sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sexta

O DIA DO GOVERNADORO DIA DO PRESIDENTE
TODOS À GOROROBA!
O colega aqui do lado (da página 2 do DIARINHO), colunista de política local e regional, o Júlio César (mas pode chamar de JC), vai comemorar três anos de sucesso da coluna, reunindo amigos, inimigos, afetos e desafetos em torno de um arroz com carne seca, que em outros lugares seria chamado de “carreteiro” (mas como a gente não é gaúcho e não anda de carreta...)

Não é fácil manter uma coluna diária falando (mal e bem) de vereadores e prefeitos que moram aqui pertinho e que, de vez em quando, cruzam com a gente na rua: nem sempre o pessoal entende as críticas e às vezes recebe mal os comentários mais ácidos. Por isso, admiro o JC e torço para que as gororobas se multipliquem e, a cada ano, reunam mais e mais pessoas.

Ah, é sábado ao meio dia, no Clube Atiradores, de Itajaí (mas não pode entrar armado e, como irão muitos políticos, de vários partidos, não serão distribuídas facas e os garfos terão pontas arredondadas).

DIFÍCIL ADESÃO

Estou com grandes dificuldades na minha nova vida de jornalista a favor. Para agradar o Lula, ia dar um cacete no PSDB, mas aí percebi, a tempo, que com isso desagradaria a dupla LHS/Pavan.

Então, decidi que descascaria o porrete no PP, o tal do tapetão. Mas, novamente, tive que parar: Ideli e Lula são unha e carne com o PP. Até acabaram de empossar um pepista catarinense num cargo federal.

Problema sério, esse: Lula e LHS formaram pencas tão grandes, que quase não sobrou ninguém na oposição...

Sempre que podia, passeava sua solidão pelos jardins do Palácio e ficava horas ouvindo e meditando sobre as coisas simples: o piar da coruja, os olhos vermelhos do coelho, o triste lamento de algum passarinho faminto. Gostava de ouvir a música chorosa e confusa das multidões que freqüentavam o mercado. Mas ficava ouvindo de dentro dos muros do Palácio, mortalmente só. Todas as vezes que, de algum minarete, uma voz chamava à oração, ele não orava em direção a Meca. Seu Deus estava na sua última descoberta: alguma plantinha que acabara de brotar, algum ovinho que acabara de descascar.

Quando não estava só, entediava-se com as futilidades que todas as conversas repetiam. Não sabia exatamente o que era pior: ficar no Palácio ouvindo sempre as mesmas bobagens ou pedir para ser mandado, como seus irmãos, a alguma Universidade americana ou inglesa. Não queria nem ficar nem ir. Queria sair.

Não existem muros altos demais quando se é jovem e se deseja a liberdade. O dinheiro lhe colocou um camelo à espera, no outro lado do muro sul. A alegria da liberdade logo colocou grande distância entre ele e o Palácio. Era um país com muita gente, seria fácil desaparecer no meio do povo. E assim foi.

* * *

Nos primeiros dias, excitado pela curiosidade de ver coisas novas, não sentiu fome, nem frio. Até que um dia acordou dentro de uma tenda. Havia desmaiado fraco e alguém o recolhera. Não era um homem velho, também não era muito jovem. Estava sentado a seu lado e lhe sorria, oferecendo tâmaras e amizade.

— Eu sei de onde você vem e o que sua alma procura.

Falou o desconhecido calmamente, enquanto esperava que seu hóspede estivesse pronto para levantar. Saíram quando ainda havia sombra.

— Daqui a pouco eu não vou mais falar e você não deve falar também. Deve olhar tudo o que vir, ouvir tudo o que escutar e guardar em seu coração tudo que sua alma sentir.

Soava meio estranho o que aquele homem dizia, mas achou bom fazer o que ele sugerira. As ruas estavam cheias de gente. Uns pediam, outros mancavam, outros passavam apressados. E ele fez de conta que estava nos jardins do Palácio e começou a ouvir cada alma como se fosse uma plantinha, a sentir cada dor como sentira a dor do faisão quando os cozinheiros do Palácio lhe tiraram a companheira. E era como se as pessoas não os vissem e era como se ele pudesse ser cada pessoa por alguns momentos. Quando chegaram ao mercado, ele já não tinha forças para sorrir e estava profundamente angustiado com o que vira. Uma revolta agitava suas entranhas e suas mãos suavam o frio suor da impotência, diante de tanta mudança a ser feita.

Assim que chegaram de volta à tenda, ele se atirou ao chão gemendo e chorando a dor do que vira. O homem sem idade, entretanto, estava sereno e esperou que ele desabafasse um pouco de sua inquietação.

— Agora volta ao teu Palácio, medita sobre o que tens guardado na alma e Alá te dirá o que fazer. Sê louco, com a loucura dos sensíveis. Sê forte, com a força dos oprimidos. Sê livre, com a liberdade dos cativos. Sê feliz, com a felicidade dos infelizes. Sê justo, com a justiça que não reconhece senão a condição de ser humano. Desapega-te do ouro e da prata e dos lugares que amas estar. Desenraiza-te. Teu lugar é o mundo, ao lado da fome, da opressão, da injustiça, dos marginais. Eles esperam tudo de ti. Eles esperam tudo de pessoas corajosas que pulem o muro de seus Palácios de isolamento e venham viver o povo. E venham sentir o fedor das prisões – de todas as espécies e naturezas – em que o homem encarcera o homem e se encarcera. Eles esperam a Luz. Sê o terror dos reis que amam o silêncio. Sê humano sempre. E quando te matarem, não penses que tua obra ficará inacabada. Outro – como tu – virá à minha tenda e ouvirá as mesmas coisas. E assim durante séculos, até que a espécie humana renasça para a liberdade, para o amor e para a justiça.

2 comentários:

marcello disse...

Prezado Cesar!
Belo texto!
Bom fim-de-semana!
:P

Anônimo disse...

O ex-deputado Vieirão mantem um blog com o nome A Politica como ela é aqui em SC. Quase que diariamente desanca o cacete em todos adversários de seu partido. O ex-deputado teve suas contas de campanha rejeitadas pelo TRE. Será que ele vai ficar quietinho, fazendo coro com o nome do seu blog?