte da elite econômica e política do Estado têm demonstrado miopia em relação aos problemas ambientais que se agravam. O imediatismo dos interesses que são priorizados e as concepções equivocadas sobre desenvolvimento – sem qualidade e sem suporte – são os grandes obstáculos para uma política ambiental estadual sustentável.

A FATMA funciona mal, a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental não recebe o contingente e as verbas necessárias, não existe verdadeira educação ambiental, não se prioriza saneamento e a secretaria dita de desenvolvimento sustentável não produz resultados consistentes. Não há, portanto, planejamento para um desenvolvimento ecologicamente viável e socialmente justo.”
DES MATA ATLÂNTICA
O Lula, anteontem, fez uma festa com a redução, em 30%, do desmatamento da Amazônia. Pois aqui, a coisa não anda bem. O LHS ganhou o prêmio “Motosserra 2006” da rede de ONGs da Mata Atlântica por vários motivos. Do aumento do desmatamento (fomos os “campeões” da destruição, com aumento de 8%) passando pela sua oposição à Lei que instituiu reservas e parques de conservação do meio-ambiente e a transferência, para a SC Parcerias, do Parque do Rio Vermelho.

LINGUAGEM DE SINAIS
Durante a campanha eleitoral a gente viu, nos cantinhos das telas, escondidinhas, exageradamente minúsculas, mocinhas fazendo uns sinais. Aquilo ali era a Linguagem Brasileira dos Sinais (Libras), que permitiu aos surdos saberem o que tanto esses políticos falam.

Pois ontem aconteceu, na UFSC, a aula inaugural do primeiro curso de licenciatura em Letras com habilitação em Libras da América Latina. O objetivo é formar professores que possam ensinar a tal língua de sinais.

Para maiores informações acesse www.libras.ufsc.br ou procure o Curso de Letras da UFSC.

GIGANTE MAL EDUCADO
Um relatório da Unesco (que é o organismo das Nações Unidas que cuida de educação, ciência e cultura no mundo) avaliou 125 países para ver como anda o programa Educação Para Todos, que foi um compromisso assinado pelos países em 2000.

São seis metas de educação que devem ser atingidas até 2015. Alguns países (47) já atingiram as metas. Por enquanto, o Brasil está num grupo intermediário, que tem alguns avanços, mas continua atrás do México, da Argentina, da Venezuela, da Indonésia, do Panamá e até do Paraguai: estamos em 72° lugar. E um dos problemas principais é o baixo investimento numa rede de educação pré-escolar.

Mas os brasileiros, como mostrou a votação ridícula do Cristóvam Buarque, não estão muito preocupados com isso.

BOM FINAL DE SEMANA
Segunda, quando vocês voltarem a honrar-me com a sua leitura, o País terá um novo presidente (ou o mesmo, de novo) e o estado um novo governador (ou o mesmo, outra vez). Mais importante do que a eleição deste ou daquele, é o fato de podermos, de tempos em tempos, eleger, votar. E que as instituições democráticas funcionem. Quem viveu as trevas da ditadura sabe o valor que isso tem. Bom voto a todos.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

SEXTA


AOS AMIGOS, TUDO

O Luiz Henrique é um bom amigo. Que o diga o acordeonista, maestro e empresário José Antônio Barcellos de Mello. Além de participar de viagens internacionais com o LHS, tem merecido patrocínio do governo para algumas de suas iniciativas.

No Diário Oficial do Estado de 3 de outubro (que, como está virando praxe, circulou agora, há poucos dias, com grande atraso), na página 2, está publicada a Portaria 192, de 25/9/2006 que comunica que em 20/12/2005 o Sr. José Antônio Barcellos de Mello foi agraciado com a módica quantia de R$ 100 mil, referente ao Projeto do Funcultural 808/059. O projeto menciona o 4° Concordeon, um evento anual que reúne acordeonistas em Joinville.

Entre as várias atividades do amigo Mello, está a montagem da Phantom Band, criada para acompanhar o espetáculo em que Jeff Keller, um cantor norte-americano que atuou no musical O Fantasma da Ópera, se apresentava com Márcia Mell, filha do LHS.

O valor destinado à Concordeon foi pequeno, se comparado ao que Vera Fischer ganhou (R$ 500 mil) ou mesmo o que chegou a ser pensado para o novo show da Márcia Mell (R$ 830 mil, cancelados à última hora porque alguém, no governo, teve um ataque de bom senso), ambos do programa Funcultural (um desses fundos criados para que as empresas usem o dinheiro dos impostos para financiar projetos privados).

Mas ninguém pode dizer que o LHS não prestigia os amigos. Apesar de se apresentar como “músico amador, fui profissional na década de 60”, o maestro Mello já participou três vezes da abertura do Festival de Dança de Joinville, tocou na posse de Luiz Henrique em janeiro de 2003 e tocou para Lula no aniversário do Bolshoi. Até em Moscou, ele já tocou, acompanhando uma cantora russa que canta músicas brasileiras.

A AGENDA ESQUECIDA
Talvez eu devesse deixar para falar nestes assuntos segunda-feira. Mas tenho a impressão que estes comentários não farão a menor diferença e ninguém deixará de votar em LHS por causa disso. Ao contrário.

Não sei se vocês lembram, a filha do governador, que sonha ser cantora, Márcia Mell, fez uma tournée por várias cidades do País. Acompanhada daquele cantor do Fantasma da Ópera e da banda do amigo Mello, o show teve uma estrutura de super-produção.

Uma vez recebi um e-mail malcriado de uma pessoa do “staff” do show, porque tinha me referido, aqui na coluna, à divulgação que uma SDR estava fazendo do espetáculo.

Tive, desde o início, uma grande curiosidade relativa a esse show: coincidência ou não, o governador LHS quase sempre estava, em missão oficial, na cidade onde Márcia Mell se apresentaria, exatamente no dia da apresentação. Ele foi visto, na primeira fila, na maioria das apresentações.

A oposição chegou a ensaiar uma reação, mas acho que alguém ficou com preguiça de pesquisar: seria necessário, para fazer alguma poeira, cruzar os dados das viagens oficiais do governador com a agenda dos shows. Juiz de Fora, Goiânia, São Paulo e por aí afora. Nada contra o governador ser um pai amoroso e extremoso. O problema é fazer isso com nosso dinheiro.

EMPRESÁRIO FALADOR
Fui dar uma olhada na tal matéria do Estadão à qual o presidente Lula se referiu, dizendo que “um empresário catarinense irresponsável” seria o causador do embargo russo.

Escrita pelo meu ex-colega de Gazeta Mercantil, Jamil Chade, a matéria não cita nomes. E relata um caso escabroso, onde, de fato, parece que tem russo achacando o exportador catarinense. O presidente de vocês falou no caso como se os corruptos russos pudessem agir sem serem incomodados.

Deveria ser o primeiro a ficar indignado com a baixaria, mas aceitou com naturalidade a retaliação do governo que, segundo ele mesmo deu a entender, é conivente com a corrupção.

Mas, como o assunto não foi levantado para esclarecer, apenas para marcar a posição de Lula na disputa estadual, logo apareceu o nome do tal “empresário irresponsável” e mais: a informação, perfeitamente inútil para efeitos práticos, mas completamente útil para uso eleitoral, que ele participou de uma comitiva oficial do governo do estado à Rússia.

Tanta gente participou dessas comitivas (até o maestro Mello já foi), que pretender ligar o governo ao boquirroto só por causa disso chega a parecer brincadeira.

Claro que o LHS não fará isso (não antes da eleição), mas eu, no lugar dele, discutiria melhor o assunto. Por que só países de primeiro mundo podem condenar a corrupção e denunciar propinas no comércio internacional? Se tem que molhar a mão de corruptos (e já aqui em Itajaí, onde eles têm um escritório) para exportar para a Rússia, o governo estadual, federal e os organismos internacionais de comércio deveriam denunciar e tomar uma posição. Sem ficar com medo que chamem de “irresponsável” quem é contra a corrupção.

O tal empresário, por falar nisso, não parecia indignado com a cobrança de propina. Estava mais ou menos satisfeito de ter encontrado um “jeitinho” de driblar o embargo. O que é tão indigno quanto fazer de conta que a gente não liga pra pagar propina.

SAMBA NO PÉ
O Tribunal de Contas do Estado vai mostrar para a turma das Escolas de Samba da capital como fazer para prestar contas direitinho da grana que vão receber do estado, do município e de outros órgãos públicos. Não é só pegar o dinheiro e sair gastando.

DE OLHO NAS IMOBILIÁRIAS
O Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, publicou quarta-feira uma resolução que determina um controle mais rigoroso sobre as atividades das imobiliárias. Todas as compras e vendas acima de R$ 100 mil terão que ficar registradas, com cadastro atualizado.

Com isso, o governo espera cercar um pouco mais os lavadores de dinheiro e aqueles que querem fugir do fisco.

Aqui em Florianópolis mesmo tem algumas operações imobiliárias, de venda de terrenos e apartamentos, por preços tão absurdos, tão fora da realidade, que merecem um exame cuidadoso.

MAX FICA DE FORA
O TRE acatou, na sessão de quarta-feira, o pedido do ex-secretário da Fazenda, Max Bornholdt, para que o Amin pare de citar seu nome na propaganda eleitoral. O tribunal deu razão a Max, que achou demais ser vinculado aos crimes do Aldinho sem que nada sobre isso tivesse sido provado. Como a campanha já termina hoje, o Max fica de fora por pouco tempo.

SONTAG X GODINHO
Quando uma disputa, num partido com “Socialista” no nome, tem, de um lado o ínclito Godinho e do outro o álgido Sontag, a gente tem que manter uma distância segura e ficar quieto.

Godinho é aquele que teve uma gestão ruinosa e surrealista na Secretaria do Desenvolvimento Social. E o Sontag foi aquele que enviou por escrito a lista de cargos que gostaria de ter para declarar apoio no segundo turno. Um dia, quando encontrar o baixinho invocado Roberto Amaral (o ex-ministro, vice-presidente do PSB, não o presidente do SCC), vou perguntar a ele por que o diretório nacional não interveio no diretório estadual.

“FOI TU. NÃO, FOI TU”
O Amin disse no horário eleitoral que o LHS e o Dr. Moreira vetaram o projeto do Paulo Eccel que acabava com a assinatura básica de telefones. Mas em 2001 o Amin vetou um projeto semelhante. E em 2002 provocou uma liminar do STF para manter o veto, por se tratar de “assunto privativo da União”.

Razão tinha Richard Nixon lá pelos idos da década de 60, quando disse uma das frases definitivas da humanidade: “A memória do povo é fraca e seu coração, complacente”. A gente, de fato, esquece muito rápido.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

QUINTA

QUANTO RISO...
Ontem, mais ou menos no mesmo horário, uma turma se reuniu nos altos da Felipe Schmidt e a outra no início da mesma rua. Luiz Henrique estava feliz e contente porque vai ganhar a eleição e está cheio de amigos. Não sei se disse exatamente isso, mas deu a entender que vai ganhar a eleição porque está cheio de amigos, novos e antigos.

Esperidião Amin estava feliz e contente porque vai ganhar a eleição e está cheio de amigos. Não sei se disse exatamente isso, mas deu a entender que vai ganhar a eleição porque está cheio de amigos, novos e antigos.

As fotos acima são bem interessantes, primeiro porque mostram que estão todos bem alegres, o que é bom. O sorriso é sempre alguma coisa importante, civilizada e melhor que as caras fechadas e brabas. E depois porque mostram a troca de posições. No segundo turno de 2002 vocês lembram, era LHS e Fritsch de um lado e Bornhausen e Amin do outro.

EU E O MURO
Teve leitor que não entendeu, teve quem não achou graça e teve quem me xingasse, por causa das duas notas que publiquei ontem, uma sobre Amin e outra sobre LHS. Usei, de propósito, os mesmos dois parágrafos para encerrar as duas notas, porque acho que, naqueles aspectos, os dois candidatos são iguais e por isso não seria necessário escrever a mesma coisa de duas formas.

E, principalmente, não critiquei nenhum dos dois. Não dei pistas da minha eventual preferência. Pela simples razão que não desejo sair de cima do muro. Mas não estou aqui pelos motivos que vocês podem imaginar, para agradar aos dois ou para não desagradá-los. Estou aqui porque essa tarefa, de escolher, é de vocês, dos eleitores.

Ao comentarista, ao crítico, que durante todo o tempo fala o que pensa e acha, nestas horas finais cabe apenas esperar que o povo se manifeste. Não é minha tarefa fazer campanha ou participar da campanha. Mas é minha tarefa manter-me em condições de, qualquer que seja o eleito, poder criticá-lo sem dificuldade ou constrangimento.

Acho, sinceramente, que tanto Amin quanto LHS têm qualidades. E defeitos. E que tanto na turma de puxa-sacos de um quanto de outro tem gente de quem eu não compraria um carro usado. Ou venderia. E a quem não confiaria a guarda nem de lugar na fila do INSS. Pra mim, portanto, rigorosamente tanto faz quem vocês escolherem. Continuarei onde sempre estive, fazendo o que sempre fiz aqui na coluna.

EMPRESÁRIO FALADOR
O presidente da república (ou teria sido o candidato Lula?) deu ontem, numa entrevista à RBS, uma informação que, para mim, era nova: a Rússia parou de comprar carne de Santa Catarina, segundo Lula,
“porque o irresponsável de um empresário de Santa Catarina quis aparecer e fez uma manchete publicada no jornal Estado de São Paulo dizendo que não tinha problemas em exportar para a Rússia porque subornava funcionários do governo russo”.
Lá, como cá, só encrespa quando a coisa sai no jornal.

A OKTOBERFEST SECRETA
O jornalista Carlos Tonet publicou, no site de notícias de economia Noticenter (www.noticenter.com.br), “a história secreta da Oktoberfest”, que ele qualifica como “um sucesso de marketing que sobreviveua pressões e tragédias”. Ele foi buscar os detalhes esquecidos da história com um personagem igualmente esquecido, mas que foi fundamental na criação da festa: o ex-prefeito Dalto dos Reis.

Na entrevista, além dos detalhes pouco conhecidos ou ainda não divulgados da história da festa, informações inéditas como o número de mortes na enchente de 1983. E o dilema sobre a realização ou não da festa, depois da tragédia.

O NORTE DOS CORONÉIS
Depois que passar as eleições seria bom que os cidadãos de bem deste País dessem uma olhada cuidadosa no que aconteceu e continua acontecendo no Amapá, no Pará e no Maranhão, onde José Sarney e Jader Barbalho resolveram mostrar, sem pudor, que continuam sendo os manda-chuvas do pedaço. Uma pouca vergonha.

HAJA DINHEIRO
Lula pediu e o TSE autorizou o aumento da previsão de gastos da sua campanha, de R$ 89 milhões para R$ 115 milhões. Alckmin também pediu ao TSE para aumentar sua previsão, de R$ 85 milhões para R$ 95 milhões e o Tribunal negou, mas depois liberou.

A questão principal nem é o fato de um candidato poder mexer na previsão de gastos já quase no final da campanha. É, como contabilizou uma reportagem da BBC Brasil, o volume da grana que se gasta na campanha:
“Na Grã-Bretanha, onde Tony Blair foi reconduzido ao cargo de primeiro-ministro no ano passado, o partido Trabalhista e o Conservador gastaram, cada um, R$ 72 milhões (ou 17,9 milhões de libras esterlinas) nas suas campanhas. A população da Grã-Bretanha é de 59 milhões de pessoas, menos de um terço da população brasileira, mas a economia britânica é cerca de três vezes e meia maior que a brasileira. O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schröder, que perdeu a chance de se reeleger no ano passado, gastou cerca de R$ 70 milhões (ou 25 milhões de euros). A conservadora Angela Merkel venceu a eleição, mesmo gastando menos – R$ 64 milhões (23 milhões de euros). A população da Alemanha é menor do que metade da brasileira; mas o PIB, quatro vezes maior”.
ENTÃO TÁ...
Ontem o Ministro da Justiça saiu-se com uma pérola, mais uma, daquelas de fazer a gente ter vontade de ganhar na mega-sena para ir morar bem longe daqui. Disse o douto jurista que não foi o PT que tentou comprar o dossiê contra Serra. “Claro que não foi. É evidente que não foi o PT. Foram pessoas que montaram um grupo de inteligência entre aspas e que fizeram isso (a negociação). É isto que está nos autos (inquérito)”, disse o ministro a jornalistas.

O fato dessas “pessoas” serem petistas, filiadas ao PT, ocuparem funções de destaque no comitê de campanha do Presidente da República, não tem a menor importância. O “idealizador” da negociação era velho amigo de Lula, seu churrasqueiro preferido? “Nada a ver, são só uns aloprados”. Então tá.

[Não custa lembrar que é só clicar sobre as fotos para se abrir uma ampliação]

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

QUARTA

O QUE EU SEI DO AMIN
Num ano qualquer da década de 70, eu era repórter do jornal O Estado e depois de um temporal que inundou vários pontos da cidade fui, de capa e botas, acompanhar uma vistoria que o prefeito de então faria aos locais mais atingidos. Era um barbudinho a quem os políticos chamavam de “técnico”. A ditadura tinha essa mania: político não era boa coisa e aí, quando queriam elogiar alguém, diziam que era “um técnico”. O governador Colombo Salles era “um técnico”. O jovem prefeito Esperidião Amin também.

Com o passar dos anos, o técnico foi tomando gosto pela política e acabou sumindo da vista do eleitor. A ninguém mais ocorre dizer que o bem falante Amin não tenha sido, sempre, um político. Com tudo de bom e de ruim que isso possa sugerir.

Engraçado que esse político, a quem todos, mesmo os adversários, reconhecem que exerce com maestria a fundamental arte de cativar o interlocutor, tenha conseguido, nos últimos anos, uma reputação de companheiro difícil de conviver. Que o digam os pefelistas, com quem Amin tem um longo histórico de tapas e beijos.

Inteligente, de raciocínio rápido, culto, interessado por muitos assuntos, Amin é tomado por muitos como um sujeito pedante. Daqueles que sabe tudo, que tem solução pra tudo.

O partido político onde iniciou sua vida pública já passou por várias metamorfoses. E hoje é um partido que, na sua versão nacional, não enche de orgulho seus filiados. Muitos de seus companheiros já mudaram, foram e voltaram. Mas ele continua ali. Sem virar a casaca. O que, num mundo de infidelidades, talvez seja uma boa qualidade.

O QUE EU SEI DO LHS
Meus colegas jornalistas que trabalhavam em Brasília sempre falavam muito bem de um deputado federal catarinense a quem eu conhecia pouco.

Em 2003 fui convidado para ser assessor de imprensa de uma das secretarias do governo Luiz Henrique. E, por força do cargo, acabei conhecendo-o pessoalmente e pude acompanhar, durante dois anos e meio, a forma como conduziu seu governo.

A impressão que tive é que LHS tinha, a assombrá-lo, dois fantasmas. Um, interno, intestino, era formado pelas várias sombras deixadas pelo governo anterior do PMDB. Para combatê-las era preciso, por exemplo, espantar o temor do atraso dos salários. E a manutenção, a uma distância segura, da equipe de Paulo Afonso não foi uma simples coincidência.

O outro fantasma era, e é, Esperidião Amin e seu séquito de admiradores na estrutura do funcionalismo estadual. Isto adiciona outros níveis de acompanhamento das ações de governo, como uma espécie de auditoria interna permanente que, embora informal, parece ser tão rigorosa e atenta quanto, por exemplo, o Tribunal de Contas.

Inteligente, de raciocínio rápido, culto, interessado por muitos assuntos, LHS é tomado por muitos como um sujeito pedante. Daqueles que sabe tudo, que tem solução pra tudo.

O partido político onde iniciou sua vida pública já passou por várias metamorfoses. E hoje é um partido que, na sua versão nacional, não enche de orgulho seus filiados. Muitos de seus companheiros já mudaram, foram e voltaram. Mas ele continua ali. Sem virar a casaca. O que, num mundo de infidelidades, talvez seja uma boa qualidade.

FICA FRIO
Assim que estourou o escândalo do dossiê, fomos lembrados, pelo noticiário, que funcionava, no comitê de campanha do Lula, uma “divisão de inteligência”, cujo chefe era o catarinense Jorge Lorenzetti. Ironias à parte, “divisão de inteligência” é como normalmente são chamadas aquelas equipes encarregadas do serviço sujo, de descobrir os pontos fracos dos adversários e se antecipar aos ataques. Dependendo de como a campanha caminha, a gente quase nem nota a atuação desse pessoal. Quando fica mais acirrada, eles são mais exigidos.

Aqui em Santa Catarina, especialmente nesta semana, os serviços de... vá lá, “inteligência” dos comitês de campanha estão a toda.

Descobrem coisas para o horário político, distribuem denúncias por e-mail, anonimamente, e tentam plantar, nas colunas, informações que possam comprometer o adversário. Cuidam, enfim, de produzir e distribuir uma abundante lama eleitoral.

Naturalmente, os comitês afirmam desconhecer a ação desses grupos, negam ter alguma coisa a ver com isso e atribuem a militantes mais exaltados as iniciativas. Exatamente como aconteceu com o a turma do dossiê: quando são pegos com a boca na botija, os membros dessa “divisão de inteligência” têm que amargar sozinhos. O candidato os jogará aos leões, afirmando nada saber do que eles faziam.

Por isso tudo é importante que a gente, que não é filiado a partido, não faz parte de torcida organizada e nem precisa defender emprego público, não se deixe levar pelos ânimos exaltados destes últimos dias. Primeiro, porque é só uma eleição, não é uma guerra. E eleição tem a cada dois anos. E depois porque, se vocês prestarem atenção, verão que os adversários de hoje poderão ser os aliados de amanhã, assim como adversários de ontem estão abraçadinhos hoje. A política, lembrem-se, é como uma nuvem. A cada momento que a gente olha, ela tem uma forma diferente.

O PT DE NOVO...
Novamente, a eleição em Santa Catarina terá uma participação fundamental do PT. Como da outra vez, o partido trabalha para eleger um aliado de ocasião. Imagina-se que as pesquisas ainda não tenham medido o que esse empurrão do PT pode representar para Amin. Que, se for eleito, ficará devendo muito ao PT. Exatamente como o LHS, em 2002.

O Arcebispo D. Murilo Noel Krieger deu um presentinho para o Dr. Moreira, na visita que fizeram às obras da Catedral.