quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quinta

CARTINHA PRA VOCÊ
Ontem, na primeira nota desta coluna, fiz questão de registrar que a Secretaria de Estado da Comunicação de Santa Catarina, por intermédio do seu diretor de Imprensa, disse que o governo não se manifestaria sobre a saída de Içuriti Pereira da Codesc.

Em alguns jornais, contudo, apareceu publicado um texto onde LHS enaltece o amigo e servidor e se despede. Voltei a cobrar, da Secretaria da Comunicação, explicações sobre a má informação. Afinal, que história era aquela? O governo iria ou não se pronunciar? Ou só por alguns jornais?

O que parece ter ocorrido é que o LHS, triste com a saída do velho amigo, enviou-lhe uma cartinha. E o Içuriti, que não prega prego sem estopa, tratou de mandar publicar a carta do homem. Pelo menos pra mostrar que continua prestigiado.

Com isso, a Secretaria de Comunicação dançou, ficou com cara de tacho. Tá certo que eles não têm como saber pra quem o LHS anda mandando bilhetinhos. Mas imagina o susto, quando descobriram, pelos jornais, que o Içuriti tornou pública a manifestação do LHS.

“AMIGO E IRMÃO”
A íntegra da cartinha do LHS:
“Caro amigo Içuriti,

Registro meu sincero agradecimento por todo empenho, por toda dedicação com que conduziu a CODESC enquanto exerceu sua presidência.

Nossa amizade dispensa formalidades, mas quero externar a minha admiração pelo homem de trabalho, pelo companheiro que sempre tive como gestor deste Estado, pela competência, sensatez e, principalmente, pelo administrador com quem pude contar em todos os momentos, tendo sempre participado das soluções mais importantes do meu governo.

Cabe-me respeitar, a contra gosto (sic), a decisão do nobre companheiro, amigo e irmão de abdicar do cargo de Presidente da CODESC.

Tenho a certeza de que sua competência está impressa na história dessa Companhia. A CODESC, hoje, tem a força, o dinamismo, a visão de futuro, marcas de sua promissora administração.

Receba, prezado amigo Içuriti, o meu forte abraço, com desejo de sucesso e felicidade.

Conte, sempre, com o Amigo!

Luiz Henrique da Silveira”
BATE CABEÇA
O episódio, em si, é relativamente menor. Não tem grande importância o governo dizer ou deixar de dizer alguma coisa. Mesmo porque jamais dirá que Içuriti sai porque é melhor para o governo que ele saia. Nem que pediu para que ele levasse junto o diretor Soster, que também está no olho do furacão.

Mas não deixa de ser sintomático o descompasso entre o dito e o feito. Acredito mesmo que o Secretário de Comunicação possa ter aconselhado o governo a não se manifestar oficialmente, para não dar, à saída do Içuriti, uma dimensão maior do que deveria ter. Só que a cartinha, estampada em alguns jornais, demonstra que quem não quer deixar o evento passar em branco é o Içuriti. Aparentemente, deseja deixar claro que o LHS lhe deve mais esta.

SEM EXPLICAÇÃO

Meio de brincadeira, meio a sério, de vez em quando falava, aqui, que o governo de Santa Catarina nos devia uma explicação sobre o ímpeto com que assumiu a tarefa de permitir os jogos de azar que o governo federal proíbe. O Içuriti sai sem ter respondido meus apelos. Não faz mal. A gente espera. Um dia alguém ainda vai acabar falando.

TODOS A JOINVILLE!

Governar, como o Lula está descobrindo, é coisa muito difícil. Vejam só o problema das reuniões do colegiado do governo de Santa Catarina: cada vez que se anuncia uma reunião, o pessoal cai de pau, dizendo que parece uma assembléia geral, de tanta gente.

Mas, se fica alguns meses sem reunião, o pessoal também cai de pau, dizendo que não é possível ficar tanto tempo sem reunir o secretariado.

A próxima assembléia geral do governo, a propósito, será já agora, amanhã, dia 3, em Joinville. Como será no Centreventos Cau Hansen, parece que haverá lugar pro pessoal todo.

Não tem como agradar todo mundo. E, faça o que faça, governo é sempre governo: alvo preferencial de pedradas tanto de quem não tem nada melhor pra fazer (que é o meu caso), quanto daqueles que estão ali só pra jogar pedras. Só tem um jeito de se ver livre disso: não ser governo.

Mas ninguém, que está na política, prefere a tranqüilidade que a derrota nas urnas proporciona. Quer ficar sempre na vitrine, com telhado de vidro e tudo. Reclama das vaias, das críticas, dos processos, mas não larga o osso.

E aí, como costuma dizer o colega Paulo Alceu, a vida segue.

DANIELA A MIL

O ex-vereador Rogério Queiroz é uma daquelas pessoas que estão sempre aceleradas. Mesmo quando em sossego, está armando alguma coisa. Agora, o irrequieto Rogério é presidente do Conselho Comunitário da Daniela, balneário do norte da Ilha onde muita gente tem residência permanente.

E já começou o agito, com reuniões para agilizar a ciclovia entre Daniela e Jurerê Internacional e palestras sobre vários temas. Hoje, às 19:30, tem uma sobre o Projeto Costeiro e Ordenamento Náutico da Ilha de SC. O Dilvo Tirloni, presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, vai lá explicar o projeto, que prevê a construção de um pier ou atracadouro para barcos na Daniela. O assunto, é claro, tem deixado os moradores de cabelo em pé.

OPOSIÇÃO E GOLPE
O jornalista Ricardo Noblat escreveu ontem, no seu blog, uma nota comentando essa confusão que alguns, propositalmente querem criar, entre oposição e golpismo. Transcrevo na íntegra e faço minhas as palavras dele:
“Quer dizer que quando o PT gritava “Fora, FHC” e corria atrás dele para vaiá-lo, fazia apenas oposição – dura, mas democrática?

Mas quando o Maracanã vaia Lula, o pessoal da região dos Jardins, em São Paulo, grita “Cansei”, e a mídia atribui ao governo parte da responsabilidade pela tragédia de Congonhas, é golpe? Ou tentativa de golpe?

Sei.

Então me respondam: E quando Lula, assim do nada, cita o golpe militar de 64 e diz que ninguém mais do que ele é capaz de pôr gente na rua, o que isso significa?

Não respondam. Eu sei.”
TERCEIRO TURNO
Não sei quem começou, mas todo mundo está usando aquela chorumela manjada. Sempre que surge um processo contra alguém com mandato eletivo, lá vem ela. Agora foi a vez do Ericson Scorsim, que defende o governador LHS dos processos no TSE, usar a fórmula:
“O resultado da atuação de Luiz Henrique foi vista nas urnas e a oposição, inconformada, busca uma terceira instância jurídica para contestar o resultado”.
Não sei vocês, mas eu, quando voto, sei que não sei tudo sobre a vida do candidato. Uso as informações disponíveis para formar meu juízo. O fato da gente votar num sujeito ou numa sujeita, não significa que estamos dando um salvo-conduto, uma anistia prévia, uma blindagem contra a Justiça.

Mas tem muito candidato que quer (ou precisa) entender desse jeito. Lulistas gostam de dizer que Lula foi perdoado de todas as suspeitas do primeiro mandato, com a eleição para o segundo período. Não é bem assim. Por mais que pretendam manter-nos em algum curral, o voto não pode ser entendido dessa forma tão ampla.

Cobrar o cumprimento da lei não é revanche, é obrigação. Como é obrigação manter um olho crítico sobre as ações dos agentes políticos.

O FUTURO É ONTEM
Notinha enviada por um leitor:
AEROPORTO – Voltando ao assunto Anac/Infraero, porém sem sair de Florianópolis, recomendo a leitura do que diz a página da Infraero, na Internet [aqui], sobre o nosso aeroporto (o Hercílio Luz, de Florianópolis).

Diz ali que a capacidade de nosso aeroporto é de 1,2 milhão de passageiros/ano e que o mesmo sofrerá uma reforma, passando para 2,7 milhões/ano. A informação diz que a licitação “ocorrerá” em 2005 (!?) e que deverá ficar pronta em dois anos.

Em outro ponto, informam que em 2006 o fluxo foi de 1,63 milhão de passageiros. Pelo visto, estão aguardando atingirmos o fluxo real de 2,7 milhões de passageiros para depois efetuar a ampliação.

4 comentários:

Anônimo disse...

César, duvido que o dinheiro usado para publicar a carta do LHS ao Içuriti tenha saído do bolso do ex-presidente da Codesc. Em prol da transparência - coisa que este governo nunca teve - deveriam cobrar dos jornais o nome de quem pagou a publicação e com que dinheiro.
Marcelo Santos

Anônimo disse...

Só de secretários regionais são 3 duzias de secretários. Vc tem razão, é uma assembleia geral.

mauricio disse...

Cesar.

No post Terceiro Turno você foi no âmago ao dizer:

"Não sei vocês, mas eu, quando voto, sei que não sei tudo sobre a vida do candidato. Uso as informações disponíveis para formar meu juízo. O fato da gente votar num sujeito ou numa sujeita, não significa que estamos dando um salvo-conduto, uma anistia prévia, uma blindagem contra a Justiça.

Dói ver que temos cada vez mais bandidos exercendo cargos políticos e protegidos pela legislação vigente.

Vãs são nossas esperanças, ao constatar que as mudanças necessárias são dependentes de providências destas mesmas pessoas.

Anônimo disse...

Sobre o aeroporto de Florianópolis, o governador esteve em Brasília no dia 13 de junho para pedir à Infraero obras de reforço da pista para permitir que Florianópolis receba os Boeng 767-300 de operadoras de vôos charter alemãs, portuguesas e francesas.
Para que fique claro:
1º- A pista atual pode receber qualquer tipo de avião comercial sem qualquer reforço. Precisa, isso sim, aumentar o comprimento para permitir a decolagem de vôos diretos para Europa e Estados Unidos;
2º- Sem um novo terminal, não há condições de embarcar 280 passageiros num só vôo, que é a capacidade dos Boeing 767-300;
3º O governador assinou um protocolo de intenções com a Infraero em janeiro de 2005, pelo qual o governo do Estado deveria construir a estrada de acesso ao novo terminal. Como nem o projeto foi feito, a Infraero também não iniciou a obra do novo terminal.
4º Como solução da crise aérea, na redistribuição da malha aérea, foi o aeroporto de Curitiba, aquele que fecha à toda hora, o escolhido para concentrar os vôos da região Sul e mais uma vez, Florianópolis que tem melhores condições operacionais, fica chupando o dedo !