quarta-feira, 21 de maio de 2008

JUBILEU SACERDOTAL DO PADRE EDGARD

O Padre Edgard (José Edgard de Oliveira), que um montão de gente conhece, em Florianópolis e adjacências (inclusive Itajaí), completa, este ano, 50 anos de vida sacerdotal. Uma programação especial está sendo preparada, com missas e outros eventos ao longo do ano. O grande dia será 7 de dezembro e o Edgard escolheu fazer a principal comemoração na sua terra natal, São João Batista, SC.

O município, por coincidência, também completa este ano 50 anos de emancipação. Um duplo jubileu que certamente encherá a todos de orgulho.

O Pe. Edgard, para quem o conhece, é desnecessário apresentar e para quem não o conhece, devo dizer que vocês não sabem o que estão perdendo. É, desde a época da ditadura, um homem íntegro e apaixonado, dedicado ao escotismo e à Igreja, a seus inúmeros amigos/fiéis.

Sem frescura, moderno, mas apegado à liturgia essencial, foi sempre um agregador das boas almas, assustando os inseguros e assombrando os dissimulados. Impossível ficar-lhe indiferente.

Para divulgar a programação das missas e das reuniões, à medida em que forem sendo confirmadas, a comissão que está organizando o jubileu fez um blog, que é padreedgard50.blogspot.com.

Ontem à noite, na churrascaria Riosulense, em Florianópolis, um grupo de aproximadamente 160 pessoas se reuniu para dar início à preparação do ano do Jubileu do Edgard. A idéia é divulgar ao máximo a informação e permitir que todos aqueles (e são milhares) que são admiradores, amigos e fãs do Edgard, possam, em algum dos eventos, em algum momento ao longo deste ano, dar um abraço nele. Afinal, são 50 anos de luta e coerência, o que não é pouca coisa.

terça-feira, 20 de maio de 2008

O JUBILEU DO EDGARD

O Padre Edgard, que a cidade inteira conhece, completa, este ano, 50 anos de vida sacerdotal. Uma programação especial está sendo preparada e poderá ser acompanhada num blog: padreedgard50.blogspot.com.

Lá também tem endereços de contato para quem quiser ajudar a organizar as atividades e comemorações. Por coincidência, a cidade natal do Edgard, São João Batista, também faz jubileu de ouro de emancipação este ano (donde a foto dele, acima, ao lado do cartaz da cidade).

ELA FALA!

E O PAVAN APARECEU!

Muita gente preferiria que eu comentasse a vaia estrondosa que a senadora Ideli levou no Galegão reformado. Mas esta coluna, cansada das mesmices da política, anda muito mais pra Caras e Contigo do que pra Veja e Época. Em vez de vaias, preocupei-me com o recém-operado Pavan. E tentei, nas fotos que o governo distribuiu, descobrir se houve melhora ou piora.

Mas a qualidade das fotos não ajudou muito. Pode-se ver, pelo menos, que o vice está deixando a barba crescer. Também dá pra perceber que ele está mais “cheinho” de rosto. Mas os olhos, frustrando as expectativas, parecem continuar os mesmos. Vai ver ainda não deu tempo pra desinchar. Ou então a nova moldura fashion dos óculos escondeu a reforma.

LABIRINTO ELEITORAL

A Secretaria da Segurança do Benedet é uma verdadeira mãe para delegados, comissários e investigadores que queiram ser candidatos a vereador.

Vocês sabem que a Lei Eleitoral prevê uma licença para servidores que sejam candidatos a cargos eletivos. Três meses para os bagrinhos e seis meses para as autoridades (delegados entram nesta classificação). Mas a Secretaria do Benedet e o governo do LHS não se conformam com essas coisas antigas da Lei e estão sempre inovando.

A portaria 249 de 6 de maio de 2008 autoriza o afastamento de cinco servidores, de abril a julho, para fazerem campanha eleitoral para vereador. Dá ao comissário, ao investigador e ao escrivão o mesmo prazo dos delegados. E promete que, se tiverem suas candidaturas homologadas pelos partidos e pela Justiça Eleitoral, a licença será prorrogada.

Se o partido não quiser o sujeito como candidato, ele já ganhou quatro meses sem trabalhar. E nós, os otários de plantão, pagando. Se algum partido o aceitar como candidato, a licença chegará a seis meses. Tudo por nossa conta. E se for eleito, aí a folga será aquela que todos conhecemos, sempre nas nossas costas.

Depois o LHS diz que a oposição é raivinha e que paralisa o governo. Será que tirar do serviço os policiais por período superior ao que a lei eleitoral prevê não ajuda nessa paralisia de que o governador se queixa?

Menos mal que é na área da Segurança do Benedet, onde tudo vai bem e quase não há necessidade de pessoal. Mas imagina se fosse numa área importante para a população?

POR OUTRO LADO...
Afastar os policiais do trabalho mais cedo evita que eles usem seus cargos para fazer campanha. O ideal seria que a pessoa não transformasse a função em que atende e serve à população como escadinha para se “arrumar” na vida, valendo-se da gratidão, principalmente dos mais humildes. Mas como isso é impossível, talvez mantê-los longe por seis meses seja mais barato do que deixá-los trabalhando em causa própria.

SEM SAÍDA

Já que estamos falando em polícia, os rapazes mortos na Lagoa tinham registrado queixa na polícia, sobre as ameaças que vinham sofrendo. Numa das vezes o agressor deu um tiro para o ar. Na outra, acertou a perna do rapaz que agora foi morto.

Alguém, na polícia, não achou o caso importante. Ou então tinha coisa mais importante para fazer. O fato é que as queixas não resultaram em investigação ou a investigação deu em nada. E o algoz ficou à vontade para cumprir suas ameaças.

Agora, a polícia corre atrás da máquina, se esforça para localizar e dar alguma satisfação à sociedade. Um pouco tarde, né não?

LABIRINTO DRAMÁTICO

Gostaria muito de entender a lógica do LHS. É um sujeito que vive tendo idéias e tentando dar um ritmo ágil a seu governo, mas, confesso, tem umas coisas que não consigo entender.

Sob a responsabilidade dele (na verdade, está nas mãos do Knaesel, mas sempre acaba estourando na mão do governador) está o teatro do CIC. Um bom teatro, cujo maior defeito é o abandono. Em vez de aplicar recursos e se aplicar para que o teatro já existente recuperasse seu brilho, resolveu construir outro. Lá na casa do chapéu.

Cá na minha ignorância, acho que custaria mais barato colocar o teatro do CIC em ordem do que está custando aquela obra interminável no Centro Administrativo.

Veja bem, não sou contra Florianópolis ter dois ou três ou cinco bons teatros. Mas é que é difícil de acreditar que o governo que fez o que fez (ou deixou de fazer) por um teatro, vá conseguir mudar, de repente, e cuidar de dois (o terceiro, que seria o TAC, está sendo empurrado para a prefeitura).

LABIRINTO LICITATÓRIO

A nota do Tribunal de Contas do Estado tem um título aterrorizante: “99% das licitações analisadas pelo TCE têm irregularidades”.

Digamos que as irregularidades nos processos de compra sejam causadas “apenas” por imperícia, ignorância, incompetência ou desconhecimento do básico, sem resquícios de desonestidade: já seria uma situação inaceitável.

Menos mal que a análise prévia dos editais evita que a coisa vá pra rua com erros. Mesmo assim, é assustador que servidores públicos especializados cometam um número tão alto de erros em processos que estão razoavelmente previstos em lei e que contam, já há alguns anos, com orientações do TCE e TCU.

Isso que nem estamos entrando no pântano das dispensas de licitação, grande parte delas completamente irregular, porque não respeitam os critérios previstos em lei ou tentam interpretá-los com uma generosidade que beira o deboche.

Será que a turma um dia vai aprender que o dinheiro público tem dono e que gastá-lo exige cuidados, rigor e atenção?

DALVA DIAS NA MIRA

Façam suas apostas. Quanto tempo a lama que envolve o PDT nacional levará para respingar na secretaria estadual que o LHS entregou para o partido do Maneca Dias?

domingo, 18 de maio de 2008

FOLGA

Estive fora do ar no final de semana porque, não sei se vocês sabem, também há vida fora da internet. E os comentários acabaram ficando represados. Mas já voltei e estou colocando tudo em dia.

sábado, 17 de maio de 2008

O TSE ESTÁ COM PRESSA

Sem brincadeira, fiquei com pena do LHS. No último dia 15, tarde da noite, já ia desligar o computador e dei uma última passada pelo site de notícias do TSE (afinal, tinha tido sessão naquele dia). Aí, leio um comentário do presidente, ministro Carlos Ayres Britto (foto acima), dizendo, em outras palavras, que não quer saber de moribundos se arrastando na corte dele.

Tá, tudo bem, mas por que o presidente escolheu justamente o dia 15? Tá certo que estava se referindo aos sete governadores que estão com a corda no pescoço e nem todos são do PMDB, mas por que dia 15? Se falasse um pouco depois já seria dia 16 e a força simbólica do número seria aliviada.

E o que disse o presidente, afinal? Transcrevo os trechos principais da nota distribuída pelo TSE (os destaques em negrito são meus):

“O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, disse hoje (15) que pretende dar prioridade aos processos que pedem a cassação de sete governadores estaduais e que tramitam no TSE. O ministro lembrou que houve uma “ruptura, uma mudança radical na jurisprudência do TSE, no sentido de reconhecer aos vices de cargos executivos a condição de litisconsortes passivos necessários”.

Assim, o vice-presidente da República, vice-governadores e vice-prefeitos se tornaram partes dos processos movidos contra os titulares, razão pela qual também devem ser ouvidos e devem apresentar defesa. A citação dos vices é feita pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o que torna os processos mais longos.

Questionado sobre a possibilidade de os processos se tornarem inócuos devido à proximidade das eleições majoritárias, Ayres Britto respondeu que “cabe a nós impedir que sobrevenha a nova eleição sem que esses processos estejam definitivamente julgados”.

De acordo com o ministro, o papel do TSE é o de acelerar o julgamento dos processos, antes que eles percam seu objeto. Carlos Ayres Britto disse que a sua filosofia de trabalho “é a de imprimir ao máximo possível a celeridade processual, especialmente nesses casos, já que um processo contra governador de estado é naturalmente mais relevante para a população, desperta mais interesse e projeta conseqüências maiores no âmbito dos respectivos estados”.

Pronto, foi só mudar de presidente que já começaram a pegar no pé do LHS. Antes, apareceu até relatório sugerindo o arquivamento do processo. Agora, é essa conversa de julgar antes da próxima eleição.

Bom, por enquanto é só conversa mesmo. Porque ninguém desconhece a capacidade da banca de defensores do LHS. Certamente não se deixarão abater pelo discurso empolgado de um presidente estreante. E o dia 15 foi apenas uma coincidência. Ninguém é supersticioso a ponto de achar que tenha sido um presságio.

O ESCÂNDALO DO AEROPORTO

A ampliação do aeroporto de Florianópolis precisa começar a ser tratada, pela imprensa e pelas pessoas de bem, como o escândalo que realmente é.

Há descaso, irregularidade, oportunismo e incompetência em praticamente todas as fases e áreas. Desde especulação com terrenos a desinteresse na solução de problemas de engenharia, passando por falta de conhecimento de “autoridades”, a bolsa de apostas da capital está cravando 2016 para a reinauguração do aeroporto.

Com o agravante que, ao ficar pronto em 2016, estará quase uma década defasado e já precisando de nova ampliação.

A luta por um aeroporto decente para Florianópolis já tem mais de 20 anos e diluem-se as esperanças de que as obras comecem antes de 2012.

Aí a gente se pergunta: com um aeroporto congestionado na capital, que não pode receber mais vôos e hoje já é uma confusão no horário de pico, que encenação é essa do governo LHS, de trazer mais turistas do exterior? Brincadeira?

Escândalo! É a melhor definição.

CADÊ O LIVRO DO PRÊMIO?

O Prêmio Franklin Cascaes de Literatura 2005 teve mais de 200 contos inscritos, com participantes de todo o estado de Santa Catarina. O resultado saiu no início de 2006. Parte do prêmio seria a publicação de um livro com os contos vencedores. No edital havia o prazo de um ano para a publicação.

Estamos na segunda quinzena de maio de 2008 e até agora, segundo informa o Thiago Floriano (www.thiagofloriano.net), nada de nada. Necas de pitibiribas.

E aí, companheiro Vilson Rosalino (superintendente da Fundação)? O que aconteceu com o livro?

SBT EM FLORIANÓPOLIS

Pra turma que estava meio órfã, com a mudança de canal, uma boa informação: já está funcionando o novo transmissor da rede SBT-SC. O sinal (aberto e gratuito) está agora no canal 45 e, pelo menos aqui em casa, a imagem está bem boa (mas eu moro perto do morro da Cruz, onde está a antena).

O MINISTÉRIO MICADO

Só na segunda-feira teremos certeza se o Carlos Minc (foto) vai mesmo ser o ministro do Meio Ambiente no lugar da Marina. Escolhido por causa de sua fama de liberar licenças ambientais rapidinho, Minc, segundo contam jornalistas cariocas (como a Lúcia Hippolito), não é o servidor dócil que Lula talvez sonhe colocar naquela pasta. Gosta de um holofote, foi companheiro da ministra Dilma, na juventude, naquela ação em que eles roubaram o cofre do Adhemar de Barros, mas criticou a política industrial de Lula, elaborada sem participação do Meio Ambiente. E deu uma senhora patada no governador de Goiás (oops, falha nossa: o cacete foi no governador Blairo Maggi, do Mato Grosso. Desculpem), o maior plantador de soja do mundo. Como Minc parece levar o ambiente a sério, é possível que Lula o desconvide de novo.

TRANSPORTE HIDROVIÁRIO

A Assembléia Legislativa é sempre uma boa caixa de ressonância das preocupações do eleitor. Seja porque buscam os votos, seja por real interesse, o importante é que os assuntos acabam sendo levantados e tocados. Um dia depois do deputado Sérgio Grando ter feito a audiência pública da ponte, a deputada Ada de Luca falou, na tribuna, sobre o uso das águas que nos cercam como via de transporte.

E tem uma coisa que parece que está começando a ficar clara, mas nunca é demais repisar: Florianópolis e sua região metropolitana precisa, com urgência, de um plano integrado de mobilidade urbana. Não dá pra tratar um único aglomerado urbano como feudos estanques, onde cada prefeitura faz o que acha melhor.

Ao examinar o todo, as diversas opções (ou modais) como trem, bonde, bicicleta, carro, ônibus, barco, lancha, canoa e balões de festa, devem ser inteligentemente colocadas de forma complementar.

Mas quando a gente vê que as discussões sobre ponte, bonde e barco na capital ignoram que está em elaboração um novo Plano Diretor e ninguém faz a necessária soma de um mais um, dá um certo desânimo. Parece que ninguém está levando o planejamento a sério.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

CAROS LEITORES... II

Mais abaixo (ou mais cedo) fiz uma consulta sobre umas modas que estou pensando para o blog e vários responderam. Muito obrigado. Vou matutar sobre o assunto no final de semana e assim que conseguir sensibilizar meu filho high-tech pra me ajudar a automatizar a produção e upload do pdf da página, volto pra informar o que resolvemos.

Mais uma vez obrigado pela leitura e pelo interesse.

PROBLEMA OU ORGULHO?

O colega Raul Sartori sintetizou muito bem [aqui] o desespero da família do pianista Pablo Rossi, que foi estimulado a estudar em Moscou e agora passa dificuldades porque o mesmo governo que o colocou nessa, não renovou a bolsa. Ele pergunta se, afinal, o moço e seu talento é um problema ou um orgulho para Santa Catarina?

A NOVELA DA PONTE

Desde muito jovem acompanho os vários capítulos da novela da ponte. Antes dos engarrafamentos por excesso de carros, criaram o engarrafamento por causa da troca do pavimento. E tal como uma pessoa idosa submetida a alguma cirurgia complicada, nunca mais a ponte esteve 100%. Sempre tinha algum problema. Até entrar em coma.

Agora falam em ressuscitar a ponte. O ex-prefeito Sérgio Grando, agora deputado, promoveu uma audiência pública na Assembléia sobre o assunto. Insucesso completo de público e de crítica.

Por mais que o governo estadual esteja jogando todas as suas fichas para que a ponte seja um bom cabo eleitoral em 2010, ela é, fundamentalmente, um problema municipal. No máximo regional.

E, da prefeitura, estava presente apenas o diretor de operações do Ipuf, Carlos Medeiros, que pouco falou. E no pouco que disse deixou mais preocupações no ar: informou que algumas das edificações que foram apontadas como prejudiciais no entorno da ponte, tinham tido parecer contrário do Ipuf, “mas foram autorizadas mesmo assim”.

O representante do Deinfra, Romualdo França, garantiu que eles estão trabalhando com todo o cuidado para que, depois da obra pronta, ninguém seja processado por superfaturamento, ou qualquer outro problema. Ah, e que a novela da ponte termina em 2010 mesmo.

Quanto ao resto (o bonde, o tram e o uso da ponte) é uma outra novela, que está nos capítulos iniciais e a trama ainda está muito enrolada.

SEPARAI O JOIO DO TRIGO

Imagino que todos saibam que o trigo (Triticum) é uma semente, ou grão, aplicada no fabrico de pães e massas. Uma coisa útil, portanto.

E o joio, caso não saibam, é uma planta gramínea (Lolium Temulentum) que nasce entre o trigo, parece até com o trigo, mas o danifica. Uma legítima erva daninha, ou erva danadinha, como dizia minha filha quando pequena.

E o problema principal é que, ao crescer, o joio se enraiza com o trigo. Se for simplesmente arrancar o joio, provavelmente danificará o trigo. Situação difícil. Por isso, o fazendeiro da parábola diz para esperarem até a colheita, quando poderão, então, separar o joio do trigo.

Parece óbvio, portanto, que o surgimento do joio, de alguma espécie de malfeitor, é inevitável. Sempre tem um trapaceiro, um picareta, um mala qualquer. E nem sempre é fácil saber quem é quem. Mas tem que ter uma hora, em que essa distinção seja feita.

Explicada a parábola de origem agrária para esta gente urbana, vamos ao fato em si, sobre o qual acho que ela se aplica.

Nos vários bairros de Florianópolis (e de tantas outras cidades) há, aqui e ali, pequenos jornais honestos, feitos com capricho, por gente dedicada a servir à sua comunidade. São o trigo.

Nos mesmos lugares, ou próximo, surgiram alguns jornais carregados de má intenção, voltados exclusivamente para o lucro fácil. Picaretagens em cujas páginas não há outra coisa a não ser matéria paga. Vivem exclusivamente de sugar anunciantes, em especial aqueles que usam dinheiro público. São, evidentemente, o joio.

Tal como na parábola, sempre que surge uma denúncia de mau uso do dinheiro público nesses joios, os governos retiram seus anúncios também do trigo. E até a população, lograda às vezes por um joio, deixa de confiar no trigo.

Gostaria de apelar ao espírito humanitário e cristão dos governantes e dos empresários da capital, para que recomendem a seus homens e mulheres de comunicação que leiam a parábola que reproduzo ao lado. E depois façam um exame criterioso de consciência e da planilha de distribuição de anúncios dos governos e das empresas estatais e privadas.

Vejam lá (não é preciso muito esforço, basta folhear um ou dois exemplares de cada jornal), se os verdadeiros jornais de bairro, os que têm compromisso duradouro com suas comunidades não estão morrendo à míngua, enquanto que aqueles criados momentos atrás, exclusivamente para mamar nas vossas tetas o doce e morno leite do dinheiro público, engordam a olhos vistos.

Agora gostaria de me dirigir diretamente ao LHS e ao Darío: vocês dois têm secretários de Comunicação que são do ramo e que, se quiserem, podem perfeitamente identificar o que é joio e o que é trigo. Não deixem que os malignos oportunistas que vivem cercando o Poder lancem seus encantos e obscureçam as vistas de quem distribui as verbas.

Um anúncio publicado num jornal de verdade, que tenha credibilidade junto a seus leitores, é visto por leitores de verdade e produz efeitos reais. Ao passo que um anúncio publicado numa arapuca caça-níqueis compromete o anunciante. Mancha sua reputação, porque passará a ser conhecido como financiador/cúmplice de um joio indesejável.

Aqui, no mundo material e imediato, a colheita se dá nas eleições. E, aos poucos, o cidadão vai aprendendo a separar o joio do trigo. É de todo prudente, portanto, que aqueles governantes que são realmente bem intencionados tratem de olhar com atenção se não estão nutrindo e engordando o joio e matando o trigo.

O DINHEIRO ABUNDA
Recuso-me a admitir que a facilidade com que os joios engordam e a dificuldade que o trigo encontra para manter-se de pé seja algum preconceito contra jornais e jornalistas, que acabe favorecendo aventureiros de boa lábia.

E não deve ser falta de dinheiro. É apenas má distribuição. Ou generosidade mal dirigida.

Aliás, já que estamos falando em jornais, o Diário Oficial do Estado de 15 de fevereiro, publica a renovação de assinaturas, pela Secretaria da Educação, dos jornais da RBS, pela bagatela de R$ 2,6 milhões (aumentinho de apenas 30% em relação à última renovação).

A idéia de permitir às escolas acesso a jornais era boa: cada escola teria jornais da sua região. Poderiam discutir as notícias locais e a forma como são apresentadas. Mas, no estado da descentralização, centralizaram a coisa: as escolas não têm acesso aos jornais locais e regionais (que são algumas dezenas). Apenas aos jornais da RBS. E da RIC.

Até quando os maltratados trigos independentes que florescem nos bairros da capital e em alguns municípios continuarão longe das salas de aula, afastados do bolo publicitário, esmagados pela insensibilidade política e postos na fogueira equivocada das vaidades míopes?