sexta-feira, 14 de outubro de 2005

SEXTA

AFINAL, O QUE É UM “GOVERNADOR EM EXERCÍCIO”?

Toda vez que um governador ou prefeito viaja (ou seja, quase o tempo todo), colocam no lugar um sujeito que passa a ser chamado de governador ou prefeito “em exercício”. Um atleta, portanto. E enquanto o substituto se exercita, o que viajou continua agindo como se governador fosse. O que é uma coisa muito estranha: o LHS não passou o cargo para o JG? O governador não é o JG? Então quem está visitando a Alemanha e a China é o cidadão LHS. A menos que a gente admita que temos dois governadores, Um aqui, fazendo exercício e outro lá, batendo perna. O mundo da política é cheio de mistérios. A única coisa clara, certa e segura é que é a gente que paga a conta.

PORQUE NÃO!
Já disse aqui que acho esse referendo uma fajutice. E cada vez que assisto o tal programa gratuito me convenço mais da enorme palhaçada que estão nos fazendo viver. Quer ver?

1. O comércio de armas de fogo, hoje, já é uma coisa extremamente limitada. Experimentem ir a uma loja comprar uma arma. É muito complicado, tem uma papelada e uma burocracia que chega a exigir despachante e muita paciência. Portanto, o acesso às armas legais já é feito de forma controlada.

2. E se comprar armas já é assim difícil e a criminalidade continua aumentando, então não é o comércio legal de armas o responsável pela nossa insegurança.

3. Portanto, mentem aqueles que dizem que ao votar sim a gente vai reduzir a violência. Assim como o sim não pode ser classificado de “voto pela paz” (porque é simplesmente o voto contra o comércio legal de armas), o não não demonstra que a população “quer as armas” ou gosta de violência.

4. Se, por um lado, votar sim não adianta nada, votar não pelo menos demonstra que esse referendo é uma bobagem e que a gente não é idiota.

DEVER DE CASA
Dar mais segurança à população é tarefa dos governos. Federal, estadual e municipal. Não adianta se esconder atrás de referendos fajutos para tentar colocar nas nossas costas uma responsabilidade que é deles. Eles precisam fazer o dever de casa.

Ao elegê-los, a população já lhes deu esse mandato: “criem condições para que a gente tenha uma vida digna, com segurança e paz”.

E para que um País seja seguro é preciso estímulo ao emprego, bom sistema de saúde pública, polícia bem equipada, habitação para todos, judiciário ágil, combate permanente à corrupção (a começar pela Presidência). Tudo isso depende de muito trabalho e vontade política. E não será resolvido com qualquer tipo de referendo.

PERGUNTA ERRADA
Se a pergunta fosse: “você quer um País mais seguro?” a resposta seria sim.
Mas como a pergunta é muito esquisita e inadequada a uma consulta popular nacional (“você quer proibir a venda legal de armas e munições?”) a resposta tem que ser não. Porque isso não é coisa que se coloque num referendo.

Quando resolveu limitar a venda de armas e munições, o governo não pediu opinião da população. Porque não precisava. Para proibir, também não precisa mais do que consultar nossos representantes, os deputados e senadores.

Então pra que esse referendo? Qual o sentido dessa bobagem? Acabe com isso votando NÂO.

MORDOMIA CULTURAL
Os caros leitores talvez não saibam como é dura a vida dos jornalistas catarinenses. Vejam só este e-mail que recebi da Secretaria da Cultura, Esportes e Turismo:

“A Secretaria de Desenvolvimento Regional de Caçador tem a honra de convidar você jornalista para assistir ao espetáculo “Contestado – A Fúria Cabocla”, em Caçador. O jornalista interessado em assistir o espetáculo terá transporte (ônibus leito) e hospedagem gratuita e camarote próprio da imprensa. A única despesa será com a alimentação.”

Isso é uma armadilha que todo jornalista decente deveria evitar: vai que a gente tope ir no alegre ônibus da imprensa, ficar no alegre hotel da imprensa, assistir no alegre camarote da imprensa e no final ache o espetáculo uma bosta? Fica sem jeito de falar a verdade, né? E acaba traindo a confiança dos leitores para não perder as mordomias.

MALA DIRETA
Por favor não achem que eu implico com o Knaesel ou com a Secretaria dele: mas é que eles não instalaram ainda o “Vai dar Merda”. Explico: toda secretaria deveria ter um sujeito de bom senso que olhasse as coisas e avisasse, antes de ir pra rua. Se ele disesse “vai dar merda”, era só engavetar o projeto e pronto.

Se tivessem o VDM, não teriam, por exemplo, feito mais esta bobagem: os funcionários da secretaria do Knaesel estão recebendo amável convite, distribuído por amáveis senhorinhas (pagas por quem?), para uma festa de confraternização natalina dia 14 de dezembro.

Anexo ao tal convite tem um formulário onde o secretário, entre outras coisas, pede endereço, telefone e data de nascimento do convidado. Trata-se, ao que parece, de um festeiro muito interessado na vida pessoal dos seus convivas.

Logo, logo, ou mais próximo do período eleitoral, certamente todos receberão cartinhas pedindo votinhos e empenho na campanha.

AGENDA CAPENGA

Só pra terminar e depois deixar o Knaesel em paz por uns tempos: dia 18 eles vão fazer grande festa, na Assembléia, para lançar o Guia de Eventos, a 1ª Mostra Fotográfica e a 1ª Mostra do Cinema de Santa Catarina.

O tal Guia, que já está disponível na Internet (www.sol.sc.gov.br), tem a relação do que está acontecendo no estado. Mas de um jeito burocrático e capenga. Fui lá e olhei o dia 15 de outubro. Achei um troço escrito exatamente assim: “FEMOAESC – Federação de Motonáutica e Motoaquática do Estado de Santa Catarina, em São José”. Mais nada.

Custava escrever que se trata de um campeonato brasileiro de jet-ski e dar mais alguma informação sobre o evento? Pelo jeito custava.

JOAQUINA RELOADED
Antes de ser obrigado a viajar para deixar a cadeira livre para o Marcílio Ávila fazer exercício de prefeito, o surfista-vice-prefeito Bita Pereira assinou um pacotinho de obras para a recuperação dos equipamentos públicos da praia da Joaquina.

Não entendo muito esses conceitos modernos de administração pública: em vez de manter os equipamentos em bom estado, como seria obrigação da prefeitura, primeiro eles deixam ficar tudo detonado. Depois fazem festa para assinar a “ordem de serviço” da tal “revitalização” da praia.

E na certa, quando tiverem cumprido nada mais que a obrigação, fazem outra festa, para “inaugurar a obra”. Saco.

DE OLHO NOS MACHADO
Depois do Bolshoi, o LHS agora está com as orelhas ardendo por causa de outros dois grandes amigos, os irmãos Machado, Edson e Juarez. Os ministérios públicos estadual e federal propuseram uma ação e a juíza federal de Joinville aceitou. A acusação fala em “suposta ocorrência de atos de improbidade administrativa” no contrato para a realização do portal do Centreventos Cao Hansen.

Edson era presidente da Fundação Cultural de Joinville (hoje o é da Fundação Catarinense de Cultura) e Juarez é o irmão artista, que vende peças de arte e presta serviços para os governos dos quais o irmão faz parte. Eles ainda não tiveram oportunidade de se defender e explicar o que aconteceu.

Essas coisas de parentesco são sempre complicadas. Ainda mais quando tem dinheiro público envolvido. Por mais que os caras sejam honestos, sempre fica uma nuvem de desconfiança flutuando sobre as cabeças deles.

MERCADO EM PERIGO
Tem uma turma alertando para os problemas que a recuperação apressada da ala queimada do Mercado Público de Florianópolis pode criar. Pediram inclusive (finalmente!) o tombamento daquele Patrimônio, para que as características históricas sejam mantidas.

Acontece que a Prefeitura quer porque quer entregar as lojas aos comerciantes ainda a tempo deles faturarem com as vendas de Natal. E o movimento SOS Mercado Público está preocupado com coisa bem mais valiosa: a descaracterização arquitetônica de um dos cartões postais da cidade. Que, antes de ser apenas um mercado, é um bem cultural que deve ser cuidado e preservado para continuar tendo o valor que tem.

Um comentário:

Saint-Clair disse...

Pois é, temos governador em exercício, prefeito em exercício, presidente da Assembléia em exercício, presidente da Câmara em exercício e alguns vários prefeitos do interior, de municípios melhor aquinhoados, também em exercício. Foram acompanhar LHS na esticada pelo mundo desenvolvido ou foram sozinhos mesmo, que é pra não ficar pra trás. Bom, é justo. Até o motorista foi! Fala-se na cidade que foi com um único objetivo: experimentar um Mercedes, caindo de chique, para o chefe. Será?