sábado, 23 de setembro de 2006

SÁBADO E DOMINGO

BEM PASSADO
O depoimento de cerca de três horas do petista churrasqueiro Jorge Lorenzetti (foto ao lado) na Polícia Federal, ontem, não acrescentou nada ao que já se sabia sobre a trapalhada do dossiê. Mas serviu para consolidar uma prática que já pode ser considerada até como uma tradição petista, a dos homens-bomba do presidente.

Grandes amigos, gente de fé, que em determinado momento tem que assumir culpas e, como se tivesse dinamite amarrada ao corpo, explodir-se em praça pública. Diferentemente dos homens-bomba da Al-qaeda e do Hizbollah, que se explodem no meio de adversários para tentar causar a maior destruição possível, os homens-bomba do PT explodem-se a si mesmos destruindo apenas bens que não são materiais: abrem buracos na já carcomida credibilidade dos políticos, provocam novas rachaduras na destroçada ética pública e jogam na lama mais alguns pedaços da parte boa da história do primeiro Partido de Trabalhadores do País.

Jorge Lorenzetti é o mais recente desses homens-bomba: disse que tudo o que fez, fez sem conhecimento de seus superiores. Claro que, em mais uma das tradições petistas, disse que não foi ele que começou e também nada sabia da dinheirama. Ele tinha topado que o trapalhão Valdebaran fosse atrás do dossíê, mas, até onde diz saber, não tinha dinheiro envolvido. E, dito isto, ouviu-se, no setor de autarquias sul, onde se situa a sede da Polícia Federal, um enorme estrondo, seguido de um cheiro forte de enxofre. Era o sinal que mais um homem-bomba tinha cumprido seu dever.

Agora, tal e qual Delúbio, outro homem-bomba exemplar, Lorenzetti deve mergulhar no mais profundo silêncio e retornar às suas atividades quase subterrâneas, de tão discretas.

Pode-se até pensar, diante de tantos problemas envolvendo amigos próximos do presidente, que ele talvez não saiba escolher direito com quem dividir seus charutos Cohiba, com que jogar suas peladas ou com quem assar uma costela. Mas, pela disciplina e silêncio com que os homens-bomba vão para o sacrifício, acho que, ao contrário, foram todos muito bem escolhidos. Quaisquer outros, sob tanta pressão, teriam explodido antes, ou depois, da hora.

NOVO EDITOR D’A NOTÍCIA ASSUME SEGUNDA-FEIRA
Terminou conforme o previsto, sem alterações, a negociação entre a RBS e os acionistas de A Notícia. O contrato foi assinado no dia 21, em uma reunião realizada em Florianópolis, no hotel Blue Tree, com a diretoria das duas empresas, lideradas por Nelson Sirotsky e Moacir Thomazi.

Na terça-feira, dia 26, os novos proprietários assumem a operação do jornal e fazem uma reunião com os funcionários, para se apresentar e explicar que nada muda até dezembro. Naturalmente, sairão os diretores, mas as demais funções, em princípio, continuam com os mesmos titulares.

O primeiro a ser substituído é o Diretor de Redação. O jornalista Luís Meneghim, depois de muitos anos de dedicação ao jornal, cede lugar a um editor indicado pela RBS (e que virá de Porto Alegre). O novo editor-chefe assume já nesta segunda-feira, naturalmente para que o jornal que circulará no dia da chegada do gaúchos não tenha surpresas.

Os leitores talvez nen notem as mudanças, como não devem ter notado o desaparecimento, em silêncio, do slogan “Catarinense de verdade”, que durante anos demonstrava, na capa do jornal, aquela ponta de orgulho com que A Notícia disputava mercado com o concorrente mais poderoso, obtendo algumas vitórias importantes.

Último representante de uma limitada linhagem de jornais catarinenses de circulação estadual, A Notícia foi sempre, e principalmente nos últimos anos, um orgulho para seu estado e uma esperança de resistência que, agora, cai definitivamente por terra.

É TERÇA! ESPERO VOCÊS!
Por coincidência, no mesmo dia em que a RBS toma conta de mais um jornal catarinense, eu e o bravo DIARINHO abriremos, em Itajaí, a exposição comemorativa de um ano da coluna.

Será às 19h da terça, dia 26, no hall da Prefeitura Praiana. Os convites foram enviados por e-mail pruma porção de gente, mas se você, que é leitor ou leitora, não recebeu, nem esquente e não pense duas vezes, apareça lá. Serão todos muito bem recebidos.

O PESO DAS DÍVIDAS
Comerciantes de automóveis de Florianópolis com quem conversei ontem parecem não ter dúvidas que o suicídio do Márcio Moreira na segunda-feira, dia 18, dentro do gabinente do deputado Vieirão (PP), teria como um dos motivos principais, senão o principal, as dívidas contraídas com a negociação de automóveis que ele e um grupo estavam fazendo.

As dúvidas que ainda persistem referem-se aos detalhes dessa negociação. Em pelo menos três lojas Márcio comprou veículos a prazo, em algumas prestações. No mercado fala-se num negócio que pode chegar a quase R$ 1 milhão. Alguma coisa deu errado nos planos do grupo e os prazos começaram a vencer sem que eles tivessem condições de saldar as dívidas.

O que ele ou eles fariam com tantos carros? Algumas pessoas falam que os veículos eram para serem usados na campanha política.

Mas os coordenadores das campanhas geralmente não compram carros, apenas os alugam. E talvez fosse essa a oportunidade que o Márcio quisesse aproveitar: ter uma frota para alugar às várias campanhas. Em todo caso, ainda há muitas versões diferentes e conflitantes, mas há tanta gente envolvida no negócio que o segredo não vai durar muito e logo ficaremos sabendo dos detalhes que ainda estão obscuros.

PARQUE DO JACARÉ
No acordo assinado entre o Ministério Público Federal e os réus da ação que questiona a construção do Shopping Iguatemi, no Santa Mônica, está a criação de um parque de 18,5 mil m2 próximo ao Shopping.

Os réus, no caso, além dos construtores são também a Prefeitura, a Fatma e o Ipuf. Eles terão, além de dotar, na marra, a cidade de mais um parque, de cumprir uma série de outras tarefas, tal e qual o castigo que se dá a moleques mal comportados.

Outra tarefa é a despoluição do rio Sertão, que será feita basicamente com a identificação daquelas residências chiques, no Santa Mônica e adjacências, que lançam seus esgotos na rede pluvial e o fechamento dessas ligações.

4 comentários:

Anônimo disse...

Caro César, vc equivocou-se na data do convite. A data correta é 26 de SETEMBRO.
Abraço...

Cesar disse...

É verdade, anônimo. Estamos em setembro, às vésperas da eleição e minha cabeça ainda está presa em algum lugar do passado. Obrigado pelo lembrete. Já corrigi.

Anônimo disse...

E lamentavel a venda do jornal a noticia para a rbs. Perde o jornalismo como um todo. Agora so resta torcer para o novo expert da midia, o Sr Mario Petrelli entrar de cabeca no ramo.

Anônimo disse...

Caro Cesar,

O Lorenzetti botou a releicao do Lula em risco. O pessoal do PT quer assa-lo em fogo brando.