sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A defesa clássica

O jornalista Paulo Henrique Amorim é, sem dúvida, um dos mais radicais defensores de tudo que o governo faça ou que o Lula diga. No fervor quase indecoroso com que busca argumentos para demonizar a “grande imprensa” (que, na visão dele e de vários outros lulistas é a culpada por tudo), o coleguinha sempre consegue se superar. Afinal, a estupidez humana não tem limites.

O artigo que ele perpetrou para comemorar a “derrota da grande imprensa” no caso Renan, é extremamente revelador de como pensam (?!) esses senhores. Ele chama Veja, Globo, Estadão, Folha e rede Globo de “mídia conservadora e golpista”. E todo o calvário do pobre Renan foi causado por esses golpistas (somados ao que ele chama de “elite branca separatista de São Paulo”).

Renan foi a bola da vez “porque é nordestino e da base aliada do presidente Lula”. E aí vem o cerne da questão: a defesa. Não, ele não nega que Renan seja um indecoroso. Não, ele não diz em nenhum momento que Renan não fez o que lhe atribuem ter feito:
“Renan Calheiros cometeu todos os crimes que 99,9% dos políticos brasileiros cometem.

Renan Calheiros provavelmente pagou a mulher com quem teve uma filha fora do casamento numa operação idêntica à de outro ex-senador de partido da oposição.
Sobre a operação do ex-senador, a mídia conservadora (e golpista !) se cala até hoje.

(...)
Renan Calheiros não é um santo. Mas, o Senado mostrou que a mídia conservadora (e golpista!) pode enfiar a faca no pescoço do Supremo, mas não enfia a faca no pescoço do Senado.”
É o mesmo padrão de todas as outras defesas, desde o mensalão: “outros fizeram, tem mais gente fazendo, por que eu tenho que ser punido?” Aquela coisa antiga, de dizer que não fez, que não cometeu o crime, está fora de uso. Agora o negócio é espalhar a lama e sair nadando. De braçadas. Felizes e com os bolsos cheios.

Não são parecidos?

[Molegagem sobre foto do Ricardo Stuckert/PR e desenhos do Otto Soglow]

Câmara ardente

Na Câmara de Vereadores de Florianópolis, os aliados do prefeito tentam evitar que seu chefe seja investigado. Mas a coisa está difícil, com uma divisão praticamente no meio.

A última votação deu oito a sete (o presidente da Casa não votou) a favor do Dário (ou seja, contra a continuidade da investigação). Eles imaginam que, se o prefeito for culpado, no caso da lei da hotelaria, os vereadores também serão. E por isso dizem que não estão apenas defendendo o chefe, mas principalmente seus próprios pescoços. O que até pode explicar, mas não justifica.

Para aqueles que gostam de saber quem está de que lado, passo a listinha da tal votação.

A turma do Dário: Alceu Nieckarz, Aloísio Piazza, Deglaber Goulart, Gean Loureiro, Jair Miotto, João Batista, João da Bega e Walter da Luz.
A turma da investigação: Ângela Albino, Aurélio Valente, Dalmo Menezes, Guilherme Grillo, Jaime Tonello, Márcio de Souza e Xandi Fontes.

E por falar nisso, minhas fontes acham que foi um cara que está em todas e se move nas sombras, que armou aquela história da papelada do Juarez “abandonada” no mato. Vamos ver se a polícia confirma a boataria.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Quinta

UM DIA PARA LEMBRAR
O Senado da República, por intermédio da maioria dos senadores (41, pra ser mais exato), mandou ontem um recado muito claro para os brasileiros: vamos acabar com essa patacoada de honestidade, de ética, de respeito às leis. Isto é coisa para otários.

O que está valendo, segundo esses senhores, é a esperteza, o jogo de cartas marcadas e a putrefata confusão entre a coisa pública e a privada.

O senador Neuto de Conto (PMDB-SC) estava disposto a votar pela cassação, “desde que apresentem provas cabais”. Ora, ninguém chega à presidência do Senado (exceto talvez o Severino), deixando impressões digitais em todo lugar. E mesmo as provas que a tal perícia da PF disse que eram fajutas, os amigos do Renan dizem que eram sólidas. Como se fossemos todos desprovidos de cérebro.

A senadora Ideli cumpriu, como sempre, seu papel de líder do governo. Se Lula quer proteger, a qualquer custo, o aliado (cúmplice?) Renan, então Ideli fará, das tripas, coração, para cumprir sua tarefa. Ela parece não se importar muito com o desgaste que poderá sofrer junto ao eleitorado. Afinal, está em alta com quem, no fundo, realmente interessa, que é o presidente da República.

A palhaçada de fazer uma sessão com microfones desligados (os oradores tiveram que gritar para serem ouvidos no plenário), de criar um clima opressivo de grave ameaça à segurança nacional, precisa ser lembrada, estudada e avaliada sempre.
Não fará bem para o nosso amadurecimento democrático se varrermos, para debaixo do tapete da memória, os acontecimentos de ontem.

[A molecagem sobre a foto do Congresso foi inspirada em uma charge de Milton Cesar, publicada ontem de manhã no blog do Noblat]

ESTE É O JOGO
O ínclito Renan, durante a sessão secretíssima, abriu o jogo e fez ameaças veladas ou explícitas a alguns senadores, conforme relato publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat (www.noblat.com.br). Mostrou que sabe quais são os pontos fracos de cada um:
Renan: Senadora Heloísa Helena, a senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora.

Heloísa: É mentira, mentira.

Renan: Veja bem, senador Jefferson Perez. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante dele] como funcionária do meu gabinete. Mas não o fiz.

[Perez nada disse. Ouviu calado.]

Renan: [olhando diretamente para Pedro Simon] A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso.

[Simon ouviu calado.]
O clima de intimidação dos senadores começou a ser criado logo no início da sessão, quando discursou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Ele foi o primeiro a falar.
Dornelles: Crime tributário não é causa para quebra de decoro. Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.
Dornelles foi secretário da Receita Federal no governo de João Figueiredo, o último general-residente da ditadura de 1964. E depois foi ministro da Fazenda do governo José Sarney.

O FIM DA BOLSA-PIJAMA
O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem a aposentadoria para ex-governadores do Mato Grosso do Sul. Conhecida como “bolsa-pijama”, o benefício foi aprovado em dezembro passado pela Assembléia estadual (numa sessão secreta, ora vejam só) e previa que Zeca do PT receberia R$ 22 mil pelo resto da vida.

Aqui, Luiz Henrique, Eduardo Pinho Moreira, Esperidião Amin, Paulo Afonso e Jorge Bornhausen (será que esqueci algum?) estão com as barbas de molho: quando o STF examinar o caso catarinense, levará em conta a decisão de ontem.

MEIA ENTRADA
Faltou criatividade aos nossos nobres representantes na Assembléia. Como forma de estimular a doação de sangue, aprovaram uma lei que adiciona os doadores de sangue à lista daqueles que têm direito a meia-entrada em “eventos realizados em locais públicos”.

É o típico caso de cumprimentar com o chapéu alheio. Impõem uma penalidade aos promotores de eventos, e apresentam-se como benfeitores da comunidade. Simples, né?

Já que a coisa está feita, tomara que de fato estimule doações de sangue (e não só a falsificação de carteirinhas de doadores), porque a crise nos hemocentros é grave.

PREFEITURA ÀS MOSCAS
Ao que tudo indica o prefeito Dário não manda mais nada na prefeitura de Florianópolis. O organizador da parada da diversidade, que é funcionário de terceiro escalão da prefeitura, foi à televisão dizer que no ano que vem a avenida beira-mar norte será fechada novamente. E que ninguém se meta a contestar. Dos seus chefes (dona Rose e seu Dário) não se ouviu um ai. Nem a favor, nem contra.

Aliás, reclamar dos efeitos nocivos da parada parece que está sendo considerado, pelos organizadores, como demonstração de preconceito. Enorme bobagem. Se fosse um evento da igreja do vice-prefeito, a grita seria a mesma.

IDELI NA GAROA
Não tive tempo de comentar antes: a senadora Ideli Salvatti, acompanhada pelo prefeito Volnei Morastoni, foi ao show do Demônios da Garoa, durante o festival de música de Itajaí. Quando foi anunciada a presença da senadora, o público vaiou. E mais tarde, o conjunto canta uma música falando de corrupção, que fará parte do próximo DVD deles. E ainda informam: “na contracapa estará escrito que mentira tem perna curta, língua presa, barba branca e nove dedos”. O público foi à loucura, aplaudiu um monte.

Sei não, mas acho que foi o último show do Demônios da Garoa em município dirigido pelo PT.

A ASSESSORA EXPLICA
Falei ontem sobre o ecletismo de uma coleguinha que atende tanto o prefeito Reinério (PMDB), de Palhoça, quanto o jovem deputado Cesinha Jr. (DEM). E perguntava como ela fazia para conciliar emprego na prefeitura e na Assembléia.

Ela ligou para explicar: “não sou funcionária da prefeitura de Palhoça. Minha empresa faz assessoria particular para o prefeito, não para a prefeitura”. Perguntei se o Reinério pagava usando algum recurso público e ela disse que não, que era remunerada pela pessoa física.

Ela afirma que só tem função pública na Assembléia, no gabinete do deputado do DEM. E estava chateada, porque a nota poderia criar-lhe algum problema ou causar algum prejuízo. Na Assembléia, onde o Diarinho é bem lido, já estavam perguntando que história era essa de dois empregos públicos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Quarta

É HOJE!
Completamente enrolado em uns tantos “deslizes” (dos quais o fato de uma empreiteira pagar a pensão para a amásia parece ser um dos menores), o “presidente” do Senado bate na mesma tecla: “estou sendo linchado pela imprensa”. E como seus pares têm telhado de vidro, ameaça jogar pedras.

Pra nós, aqui na planície, seria ótimo se ele, descornado com a traição dos colegas, resolvesse lavar a roupa suja. Ajudaria a limpar a Casa. Mas isto, é claro, não acontecerá. Antes e acima de tudo, estão os acordos secretos, os “ajustes de conduta” e a confiança no futuro.

No futuro, o eleitor terá esquecido, a imprensa também e tudo será diferente. Afinal, ele não foi o primeiro, não é o único e não será o último a zombar da gente, embolsar dinheiro público e manter-se, por décadas, mamando. Não é à toa que chamam esse pessoal de “políticos profissionais”.

OS AMIGÕES
Nas listas que circularam nos últimos dias, tentando adivinhar quem votaria a favor e contra a cassação, dois catarinenses se destacavam: Ideli Salvatti (PT) e Neuto de Conto (PMDB). Eles defendem que Renan se safe dessa, querem evitar sua cassação por quebra de decoro.

A senadora Ideli é a maior defensora pública do “presidente” e Neuto de Conto já aparece nas listas da tropa renanzista há tempos e até agora não disse se mudou de idéia.

A sessão secretíssima, vigiadíssima (senadores não poderão entrar com laptops, gravadores ou celulares) e cercada de pressões por todos os lados, deve começar às 11h.

ESTADO DE SÍTIO
O senado amanhece hoje com suas portas controladas, com vigilância reforçada. Ofício da Polícia do Senado, distribuído ontem a todos os servidores e senadores (veja texto abaixo) estabelece as limitações.

Hoje, dia em que o “presidente” Renan será julgado por seus pares, a Polícia do Senado foi acionada para garantir que repórteres e fotógrafos não “se infiltrem” como visitantes. E para criar uma zona segura e protegida para que a senadora Ideli e seus companheiros possam absolver, na moita, por baixo dos panos, mortos de vergonha, o amigão Renan.

Atualização das 23h: O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT) anunciou há pouco que mandou suspender a ordem abaixo, de proibir visitantes. A proibição do uso de laptops, câmeras e celulares durante a fechadíssima sessão, continua em vigor.

Sras. e Srs. Servidores,

Em cumprimento ao Art. 4º do Ato da Comissão Diretora nº 14, de 2005, a Polícia do Senado informa que no dia 12 de setembro do corrente estará suspensa a visitação nas dependências da Casa.

Solicitamos aos senhores servidores que utilizem o crachá de identificação, em local visível, conforme dispõe o Art. 5º do Ato da Comissão Diretora nº 14, de 2005. Os servidores que não possuem crachá deverão providenciá-lo comparecendo no Serviço de Identificação Funcional (Anexo I - 8º andar - sala 811 - ramal 1580) da Secretaria de Recursos Humanos.
Atenciosamente,

Polícia do Senado Federal
Fone: 55 61 3311-4445

O ALEGRE TREM CHINÊS
O prefeito de Palhoça embarca amanhã para a China. Graças ao generoso contribuinte palhocense, o prefeito e sua comitiva irão se refestelar numa missão turística de dez dias.

O Reinério se inspira no embaixador LHS, mas demonstra que as cópias são sempre piores que os originais. O programa da viagem é um primor: tem desde uma “visita ao tempo de Shaolin”, até um “show de malabarismo”.

Oficialmente, ele e a turma vão para assinar um daqueles protocolos de “cidades irmãs”: Palhoça, a partir de agora, será “irmã” de Jiaozuo, cidade com cerca de 800 mil habitantes na sua zona urbana principal e 3,5 milhões de habitantes no total de sua área administrativa. Situa-se no nordeste da China, na província de Henan. É uma zona industrial metal-mecânica, com uma Universidade Politécnica que foi criada em 1903, pelos ingleses, como escola de minas e estradas. Orgulham-se da integração entre a pesquisa científica e a produção.

Bom, em todo caso, viajar é sempre bom. Alguma coisa eles aprenderão. Aprenderão, por exemplo, que é ótimo viajar com dinheiro dos outros. Quando não do município, pelo menos de alguma empresa interessada em contratos com o município. E, assim, vai-se enchendo de carimbos o passaporte.

ECLETISMO
Tem gente que não gosta que eu fale sobre coleguinhas aqui. Acham injusto. Mas não resisto: o que será que faz com que o jovem deputado Cesar Souza Jr. (DEM) – que ontem foi elogiado, na coluna do Paulo Alceu, como um dos mais dinâmicos da atual legislatura – aceite dividir a mesma assessora de imprensa com o prefeito de Palhoça (o folclórico Reinério, do PMDB)?

E como é que a moça faz pra conciliar um emprego público no executivo municipal de Palhoça, com um emprego público no legislativo estadual, em Florianópolis? Será que não tem nada demais e eu só estou sendo implicante?

PAU NA SKY
O Ilton Dellandréa entrou com uma ação contra a empresa de distribuição de programação por satélite, a Sky (sucessora da DirecTV) pra reclamar da tapeação que fizeram com todos os usuários. A Sky comprou a DirecTV há algum tempo e cagou e andou para o que a Anatel disse, ao autorizar o negócio: os clientes da DirecTV deveriam poder continuar com a mesma programação.

Que nada, aos poucos foram suprimindo canais e trocando por outros. O Ilton reclama, principalmente, da supressão do Film&Arts, um dos melhores canais que estavam disponíveis no satélite. Como eu também sou um dos órfãos da DirecTV, também gostava do Film&Arts e também estou com a Sky atravessada, acompanho com enorme interesse o andamento da ação.
Para saber os detalhes da bronca e ler o resumo da ação, dê uma chegadinha no dellandrea.zip.net.

O DEINFRA INOVA
Ao ler a decisão do Tribunal de Contas do Estado, suspendendo o edital do Deinfra para pavimentação de trecho da SC 415 (devido a 12 irrgularidades), fica-se sabendo que o companheiro Romualdo França Jr. preside um órgão de grande criatividade.

Pois não é que eles fizeram um edital que permite a participação de “empresas estrangeiras não estabelecidas no Brasil”? O TCE chega a indagar de que forma uma empresa assim conseguirá licenças ambientais, contratará empregados e se relacionará com fornecedores brasileiros, se não estiver estabelecida no País?

Isso é que é descentralização!

“PAPEL RECICLÁVEL”
A Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa esteve se ocupando de um momentoso assunto: o uso de papel reciclado (aquele que é feito a partir do reaproveitamento de papel usado) pelos órgãos públicos.

Mas, a alturas tantas da discussão (ou do relato da discussão que foi colocado à disposição da imprensa), os deputados começaram a falar no uso de “papel reciclável”. Ora, todo papel é reciclável. Mesmo aquele feito do mais puro celulose, das árvores mais frondosas ou o que usa fibras de algodão.

Como o Grando (PPS) e o Uczai (PT) pediram vistas, talvez consigam separar o reciclável do reciclado.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Terça

FESTA JAPONESA
Como dá pra ver na foto acima, o LHS aproveitou a inauguração da SC 451, entre Curitibanos e Frei Rogério, pra fazer uma verdadeira parada da diversidade. Empunhando alegremente um estandarte com a bandeira do Japão, LHS vestia uma camiseta onde estava escrito “Eu amo Frei Rogério”. Com um delicado coraçãozinho vermelho no lugar do verbo. Esta frase, se for tirada do contexto, poderia ser um tanto quanto comprometedora.

E para mostrar que vida de governador não é fácil, principalmente porque os puxa-sacos parece que só querem saber de aparecer na foto e ninguém ajuda em nada, LHS aparece em várias fotos (distribuídas pela Secom) com a braguilha aberta. Será que não tinha um cristão que fosse capaz de avisar o governador?

A bandeira do Japão é uma homenagem à colônia japonesa daquela região, que estava promvendo a 10ª Festa da Florada da Cerejeira.

[Aviso aos navegantes: se quiser ver melhor alguma foto deste blog, é só clicar sobre ela que se abre uma ampliação]

DESCENTRALIZAÇÃO
O pessoal do palácio até deve achar que eu sou do contra. Mas vejam só se não é de falar mesmo: de vez em quando o palácio distribui notinhas mostrando um secretário do desenvolvimento regional como cicerone de luxo para prefeitos. Dá uma lida:
“No final da manhã desta segunda-feira, no Centro Administrativo, o governador recebeu uma comitiva de São Lourenço do Oeste. Do grupo faziam parte os secretários Gilmar Knaesel (Cultura e Turismo) e João Carlos Ecker (Desenvolvimento Regional) e o prefeito Tomé Francisco Etges. No encontro ficou acertado que o município contará com o apoio do Governo do Estado para a construção do centro de eventos com cerca de R$ 7 milhões.”
Antes da descentralização, o prefeito tinha que vir a Fpolis pra falar com os secretários e o governador e fazer os pedidos do seu município. Agora, continua tendo que vir, só que vem acompanhado de um cicerone, o secretário da SDR. Não é à toa que o governo tem tanta dificuldade para baixar as despesas com diárias...

ESSA IDELI...
No centro dos acontecimentos, a nossa senadora Ideli Salvatti (PT) aparece nas folhas como uma figura ímpar: estaria convencida da culpabilidade do esfarrapado presidente do Senado, mas luta com todas as armas para salvá-lo da cassação.

Mas, graças à geléia geral em que se transformou a política nacional, ninguém a acusará de nada nem tratará de cobrar coerência ou qualquer dessas coisas abstratas e fluidas. Desse imbroglio mal cheiroso em que Renan Calheiros mergulhou e fez mergulhar o Congresso, não sobrará pedra sobre pedra. E só não digo que chegamos ao fundo do poço, porque a história recente tem mostrado que as coisas sempre podem piorar.

O NOME DO VIADUTO
Se eu tivesse juízo, não meteria minha colher torta nesse angu. Nem enfiaria minha mãozinha nesta cumbuca. Mas, como faz tempo que, entre as várias coisas que me faltam, está justamente o siso, vou tocar no assunto.

É normal e compreensível que, ao morrer, todas as pessoas ganhem, dos seus amigos e conhecidos, homenagens e reverências. Ainda sob o impacto da perda, o prefeito Dário Berger disse a amigos, na semana passada, que quer dar, ao viaduto do Itacorubi, o nome do seu ex-assessor, jornalista Ariel Bottaro Filho.

Claro, ninguém dirá nada em contrário e é bem provável que os vereadores, tão acostumados a nomear ruas, avenidas e praças sem questionar, aprovem a proposição do prefeito, quando ele a apresentar.

Em todo caso, seria bom que os nomes fossem buscados com critérios um pouco mais amplos do que apenas a amizade, a saudade, ou o fato de ter sido uma morte recente. Seria interessante que outros nomes fossem examinados para aquele que, de qualquer forma, tenha o nome que vier a ter, será sempre o elevado do Itacorubi, ou, para os mais antigos, o viaduto das Três Pontes.

SEM SAÍDA
Não consegui entender: um técnico do Ipuf deu entrevista reclamando do fechamento da avenida Beira-Mar Norte no domingo e alguém da Guarda Municipal também criticou a medida. Se o Ipuf era contra, então quem autorizou? O prefeito sozinho?

Quando a Av. Paulista é fechada, para alguma festa ou manifestação,o paulistano tem inúmeras opções de trânsito. Mas em Fpolis o buraco é mais embaixo: deixa-se a cidade capenga, manquitolando, sem saída.

O DIA DO PRESIDENTE/GAROTO-PROPAGANDACHOPPER LULA
O presidente da República, lamentavelmente, se supera a cada dia. Parece que perdeu completamente todo o senso de noção. Que seja fã dos desbocados construtores de motocicletas (do seriado “American Chopper”), tudo bem. Mas que deixe a gringalhada invadir o desfile da Independência, já é um pouco demais. Não satisfeito, usa toda a liturgia do seu cargo para “dar uma força” para os produtores estrangeiros da série (que se orgulha de ser norte-americana), posando de garoto-propaganda. No dia da Independência.

Nem o idiota do Bush faria melhor.

domingo, 9 de setembro de 2007

Sábado, domingo e segunda

De Olho na Capital da Música!
Pena que este jornal não tenha som, pra vocês terem uma idéia da maravilha que foi o festival de música de Itajaí. Nas fotos, a jam session da madrugada de ontem (dia 7). Foi uma daquelas coisas que fazem a gente voltar a acreditar na humanidade. Espetacular! Inesquecível!

TV DEMAIS, ASSUNTO DE MENOS
Lembram dos fradinhos do Henfil? Claro que não, afinal não fica bem admitir, ainda que apenas em pensamento, que tens mais de 50 anos. Mas vamos lá assim mesmo: eram dois personagens, como tantas duplas. Um, cumprido bonzinho e outro, baixinho sádico. Pois não é que às vezes me baixa justamente o fradinho baixinho? Exatamente aquela peste que era capaz de colocar gilete em escorregador?

Pois então, num desses momentos de fradinho baixinho desandei a pensar uma coisa cá com meus chips. Todos sabem que dentro de mais algum tempo os canais de televisão aberta ganharão filhotes: por obra da digitalização, a banda que transmitia um, transmitirá vários canais.

Multiplicam-se, portanto, as possibilidades. Some-se a isso a TV paga e seus cento e tantos canais. Acrescente a internet, com cabo ou sem cabo, que em breve poderá ser vista na telona da sua TV doméstica e todas as atrações que serão desenvolvidas para esse novo veículo.

Ou seja, aqueles cinco ou seis canais que toda grande capital brasileira tinha, alguns anos atrás, multiplicaram-se barbaramente. E é aí que entra o sadismo do fradinho: tás pensando que vais ter mais qualidade? Que vais poder escolher livremente num cardápio marcado pela diversidade? Que nada! Terás centenas de canais atulhados de porcarias e alguns poucos com coisas boas, mas sempre ameaçados de fechar por causa da “baixa audiência”.

E os donos dos canais, do alto de seus bilhões de dólares, arrancarão os cabelos atrás de mentes criativas capazes de colocar novidades no ar (ou no cabo). A massiva imbecilização que eles mesmos patrocinaram, conseguiu reduzir perigosamente os níveis de malucos (e malucas) saudáveis, imaginativos, cultos, capazes de inventar conteúdos, dar vida a idéias novas e requentar com talento velhas propostas.

O fradinho, portanto, rola de rir atrás de uma pedra, ao ver o paradoxo instalar-se na aldeia. Antes parecia haver tanto a dizer, tanto a mostrar, tanto a conhecer e tão poucos canais, acesso tão restrito, enormes dificuldades e distâncias abissais. Agora o mundo tornou-se pequeno, o acesso democratiza-se, as informações jorram aos borbotões de tudo quanto é aparelhinho, tela, telinha, telona. E bastam quinze minutos de atenção para constatar a inutilidade dessa avalanche.

Ainda bem que o fradinho e seu sadismo mordaz desaparece na poeira do tempo, deixando saudade e liberando-me para reassumir o pragmatismo e o otimismo que nos ensinou outro personagem antigo, a inspiradíssima Pollyanna. Para quem, sempre, “tudo vai dar certo, muito certo”. Há uma turbulência passageira, natural em épocas de transição, mas logo os melhores cérebros assumirão criativamente as rédeas desse maravilhoso pequeno mundo, que nunca, como agora, teve à sua disposição tantos conteúdos enriquecedores (sabemos todos quem está enriquecendo, mas este é outro assunto).

Para encerrar, gostaria de deixar uma mensagem de fé na infinita capacidade do ser humano de tornar melhor o mundo em que vive. Tá certo que quando a Pollyanna se vai, começo a ficar um pouco mais preocupado. Mas recosto-me na poltrona, coloco um monitor de TV no Eurochannel, outro no Film&Arts, o terceiro na BandNews e o quarto fica na internet, mostrando a TV Senado. Para completar o repouso, ouço Beatles nos fones de ouvido e releio, emocionado e atento, as Histórias de Tia Nastácia, de Monteiro Lobato.

(Nota do Editor: A coluna do final de semana só apareceu aqui no domingo à tarde, porque no feriado estive muito ocupado aferindo e fiscalizando a qualidade do chopp em Timbó, Pomerode e Blumenau. E aí, não sei por que, esqueci completamente de colocar a coluna na internet).

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Sexta

INDEPENDÊNCIA? COMO ASSIM?
Hoje é um daqueles dias que, por ser feriado, todo mundo acha muito legal. Mas é claro que ele é feriado porque, em alguma época, alguém quis reforçar o significado desta data.

Uma pena que a maioria não goste muito de estudar e que o Estado brasileiro não forneça muitos anos de escola gratuita de qualidade. Graças à inacreditável superficialidade com que tudo é tratado nos bancos escolares e a completa falta de rigor nas cobranças do aprendizado, é provável que polêmicas, dúvidas e debates sobre a independência do Brasil não interessem a muita gente.

E há vários pontos que podem render boas discussões. A data é um deles. Já me referi a isto aqui, esta semana. Há quem defenda 12 de outubro como o dia em que efetivamente o Brasil tornou-se independente de Portugal.

Outro é a forma como se deu a independência. O filho do rei de Portugal assumir o governo da ex-colônia não pode ser considerado um divórcio litigioso. Talvez uma rusga familiar, impulsionada por interesses econômicos de parte a parte.

E assim que, pelo menos nos documentos oficiais, nos livramos do “jugo português”, abraçamo-nos e fomos abraçados pelos pragmáticos ingleses, que fizeram aqui excelentes negócios, tal como se fossemos um protetorado.

Enquanto prosseguem os debates, não custa, numa das idas a São Paulo, visitar o Museu do Ipiranga (oficialmente é o Museu Paulista, da USP), onde está a tela do Pedro Américo (pintada uns 60 anos depois) que descreve, romanticamente, o gesto que D. Pedro teria feito naquele local. Na tela, aparecem os soldados que acompanhavam o príncipe, com seus uniformes brancos, com detalhes vermelhos. Este batalhão hoje é conhecido como os “Dragões da Independência” e faz a guarda de honra do presidente da República, mantendo uniformes semelhantes aos usados em 1822. Na foto acima, participam do desfile de 7 de setembro do ano passado.

ESSE PAVAN...
O vice-governador Leonel Pavan faz aniversário hoje, mas a festa só será amanhã, “45 minutos depois do meio dia”, na Barra Sul, em Balneário Camboriú, com chops, banda de música e foguete.

E o aniversariante tem andado aos beijos e abraços com o prefeito da capital, Dário Berger (foto acima). Claro, o companheiro tucano enrolado precisa de apoio. Mas não é só isso. O clima romântico mostra que as pendências que quase levaram o Dário a mudar de ninho, estão sendo resolvidas. Pavan quer chegar às convenções do PSDB com o partido pacificado, pelo menos no que diz respeito a seus principais prefeitos.

No embalo da retomada do namoro, Dário e seu fiel escudeiro, vereador Gean Loureiro, fizeram esta semana uma visita de cortesia ao Pavan (foto acima). Não tinha um assunto específico, mas talvez tenham falado sobre hotelaria e comissões processantes.

UNANIMIDADE
A renúncia coletiva das entidades representantes da sociedade civil no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA/SC) é mais uma conquista da administração da secretária Dalva Dias (PDT). O protesto contra a intolerância e a inoperância da esposa do Maneca repercutiu na Assembléia, onde deputados do PSDB e do PT fizeram coro à reclamação.

“Ninguém agüenta mais aquela mulher, só o governador”, foi a frase emblemática com que ficou registrado o ânimo de todos. Será que o LHS acha que não vai respingar nada nele?

A POSIÇÃO DA HANTEI
Ontem comentei aqui a decisão do Ministério Público Federal, de iniciar uma ação para cassar a licença ambiental que a Fatma concedeu à Hantei Engenharia, para a construção do condomínio Águas do Santinho.

E reproduzi uma nota, de maio, onde levantava uma questão delicada, o relacionamento do Guga Kuerten com a construtora, da qual seu irmão é sócio-investidor.

O Nelson Moraes Filho, principal diretor da empresa, me ligou pra dizer que ficou chateado com a insinuação, contida na ilustração da nota (uma daquelas molecagens em que coloco legendas nas fotos), de que a Hantei poderia causar algum prejuízo à imagem do Guga.

Disse que, nos dez anos de existência da empresa, sempre tiveram o maior cuidado em fazer tudo certinho e o relacionamento com a família é ótimo.

E afirmou que, no caso do Águas do Santinho, “fizemos todos os estudos de impacto ambiental e buscamos obter todas as licenças, sempre dentro da lei: não pagamos propina a ninguém”.

Moraes explica que ele e seus advogados tentaram, várias vezes, apresentar ao Ministério Público Federal o projeto, mostrar os detalhes, mas não foram recebidos. Não teve conversa. Agora ele confia que sua defesa, caso a ação seja de fato instaurada, conseguirá mostrar que o empreendimento não agride e, ao contrário, ajuda a preservar a qualidade de vida daquela região.

Nos folhetos promocionais do Águas do Santinho, lançados em maio, Guga Kuerten aparece endossando a obra. Não é comum o Guga ter seu nome associado desta forma a um empreendimento da Hantei. Foi por isso que, quando o MPF resolveu pedir a cassação da licença, voltei a tocar no assunto.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Quinta

PUTZ! MELOU!
“O Ministério Público Federal em Santa Catarina propôs Ação Cautelar Incidental, com pedido de liminar, a fim de anular a Licença Ambiental Prévia (LAP) nº 194/GELAU/06 para o empreendimento da empresa Hantei Construções e Incorporações Ltda, “Águas do Santinho”, localizado na Praia do Santinho, no norte de Florianópolis. Na cautelar, o MPF requer, ainda, a anulação de qualquer outra licença expedida pela Fundação do Meio Ambiente (FATMA) que tenha por base o referido imóvel, até o julgamento da ação principal.”

(...) “A LAP nº 194/06, de janeiro deste ano, assinada pelo presidente da Fatma, Carlos Leomar Kreuz, foi concedida com base em parecer técnico preparado por dois funcionários da Fundação investigados na Operação Moeda Verde. Deflagrada em maio deste ano, a Operação Moeda Verde visa apurar crimes ambientais referentes à compra e venda de licenças, além de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, entre outros.”
O texto acima, entre aspas e em itálico é transcrição do material distribuído pelo Ministério Público Federal ontem. E confirma uma suspeita levantada aqui, nesta coluna, no dia 31 de maio de 2007, quando, além de publicar aquela montagem fotográfica, feita com fotos dos folhetos de propaganda do empreendimento agora questionado, escrevi a nota “A Coragem do Guga”, cujos trechos principais republico abaixo.

A CORAGEM DO GUGA
(Nota publicada em 31/5/2007)

A operação moeda verde mal e mal tinha acabado de tomar os depoimentos dos suspeitos de negociar licenças ambientais e o Guga Kuerten aparecia, nos folhetos de lançamento do Águas do Santinho Residence, endossando, com sua imagem e com sua assinatura, o empreendimento. A construtora Hantei, da qual o irmão do Guga, Rafael, participa como investidor, vai ocupar uma faixa de terreno, no Santinho, praticamente ao lado do Costão do Santinho.

E certamente acharam que esta seria a época mais adequada para começar a divulgar o projeto.

Durante a semana surgiram alguns boatos que, por algum motivo (incômodos anteriores?) Guga teria pedido que tirassem sua imagem do material promocional. Ontem, o Guga me disse, por intermédio da sua assessora de imprensa, que não houve qualquer modificação, continua tudo como antes.

Parece evidente, a qualquer observador mais atento, que esse relacionamento do Rafael com a Hantei desagrada Guga. Não tem sido bom pra imagem dele, por causa dos desgastes desnecessários que acaba sofrendo a cada problema encontrado pela construtora. Por mais que ele explique e repita que não tem nada a ver com a construtora, que seu irmão é que é sócio, não tem como não respingar no membro mais famoso da família.
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O VERBO “DESVETAR”
Na questão da Lei da Hotelaria de Florianópolis, cuja legalidade está sendo discutida apaixonadamente na Câmara de Vereadores e no Judiciário, tem uma coisa misteriosa e fascinante.

É o verbo “desvetar”. O prefeito Dário Berger, quando recebeu a lei, aprovada pela Câmara no apagar das luzes de 2006, tinha uns 15 dias para tomar uma de duas decisões: sancionar ou vetar. Escolheu a segunda: vetou integralmente a lei.

Os vetos do Executivo retornam ao Legislativo, que pode tentar derrubá-los. É isto que prevê a legislação e os regimentos. Mas, no caso desta Lei, o prefeito da capital inovou: depois de ter vetado e enviado a mensagem à Câmara, ele foi atrás e “desvetou”. Ou seja, pretendeu cancelar seu veto.

Não existe previsão legal, até onde consegui saber, para este gesto extremo. Se fosse o caso, o prefeito poderia ter acertado com sua bancada de apoio, para derrubar o veto, na Câmara. Mas não existe hipótese do prefeito de pegar de volta a lei e voltar atrás no veto.

Portanto, para todos os efeitos, até que o veto seja derrubado na Câmara, a Lei continua vetada. Mesmo que o prefeito diga que a “desvetou”.

OS MOTIVOS DO DÁRIO
De qualquer jeito, com a tentativa de “desvetar”, o prefeito se enrolou todo. Seu gesto nos autoriza a pensar mil coisas, entende? Por exemplo: por que recorreu a esse instrumento esdrú­xulo do “desvetamento”, ao invés de usar os caminhos normais, na Câmara? Não vetar a Lei (ou “desvetar”) significa que o prefeito concorda com ela e deseja vê-la sancionada. Então por que a vetou antes? E, em um curto espaço de tempo, o que o levou a se arrepender de tê-la vetado?

Essas trapalhadas são um prato cheio para os adversários, que, a qualquer momento, poderão encontrar motivo para acionar o prefeito por improbidade, com base unicamente nesse verbo raro: “desvetar”.

FALA QUE O IVO OUVE
O LHS mandou o ex-deputado Ivo Vanderlinde largar os hortifrutigranjeiros na Ceasa e pegar outros pepinos: vai ser o “Ouvidor Geral”. Uma espécie de “ombudsman”, encarregado de ouvir as reclamações do povo e encaminhar as queixas dentro do governo.

Ainda não se sabe se, além de ouvir, o Ivo exercerá também as funções imprescindíveis e fundamentais, previstas na sugestão do Chico Buarque para o “ministério do Vai dar Merda” (veja nota abaixo). Por enquanto, ainda estão ocupados em instalar um “software”, um telefone e, principalmente, alguns cabides. Como é normal em todo início de funcionamento de repartição pública.

PAVAN DÁ UMA DE VDM
Na última reunião do Colegiado, segundo conta o colega Claudio Prisco, em A Notícia, o vice Pavan bateu os olhos na revista “Metrópole” que circulava por lá, com anúncio do BRDE e “reportagens” puxando e babando o saco de autoridades do governo e avisou: “vai dar merda!” (Prisco usou o termo “bode”, de igual efeito).

Todo governo precisa de um VDM: alguém que avise (antes!) o que pode dar problema, confusão e processo.

A IMAGEM DA PM
Foi-se o tempo em que a polícia Militar catarinense poderia se citada, com orgulho e sem medo de errar, como uma força majoritariamente bem treinada, composta por profissionais cientes dos seus deveres e respeitadora dos direitos dos cidadãos, a quem devem defender, servir e proteger.

Hoje é cada vez mais comum encontrar policiais cuja forma de portar-se, durante as abordagens, demonstra, antes de mais nada, insegurança e treinamento deficiente. E, consciente ou inconscientemente, esses soldados tentam compensar essas falhas com postura arrogante e violência desnecessária. E perdem facilmente o controle.

Moradores de comunidades dos morros da Capital fizeram um protesto, esta semana, diante da Assembléia Legislativa, contra a forma como são habitualmente tratados pela PM.

Uma das facetas mais estranhas que os policiais militares tem demonstrado, segundo suas vítimas, é o preconceito econômico-social. Estranha porque os soldados da PM são, em sua maioria, também originários de comunidades simples. Não teriam por que tratar mal cidadãos cujo único crime parece ser morar em bairros pobres.

Os depoimentos contam que as abordagens a jovens pobres (e em geral negros), nos morros, mesmo quando apenas para verificar documentos, são marcadas pela prepotência e despreparo. Isso quando não fazem “brincadeiras”, como atirar com balas de borracha apenas pra ver a rapaziada correr de medo.

Já que o Secretário da Segurança não apita na PM, cabe então ao governador LHS determinar que a ação policial se dê civilizadamente e que se mantenha o uso da força sob controle.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Quarta

Esse conflito de atribuições entre a polícia Militar e a polícia Civil tem um aspecto assustador: a falta de alguma autoridade estadual que enquadre os policiais e exija obediência à Lei. Ou explicite, claramente, como será, e com que base legal, a reforma que a PM está começando a implantar, na marra.

A polícia Civil está inconformada com a usurpação de atribuições. Os juízes e promotores, nas diversas comarcas, têm sido chamados a entrar na questão. O clima é tenso e desconfortável. Mas o secretário da Segurança, que teoricamente deveria comandar as duas polícias, tá quieto, não quer saber de confusão pro lado dele. Afinal, tem uma carreira política a zelar e decerto não gosta de ficar tomando posições e resolvendo impasses. Transferiu a responsabilidade para uma comissão.

O governador, que acaba de criar mais um comando da polícia Militar no sul, parece não estar informado sobre o que acontece. Ou então está, mas não quer se meter. É o pior dos mundos. As polícias em conflito, a lei sendo “adaptada” à força e as chefias demorando para tomar alguma decisão.

POR QUÊ?
Há várias perguntas à espera de respostas consistentes:

Por que a PM, que comprovadamente tem efetivo menos numeroso do que deveria, se dispõe a imobilizar parte das forças escassas, para realizar o trabalho que seria da polícia Civil?

Por que a polícia Civil, que agora reclama da ação da PM, deixou criar, com sua morosidade, falta de investigação e de resposta à comunidade, esse espaço que os militares agora querem ocupar?

Por que o governo do estado se omitiu e deixou a coisa chegar a este ponto?

A BRONCA DOS ÔNIBUS
A propósito da nota “Chorões” que publiquei ontem, onde comentava a audiência pública, na Assembléia, sobre isenção de ICMS para empresários do transporte público, o deputado Sargento Soares (PDT), mandou-me uma cartinha, onde faz algumas denúncias graves de manipulação do movimento comunitário por deputados e prefeitos:
“Na audiência, o que me chamou a atenção também foi a mobilização que empresários, alguns deputados e o prefeito de São José, Fernando Elias, fizeram, convocando o movimento comunitário. As faixas, por exemplo, parecia óbvio que foram confeccionadas no mesmo lugar (mesmo padrão, mesmo material...) encomenda em série! Para ser mais claro, as associações de moradores, através de suas lideranças, atreladas ao poder político institucional, foram usadas para esquentar e dar apelo popular à vontade muito específica dos empresários do transporte coletivo.

Até mesmo a maior parte dos políticos (deputados, sobretudo) que estavam ali são financiados pelos empresários do transporte, os de Joinville em especial. Ou seja, os deputados que aliciam lideranças comunitárias são aliciados pelos empresários que financiam suas campanhas eleitorais.”
A arapuca foi montada de tal forma que, se algum deputado resolver ir contra as pretensões dos empresários, acabará sendo crucificado por ser “contra a redução de tarifas”. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Como sempre.

A COISA TÁ FEIA
A denúncia contra o prefeito Marco Tebaldi (que ele teria recebido propina de R$ 35 mil) foi aceita pela 1ª Vara da Fazenda de Joinville. Se também for recebida pelo Tribunal de Justiça, o prefeito ficará fora do cargo por até 180 dias. E os vereadores de Joinville, hem? nem quiseram saber de investigar o prefeito. Perdoaram-no confiando na memória fraca e no coração complacente do eleitor joinvilense.

A PÁTRIA LIVRE
Estamos em plena “Semana da Pátria” e na sexta-feira muitos de nós irão passear, graças ao feriado do dia da Independência. Claro que, passado o período escolar onde, dependendo da escola, fala-se alguma coisa sobre essas datas, nunca mais a gente para pra pensar sobre isso. Basta-nos o feriado.

Ignorar a História, contudo, é defeito grave. Foi no passado que todas as qualidades e defeitos que hoje encontramos em nós mesmos e no País começaram a ser formados. Saber, estudar, conhecer, discutir, debater e aprofundar-se nas nossas origens é fundamental para quem quer que pretenda ser cidadão de primeira classe.

E a separação do Brasil de Portugal é um dos eventos mais importantes, está entre aqueles que deveríamos saber de cor. Talvez muitos de nós até saibam que, a 7 de setembro, às margens de um riacho, perto de São Paulo, o português D. Pedro, filho do rei de Portugal, disse as famosas palavras: “Independência ou Morte!”

E não surpreendeu ninguém, porque desde aquela sua outra declaração (“diga ao povo que fico!”), no começo do ano, quando desistiu de voltar para Portugal, onde seria D. Pedro V, a turma já achava que ele estava mesmo querendo um império tropical para chamar de seu.

Há quem diga que a data que deveria ser comemorada como verdadeiro dia da Independência é a de 12 de outubro. Não só porque foi o dia em que o príncipe foi aclamado como Pedro I, Imperador do Brasil, mas também porque é só a partir daí que se pode dizer que as amarras foram efetivamente rompidas.

Polêmicas à parte, todo ano, desde que me conheço por gente, nesta época do ano, vozes se levantam dizendo que “não há nada o que comemorar, não somos ainda um país independente”. Os países ou forças que nos “escravizam” vão mudando, conforme passa o tempo, mas o discurso continua o mesmo.

Quando era pequeno, não entendia por que, em vez de ficar reclamando, os incomodados não iam à luta, à guerra, não se rebelavam em busca da independência definitiva. Depois aprendi que não dá para levar o discurso político ao pé da letra. Às vezes ele não significa muita coisa.

Hino da Independência
Escrito por Evaristo da Veiga e
musicado pelo próprio D. Pedro I


Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Terça

MAIS UMA ASSEMBLÉIA
É isso mesmo. Se não reúne, a turma chia; se reúne, a turma tira sarro. Paciência, este é o jogo. Também, quem mandou criar um grupo assim, como direi, tão vistoso? Não tem como reunir mais de 40 secretários em torno de uma mesa e passar despercebido.

Ontem, em Gravatal, no sul do estado, LHS reuniu pela quarta vez a turma toda, para discutir a relação: “o que precisamos é afinar a linguagem, sem tolher a criatividade e a iniciativa individual”. Parece até a letra daquela música do Paulinho da Viola: “tenho asas, meu amor, preciso abri-las, a seu lado não sou muito criativa”.

Com a criação de um “Comitê da Descentralização”, o governo quer fazer com que a coisa enraíze para que os que governarem o estado depois não tenham como desfazer: “o processo tem que chegar ao ponto de se tornar irreversível e irrevogável.”

No dia 3 de outubro, em Salete, será feita uma reunião ainda maior e mais espetacular. Porque, além dos secretários todos, terá a participação de “todos o ocupantes de cargos comissionados e agentes públicos, além de todos os integrantes dos Conselhos de Desenvolvimento Regional”. Waal! Será que na simpática Salete tem ginásio de esportes ou arena multiuso onde caiba toda essa gente? E terá espaço para estacionar todos os ônibus ou todos os carros oficiais?

MOTORISTAS A GRANEL
Por falar em ir de carro oficial à reunião do Colegiado, não consigo me acostumar com as autorizações que os secretários regionais têm publicado, onde permitem que todos ou quase todos os servidores da SDR dirijam os veículos oficiais.

Na SDR de Lages, por exemplo, até o próprio secretário, Osvaldo Uncini, estava na lista, onde 14 comissionados foram autorizados a dirigir veículos oficiais.

Só quero ver se ele vão conseguir responsabilizar alguém quando aparecer um arranhado num carro. Ou quando o motor pifar porque ninguém se lembrou de por óleo ou água.

MANEZINHO INFILTRADO
A RBS está comemorando seus 50 anos com uma gigantesca exposição, num dos lugares mais impressinantes da capital gaúcha, a antiga usina do gasômetro. Para quem não vai a Porto Alegre a tempo de ver a exposição, dá para ter uma idéia da extensão do projeto num site especial, na internet (www.noar50anosdevida.com.br).

Independentemente da opinião que possamos ter a respeito da forma como ela conduz seus negócios e seus veículos de comunicação, trata-se de uma trajetória importante, que deixou marcas profundas na história dos dois estados. E, até onde consegui ver, a exposição foi montada com grande profissionalismo e usa um volume impressionante de tecnologia justamente para... impressionar.

E, lá no meio, como parte da ilustração do Campo e Lavoura, programa criado em 1975, usam um fragmento de uma reportagem sobre pastoreio Voisin, onde aparece um repórter magrelo e cabeludo, com uma blusa espantada (foto acima). Mal sabem os gaúchos que aquele sujeito, que participou da equipe que criou um dos programas de maior durabilidade da TV (e de onde a Rede Globo tirou inspiração para criar o Globo Rural) é um manezinho da ilha.

E nem sonham que boa parte do “conhecimento” daquele mané sobre lides do campo e agricultura tinha sido adquirido nas Canoas e na Bocaina, logo ali, entre Lages e Bom Retiro.

Agora, cá entre nós: só apareço na história porque aquele foi um dos poucos pedaços de filme (na época as reportagens não eram em videotape, mas em película, mesmo) que sobraram, sem terem sido consumidos pelo mofo e pelos fungos.

OS CHORÕES
Tou pra ver gente mais chorona que os empresários do transporte coletivo. Vivem reclamando dos impostos, dos custos em geral, dos velhos, dos estudantes, do trajeto e da vida. Se fossem reclamações muito sérias é claro que eles já teriam mudado de ramo. Mas como continuam, é porque decerto o negócio não é assim tão ruim.

Numa audiência pública para debater a redução ou isenção de ICMS para o diesel utilizado pelo setor, o representante do Sindicato das Empresas (Setpesc) explicou qual é o sonho da turma: “nos países de primeiro mundo os governos subsidiam até 2/3 da passagem, além de participar em parte do investimento feito pela iniciativa privada”.

Então taí: não se trata só de reduzir um ou outro imposto. Trata-se de conseguir que o governo (nós, os contribuintes), pague 75% da passagem. E aí, é só o passageiro (também nós) pagar 100% da tarifa, pra ficar de bom tamanho. Claro, quem sabe o governo também compra os ônibus e deixa as empresas explorarem seu uso? Ou não é isso que sonham quando falam em “participar do investimento”?

E toda essa conversa de primeiro mundo até faria sentido, se a gente acreditasse que os empresários do transporte, ao serem ainda mais subsidiados, passariam a prestar um serviço de qualidade. Que nada.

Como outros oito estados, provavelmente SC também fará (mais) essa renúncia fiscal em favor dos empresários do transporte coletivo. E será só isso. Que ninguém se iluda nem pretenda que, em retribuição, o serviço melhore.

O generosíssimo presidente do Deter, Tamanini, foi mais além, sugerindo também um troço chamado de “pró-frota”, que baratearia carroceria e chassi. Maravilha... quanto altruismo.

Querem os deputados que o eleitor usuário de ônibus acredite que tudo isso, tanto esforço e empenho, é apenas porque estão todos preocupados em encontrar formas de reduzir as tarifas. Até pode ser que um pequeno percentual dos benefícios seja repassado. Mas, do fundo da minha ranzinzinice, lembro que nem os empresários nem os deputados nasceram ontem e, nesse meio, quem anda mais devagar, avoa.

DÁRIO E PARTNERS
As preces do prefeito da capital foram atendidas e os vereadores também serão investigados. De uns tempos para cá este procedimento meio que virou norma: todo acusado acusa outros. Às vezes nem fazem grande esforço para negar o que lhes é atribuído, mas são rápidos e certeiros em apontar o dedo em outra direção: “e aqueles lá, que sempre fizeram aquilo e aquilo outro?”

Em todas as ocasiões recentes tem sido assim. No fundo, no fundo, não deixa de ter lógica. Afinal, se são todos, como essa estratégia de “defesa” parece querer demonstrar, farinha do mesmo saco, fica difícil dizer o que um fez e o que outro não fez.

SUJEITO ESPERTO

O Ministério Público Federal propôs uma ação por improbidade administrativa contra um funcionário “esperto” do BESC (no postinho da Eletrosul), que transferia valores de correntistas para sua própria conta. Usando sua própriasenha e seu cartão. Se for isso mesmo, tem que processar o cara por burrice. Ou por falta de inteligência. Tanto faz.

sábado, 1 de setembro de 2007

Sábado, domingo e segunda


ISSO LÁ É TEMPO?
É ruim quando não chove, mas quando chove demais de uma vez só também é muito ruim. Ainda mais em lugares onde a prefeitura não tem o costume de manter bueiros limpos e a drenagem em ordem. Nesses lugares, qualquer chuva mais forte é suficiente para criar um problemão.

Ontem os florianopolitanos pagaram todos os pecados e encerraram agosto com chave de ouro, parados em algum congestionamento. E a água, sempre empoçada aqui, ali e acolá, coisa mais ou menos inaceitável, numa cidade à beira-mar. Claro, é só fazer a água da chuva escorrer para o mar. Não tem por que ficar empoçada. Exceto se algum gênio, na prefeitura, não sabe como fazer escoamento, né?

Bom, mas não há de ser nada. Vai piorar. Por vários motivos. O principal dos quais, é que nunca se fabricou e se vendeu tanto carro no Brasil quanto agora. E nunca se desmatou tanto para alimentar com carvão as siderúrgicas que produzem o aço que faz os carros.

Pra variar, as prefeituras não conseguem pensar o futuro das cidades criando alternativas para o automóvel. Ao contrário, reservam cada vez mais espaço para ele. E os empresários do transporte coletivo pararam no tempo e fazem o que bem entendem, como se sua atividade não fosse uma concessão pública. E, a julgar pelo silêncio e pela conivência de muitas prefeituras, parece que os prefeitos e vereadores também se esqueceram disso.

Portanto, relaxem e gozem, caros contribuintes. Com mais carros, menos investimentos, sem planejamento eficaz e um clima cada vez mais inclemente, dias como ontem serão cada vez mais comuns. Até que a maioria dos dias seja assim, um enorme congestionamento permanente. Faça chuva ou sol.

ANAC SE DISSOLVE
De nada adiantaram as bravatas do gauchinho bem-querer que “preside” a Anarc. Já foi definido o cronograma para substituição de toda a diretoria. Não saem todos ao mesmo tempo, para evitar uma paralisia completa (é preciso um número mínimo de três diretores para deliberações). À medida em que forem indicados novos diretores para o lugar dos dois que já saíram, os outros desembarcarão. Zuanazzi e Lomanto têm saída prevista para o final do mês. Uma boa notícia, afinal.

A CAPITAL INCHA
Os dados divulgados pelo IBGE ontem, sobre população dos municípios, mostram que Florianópolis está com 400 mil habitantes e cresceu praticamente 50% nos últimos dez anos. Joinville, que tem 490 mil habitantes, cresceu, no mesmo período, uns 25%. Desse jeito a capital acabará sendo, em mais alguns anos, a cidade mais populosa. O que é, sem dúvida, uma péssima notícia.

O INFERNO DE DÁRIO
O prefeito da capital tem se queixado da sorte, mas não deveria. Afinal, com os vereadores enrolados com o regimento e com a forma como devem conduzir a liturgia da Comissão Processante, pode ser que o prefeito ganhe mais um tempinho. E, se a investigação for iniciada mesmo, ainda pode ocorrer que fiquem discutindo entre si e esqueçam o que estavam investigando.

UFSC EM FRANGALHOS
Saiu, afinal, ontem à tarde, a decisão do juiz mandando os invasores da UFSC cairem fora. Mas até a hora em que concluí a coluna, não tinha acontecido nada de nada. Sem pressa, os invasores ainda iam fazer uma assembléia para ver de que forma conduziriam o processo.

No lugar deles eu também não teria pressa. Está mais que demonstrado que a UFSC é a casa da Mãe Joana (com mil perdões às Joanas que são boas donas de casa). Tá tudo dominado. Aquele protesto sem pé nem cabeça contra a nova emergência do HU e os bloqueios ao trânsito definiram o tipo de mentalidade que está à frente do “movimento”.

E a ocupação da reitoria, então, por “estudantes sem causa”, foi a cereja no bolo da cretinice. O reitor boa praça, com sua inacreditável paciência, deve ter lá seus motivos para querer passar à história dessa maneira pouco lisonjeira. Mas que dá pena e raiva, lá isso dá.

DIVIRTA-SE COM O PASSATEMPO DE FINAL DE SEMANA DO TIO CESAR
O que os dois grandes amigos estão conversando?Ah, se quiser, manda aqui pro DIARINHO (a/c do Tio Cesar), até terça, que eu publico o que a turma daqui achar mais engraçado.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Sexta

AÇÃO ENTRE AMIGOS
A bancada do PP na Assembléia, por intermédio do advogado Gley Sagaz, protocolou mais uma ação popular contra o governo do estado. Desta vez o alvo é uma relação, digamos assim, excessivamente próxima, entre o Instituto Celso Ramos e a SC Parcerias.

A certa altura, o documento do PP faz um bom resumo do enredo:
“27. (...) a SC Parcerias, que tinha a presidi-la à época o Sr. VINICIUS LUMMERTZ – atualmente Membro do Conselho de Administração da SC Parcerias – (Doc.10), e tinha como Conselheiro o Sr. NERI DOS SANTOS, firmou, com “dispensa de licitação” o Contrato de Prestação de Serviços nº. 02/2006 com o Instituto de Estudos Estratégicos Celso Ramos – ICR, que tem a presidi-lo o Sr. NERI DOS SANTOS, e como Conselheiro o Sr. VINICIUS LUMMERTZ.”
Além da tal “dispensa de licitação”, que permitiu que o Instituto recebesse, da SC Parcerias, a bagatela de R$ 960 mil em janeiro de 2006, e depois mais R$ 230 mil, o Instituto também ganhou uma sede, por “cessão de uso” da Secretaria do Planejamento, no Parqtec Alfa.

E, para completar a novela e dar-lhe ares ainda mais dramáticos, agora em julho foi instaurado um processo administrativo, na Procuradoria Geral do Estado, para examinar a desqualificação do Instituto de Estudos Estratégicos Celso Ramos como Organização Social e a rescisão do tal contrato de gestão.

O ICR foi a primeira Organização Social qualificada por decreto do LHS, em setembro de 2005. E foi com esse título que se habilitou, sem licitação, para prestar os serviços que são agora questionados.

FIM DO SUFOCO?
A definição dos termos em que se dará a incorporação do BESC pelo Banco do Brasil, o saneamento do Ipesc e, principalmente, o cronograma de repasse de grana para o governo estadual, dão novo ânimo ao LHS (deve ser por isso que está tão sorridente na foto acima) e fôlego à Fazenda estadual. Não é nada, não é nada, entram R$ 210 milhões em caixa nos próximos dias.

SEM NOÇÃO

O mesmo ministro do Supremo que ficou trocando recadinhos com a colega, no computador, foi pego falando alto, ao telefone, num restaurante de Brasília.

Sabe aquela gente sem noção que quando coloca o telefone no ouvido acha que a gente, que está por perto, para automaticamente de ouvir os berros deles? Pois é. Só que, além da falta de educação, o ministro demonstrou outras carências: comentou o julgamento que tinha acabado de participar.

Disse ele, segundo relata a repórter da Folha que ouviu a conversa, que a imprensa acuou o Supremo, cuja tendência era aliviar pro lado do Zé Dirceu: “o STF julgou com a faca no pescoço”.

Ora, ora, ora, em que mundo vivemos? Quer dizer que agora um ministro do Supremo pode mudar o voto, só porque está com medo de ficar mal na foto em algum jornal?

Claro que a presidente do STF e vários ministros protestaram contra essa patacoada. A nota oficial do Supremo diz que o tribunal “não permite nem tolera que pressões externas interfiram em suas decisões” e reafirma “a dignidade da Corte, a honorabilidade de seus ministros e a absoluta independência e transparência dos seus julgamentos”.

Era só o que faltava!

DIA SEM CARRO
A prefeitura da capital inscreveu Florianópolis entre as 160 cidades que, ao redor do mundo, restringirão o trânsito de automóveis no dia 22 de setembro, estimulando o uso de alternativas de locomoção.

O projeto “Na Cidade sem meu Carro” vai fechar o centro histórico para os automóveis particulares e serão feitos passeios ciclísticos em várias regiões da Ilha. O Instituto de Planejamento Urbano, que lidera a iniciativa, acredita que é preciso mudar a cultura da população para evitar o caos do excesso de automóveis e poluição.

Além da gente sair de bicicleta, seria bom o poder público se mexer, oferecendo alternativas viáveis e confortáveis de transporte público. Coisa que, até agora, existe apenas nos discursos políticos e em um ou outro papel engavetado.

(Clique na foto para abrir uma ampliação)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Quinta

UFSC EM FRANGALHOS
Assim como a crise aérea, a crise da UFSC (que é a crise da universidade pública brasileira) tem origem antiga. Ao longo dos anos, vários avisos foram dados, aos governos e aos governantes, sobre do rumo que as coisas estavam tomando.

Esperavam, os militantes de tantas greves a.L. (antes de Lula), que o PT no poder atenderia às principais reclamações e colocaria o trem de volta nos trilhos onde, a bem da verdade, nunca esteve. Mas o Lula presidente demonstrou que o PT não estava no poder. Quer dizer, parte dele estava, mas lá ficou, enquanto pode, apenas pelo gosto de estar no poder. Sem levar adiante as tais “propostas de luta”. E as universidades, tachadas de “elitistas”, ficaram a ver navios.

Na UFSC, como, acredito, na maioria das universidades públicas que tenham padrão de qualidade semelhante, a “privatização”, tão temida, sustentou e sustenta alguns dos cursos de maior sucesso. No Centro Tecnológico, a integração com empresas, a transferência de tecnologia e a utilização da universidade quase como setor de pesquisa e desenvolvimento de indústrias, deu o suporte necessário para que se criasse e se mantivesse aquele centro de excelência.

Os cursos que ficaram esperando e dependendo das verbas estatais para equipamento, pessoal, para tocar projetos e mesmo para realizar eventos, deslizaram ladeira abaixo, deixados à míngua. E os projetos foram sendo desestimulados e desmontados.

FALTA DO QUE FAZER

Diante desse quadro amplo, complexo e arquitetado por iniciativa ou omissão federal, o que adianta depredar a Reitoria? Que tipo de resultado um grupo isolado e minoritário poderá tirar de uma ocupação permitida e, dizem alguns, facilitada?

Qual será o próximo passo? Seqüestrar o Reitor? Ou o cônsul da Colômbia, à falta de um embaixador norte-americano nas proximidades?

Não seria mais importante, em vez dessa aventura juvenil estéril, que a rapaziada começasse a fazer, de fato, política estudantil? Que combatesse o peleguismo da UNE e tratasse de se organizar para ter, afinal e ao final, algum tipo de representatividade? E, pelo caminho trabalhoso da boa e velha militância política, criar um movimento que seja ouvido e que tenha o que dizer?

Ou, no maravilhoso mundo novo bolivariano as coisas só se resolvem na porrada e à base de factóides?

O GOVERNO INVIÁVEL
Naquele almoço no Palácio residencial do Governador (que eu relatei ontem), também estava presente, bem humorado e afável, o Secretário da Comunicação, Derly Anunciação.

Derly tem uma tese, que gosta de debater, sobre “o Estado possível e o Estado ideal”. Que, no final das contas, resume o impasse em que as unidades da federação brasileira foram colocadas: praticamente o total da arrecadação tem sua destinação amarrada a alguma rubrica. Tantos por cento para educação, tantos para saúde, tantos para isto e para aquilo. E, pairando como uma espada sobre a cabeça dos administradores, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece limites para as despesas com o pessoal.

Resultado: não sobra nada para investimentos ou para fazer aquilo que quem está no poder gosta de fazer, para deixar marcada sua passagem por ali.

Claro, todas essas amarras foram sendo colocadas na ilusão (ou esperança) que um dia algum político tivesse coragem de reduzir o tamanho do Estado. Mas eles são políticos justamente porque não são tolos. E nesse vespeiro ninguém mexe.

DEMITIR? NEM PENSAR!
A solução é, teoricamente, simples: se a despesa com a “máquina” (salários, gratificações, custeio, etc) consome um percentual absurdo da arrecadação, reduz-se a máquina e seus custos. Na casa da gente, se o dinheiro anda curto e não pode ter faxineira todo dia, a gente reduz para duas vezes por semana ou até dispensa a moça e assume as tarefas dela.

Mas no governo não se pode falar nisso. A cada dia se fala em abrir novos concursos (para aumentar o número de servidores estáveis). E, como disse, nenhum administrador público é burro (ou estadista) o suficiente para sequer tocar no assunto de enxugamento, de racionalização, de melhor aproveitamento do volume de servidores existentes. O corporativismo é fortíssimo. Grupos organizados de servidores elegem deputados, vereadores, governadores, justamente para não permitir que alguém mate a galinha dos ovos de ouro. Ou que coloque uma tranca no cofre da viúva.

O contribuinte, que sustenta tudo isso, espera, com toda razão, ver seu rico dinheirinho transformado em melhorias a que ele tenha acesso. Fica indignado com episódios, que surgem vez por outra, de mau uso do dinheiro público. Mas talvez não se dê conta do que, exatamente, está engessando o governo. Todos os governos.

O CHEQUE SEM FUNDOS

A acusação apresentada pelo Ministério Público Estadual contra o então vice-prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, está minuciosamente dissecada no site “A Política Como Ela É (aqui em Santa Catarina)”. Este site antes era o “Blog do Vieirão”. Não sei o motivo da mudança de nome, mas, de qualquer forma, continua sendo um espaço de oposição, defendendo basicamente as propostas do PP. E o endereço continua o mesmo (vieirao.com.br).

Sob o título de “A incrível história do alcaide Marco Antônio Tebaldi”, lá estão todos os detalhes da acusação, num caso que, aparentemente, é mais um daqueles onde a frágil e delicada membrana que marca a fronteira entre o privado e o público foi arrombada. Ou, pelo menos, distendida anormalmente.

E revela um detalhe interessante: estão anexados ao processo (nº 038.07.005499-9, que tramita em segredo de justiça na 2ª Vara Criminal de Joinville) os resultados de interceptação telefônica. As populares “escutas”, que fazem a delícia de leitores, telespectadores e radioouvintes.

Resta saber quem terá sido “apanhado” nas escutas. E até que ponto essa pedra no sapato de Tebaldi poderá se transformar num transtorno para o prefeito de então, governador de agora.

CLUBE DE REPÓRTERES
Ainda a propósito do almoço com o governador, o jornalista Carlos Damião escreveu-me um bilhete, com uma boa lembrança:
“Meu caro Cesar, estes almoços de sua Excelência são realmente desnecessários. Não acrescentam nada. Saudade do Clube de Repórteres Políticos (lembras-te?), com Bento Silvério, Sérgio Lopes, Moacir Pereira, entre outros, promovendo almoços mensais com as autoridades catarinenses e colocando-as para falar sobre o que interessa. Convescotes chapa branca, sinceramente, são eventos dispensáveis.”
É verdade, quando é uma entidade assim que promove o encontro, fica mais fácil manter o foco da conversa e, quando é o caso, pode-se encostar o entrevistado na parede com maior facilidade.

Até achei que a Casa do Jornalista (que agora atende pelo nome de Associação Catarinense de Imprensa), com o Moacir à frente, iria por esse caminho. Mas aquelas “coletivas” do governador na Casa foram um balde de água fria.

O Paulo Alceu é outro que, de vez em quando, fala que a gente tem que se (re)organizar. Quem sabe... Ressuscitar o Clube dos Repórteres Políticos... que tal, hem? hem?

(Clique sobre a foto que se abre uma ampliação)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Quarta

EM PALÁCIO
Não sei como começar esta coluna social. Certamente Túlio Cordeiro e Walter Van, os especialistas em mundanidades do DIARINHO, acharão graça da minha falta de traquejo, mas vamos lá. Bom, talvez seja muito indelicado para com os anfitriões e eu nem devesse dizer que o almoço de ontem, na Casa d’Agronômica, foi um tanto quanto decepcionante.

Não pela comida, nem pela hospitalidade, muito menos pela companhia de tantos velhos jornalistas. Mas porque, sem que tivessem nos avisado, acabamos participando de um evento para anunciar o lançamento de mais uma fábrica da Cedrense, no oeste catarinense. Nada contra o desenvolvimento industrial do estado, muito antes pelo contrário. E os queijos que a empresa colocou à disposição dos presentes, para degustação, eram muito bons.

Mas não era bem isso que eu esperava. E, até onde consegui perceber, muitos dos colegas também. Do governador ouvimos, como aperitivo, um discurso entusiasmado sobre o espetacular crescimento catarinense, em todas as áreas, “graças à descentralização”. Crescimento que já estancou, segundo LHS, o êxodo rural e começa a aliviar o litoral da pressão de ter que abrigar, além dos próprios pobres, os do oeste também.

Já com o almoço sendo servido, a “solenidade” de lançamento da fábrica, com um igualmente entusiasmado discurso do diretor do empreendimento.

O almoço teve ostras gratinadas e camarões na endívia como entradas. No prato principal, fiquei no roast-beef, embora tenha visto, en passant, alguma coisa com bacalhau. Na sobremesa, frutas com molho de chocolate, pavlova e mousse de maracujá. Para beber, um vinho catarinense, que LHS elogiou bastante, refrigerante e água.

TOUR GUIADO
Depois do almoço, o governador guiou seus convidados num tour por algumas das obras de arte expostas na Casa. Deteve-se, principalmente, diante dos quadros do Willy Zumblick, prestigioso pintor tubaronense. LHS dava informações e fazia comentários, satisfeito por ter tirado algumas das telas dos depósitos do governo e trazido-as para um local nobre. Foi um dos bons momentos do almoço.

Chamou-me a atenção, sob uma Santa Ceia de madeira entalhada, um aparador com várias imagens de porcelana. Aparentemente, de santos (N. Sra. Aparecida, Santa Catarina, a Sagrada Família, uma freirinha, provavelmente Santa Paulina, entre outros). Uma espécie de altar doméstico.

Ah, e todos cantaram parabéns para o secretário da Articulação, Ivo Carminatti, que estava aniversariando ontem.

Como disse, estava tudo muito bom. Mas desta vez não se criou ambiente para que os jornalistas pudessem ter uma conversa proveitosa com o governador.

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PICADINHO
Não dá pra ficar só na coluna social. Estão acontecendo outras coisas que requerem nossa atenção.

UFSC – A cada dia dilui-se mais a autoridade do Reitor. Abateu-se sobre ele uma incompreensível e, até certo ponto, inaceitável, complacência.

CORRUPÇÃO – O STF aceitou a denúncia contra os 40 acusados que agora, como réus, serão processados. Ali estão amigos, auxiliares diretos e colaboradores de vários tipos do presidente da República. Acho que ninguém acredita que ele ignorasse tudo o que ocorria ao redor. Mas falar nisso virou tabu: “é golpe!”

CUMPLICIDADE – E, por falar nisso, o PT vai oferecer amanhã, em São Paulo, um jantar de solidariedade a seus filiados que foram “condenados moralmente” pelo STF.