quinta-feira, 16 de novembro de 2006

QUINTA

O BRASIL NÃO É A VENEZUELA
O jornalista Paulo Moreira Leite fez uma análise muito interessante sobre esse envolvimento do Lula com o Chávez e as críticas do presidente brasileiro à imprensa.

Ele afirma que Lula está errado ao comparar-se a Chávez e dizer que ambos foram vítimas da mídia:
“Chávez foi vítima de um fracassado golpe de Estado, apoiado por grandes empresários, uma parcela do Exército e da mídia local. Lula foi alvo de denúncias de corrupção, em função de atos cometidos pelo PT. Ninguém questionou o calendário eleitoral, nem seu primeiro mandato nem a reeleição. Teve apoio tão grande de empresários que teve de rever, para cima, o orçamento da campanha. O único golpe ocorrido na campanha foi aplicado pelos “aloprados” que tentaram comprar o dossiê Vedoim.

“É apenas fantasia eleitoral falar em articulação golpista no país. Nem Lula é Chavez nem a Venezuela é o Brasil.

O esforço de Lula para se fazer de vítima é um esforço para deixar a mídia de joelhos no segundo mandato. Em entrevista a Fernando Rodrigues, o marqueteiro João Santana já explicou que esse papel ajuda a manter a popularidade do presidente.”
DEPUTADOS BRASILEIROS FAZEM SUCESSO NA ESPANHA
O jornal espanhol El País, na edição de ontem, contou para seus leitores o quanto ganham os deputados federais brasileiros: pouco mais de R$ 92 mil por mês. Os deputados espanhóis devem estar se roendo de inveja. Ainda mais porque as continhas foram feitas antes de entrar em vigor o aumento que os abonados brasileiros provavelmente terão no ano que vem.

Diz a Agência Estado:
“Por mês, de acordo com cálculo da publicação, os deputados recebem R$ 92.300 entre salário e pagamentos extras. A divisão dos vencimentos foi feita pelo El País: R$ 12.400 de salário, R$ 50.000 para pagar assessores, R$ 3.000 para habitação en Brasília, R$ 4.200 para envio de correspondência, R$ 15.000 reservados para indenizações, R$ 15.000 para pagar um escritório em sua base eleitoral e R$ 8.300 para passagens de avião.”
Mesmo antes do aumento de 100% no salário previsto pelo projeto que Aldo Rebelo apresentou (vai para R$ 24.200), os deputados brasileiros já estão entre os mais bem pagos do mundo. Não é o máximo?

FERIADÃO NA PREFEITURA
Florianópolis está vivendo mais ou menos uma espécie de feriadão político-administrativo. Vários secretários pediram demissão e ainda não foram substituídos, um dos secretários, delegado de polícia federal, levantou várias suspeitas, ia sair, mas ficou e luta contra a burocracia para poder apurar e provar que tinha gente metendo a mão na grana das multas.

O prefeito, como se fosse irmão siamês do LHS, diz que só vai dar jeito no seu secretariado depois que sair a lista de secretários estaduais. Decerto está esperando pra ver se o irmão, Djalma Berger, vai ter emprego ou se algum outro amigo ficará de fora, precisando de uma forcinha.

Segundo o deputado Afrânio Boppré, obras importantes, como os elevados do Itacorubi e da Av. Ivo Silveira estão parados por falta de verbas. O que fará com que os engarrafamentos da temporada sejam quilométricos. Os recursos para as obras, afirma Boppré, viriam em boa parte do Fundo Social estadual, que secou (pelo menos até o final do ano). E o prefeito fica chorando pelos cantos e reclamando do governo estadual, que além de não repassar o dinheiro, ainda não deu a Secretaria de Infraestrutura para o primeiro-irmão.

ABERTO PERO NO MUCHO
Na Assembléia Legislativa ainda se discute a adaptação do regimento da casa à emenda constitucional que prevê o fim do voto secreto nas deliberações parlamentares. O deputado Gelson Merísio (PFL) ainda tem dúvidas sobre se os deputados devem votar abertamente. E faz uma comparação, que acho indevida, com o voto secreto do eleitor.

Ora, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O deputado, o vereador, o senador, são nossos representantes, eleitos (teoricamente) para defender um programa partidário, propor leis e fiscalizar os atos do governo. Nada disso precisa ser feito às escondidas. Talvez na ditadura o voto secreto nos parlamentos fosse útil para evitar perseguições políticas, mas com o Estado de Direito em vigor, é preciso que o eleitor, que o contribuinte, que a população, saiba como votam Vossas Excelências. Sempre e a qualquer momento.

É a única forma de evitar acordos por baixo dos panos e mostrar a tal “transparência” de que tanto se fala e tanto se teme.

LHS E O PMDB NACIONAL
Amanhã o LHS reúne em Florianópolis alguns governadores e dirigentes do PMDB para conversar sobre a forma como o partido sentará no colo do Lula. No PMDB nacional, dividido como sempre, tem quem tope até beijo na boca. Tem gente mais recatada, que acha que deve sentar de ladinho e só no joelho. E tem o LHS e mais alguns que acha que um pouco de compostura não faria mal nenhum.

Em todo caso, é uma articulação complicada, porque no Brasil o governador pode morrer à míngua sem as verbas federais. Portanto, algum tipo de diálogo é necessário. Ao mesmo tempo, não pode se aproximar demais do PT, para não criar novos problemas.

BERTOLI NÃO PRETENDE SER SECRETÁRIO DE LHS
O presidente da Acaert, Ranieri Moacir Bertoli pede que eu esclareça alguns pontos, relacionados com a nota da terça-feira, em que comentei a possibilidade dele ser convidado a ocupar a Secretaria de Comunicação do próximo governo.

Ele informa que não foi convidado e que, “se isso acontecer, não aceitarei em hipótese alguma”. E não pretende assumir qualquer outra função pública: “Tenho um compromisso com a Radiodifusão Catarinense que não inclui a possibilidade de cargos comissionados”.

Eu tinha entendido que ele tinha deixado a presidência da Acaert (chamei-o de ex-presidente), mas na verdade continua à frente da entidade. A nova presidente, Marise Hartke, só assume no começo do ano. E Bertoli lembra que não é radialista (profissional que atua em rádio ou televisão), apenas radiodifusor (dono de empresa de radiodifusão).

Bertoli também diz que ele e o ex-secretário Derly de Anunciação são apenas bons amigos. Aquela fofoca, que circula há algum tempo tanto nos corredores do Centro Administrativo quanto em outras rodas, que os dois são sócios, é apenas fofoca.

Ele elogia a forma como a Secretaria de Comunicação tem se relacionado com o chamado “trade de comunicação e propaganda”: “isso possibilitou, pela primeira vez na história do Estado, a implantação de uma política de comunicação responsável, aprovada pelo mercado”.

Claro que, no final da cartinha, Bertoli reclama do que ele chama de “costume equivocado de representantes da Imprensa que transformam fofoca em notícia”. Não foi bem o caso da nota nesta coluna, que manteve a fofoca como fofoca, sem pretender dar-lhe outra aparência.

CANTINHO DOS LEITORES
Tenho recebido, de eleitores de Lula que são leitores desta coluna, algumas cartas muito interessantes. Não é o caso de reproduzi-las, porque algumas são apenas uma troca de idéias, sem o propósito de alimentar alguma discussão pública. Algumas foram escritas a propósito daquela nota sobre a crônica da Danuza a respeito da D. Marisa, mas tratam também de outras questões.

Um ponto que me chamou a atenção, porque aparece em várias cartas, é a idéia que a imprensa só fala mal do Lula e não mostra as coisas boas que ele tem feito. É o tipo de coisa que não bate com a realidade. Quem lê os principais jornais sabe que ali estão registrados os fatos marcantes da gestão Lula.

A oposição até acha, que em certos momentos, há um excesso de informação governamental nos jornais. Mas é claro que as denúncias envolvendo os auxiliares do presidente também aparecem bastante. E isso tem incomodado bastante os lulistas, que prefeririam, é claro, que os jornais dessem menos destaque a esse noticiário, “porque no governo anterior eles não falavam tanto nisso”.

É o grande problema de quem é governo: se transforma em vitrine e acaba sempre sendo alvo das pedras do debate democrático.

2 comentários:

Rafa Stripes disse...

Oi Cesar, é bom ter a imprensa acompanhando de perto os governos, mas a criação de caso é dispensável. Pena a D.Marisa não realizar ações sociais, porém, o destaque dado ao pedido/crítica/sugestão da Danuza é meio incompreensível. Me deu a impressão de que todos os insatisfeitos com o resultado das eleições passaram aquele texto adiante sem refletir, querendo mostrar pra todo mundo que encontram/produziram mais um defeito no Lula.
Passou um tempo e ninguém mais fala em ações sociais. A maioria das pessoas que cobrou isso da D.Marisa tbém não faz nada a respeito.
E se fosse o outro candidato o vencedor, iriam falar dos 400 vestidos e das compras na Daslu?
E pq cobrar só da esposa do Lula? O que a esposa do Alckmin anda fazendo? Do Luiz Henrique? E de todos os outros políticos?

Cesar disse...

Ô Rafa: as outras, pelo menos, fazem de conta que fazem. Algumas até parecem bem ativas (a do Luiz Henrique dirige uma Fundação de assistência social). Nunca examinei a fundo a utilidade dessas ações, mas em todo caso o que parece estar em discussão não é só a questão de fazer alguma coisa por fazer, mas a atitude que a mulher, nos dias de hoje, deve ter. Imaginava-se que a companheira tivesse a mesma visão, sobre o papel feminino que, por exemplo a Ideli e a Luci.