quinta-feira, 27 de outubro de 2005

QUINTA

POLÍTICA SEM MISTÉRIOS

Olharam bem para essa foto aí em cima? Pois bem, vou aproveitá-la para mais uma lição do cursinho Tio Cesar de política. Em política uma foto nunca é apenas uma foto, é sempre um registro que pode ser descrito conforme a conveniência. Vamos imaginar o que um governista e um oposicionista diriam dessa foto? Pra tornar a brincadeira mais divertida, não vou dizer qual legenda é de um e qual do outro lado. Vocês tentam descobrir.

Legenda 1
Acompanhando de perto as festividades da Semana do Servidor, o governador Luiz Henrique participou na tarde desta terça-feira da festa para os funcionário públicos estaduais da região Norte do Estado, que lotaram o Centreventos Cau Hansen em Joinville. Na oportunidade, aconteceram homenagens aos funcionários que completam 30 anos de serviços no Governo do Estado, e também sorteio de brindes.

Legenda 2

A legislação impede que o governo faça ou pague festas para os servidores públicos. Por isso, a Semana do Servidor é realizada com recursos de patrocinadores. Não cabe, numa festa de servidores públicos, aquele balão da descentralização, que é uma peça promocional do governo. E também é inadequado o “uniforme” dos servidores que estão no palco, que usam os símbolos gráficos da gestão LHS (aquela linha curva vermelha copiada da coca-cola e o verde abacate). A festa, que deveria ser apartidária e para o servidor, vira um comício de campanha para o candidato à reeleição.

SUPERSTAR

A EDM/Logos, empresa de assessoria de comunicação de Joinville, enviou ontem cartinha onde aponta "pequenos equívocos" de nota publicada aqui no dia 6, sobre o show "Eu Sei que Vou te Amar", da cantora Márcia Mell.

Não é de hoje que considero a EDM/Logos uma das melhores e mais competentes assessorias do País. Mas a carta, assinada por uma das profissionais da equipe, não parece ter sido revisada com calma antes do envio.

Para que os leitores se situem na discussão que estamos começando: no dia 6 a Sara Caprário publicou aqui uma notinha com o título "Mais uma divulgação oficial", onde comentava uma observação que o colunista Gonzalo Pereira tinha feito. A Secretaria do Desenvolvimento Regional de Caçador estava divulgando o espetáculo da filha do governador. Sara achava que estaria tudo bem se o evento tivesse o apoio do governo. E lembrou que no show, em Florianópolis, a cantora agradeceu apenas à agência de publicidade OneWG, uma das que atende ao governo do estado.

A partir dessa nota, a EDM/Logos enviou uma carta para reclamar, em resumo, que a gente teria denegrido o trabalho "de profissionais sérios que estão dando o melhor de si para levar ao público um espetáculo de qualidade".

Foi bom saber, pela carta, que não se trata de um pequeno show, de uma cantora, um violão e um banquinho no centro do palco. Márcia Mell recebe um tratamento de superstar, com apoio de agências de comunicação, de publicidade, e a estrutura proporcionada pelo patrocínio da Videolar, poderosa empresa de mídia óptica e magnética.

É TUDO VERDADE
Li e reli a nota, procurando as palavras ou insinuações que estariam denegrindo os profissionais (30, segundo informa a assessoria) que o show emprega. Não achei.

A nota diz que a filha do governador teve seu espetáculo divulgado por uma Secretaria de Estado. Isso é verdade. A EDM/Logos admite, na sua carta, e ainda explica os motivos que levaram a SDR a fazer tal coisa e como foi feita.

A nota diz que a cantora referiu-se, agradecida, à OneWG, agência que, entre seus clientes, tem o governo chefiado pelo pai da moça. A carta da assessoria confirma que a agência foi mesmo responsável pela divulgação do espetáculo.

Onde, então, teria esta coluna "denegrido" o trabalho das dezenas de bons profissionais envolvidos com aquele espetáculo?

Talvez no título. Não foi "mais uma divulgação oficial". Deveria ser “mais uma divulgação profissional”. O único problema é que esses profissionais trabalham equilibrando-se na tênue linha que separa o público e o privado.

NÍVEL SUPERIOR
Desde ontem às quatro e vinte da tarde, o Jornalismo voltou a ser uma profissão de nível superior. O Tribunal Regional Federal, em São Paulo, derrubou a decisão de uma juíza que não gostava de jornalistas e que tinha abolido na necessidade de diploma.

Tem gente que diz que exigir diploma de jornalista atenta contra a liberdade de expressão. Bobagem. Assim como é bobagem, achar que o diploma, com essas escolas xinfrins que temos, povoadas por “professores” que não conseguem escrever dois parágrafos sem dez erros, vai melhorar o que quer que seja.

HERR BORNHAUSEN
Esse PT faz coisa! Quando que eu ia imaginar que teria que citar o Jorge Bornhausen dois dias seguidos aqui na coluna?

Ontem tive que mencioná-lo porque o Lula anda muito magoado com ele. E hoje, porque sindicalistas do PT, certamente inspirados nos sentimentos inamistosos do ministro do Trabalho, fizeram cartazes onde pintam Bornhausen como nazista. Luiz Marinho declarou, em O Globo, que “Bornhausen tinha saudade de Hitler”.

O Kaiser, que não nasceu ontem, foi para a tribuna do Senado e aproveitou o destaque oferecido por seus inábeis inimigos. Recebeu a solidariedade de seus pares e fez um dircurso irado (no bom sentido).

E o que tinha começado com uma frase infeliz acabou, com a ajuda sempre eficiente do PT, dando mais espaço para o PFL e para o senador catarinense. Ô raça!

GODINHO SE SUPERA
Pois não é que na Sessão de ontem da Assembléia Legislativa o deputado Godinho (aquele que uma hora está de cavanhaque, outra de barba, outra barbeado) subiu à tribuna para tocar, no sistema de som do Plenário, uma música gauchesca?

A letra, projetada no telão, falava de revólver e tiros e dizia respeito, de alguma forma, à campanha (já concluída) do referendo. Claro que ele cantou junto, em alguns trechos, como se a votação ainda fosse acontecer.

O mais intrigante é que a letra da música falava mal do governo. de cuja base de apoio, teoricamente, o deputado faz parte: “nesse governo, quem tem que prender não prende, não vigia, não defende!”

Eu morro e não vejo tudo...

QUEBRA DE DECORO
Quando o deputado Paulo Eccel, líder do PT começou um discurso cheio de volteios achei que iam pedir a cassação, por quebra do decoro parlamentar, do desafinado Godinho. Que nada, pediram foi a cabeça do Nelson Goetten, pelo discurso do dia 13 de setembro, quando teria ofendido violentamente o deputado Vânio dos Santos.

Apesar da comparação feita pelo líder do PT com as cassações federais, é provável que a turma dos panos quentes e do “menas, Eccel, menas” consiga acalmar os ânimos e colocar as coisas em seus devidos lugares. Lá é roubo, aqui é destempero verbal.

SOCORRO!
O irrequieto ex-vereador Rogério Duarte Queiroz, a partir de seu mini-pantanal, na praia da Daniela, monitora como a Ilha vai sendo ocupada e participa, agitado como sempre, de vários movimentos.

Um deles é o SOS Rio Ratones, que pretende alertar para mais um desses super-mega-projetos imobiliários. Conta ele: “querem implantar um loteamento para milionários estrangeiros, chamado de Residencial Villas de Jurerê, embora situado logo na entrada de Ratones, ali no trevo, com 80 lotões de 5.000 m2”.

O principal problema é que o “emprendimento” quer aterrar as margens do maior rio da Ilha (o Ratones), ainda navegável e piscoso, cuja bacia hidrográfica se espalha pelo Norte, indo até Canasvieiras, Cachoeira do Bom Jesus, Daniela, Vargens Pequena e Grande, etc, ocupando quase 10% da Ilha.

Como em outras situações, a Câmara de Vereadores já fez as necessárias mudanças no Plano Diretor, para facilitar a vida do povo que quer aterrar o Ratones.

Um comentário:

Pedro Lemos disse...

Mande um abraço para a Sara! Ela foi minha colega nos idos tempos do Colégio Catarinense e é irmã de um grande amigo meu - o Xexa - que se mudou para o Rio a fim de trocar energias com seres extrafísicos. Foi para o lugar certo!