quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta



CHEGA DE SOFRER!
Pronto, resolvi aderir à base do governo. Qualquer que seja o governo. Cansei de levar porrada por dizer que o Lula é isto, que o LHS fez aquilo, que o deputado tal esqueceu a ética no banheiro, que o senador fulano usa a ética que encontrou no banheiro e assim por diante. Cansei de ser do contra.

Cansei de ser o único (ou um dos únicos) que acha errado aquilo que todo mundo sonha em fazer. E que só não fez porque ainda não teve oportunidade. Empregar parentes, levar algum por fora, ficar por dentro das negociatas, ficar de fora dos acessos de moralidade, coisas que só os tolos condenam, só os imbecis acham que tem conserto.

Sábio sempre foi o Sílvio Santos, que em plena ditadura criou o quadro “A Semana do Presidente”, onde mostrava o general de plantão montando cavalo, assistindo ao futebol e inaugurando pontes. Isso é que era jornalismo. Propositivo, pra frente, construtivo.

Foi inspirado, portanto, no seu Sílvio, que fiz, aí em cima, as duas novas seções da coluna: o dia do Presidente e, por que não, o dia do Governador. Afinal, não tem cabimento que depois de solenidades onde são homenageados, onde anunciam coisas boas para o povo, venha um rancoroso qualquer falar mal de quem dá tudo de si para o bem do País e do estado.

E que, como vocês podem ver nas fotos, tem o reconhecimento da população e de seus pares. LHS, que os raivinhas tentaram propagar que não gostava de Fpolis, ganhou um troféu justamente de entidades florianopolitanas, agradecidas por tudo que ele fez.

Até o Walmor de Luca, que os míopes não valorizavam adequadamente, está colocando a Casan nos eixos. A empresa não só saiu do prejuízo, como está pronta para fazer empréstimos e se endividar novamente. E recebeu uma frota novinha de caminhões para abrir buracos. Dentro de mais alguns meses, deve chegar a frota de caminhões para tapar os buracos.

OPOSIÇÃO SEM RUMO
Bem diz o companheiro Mota, do alto da boléia do seu caminhão de corrida, que o PP não tem mais o que fazer ou dizer: isto de ficar passando filminho é de uma pobreza atroz.

Já dizia Nixon, que “a memória do povo é fraca e, seu coração, complacente”. Então, se o povo esquece rápido e não guarda rancor, qual o sentido de ficar remoendo coisas antigas? O que se diz na tribuna, num dia, no calor do momento, se for visto dali a alguns meses, pode ser ofensivo. Não importa que tenha sido a própria pessoa que tenha dito: não é pra isso que existe a TV da Assembléia. Não é para remexer em feridas do passado.

Se o próprio FHC pode dizer que “esqueçam o que escrevi”, e o Lula diz, com outras palavras, “esqueçam o que falei”, por que os deputados e o governo catarinense não podem manter seu passado no saudável esquecimento? Isto é bem coisa de oposição que não tem o que criticar no presente e vai em busca de deslizes passados. Que, como o próprio nome diz, já passaram.

E não esqueçam de assistir hoje, a partir das 10h, a continuação da defesa dos 40 injustiçados no STF. Os advogados estão mostrando que o mensalão nunca existiu. Foi tudo um sonho.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Quarta


SEM SURPRESAS
Hoje o STF começa a decidir se aceita a denúncia contra as 40 pessoas envolvidas naquela história de fundos não contabilizados, o tal mensalão. A decisão poderá sair em até três dias. Caso aceite, os denunciados viram réus e começa o processo.

E aí, será mais uma daquelas novelas intermináveis do STF. O jornalista Ricardo Noblat lembra que o processo contra Jáder Barbalho, acusado de ter desviado grana da Sudam, se arrasta há seis anos e não se sabe quando terminará.

O processo contra os 40 mensaleiros, segundo as contas mais otimistas, poderá ir além de 2014. E nada faz crer que, uma vez aceita a denúncia, eles chegarão a ser condenados. As estatísticas mostram que o STF condena pouco aqueles que têm foro privilegiado.

Em todo caso, reproduzo, aí embaixo, uma ilustração que publiquei na coluna do dia 17 de agosto de 2005, quando a gente ainda tinha esperança que fosse acontecer alguma coisa com os envolvidos na patifaria (pra ver melhor é só clicar sobre ela, que se abre uma ampliação). Tal e qual a viagem do homem à Lua, hoje já tem gente dizendo que nada daquilo aconteceu, que foi tudo uma armação da zelite golpista, aliada à imprensa vendida. Então tá.


SACO SEM FUNDO
O tal Fundo de Incentivo ao Esporte está se mostrando mais do que generoso: é verdadeiramente coisa de pai pra filho. Uma ação da SDR de Curitibanos e da Secretaria da Cultura, Turismo e Esporte destinou a bagatela de R$ 250 mil, do nosso rico e escasso dinheirinho, para “estimular” o Eduardo Berlanda, na Stock Car Light (uma categoria de carros de corrida).

O moço que, por pura coincidência, é filho do secretário regional de... Curitibanos, Nilso José Berlanda, precisa mesmo de estímulo. Depois da quinta etapa do torneio brasileiro (de 9 etapas), está na 32ª posição, com um ponto (o primeiro colocado, Norberto Gresse Filho, de SP, tem 85 pontos). Concorrem 36 pilotos e até o folclórico Octávio Mesquita está na frente do Berlanda.

Vamos ver então se agora, com o paitrocínio incentivado do estado que é uma mãe, o moço desencanta e sai da lanterna.

AMIN TEMPERA O QUIBE
Esperto, o careca. Com uma só tacada, deu um jeito de manter o assunto do processo contra LHS vivo na mídia e jogou um balde de água fria na turma que estava se preparando para chamá-lo de golpista.

Esperidião reuniu a imprensa ontem para dizer que, qualquer que seja o desfecho do processo em que o STF examina o pedido de cassação do mandato do LHS, ele não assumirá o governo sem que haja nova eleição.

No trecho final da carta que distribuiu, diz o ex-governador:
“Saibam todos, acreditando ou duvidando: se o judiciário tomar a decisão de cassar o mandato em foco – por razões de direito que são conhecidas – não ofenderei Santa Catarina, exercendo o cargo sem preencher o supracitado requisito do voto! O Brasil está precisando de decisões que elevem o exercício da política a nível superior e melhor do que o atual. Se a decisão for a de destituir quem cometeu infração à lei e à ética, uma nova eleição será o caminho do exemplo que nosso País reclama e Santa Catarina merece e pode dar!”
TAI CHI BADESC
Certamente para acalmar credores e devedores, ou para reestabelecer a harmonia nos litígios bancários, o Badesc (Agência de Fomento de Santa Catarina), está contratando uma professora de Tai Chi Chuan para a Fundação Badesc.

Muita gente, nervosa e estressada, não vai entender por que o Badesc, cujo “negócio” é “financiar os investimentos produtivos e de infra-estrutura, e disponibilizar as informações setoriais e regionais necessárias ao desenvolvimento econômico e social do Estado de Santa Catarina” foi buscar alívio e conforto na milenar prática do Tai Chi Chuan. Para estes, meu conselho é: respirem fundo e relaxem.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Terça

GREVE? QUE GREVE?
Os servidores técnico-administrativos da UFSC e mais umas quarenta universidades federais estão há mais de dois meses em greve. O resultado prático, até agora, é apenas a deterioração cada vez maior da já precária condição de ensino e aprendizagem.

Colaboram, os companheiros grevistas federais, para o enriquecimento dos cursos particulares (lá se paga, mas pelo menos pode-se formar num prazo razoável) e para a desmoralização de suas próprias instituições. O governo já demonstrou que a-do-ra movimentos como esse, que parecem orquestrados com o próprio programa oculto e permanente de desgoverno.

Essas greves etéreas, que prejudicam o cidadão, mas não sensibilizam nenhuma autoridade, mesmo de quinto escalão, deveriam ser repensadas. Se alguma vez, na história recente, a greve no serviço público funcionou para alguma coisa, agora, no entanto, parece não servir para nenhum dos propósitos que poderiam justificá-la e produz todos os danos que justificariam seu encerramento.

QUE ESQUERDA?
Velho, meio caduco e cada vez mais impaciente e preconceituoso, vi-me às gargalhadas quando li que alguns partidos se reuniram, na Alesc, para formar um “bloco de esquerda”, dentro da base de apoio do lulismo. O presidente de um deles é o empresário-deputado Djalma Berger. Em outro, um dos líderes é o Rodrigo Bornholdt, filho do ex-secretário da Fazenda. E por aí vai, num desfile de personalidades políticas que poderíamos chamar de “esquerda fluida” e cuja orientação ideológica, naturalmente, não vem ao caso. Isso de achar que políticos de esquerda e de direita deveriam ser diferentes, é coisa do passado. Modernamente, é tudo a mesma coisa.

VIVA EVO E CHAVEZ!

Pois não é que tem gente levando a sério a proposta de “reestatizar a Vale do Rio Doce”? Um “plebiscito”, na semana da Pátria, vai perguntar se o Estado deve “retomar” a empresa, que foi vendida no governo FHC. Faltam vagas para empregar os amigos. Só Petrobras e Banco do Brasil não chegam. Precisam dos cabides da Vale também.

DESCER DO PALANQUE?
Sobre a crítica que normalmente se faz ao Lula, que ele continua no palanque, como se estivesse em campanha, um leitor argumentou que “Lula não desceu do palanque porque a oposição pensa que ainda está em campanha!”

Isto é uma grande bobagem: a oposição, justamente por não estar no governo, deveria manter-se falante (não como a oposição brasileira, praticamente inexistente e dócil). Já o governante, precisa trabalhar mais e falar menos.

COLUNISTA TROCADO
Descobri por que não lembrava de ter falado naquela história do Metropolitano (a que me referi na coluna do final de semana). Não lembrei simplesmente porque eu nunca falei nisso. O leitor, mais confuso que eu, tinha lido a nota na coluna do Mário Medaglia (Batendo Forte) aqui no DIARINHO, mas misturou os colunistas e mandou o comentário para mim. Foi o Medaglia que contou a “aventura” do time blumenauense, que viajou à Europa (com uma delegação grande, de umas 30 pessoas) graças ao dinheiro público.

A MODERNIDADE DO ATRASO
O governo de Santa Catarina anuncia, com alarde, “o primeiro blog de Governo Eletrônico do Brasil”. Pode, o leitor, ingênuo, achar que, finalmente, o governo catarinense rendeu-se à importância dessa ferramenta, utilizada hoje por jornalistas, artistas, políticos e outros formadores de opinião no mundo todo. Que nada.

O governo continua vendo os diários na internet (os tais blogs), independentemente do seu conteúdo, como coisa do demo, locais de perdição, informação inútil que seus servidores não podem acessar. Mantém o bloqueio genérico, injusto e hipócrita aos blogs, mas, para efeitos de marketing, lança o tal ““e-gov blog”.

Os posts (que é como as notas são chamadas, nos blogs) são assinadas pelo presidente do Ciasc, Hugo César Hoeschl, Post Doc (imagino que isto significa que ele tem pós-doutorado e não que seja, como alguém pode pensar, um doutor postal).

A intenção, como em tantas outras iniciativas, é a melhor possível. De fato, não tem como gerir o Estado eficientemente sem uma infra-estrutura adequada e aí a informática, a telemática e tantos outros instrumentos, são importantes.

Muitos dos gestores, nas diversas áreas, por causa de sua origem não técnica, têm enorme dificuldade para assimilar e aceitar mesmo os conceitos gerenciais já antigos e consagrados, quanto mais os novos e suas ferramentas inovadoras. Talvez por isso, o presidente HH esteja tentando usar um blog para facilitar a difusão dessas novas idéias. Portanto, como disse, as intenções são as melhores.

CARAS DE PAU
Só que, ao manter o bloqueio (a censura prévia) aos demais blogs, os gênios que bolaram a tal “operação” (o presidente HH à frente?), demonstram que, em termos políticos, vivem na escuridão medieval.

O servidor público catarinense, na visão desses senhores, é um relapso, incapaz de trabalhar se seus computadores não bloquearem automaticamente certos conteúdos. Principalmente dos blogs que comentam a vida política.

Há alguns meses, a secretária-trator, Dalva Dias (PDT), chamou a polícia para investigar quais dos computadores da sua secretaria estava acessando esta e outras colunas. Constrangimento de servidores, desperdício de tempo e dinheiro da segurança pública, apenas para demonstrar que, para vergonha da memória de Brizola, a censura ditatorial está viva e atuante. E agora vemos que esse recrudescimento do obscurantismo não está restrito ao feudo pedetista.

Preservando a censura aos blogs, enquanto cria um blog próprio, o governo reafirma a interpretação que os demais blogs, que jornalistas e jornais mantém, são brincadeirinhas prejudiciais. Claro: informam e debatem assuntos que, muitas vezes, incomodam. E, para certo tipo de político atrasado, da política antiga, toda crítica, mesmo feita no melhor interesse público, deve ser banida, como coisa “de oposição”.

E AGORA, LHS?
Não acredito que, quando informaram LHS que fariam o tal blog (naturalmente enfatizando a sua “modernidade”), tenham também dito que seria mantido o bloqueio inquisitorial aos demais blogs.

Quero crer que, quando LHS ficar sabendo disso, tomará uma providência: não tem sentido falar tão bonito das novidades gerenciais informatizadas e manter, concomitantemente, uma prática arcaica de censura que deixaria Armando Falcão, Stalin e tantos outros, orgulhosos.

sábado, 18 de agosto de 2007

Sábado, domingo e segunda

O PALANQUE DO LULA
Por coincidência, a Maria Helena Rubinato de Souza publicou ontem um artigo (“O Eterno Palanque”, clique aqui para ler) onde afirma que Lula “precisa descer do palanque, e rápido”. É que, em muitas ocasiões, Lula fala como se ainda não fosse presidente e estivesse em campanha. E, na Agência Brasil, estavam as fotos acima, feitas no Rio de Janeiro, onde o presidente parecia atender ao pedido.
(Clique nas fotos, para abrir ampliações)

O APURO DO MOTA
O deputado Manoel Mota (líder do PMDB, que, na foto acima, está cercado por ilustres deputados do seu partido), bem que tentou dizer que não disse o que de fato havia dito. O grande problema é que, na Assembléia Legislativa, tudo o que os deputados dizem em plenário fica gravado, registrado, taquigrafado e carimbado.

E taí a transcrição, ipsis litteris (na íntegra, com todas as letras), das frases pronunciadas pelo deputado, onde fica claro o conteúdo da aposta (que coloquei em destaque), conforme consta nos anais (êpa!) daquela Casa de Leis:
O Sr. Deputado Manoel Mota – V.Exa. me concede um aparte?

O Sr. Deputado Edson Piriquito – Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota – Eminente deputado Edson Piriquito, v.exa. é um deputado guerreiro e atuante. Como sempre, não leva nada embora de graça. As verdades têm que ser ditas aqui nesta Casa.

Agora, eu queria aqui, rapidamente, dizer ao eminente deputado Reno Caramori, ao qual eu respeito muito, que no nosso governo há 200 cargos comissionados a menos do que no seu governo. Estavam aqui em Florianópolis e hoje estão espalhados por Santa Catarina. Hoje é demais e quando era aqui não era? V.Exa. me perdoe, mas o seu pronunciamento tem que ser revisto. Se houver um cargo a mais do que tinha no seu governo, eu renuncio ao meu mandato! Só para v.exa. ter uma noção do quanto está equivocado, agora há 200 cargos a menos do que no seu governo!
E AGORA, DEPUTADO?
O deputado Reno Caramori (PP), é claro, pegou no pé do imprevidente líder peemedebista:
“Pela valorização da classe política e pelo bem da verdade, o deputado Manoel Mota deveria renunciar imediatamente ao seu mandato, como prometeu que faria, em alto e bom som, no plenário, caso o governo LHS tivesse um comissionado a mais do que havia no governo de Esperidião Amin”.
E, sem dó nem piedade, Caramori desafia: “ou o deputado Mota renuncia e mostra que realmente faz o que diz, ou junta-se ao grupo dos políticos colocados na vala comum pelo eleitores, por não honrar nem mesmo a própria palavra”.

MORTO DEVEDOR
A notícia foi publicada no site do Superior Tribunal de Justiça e o colega Raul Sartori, em A Notícia, fez o registro: o deputado Herneus de Nadal (PMDB) ganhou uma ação de danos morais, no STJ, contra quatro cidadãos que o chamaram de mentiroso no Oeste catarinense: Darci Lazzaretti, Cláudio Cesca, Reny Jacinto Vanzella e Gilberto Costacurta terão que pagar R$ 20 mil ao ofendido.

O episódio tem, contudo, um componente curioso, que o Raul não mencionou: Darci Lazzaretti (que era prefeito de Caibi pelo ex-PPB), já morreu. Provavelmente a conta será cobrada da viúva (dele).

Um amigo que mora na região e lê a coluna pela internet, conta mais: Lazaretti era um tremendo desafeto do Herneus naquela pequena cidade, que se emancipou de Palmitos. E teve uma morte que alguns consideram estranha, depois de ir a uma festa no interior do município e passar mal, ficando dias internado em Chapecó, até falecer.

Na época, em 2004, era candidato à reeleição. Morto, acabou embalando a campanha de seu vice. Chegaram a suspeitar de envenenamento. Mas, também naquela ocasião, o Herneus se deu bem: apoiado por ele, o atual prefeito recuperou o comando do município para o PMDB, que em 2000, com o Lazaretti, pela primeira vez na história tinha escapado da turma do “manda brasa”.

ESSAS ASSESSORIAS...
Não sei por que, alguns coleguinhas acham que eu pego demais no pé dos assessores de imprensa. E outros acham que é bom dar umas alfinetadas de vez em quando, para manter a turma acordada. Talvez por causa dessa polêmica um amigo, velho radialista, mandou uma longa lista de queixas, sugestões e elogios sobre o serviço prestado pelas assessorias de comunicação, principalmente do governo, às emissoras de rádio. Vou resumir.

Governo do Estado: envia o “boletim do palácio” muito tarde (lá pelas 18h30min). Como as emissoras de rádio em geral terminam suas transmissões locais às 19h, resta pouco a fazer. E inventaram um pingue-pongue esquisito, com dois locutores quebrando a mesma notícia em duas vozes, o que dificulta o uso no noticiário. E os boletins não são assinados, o que também complica.

Alesc: quase só elogios. A queixa é que não produzem nada quando não há sessão, o que, a rigor, não se justifica. E algumas matérias, de cinco minutos ou mais, não tem como aproveitar.

PCR EM APUROS
O veterano polemista Paulo da Costa Ramos foi acusado, de novo, de “discriminação étnica”. Ele teria, segundo interpretação do Ministério Público Federal de Santa Catarina, sido preconceituoso com os indígenas, num artigo publicado em março, no jornal O Estado, de Florianópolis. PCR, que tem uma pena afiada, não se conforma com os benefícios que os índios, tutelados pelo Estado, recebem.

Não conheço os detalhes do caso mas, em tese, tem uma coisa que me incomoda, em situações semelhantes: é impressionante o medo que as pessoas têm da liberdade de expressão. Lembro-me sempre da frase atribuída a Voltaire: “discordo daquilo que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo”.

A liberdade de expressão, embora pareça absurdo, utópico e alguns considerem inaceitável, ou existe, ou não existe. Mas o que se vê, na prática, é que as restrições à opinião são tratadas não como ameaças à liberdade (que de fato são), mas como se fossem suas salvaguardas.

METROPOLITANICES
Memória de leitor é fogo. Diz um desses tarados que lê e anota tudo, que eu escrevi aqui, uma vez, que o Metropolitano de Blumenau tinha conseguido estrutura e recursos para disputar umas partidas de futebol em torneios na Alemanha e Áustria... E recursos públicos, do SEITEC. Eu nem lembrava mais.

Pois bem, aí ele complementa com uma informação nova e deixa uma pergunta no ar:
“acabo de ver o Delfim Peixoto, Presidente da Federação Catarinense, anunciando a lista dos times que vão disputar o Campeonato Catarinense de 2007 e não é que o Metropolitano não está na relação?... Não tem estrutura nem recursos para montar o time. Campeonatos na Alemanha e Áustria pode, Campeonato Catarinense não. Então foi pra isso que o Luiz Henrique inventou o tal SEITEC, que quer dizer Sistema Estadual de Incentivo ao Turismo, Esporte e Cultura?”

Atualização do domingo: Descobri por que não estava me lembrando de ter falado nessa história do Metropolitano. Simplesmente porque eu nunca falei nisso. O leitor, mais confuso que eu, tinha lido a nota na coluna do Mário Medaglia (Batendo Forte) no Diarinho, mas misturou os colunistas e mandou o comentário para mim. Foi o Medaglia que contou essa “aventura” do time blumenauense, que viajou à Europa (com uma delegação grande, de umas 30 pessoas, a maioria tão jogadores de futebol quanto eu) graças ao dinheiro público. A coluna Batendo Forte, por falar nisso, além de ser publicada no jornal, é transcrita em mariomedaglia.blogspot.com.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sexta

DOIS ANOS PASSAM VOANDO!
No dia 13 de agosto de 2005, um sábado, este jornal publicava, pela primeira vez, a coluna De Olho na Capital. E eu estreava como colunista. Uma das poucas atividades, no âmbito do jornalismo, que ainda não tinha exercido cotidianamente, como titular.

Portanto, esta semana a coluna completa dois anos de circulação, por assim dizer, ininterrupta (fora as três ou quatro férias que costumo tirar por ano). Por coincidência, não comemorei no dia 13 porque estava... de férias. E nem toquei no assunto nos dias seguintes, porque esqueci. Mas ontem lembrei. E antes que esqueça de novo, deixa eu fazer uma pequena festinha.

Claro que, nesta data querida, preciso prestar uma homenagem especial a quem tornou isto possível: minha querida chefe Samara Toth Vieira, digna herdeira do genial Dalmo Vieira. Além de me convidar para fazer a coluna, tem garantido, como é tradição e ponto de honra no jornal, completa liberdade.

Não deve ser fácil. Afinal, tem muita gente que não está acostumado com a crítica, com a cobrança, e fica achando que tem alguma coisa por trás, que eu sou movido por algum propósito obscuro. Ledo engano: só exercito meu direito (e dever) de dizer que o rei está nu, sempre que alguém coloca a bunda na janela. Ou de chutar quando alguém deixa a bola quicando.

Ultimamente, além das cartinhas com comentários, sugestões e críticas bem educadas, que nunca deixaram de chegar, tenho recebido algumas espinafrações, de vários calibres. Um número significativo vinda de lulistas, que odeiam quando faço brincadeiras “desrespeitosas” com o chefe supremo. Sinal que tem aumentado o número de leitores e que não são só os conhecidos, amigos e parentes que estão lendo.

Então tá. Desculpem ter tomado o tempo e o espaço com esta comemoração íntima e privada e vamos em frente, que ainda faltam alguns meses para as férias. Obrigado a todos e todas pela leitura e, por favor, continuem escrevendo. Beijo grande nas leitoras e um forte aperto de mão nos leitores.

DIARINHO TEM PODER!
Lembram daqueles R$ 2 milhões que o governo “deu” para a RBS a título de compra de assinaturas do DC e de A Notícia? Eu reclamei aqui e o DIARINHO também fez reportagem, expondo o absurdo do favorecimento.

Pois o governo acaba de publicar a lei 14.076, de 6 de agosto de 2007, autorizando a contratação de fornecedores de jornais e revistas locais e regionais. Claro que não desfez o negócio com a RBS, mas pelo menos abriu a possibilidade de que os alunos da rede estadual tenham acesso aos jornais da sua região.

Não li o texto da lei com lupa e atenção suficientes, pra ver se aquela história de exigir comprovação de circulação pelo IVC em alguns casos, não vai fazer com que jornais pequenos acabem ficando de novo de fora. Mas, de qualquer forma, trata-se de uma tentativa de remendar o malfeito e, só por isso, deve ser elogiada.

CANTINHO DO LEITOR

LIVRINHO
“Espero que tenhas descansado bastante nas férias. Pois bem, lendo, na tua coluna de hoje a nota sobre a aprovação do projeto de lei de autoria do deputado Nilson Gonçalves, que obriga profissionais liberais, dentre outros a portar o Código de Defesa do Consumidor, tenho a dizer apenas que devia também ser obrigatório aos deputados portarem no bolso o Código de Ética. Na fiscalização, se o deputado for flagrado três vezes sem o devido código, perde o mandato. É minha sugestão”. (Osvaldo Peixoto)

FACTÓIDE“Olha, gosto muito da tua coluna, inclusive o formato dela, mas, por favor, dar um destaque pruma insanidade daquelas (“BB entra na campanha do 3”), que só o título por si só é uma afronta à inteligência e ao bom jornalismo, é de dar pena. Repetir factóides bestas de um Noblat, que agora deu pra achar “chifre em cabeça de bode”, fora suas besteiras habituais, e, pior, repetido por um SENADOR que teve a audácia de usar a tribuna do Senado (isso sim merecia ser criticado por ti) para falar de uma “possível conspiração de números para levar Lula ao terceiro mandato”, parece que realmente não tinhas nada pra escrever e enfiaste isso de última hora.

Sinceramente, as brincadeirinhas fotográficas (como essa do Marco Aurélio – que achas de induzir ao leitor que o Marco Aurélio estaria dormindo? é ético? mesmo – se é que há diferença entre “éticas jornalísticas” – numa coluna política?) também estão muitas vezes beirando o pedantismo. E creio que essa não é a tua intenção. Talvez devesses mudar teu estilo, pra algo mais próximo do Simão, e não parecer que estás falando de assuntos sérios. Ou pelo menos, dando este tratamento.” (Rômulo Mafra)

MARAVILHAS“Ô meu, o principal assunto da capital é a eleição das maravilhas do mundo manezinho (ou maravilhas manezinhas do mundo) e tu não falou nada sobre isso. Desse jeito vais ter que mudar o nome da coluna! E tem outra coisa: o comércio de automóveis na Assembléia Legislativa continua a todo vapor. Até o pessoal da nova legislatura, que entrou no começo do ano, já está de carrinho novo, comprado abaixo do preço de custo. Junto com a história do Aldinho, este é outro dos mistérios da Ilha que, pelo jeito, vai continuar misterioso.” (Altamirando Palhares)

ATO FALHO?
O deputado Joares Ponticelli (presidente estadual do PP) foi à tribuna, ontem, parabenizar o seu colega de partido, ex-deputado federal Leodegar Tiscoski pela nomeação para a secretaria nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades.

A alturas tantas, disse o seguinte:
“Temos a certeza de que, pela sua história, pela sua folha corrida de relevantes serviços prestados, haverá de dar uma grande contribuição para Santa Catarina e para o Brasil no comando dessa importante Secretaria”.
Até onde sei, “folha corrida” é um certificado de registro criminal. Não é sinônimo de currículo ou de alguma relação de tarefas executadas. Imagino que o Ponticelli não tenha falado de propósito. Deve ter sido apenas um pequeno equívoco vocabular. A menos que ele saiba de algo que a gente não sabe.

MOTA SISPLICA
O deputado Manoel Mota (líder do PMDB), disse ontem que a história da comparação dos cargos do governo Amin com o governo LHS não é bem como o Ponticelli (PP) anda dizendo. Segundo o peemedebista, o desafio “não foi apenas em relação aos cargos comissionados, mas para todo o quadro de servidores”. E diz que o número de ACTs (professores temporários) da Secretaria da Educação, caiu de 22,8 mil no governo Amin, para 14 mil no governo LHS.

Então tá. Pelo jeito, o Mota vai continuar deputado.

MOTORISTAS A GRANEL
A Secretaria do Desenvolvimento Regional de Rio do Sul vai botar o pé na tábua e cantar pneu: a portaria 12, de 1º de agosto de 2007, autoriza nada menos que 38 (sim, trinta e oito) servidores, a dirigir os veículos da SDR.

A portaria não explica como será organizada a fila para uso das viaturas (partindo do princípio que a SDR não tenha 38 veículos) nem dá detalhes se a autorização vale só para carros de passeio ou para camionetes, caminhões e tratores. Ah, e já que tem tanto motorista na SDR, como fica a responsabilidade pelos problemas nos veículos? Todo mundo sabe que carro que muitos dirigem costuma pifar mais rápido...

FPOLIS X ANGELINA
A prefeitura de Florianópolis criou uma comissão, por intermédio de uma instrução normativa, para “auditar” o hospital de Angelina. Se eu fosse prefeito de Angelina, fechava as fronteiras e convocava o tiro de guerra, pra defender o hospital, diante dessa estranha tentativa de intervenção intermunicipal.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quinta

BB ENTRA NA CAMPANHA DO 3
(Preparação para o terceiro mandato?)

Ontem não se falava em outra coisa, nas rodas dos fofoqueiros habituais. O jornalista Ricardo Noblat, já de manhã cedo, começava a somar um mais um: Lula disse, à bancada do PDT, que tinha certeza que os partidos aliados do governo disputarão a eleição presidencial de 2010 com um único candidato. “Garanto”, disse Lula.

Ora, só há um nome capaz de manter íntegra a penca que foi montada para sustentar o governo: ele mesmo. E aí Noblat lembra da campanha milionária do Banco do Brasil, em jornais, rádio, internet e TV, pedindo que a gente, todo dia, faça três coisas boas pelo Brasil: “se tudo der certo, uma das três coisas boas poderá vir a ser o terceiro mandato de Lula. Por que não?” provoca Noblat.

À tarde, o senador Heráclito Fortes (DEM), na tribuna, também criticou na campanha do BB, que fala em “banco da sustentabilidade”. “Do mandato?”, perguntou o senador, fazendo coro com prefeito do Rio, César Maia, do mesmo partido.

No meio do rolo, o Banco (que não teve um grande resultado no seu balanço deste ano), explicou que as suposições são “ridículas”: “o três é a soma de 2 +1, da Agenda 21, de sustentabilidade do planeta”.

Correndo por fora, Aécio Neves disse que o PSDB poderá desquitar-se do DEM para casar, a médio prazo, com o PT. Pelo jeito, ele quer ser o tal candidato único da coligação.

PROCURA-SE
O site Acontecendo Aqui, especializado em publicidade e comunicação, deu toda a ficha daquele super-mega evento que o LHS está promovendo animadamente, a Eco Power Conference: “a Prime [agência de publicidade dirigida pelo Ricardo Bornhausen] é a mentora e empreendedora do projeto e está em busca de patrocínios”, informa o site.

LHS será o presidente de honra do Conselho Consultivo do evento (“que será patrocinado pela Celesc”). E a agência agora está tratando de conseguir recursos complementares àqueles que já foram garantidos pelo governo.

ENQUANTO ISSO...

Trabalhadores da Epagri, Cidasc e Ceasa programam manifestações para tentar sensibilizar o governo para suas perdas salariais.

E o deputado Sargento Soares (PDT) avisou, da tribuna, que “nas próximas semanas” os praças da Capital vão se movimentar para pedir que o governo cumpra o acordo salarial assinado no ano passado.

MOTA EM APUROS
O deputado Manoel Mota (líder do PMDB), defensor apaixonado e veemente do governo não só por dever do ofício, mas também por convicção, empolgou-se na terça-feira e disse, em Plenário, que renunciaria ao mandato se, no governo LHS, tivesse um cargo comissionado a mais que no governo anterior, do Amin.

O deputado Joares Ponticelli, vice-líder do PP, foi ontem à tribuna pedir que Mota “cumpra sua palavra e renuncie ao mandato”. Com números que afirma terem sido retirados do Diário Oficial do Estado, o pepista mostrou que, atualmente, o governo LHS tem 81 cargos a mais.

GRANDE NEGÓCIO

Os deputados aprovaram um projeto do tucano Nilson Gonçalves que é, no mínimo, estranho e anacrônico: todo fornecedor de produtos ou serviços (seja pessoa física ou jurídica) terá que andar com exemplares do código de defesa do consumidor para que seus clientes consultem, a qualquer momento.

Um pedreiro, um fotógrafo, ou qualquer outro prestador de serviços que não tenha o código “para consulta direta e imediata”, poderá ser multado em R$ 1 mil. Fora o transtorno e a despesa, resta a dúvida: qual será a gráfica ou editora beneficiada com essa massiva compra compulsória de livretos?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Quarta

VOLTEI!
Para alegria dos amigos e tristeza dos desafetos, cá estou novamente, enchendo a página com letrinhas de utilidade discutível e piadinhas de graça (no sentido de que já estão incluídas no preço do jornal).

O ser humano nasceu para as férias. O corpo é integralmente preparado para atividades de lazer, passeios divertidos, sonecas fora de hora, longos almoços, jantares esticados e muita, mas muita preguiça entremeando cada página de algum livro lido lenta e distraidamente.

Mas é só sentar-se à frente do computador, esperando abrir os milhares de e-mails acumulados pela semana de inatividade, que começam a doer as costas. E enquanto leio as notícias, para tomar pé das novidades, ressurge aquele velho reumatismo e turvam-se os movimentos do braço, repentinamente acometidos de alguma inflamação causada por alergia ao trabalho.

Neste momento em que dedilho as primeiras linhas da coluna que marca o retorno ao... vá lá, trabalho, já estou novamente curvado, encarquilhado, cansado. Sinto que até a pintura do cabelo já desbotou e, grisalho, barba por fazer, não tenho saída, a não ser conformar-me com a realidade cruel: acabaram-se as férias. Foram mini-férias, daquele tipo que acabam antes de começar, mas, como todas as férias, valeram a pena e deveriam ser estendidas.

Acho que vou ter que pensar num jeito de trabalhar uma semana (ou até mesmo quinze dias) e sair de férias por seis meses... Pronto! foi só começar a pensar de novo em férias que já fiquei mais animado.

SUB JUDICE

Depois de uma semana afastado vejo que quase nada mudou. O presidente do Senado continua enrolado, mas ainda presidente. O governador de SC, acusado de “abuso do poder econômico, abuso do poder de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação social” levou um sustinho no TSE, quando o relator do processo votou pela cassação. Mas parece que já está tudo sob controle, pelo menos até o ministro que pediu vistas dar seu voto.

O Dário continua enrolado, mas ainda prefeito. Levou uma gelada da direção do PSDB, mas continua tucano.

E, no mundo da política federal, todos continuam falando mal do Lula pelas costas, mas fazendo todos os agrados possíveis nas intermináveis reuniões em que se troca apoio por cargos e verbas e vice-versa.

Ah, tem um rolo novo, envolvendo o juiz Bodnar, da Moeda Verde. A troca de desconfianças e farpas entre o juiz e o MPF enche de esperanças e de alegria os malfeitores confessos e os suspeitos: dificilmente os advogados deixarão de se aproveitar dessas pendengas para tratar de livrar a cara de seus clientes.

DIARINHO TEM PODER!
No dia em que voltei de férias vi, com satisfação, que este bravo jornal continua sua trajetória ascendente: deu um furo retumbante nos seus concorrentes, com a matéria sobre os euros escondidos na parede da casa do traficante. Furo, pra quem não sabe, é quando um jornal dá uma notícia antes dos outros.

O DIARINHO costuma furar seus concorrentes com notícias de Itajaí e Balneário Camboriú, onde tem sua sede e é líder de vendas. Mas um furo na capital (e não foi o primeiro), sempre deve ser comemorado. Mostra que a equipe, pequena, mas esforçada e compentente, tem aquilo que é fundamental para qualquer trabalho bem feito: tesão!

Parabéns, rapaziada. E bola pra frente, que o adversário não é de levar goleada e ficar quieto.

NOTAS AÉREAS

PLANEJAMENTO – Você tem certeza que está no Brasil quando, ao esperar as malas no desembarque internacional do maior aeroporto do País, em Guarulhos, percebe que faltam carrinhos para bagagem, para desespero daqueles cujas malas não têm rodinhas (ou alças). Mas, ao sair dali, já quase fora do aeroporto, vê centenas (milhares?) de carrinhos de bagagem, sem uso, “estacionados” em algum canto.

TINO COMERCIAL – O Boeing 737-300 da Varig, que fez o trajeto Congonhas-Florianópolis no último dia 13, às 17h, trouxe exatos 14 passageiros. A capacidade deste tipo de avião é, em geral, de 136 passageiros. Pois bem, mesmo com essa folga toda, de pelo menos um deles a empresa cobrou excesso de bagagem, à razão de R$ 4,30 o quilo, para malas que excediam os 20 kg previstos para cada passageiro.

E ainda falam em aumentar o preço das passagens, se tiverem que deixar mais espaço entre as poltronas.

MÁ-NUTENÇÃO – Leitor manda foto recente de poltrona de um avião da TAM, onde se vê um cinzeiro (há quantos anos o fumo foi banido dos vôos no Brasil?), corrosão e partes descascadas. E conta, com detalhes, como comprou passagem de classe executiva para ir para a lua-de-mel no Chile e teve que viajar na classe turística. A TAM mudou o tipo de avião que usa naquela rota, sem avisar. Deixaram até os coitados fazerem o check-in. Só deram a má notícia na hora de entrar no avião. Decerto para evitar que as vítimas cortassem os pulsos.

O NOSSO FUTURO

Hoje o LHS inagura, com pompa e circunstância, alguns quilômetros de asfalto em Governador Celso Ramos. Tinha acabado de ver esta informação na agenda do governador, quando li uma notinha, no blog do jornalista Dauro Veras (dauroveras.blogspot.com), que transcrevo na íntegra, porque vem bem a propósito:
“Marbella, balneário turístico no litoral sul da Espanha que o governador LHS visitou em março, foi tema de matéria na Folha de SP deste domingo: “Boom imobiliário destrói litoral espanhol”. Quase 400 prefeituras estão sob investigação por obras irregulares, muitas em praias sob proteção ambiental, e cinco prefeitos estão presos. De Marbella, diz reportagem de A Notícia em 27 de março, o governador de Santa Catarina pretende trazer um empreendimento espanhol com estrutura dez vezes maior que Jurerê Internacional. O novo complexo turístico ficaria sediado em Governador Celso Ramos.”
Por pura coincidência, o prefeito de Governador Celso Ramos quase perdeu o mandato por crime ambiental.

ENTRAVE AMBIENTAL
As advertências dos deputados federais peemedebistas, Valdir Colatto e Celso Maldaner, sobre “graves prejuízos” que um alegado rigor na aplicação das leis ambientais pode causar, fazem parte de um discurso que agrada ao governo (tanto estadual como federal), como um todo.

Lula e LHS, mais de uma vez, reclamaram dos entraves que Ibama e Fatma estariam criando para o “desenvolvimento”. E em Santa Catarina, no estilo de “uma no prego, outra na ferradura”, ao mesmo tempo em que anuncia investimento num evento internacional sobre energia renovável, com convidados do “peso” de Bill Clinton e Arnold Schwarzenegger, o governo estimula discursos como o dos dois deputados (citados ontem na coluna do Moacir Pereira), para quem “a legislação ambiental é, hoje, a maior inimiga dos agricultores”.

A BRONCA DA MÔNICA
Na última coluna que publiquei antes de sair de férias, falei sobre a matéria da revista Caras/Sul com o prefeito Dário Berger em Portugal, cujas fotos (muito boas, por sinal) eram assinadas pela jornalista Mônica Correa (assessora de imprensa da Codesc). Ela ficou muito chateada porque eu a coloquei na comitiva do LHS. E embora eu não tenha dito isso em nenhum momento, entendeu que eu tivesse afirmado que viajara com dinheiro público.

O fato é que eu a vi numa foto oficial, distribuída pelo governo, onde ela aparecia próxima do LHS, do Dário e de outros catarinenses em Portugal, e achei que ela também fazia parte do grupo. Mas ela garante que não:
“Não fui viajar com dinheiro público, nem fiz parte da comitiva do governador, encontrei com eles em Lisboa. Viajei com dinheiro da minha empresa, a TEXTO.COM. e nunca, em nenhum outro momento fiz parte da comitiva do governador LHS. Sou prestadora de serviços da Codesc, nem poderia viajar para o exterior com dinheiro público.”

COMENTÁRIOS DE VOLTA
Na minha ausência, bloqueei temporariamente os comentários aqui do blog (afinal, não estava acessando a internet todos os dias e não podia fiscalizar o uso deste precioso espaço, como manda a lei). Agora os comentários voltam. Com as restrições de sempre, que estão explicadas no texto da coluna direita, sob o título “Advertência”.

sábado, 4 de agosto de 2007

Aviso aos navegantes

FÉRIAS? DE NOVO?
Não sei por que, mas todas as pessoas a quem eu falei, na sexta 3, que iria sair de férias, tiveram a mesma reação. A começar pela minha chefe. Fiquei desconfiado que ela até iria bloquear o sagrado direito do funcionário mandrião, de matar o serviço de vez em quando.

Mas não, ela foi compreensiva. Portanto, devidamente autorizado, comunico a todos os leitores e leitoras que estou de férias (sim, de novo!). Será um afastamento breve, mais curto do que eu gostaria, de praticamente uma semana: a coluna volta na edição do dia 15 de agosto, quarta-feira (o que significa que volto ao batente dia 14).

Até lá, então.

Atualizacao da segunda: entre uma soneca e outra, cometi o desatino de entrar na internet movida a lenha do bolicho de beira de estrada, neste fim-de-mundo em que tento descansar. E encontrei, entre os comentários do post abaixo, um da Monica Correa, jornalista citada no post.

Trago-o para cá, porque nem todos os leitores costumam abrir os comentários:

“Caro César, se você tivesse me ligado, checado a informação, eu te diria e te atenderia como sempre fiz, gentilmente, esclarecendo tuas dúvidas. Não fui viajar com dinheiro público, nem fiz parte da comitiva do governador, encontrei com eles em Lisboa. Viajei com dinheiro da minha empresa, a TEXTO.COM. e nunca, em nenhum outro momento fiz parte da comitiva do governador LHS. Sou prestadora de serviços da Codesc, nem poderia viajar para o exterior com dinheiro público.


Tô começando a achar que tua implicância comigo é pessoal. Uma pena. Se me sentir prejudicada, pessoalmente e profissionalmente, vou procurar o que tenho por direito e vou encaminhar o caso ao meu advogado. Sinto muito pelas coisas terem chegado a esse ponto. Bastavas tu, como bom jornalista ter checado as informações que nada disso precisaria estar acontecendo.

Att Mônica Corrêa”
Agosto 05, 2007 7:28 PM

Tratarei deste assunto quando voltar. Porque férias sao férias e nem deveria ter lido os comentários, ou os e-mails. Enquanto isso, devo apenas dizer que nao tem nada de pessoal em um jornalista ficar curioso em saber o que faz uma servidora pública no exterior (ah, sabemos agora que é só uma prestadora de servicos). Até lá.

PS – Ah, enquanto isso receberei, por e-mail, propostas de advogados que tenham coragem nao só de enfrentar “o caso”, mesmo depois das “coisas terem chegado a esse ponto”, mas, principalmente, de aceitar os honorários miseráveis que costumo pagar.

Sábado e domingo

O TITITI DO CACAU
Ontem cedinho não se falava em outra coisa, nas esquinas bem informadas de Florianópolis: “Cacau Menezes está indo para o SBT, saiu da RBS!”

Os informes mais detalhados contavam o episódio quase minuto a minuto. Durante a tarde da quinta-feira, Cacau, que em maio último comemorou 28 anos de RBS-TV, teve uma reunião com diretores da Rede SC, afiliada do SBT em Santa Catarina.

Disse (ou teria dito) que estava querendo sair da RBS e ficou sabendo que, claro, a emissora dos Petrelli tinha interesse em recebê-lo. Chegaram a alinhavar uma proposta, tanto salarial quanto de espaço na TV e no jornal. Ao passar pelo estúdio do SBT, teria comentado sobre a cor que gostaria de ter no cenário do seu programa de entrevistas.

Depois, Cacau reuniu-se com Sérgio Sirotsky e Geraldo Correa, diretores da RBS, e comunicou que estava saindo. Pra variar, reclamou do Geraldo Cláudio Thomas (editor do DC)(N. do Revisor: CV precisava mesmo de férias, já tava trocando nomes...), mas isto, decerto, nem contou muito, porque “todo mundo” reclama do Thomas. Especialmente da preferência que o Thomas tem por jornalistas de Caxias do Sul, para preencher vagas em Santa Catarina.

Após a conversa, a empresa deu o fato como consumado. Um comunicado interno da RBS, distribuído já na quinta à noite, dizia que o colunista estava saindo. E, no Jornal do Almoço de ontem, a empresa comunicaria, ao público, a saída do Cacau.

Até o final da manhã de ontem, portanto, o Cacau estava oficialmente fora da RBS e, no SBT, a turma estava animada com esse reforço, que compensaria a perda, há alguns meses, do Hélio Costa para a Record.

No meio jornalístico, reacenderam-se as mesmas discussões que ocorreram quando o Hélio mudou de casa. Há quem ache incoerente manter salários altos para celebridades, em emissoras que vivem enxugando despesas, onde às vezes falta carro e outras vezes falta salário (o teto de repórter de TV está por volta de R$ 1,8 mil e a média não chega a R$ 900,00).

O FINAL DA NOVELA

Ainda ontem de manhã, alguns amigos comuns, que conhecem bem o Cacau, advertiam-me que, de tempos em tempos, ele tem esses ímpetos de mudança, de experimentar coisas novas. Mas aí o pessoal da RBS, que não nasceu ontem e sabe lidar com o ego de seus talentos, faz um carinho, chama para uma conversa conciliatória e todos se acalmam.

Desta vez, contudo, não foi o que aconteceu. Até onde consegui saber, a empresa não fez qualquer movimento. Foi Cacau que procurou a RBS, ontem de manhã, antes do Jornal do Almoço, para dizer que não queria mais sair. Teria pedido para suspenderem o comunicado, porque tinha repensado e queria continuar na RBS. À tarde, tudo parecia ter voltado ao normal. Segunda ele retoma a coluna, recém-chegando das férias.

Assim, à distância, é difícil saber que tipo de seqüelas este estranho episódio poderá deixar no relacionamento do Cacau com a RBS. Mas isto, é claro, já será uma outra novela.

TEMOR INTERNACIONAL

A organização Repórteres Sem Fronteiras emitiu um comunicado, fazendo um apelo ao presidente Lula e ao presidente do PT. Alguns trechos:
“Repórteres sem Fronteiras manifesta sua preocupação sobre as conseqüências da decisão adotada no dia 31 de julho pela Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), convocando detentores de mandatos públicos à mobilização contra uma “grande ofensiva da direita aliada a certos setores da mídia contra o PT e o governo do presidente Lula”, fundador do partido. Gléber Naine, responsável pela comunicação do PT, destacou o canal de televisão privado TV Globo e os diários Correio Braziliense, O Estado de São Paulo, O Globo e Folha de São Paulo como veículos que “nunca fizeram antes oposição a um governo como o fazem agora”.

Esta decisão nos parece inoportuna e sem fundamento. De um lado, se é verdade que a mídia privada do país não poupou críticas ao presidente Lula e seu governo quando de sua chegada ao poder, a relação entre o governo federal e a imprensa evoluiu de forma favorável desde então. Por outro lado, os veículos citados não deixaram de criticar representantes dos partidos de oposição citados em casos de corrupção, abuso de poder e fraude. (...)

A resolução que o PT acaba de aprovar ocorre poucos dias após a ampla cobertura pela mídia das manifestações que se seguiram após a catástrofe aérea no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 17 de julho, e as vaias dirigidas ao presidente Lula por ocasião da abertura dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Tais manifestações devem ser vistas como uma crítica sistemática às autoridades de Brasília? Deveria a imprensa se calar diante desses eventos, deixando-os passar de forma despercebida? É possível responsabilizar a mídia pela insatisfação provocada pela emoção coletiva decorrente da tragédia de Congonhas?”
A íntegra pode ser lida [aqui].

O prefeito de Florianópolis está, todo faceiro, na revista Caras Sul, com fotos daquela assessora da Codesc que viajou com o LHS. Se a gente não sabia o que ela tinha ido fazer na comitiva, agora ficou sabendo.
(neste blog é só clicar nas fotos que se abre uma ampliação)

DÁRIO DÁ AS CARAS!
Quando o LHS e turma estavam viajando pela Europa, vi, numa das fotos, a Mônica Correa, assessora de imprensa da Codesc. E fiquei curioso para saber o que ela estaria fazendo na comitiva que não tinha ninguém mais da Codesc?

Um leitor chegou a perguntar: “se ela é funcionária do estado e foi a Portugal com o prefeito, quem pagou a viagem? Tinha licença, como funcionária pública, para ir ao exterior?”

E agora, nas quatro páginas da Caras Sul (“será que foi de graça?”) as fotos, assinadas “Divulgação/Mônica Correa”, ajudam a responder por que ela estava lá: para fotografar o Dário. Mas as demais perguntas continuam sem resposta.

Para “ler” a revista, clique [aqui]. A matéria do Dário está na seção Viagem.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Sexta

Alegria, alegria, vamos iniciar a sessão em homenagem aos parlamentares mortos!
Quase não acreditei quando li a legenda que a Agência Brasil colocou nestas fotos, tiradas quarta-feira, que estão ai em cima. Dizia, sem tirar nem por:
Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou hoje (1º) com outros senadores voto de pesar pela morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) e dos deputados Júlio Redecker (PSDB-RS) e Nélio Dias (PP-RN). Em seguida, suspendeu a sessão e convocou sessão extraordinária para esta quinta-feira. Fotos: José Cruz/ABr
Se o leitor ou a leitora ficou curioso para saber do que Renan tanto ri, basta perguntar para o nosso senador, Neuto de Conto (PMDB), que é aquele com a pastinha, na extrema direita, na rodinha onde também está o Mercadante (PT). Todos achando muita graça. A piada deve ter sido mesmo muito boa.

CARACAS!
NINGUÉM CONTA NADA PRO LULA!
ELE CONTINUA SEM SABER NADA DE NADA!

Notícia da agência Estado, publicada às 14h45min de ontem, dia 2:
“BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, 2, na reunião do Conselho Político, que o governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo. “Nessa questão, é como uma metástase que o paciente não sabia”, teria comparado Lula, de acordo com relato de participantes. (...)

O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida. Ao comentar a possível troca dos dirigentes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Lula recomendou cautela. “É preciso discutir essa proposta com calma, porque o presidente nomeia, mas não pode substituir”, teria dito ele.”
IVO SILVEIRA
O ex-governador Ivo Silveira morreu ontem, aos 89 anos, depois de uma breve internação hospitalar. Até algumas semanas atrás, lúcido e interessado, participava dos atos para os quais era convidado, sempre disposto e bem humorado.

Foi velado na Assembléia Legislativa, prédio que construiu quando foi governador, entre 1966 e 1971 (ele era deputado quando o prédio antigo foi destruído por um incêndio).

Político da antiga escola do PSD, gostava de conversar com quem encontrasse na rua. Gabava-se de não ter enriquecido com as funções públicas que exerceu. Curiosamente, foi homenageado, ainda em vida, com a atribuição de seu nome a uma das avenidas mais importantes de Florianópolis.

O presidente da Assembléia, deputado Julio Garcia (DEM), disse que “Ivo Silveira era um homem simples, afável, um administrador correto, que teve uma vida pública retilínea. Essas são as marcas da querida figura que hoje perdemos e que fica como referência aos homens públicos”.

O jornalista Carlos Damião, no seu blog (carlosdamiao.blogspot.com), relembra alguns episódios desse político que tantos admiram e respeitam.

TRAGÉDIA LÁ E CÁ
Pontes caem, aviões explodem (ou se chocam), desgraças acontecem em qualquer lugar do mundo. O que pode fazer alguma diferença é a maneira como as coisas são apuradas e os responsáveis punidos. Será interessante acompanhar em que vai dar a investigação sobre o acidente com a ponte nos Estados Unidos. Pelo menos para ver se lá, como cá, as paixões políticas e os interesses econômicos conseguirão driblar a lei e criar uma cortina de fumaça e impunidade.

PÁRA TUDO!
A Codesc acatou recomendação do Ministério Público Federal e cancelou “todas as autorizações para operações de loterias promocionais e de números deferidas pela Companhia com base na legislação estadual, inclusive as que já foram eventualmente concedidas”.

No ofício, assinado no dia 30 de julho, o ex-presidente Executivo, Içuriti Pereira da Silva, informou ainda que “o único ente que poderá autorizar as modalidades lotéricas no Estado é a Caixa Econômica Federal (CEF)”.

Parece ter sido este o último ato do Içuriti, fechando o ciclo da Codesc como fomentadora do jogo. E demonstra que, na queda de braço havida com o governo federal, o estado perdeu. Mas lutou com tanto empenho que chegou, em alguns momentos, a ser acusado de se confundir, perigosamente, com a ação e os interesses da contravenção.

DÁRIO OU NÃO DÁRIO?
O blog “A política como ela é”, que sucede o blog do Vieirão (e mantém o mesmo endereço, vieirao.com.br), traz uma advertência muito interessante aos vereadores da capital. O site, que defende as posições do PP, analisa o que pode acontecer a partir da apresentação de uma denúncia contra o prefeito Dário Berger.

“Um partido político protocolará essa denúncia nos próximos dias”, profetiza o blog. Aí, a batata quente passa para as mãos dos vereadores, que deverão decidir, em plenário, se recebem a denúncia e instalam uma Comissão Processante ou deixam a coisa como está.

O voto favorável de 8 vereadores instala a comissão, que será composta por três membros, escolhidos por sorteio, e terá 90 dias para realizar sua tarefa. Dependendo do relatório e da aprovação desse relatório pelo plenário, o prefeito poderá ser cassado ou não.

A advertência do ex-blog do Vieirão é clara: os vereadores, muitos deles amiguinhos do Prefeito desde a infância, poderão optar por não investigar as denúncias. Mas esta é uma aposta de risco: se o prefeito vier a ser denunciado no Tribunal de Justiça e/ou no TRF, como explicar aos eleitores que só a Câmara não cumpriu seu dever de fiscalizar o Executivo?

CUMA?
Tá tudo muito esquisito. Ninguém mais chama as coisas pelos seus nomes e a falta de noção clara do que as palavras dizem, acaba misturando os conceitos. Lula é o mestre insuperável dessa sopa de confusão ideológica e vernacular. Mas tem feito escola.

Ontem, o sargento Soares, deputado estadual catarinense, do PDT, distribuiu nota afirmando que está contra “a MP que favorece empresários e a classe burguesa”.

Uau! E eu que imaginava que, na eventualidade de usarmos essa categoria (a “burguesia”), estaria automaticamente incluído o empresariado. E muitos dirigente sindicais profissionais, que agem e vivem burguesamente.

Definitivamente, as palavras, usadas de qualquer jeito, perdem sua força e a carga de seus significados originais e acabam sendo esgrimidas apenas pela sonoridade de suas sílabas.

JUAREZ BLOQUEADO...
O ex-vereador Juarez Silveira teve seus bens e contas bancárias bloqueados provisoriamente (liminarmente), no curso de uma ação proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina. Os procuradores acham que Juarez acumulou, ilegalmente, as funções de vereador e diretor da Codesc, entre abril de 2006 e maio de 2007.

O bloqueio visa garantir, no caso de condenação, a restituição de cerca de R$ 88 mil, correspondente aos salários recebidos na estatal. E mostra que ainda vai rolar muita água debaixo da ponte.

E OS OUTROS?

Em cima do processo contra o Juarez, um leitor pediu que eu perguntasse, ao Ministério Público, se não é o mesmo caso de um outro vereador da capital, que assumiu um cargo de diretor numa das secretarias do LHS. Como eu estou aqui para servir os leitores, fui lá perguntar.

E eles ficaram de examinar os processos que estão correndo, pra ver se tem algum envolvendo outro vereador. Se tiver, hoje eles me dizem alguma coisa. Se não tiver, está levantada a bola. É só chutar. Acho que seria bom para todo mundo que a limpeza fosse geral e irrestrita.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quinta

CARTINHA PRA VOCÊ
Ontem, na primeira nota desta coluna, fiz questão de registrar que a Secretaria de Estado da Comunicação de Santa Catarina, por intermédio do seu diretor de Imprensa, disse que o governo não se manifestaria sobre a saída de Içuriti Pereira da Codesc.

Em alguns jornais, contudo, apareceu publicado um texto onde LHS enaltece o amigo e servidor e se despede. Voltei a cobrar, da Secretaria da Comunicação, explicações sobre a má informação. Afinal, que história era aquela? O governo iria ou não se pronunciar? Ou só por alguns jornais?

O que parece ter ocorrido é que o LHS, triste com a saída do velho amigo, enviou-lhe uma cartinha. E o Içuriti, que não prega prego sem estopa, tratou de mandar publicar a carta do homem. Pelo menos pra mostrar que continua prestigiado.

Com isso, a Secretaria de Comunicação dançou, ficou com cara de tacho. Tá certo que eles não têm como saber pra quem o LHS anda mandando bilhetinhos. Mas imagina o susto, quando descobriram, pelos jornais, que o Içuriti tornou pública a manifestação do LHS.

“AMIGO E IRMÃO”
A íntegra da cartinha do LHS:
“Caro amigo Içuriti,

Registro meu sincero agradecimento por todo empenho, por toda dedicação com que conduziu a CODESC enquanto exerceu sua presidência.

Nossa amizade dispensa formalidades, mas quero externar a minha admiração pelo homem de trabalho, pelo companheiro que sempre tive como gestor deste Estado, pela competência, sensatez e, principalmente, pelo administrador com quem pude contar em todos os momentos, tendo sempre participado das soluções mais importantes do meu governo.

Cabe-me respeitar, a contra gosto (sic), a decisão do nobre companheiro, amigo e irmão de abdicar do cargo de Presidente da CODESC.

Tenho a certeza de que sua competência está impressa na história dessa Companhia. A CODESC, hoje, tem a força, o dinamismo, a visão de futuro, marcas de sua promissora administração.

Receba, prezado amigo Içuriti, o meu forte abraço, com desejo de sucesso e felicidade.

Conte, sempre, com o Amigo!

Luiz Henrique da Silveira”
BATE CABEÇA
O episódio, em si, é relativamente menor. Não tem grande importância o governo dizer ou deixar de dizer alguma coisa. Mesmo porque jamais dirá que Içuriti sai porque é melhor para o governo que ele saia. Nem que pediu para que ele levasse junto o diretor Soster, que também está no olho do furacão.

Mas não deixa de ser sintomático o descompasso entre o dito e o feito. Acredito mesmo que o Secretário de Comunicação possa ter aconselhado o governo a não se manifestar oficialmente, para não dar, à saída do Içuriti, uma dimensão maior do que deveria ter. Só que a cartinha, estampada em alguns jornais, demonstra que quem não quer deixar o evento passar em branco é o Içuriti. Aparentemente, deseja deixar claro que o LHS lhe deve mais esta.

SEM EXPLICAÇÃO

Meio de brincadeira, meio a sério, de vez em quando falava, aqui, que o governo de Santa Catarina nos devia uma explicação sobre o ímpeto com que assumiu a tarefa de permitir os jogos de azar que o governo federal proíbe. O Içuriti sai sem ter respondido meus apelos. Não faz mal. A gente espera. Um dia alguém ainda vai acabar falando.

TODOS A JOINVILLE!

Governar, como o Lula está descobrindo, é coisa muito difícil. Vejam só o problema das reuniões do colegiado do governo de Santa Catarina: cada vez que se anuncia uma reunião, o pessoal cai de pau, dizendo que parece uma assembléia geral, de tanta gente.

Mas, se fica alguns meses sem reunião, o pessoal também cai de pau, dizendo que não é possível ficar tanto tempo sem reunir o secretariado.

A próxima assembléia geral do governo, a propósito, será já agora, amanhã, dia 3, em Joinville. Como será no Centreventos Cau Hansen, parece que haverá lugar pro pessoal todo.

Não tem como agradar todo mundo. E, faça o que faça, governo é sempre governo: alvo preferencial de pedradas tanto de quem não tem nada melhor pra fazer (que é o meu caso), quanto daqueles que estão ali só pra jogar pedras. Só tem um jeito de se ver livre disso: não ser governo.

Mas ninguém, que está na política, prefere a tranqüilidade que a derrota nas urnas proporciona. Quer ficar sempre na vitrine, com telhado de vidro e tudo. Reclama das vaias, das críticas, dos processos, mas não larga o osso.

E aí, como costuma dizer o colega Paulo Alceu, a vida segue.

DANIELA A MIL

O ex-vereador Rogério Queiroz é uma daquelas pessoas que estão sempre aceleradas. Mesmo quando em sossego, está armando alguma coisa. Agora, o irrequieto Rogério é presidente do Conselho Comunitário da Daniela, balneário do norte da Ilha onde muita gente tem residência permanente.

E já começou o agito, com reuniões para agilizar a ciclovia entre Daniela e Jurerê Internacional e palestras sobre vários temas. Hoje, às 19:30, tem uma sobre o Projeto Costeiro e Ordenamento Náutico da Ilha de SC. O Dilvo Tirloni, presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, vai lá explicar o projeto, que prevê a construção de um pier ou atracadouro para barcos na Daniela. O assunto, é claro, tem deixado os moradores de cabelo em pé.

OPOSIÇÃO E GOLPE
O jornalista Ricardo Noblat escreveu ontem, no seu blog, uma nota comentando essa confusão que alguns, propositalmente querem criar, entre oposição e golpismo. Transcrevo na íntegra e faço minhas as palavras dele:
“Quer dizer que quando o PT gritava “Fora, FHC” e corria atrás dele para vaiá-lo, fazia apenas oposição – dura, mas democrática?

Mas quando o Maracanã vaia Lula, o pessoal da região dos Jardins, em São Paulo, grita “Cansei”, e a mídia atribui ao governo parte da responsabilidade pela tragédia de Congonhas, é golpe? Ou tentativa de golpe?

Sei.

Então me respondam: E quando Lula, assim do nada, cita o golpe militar de 64 e diz que ninguém mais do que ele é capaz de pôr gente na rua, o que isso significa?

Não respondam. Eu sei.”
TERCEIRO TURNO
Não sei quem começou, mas todo mundo está usando aquela chorumela manjada. Sempre que surge um processo contra alguém com mandato eletivo, lá vem ela. Agora foi a vez do Ericson Scorsim, que defende o governador LHS dos processos no TSE, usar a fórmula:
“O resultado da atuação de Luiz Henrique foi vista nas urnas e a oposição, inconformada, busca uma terceira instância jurídica para contestar o resultado”.
Não sei vocês, mas eu, quando voto, sei que não sei tudo sobre a vida do candidato. Uso as informações disponíveis para formar meu juízo. O fato da gente votar num sujeito ou numa sujeita, não significa que estamos dando um salvo-conduto, uma anistia prévia, uma blindagem contra a Justiça.

Mas tem muito candidato que quer (ou precisa) entender desse jeito. Lulistas gostam de dizer que Lula foi perdoado de todas as suspeitas do primeiro mandato, com a eleição para o segundo período. Não é bem assim. Por mais que pretendam manter-nos em algum curral, o voto não pode ser entendido dessa forma tão ampla.

Cobrar o cumprimento da lei não é revanche, é obrigação. Como é obrigação manter um olho crítico sobre as ações dos agentes políticos.

O FUTURO É ONTEM
Notinha enviada por um leitor:
AEROPORTO – Voltando ao assunto Anac/Infraero, porém sem sair de Florianópolis, recomendo a leitura do que diz a página da Infraero, na Internet [aqui], sobre o nosso aeroporto (o Hercílio Luz, de Florianópolis).

Diz ali que a capacidade de nosso aeroporto é de 1,2 milhão de passageiros/ano e que o mesmo sofrerá uma reforma, passando para 2,7 milhões/ano. A informação diz que a licitação “ocorrerá” em 2005 (!?) e que deverá ficar pronta em dois anos.

Em outro ponto, informam que em 2006 o fluxo foi de 1,63 milhão de passageiros. Pelo visto, estão aguardando atingirmos o fluxo real de 2,7 milhões de passageiros para depois efetuar a ampliação.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Quarta


MUDANÇAS NA CODESC
O Palácio, digo, o Centro Administrativo, não tinha ontem nada a dizer sobre a saída do Içuriti Pereira da presidência da Codesc, anunciada desde sexta-feira, por intermédio da coluna do Moacir Pereira. Segundo entendi do que me disse o diretor de imprensa da Secretaria de Comunicação, o governo não comentará o caso.

O Secretário da Articulação, Ivo Carminatti, informou que hoje haverá a Assembléia Geral da Codesc, para oficializar as mudanças. Saem o presidente Içuriti e o diretor da Lotesc, Aroldo Soster (veja nota abaixo).

Entra, como diretora administrativo-financeira, a ex-deputada Simone Schramm (PMDB). O atual diretor desta área, Otto Entres Filho, assume interinamente a presidência. E aí tem uma coisa engraçada: se o Entres fica interino na presidência e colocam uma efetiva no seu posto original, então, quando terminar a interinidade, ele também deve sair. Né não?

Em todo caso, se a limpa tem a ver com a Moeda Verde, o Otto Entres tem sua voz registrada na escuta da PF, propondo uma ata fajuta para justificar o afastamento do país do então diretor Juarez Silveira, preso ao voltar do Uruguai.

O governo tinha convidado Alaor Bernardes (Sebrae-SC) para tocar a Codesc e ele estava quase aceitando, mas ontem desistiu definitivamente.

SOSTER NA MIRA

O jornal A Notícia publicou ontem um resumo da ação em que o Ministério Público Federal acusa o diretor da Lotesc (órgão da Codesc do ex-Içuriti), que está demissionário, de, “ainda em 2003, recusar, retardar e omitir dados técnicos sobre os operadores de máquinas caça-níqueis na região de Tubarão para a abertura de ação civil pública e ainda de desacatar decisão judicial que determinou a interdição de bingos e caça-níqueis (videoloterias) em Santa Catarina, incidindo assim na co-autoria de jogos de azar”.

O procurador da República, Celso Três, diz, a certa altura dos autos, literalmente, que “impera criminoso conluio entre o Estado de SC e os operadores da jogatina” e que “‘Data maxima venia’, Aroldo Boschetti Soster também simboliza a confusão entre Estado e contravenção”.

E, para completar o quadro de suspeita de comprometimento do diretor (policial federal aposentado), Três retroage ao tempo em que Soster era Superintendente da Polícia Federal em Santa Catarina e afirma que “na administração de Aroldo Soster a Polícia Federal não foi efetiva na repressão à jogatina clandestina”.

Dia 8 de agosto começa a tomada de depoimentos, na Justiça Federal.

E O IÇURITI? NADA?
Pois é, mais um dia se passou e nada do Içuriti falar comigo. Mas agora ele nem deve estar mais preocupado com isso. Hoje entrega o abacaxi e vai tratar dos seus assuntinhos particulares, fora dos holofotes. Para todos os efeitos, ele e o Soster pediram para sair. Mas, nos corredores do governo, o que se diz é que houve uma espécie de “mútuo acordo”. Para evitar que alguma coisa respingasse pra cima. Ou pros lados. Ou pra dentro.

“VIRA O DISCO, Ô!”
Os leitores e leitoras do DIARINHO e da coluna vivem dando palpites no que a gente faz ou deixa de fazer. E, na maior parte das vezes, estão cobertos de razão. Um leitor, comentarista habitual, manda uma sugestão pertinente: “chega de inépcia e inércia da Anac, vamos mudar de assunto?”

E, pragmático, enfileira uma série de temas que podem render não apenas algumas linhas nesta coluna, mas até reportagens no próprio jornal. Transcrevo, na íntegra, a colaboração do leitor:
“Proponho nos preocuparmos, agora, com a inépcia e inércia da Prefeitura Municipal de Florianópolis que está transformando a vida dos munícipes em caos.

Ontem, durante a tarde, quase fui atropelado por um carrinho de coleta de papel para reciclagem que circulava pelo calçadão fora do horário estabelecido para tal e não há fiscal ou policial municipal que veja ou controle isso.

A repressão ao comércio de CDs e DVDs piratas teve o efeito esperado, ou seja “empurrou” aquelas pessoas para outra atividade marginal. Qualquer pessoa que percorra o calçadão da rua Conselheiro Mafra e da Felipe Schmidt, e aceitar os papéis que são distribuídos, não ficará com menos de cinco ou seis panfletos de “casas de massagem oferecendo lindas garotas”.

As empresas de ônibus estabeleceram quadro de horários diferente daquele decorrente do contrato que mantém com a Prefeitura e, apesar de existir órgão especial para controlar este tipo de atividade, a Prefeitura se mostra muito burra ou aliou-se aos empresários em detrimento da população.

A frota não é renovada, os veículos, sucateados, trabalham no limite de sua resistência e sequer são lavados (falo da empresa Estrela, que utilizo).

No mercado público, na ala das peixarias, espera-se sentado por um novo desastre. A loja que vende calçados e peças de cestaria, colocou uma prateleira na frente do hidrante (ao lado da porta do banheiro), e a Prefeitura nada fez. A Prefeitura ameaçou relicitar as concessões, no entanto está autorizando a reforma dos boxes. Se não está autorizando, está deixando que reformem sem autorização.

Obras são iniciadas e ficam paradas aguardando a proximidade das eleições para “mostrar serviço” durante a campanha.

Cruz credo!”
AGRÔNOMOS AMEAÇAM
O Sindicato dos Engenheiros Agrônomos de Santa Catarina distribuiu ontem uma nota onde informa que os trabalhadores da Ceasa, Cidasc e Epagri “continuam aguardando uma contraproposta do Governo do Estado para sua pauta de reivindicações da campanha salarial 2007/2008, cuja data base é 1º de maio”. E avisam que estão dispostos a “interromper a fiscalização nas barreiras sanitárias e no projeto Microbacias, entre outros...”

O governo, por sua vez, garante que já fez a proposta, de reposição integral do INPC, paga parceladamente. Considerava o assunto encerrado e não entendeu a razão da nota e das ameaças.

ECONOMIA À LA SDR
As secretarias do Desenvolvimento Regional são uma fonte inesgotável de pérolas. Desta vez foi o ex-prefeito de Orleans, Gelson Padilha, atual secretário da regional de Braço do Norte, que, com uma canetada só produziu duas dispensas de licitação exemplares.

Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado do dia 17 de julho e se referem ao aluguel de um carro para o secretário e a compra de um estoque de gasolina (provavelmente para abastecer o carro do secretário).

O carro custará, por mês, R$ 6.930,00 e os 3 mil litros de gasolina, exatos R$ 6.930,00. Acredite, amigo contribuinte, as duas compras, assinadas no mesmo dia, têm exatamente o mesmo valor. Depois ainda tem gente que não acredita em coincidências...

GRANDE ALDINHO!
Conheci o jornalista Ricardo Hoffman em 1977, em Florianópolis, e hoje ele mora em Brasília. Leitor da coluna pela internet, mandou uma bela história do passado do Aldo Pires de Godoy, colunista de esporte aqui no DIARINHO.
“Na sua coluna deste final de semana, foi com muito prazer que vi a foto do Aldo Pires de Godoy, um narrador esportivo fantástico que conheci em Lages.

Lembro-me bem dele “narrando comícios” em favor de Laerte Ramos Vieira, dono da rádio Princesa, onde o Aldinho trabalhava. Imitando narração esportiva, ele enaltecia o currículo do seu candidato e fazia gols contra os adversários. Um barato!

Muito tempo depois, o fantástico Osmar Santos começou a fazer quase o mesmo nos comícios das Diretas. Mas, sem dúvida, o Aldinho foi precursor nessa arte de narrar jogos em favor do time de seu candidato em pleno comício.”
VAIA INCOMODA, NÉ?
O presidente Lula ainda não assimilou o fato do Brasil ser um país grande, com gente de todo tipo. Além disso, ninguém pode agradar a todos. Mas as vaias passaram a ser uma obsessão presidencial.

Ontem, no Mato Grosso, a turma que tinha organizado o movimento “Eu também vou vaiar Lula”, ficou afastada das autoridades e o governador chegou a colocar um helicóptero da PM no local onde eles se concentraram, para garantir que as vaias não fossem ouvidas.

Mas, nos discursos, não se falou em outra coisa. O governador falou pra dizer que só estavam lá 50 pessoas querendo vaiar. O prefeito também falou, pra dizer que não deu certo. E o Lula também falou no assunto, dizendo que foi gente assim que levou Jango a renunciar e Getúlio a se matar(!!!?).

A turma do palanque transformou o movimento num retumbante sucesso!