Mas a foto não está aí para fazer qualquer crítica à ausência ou à presença dos deputados. Apenas para lembrar que esta sala é uma das mais importantes do estado. Lugar privilegiado onde só entram aqueles que recebem, de alguns milhares de eleitores, uma procuração exclusiva e plenipotenciária. Um cheque em branco.
VIGILÂNCIA CÍVICA
E aí nesta sala, nossos representantes deveriam fazer de tudo para que a gente não se sentisse envergonhado por ter-lhes dado a tal procuração. Deveriam agir como se tivessem, o tempo todo, uma câmera de TV acompanhando seus passos e a gente, em casa, tivesse um monitor para acompanhar o que eles estão fazendo.
Pera aí, isso já existe. É a TVAL, o canal que transmite as sessões e as comissões. Não acompanha todos os passos dos deputados, mas pelo menos mostra boa parte do desempenho deles. Se prestar atenção na TVAL durante um tempo, a gente pelo menos consegue separar as toupeiras, os oportunistas, dos esforçados.
ALFACE DE DOIS LEGUMES
O problema é que ao mesmo tempo que permite que a gente acompanhe nossos representantes e veja como eles se comportam, a TVAL e os outros canais que os deputados dispõem dão-lhes uma vantagem enorme em relação àqueles que concorrem pela primeira vez a um cargo eletivo.
O deputado, ao se candidatar à reeleição, sai quilômetros à frente. Não só porque dispõe de uma estrutura de gabinete e de pessoal, o que sempre ajuda, mas principalmente porque, se foi um deputado atuante, teve sua exposição para todo o estado.
E o candidato novo tem enormes dificuldades para concorrer com esses macacos velhos. Problemão para conseguir votos adicionais em outras regiões (poucos municípios ou regiões têm votos suficientes para eleger um deputado). O que torna as campanhas caríssimas e muito perigosas.
A bancada do PP (Partido Progressista), chamou os jornalistas para uma entrevista coletiva (foto acima), para falar sobre as denúncias mais recentes. Claro que as orelhas do Luiz Henrique e do pessoal do PMDB e do PSDB devem ter ficado ardendo a tarde toda.
São cinco bombas de tamanhos variados e de poder de fogo ainda incerto. Tanto podem resultar num traque, num estalinho de salão, quanto num estouro de efeito moral e eleitoral, daqueles de arrebentar as vidraças. Tudo vai depender de como a Justiça se pronunciar.
Primeiro caso: a justiça eleitoral está investigando um mega-evento político realizado em abril em Joinville, que reuniu milhares de pessoas em apoio à candidatura Luiz Henrique. Para comprovar a aquisição das camisetas que foram distribuídas, o PMDB apresentou notas fiscais de cerca de R$ 65 mil, de uma empresa de fachada. E não apresentou nenhum comprovante de contratação dos 77 ônibus que conduziram militantes de praticamente todo o estado. Por coincidência, segundo o PP, todas as empresas têm contratos com as secretarias do desenvolvimento regional.
Segundo caso: a justiça eleitoral também investiga um encarte promocional do governo que foi publicado em 143 jornais associados à Adjori (Associação dos Jornais do Interior) e outras ações de publicidade, dissimulada ou não, em outros veículos, como revistas e out-doors.
Terceiro caso: o irmão do ex-senador Casildo Maldaner, Celso Maldaner, deu uma entrevista a um jornal do oeste onde diz, com todas as letras, que “em cada secretaria regional tem um líder que está monitorando nossa campanha”. Isso comprovaria o uso da máquina administrativa.
Quarto caso: a bancada do PP trouxe um exemplar do jornal Gazeta de Joinville, com matéria que afirma que Max Bornholdt também está sendo investigado pela Polícia Federal. E aproveitou o gancho para informar que seis partidos (PP, PT, PSB, p-SOL, PL e PTB), assinaram ontem o pedido de abertura da CPI da Fazenda. Ou CPI do Compadre. Ou CPI do Aldinho. Parece que a única dúvida é sobre o nome da CPI.
E o quinto caso: o PP vai pedir que o Ministério Público e o Tribunal de Contas investiguem o sumiço, da Secretaria de Estado da Administração (área do PSDB), de 9 mil resmas de papel A4. A secretaria comprou 140 mil resmas em dezembro de 2005 e quando o papel chegou almoxarifado central faltavam as 9 mil que, segundo o PP, teriam sido entregues numa gráfica da cidade. O encarregado do almoxarifado que teria se recusado a assinar o recebimento, acabou exonerado e daí registrou sua queixa na Polícia Federal.
Como vocês devem ter percebido, é bastante munição. Mas só depois do dia 11 de setembro, quando o TRE começa a julgar alguns desses casos, é que poderemos ter idéia do poder de fogo de cada um. A data, garante o TRE, não foi escolhida propositalmente.

Meu velho amigo Paulo Brito, na foto ao lado, coça o cavanhaque durante a entrevista coletiva do Guga (que disse que ainda não vai se aposentar e que a vida começa aos 30). O Brito era um dos doze (12!) funcionários da RBS presentes. Oops, é melhor eu apagar este comentário, porque senão algum executivo da RBS pode ter idéias e resolver “racionalizar” a cobertura, despedindo mais alguns.
2 comentários:
Resmas de PapeL.
Quem era mesmo o Secretário de Administração naquela época?
Conhecidência, dias atrás recebi em minha casa, via correio, um prospecto de um certo candidato, ressaltando sua vida pública, tudo à cores e bem diagramada...Assim sendo...
Será que as RESMAS DE PAPEL serviram para a confecção de algum material promocional de algum CANDIDATO A DEPUTADO?
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