terça-feira, 10 de julho de 2007

Terça

O ex-governador Esperidião Amin deve estar rindo sozinho. Num debate, na campanha eleitoral de 2006, ele lembrou que Luiz Henrique, quando ministro de Ciência e Tecnologia, era chamado de “Rainha da Sucata”, por alguns críticos da sua atuação. E agora, em Portugal, Luiz Henrique não só foi a uma empresa que recicla sucata, como se deixou fotografar admirando, entretido, uma velha calculadora e um monte de sucata.
(Pra quem não está familiarizado com o Palácio, digo, com o Centro Administrativo: o capitão Renato, que na foto aparece ao telefone, é o ajudante-de-ordens do governador. E o Ilson, cujo nome usei para montar a piadinha, é o assessor de imprensa do LHS)

O DIA SEGUINTE

Depois de ter mostrado aqui, na sexta e no final de semana, os principais trechos do relatório da Polícia Federal que o Juiz Zenildo Bodnar mandou para o presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis, vamos esperar para ver o que acontece e se acontece alguma coisa.

O final de semana, aliás, foi tomado por declarações indignadas, onde os citados protestam inocência e reclamam da exposição indevida.

JULGAMENTO POLÍTICO
Por isso, é extremamente oportuno ler o artigo de André Petry na Veja desta semana, que surrupiei e reproduzo abaixo (e o faço sem ter pedido autorização prévia, inspirado por tantos “desvios de conduta” que temos visto). Ele levanta uma questão fundamental: a confusão entre o procedimento jurídico e o procedimento político, que os acusados deliberadamente usam para tentar defender-se, confundir o (e)leitor e calar as denúncias.
“O presidente Lula escorou-se nesse raciocínio dias atrás, quando discursou numa solenidade no Palácio do Planalto, com Renan Calheiros sentado ao seu lado. “O que me inquieta é muitas vezes não termos o cuidado de evitar que pessoas sejam execradas publicamente antes de ser julgadas”, disse ele, deixando escorrer o equívoco de que condenados podem, aí sim, ser alvo da execração pública.

Na estrondosa sessão da semana passada, durante a qual mais de uma dúzia de senadores pediu que Renan desça da cadeira de presidente, Valdir Raupp, estafeta da tropa renazista, disse a mesma coisa. Com uma sintaxe acrobática, ele declarou: “Ninguém que não tem processo transitado em julgado pode ser considerado culpado”.

É, claro, mais um embuste. Renan Calheiros não é inocente até que seja prolatada uma sentença em contrário porque Renan Calheiros não está sendo submetido a um processo jurídico. O processo é político. E, em um processo político, as coisas são diferentes.

Tão diferentes que Lula parece ter esquecido que demitiu José Dirceu sem sentença condenatória. Demitiu-o porque Dirceu, como czar do mensalão, estava politicamente condenado. Tão diferentes que Lula demitiu Antonio Palocci sem sentença que o condenasse. Demitiu-o porque Palocci, como algoz de caseiro, estava politicamente morto. Até hoje, nem um nem outro sofreu punição na Justiça.

O processo jurídico é tão diferente do processo político que Renan Calheiros é acusado de pedir favores financeiros a um lobista de empreiteira. E qual é o crime? Nenhum. Pedir favores a lobista não é crime. Para um senador, é apenas antiético. Ferir a ética também não é crime. Para um senador, é falta de decoro parlamentar. Falta de decoro parlamentar, não sendo um crime, não produz nenhuma punição jurídica. Mas, no Parlamento, no processo político, é falta grave, tão grave que dá cassação.

Quando alguém voltar com a catilinária de que não há sentença contra Renan, diga: “O processo é político, estúpido”.”
O BOQUIRROTO
O vereador Juarez Silveira, com sua enorme boca e língua afiada, fala compulsivamente e parece ter uma necessidade vital de demonstrar que é influente que conhece gente importante e que faz e desfaz. Essas características levam-nos a ouvir o que ele diz, nas ligações telefônicas grampeadas pela PF, com alguma cautela. Parecia fácil, para ele, citar quem quer que fosse, como se a pessoa estivesse mesmo participando desta ou daquela negociação.

Claro que os citados vão se defender usando justamente esse ponto. No caso da “jamanta” de dinheiro que alguém teria levado, por exemplo, seria bom que o Juarez tratasse de fazer o serviço completo e acrescentasse, ao seu desabafo gravado, alguns outros indícios. Por enquanto, só temos a palavra do Juarez.

MARCÍLIO CAI
Marcílio Ávila teve que ajoelhar no milho. Foi ao governador pedir demissão de sua boquinha estadual. O Juarez tinha sido demitido pela assembléia da Codesc em 4 de maio (eu achava que ele só estava licenciado, por isso ainda o estava tratando como diretor).

POR FALAR EM SUCATA
O decreto estadual nº 344, de 5 de junho último é, no mínimo, estranho. Ele faz a doação de uma enorme relação de bens móveis inservíveis (a tal sucata) da Secretaria da Saúde, para a Fundação Nova Vida, dirigida pela primeira-dama.

Quando comecei a ler o decreto, achei que a idéia fosse ajudar a Fundação a arrecadar alguma graninha, leiloando aquela montoeira de cacareco de todo tipo (tem até aparelhos de raios X). Mas aí deparei-me com o artigo 2º, onde diz que a donatária não pode vender a sucata, “antes de dois anos da data de doação”.

O que vai fazer a Dona Ivete com aquela montanha de sucata, sem poder vender por dois anos? Corre o risco de acabar sendo chamada, assim como o LHS um dia foi, de “Rainha da Sucata”.

Nosso governador tem uma maneira toda dele de conduzir, com um certo açodamento, os assuntos públicos. Não parece muito afeito ao planejamento e ao estudo de soluções integradas e integrais.

Ontem, em Portugal, anunciou que ele e o Dário querem copiar o metrô da cidade do Porto (foto acima), instalando uma linha que vá de Barreiros até a UFSC.

Seria ótimo ter trem, metrô, barco ou outro veículo moderno e eficiente de transporte de massa. Mas também seria bom termos uma solução para o transporte coletivo que levasse em conta a cidade inteira. E que mostrasse de que forma esse lindo bonde português ajudará o sistema a funcionar melhor. Coisa que, até agora, não ocorreu.

A MORTE DO ARIEL
O Secretário de Comunicação da prefeitura de Florianópolis, Ariel Bottaro Filho, morreu no final de semana, aos 61 anos. Segundo as informações divulgadas, de algum problema cardíaco.

Há quem diga que teria sido vítima do estresse, uma vez que a prefeitura estava no olho do furacão, com a operação Moeda Verde. Não acredito muito. Ariel sempre esteve em funções onde a pressão era grande e, em boa parte da sua vida profissional, ligado a governos. Já devia estar acostumado a lidar com essas situações, que não são raras.

Provavelmente trata-se de mais uma daquelas falhas inesperadas do organismo humano, que só nos resta lamentar.

DESTERRO
O Carlos Damião, no seu blog, recuperou partes de um caderno especial de 32 páginas (tablóide) que o jornal O Estado publicou em maio de 1976: “Brazil, capital Desterro”. É um extraordinário momento da imprensa catarinense, um documento importante sobre Florianópolis. E, no que fala sobre os problemas da Ilha, dolorosamente atual. O endereço é carlosdamiao.zip.net.

6 comentários:

Anônimo disse...

César,Olhó, lhó, o Lula sabe escrever, ou só assinou? Ele escreveu PARABÉNS direitinho! Não é possível. Ele já havia treinado antes..........

Cesar disse...

Ele escreveu de próprio punho. No site de fotos da presidência tem uma seqüência de fotos que mostram o presidente em vários momentos da composição da mensagem.

Anônimo disse...

ESSE BLOG É UMA PIADA, PARECE QUE ESTAMOS EM PERIODO ELEITORAL JÁ...SE TÃO JOGANDO BAIXO AGORA IMAGINA ANO QUE VEM.
ATÉ IMAGINAR VCS CONSEGUEM, LER OS PENSAMENTOS DOS OUTROS.
MENTIRA TEM RABO CURTO, NÃO LEREI MAIS ESSE BLOG INFUNDADO.

Cesar disse...

Ôpa! Um anônimo raivoso. Calma, companheiro: em primeiro lugar, obrigado. De fato, esforço-me muito para que este blog seja, pelo menos em parte, uma boa piada.

Já a ficção, é um recurso criativo, que ajuda a explicar melhor a realidade. E a imaginação e o bom-humor são fundamentais tanto para criar histórias e anedotas, quanto para endendê-las.

Nem tudo, no mundo, é campanha político-partidária. As críticas, aqui, visam principalmente os que detém algum poder no momento, pela simples razão que são eles que mexem com o dinheiro público e estão com a cara exposta. Assim que os titulares forem de outro partido ou facção ou religião, passam automaticamente a serem os alvos preferenciais: hay gobierno? soy contra.

Em todo caso, numa coisa o anônimo irado tem razão: o ano que vem vai ser muito divertido.

Pra terminar: este não é um "blog infundado". Foi fundado, solenemente, em setembro de 2005. E tem seus alicerces num outro blog, fundado em novembro de 2002. A minha coluna, por sua vez, foi fundada em 1952, consolidada e exposta ao público em 1953, e desde então tem se mantido razoavelmente ereta. Pelo menos o suficiente para que eu não encoste a cara na lama e nem fique com a bunda exposta.

Anônimo disse...

Boa, César. Este comentário aí de cima deve ter sido escrito por algum destes que chafurdam na lama que escorre diariamente do Centro Administrativo. Um dos milhares de comissionados incompetentes deste governo inoperante, acéfalo e de péssimo caráter. Não admitem opiniões contrárias à do rei Luiz XV.
Abraços e parabéns pela coragem de escancarar os atos desta caterva que hoje só presta para explorar o Estado.
Marcelo Santos
Jornalista

Anônimo disse...

César, talvez eu tenha cometido uma pequena injustiça e gostaria de reparar, só pra que não me acusem de intolerância ou má vontade. Existem, sim, honradas exceções entre comissionados deste governo. Alguns jornalistas, técnicos e até políticos - em todos os partidos da penca. É realmente uma pena que eles constituam uma exceção, e não a regra, o que seria de se esperar de todo governo que se instala por estas plagas. Então, àqueles que honrosamente estão incluídos na exceção, meu abraço. Aos outros, meu caro, só o desprezo.
Marcelo Santos