Sábado, 30 de Setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

AGORA VAI?
Bom, depois do debate da Globo estamos todos prontos para votar, certo? Claro que não. Primeiro porque esses “debates”, como já disse aqui, são diálogos de surdos.

Não tem como você fazer uma pergunta que valha a pena, se pretende, ao mesmo tempo em que pergunta, defender uma tese. Por isso é que existem jornalistas que, teoricamente, não são candidatos, não são militantes de nenhuma causa e podem perguntar sobre questões que de fato estejam preocupando a população.

Mas preferiram aposentar os jornalistas e deixar os candidatos exercendo dupla função e deu no que deu.

De qualquer forma, como eram poucos, a gente pode avaliar um pouco mais o jeitão de cada um e daquela uma. E a ausência do Lula, como sempre, preencheu uma lacuna.

O presidente que entrará para a história como avesso a entrevistas, avesso a debates de qualquer tipo, gosta de dizer que antes de ser eleito, debateu anos a fio e conversou com milhares de jornalistas. O que é verdade. Mas como presidente fechou-se em copas, falando pelos cotovelos, em monólogos improvisados, só sobre o que tinha vontade de falar.

De qualquer maneira, o tempo acabou. Temos que tomar decisões. Pegar este quadrinho aí da direita e ir preenchendo com os números. Que é outra coisa irritante: não se vota em pessoas, muito menos em partidos. Só em números. Tanto que o 123 pode levar vantagem sobre o 456 porque está na filinha de cima do teclado.

TÁ SOBRANDO DINHEIRO
Muito simbólica a ação da justiça norte-americana contra 34 doleiros brasileiros, acusados de “exportar” US$ 19 bilhões de dólares do Brasil para os Estados Unidos.

Normalmente a gente acha que o dinheiro vem de lá pra cá. Que nada, como o dinheiro parece que anda sobrando por aqui, estão levando para fora. Ou seria lavando para fora?

Só um dos ex-namorados da Cicarelli (essa moça só namora riquinhos, né?), um tal de Laniado, que está preso no Paraná, mandou US$ 1,1 bilhão para Nova Iorque.

Ah, claro, lá descobriram de onde veio o dinheiro, de quem era, pra que seria usado. Já aqui...

NÚMEROS...

Sem muito alarde, porque a eleição ainda não passou, o Banco Central anunciou a redução da previsão de crescimento do PIB, de 4% para 3,5%. O mercado acha que cresceremos no máxmo 3%. Mas decerto depois das eleições eles revisam novamente a previsão pra baixo.

E por falar nisso, depois das eleições, como normalmente ocorre, tudo o que estava represado passará a desabar sobre nossas cabeças. De aumento do gás boliviano a reajustes de todo tipo.

PM AGRIDE PETISTAS
O pessoal do PT de Criciúma está apavorado: ontem à tarde, a Polícia Militar dispersou um grupo de militantes que panfletava na rua, atirando balas de borracha. Vários ficaram feridos. O PT acha que a ação foi proposital, para “calar a oposição”.

AS FOTOS DO DINHEIRO
Alguém surrupiou de dentro da Polícia Federal um cedê com as fotos da dinheirama com que os petistas aloprados do núcleo de inteligência da campanha de Lula, aliados aos petistas trapalhões do núcleo de espertezas da campanha de Mercadante, pretendiam comprar umas quinquilharias do bandido Vedoin. As fotos foram feitas na quinta-feira, durante uma perícia no Banco Central e ontem alguém, provavelmente da própria polícia, mandou para O Estado de S. Paulo.

Os lulistas ficaram com os cabelos em pé. Foram à Justiça pedir para proibir a publicação das fotos (que estavam ontem em todos os sites de notícias da Internet). Mas o ministro José Delgado, do Tribunal Superior Eleitoral, negou o pedido.

O desespero reforça as suspeitas anteriores, de que a não divulgação das fotos do dinheiro apreendido teria obedecido a ordens superiores. Mostrar o que foi apreendido é quase uma rotina nas operações da Polícia Federal. Mas, segundo o Ministro da Justiça, justificando a decisão de não mostrar a dinheirama, “os tempos são outros”. Ontem ele continuava a jurar que não partiu dele a ordem para não divulgar, embora tenha achado boa a decisão.

Até que um anônimo indignado resolveu fazer justiça com as próprias mãos, colocando as fotos no ventilador. Agora dá pra gente ver como é que é a cara do monte de dinheiro do PT.

AS CONTINHAS DO PFL
O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, mostrou no seu blog um estudo que o PFL preparou: “Trata-se de uma projeção sobre quantos eleitores votarão no domingo, tomando por base os votos nulos, os brancos e a abstenção registrada em 2002”. Ou seja, só os votos válidos, que de fato são considerados para o cálculo que vai definir se haverá segundo turno. Taí a tabelinha que resume o estudo:
Em tese, votarão para presidente cerca de 92,7 milhões de eleitores. As colunas de votos para Lula e a oposição são projeções de votos com base na pesquisa Datafolha de ontem. Como se sabe, Lula tem mais apoios no Nordeste. Mas nessa região é alta a taxa de abstenção. Já Alckmin tem mais apoios no Sul, onde a abstenção é menor. Daí o placar: Lula 51,8% X 48,2% oposição (votos válidos).

A rigor, isto ainda significa segundo turno, mas é uma diferença muito pequena, que deve estar tirando o sono tanto de um quanto do outro lado.

Naturalmente, os lulistas do nordeste vão fazer o possível e o impossível para levar os eleitores às urnas. E São Pedro deve ser muito solicitado. Uns vão querer temporais, vendavais e muita chuva no nordeste, outros, no sul. As abstenções, portanto, vão merecer grande atenção.

Sexta-feira, 29 de Setembro de 2006

SEXTA

[De novo, não consegui atualizar a tempo. Perdão, leitores.
Mas, como dizia o velho deitado, antes tarde do que nunca.]


SANTA CATARINA É O MÁXIMO II
Só pra continuar a série iniciada ontem. Esta simpática porta com letreiro de boas vindas fica em Pomerode. Infelizmente não fotografei o lanchinho que fiz ontem, com algumas comidinhas típicas e chopinhos ainda mais típicos, mas vocês, que não nasceram ontem e que também conhecem este nosso estado, podem imaginar.

QUEM TEM, TEM MEDO
Durou poucas horas o arroubo de coragem do candidato-presidente, que resolveu ir ao debate, mas na última hora amarelou. Deve ter pesado a avaliação que o estrago de um mau desempenho poderia ser maior que o estrago da ausência. Os indecisos que talvez se decidam por um dos candidatos presentes são com certeza bem menos numerosos que aqueles eleitores de Lula com alguma coisa na cachola que poderiam desistir de votar nele ao vê-lo desabar em público.

Como escrevi isto antes do debate iniciar, não tenho como fazer qualquer avaliação, apenas quis registrar o fato e lamentar que a ausência de Lula, como aconteceu com os escândalos que envolveram seus auxiliares mais próximos, não cause o efeito que parcela da população gostaria.

E já que estamos falando no Luliña fujón, ouvi o último programa de rádio dele na propaganda obrigatória e achei muita graça quando ele disse que faria um novo governo melhor porque “tenho equipe”. Que equipe, companheiro? Sobrou alguém depois de tantos afastamentos?

GREVE DOS BANCÁRIOS
Os bancos e seus lucros estratosféricos estão morrendo de medo da greve dos bancários. Os banqueiros nem conseguem mais dormir de tanta preocupação. É capaz até de nem abrirem champanhe para comemorar a vitória do grande companheiro Lula, a quem devem tanto.

Já os pobres dos contribuintes que têm que ir ao banco pagar contas e deixar dinheiro para os banqueiros, são, como sempre, os principais prejudicados com esses “movimentos”.

Ninguém em sã consciência acha decentes os lucros dos bancos ou justa a remuneração dos funcionários. Mas há conrovérsias sobre a eficácia dessas paralisações que fecham agências. Quantos clientes realmente ricos, daqueles que fazem os olhos dos banqueiros brilharem, freqüentam as agências como os mortais comuns? Quantos dos grandes negócios deixam de ser feitos porque tem um piquete na frente da agência?

Sofre só o assalariado, o cliente comum, o endividado, aquele que já está sendo esfolado pelo banco e agora passa a ser esfolado também pelos bancários “em luta”.

Na Palhoça os servidores municipais também ensaiam uma greve. O Rei Nério, prefeito e príncipe do PMDB, merece, segundo os grevistas, uma lição. Mas desconfio que a esta altura, envolvido até o pescoço na campanha, ele esteja pouco ligando.

O HOMEM DA MALA
Pois não é que o coordenador da campanha do Mercadante (candidato do PT ao governo de SP) foi filmado carregando a mala de dinheiro que depois a PF apreendeu com outros petistas? A informação faz parte da dose diária que a Polícia Federal tem fornecido aos brasileiros. Povo assustadiço e impressionável, os brasileiros não podem receber toda a informação de uma vez só, completa.

Cada dia tem uma coisinha nova. daqui a um ano ou dois, saberemos afinal a história toda. Tal e qual numa novela ou num seriado daqueles antigos, a gente sempre fica com a impressão de estar sendo enrolado, de estarem enchendo lingüiça.

Ontem, o Banco Central informou que a Polícia Federal ainda não perguntou nada sobre o dinheiro usado para comprar o dossiê. O que só comprova a suspeita que as “investigações” estão andando muito devagar. Se até hoje não perguntaram nada para o Banco Central, então é porque já sabem de tudo. Ou porque não têm pressa em saber.

De qualquer forma, Jorge Lorenzetti pediu pra sair do BESC (ninguém pensou em demiti-lo?) e o Conselho de Administração, prontamente, deixou que ele saísse. Desempregado, Lorenzetti espera que os amigos o convidem para assar churrascos em reuniões e aniversários.

O ESTADO DA JOGATINA
Eu continuo me espantando com coisas que, ao que parece, são completamente previsíveis. O estado de Santa Catarina está profundamente engajado na insana tarefa de contrariar a legislação federal e arranjar um jeito de legalizar o jogo.

A Procuradoria Geral do Estado chegou a sugerir que a reabertura dos bingos e a autorização das máquinas caça-níqueis se desse por Medida Provisória. O Ministério Público Federal ficou de cabelos em pé quando soube dessa “idéia”.

Não sei não, mas acho que é caso de chamar, com urgência, o VDM. Porque é claro que esse troço vai dar merda. O procurador da República André Stefani Bertuol considera a sugestão da procuradoria “totalmente incabível e juridicamente nula”.

Que os donos de bingo e os chefes das organizações que controlam o jogo tenham ficado injuriados com a decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a lei estadual que autorizava a atividade, a gente compreende. Mas o governo de Santa Catarina se arrisca a ser responsabilizado e denunciado, numa batalha jurídica que certamente terá repercussão nacional, porque se trata de peitar uma decisão do STF.

Será que o risco vale a pena? Ou melhor: será que os beneficiados saberão recompensar tanto esforço?


[Clique para ampliar a foto]

Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006

QUINTA

SANTA CATARINA É O MÁXIMO
Sou um fã da diversidade e da beleza deste nosso estado. Qualquer pequena viagem, mesmo a trabalho, pode se transformar num interessantíssimo passeio por lugares cheios de graça. Vejam só, na terça fui a Itajaí e, da sacada do hotel Marambaia Cabeçudas, vi a barra do Itajaí Açu no entardecer (foto acima à esquerda). Ontem, peguei a estrada em direção a Campos Novos, no planalto (foto à direita, no alto). Na estrada, caminhões carregados de porquinhos enjaulados (coisa triste de se ver assim, mas, depois de transformados em bacon, costelinhas e lombinhos, a coisa muda um pouco) e os trigais verdejantes e fotogênicos, balançando ao vento. (Já sabem, né? Se quiserem ver uma ampliação é só clicar na foto)

ECOS DO DEBATE
Em dias como hoje a gente se dá conta do principal problema dos jornais: falarei a seguir do debate de terça à noite enquanto vocês, que estão lendo estas linhas já estão discutindo ou preocupados com o outro debate, de hoje à noite. Infelizmente, é preciso ter tempo para imprimir e distribuir o jornal, o que nos obriga a concluir o trabalho mais cedo. Ponto para a TV e para a Internet, no quesito instantaneidade.

Mas em compensação ainda não inventaram nada melhor para embrulhar peixe, embalar copos de vidro e sujar as mãos. E ainda, enquanto faz uma dessas coisas, lê opiniões e informações sem precisar fazer download, sem dar boot, sem mouse, sem windows e sem gastar eletricidade nem pilha. Ponto para o jornal no quesito facilidade de acesso e múltiplas utilidades.

Mas, dizia eu, o debate de candidatos a governador que a RBS-TV transmitiu na terça à noite deixou-me preocupado: que fim levaram os jornalistas? Foram extintos? Por que essa modinha de candidato perguntar para candidato? Não seria melhor jornalistas perguntarem para candidatos e candidatos cumprirem seus papéis, respondendo, explicando e mostrando a que vieram?

Em boa parte do “debate” a gente parece que estava presenciando um diálogo de surdos. Na “pergunta” o sujeito dizia o que iria fazer, na “resposta” o outro fazia as suas promessas e na “réplica” o sujeito voltava a falar mais alguma coisa nada a ver.

Outra coisa que tem me incomodado cada vez mais (deve ser a idade): debate é discussão, é defesa, é ataque, é uma coisa quente, às vezes com a voz um pouco alterada, é um momento onde a inteligência, a rapidez de raciocínio, a argumentação podem empolgar os ouvintes e telespectadores, tal e qual um bom jogo de futebol. Ou de basquete.

Mas agora, cada vez que alguém ameaça colocar o dedo retórico em alguma ferida, lá vem aquela bobagem do “nível do debate”. Parece que todo mundo joga na retranca, sem criatividade e morre de medo de enfrentar o atacante adversário, porque lhe falta habilidade para evitar o drible e para defender a área. Aí inventa essa idiotice que nada mais é que impedir que alguém cruze a linha intermediária do gramado.

Pode debater, desde que fique longe da pequena área. E aí ficam inventando mil regras cujo único resultado é matar-nos de sono. Ainda mais que, como todo programa que tenha forte apelo sexual (o povo só se phode), é transmitido tarde da noite.

No “debate” de governadores vi dois momentos em que o jogo parecia que ia engrenar. Quando o Esperidião provocou mexendo a área sensível da cultura (onde, de fato, o governo esteve mal servido), LHS deu um chutão pro alto, falando das obras dos centros de eventos e o careca sem bigode matou no peito: “cultura é outra coisa”. Mas ficou por aí mesmo, porque a estrutura do “debate” não permitia que o lance continuasse.

Mais tarde, Esperidião e Fritsch tabelaram com o assunto da dinheirama do Aldinho (da Fazenda), mas o chute saiu fraco, sem perigo de gol.

CESAR FICOU DE FORA
A RBS, que segundo o LHS foi uma das boas coisas que vieram de fora (a outra é o Aldo Hey Neto), deixou o Cesar Alvarenga chupando dedo. A pretexto do partido dele não ter representação no Congresso, excluiu-o do “debate”. Foi pouco, tinha mais gente no debate cuja ausência preencheria uma lacuna. Sei que soa cruel, mas é verdade: não tem sentido gente que só aparece no cenário político em época de eleição, ficar ali testando nossa paciência.

A BRONCA DO CHEFE
Saul Brandalise Jr., dono da TV Barriga Verde e de várias rádios, enviou um e-mail furioso para seus funcionários, desautorizando e desancando um funcionário do grupo que mandou e-mail pedindo votos para os “candidatos da radiodifusão”: Luiz Henrique e Ivan Ranzolin.

Disse Saulzinho, a certa altura: “não admito que nossa empresa seja envolvida em predileções políticas e que isso possa vir a comprometer o nosso editorial jornalístico”.

Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

QUARTA

[Nota do editor: como talvez alguns tenham notado, esta coluna foi postada aqui com enorme atraso. Peço desculpas e como não tenho churrasqueiro para culpar sou obrigado a assumir que me atrapalhei e como estou em viagem acabei não conseguindo manter a periodicidade desejada.]

PRAZOS
Lula foi notificado segunda-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ele e os demais indiciados (Berzoini, Márcio Thomaz Bastos, Fróide e a dupla sertaneja Gedimar e Valdebran) têm cinco dias para apresentar sua defesa, que contam desde ontem. O que expira sábado. Daí são outros cinco dias para ouvir testemunhas e mais dois dias para as alegações das partes... pronto, passou a eleição.

Aí um juiz terá 48 dias para elaborar seu relatório. Pronto, passou a apuração. Se Lula for condenado, poderá ter sua candidatura cassada e tornar-se ilenegível por três anos.

Isto significa que, se tiver sido eleito, perderá o mandato. Não é pequena a crise que se aproxima. Não será pouca a pressão sobre o TSE, não serão fáceis os próximos meses...

Mesmo se Lula for absolvido junto com seu Ministro da Justiça, terá sofrido um desgaste que nenhum candidato vitorioso gostaria de enfrentar logo após a eleição. E tudo por culpa de, como diz o próprio Lula, “um bando de aloprados”.

TEFLON
Fritsch e o PP tentam fazer colar em LHS a dinheirama que a PF encontrou nas casas do Hey Neto. Dizem, com maior ou menor clareza, que era dinheiro de campanha, do caixa dois da campanha. Escrevo esta nota antes do debate final dos candidatos a governador e não sei se o assunto foi levantado, mas em todo caso, acho que LHS aplicou a mesma camada de teflon que Lula. Não gruda nada.

Mostrando que o assunto se nacionaliza, o jornalista Ricardo Noblat fez ontem uma provocação ao presidente do PFL: “Pois então, sejamos justos: se Bornhausen reclama da lentidão da Polícia Federal em descobrir a origem do R$ 1,7 milhão usados pelo PT para tentar comprar o dossiê contra José Serra, deveria fazer o mesmo no caso de gente ligada à campanha do PMDB-PFL-PSDB no Estado dele”.

O povo do DIARINHO aproveitou pra matar o serviço e tomar um vinhozinho

Da esquerda para a direita o presidente da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, Claudir Maciel, a bonitona pink Cristina Barrichelo, o colunista e o presidente da Câmara de Vereadores de Itajaí, João Vequi.

O colunista explica, para o Secretário de Comunicação de Itajaí, Felipe Damo e uma assessora, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

COLUNISTA EXIBIDO
Os antigos sábios já diziam: “elogio em boca própria é vitupério”. Imagino que “vitupério” seja uma coisa ruim. Portanto, não é legal ficar se auto-elogiando. Mas, enquanto uns e outros vivem sendo surpreendidos pelas molecagens dos amigos aloprados, eu vivo sendo surpreendido pelas gentilezas dos amigos de excelente qualidade que este jornal tem me permitido conseguir.

Ontem à noite tive, pela primeira vez desde que comecei a escrever no DIARINHO, oportunidade de participar de um evento em Itajaí, para o qual foram convidados leitores e itajaienses ilustres. Pude sentir, pessoalmente, o carinho que a cidade dedica ao seu jornal e, por extensão àqueles que aqui trabalham.

Deixo-os com o registro fotográfico da noite, assumindo, com licença do Valter Van e do Túlio Cordeiro, ares de coluna social. Ah, aproveito para deixar aqui os agradecimentos que fiz lá, à Prefeitura, que cedeu um belo espaço (sem se importar com as coisas que tenho dito sobre o partido do Prefeito), ao pessoal do DIARINHO e principalmente aos leitores e leitoras, que fazem deste o melhor jornal do sul do mundo.

Terça-feira, 26 de Setembro de 2006

TERÇA

POBRE FLORIANÓPOLIS
A foto acima não tem nenhuma razão especial para estar aí. Talvez, quem sabe, a inauguração dos novos jardins desse Palácio, hoje museu, que abrigou o governo do estado durante muitas décadas. Perto dele está uma catedral fechada, em interminável trabalho de recuperação, aparentemente esperando que o dinheiro caia do céu.

E em frente, uma praça que já foi melhor cuidada. Ao redor, uma cidade que parece triste, ainda que as ruas estejam sendo cobertas de asfalto.

Nesta foto a Igreja de São Francisco parece estar próxima do Palácio Rosado, mas é só ilusão. Está a algumas quadras, lá perto do mercado.

Uma cidade, principalmente uma cidade viva e rica em histórias como Florianópolis, não pode ser tratada com frieza, como se fosse um ser inanimado, cobiçada unicamente porque ali residem eleitores que podem ajudar em algum projeto político pessoal.

Florianópolis anda meio jururu. A alma da capital parece meio desanimada. Seus vereadores e seu prefeito parecem que não entendem que estão perdendo uma oportunidade histórica de portarem-se como estadistas. Preferem brincar de Banco Imobiliário. Apostam na memória fraca do contribuinte, no desinteresse do cidadão e acham que aqueles que amam a cidade estão cada vez menos influentes e mais velhos.

COLUNISTA INDELICADO
Não sei se vocês perceberam, mas esta coluna não pode ser classificada como “politicamente correta” por vários motivos. O primeiro deles é que não sei direito o que isso quer dizer. E o segundo é que a liberdade leva a algumas incorreções e indelicadezas. Quem pretende agradar a todo mundo e não se expressa com sinceridade, acaba desagradando a todos.

Assim, de vez em quando os leitores poderão deparar-se, aqui, com opiniões, frases ou vocábulos com maior ou menor poder ofensivo. Esta coluna não pretende açucarar a pílula e tal e qual político em véspera de eleição fazer de conta que agrada a todos.

Ontem publiquei um “lembrete” para o eleitor, com algumas orações criadas a partir de minha experiência católica. Alguns evangélicos, é claro, não gostaram da citação dos santos, cuja santidade eles não reconhecem. E reclamaram, como se aquelas jaculatórias católicas fossem ofensivas não pelo que dizem, mas pelo fato de estarem ali.

Também na coluna de ontem, para caracterizar a lentidão do governo em apontar a origem do dinheiro sujíssimo apreendido com petistas, classifiquei o Coaf de “tartaruga paraplégica”. Um amigo lembrou que o Bóris Casoy chegou a ser processado, a sério, por causa da mesma expressão. Alguém viu nela uma ofensa aos que não têm movimentos nas pernas.

Definitivamente, não se pode agradar a todos. Quem tenta fazer isso acaba ficando tão chato e sem sal que perde a graça e o interesse.

E muitas vezes aqueles que tomam excessivo cuidado com as palavras, procurando suavizar cosmeticamente seus significados, só fazem isso porque, no fundo de seus corações são intolerantes e preconceituosos. Coisa que, apesar da incorreção política do meu texto, procuro não ser.

PIZZA NO FORNO
Ontem alguém na Polícia Federal disse, com todas as letras, que só saberemos quem forneceu o dinheiro sujíssimo para as trapalhadas petistas, depois da eleição. Eu arriscaria dizer que isso poderá acontecer se a eleição se resolver no primeiro turno. Se for para segundo turno, periga só sair em novembro. Depois, é claro, da nova eleição.

Mesmo assim, o juiz Marcos Alves Tavares, da 3ª Vara Federal de Cuiabá, determinou ontem à Polícia Federal que remeta o quanto antes para o Tribunal Superior Eleitoral documentos e informações que tenha apurado até aqui a respeito do escândalo do dossiê que supostamente ligaria o ex-ministro da Saúde José Serra à Máfia dos Sanguessugas.

E segundo o jornal Valor, o dinheiro seria legal. Isso mesmo: a PF teria descoberto e está para anunciar as empresas que doaram dinheiro limpo para a campanha. Houve, depois, um desvio da finalidade. Essas empresas, se é que existem, deram o dinheiro só para “se aproximar do PT”. Pode?

É HOJE!
Às 19h (com um atraso regulamentar de alguns minutos), será aberta, no hall da Prefeitura de Itajaí, a exposição comemorativa de um ano da coluna De Olho na Capital. Será uma solenidade simples, com poucos discursos (o meu será basicamente de agradecimento a este bravo jornal, que resolveu pagar pra ver se uma coluna deste tipo teria sucesso). E até sexta o público poderá ver cerca de 40 paínéis coloridos, com algumas das notas da coluna, selecionadas para dar uma idéia do tipo de coisa que é publicada por aqui. Entrada grátis.

LINHA DE DEFESA
A cada novo escândalo fica mais clara a linha de defesa do PT e do governo: “não é que a gente não tenha feito, até pode ser, mas outros já fizeram antes da gente”. Ou então: “ah, isso aí todo mundo faz”.

Não tem coisa mais frustrante. Afinal, todos esperávamos poder publicar um desmentido indignado. Nos palanques, Lula mantém a lenga-lenga, quando fala que “podem fazer a denúncia que quiserem”. Como se as “denúncias” fossem apenas uma ficção de campanha. Uma invenção.

E mesmo alguns militantes lulistas mais entusiasmados (e cegos?) ficam insistindo que o mais importante é “saber o que diz o dossiê”, como se o fato de existir alguma acusação contra Serra ou Alckmin automaticamente absolvesse Lorenzetti, Berzoini e demais trapalhões dos crimes e irregularidades de que são suspeitos.

Aí, um dos trapalhões diz que o dossiê tem coisas que envolvem vários partidos, “inclusive o PT”. Sem pestanejar, o militante escolhe outra linha de defesa: “isso é mentira da mídia das elites, que não pode suportar o sucesso do homem do povo”.

ELITE? QUE ELITE?
Por mais que a gente procure definições de elite, não se consegue nenhuma onde os dirigentes do PT e ocupantes dos principais cargos da República não se enquadrem. Ao movimentar milhões, definir licitações, contratar e demitir, dirigir empresas públicas e privadas, fumar, beber e comer do bom e do melhor, esse pessoal (putz, quase que escrevo “essa raça”) se qualifica e se comporta como elite.

Seria mais honesto dizer que essa elite tem adversários, como toda elite dirigente. E que a oposição quer lhe tomar o lugar, como em todo regime democrático. Isso faz parte do jogo. Derrotar o adversário nas urnas porque ele se enredou em negócios mal explicados não é “melar a eleição”.

“Melar a eleição” é fazer com que o resultado de investigações incômodas só apareçam quando for conveniente para a elite dirigente. É esconder a mala de dinheiro para que o povo, tolo e iludido, não pense mal dessa elite, coitada, acuada e ameaçada de perder a boquinha.

ESSE DELÚBIO...
O Ministério Público descobriu, na investigação sobre a Máfia dos Vampiros (safadezas com o comércio de derivados no sangue no Ministério da Saúde) que parte do dinheiro “arrecadado” pelo esquema era entregue ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Pela participação em mais esta “ação entre amigos” o MPF o denunciou por corrupção ativa, licitação fraudulenta e formação de quadrilha. Lula ficou estarrecido com mais esta revelação.

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006

SEGUNDA

AS APARÊNCIAS ENGANAM
Será que a campanha do Lula chegou aos Estados Unidos e até o Michael Moore está dando uma forcinha? E tem até um filme: a imagem do cara de gorro é da capa de um DVD. Então o L pegou mesmo na terra de Tio Sam? Que nada, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Esse gesto do Lula, nos Estados Unidos, significa “loser”: perdedor, fracassado, azarado, que é o nome desse filme de 2000. Claro que caberia aos assessores e marqueteiros do candidato alertá-lo para o duplo sentido. Mas ele anda mesmo muito mal assessorado...

“ALEA JACTA EST”
A frase foi dita pelo meu antepassado, Júlio Cesar, ao atravessar o Rubicão, no ano 49 AC, e como vocês estão cansados de saber, é latim e significa “a sorte está lançada”. Não tem mais volta. Uma vez atravessado o riacho, que marcava os limites de Roma (depois da província da Itália) o confronto com os gauleses era inevitável.

É assim que devem estar se sentindo os candidatos, a poucos dias da eleição. Pouca coisa, ou quase nada, nesses dias que faltam, fará o eleitor mudar de opinião. Talvez nem todos tenham ainda definido seus candidatos a deputado, mas presidente, senador e governador já estão na cabeça de cada um. E as urnas, se funcionarem direito e se forem fiéis ao que os eleitores digitarem em suas teclas, poderão confirmar ou desmentir as pesquisas.
E que Deus nos ajude!

[Clique na ilustração para ler as orações que acompanham cada candidato. E se quiser recortar para colocar os números de sua preferência e levar para a urna, é só ir à banca mais próxima e comprar o DIARINHO. Tá na página 3]

O ESCÂNDALO DO DOSSIÊ
Essa história vai feder depois das eleições. Porque tudo aquilo que está sendo mantido em segredo para não influenciar o eleitor mais distraído (origem do dinheiro, contas de onde foi sacado, quebra ilegal de sigilos bancários pelo diretor do Banco do Brasil, etc), se não aparecer esta semana, aparece depois. E aí, se Lula ganhar no primeiro turno, a crise tende a crescer, porque a tropa de choque petista não irá aceitar que o presidente “absolvido” pelo eleitor possa ser investigado e acusado de alguma ilegalidade.

É AMANHÃ! TODOS LÁ!
Amanhã às 19h, dia 26, no hall da Prefeitura de Itajaí, espero vocês para a abertura da exposição de um ano desta coluna. Selecionei uns 40 painéis com os “melhores momentos”. A exposição fica aberta até sexta, assim, quem não puder ir à abertura tomar um guaraná, por favor apareça depois para dar uma olhada.

COAF E BC ACIONADOS
O Ministério Público Federal faz hoje uma petição ao juiz federal de Mato Grosso, pedindo que a Justiça determine ao Coaf e ao Banco Central que rastreiem a dinheirama do PT.

O Coaf, vocês lembram, é aquele órgão do governo que foi muito ágil no caso do caseiro do Palóffi. E agora, no caso desses quase dois milhões do PT, parece uma tartaruga com preguiça.

TRISTES RECORDES
O jornal O Estado de S.Paulo de ontem lembra que a atual legislatura do Congresso “exibe, antes mesmo de chegar ao fim, quatro tristes recordes:

1) maior número de parlamentares investigados por suspeita de crimes;

2) maior número de suspeitos que se livraram da cassação na votação em plenário;

3) maior número de renúncias para escapar da perda do mandato; e

4) maior número de infiéis que trocaram de partido”.

Em cassações, há um empate com aquela legislatura dos anões do orçamento, mas o ano ainda não terminou.

Sábado, 23 de Setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

BEM PASSADO
O depoimento de cerca de três horas do petista churrasqueiro Jorge Lorenzetti (foto ao lado) na Polícia Federal, ontem, não acrescentou nada ao que já se sabia sobre a trapalhada do dossiê. Mas serviu para consolidar uma prática que já pode ser considerada até como uma tradição petista, a dos homens-bomba do presidente.

Grandes amigos, gente de fé, que em determinado momento tem que assumir culpas e, como se tivesse dinamite amarrada ao corpo, explodir-se em praça pública. Diferentemente dos homens-bomba da Al-qaeda e do Hizbollah, que se explodem no meio de adversários para tentar causar a maior destruição possível, os homens-bomba do PT explodem-se a si mesmos destruindo apenas bens que não são materiais: abrem buracos na já carcomida credibilidade dos políticos, provocam novas rachaduras na destroçada ética pública e jogam na lama mais alguns pedaços da parte boa da história do primeiro Partido de Trabalhadores do País.

Jorge Lorenzetti é o mais recente desses homens-bomba: disse que tudo o que fez, fez sem conhecimento de seus superiores. Claro que, em mais uma das tradições petistas, disse que não foi ele que começou e também nada sabia da dinheirama. Ele tinha topado que o trapalhão Valdebaran fosse atrás do dossíê, mas, até onde diz saber, não tinha dinheiro envolvido. E, dito isto, ouviu-se, no setor de autarquias sul, onde se situa a sede da Polícia Federal, um enorme estrondo, seguido de um cheiro forte de enxofre. Era o sinal que mais um homem-bomba tinha cumprido seu dever.

Agora, tal e qual Delúbio, outro homem-bomba exemplar, Lorenzetti deve mergulhar no mais profundo silêncio e retornar às suas atividades quase subterrâneas, de tão discretas.

Pode-se até pensar, diante de tantos problemas envolvendo amigos próximos do presidente, que ele talvez não saiba escolher direito com quem dividir seus charutos Cohiba, com que jogar suas peladas ou com quem assar uma costela. Mas, pela disciplina e silêncio com que os homens-bomba vão para o sacrifício, acho que, ao contrário, foram todos muito bem escolhidos. Quaisquer outros, sob tanta pressão, teriam explodido antes, ou depois, da hora.

NOVO EDITOR D’A NOTÍCIA ASSUME SEGUNDA-FEIRA
Terminou conforme o previsto, sem alterações, a negociação entre a RBS e os acionistas de A Notícia. O contrato foi assinado no dia 21, em uma reunião realizada em Florianópolis, no hotel Blue Tree, com a diretoria das duas empresas, lideradas por Nelson Sirotsky e Moacir Thomazi.

Na terça-feira, dia 26, os novos proprietários assumem a operação do jornal e fazem uma reunião com os funcionários, para se apresentar e explicar que nada muda até dezembro. Naturalmente, sairão os diretores, mas as demais funções, em princípio, continuam com os mesmos titulares.

O primeiro a ser substituído é o Diretor de Redação. O jornalista Luís Meneghim, depois de muitos anos de dedicação ao jornal, cede lugar a um editor indicado pela RBS (e que virá de Porto Alegre). O novo editor-chefe assume já nesta segunda-feira, naturalmente para que o jornal que circulará no dia da chegada do gaúchos não tenha surpresas.

Os leitores talvez nen notem as mudanças, como não devem ter notado o desaparecimento, em silêncio, do slogan “Catarinense de verdade”, que durante anos demonstrava, na capa do jornal, aquela ponta de orgulho com que A Notícia disputava mercado com o concorrente mais poderoso, obtendo algumas vitórias importantes.

Último representante de uma limitada linhagem de jornais catarinenses de circulação estadual, A Notícia foi sempre, e principalmente nos últimos anos, um orgulho para seu estado e uma esperança de resistência que, agora, cai definitivamente por terra.

É TERÇA! ESPERO VOCÊS!
Por coincidência, no mesmo dia em que a RBS toma conta de mais um jornal catarinense, eu e o bravo DIARINHO abriremos, em Itajaí, a exposição comemorativa de um ano da coluna.

Será às 19h da terça, dia 26, no hall da Prefeitura Praiana. Os convites foram enviados por e-mail pruma porção de gente, mas se você, que é leitor ou leitora, não recebeu, nem esquente e não pense duas vezes, apareça lá. Serão todos muito bem recebidos.

O PESO DAS DÍVIDAS
Comerciantes de automóveis de Florianópolis com quem conversei ontem parecem não ter dúvidas que o suicídio do Márcio Moreira na segunda-feira, dia 18, dentro do gabinente do deputado Vieirão (PP), teria como um dos motivos principais, senão o principal, as dívidas contraídas com a negociação de automóveis que ele e um grupo estavam fazendo.

As dúvidas que ainda persistem referem-se aos detalhes dessa negociação. Em pelo menos três lojas Márcio comprou veículos a prazo, em algumas prestações. No mercado fala-se num negócio que pode chegar a quase R$ 1 milhão. Alguma coisa deu errado nos planos do grupo e os prazos começaram a vencer sem que eles tivessem condições de saldar as dívidas.

O que ele ou eles fariam com tantos carros? Algumas pessoas falam que os veículos eram para serem usados na campanha política.

Mas os coordenadores das campanhas geralmente não compram carros, apenas os alugam. E talvez fosse essa a oportunidade que o Márcio quisesse aproveitar: ter uma frota para alugar às várias campanhas. Em todo caso, ainda há muitas versões diferentes e conflitantes, mas há tanta gente envolvida no negócio que o segredo não vai durar muito e logo ficaremos sabendo dos detalhes que ainda estão obscuros.

PARQUE DO JACARÉ
No acordo assinado entre o Ministério Público Federal e os réus da ação que questiona a construção do Shopping Iguatemi, no Santa Mônica, está a criação de um parque de 18,5 mil m2 próximo ao Shopping.

Os réus, no caso, além dos construtores são também a Prefeitura, a Fatma e o Ipuf. Eles terão, além de dotar, na marra, a cidade de mais um parque, de cumprir uma série de outras tarefas, tal e qual o castigo que se dá a moleques mal comportados.

Outra tarefa é a despoluição do rio Sertão, que será feita basicamente com a identificação daquelas residências chiques, no Santa Mônica e adjacências, que lançam seus esgotos na rede pluvial e o fechamento dessas ligações.

Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

SEXTA


SEM FLAGRANTE
Ontem à tarde, na sala de imprensa da Assembléia Legislativa, o presidente nacional do PFL, senador Joge Bornhausen (acima), deu uma entrevista coletiva onde falou, basicamente, sobre o escândalo mais recente, o da desastrada compra do dossiê contra Serra por uma equipe de trapalhões do PT.

Teve uma pergunta que o senador fez que me deixou com a pulga atrás da orelha: por que a Polícia Federal, ao cumprir o mandato da Justiça Federal para prender os trapalhões, não esperou a venda se concretizar, para dar o flagrante? Por que prenderam os sujeitos que iam comprar numa cidade e o que ia vender e outra, antes que se encontrassem?

Fiquei caraminholando essa questão até ler, numa notícia da Agência Brasil, a opinião do juiz aposentado Luiz Flávio Gomes, ex-professor da Universidade de São Paulo dizendo justamente que a interrupção da venda do dossiê contra políticos do PSDB e PP pode dificultar o enquadramento legal da conduta dos suspeitos.

Vocês estão entendendo onde que eu quero chegar? Vou dar um exemplo prático, que aconteceu comigo: um assaltante ia entrar aqui em casa, mas eu o vi na sacada, antes dele entrar. Gritei e ele correu. A polícia acabou prendendo o sujeito, nas redondezas. E eu fui à delegacia registrar o fato. O delegado disse que, sem sem o arrombamento, sem ter havido roubo, seria difícil manter o sujeito na cadeia por mais que algumas horas.

E foi isso o que aconteceu: a Polícia Federal interrompeu o ato supostamente criminoso. Prendeu dois caras em São Paulo com uma mala de dinheiro. E um cara em Campo Grande com uma maleta com fotos e filmes. Sem flagrante de venda, extorsão, negócio.

E, para completar, não mostrou o dinheiro apreendido. Coisa que é comum nas operações da PF. Mas, nesse caso do dossiê, ninguém sabe, ninguém viu.

Ah, e a polícia já informou quais as agências bancárias de onde o dinheiro foi retirado, mas silenciou sobre os titulares das contas de onde foi sacado o dinheiro. Como se não soubesse. Ou como se fosse difícil descobrir. Bornhausen diz que Lula e seu advogado criminalista (que é como ele chama o Ministro da Justiça) só estão tentando ganhar tempo.

SUGESTÃO IGNORADA
Meu amigo Luiz Lanzetta escreve para lembrar que “a criação do Ministério do Vai dar Merda foi uma sugestão do Chico Buarque de Hollanda bem no início do governo Lula. Mostra que ninguém é gênio por acaso.”

E arremata, o sábio Lanzetta: “Veja bem, o ministério do Chico não foi criado, a máquina pública foi inchada e todos tiveram que colocar, querendo ou não, a mão na própria...”

É verdade, quanto incômodo o companheiro Lula não teria evitado se tivesse levado a sugestão do Chico a sério. O ministro (ou secretário, ou assessor) do VDM é essencial.

SHOPPING FAZ ACORDO
Um acordo judicial, com 16 cláusulas vai permitir que o Shopping Iguatemi, no bairro Santa Mônica, possa continuar suas obras. Se não cumprir as exigências do acordo, a Justiça cobrará do Shopping uma multa de R$ 2 milhões.

Segundo o juiz, já que os danos ao meio ambiente já aconteceram (o Shopping está quase pronto), o acordo representa ganhos que compensam parcialmente os problemas causados.
Estes imbroglios dos shoppings e de outras construções em Florianópolis demonstram que a cidade não pode contar com seus vereadores (ou pelo menos com a maioria deles) ou com a Prefeitura para defendê-la. Eles estão preocupados com seus amigos, seus interesses, seus negócios e nem um pouco preocupados em dar a esta frágil ilha algum futuro.

TROPA DE CHOQUE DO PT
A CUT, o PT e outros “movimentos” saem em defesa dos trapalhões. Como nos escândalos anteriores, não dizem que não houve crime. Apenas que os outros também são criminosos.

Neste caso do dossiê, dizem que querer punir só os trapalhões e responsabilizar Lula, é golpe. E exigem que seja mostrado o dossiê pelo qual pagaram R$ 1,7 milhão.

“Querem melar a eleição” é o bordão que usam (por coincidência, usado por Lula há poucos dias). Mas investigar bandidos, punir culpados, enjaular ladrõezinhos incompetentes do dinheiro público só é “melar a eleição” se os envolvidos forem do PT.

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

QUINTA

[Para ver melhor as fotos, clique sobre elas que se abre uma ampliação]

VDM FAZ FALTA NO PT!
Recebi inúmeros e-mails ontem dizendo mais ou menos a mesma coisa:
“Cesar, tem uma trapalhada da turma do Jorge Lorenzetti, que você esqueceu de mencionar: não ter lido tua coluna antes de querer comprar o dossiê! Porque se tivessem lido, alguém gritaria: chama o VDM!”
Pois é, faltou no PT, na coordenação da campanha do Lula, essa figura imprescindível, fundamental e salvadora do VDM. Pra quem não sabe, é aquele assessor, secretário ou auxiliar com bom senso, encarregado de examinar todas as novas idéias. Se ele, depois de olhar ou ouvir, disser “vai dar merda!” é só arquivar, engavetar ou jogar fora a idéia, sem maiores prejuízos.

Quem não tem o VDM, corre sempre o risco de ver a coisa dar merda em público, com direito até a algema e cara feia da Fátima Bernardes no Jornal Nacional.

POBRE DO FRITSCH
Se tem um cara que tem levado porrada de graça é o Fritsch. Tudo porque a turma dele (como a maioria do PT catarinense) não faz parte do grupo que dirige o PT nacional. O tal Campo Majoritário. Não é à toa que a Ideli namora com o PP e arma encontros do Alencar com o Amin, como se o partido não tivesse candidato no estado. Ideli é do Campo Majoritário. Como o Lorenzetti. Como o Zé Dirceu, Delúbio, etc. Ideli, por falar nela, queria ser candidata a governadora, mas como no diretório catarinense o Campo Majoritário é minoritário, Fritsch venceu.

E agora o pobre Fritsch ainda corre o risco de receber algum respingo da lama federal. Porque Santa Catarina está na geografia da crise dos dossiês. Afinal, o professor Lorenzetti é catarinense. E não é fácil diferenciar petistas do bem de petistas do mal.

RESPONSABILIDADE CIVIL
Do blog do Luiz Nassif:
“Não se reduza a responsabilidade de Lula. Em direito existe a responsabilidade civil e a criminal. Quando ruiu o Shopping Osasco-Plaza, a responsabilidade penal foi do arquiteto; a civil do Shopping que o contratou. Quando caiu o avião da TAM, a responsabilidade penal foi da Fokker, a civil da TAM.

“No governo, mesmo que se prove que a responsabilidade penal não foi de Lula, como chefe do governo, vai ter que arcar com a responsabilidade civil, com um profundo desgaste adicional, quando mal se curava das feridas das batalhas anteriores.”
BEIRA-MAR EMBARGADA
A prefeitura de Florianópolis desobedeceu acordo judicial para controle da qualidade da água e realização de alguns estudos em relação à obra da Beira-Mar Continental. Ignorando a Justiça e dando uma banana pro Ministério Público Federal, a prefeitura tocou a obra antes de ser autorizada a isso. O Juiz Federal Substituto, Zenildo Bodnar, deu prazo de 24 horas à prefeitura para que se explique. E à Fatma deu prazo de sete dias para analisar a documentação apresentada pela prefeitura e ameaçou os agentes públicos responsáveis pelo não cumprimento de “condenação pessoal”, além de multa diária de R$ 50 mil.

Em ano eleitoral, com a prefeitura envolvida até os cabelos na campanha estadual (afinal, o prefeito Dário está em campanha para governador em 2010), as obras têm que andar, mesmo que para isso a lei, a cautela e o caldo de galinha sejam jogados na lata do lixo.

O PARQUE DA DISCÓRDIA
Tem colega colunista assumindo uma defesa incondicional do menino-prodígio Gean Loureiro e da prefeitura no caso do parque de Coqueiros. Não sei se eles têm razão. Moradores se queixam muito da incompetência da prefeitura no dia-a-dia. Lembram-se do parque só para fazer festas e faturar politicamente. Depois da festa, nem o lixo recolhem direito.

CHOCOLEITE DE VOLTA
Nas décadas de 60 e 70, o Chocoleite era uma espécie de companheiro da Laranjinha MaxWilhelm e da Pureza, bebidas que marcaram uma geração (a minha, pelo menos). Depois, a empresa, que era da família Gumz, de Jaraguá do Sul, foi vendida para as multinacionais Fleischmann Royal, depois para a Kraft e depois para a Parmalat.

Pois agora, informa o Noticenter, retornou às mãos da família Gumz, é novamente uma empresa catarinense. E está cheia de planos para retomar o mercado e a estima dos velhos e novos consumidores.

SEGURANÇA DAS URNAS
O TRE-SC divulga informações sobre o processo de auditoria das urnas eletrônicas, chamado de “Votação Paralela”. É um esforço para demonstrar que o sistema é confiável. Mas sofre a crítica que usa uma amostragem muito pequena.

Pelo que entendi das explicações do próprio TRE-SC, só duas urnas serão avaliadas. É claro que serão escolhidas aleatoriamente, para que sejam testadas sem qualquer preparação especial, etc. Mas, de fato, parece uma amostra muito reduzida.

E permanece a reclamação, formalizada pelo PDT, contra a resistência que o TSE tem à realização de testes independentes, profundos e exaustivos, com a urna e seus softwares.

Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

QUARTA

NÃO PERCA!
Em cartaz nas melhores delegacias da Polícia Federal e no Tribunal Superior Eleitoral, mais um episódio da fantástica fábrica de crises do PT!
Explicações e mais explicações, notas oficiais, cartas de demissão, choro e ranger de dentes, acusações mútuas e baixarias variadas.
A campanha eleitoral é uma festa!

Ô DA POLTRONA!
O ser humano tem uma capacidade inesgotável de fazer trapalhadas. Quando a gente acha que já fizeram todas as besteiras possíveis, sempre aparece alguém ainda mais criativo. Pois estava o candidato Lula da Silva tranqüilo, à frente das pesquisas, com enormes possibilidades de vencer já no primeiro turno, esperando que nada acontecesse, quando os trapalhões do PT resolveram dar uma mãozinha para o Mercadante, candidato ao governo de São Paulo. E armaram um dos esquemas mais furados e amadores de todos os tempos. Um negócio tão mal feito que a própria Polícia Federal do governo Lula não teve outro remédio senão prender vários deles com a boca na botija. E o ministro Tarso Genro chamou a trapalhada de Operação Tabajara, referindo-se é claro, às Organizações Tabajara, do Casseta e Planeta.

Primeira trapalhada
O pessoal que montou a jogada negociava, por telefone, com os Vedoin, aqueles que estão mais sujos que pau de galinheiro. Como inteligência é coisa escassa, nem desconfiaram que a Polícia Federal poderia estar escutando os telefonemas. Estava. E foi assim que soube de tudo.

Segunda trapalhada
Os trapalhões do PT saíram oferecendo o dossiê para os veículos de comunicação. A revista Época colocou hoje, no seu site, uma nota onde conta o encontro que um dos seus jornalistas teve com Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas, num hotel de São Paulo: os dois petistas queriam saber se a revista se interessaria por um dossiê contra Serra. Uma semana depois, a revista Isto É publicou a entrevista com os dois Vedoin acusando Serra. Os dois trapalhões disseram à Época que o presidente do PT, Ricardo Berzoíni, estava sabendo que eles estavam lá.

Terceira trapalhada
O faz-tudo de Lula, o tal Freud, com barba por fazer e mal vestido, dá uma estranhíssima entrevista onde fala que Lula, o presidente em pessoa, tinha ligado para perguntar a ele que história era essa. Não mais tem como Lula dizer que não sabia de nada: ele falou com o Freud.

Quarta trapalhada
O partido que estava falido, quebrado, com as trapalhadas do Delúbio, resolveu pagar uma montoeira de dinheiro, cerca de R$ 1,7 milhão em grana viva, por algumas quinquilharias de duvidoso efeito. Como disse hoje o presidente do PSDB, “a oposição não dará um minuto de paz ao governo até que se esclareça de onde veio essa dinheirama e sejam apontados todos os culpados".

E poderíamos entrar jornal a dentro enumerando as trapalhadas dos dirigentes petistas que criaram, do nada, uma nova crise política que pode até se transformar em crise institucional.

CHURRASCO EXPIATÓRIO?
O catarinense Jorge Lorenzetti, diretor licenciado do BESC, pediu demissão da função de analista de risco e mídia que exercia no comitê de campanha de Lula. Parece querer assumir sozinho todas as trapalhadas, para tentar estancar a sangria e conter a crise. O ministro Tarso Genro sugeriu que Lorenzetti deveria se afastar do PT.

Ricardo Berzoini, o presidente do PT, chegou a convocar uma entrevista em Brasília, ontem à tarde, para explicar sua participação no esquema, mas desistiu e só distribuiu uma nota oficial chocha, dizendo que sabia, mas não sabia e condenando o denuncismo.

Lorenzetti distribuiu uma carta de despedida melosa e incompleta, que não ajudará, como talvez tivesse pretendido, a encerrar a crise. Ao contrário. O que nos leva a uma questão adicional: que belo analista de risco e de mídia nos saiu o professor Lorenzetti, hem? Nem notou onde se metia?

Não fosse ele um petista histórico e membro ancestral do campo majoritário, alguém poderia levantar a suspeita que estava a serviço da candidatura de Alckmin. Porque além de não beneficiar Mercadante, de não fazer nem cosquinha em Serra, só conseguiram, com a armação, agitar a campanha e acordar a militância de Alckmin, que em muitos estados já estava enrolando as bandeiras e indo pra casa, desanimada.

A coisa está feia. Muito feia. O TSE vai investigar o caso como “abuso de poder político-econômico” para favorecer Lula. Desta vez parece que os trapalhões foram longe demais... mas eles sempre poderão se superar, como têm feito a cada novo escândalo.

O CRIME DA GASOLINA
Pro Balneário Camboriú não ficar de fora do noticiário policial-eleitoral, um candidato-trapalhão local resolveu distribuir gasolina grátis. A matéria está logo ali, na página 11. O negócio estava tão fácil e democrático que pra ganhar a gasolina nem precisava colocar o adesivo do candidato. Se eu fosse o Pavan e o LHS dava um cascudo em quem teve essa idéia de jerico. Porque vai acabar sobrando pra eles.

E, assim como o Lula, tudo o que o LHS não precisa é que “aliados” inventem modas como essas, que acabam abastecendo mesmo é o carro da campanha do Amin. Essas histórias de distribuir gasolina em época eleitoral sempre podem resultar em incêndio.

TCE DE OLHO NA PALHOÇA
O Tribunal de Contas do Estado mandou o Rei Nério, prefeito da Palhoça parar a licitação para escolher a empresa que iria assumir a dívida ativa do município. A coisa tinha pelo menos três irregularidades e o Rei do PMDB tem cinco dias para se explicar, corrigir os erros ou anular a licitação.

O Tribunal considera que a cobrança da dívida ativa é uma atividade pública essencial, que não pode ser terceirizada por contrariar até a Constituição. Mas, é claro, deve ser um bom negócio, senão a prefeitura não faria tanta questão de levar adiante.

Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

TERÇA

Segurando o espeto, Jorge Lorenzetti, misto de diretor do BESC e churrasqueiro presidencial, o catarinense que desde ontem faz parte do noticiário do dossiê.

A CONEXÃO CATARINENSE
Até hoje o Jorge Lorenzetti só tinha aparecido nas páginas dos jornais como o churrasqueiro preferido do Lula. Fez churrasco pro Fidel e pro presidente chinês, fez churrasco até pro Fernando Henrique, em dezembro de 2002, na Granja do Torto, quando Lula quis fazer um agrado no presidente que dali a poucos dias lhe passaria o cargo. Ex-professor da UFSC, Diretor Administrativo do BESC, militante petista de primeira hora, Lorenzetti era, acima e além de tudo, um sujeito discreto.

Quando Jorge se candidatou, não teve grande votação. Em 1982, só teve 1.065 votos, na sua campanha a deputado federal. Claro, eram tempos bicudos para o PT. Em 1986, melhorou um pouco, teve 3.297 votos e ficou como suplente de deputado estadual. O PT só elegeu, nesse ano, para a Assembléia, a Luci Choinacki.

Lorenzetti está licenciado do BESC para trabalhar na campanha de Lula. Segundo o blog do Noblat, no passado ele foi responsável “pela ligação entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e organizações trabalhistas internacionais. Arrecadava dinheiro para a CUT”. E em 1999 dividiu apartamento em São Paulo com Delúbio Soares.

A discrição do catarinense durou até ontem, no jornal Hoje, da Rede Globo, quando o funcionário da presidência com o cinematográfico nome de Freud Godoy, que teria mandado comprar o dossiê contra Serra, informou que foi apresentado a Gedimar Pereira Passos, que foi preso com o dinheiro com o qual compraria o dossiê, por Jorge Lorenzetti.

Freud disse também que foi Lorenzetti quem contratou Gedimar para trabalhar na segurança do comitê eleitoral de Lula em Brasília.

Freud pediu exoneração de seu cargo e ontem mesmo, no final da tarde, começou a tentar explicar, em depoimento na Polícia Federal. Se Freud vai explicar ou não, é uma questão secundária. O principal é que Freud e Lorenzetti fazem parte do círculo mais íntimo de Lula. E podem estar envolvidos num escândalo federal.

FECHAMENTO DOS BINGOS
A Codesc, vários vereadores, deputados e tantos outros amigos dos bingos devem estar muito injuriados: o Ministério Público Federal mandou e a Polícia Federal começou a fechar os bingos em Santa Catarina. Desde a sexta-feira foram fechadas 24 casas e lacradas quase duas mil máquinas caça-níqueis.

Impressiona a defesa que o Estado catarinense e seus agentes faz dos bingos. Mesmo depois da sua lei do jogo ter sido considerada inconstitucional pelo Supremo, parece que a Santa Catarina dos sonhos de LHS (e do Pavan?) seria assim tipo uma Las Vegas: o paraíso do jogo liberado.

Mas o exemplo vem de cima: o jogo do bicho funciona sem qualquer impecilho, em parceria com a Caixa Econômica Federal e suas lotéricas, como se fosse venda casada. Então, por que Santa Catarina não pode ter sua rede de bingos que tanto bem tem feito ao bolso de tanta gente (e não estou me referindo aos jogadores)?

MILIONÁRIA NO ESPAÇO
Não tem quase nenhuma diferença a viagem ao espaço da milionária americana Anousha Ansari, a primeira turista espacial, e a do nosso astronauta. Até o preço foi parecido. Ela também levou umas experiências para fazer e ocupar o tempo. A única diferença é que ela está pagando a viagem com seu próprio dinheiro ou de sua família. E o astronauta brasileiro (como é mesmo o nome?) usou o nosso dinheiro.

LULA SE SUPERA
Todos que se interessam por política devem procurar ler a entrevista que o candidato-presidente Lula deu à Folha de São Paulo de ontem. Ao ser perguntado pelo mensalão, Lula respondeu: “Não nego nem confirmo”.

Sobre Palocci: “o ministro da Fazenda não tinha o direito de utilizar o poder de ministro para ir atrás do caseiro investigar”. E tantas outras coisas, que não estamos acostumados a ouvir serem ditas com tanta... clareza.

CUIDADO! A FACHADA DO PRÉDIO
ESTÁ SENDO FOTOGRAFADA!

Na sexta-feira, o fotógrafo do DIARINHO parou diante de um prédio público, no Estreito, utilizado pelo Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Juntas de Recursos de Infração, setor de leilões de veículos, etc. Um prédio integralmente público, ocupado principalmente pelo Detran.

E cometeu um ato que, aos olhos do Capitão Nunes, da Polícia Militar, era suspeito e perigoso: tirou fotos da fachada do edifício.

Esse oficial, que faz parte da comissão de leilões, estava até de licença, mas ao passar por ali e ver aquele ato de enorme potencial de risco para as instituições (“cuidado! um fotógrafo está diante do prédio!”), tratou de tomar as providências que achou mais adequadas:

1. Dirigiu-se ao veículo do elemento suspeito para anotar-lhe a placa (ninguém conseguiu explicar por que o Capitão não aproveitou que estava perto do fotógrafo e simplesmente falou com ele para sanar suas dúvidas);

2. Voltou para dentro do prédio e com a ajuda de mais alguém, acessou o cadastro do Detran para identificar o elemento suspeito e pegar o telefone (com isso ficam todos advertidos que os dados cadastrais que confiamos ao Detran são, na prática, públicos, ou quase. A maioria dos servidores do Detran pode acessar esses dados, para o uso que melhor lhes convier);

3. Com um telefonema, como já disse aqui, elegantemente ameaçador, o Capitão Nunes tratou de tentar neutralizar a perigosa ameaça, o risco intenso e imediato que representa um sujeito desconhecido com uma câmera fotográfica na mão, apontando para a fachada de um prédio público.

A Assessoria de Imprensa do Detran forneceu as informações e me atendeu de forma muito gentil, mas acho que não estavam muito convencidos de que o que o Capitão Nunes fez fosse uma coisa reprovável: “se você vir alguém estranho olhando para a sua casa, também vai querer saber quem é”, argumentou o assessor.

Todos entendemos que nessa época de campanha eleitoral todos os comissionados tenham cuidado excessivo com os prédios públicos, mas se o Capitão Nunes estava tão preocupado, por que não foi falar com o fotógrafo? Ele estava ali, ao lado do carro de onde foi anotada a placa. O militar saberia, em poucos minutos, que se tratava de gente boa do DIARINHO. E aí não precisaria acionar uma base de dados que, embora sob a guarda de um órgão público, deveria servir a propósitos específicos, relacionados com a atividade.

Não sei que tipo de reportagem a sucursal do DIARINHO em Florianópolis está preparando, mas depois de tanto auê por causa da fachada, fiquei muito curioso em ver a reação do pessoal quando o fotógrafo entrar no prédio para completar o seu trabalho.

O DIREITO À INFORMAÇÃO
Uma rápida explicação para quem não está entendendo por que insisto neste caso aparentemente desimportante: sempre que alguém, por desinformação, excesso de zelo ou má fé, tenta impedir o trabalho da imprensa, é preciso denunciar. Porque se hoje é só a foto da fachada que querem impedir, amanhã poderão criar segredos e caixas pretas que impeçam o direito inalienável do público à informação.

Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

SEGUNDA

LUTA LIVRE ELEITORAL
As prisões do final de semana, de gente com milhões de reais (novamente perto de aeroporto, novamente do PT) e a intrigante “entrevista-bomba” dos manjadíssimos Vedoin numa revista pra lá de conhecida (em todos os sentidos), não deveriam surpreender. Afinal, estamos na reta final das eleições e é agora que os recursos disponíveis têm que ser usados.

A Polícia Federal, ao que tudo indica, dá uma no prego e outra na ferradura. Prendeu os petistas com a mão na massa. Não divulgou a foto da dinheirama, mas divulgou o material “comprometedor”. Que, aqui entre nós, não vale dois milhões.

Filme e foto de autoridade perto de ambulância pode ser que fique raro daqui pra frente, mas até poucos meses era a coisa mais fácil de encontrar. E não dá pra dizer que a presença de um ministro na entrega de ambulâncias compradas com dinheiro federal seja prova de nada. Se for prova, daqui a algum tempo, quando acharem alguma irregularidade nas compras das ambulâncias ou do helicóptero do SAMU, todos poderemos ganhar uma graninha, vendendo este jornal, que trataremos de guardar cuidadosamente. Afinal, taí o Lula, ministro, governador, etc. (para abrir uma ampliação é só clicar sobre as fotos)

ANATOMIA DE UM CRIME
Lula sabia o que estava fazendo quando convocou o Orestes Quércia para entrar no jogo eleitoral paulista. Ele conhece o Dândi Mercadante e sabe que sali não sairia nada de muito picante pra cima dos adversários.

Mas o Quércia é um aliado experiente, um sujeito que está acostumado a colocar a mão na m...assa. E sempre foi muito bem relacionado com os donos da revista IstoÉ. Não há ainda nenhuma informação oficial que diga quem organizou a armação pra cima do Serra. E o Quércia, é claro, nega veementemente qualquer envolvimento: “não é meu estilo, o PT que se explique”.

Os Vedoin, ao que tudo indica, aprenderam muito com os políticos com os quais negociaram ao longo desses anos. Não tem importância dizer uma coisa para o juiz, outra para a CPI e depois mudar tudo numa entrevista “espontânea” e “gratuita” para uma revista semanal. Dá impressão que para eles, e para os demais envolvidos, quanto mais gente for citada, melhor. Quando todos são culpados, ninguém é punido.

Fico com pena é da militância, que realmente acredita nos seus candidatos: ficam brigando entre si, tentando provar que o corrupto do outro lado é mais corrupto. E daqui a pouco os candidatos fazem as pazes, até se aliam e a militância fica com cara de tacho.

VIU A PESQUISA?
Pois é, está dando a lógica. Afinal, Luiz Henrique está em campanha desde o dia 1° de janeiro de 2003, fazendo amigos e influenciando pessoas. Governou o tempo todo, minuto a minuto, de olho neste momento.

Se dependesse dele, a coligação seria ainda maior. Afinal, por mais que o eleitor não leve os partidos a sério, as estruturas partidárias fazem diferença, numa campanha estadual.

Vejam o PSDB: durante o governo Luiz Henrique, aproveitou os espaços que lhe foram dados e cresceu bastante. Instalou-se em praticamente todos os municípios, ganhou musculatura. Cresceu visando sustentar, sozinho, se preciso for, uma candidatura ao governo.

O PMDB, que é mais lento e travado, não conseguiu aproveitar o governo LHS para crescer na mesma proporção que o PSDB, mas é claro que não enfraqueceu nem perdeu espaços. Tinha e tem uma presença estadual importante. E o PFL também tem uma estrutura partidária organizada e espalhada estado afora.

Não é pouca coisa para o Amin enfrentar. E os recursos que ele, o PP e seus aliados dispõem para isso, são mínimos. A começar pelo tempo na propaganda obrigatória de rádio e TV, que é uma fração do tempo do LHS. Depois, o afastamento da mídia e a falta de máquina (são poucas as prefeituras do PP) debilitam qualquer um.

A situação, segundo as pesquisas, está feia para o Esperidião. Mas, como não se perde, nem se ganha, eleição de véspera, tanto Amin quanto Fritsch estão contestando as pesquisas. Afirmam que elas não mostram um retrato fiel. E citam exemplo de 2002, quando o Ibope dava como certa a vitória de Paulinho Bornhausen ao senado. E só na boca de urna é que admitiu a possibilidade da Ideli vencer.

VAI FALTAR VENTILADOR...
Ontem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que três dos seus sete ministros tiveram seus telefones grampeados. Uma empresa contratada para fazer a “varredura” dos telefones, detectou os grampos. Os detalhes serão informados hoje de manhã, numa entrevista coletiva.

* * *

Não resisto a reproduzir notinha da seção Radar, da Veja:
“Está para ser anunciado o resultado de uma concorrência bilionária na Petrobras – algo, portanto, em torno de R$ 1 bilhão. Quem vencer construirá um megacomplexo de tratamento de gás em Caraguatatuba (SP). As grandes empreiteiras brasileiras estão na disputa. Internamente, o corpo técnico da estatal aponta a GDK (aquela do Land Rover de Silvinho Pereira) como a favorita.”
* * *

Lula, num comício em Belém do Pará, ontem, contou que os tucanos costumam comer ovos e filhotes dos outros passarinhos: “são predadores, apesar daquela beleza”. E complementou: “foi isso que fizeram em oito anos, neste estado e no Brasil”.

SEGREDOS DO CETRAN
Só pra não deixar esfriar aquele assunto a que me referi na coluna do final de semana: o governo deve se manifestar, hoje, sobre a trapalhada protagonizada por alguém, do Detran ou do Cetran, na sexta-feira. Um sujeito achou que estava acima da lei e quando viu o fotógrafo do DIARINHO batendo fotos da fachada do prédio ocupado pelo Cetran, saiu ostensivamente do prédio, se aproximou do carro, anotou a placa e, sem dizer uma palavra, voltou para o “bunker”. Lá, acessou o cadastro do Detran, e ligou para o telefone que constava, pedindo explicações. Como se isso fosse coisa normal e legal. Não dá pra deixar passar.

Sábado, 16 de Setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

EXCLUSIVO
LULA E ALCKMIN
NA GINCANA ELEITORAL

Os dois candidatos a presidente têm se submetido a várias provas, para mostrar que são capazes de governar o Brasil. Acima estão três delas, gentilmente patrocinadas por grandes empresas internacionais. O resultado da disputa sai dia 2 de outubro.

SEGREDOS DO CETRAN
Alguém, no Conselho Estadual de Trânsito, teme muito a imprensa. Provavelmente porque tem muita coisa a esconder. E acha que pode, por causa desses segredos, tolher o trabalho da imprensa. O repórter do DIARINHO que foi fotografar (do lado de fora!) a fachada do tal conselho para uma reportagem, teve a placa do seu carro anotada e depois recebeu um telefonema educadamente ameaçador no seu celular, localizado graças ao acesso ao cadastro do Detran.

Diga aí, Dr. Moreira, nos expliquem, secretários Ricardo Fabris e Dejair Pinto: é pra isso então que o cadastro do Detran serve? Pra turma do Cetran intimidar jornalistas? De quem partiu a ordem de proibir fotos de prédios públicos? Por quê? Pra quê?

O VENTILADOR TÁ CHEIO
A Polícia Federal pegou gente do PT pagando R$ 2 milhões para aquela flor de pessoa que é o Vedoin (da máfia dos sanguessugas), por fotos e vídeos do Serra e do Alckmin perto de ambulâncias superfaturadas. Antes, Vedoin tinha enchido páginas e páginas da IstoÉ com uma entrevista onde tenta envolver Serra (quanto a revista terá pago?). Tratou-se de uma operação mercantil que por pouco não foi bem sucedida: a entrevista aguça a curiosidade e aí o preço do material sobe. Os documentos iam ser levados do Mato Grosso para SP, onde seriam recebidos por um sujeito que, ao ser preso, tinha R$ 1,7 milhão em dinheiro e um outro, que se dizia advogado do PT. Algo me diz que vai acabar faltando ventilador para tanta m...

CHEGOU A HORA
No dia 21, próxima quinta-feira, a RBS assume a operação do jornal A Notícia, de Joinville. Até lá, terá terminado a auditoria que realiza nas contas e ativos do tradicional jornal catarinense e assinado o contrato de compra.

Mais ou menos como seria de se esperar, nenhum dos funcionários de A Notícia foi informado sobre o que acontecerá após o dia 21. Até porque, teoricamente, enquanto o contrato não estiver assinado, o negócio poderá ser desfeito. Mas não percam tempo alimentando qualquer expectativa quanto a isso.

Não consigo imaginar como se sentem os colegas jornalistas e demais profissionais que têm que fechar as edições diárias do seu jornal como se nada estivesse acontecendo. E, em respeito ao leitor, não podem simplesmente fazer de qualquer jeito. Precisam manter a qualidade do jornal, navegando no escuro. Sem saber se no dia 21 ou nos dias seguintes ou nos meses seguintes, terão emprego.

A julgar pelo que aconteceu com o Jornal de Santa Catarina, o encolhimento de A Notícia será gradual e lento. Para evitar traumas, para não chamar muita atenção.

A COMPRA EM DEBATE
Não há muito o que fazer, diante da compra de A Notícia pela RBS. O negócio ocorre numa área não regulada da economia. Em muitos aspectos, é como se o Carrefour comprasse o Angeloni. Poderia haver alguma discussão sobre concentração, monopólio, talvez um recurso ao Cade (que examina o efeito no mercado dessas fusões e aquisições), mas não iria muito longe.

Só que os jornais, como os demais meios de comunicação que têm fé pública, são um pouco mais que empresas comuns. Seus produtos são bem mais complexos que sardinhas em lata. E em Santa Catarina, a partir do dia 21, existirá apenas um jornal de circulação estadual. Acabou-se a concorrência.

Nesse dia, para marcar a data do encerramento de atividades do A Notícia tal como o conhecemos, o Sindicato dos Jornalistas fará um debate, em Joinvile, sobre Concentração da Mídia em Santa Catarina.

Será quinta às 19h, no anfiteatro do Bom Jesus/ Ielusc (R. Princesa Isabel 438) e terá as presenças do Coordenador Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Celso Schröder, do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade e de um representante do Ministério Público Federal. O presidente em exercício do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Josemar Sehnem, mediará o debate.

MÍDIA LOCAL
A propósito, o candidato Luiz Henrique da Silveira, que foi prefeito de Joinville e tem lá sua base eleitoral, respondeu a uma pergunta, no entrevistão de hoje (está ali no meio do jornal, são várias páginas) sobre esta compra. E diz lá o LHS:
“Nós vamos prosseguir na nossa política de governo de fortalecer a imprensa do interior, que se revela cada vez mais forte. Até porque eu vejo na imprensa do interior a força de localização, (...), que se opõe à globalização.”

Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

SEXTA

AMIN ABRAÇA O VICE
O candidato do PP ao governo, Esperidião Amin, reuniu-se ontem, em Blumenau, com o candidato a vice-presidente, José Alencar, da chapa do Lula, e depois posaram para fotos (acima à esquerda. Para abrir uma ampliação, basta clicar sobre a foto).

Claro que teria sido melhor se tivesse dado pra tirar a foto ao lado do Lula, mas se não tem tu, vai tu mesmo. O vice, candidato a vice, também não é exatamente do PT, mas isso, para o eleitor que é Lulista antes de ser petista, não deve fazer grande diferença.

Só ficou meio estranho para o Fritsch. Vejam só: estava lá, como testemunha (ou seria avalista?) desse encontro entre o Esperidião e o representante do Lula, nada mais, nada menos, que a candidata ao senado da chapa do Fritsch, Luci Choinacki. Justamente ela que, por coincidência, tem se beneficiado com o fraco desempenho eleitoral do candidato da coligação do Amin.

Estava lá também a senadora Ideli Salvatti. Como coordenadora no estado da campanha de Lula, ela quer mais é juntar gente em torno da candidatura a presidente. Mesmo que isso signifique deixar o candidato do PT ao governo meio de lado. E o ex-marido da Ideli, o presidente do BESC, Eurides Mescolotto, também estava. Mas esse nem conta, porque de uns dias pra cá é companhia freqüente do Esperidião.

BOLSA FAMÍLIA
E-mail malicioso que circulava ontem, reproduzia um documento de maio de 2005, em que o diretor-geral do Senado, Agaciel da Silva Maia, nomeava Maria Marinete Merss para trabalhar no gabinete da senadora Ideli Salvatti.

A Maria Marinete é esposa do deputado federal Carlito Merss e quem resolveu tornar isso público (da oposição, naturalmente) se referia ao fato como uma espécie de “nepotismo cruzado”: “emprega a minha mulher aí porque se eu empregar aqui dá muito na vista”.

Quanta ingenuidade. Tal e qual o caixa 2, essa prática aí também está liberada porque é coisa que “todo mundo faz”. Em todos os níveis.

Pega um deputado estadual desses mais conhecidos (que nem é do PT) e vê onde estão empregados a mulher, o filho, o outro filho, a filha, alguns parentes? Nenhum está no gabinete do deputado. E isso acontece no Executivo, no Judiciário, em todo lugar. O pessoal mais moderno e atilado não emprega mais parentes no seu próprio gabinete. O nepotismo é coisa do passado.

TRE-SC PUNE PT
A coligação que apóia Fritsch vai ter que parar de dizer que a verba da 282 não foi liberada por culpa do Pavan. O TRE-SC entendeu que houve uma “distorção da realidade” na crítica petista. Mesmo se Pavan estivesse presente à reunião da comissão do Orçamento, nada aconteceria, porque faltaram dezenas de outros parlamentares, que estavam, como Pavan, no mesmo momento, participando do esforço concentrado para liberação da pauta do Congresso.

Pavan acha que houve “falta de ética”, porque a turma do Fritsch conhece o funcionamento das comissões e mesmo assim forçou a barra.

SEGURANÇA DAS URNAS
Se este fosse um país sério, o protesto de oito páginas que o diretório nacional do PDT protocolou no último dia 9 no Tribunal Superior Eleitoral, a respeito da vulnerabilidade das urnas eleitorais, daria muito pano pra manga. Pelo menos o assunto estaria nas rodas que se formam nos cafés, nos bares e nas praças, para discutir política.

O PDT reclama das dificuldades e impedimentos criados pelo TSE, para que se teste adequadamente a urna eletrônica. Quem estiver interessado no assunto deve fazer uma visita ao site www.votoseguro.org onde encontrará diversos documentos e elementos para um bom começo de conversa.

BRIGA DE RUA
Aconteceu na minha frente, na Beira-Mar Norte, ontem por volta do meio-dia. O motorista do Honda Fit ia mudar de faixa, não viu o motoqueiro da Drogaria Catarinense (que, como a maioria dos motoqueiros ia passando a toda entre os carros) e quase bateu, mas desviou a tempo. O motoqueiro xingou bastante o motorista e achei que o episódio tinha terminado ali.

Mas aí, para surpresa de todos, o cabo-eleitoral do Gilmar Knaesel acelerou e foi pra cima do motoqueiro, como se fosse atropelá-lo. Deu o susto, tirou um fino e se arrancou. É claro que isso jogou gasolina na fogueira.

Como a avenida tem 300 sinaleiras sincronizadas, sempre tem uma fechando. E o carro teve que parar mais adiante. O motoqueiro que quase foi atropelado e mais um outro encostaram na porta do motorista e a discussão recomeçou, aí já à beira das “vias de fato”.

Quando o sinal abriu (foto acima) aí foi a vez do motoqueiro da Catarinense partir para a ignorância: logo depois dessa foto, ele quebrou, com duas patadas, o retrovisor do Honda.

E quando o carro arrancou, juntaram-se mais uns tantos motoqueiros e cercaram o carro durante algum tempo, tipo assim pra mostrar força.

Bem que a Drogaria Catarinense podia dar uns calmantes para seus motoqueiros, para evitar que eles saiam por aí xingando e dando coices, levando a imagem da empresa de roldão. E bem que o Gilmar Knaesel podia recomendar aos seus cabos eleitorais que não revidem xingamentos verbais com ímpetos homicidas, porque, afinal, é a cara dele que está ali, exposta.

Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

QUINTA

OS JOVENS BRUSQUENSES
SE INFORMAM

O Núcleo de Jovens Empreendedores (Acibr Jovem) da Associação Comercial e Industrial de Brusque reuniu, na noite de terça-feira, os três candidatos a deputado estadual que são domiciliados na cidade para fazer um “Painel de Idéias”, uma espécie de debate com jeito de sabatina.

Na foto mais acima, tirada após o debate, dá pra ver, pela cara de todo mundo, que a noite transcorreu calma e sem incidentes mais graves. Além dos candidatos e deste velho jornalista, que atuou como mediador, aparecem na foto os jovens empreendedores que organizaram, produziram e viabilizaram o debate, que foi transmitido por um canal de TV a cabo local e por uma emissora de rádio.

Pra mim foi um grande presente, porque pude rever a bela cidade de Brusque e conhecer o nível de consciência política e a maturidade desses jovens. E os candidatos, experientes e de muito bom nível, portaram-se à altura. Não houve, é verdade, nenhuma discussão mais acalorada, mas acredito que foi possível conhecer um pouco melhor cada um deles.

(Na fotinho menor, a Matriz São Luiz Gonzaga, de Brusque. Como sempre, neste blog, para ver melhor as fotos é só clicar sobre elas que se abre uma ampliação)

ESGOTO NA LAGOA
O presidente da Casan, Walmor de Luca, me ligou. Achei que era pra convidar para a inauguração do esgoto na Barra da Lagoa. Que nada, era pra me dar uma bronca por causa da nota de ontem. Ele acha omiti justamente os pontos mais importantes:
“Foi o Paulo Afonso que conseguiu o financiamento, em 1988* (sic), e o Amin só tocou a obra enquanto durou o dinheiro da Caixa; quando foi preciso colocar dinheiro da Casan ele parou tudo e o governo Luiz Henrique retomou a obra assim que consegui colocar as finanças da Casan em ordem”.
Outra coisa: eu disse, na nota, que a obra ficou parada “quase todo o governo LHS”. Um exagero, porque na verdade só ficou parada até a metade do governo, em maio de 2005.

Update (uma ou duas coisas que não estão no jornal, mas que achei oportuno explicar, ao reler a coluna na quinta de manhã) – *Claro que o Presidente se referia a 1998 (último ano do governo Paulo Afonso), quando citou, duas vezes, 1988 (nesse ano o governador era Pedro Ivo). Mas, segundo o material distribuído à imprensa pela assessoria da própria Casan, a obra teria começado em agosto de 1999 (primeiro ano do governo Amin).

O ACORDO COM O PL
O site Congresso em Foco publicou, com exclusividade, uma entrevista com Christian Perillier Schneider, que foi assessor do Ministério da Saúde e até 30 de junho era assessor especial da Subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde pela primeira vez é contada, por dentro, a operação que atraiu o PL para a base do governo. Segundo ele, partiu de Aldo Rabelo (na época Subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência) ordem para que o Ministério da Saúde liberasse R$ 500 mil para cada um dos 52 deputados da bancada do PL. Um total de R$ 26 milhões. Que não incluem os R$ 10 milhões que o PT ficou de pagar. Para ler a reportagem, clique aqui.

TRIPLICAÇÃO JÁ!
A BR-101 norte, mesmo com duas pistas em cada direção, tem alguns trechos e horários em que já precisa de uma terceira pista. Na verdade a BR- 101 é uma rodovia tão importante para o País, que deveria ter sido duplicada já com três pistas em cada direção, pelo menos. Isso até pode parecer delírio se a gente lembrar que todo o sul do estado não tem nem o mínimo, que seriam as duas pistas duplicadas. Mas vocês verão que, assim que a duplicação for concluída, o fluxo de veículos, hoje reduzido por causa das más condições da estrada, aumentará. E aí teremos que começar outra campanha: “terceira pista já”. Porque, pelo jeito, políticos e administradores públicos com ousadia e uma visão ampla de futuro, continuam em falta.

ALGUÉM ME EXPLICA?
Encontrei esse cartaz aí de cima em alguns dos lugares de Santa Catarina por onde andei nos últimos dias. De longe, parece um daqueles clássicos, em que aparecem juntos o candidato a deputado federal e o deputado estadual. Mas, olhando de perto, a gente vê que ao lado do número do candidato a deputado federal, está a foto do Dário Berger. O eleitor mais distraído pode pensar: “hum, o Dário é candidato a deputado federal”. Ao lado dele, com o nome bem grande, está Djalma Berger, com a legenda “agora é federal”. “Hum... então os dois são candidatos a federal?” pensará o nosso amigo distraído. De qualquer forma, eu, que sou meio fraco das idéias, não entendi direito o que o prefeito da capital está fazendo ali. Campanha para 2010?

(E o pior é que, ao mostrar o cartaz, ainda parece que estou fazendo propaganda gratuita. Saco!)

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

QUARTA

(Atualizado com atraso, devido a problemas de incompatibilidade de wireless. Ou seja: deu um tilt no lupinato da rebimboca da parfuseta sem fio)


O ELEITOR, ESSE DESCONHECIDO
Quando chega perto das eleições o eleitor vira o centro das atenções (deveria ser o ano inteiro, todos os anos, mas esta é outra história) e dependendo do resultado das pesquisas tem até quem diga que o eleitor é burro e/ou malagradecido. E quem está à frente acha que nunca o eleitor foi tão sábio.

As campanhas políticas, não sei se vocês sabem, não são feitas no escuro. Antes de qualquer coisa, são feitas pesquisas qualitativas, onde se pretende saber o que o eleitor quer ouvir, o que ele gostaria que os candidatos dissessem. A partir daí as coordenações de campanha montam os discursos, os programas (quando tem) e a estratégia que será utilizada.

Talvez seja por isso que as campanhas são tão parecidas. Todo mundo fala o que acha que a gente quer ouvir. Se as pesquisas iniciais detectaram que a nossa preocupação principal é emprego, então dá-lhe emprego e renda. E eles ficam fazendo o possível para nos agradar. Para que os discursos soem como música aos nossos ouvidos.

Depois de eleitos tratarão de fazer o que for possível. Como diz o queridinho das multidões: “política a gente faz do jeito que dá, com quem tiver”. Sempre de olho nas pesquisas de aprovação. Nos índices estatísticos.

E pra gente, que sofre ouvindo discursos e faz uma força danada pra votar direito, pra não jogar o voto fora, isso não nos satisfaz, porque fica sempre faltando alguma coisa mais. Afinal, a gente não está no supermercado e político não deveria ser igual a sabonete.

O POLÍTICO, ESSE DESCONHECIDO
Desde muito tempo (pelo menos desde 1998) se discute sobre a necessidade de uma reforma política. Mas nunca se debate adequadamente o tema. Seja porque ele é lembrado por oportunistas, quando surge um escândalo, seja porque está bom assim e ninguém é louco de matar a galinha dos ovos de ouro.

O cientista político Bruno Lima Rocha escreveu um artigo muito interessante (está em www.noblat.com.br, clique aqui para ler) em que levanta uma questão nova e fundamental: acabar com a “carreira” política. Criar mecanismos que evitem que o sujeito seja deputado por 20 anos, ou tenha cargos de confiança a vida inteira. Em resumo: política deveria ser uma prestação de serviço por tempo determinado e não um emprego permanente.

Eles viraram uma “classe” e a gente até fala na “classe política”. Em alguns casos o acesso a esse “privilégio” é hereditário, ou familiar. O político profissional faz de tudo para não largar o osso. Para se manter na “carreira”.

Obrigá-los, por exemplo, a ficar inelegíveis por quatro anos depois de um mandato de igual tempo, seria saudável e permitiria a oxigenação dos parlamentos. E proibí-los de exercer, nesse intervalo, cargos em confiança, para que não fique um jogo de compadres.

Isto deve soar como coisa do demo. Ameaça terrorista. “Nem pensar!” Claro, reação normal e natural de quem já conta com a cadeira cativa, o título patrimonial, a carreira segura e bem remunerada (direta ou indiretamente).

Enquanto isso, como diz meu colega Paulo Alceu, “a vida segue”.

VOLTA POR CIMA
Às vezes a gente fica abatido com os problemas do dia-a-dia e a “depressão” passou a ser um fenômeno mais ou menos comum. Quebrou a unha? Bateu o carro? Foi despedido? O marido arranjou outra? Lá vai ela (ou ele) para a “depressão” (que está entre aspas porque a depressão de verdade é outra coisa, mais séria e grave).

Temos a tendência de achar que os nossos problemas são enormes, únicos e que não há nada a fazer a não ser desesperar-se e praguejar.

Pois o meu amigo Chico Amante, no final de semana, lembrou-me de um exemplo de vida. De uma pessoa que tinha motivos sérios para jogar-se nas cordas, mas não se deixou vencer. Reuniu todas as suas forças, seus talentos e deu a volta por cima.

Trata-se da Juliana Tasca Lohn, 29 anos, filha do falecido João Tasca e da Dona Madalena Tasca. Moradora do Abrão, ali no Continente. A Juliana é surda e muda. Mesmo assim, formou-se em Pedagogia e está se preparando para uma pós-graduação. Com a criação do curso da Linguagem Brasileira de Sinais (Libra), na UFSC, a Juliana fez vestibular e passou. Dá aulas há alguns anos e de vez em quando é convidada para dar palestras em diversas cidades do estado. Ah, e é casada com o Luciano e mãe do Fabrício, que tem 6 anos.

Santa Catarina, o Brasil e o mundo estão cheios de exemplos semelhantes. Gente de coragem que não é derrubada por qualquer “coisinha” e, ao contrário, encontra, nas próprias dificuldades, os degraus necessários para ultrapassá-las. E vencê-las.

ESGOTO NA LAGOA
A Casan inaugura hoje o Sistema de Esgoto Sanitário da Barra da Lagoa. Por artes sabe-se lá de quem, será às 7 da noite (deve ser pra não aparecer nos noticiários do dia). E sempre que um sistema de esgoto fica pronto, começa a outra luta: convencer os moradores que é negócio ligar-se à rede de esgotos. Isso significa despesas imediatas, com a ligação e depois com a conta. E nem todo mundo se acha responsável pela merda que produz.

Estamos anos atrasados no saneamento básico. Esse mesmo, da Barra, ficou parado praticamente todo o governo LHS (tinha sido iniciado em 1999). E coletar esgoto representa uma mudança cultural: depois de séculos jogando tudo no mar, agora temos que pagar para que alguém dê um trato na bosta e, em alguns casos, continue jogando no mar. Mas um dia a gente aprende.

CASANOVA
Esse coronel Ubiratan, que cheficou o massacre do Carandiru (onde foram mortos 111 presos), que disse que “se eu tivesse a intenção de matá-los, teriam morrido muitos mais”, que foi condenado a 600 anos de prisão (um delírio processual, porque a pena máxima no País é 30 anos) e, em liberdade, acabou eleito deputado (e se preparava para a reeleição), acabou morto por motivos passionais. Já são pelo menos duas mulheres apaixonadas e enciumadas por essa jóia de raro caráter.

Como alguma mulher pode se aproximar de um sujeito como esse? E, ainda mais, disposta a disputar seu “amor” com essa fúria? O ser humano é mesmo uma coisa malacabada.

Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

TERÇA


O CONTRATO DO AMIN
Ontem, dia 11, foi o dia que a coligação Salve Santa Catarina, que apoia Esperidião Amin ao governo, escolheu para lançar seu programa de governo. Não por causa da memória dos atentados, é claro, mas porque onze é o número deles. Chamaram o programa de Contrato com Santa Catarina.

E tem mesmo a forma de um contrato entre PP, PV, Prona, PMN e o povo de Santa Catarina. Com cláusulas onde estão expressas as prioridades e os compromissos. Um dos pontos principais é a criação de centros de excelência em várias áreas. O objetivo é que, com isso, o estado todo se torne um centro de excelência.

O “contrato” é uma espécie de obra aberta. Terá nova versão daqui a uns dias e, se forem ao segundo turno, uma última versão contemplando pontos de interesse de eventuais novos aliados, lá pelo meio de outubro.

PERTINHO DO BESC
Ao final do seu discurso, Esperidião Amin deu uma informação: o presidente do BESC pediu-lhe uma audiência. Amin disse que vai até o BESC. Faz questão não só de aceitar o convite para conversar, mas principalmente de ir até lá. E disse que vai levar uma proposta para ajudar a manter o BESC público: transformar as 147 agências pioneiras do banco em portas do governo nos municípios. E o governo, naturalmente, pagaria ao Banco pela cessão do espaço físico e esta seria a ajuda, na prática.

Não é bem oportuna essa aproximação entre PP e PT, digo, BESC?

TIRO N’ÁGUA
O Tribunal Regional Eleitoral (e o próprio Ministério Público Eleitoral) acharam que as duas representações da coligação do Amin, examinadas ontem, não deveriam ir adiante. Os próprios advogados do PP já estavam achando que não iria rolar.

Uma é a queixa que o Luiz Henrique usou “Descentralização” como slogan da campanha de 2002, usou como slogan de governo e agora usou novamente como slogan de campanha. Outra é sobre aquele “mega-evento” em Joinville, de “lançamento” da candidatura de Luiz Henrique, onde estavam 70 ônibus que o PMDB não pagou e onde foram distribuídos brindes e mais brindes. Daqui a alguns dias mais umas duas representações serão julgadas.

PODER DE FOGO
E por falar em ações na justiça eleitoral, a coligação Todos por Toda Santa Catarina mantém uma estratégia de entrar com representações aos montes. Não perdoa nada. São três escritórios de advocacia: um, do ex-secretário Max Bornholdt, cuida só das questões relativas a Luiz Henrique, outro cuida só do candidato a senador e o terceiro cuida do restante da coligação.

São tantas as representações que uma delas, contra José Fritsch, acabou sendo considerada, pelo tribunal, como “litigância de má fé”, que é uma forma do juiz dizer que o advogado tentou dar uma de malandro.

Apesar do grande número de ações, o sucesso tem sido relativamente pequeno. Tiraram um minuto do Fritsch e mais uma coisinha aqui, outra ali. Só.

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PÍLULAS DE MAU HUMOR
Não tem aqueles dias em que a gente acorda de mal com o mundo? Pois então. Segunda-feira já é um dia antipático por natureza, mas ontem, com aquele calorão despropositado, fui ficando azedo e o resultado taí:

Impeachment atrasado – Os líderes incompetentes do PSDB, de uns dias pra cá, resolveram falar em impeachment de Lula. Idiotas: quando era preciso tomar uma atitude e chutar o balde, ficaram com peninha do Azeredo Tadinho (o senador ex-presidente do PSDB que apareceu na contabilidade do Marcos Valério) e resolveram baixar a bola. Perderam a eleição lá. Agora não tem muito o que fazer, a não ser rezar para Santo Expedito.

Palocci tá safo – Alguém tem alguma dúvida que o ex-ministro Palocci será eleito deputado federal e que o processo de quebra de sigilo do caseiro irá mofar nas gavetas? Falam em “até 15 anos de prisão”. Só se for de ventre.

Farsa condenatória – E tem gente sem noção que ainda fala em aumentar as penas para crimes graves. Não adianta, minha senhora. Enquanto vigorarem as facilidades que fazem com que o sujeito nunca, mas nunquinha mesmo, cumpra mais de 1/6 da pena, é bobagem aumentar a pena. Ou a senhora tinha a ilusão que alguém condenado a 30 anos fica 30 anos na cadeia? Nem 10! Quando o cara é pobre e o advogado é ruim, talvez fique um pouco mais, mas cinco anos é praticamente o limite máximo.

Escândalos desmoralizados – Alguém aí ainda acompanha a investigação dos sanguessugas? Vocês sabem que hoje tem depoimento do senador Ney Suassuna na Comissão de Ética? É verdade: e nós com isso? Eles fazem de conta que investigam e a gente faz de conta que acredita. E todos sabemos que boa parte dos candidatos a deputado federal está louquinho mesmo é pra entrar num esquema desses e se arrumar. E o eleitor que se exploda!

Ambulâncias do Lula – Agora em julho o candidato preferido pelas multidões, Lula da Silva, liberou mais R$ 8,4 milhões para a compra de... ambulâncias e R$ 2,4 milhões para comprar tratores. O Tribunal de Contas da União meteu a colher torta e suspendeu os dois repasses. Pela simples razão que a lei eleitoral proíbe que esse tipo de gentileza com dinheiro público seja feita depois de 1° de julho. Agora o Ministério Público vai investigar para ver se foi cometido crime eleitoral. Mais uma calúnia da imprensa contra o coitadinho do presidente pai dos pobres.

O sonho acabou – As pacatas comunidades do interior da Ilha, sonho de tantos que vêm morar aqui e mesmo dos nativos, estão contaminadas pelo terror que a droga espalha. O vizinho é o inimigo, o caroneiro é o bandido, o conhecido é a ameaça e a qualquer momento pode-se levar um tiro na cabeça. Por mil reais, por duzentos tostões, por um rádio de carro, por um anel, por um carro velho, por nada. O charme dos hippies maconheirinhos da década de 70 foi aos poucos sendo substituído por essa gente sem alma. E o que um dia foi um barato transformou-se num pesadelo onde a vida não vale nada.

Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

SEGUNDA

O DIA EM QUE O MUNDO MUDOU
Em setembro de 2001 eu estava morando num hotel, no centro de São Paulo. Transferido da secretaria da redação da sucursal de Brasília da Gazeta Mercantil para a Editoria de Política, em São Paulo, tinha algumas semanas de estadia paga pelo jornal até alugar um apartamento. Como fazia todos os dias, acordei e liguei a TV. Por acaso estava na CNN e a primeira imagem que vi era parecida com esta da capa de um dos jornais: fumaça espessa numa das torres do World Trade Center. Coisa de filme. Ainda mais quando, minutos depois, o mundo e eu acompanhamos, de queixo caído, um outro avião fazer uma graciosa curva e chocar-se contra a outra torre.

Aumentei o volume para me certificar que não era ficção, não era faz-de-conta. Nem os jornalistas que narravam os fatos, nem eu, e acho que ninguém, parecia entender direito o que estávamos vendo. E naquela manhã, antes das duas torres desabarem, tudo parecia estranho demais para ser verdade. Mas, aos poucos, fomos entendendo que, como mancheteou aquele jornal de capa vermelha, “Nada será a mesma coisa, nunca mais”. Os inacreditáveis eventos daquele dia mudariam, e mudaram mesmo, o mundo.

FANATISMO E INTOLERÂNCIA
A América ultrajada, atacada em um de seus corações mais sensíveis, as duas torres que ladeavam Wall Street, ferida no seu orgulho imperial, com uma perplexidade só comparável ao ataque a Pearl Harbor (em 7 de dezembro de 1941) pelos japoneses. E, como lá, o governo entendeu que era seu dever lançar-se numa guerra total contra o inimigo que tivesse feito aquela afronta.

Pearl Harbor, contudo, foi um ataque de um exército regular, com autoria definida, num contexto conhecido. A guerra contra o Japão e, finalmente, as bombas atômicas contra Hiroshima e Nagasaki, resolveram o problema, acertaram as contas. E o mundo voltou a ser mais ou menos o que costumava ser.

Mas naquele dia 11 de setembro não era um exército inimigo que invadia as fronteiras e lançava um ataque comum. Não há um país inimigo, não há inimigos identificados. Os Estados Unidos, então, declararam “Guerra ao Terror”. E foram em busca do terror no Afeganistão. Invadiram o país, trocaram o governo e o terror não estava lá. Está em todas as partes. Aos poucos fomos percebendo que o terror não é islâmico, não tem cara de árabe, não odeia apenas os Estados Unidos.

O terror é uma coisa difusa, que mata espanhóis nos trens lotados em que se dirigem ao trabalho. Mata ingleses. Mata afegãos e árabes de uma maneira geral. O terror é fanático e intolerante. E há fanáticos intolerantes de todas as cores, em todas as religiões, falando todas as línguas. E, como estamos acostumados, aqui no Brasil, nas torcidas “organizadas” de quase todos os times.

Agora, em 2006, alguns anos depois de ter invadido o Iraque em busca de armas de destruição massiva e deposto um governo que teria ligações estreitas com a central Al Qaeda do terror, os relatórios norte-americanos provam que nem Saddam tinha ligações com Bin Laden nem havia as tais armas. Mas nem tudo está perdido: uma das principais reservas de petróleo do planeta mudou de mãos e agora está sendo controlada pelos senhores da guerra. Que saíram, é claro, no lucro.

MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA
Assim como no filme de Sam Peckinpah que teve esse título no Brasil (The Wild Bunch), não dá para saber quem é o mocinho e quem é o bandido. Nem um é bom o tempo todo, nem o outro é ruim o tempo todo. E ambos matam, sem muito cuidado, gente inocente. Como o Hizbolah e Israel. Difícil tomar partido. Mas o ódio que não cessa, que usa a própria vida como arma, negando a existência, numa reverência cega à morte, mudou definitivamente o mundo. Para pior.

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O ESGOTO VAZOU
A Casan não cumpriu duas decisões do Tribunal de Contas referentes à estação de tratamento de esgoto ali da entrada da cidade. Diante do pouco caso da Casan, o Tribunal multou o presidente da empresa Walmor de Luca (o marido da Ada, não tem?) em R$ 1,5 mil e fez uma representação ao Ministério Público estadual. Os conselheiros acham que pode ser que, com uma ação civil pública nas costas o pessoal da Casan se mexa. O que está parecendo é que o Walmor de Luca não reconhece no TCE autoridade para dar palpite em operação de sistema de esgotos e simplesmente ignorou o Tribunal.

Vamos ver se o Ministério Público consegue enfiar o dedo naquela caixa preta e mal cheirosa que faz às vezes de portal turístico da capital.

A CANDIDATA DO TIO SAM
Vocês viram a lama que envolve a candidata do PRP a presidente, aquela Ana Maria Rangel que diz que vai cuidar da gente? Ela mora nos Estados Unidos e veio só pra se candidatar. Daí comprou a vaga nesse partido de aluguel. Mas como em todo negócio entre gente muuito esperta, entrou areia e a Polícia Federal e a Receita Federal estão investigando. Ela alega que o presidente do PRP tentou extorquir uns R$ 14 milhões dela. Maior bafão.

MEMÓRIA ELEITORAL
Vou usar umas continhas que o fernando Rodrigues, da Folha, fez, pra avivar a memória:

Datafolha: 25 de setembro de 2002
Lula: 45%
Serra: 21%
Garotinho: 15%
Ciro: 10%
Zé Maria: 1%
Soma dos adversários: 47%

Datafolha: 5 de setembro de 2006
Lula: 51%
Alckmin: 27%
Heloísa Helena: 9%
Cristóvam Buarque: 1%
Ana Maria Rangel: 1%
Soma dos adversários: 38%

Ou seja, pra ter segundo turno a Heloísa e o Cristóvam precisam cavar mais alguns pontos, pra chegar perto do garotinho e do Ciro em 2002.

“ROUBA MAS FAZ”
O ex-ideólogo do PT e ex-ministro da Cultura de FHC, Francisco Weffort disse na Folha, ontem, que Lula é “o Adhemar de Barros destes novos tempos”. Com isso, ele transfere para Lula o bordão do ex-prefeito paulistano: “rouba mas faz”.

IMAGENS EXTERNAS
Um dos pontos mais estranhos da legislação da propaganda política obrigatória é a que diz que estão proibidas as imagens externas. E o que a gente mais vê são imagens externas. Mas agora o TRE-SC atendeu a uma representação do PV e mandou tirar da propaganda do Colombo (senador), as imagens gravadas externamente.

E a coligação Todos por Toda Santa Catarina conseguiu tirar do Fritsch e da sua coligação um minuto do tempo de propaganda no feriadão. Fritsch tinha aparecido no horário dos candidatos a deputado, o que não pode.

Sábado, 9 de Setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

MAIS UMA PESQUISA
O quadro acima mostra o resultado da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (de Criciúma) em 188 municípios, de 27 a 30 de agosto, sobre a intenção de votos do eleitor catarinense. A pesquisa foi encomendada pelo Partido Progressista (PP) e está registrada no TRE-SC, com divulgação autorizada a partir de hoje. (Para ver melhor os números, clique sobre a ilustração)

OLHAÍ O SEGUNDO TURNO
Segundo esta pesquisa, haveria segundo turno. A dianteira de Luiz Henrique não é assim tão grande. Chama a atenção a diferença dos dois primeiros colocados no resultado desta pesquisa e na outra, divulgada há alguns dias, feita pelo Ibope para a RBS. A pesquisa do Ibope feita dias 22 e 24 de agosto fez mil entrevistas em 52 municípios e mostrava Luiz Henrique com 40% e Esperidião Amin com 29%. Indecisos 15% e Fritsch com 7%.

Enquanto os números do Ibope indicavam a possibilidade da eleição ser resolvida no primeiro turno, os da Unesc deverão acender luzes de alerta na coligação Todos por Toda Santa Catarina. E certamente renovarão os ânimos da turma que apoia Esperidião.

Outro dado interessante é a dificuldade que Fritsch está tendo para colar seu desempenho ao de Lula ou pelo menos ser levado alguns pontos percentuais acima pela nova onda. Ao que tudo indica, o eleitor do Lula é apartidário, não acha que deve lealdade ao PT (que de resto foi escanteado pelo próprio Lula) e vota numa chapa eclética.

O TODO-PODEROSO
Lula investiu forte contra o livre arbítrio que boa parte das religiões atribui aos seres humanos. Ao dizer, numa reunião política na Assembléia de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, que Deus quis que ele se elegesse presidente para proteger os evangélicos, o candidato passou do ponto.

Como bem lembrou Ricardo Noblat, é verdade que “Deus nada fez para impedir (...) mas dizer que ele quis que isso acontecesse, é exagero”. Deus não se meteu e seria muito bom que o companheiro Lula e demais candidatos não tentassem comprometê-Lo nessas disputas terrenas.

Mas assim como é demais achar que Lula é o escolhido d’Ele, também é exagero anunciar que, se a eleição se resolver no primeiro turno, o Brasil corre o risco de sofrer um golpe populista. Como diria o Mané: “menas, seus tolo, menas!” Primeiro e segundo turno são regras do jogo. Não há qualquer quebra da normalidade na vitória eleitoral.

A HISTÓRIA SE REPETE
Nos jornais é possível ler reportagens sobre o aumento real de cerca de 10% nos gastos públicos no governo Lula. E o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, lembra no seu blog que no livro do também jornalista Guilherme Fiúza, “3.000 dias no bunker” (Editora Record, R$ 48,90) tem um registro muito interessante sobre esse tema dos gastos públicos.

Vou resumir o que conta o livro: no final de 1997, depois da crise dos chamados tigres asiáticos, o então presidente Fernando Henrique baixou um pacote com 51 medidas de aperto fiscal.

Só que, no primeiro semestre de 1998, ano eleitoral os gastos do governo federal subiram 20%. Fiúza conta que o pacote de corte nos gastos tinha sido boicotado pelo próprio presidente, que a certa altura resolveu deixar de lado o controle para não arriscar a eleição. E com o aumento dos gastos, Fernando Henrique foi reeleito no primeiro turno.

Em 1999, o Brasil quebrou.

O problema, portanto, não é o aumento dos gastos do governo federal em anos eleitorais, o grande problema é a ressaca, no ano seguinte, quando alguém terá que pagar a conta da desmedida generosidade eleitoral.

VOLTA ÀS AULAS
Graças às greves de professores, o calendário escolar da UFSC continua completamente maluco. Segunda, dia 11, começam as aulas do segundo semestre de 2006, que só terminarão no dia 2 de março de 2007. E, se tudo correr bem, o primeiro semestre de aulas do ano que vem começa dia 19 de março. Mas aí, para mostrar ao novo presidente que ninguém está brincando, provavelmente algum sindicato proporá uma paralisação, que voltará a desarranjar o calendário por mais dois anos.

Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006

SEXTA

O governador, Dr. Moreira, tem de vez em quando umas recaídas e reassume o papel e a pose de prefeito de Criciúma. Como na fotinho acima, tirada na festa de dez anos do sistema integrado de transportes que ele criou quando era prefeito... de Criciúma.

Claro que, pra cidade, é muito importante que um de seus ex-prefeitos seja governador. Joinville sabe disso muito bem. Florianópolis também. E agora é a vez de Criciúma. E não há mal nenhum em cultivar e paparicar sua base eleitoral. Há limites legais para isso, mas, em princípio, nada contra.

Só que eu não poderia deixar passar, nesta sexta-feira enforcada, feriadão de araque (pelo menos para quem teve que trabalhar) o fato do prefeito honorário de Criciúma ter permitido que o sistema de comunicação do governo distribuísse também a foto em que a primeira-dama aparece oferecendo bolinho para a população criciumense.

Dirão os amigos do Dr. Moreira que isso é implicância minha e que esse fato não contraria a lei. E eu respondo que sou, sim, implicante e chato. A Dra. Moreira não é agente político estadual, não é servidora pública e não estava em missão oficial. Logo, as fotos podem dar a impressão que a primeira família está apenas divulgando sua campanha para a prefeitura, usando o site oficial.

O PAPEL DESAPARECIDO
Fui dar uma conferida na história das milhares de resmas de papel desaparecidas, pra ver se não era só fofoca do PP. Achei fantástico que cerca de 4 milhões de folhas tivessem “sumido” como por encanto. O PP falou em 9 mil resmas, o registro na Secretaria da Administração fala em 8 mil e tantas: isso quase enche um caminhão.

O episódio está para ser esclarecido, mas há quem aposte que o papel desaparecido será reposto. Um servidor de carreira que conhece bem o almoxarifado central me contou que acha que “quem desviou o papel não tinha conhecimento integral do sistema de controle do almoxarifado”.

Como todo material que sai do almoxarifado central para as secretarias, sai acompanhado de nota fiscal, existe um rigor muito grande em todo o processo. “Não teria como fazer sumir nem uma resma de papel, o que dirá 8 mil”, garante ele. De qualquer forma, todos os funcionários do almoxarifado foram removidos, assumiram outros servidores e as fechaduras das portas foram trocadas. Como se houvesse alguma suspeita sobre eles.

A palavra agora está com o motorista do caminhão que teria dito, candidamente, que, por ordens superiores, deu uma passadinha numa gráfica e deixou parte da carga por lá.

A CAMPANHA DIFÍCIL
Um dos grandes problemas do nosso sistema eleitoral é a dificuldade que têm os candidatos a cargos proporcionais (deputados estaduais e federais) de chegar ao eleitor, de fazerem-se conhecer e serem ouvidos.

Alguns deles com quem conversei explicam que mesmo para quem já tem mandato está sendo difícil. Acordam cedo e colocam o pé na estrada, visitando um por um os eleitores.

Vânio dos Santos (PT) contou que esta é uma campanha silenciosa. Carreatas e comícios foram substituídos pelo corpo-a-corpo: “e o eleitor quer conversar, está ávido por informação, mais racional e menos emocional, a gente tem que ter argumentos para convencê-los”.

Paulo Eccel (PT), lembra que tem muito eleitor mal acostumado, que já chega dizendo “tenho dez votos lá em casa e estou precisando de uma carrada de brita”. “Fazem negócio até por e-mail, oferecendo votos sempre em troca de alguma coisa”, queixa-se ele.

Dado Cherem (PSDB), também não vê outra forma de fazer a campanha deste ano que não seja caminhando o dia inteiro, da manhã á noite. “É uma campanha diferente das anteriores”, avalia. No meio das dificuldades, eles têm que fazer das tripas, coração, para cativar os milhares de votos que são necessários para serem eleitos.

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A REVOLTA DO ASSESSOR

Finalmente conversei, na quarta-feira, com o jornalista Paulo Kastrup, que foi assessor de imprensa da Secretaria da Fazenda e que, ao ser exonerado, saiu atirando. Eu tinha contado e comentado o ocorrido valendo-me de outras fontes e só falei com ele agora.

Na verdade, o que o deixou irritado foi a forma como foi tratado. Não pretendia ficar na secretaria depois da saída de Max Bornholdt (o novo secretário trouxe sua própria assessora), mas, como foi convidado para assessorar a Diretoria de Administração Tributária, aceitou. E, vários dias depois de estar na nova função, foi chamado pelo novo Diretor Geral, Marco Aurélio Dutra (que no começo do governo LHS tinha sido retirado de uma diretoria pelo então secretário Max Bornholdt), que o demitiu depois de dizer que “o governo está precisando de sangue”.

O motivo alegado foi que ele tinha levado, para o Aldo Hey Neto, preso na Polícia Federal, colchonete e cobertores: “me ligaram da PF pedindo se eu não podia levar, porque o cara estava mal e na sala em que ele estava não tinha cama e eu fiz esse favor”.

Kastrup assegura que não teve qualquer envolvimento com o esquema de Aldo: “nunca fui à casa dele, só era conhecido de trabalho”. Ele avalia que foi vítima de uma espécie de expurgo que fez com que os profissionais ligados a Max Bornholdt fossem demitidos como se tivessem alguma coisa a ver com o Aldo.

AMIGO DO RODRIGO
Eu disse aqui que Kastrup foi instrutor de tênis de Rodrigo Bornholdt (vice-prefeito de Joinville e seu amigo pessoal): “imagina, o Rodrigo foi campeão brasileiro de tênis, não tem nada para aprender comigo”.

E também falei numa colaboração dos dois em negócios com jogadores de futebol. Kastrup explica que, como tem formação em Educação Física, como técnico de futebol, tentou ajudar Rodrigo quando ele assumiu a presidência do Joinville. E foi ao Rio de Janeiro escolher alguns jogadores que pudessem reforçar o time catarinense. Mas suas sugestões acabaram não sendo aceitas pela diretoria do clube e o episódio encerrou por ali.

A REVANCHE
O dossiê contra Felipe Luz, que ele disse a alguns jornalistas, logo que foi despedido, que possuía, não existe: “fiquei com medo, porque não sei do que esses caras são capazes e quis me defender”, justifica-se. Em todo caso, deve deixar Florianópolis nos próximos dias. “Estou desempregado, não tenho como pagar o aluguel”, afirma. E diz que tem apenas um fusca no nome dele, que vive do salário e não tinha a menor idéia do que o Aldo andava fazendo.

Da conversa com o Kastrup restou-me uma certeza: o pessoal do Paulo Afonso está voltando ao Centro Administrativo disposto a mostrar ao Max Bornholdt (e ao LHS também?) que nada como um dia após o outro: vítimas de uma “limpeza étnica” na secretaria no começo do governo, eles agora voltam dando o troco, com igual apetite por sangue “inimigo”. E, favorecidos pela prisão do Aldinho, ocupam todos os espaços.

Tá feia, a coisa. Não gostaria de estar na pele do LHS no momento em que, se reeleito, tiver que acomodar os apetites de todas essas feras.

Quinta-feira, 7 de Setembro de 2006

QUINTA

INDEPENDÊNCIA OU MORTE?!
Um País é independente, acho eu, quando os corações e mentes de seus habitantes são formados por uma cultura própria, temperada pela cultura geral e universal, sem atrelamentos, subserviência e excessiva dependência.

O Brasil é um belo País. Os brasileiros compõem um dos povos mais interessantes e originais. A cultura brasileira tem manifestações que são admiradas, invejadas, estudadas e homenageadas no mundo todo. Mais valorizadas do que aqui, em muitos casos.

Muitos de nós, contudo, não somos independentes. Fomos e somos colonizados por alguma outra cultura, que faz com que quase não tenhamos interesse, preocupação ou conhecimento do nosso próprio umbigo.

A roupa, a música, a gíria, os valores, os ícones que muitos de nós usam e adotam vêm de outro lugar, onde talvez até façam sentido. Macaqueados, copiados automaticamente para cá, transformam-se apenas nisso: macaquices de ignorantões que não conseguiram ainda declarar sua independência.

(Texto publicado originalmente no dia 7 de setembro de 2005. E republicado porque nada mudou.)

A PAZ QUE QUEREMOS
Terminou ontem em Florianópolis o Festival da Paz e mantive, sobre esse evento, aqui na coluna, obsequioso silêncio. Como não concordo com alguns aspectos desse festival, fiquei numa situação incômoda: relacionar o que acho errado no Festival poderia dar a idéia, completamente falsa, que sou contra a difusão de uma cultura do pacifismo. Portanto preferi, sabendo que isso representa um desserviço para os leitores, ficar quieto. Uma espécie de risco calculado, como diria o cirurgião, pouco antes de cortar sem querer um nervo e deixar o paciente com a cara torta.

Mas agora acabou, aparentemente foi um sucesso e posso dizer duas palavras a respeito: o envolvimento do governo nesse evento (mobilizaram servidores de várias regiões, além de recursos) foi, a meu ver, descabido; e o “mix” esotérico, religioso e quase messiânico das manifestações associadas é particularmente indigesto para quem prefere que a cultura da paz não seja misturada a essas pseudo-ciências.


A IMAGEM DO FERIADO
A foto acima mostra a ilha do Campeche, pequena ilha bem próxima à ilha de Santa Catarina (onde se situa a maior parte do município de Florianópolis). A foto, batida pela minha amiga Teca Travassos, está aí porque é bonita, porque eu gosto de mostrar paisagens da minha terra e porque imagino que vocês também gostem de conhecer melhor este estado bonito em que a gente vive. (vocês já sabem: se clicar na foto...)

TURISMO INTERNO
Os hotéis estão se queixando da baixa ocupação nesta temporada de estranho frio setembrino. Pois eu acho que é falta de sensibilidade, falta de tino para os negócios e falta de profissionalismo dos marqueteiros turísticos.

Se a temporada não está atraindo turistas de fora, que tal fazer promoções que a gente, que é daqui e gosta daqui, possa aproveitar? Vocês não acham que seria atraente se moradores de Itajaí e região ganhassem um belo desconto para passar o feriado em bons hotéis de Florianópolis?

Eu, por exemplo, se soubesse que em Itajaí, Cabeçudas ou outra cidade da região, os moradores de Florianópolis teriam condições especiais na baixa temporada, é claro que tentaria programar alguma coisa para aproveitar as promoções. Bastava ser uma coisa honesta e realmente vantajosa.

O problema é que parece que o povo dos hotéis, pelo menos os daqui de Florianópolis, prefere não ganhar R$ 120,00 por apartamento do que ganhar R$ 50,00 e manter a ocupação (justiça seja feita, vi um anúncio do Marambaia Cabeçudas fazendo uma promoção dessas, mas também foi só).

As empresas aéreas já aprenderam (mais ou menos) a lição. Agora falta os hoteleiros acordarem.

Santa Catarina precisa valorizar a turma que, nos finais de semana, dá uma circulada pelo estado, aproveitando a paisagem, o frio e a comida. Tem um monte de lugar legal e interessante que a gente pode ir com poucas horas de viagem. Só falta hotel bom e barato.

CELSO MALDANER RESPONDE AO PP
A Patrícia Bertollo, provavelmente assessora do candidato, mandou um e-mail esclarecendo a posição do Celso Maldaner (citado na coluna de ontem), a respeito da suspeita, levantada pelo PP, de uso da máquina administrativa para sua campanha a deputado. Ela diz que ele não usa a máquina.

Para ilustrar (no caso de vocês não conhecerem o irmão do Casildo), catei umas fotos que ele tinha mandado distribuir (acima, em março de 2006) pelo sistema de comunicação do governo, quando ainda era secretário da SDR de Maravilha. E, por coincidência, foram tiradas justamente pela mesma Patrícia, que na época era assessora de informação da SDR (como ele não usa a máquina, ela deve ter se exonerado da função comissionada que ocupava na SDR).
“Caro Cesar Valente:
Segue uma pequena resposta à informação publicada em seu blog a respeito das bombas do PP.
Esta ‘bomba’ com a declaração do Celso Maldaner não passa de um ‘estalinho’. Todos sabem, inclusive o PP e o seu presidente Joares Ponticelli, que a declaração do canditato se referia à sua estrutura de campanha em municípios sede de regionais, e não dentro das SDR's.
Essa interpretação propositadamente equivocada não passa de uma tentativa desesperada de criar um factóide, para tentar desestabilizar a candidatura de Luiz Henrique, já que seu candidato percebeu que não há como brigar com a verdade. O povo catarinense aprovou a descentralização, as secretarias regionais, e não quer retroceder à velha política do beijão-mão no Centro Administrativo.
Resumindo, é puro e leviano despeito.”


Update das 19h:
caso não tenha ficado claro acima, é preciso esclarecer que a Patrícia, embora ainda tenha seu nome no site da SDR como assessora, fez direitinho o seu dever de casa e pediu exoneração do cargo para poder dedicar-se à campanha. O problema, se é que tem algum, com certeza não é com a Patrícia.

Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006

QUARTA

O NOSSO PARLAMENTO
Ontem teve sessão na Assembléia e a casa do povo estava bem movimentada. Claro que, em alguns momentos, como quando tirei a foto acima, o plenário estava mais ou menos vazio, mas a maioria dos deputados andava por lá e muitos apareceram ao longo da tarde. Na foto panorâmica de minha própria autoria, no lado de cá, mais vazio, estão os lugares reservados aos partidos do governo, da base de apoio (ou quase, porque a deputada Odete e o deputado Parisoto não estão fazendo campanha para LHS). Do lado de lá, com uma lupa, dá pra ver alguns deputados do PT e outros do PP (se clicar na foto abre-se uma ampliação).

Mas a foto não está aí para fazer qualquer crítica à ausência ou à presença dos deputados. Apenas para lembrar que esta sala é uma das mais importantes do estado. Lugar privilegiado onde só entram aqueles que recebem, de alguns milhares de eleitores, uma procuração exclusiva e plenipotenciária. Um cheque em branco.

VIGILÂNCIA CÍVICA
E aí nesta sala, nossos representantes deveriam fazer de tudo para que a gente não se sentisse envergonhado por ter-lhes dado a tal procuração. Deveriam agir como se tivessem, o tempo todo, uma câmera de TV acompanhando seus passos e a gente, em casa, tivesse um monitor para acompanhar o que eles estão fazendo.

Pera aí, isso já existe. É a TVAL, o canal que transmite as sessões e as comissões. Não acompanha todos os passos dos deputados, mas pelo menos mostra boa parte do desempenho deles. Se prestar atenção na TVAL durante um tempo, a gente pelo menos consegue separar as toupeiras, os oportunistas, dos esforçados.

ALFACE DE DOIS LEGUMES
O problema é que ao mesmo tempo que permite que a gente acompanhe nossos representantes e veja como eles se comportam, a TVAL e os outros canais que os deputados dispõem dão-lhes uma vantagem enorme em relação àqueles que concorrem pela primeira vez a um cargo eletivo.

O deputado, ao se candidatar à reeleição, sai quilômetros à frente. Não só porque dispõe de uma estrutura de gabinete e de pessoal, o que sempre ajuda, mas principalmente porque, se foi um deputado atuante, teve sua exposição para todo o estado.

E o candidato novo tem enormes dificuldades para concorrer com esses macacos velhos. Problemão para conseguir votos adicionais em outras regiões (poucos municípios ou regiões têm votos suficientes para eleger um deputado). O que torna as campanhas caríssimas e muito perigosas.

AS BOMBAS DO PP
A bancada do PP (Partido Progressista), chamou os jornalistas para uma entrevista coletiva (foto acima), para falar sobre as denúncias mais recentes. Claro que as orelhas do Luiz Henrique e do pessoal do PMDB e do PSDB devem ter ficado ardendo a tarde toda.

São cinco bombas de tamanhos variados e de poder de fogo ainda incerto. Tanto podem resultar num traque, num estalinho de salão, quanto num estouro de efeito moral e eleitoral, daqueles de arrebentar as vidraças. Tudo vai depender de como a Justiça se pronunciar.

Primeiro caso: a justiça eleitoral está investigando um mega-evento político realizado em abril em Joinville, que reuniu milhares de pessoas em apoio à candidatura Luiz Henrique. Para comprovar a aquisição das camisetas que foram distribuídas, o PMDB apresentou notas fiscais de cerca de R$ 65 mil, de uma empresa de fachada. E não apresentou nenhum comprovante de contratação dos 77 ônibus que conduziram militantes de praticamente todo o estado. Por coincidência, segundo o PP, todas as empresas têm contratos com as secretarias do desenvolvimento regional.

Segundo caso: a justiça eleitoral também investiga um encarte promocional do governo que foi publicado em 143 jornais associados à Adjori (Associação dos Jornais do Interior) e outras ações de publicidade, dissimulada ou não, em outros veículos, como revistas e out-doors.

Terceiro caso: o irmão do ex-senador Casildo Maldaner, Celso Maldaner, deu uma entrevista a um jornal do oeste onde diz, com todas as letras, que “em cada secretaria regional tem um líder que está monitorando nossa campanha”. Isso comprovaria o uso da máquina administrativa.

Quarto caso: a bancada do PP trouxe um exemplar do jornal Gazeta de Joinville, com matéria que afirma que Max Bornholdt também está sendo investigado pela Polícia Federal. E aproveitou o gancho para informar que seis partidos (PP, PT, PSB, p-SOL, PL e PTB), assinaram ontem o pedido de abertura da CPI da Fazenda. Ou CPI do Compadre. Ou CPI do Aldinho. Parece que a única dúvida é sobre o nome da CPI.

E o quinto caso: o PP vai pedir que o Ministério Público e o Tribunal de Contas investiguem o sumiço, da Secretaria de Estado da Administração (área do PSDB), de 9 mil resmas de papel A4. A secretaria comprou 140 mil resmas em dezembro de 2005 e quando o papel chegou almoxarifado central faltavam as 9 mil que, segundo o PP, teriam sido entregues numa gráfica da cidade. O encarregado do almoxarifado que teria se recusado a assinar o recebimento, acabou exonerado e daí registrou sua queixa na Polícia Federal.

Como vocês devem ter percebido, é bastante munição. Mas só depois do dia 11 de setembro, quando o TRE começa a julgar alguns desses casos, é que poderemos ter idéia do poder de fogo de cada um. A data, garante o TRE, não foi escolhida propositalmente.

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Meu velho amigo Paulo Brito, na foto ao lado, coça o cavanhaque durante a entrevista coletiva do Guga (que disse que ainda não vai se aposentar e que a vida começa aos 30). O Brito era um dos doze (12!) funcionários da RBS presentes. Oops, é melhor eu apagar este comentário, porque senão algum executivo da RBS pode ter idéias e resolver “racionalizar” a cobertura, despedindo mais alguns.

Terça-feira, 5 de Setembro de 2006

TERÇA

Nota do editor: hoje é um daqueles dias em que, pra ver direito as fotos e o que está escrito nelas, é preciso clicar sobre elas para que se abra uma ampliação. Infelizmente, pode ser que seja meio demorado para quem tem conexão discada.

CENAS DA CAMPANHA
A foto acima, distribuída pelo escritório de campanha do LHS, mostra o exato momento em que o Edinho Bez, chateado com alguma coisa, deixa de participar daquela solenidade rotineira de todo final de comício e reunião: de mãos dadas, todos erguem os braços, para mostrar união e motivar os militantes a continuar trabalhando.

Como a campanha do LHS está, segundo as pesquisas, indo bem, é claro que ninguém vai dar muita bola para o amuo do Edinho. Talvez ele nem leve um puxão de orelhas.

E nessa foto aí, uma carreata na roça. Certamente LHS, Pavan e Colombo resolveram ir atrás dos votos dos verdes, para não dar chance ao Basso. Nunca se sabe, atrás de uma toiceira sempre pode ter um eleitor, ou uma eleitora (ou os dois). Também pode ter acontecido do cicerone local (o prefeito ou outro político) ter resolvido deixar de lado a zona urbana, para mostrar sua lavoura de fumo para os candidatos e pedir alguma isenção de imposto.

DR. MOREIRA EXPLICA
Ontem o governador Dr. Moreira falou, respondendo a uma pergunta que fiz, sobre essa história de “retorno do Paulo Afonso” numa entrevista à rádio Som Maior Antena1 FM, de Criciúma. Ele acha que há muita especulação, que estão tentando ver um fato extraordinário e um antagonismo com Luiz Henrique numa atitude de governo que, segundo ele, é normal.

Ele explicou que o Marco Aurélio Dutra tinha sido trazido para o governo há mais tempo, para ser diretor geral da Secretaria de Articulação, que antes o LHS tinha João Mattos, também ligado a Paulo Afonso, como secretário. Ou seja, o aproveitamento da turma que foi do Paulo Afonso se dá porque são bons quadros do PMDB. “E se foram da confiança do Paulo Afonso, agora estão ali porque são da confiança do Eduardo Moreira”, disse o governador.

O que eu entendi da explicação foi que, de fato, o Dr. Moreira está montando o seu governo, sem se preocupar com as preferências do LHS. Mas que isso não tem gerado atritos internos, uma vez que estão sendo chamados peemedebistas com qualificação técnica. E quem tenta ver fato político no “retorno” de Paulo Afonso está enxergando chifre em cabeça de cavalo.

SAFENA NO FELIPE
O próprio secretário da fazenda, Felipe da Luz, ligou ontem para avisar aos amigos que será operado semana que vem, para colocar uma ponte de safena. E que daqui a um mês, mais ou menos, quer voltar às suas funções normais no governo.

O 11 DE SETEMBRO
O PP não quer nem saber, vai lançar seu programa de 11 pontos no próximo dia 11 às 11 horas e 11 minutos.


Tá confuso porque a vida é confusa. O Rubens Flores e a Carla, repórteres do DIARINHO em Florianópolis, notaram um volume esquisito na galeria de serviço que fica embaixo da ponte Pedro Ivo. Daí ele fotografou (esta foto da direita). Demoraram pra descobrir que aquele volume, meio embrulhado, com um pano vermelho cobrindo a cabeça, era alguém dormindo. Provavelmente um jovem que usa aquele local como casa.
No detalhe da esquerda talvez dê pra ver melhor.

Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006

SEGUNDA

URUCUBACA NA FAZENDA
O secretário da Fazenda, Felipe da Luz (foto acima), que assumiu há menos de um mês, baixou hospital. Depois de ficar dois dias num pronto-socorro cardíaco em Florianópolis, foi transferido ontem para São Paulo, em busca de atendimento especializado. Ele é diabético e isso sempre pode complicar tratamentos que são relativamente rotineiros, como o cateterismo.

Não consegui saber se já chamaram alguém pra benzer o Centro Administrativo. Depois da prisão de um figurão, da demissão do secretário preferido do LHS e do piripaque de saúde do novo secretário, alguma providência tem que ser tomada, que envolva sal grosso, arruda e muita reza.

Quem assumiu interinamente a secretaria foi Marco Aurélio Dutra, o novo Diretor Geral. O Diretor Geral anterior, Lindolfo Weber, por falar nisso, continua na secretaria, mas em outra função, como consultor de alguma coisa.

PREFEITO EM CAMPANHA
O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, todos sabem, pediu licença de um mês sem remuneração para matar dois coelhos com uma só cacetada.

O primeiro é ajudar na campanha do irmão, porque afinal se o Djalma já fez tanto na Assembléia, imaginem o que poderá fazer na Câmara. A federalização da família é, com certeza, uma das prioridades.

O segundo coelho é a campanha do próprio Dário ao governo, em 2010. Para isso, terá que estadualizar o nome. E nada melhor que percorrer o estado, na campanha do irmão, para também ir fazendo sua própria caminha.

Só ingênuos acham que um prefeito de capital tem que se preocupar com a administração municipal. Nós somos apenas um trampolim, uma pedra no meio do riacho, uma pinguela baloiçante por onde os políticos têm que passar para vôos mais altos.

E nem dá pra xingar muito os irmãos Berger, porque em outros lugares também se faz coisa parecida: ou o que Serra fez com a prefeitura de São Paulo (pedindo demissão pra concorrer ao governo, depois de se eleger jurando que não faria isso) não foi também um grande desaforo?

OS PROFISSIONAIS
Os irmãos Berger (Dário, Djalma e Dilmo) não brincam em serviço. Dividiram bem as tarefas: Dário concorre a cargos executivos, Djalma, que normalmente atua como tesoureiro das campanhas, concorre ao legislativo e Dilmo cuida das empresas da família, cuja rentabilidade dá suporte às ações do grupo. O fato de parte das empresas do grupo ter, como cliente, o governo do estado, não tem criado qualquer problema, ao contrário, gera uma sinergia que, aparentemente, tem sido muito positiva e, principalmente, rentável.

Tudo indica, portanto, que os movimentos do grupo e de seus componentes seguem uma linha estratégica previamente estudada e acertada.

Por isso, se algum candidato ou grupo de candidatos pretende se opor, combater ou só ficar no caminho da máquina Berger de política de resutados, é bom se preparar. O jeitão tradicional de fazer política não parece ser páreo para eles, que têm desafiado mito após mito. Esperidião, o alvo mais recente da fúria Berger, que o diga.

MONOPÓLIO
O site Acontecendo Aqui, que trata basicamente de temas relacionados com publicidade e comunicação, ouviu o Procurador da República Celso Três, sobre a anexação do jornal A Notícia ao grupo RBS.

Três disse que “o monopólio da comunicação é como se fosse o partido único. É a voz única. Qualquer pessoa medianamente informada deveria se preocupar com isso. Mas lutar contra essa concentração não é fácil. Ainda mais que não foi regulamentado a artigo que veda a verticalização. Mas a Constituição proíbe o monopólio, e a Carta Magna está na base de toda legislação”.

O procurador está esperando que a transação se complete para poder “questionar a monopolização do mercado provocada pela aquisição”. Celso Três está interessado em ouvir opiniões e sugestões sobre este assunto, pelo e-mail tres@prsc.mpf.gov.br.

AMB E O VOTO NULO
A Associação dos Magistrados Brasileiros lançou uma campanha contra o voto nulo. Só que... Não sei se será muito eficaz dizer a quem está pensando em anular o voto, que deve votar “no bom candidato”. Até onde sei, quem pretende protestar anulando o voto é porque não encontrou o tal “bom candidato”. E os procedimentos que a AMB sugere que o cidadão siga para encontrar o melhor candidato são, na prática, quase impossíveis de realizar: “pesquise o passado da pessoa, para saber se ela cumpre as regras eleitorais, se é adepto do troca-troca de partido” são algumas delas.

Ora, se nem a polícia e os tribunais conseguem provar, em muitos casos, a vinculação do candidato com o dinheiro que foi encontrado na cueca de alguém, como é que o cidadão comum vai “investigar” coisas passadas?

Sou contra o voto nulo porque não resolve nada. Mas que dá vontade, dá.

O presidente da Celesc, Miguel Ximenes, dias desses foi inaugurar uma subestação de energia elétrica em Joinville, cidade que tem indústrias e muitas empresas e sabe o valor da eletricidade.

Aproveitou pra contar (na boa, como se vê na foto acima) que em uma certa capital, vereadores e mais não sei quem criam todo tipo de problemas para evitar a construção de uma subestação cujo principal crime seria assegurar o fornecimento estável de energia elétrica.

Cá entre nós, não tem como ter os confortos da luz elétrica sem toda a parafernália necessária para fazer com que ela chegue até as casas. Mas o pessoal quer luz sem subestação, quer segurança sem presídios e delegacias, quer que recolham o lixo sem permitir aterros sanitários e assim por diante.

Sábado, 2 de Setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

O NOVO “COLEGIADO”
Assumir secretaria em final de governo é meio chato mesmo. Ninguém dá muita bola. E, se ainda por cima, o ex-governador Paulo Afonso Vieira comparece e senta-se à mão direita do governador, aí mesmo que ninguém presta atenção. A foto acima mostra a posse do novo secretário da Agricultura, Gelson Sorgato (à direita). Mas, mais do que isso, documenta o prestígio do deputado Paulo Afonso que reaparece no gabinete do governador, em posição privilegiada (e).

Não que Luiz Henrique tivesse proibido Paulo Afonso de aparecer ao lado dele nas fotografias. Mas o fato é que Paulo Afonso não aparecia nas fotografias. Era normal o Paulo Afonso manter-se numa posição discreta e afastada. Mas, com o Dr. Moreira, tudo mudou. Falei nisso ontem e teve gente que me ligou meio desconfiada, achando que eu estava forçando a barra. Então tá, vai ver que é só coincidência.

PARTIDOS DE CASTIGO
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina puniu três partidos com a perda da graninha das cotas partidárias. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), do João Ghizoni e da turma que fez a festa na Fesporte, foi punido porque teve suas contas rejeitadas. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), porque não prestou contas relativas aos anos de 2003 e 2005. E o Partido da Mobilização Nacional (PMN) não prestou contas em 2005.

As contas do PCdoB, segundo o TRE-SC, estavam tão bagunçadas que não teve jeito senão rejeitar e bloquear a verbinha do Fundo Partidário. Pois é, já não se fazem mais comunistas como antigamente.

O AMOR É LINDO...
E por falar em TRE-SC, teve um novo caso de propaganda antecipada envolvendo out-doors em Joinville. Só que desta vez quem apareceu no cartaz foi o vereador Hazael Batista (PSDB) de Florianópolis, candidato a deputado estadual. Na sua defesa ele disse que não mandou colocar os cartazes e que nem sabia deles.

O empresário Alessandro Maia, confirmou, disse que colocou os out-doors do Hazael em Joinville, na Páscoa, sem que o candidato soubesse. Apenas como prova de amizade.

O TRE-SC, que não nasceu ontem, multou os dois. Cada um terá que marchar com R$ 21.282,00.

PAU NO TEBALDI
O Tribunal de Contas mandou o prefeito de Joinville anular a contratação, sem licitação, do INEDAM um instituto que iria ajudar a arrecadar o ISS (recebendo, para isso, honorários de cerca de R$ 15 milhões). O TCE encontrou várias irregularidades e a dispensa irregular da licitação foi apenas uma delas. O TCE vai avisar o Ministério Público Estadual sobre o que encontrou.

“ELES” ESTÃO DE VOLTA
O candidato-presidente Lula vai contar com gente de peso na sua base: Jader Barbalho, no Pará, Fernando Collor, nas Alagoas e Orestes Quércia em São Paulo. Sem falar em tantos outros, como o Coronel Sarney. Mas, como já dizia Nixon, “a memória do povo é fraca e seu coração complacente”. E depois do que já aconteceu, ninguém estranha mais nada.

SARNEY BARBARIZA NO AMAPÁ

A jornalista Alcinéa Cavalcanti, do Amapá, que mantém (mantinha, o UOL tirou o blog do ar ontem) um blog, já recebeu nove representações judiciais do candidato José Sarney, que, nos estados do Sul e Sudeste, posa como imortal da Academia Brasileira de Letras, conselheiro de todas as horas do presidente Lula e democrata. No seu curral eleitoral (ele se elege pelo Amapá, embora more no Maranhão, para não atrapalhar a carreira política de seus familiares), Sarney não tem nada de tolerante, intelectual ou democrata: escreveu, não leu, ele solta os juízes em cima.

O principal “crime” da Alcinéa foi ter publicado a foto de uma pichação num muro, que mostrava uma caricatura de Sarney (essa pequena, aí ao lado). Não foi ela que fez a pichação, só mostrou que tem gente descontente com o Sarney no Amapá. Mesmo assim, está sendo ameaçada não só de ter que fechar o blog, mas também de pagar um montão de dinheiro de multas.

Claro que não dá pra concordar com uma coisa dessas. O ex-presidente Sarney não merece uma caricatura feiosa como aquela, num cartaz tosco. Afinal, temos que respeitar quem fez o que ele fez. Por isso, mudei o cartaz, usando uma foto decente do senador, com letras caprichadas. Mais condizentes com o nível intelectual de um censor como o Coronel Sarney.

Update
– Alcinéa abriu outro blog, está aqui (alcineacavalcanti.blogspot.com).

Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

SEXTA



A FAZENDA EM EBULIÇÃO
A divulgação, ontem, do relatório da comissão encarregada de examinar os processos do Compex, apontando indícios de irregularidade em cerca de uma dezena deles, joga um pouco mais de gasolina na fogueira que arde nos porões do Centro Administrativo.

O fogo, entretanto, não aumentará de uma vez só: os indícios de irregularidade agora serão submetidos a novas investigações que deverão determinar sua gravidade e se de fato se constituem em fraudes ou foram apenas erros ou outros problemas menores.

A conclusão que Aldo Hey Neto é o único responsável pelas irregularidades não supreende. Afinal, se alguém mais estivesse envolvido a situação do ex-secretário Max ficaria ainda mais difícil.

CONFLITOS INTESTINOS
As circunstâncias da exoneração do assessor de imprensa da fazenda, Paulo Kastrup, deram algumas pistas sobre a tal fogueira interna.

O jornalista demitido era amigo íntimo do Rodrigo Bornholdt (filho de Max), foi seu padrinho de casamento, é seu instrutor informal de tênis e o ajudava nas negociações com jogadores de futebol, que parece ser um dos hobbies do vice-prefeito de Joinville.

E era amigo também do Aldo Hey Neto, outro indicado de Rodrigo. Os dois não faziam parte dos “menudos” da Fazenda, o grupo de jovens técnicos que Luiz Henrique e Max Bornholdt trouxeram, principalmente de Joinville.

Logo depois da prisão do Aldinho, Kastrup levou para ele, na cadeia, colchonete, travesseiro e cobertor.

Mas nos últimos dias Kastrup andava assustado. Chegou a dizer a algumas pessoas que tinha recebido ameaças de morte. Como defesa, escreveu uma carta e a remeteu a 50 pessoas, entre familiares e amigos, para o caso de lhe acontecer alguma coisa. E preparou 20 cópias de um dossiê, a cujo conteúdo não consegui ter acesso.

Aldo Hey Neto tem afirmado que aquela dinheirama encontrada nas casas dele foi armação. Ele jura que não é dele. Amigos do Aldo dizem que não faz sentido ter tanto dinheiro em notas pequenas. Ele lidava com grandes empresas importadoras e exportadoras, se fosse o caso de ter comissões ilícitas guardadas em casa, o "normal" seria ter notas maiores. E aí surge uma dúvida de filme policial: armação de quem? com ou sem a participação da PF?

QUEM É DE QUEM?
Com a saída de Max Bornholdt, o controle da Secretaria da Fazenda foi retomado pelo time do ex-governador Paulo Afonso Vieira, que tem a simpatia e apoio do governador Eduardo Moreira. Gente que não pisava no palácio há anos e que tinha sido deixada de fora do governo, ao que parece por orientação direta de Luiz Henrique, agora circula com desenvoltura.

É possível, então, identificar claramente a existência de dois times excludentes: o que Max montou com apoio de Luiz Henrique, que agora está em baixa, batendo em retirada. E o que o Dr. Moreira está trazendo. E a “transição” não está ocorrendo tranqüilamente. Há arestas, farpas e caneladas.

Algo me diz que jamais saberemos com exatidão tudo o que está acontecendo no Centro Administrativo. Mas que está acontecendo, está.

DOIS LADOS DA MOEDA
Qualquer fato pode ser descrito de pelo menos dois pontos de vista. Por exemplo: a polícia militar estacionou carros e policiais em alguns pontos do centro da cidade.

Leitura 1: a polícia reforçou o policiamento, mantendo os policiais mais próximos das áreas mais movimentadas, isso facilita a ação e melhora a sensação de segurança da população.

Leitura 2: a polícia deve estar completamente sem grana para o combustível. A dificuldade é tamanha, que em vez de ficar fazendo rondas, os carros têm que ficar parados.

Provavelmente nenhuma das duas leituras é completamente verdadeira e, portanto, também não é completamente mentirosa. E a escolha vai depender do estado de espírito de cada um: quem acordou de ressaca, ou olhou para as contas a pagar antes do café da manhã, ou está fazendo campanha para a oposição, certamente vai sentir maior simpatia pela leitura 2.

Ou seja, é tudo muito relativo.

PAÍS DE BANDIDOS
Rouba-se de tudo nesta casa da mãe Joana que é o Brasil. E, naturalmente, o sujeito que rouba os fios da rede elétrica faz isso porque tem quem compre o produto roubado. O indivíduo que arrebenta a porta de um carro popular comprado a duras penas para roubar um radinho de R$ 150, faz isso porque tem quem compre sem perguntar de onde veio. O traficante fica rico porque tem quem compre a droga. Não adianta fazer cara de paisagem e achar que isso muda ou melhora sozinho.

PAÍS DA HIPOCRISIA
Tem crianças trabalhando nas minas de talco de Ouro Preto, num ambiente insalubre mesmo para adultos. As multinacionais Basf, Faber-Castell e ICI Paints compram o talco produzido com mão-de-obra dessas crianças por empresas clandestinas em Minas Gerais.

Não seria uma grande idéia, um bom serviço às causas sociais, fazer uma reportagem sobre isso? Mostrar as crianças sendo exploradas?

Pois a revista do Observatório Social fez isso. Mostrou tudo, tintim por tintim. E tão bem, que os incomodados já se fizeram ouvir e membros zelosos do Judiciário mandaram apreender a revista e retirar as imagens do site (www.observatoriosocial.org.br).

O motivo alegado: a matéria e as fotos das crianças trabalhando teriam sido forjadas. E tanto a promotora que propôs a medida quanto a juíza estavam muito preocupadas que a região de Mata dos Palmitos, conhecida pelo seu belo artesanato, ficasse mal falada, como região de exploração do trabalho infantil. A ação não contesta a existência de trabalho infantil, mas acha demais que a revista mostre as crianças trabalhando.

E o que era, e é, uma denúncia, foi tratado na ação como “exploração da imagem dos menores” pela revista.

Como disse amigo meu depois que, uns dias atrás, dei uma força para uma campanha da Associação Brasileira de Magistrados: “seria muito bom se os juízes começassem a levar o seu trabalho mais a sério”. Não se pode generalizar, mas tem coisas sendo decididas por aí que parecem piada.