sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sexta

COMO É QUE É?
Só pra não dizerem que eu larguei de malhar no ferro frio do governo local e que agora só me ocupo de temas federais, deixa eu fazer dois pequenos e rápidos registros.

IRREGULARIDADE – A Procuradora Geral do Estado acaba de anular o resultado de uma “licitação por carta-convite” na regional de Itajaí, por causa de (pasmem!) “irregularidade”.

Isto significa, se entendi direito, que a Procuradoria cometeu uma irregularidade. Menos mal que a própria procuradoria descobriu a tempo e anulou seus resultados. Mas não deixa de ser curioso que um instrumento tão simples como uma carta-convite (numa Procuradoria Geral) possa conter um desvio tal que leve à anulação do processo.

TERCEIRIZAÇÃO – Num outro ato, este registrado no Diário Oficial do último dia 12, o contribuinte catarinense é informado que a SDR de Itajaí (pura coincidência) contratou uma empresa de logística (HBR Armazéns), para cuidar do seu almoxarifado. Por R$ 13.900,00 por mês, a empresa fará o que, em outros tempos, os servidores estaduais que cuidam de tantos almoxarifados nas várias secretarias, fariam.

Deve ter algum benefício, esta modalidade. Imagino que, com isso, a SDR deixará de contratar pessoal, ou mesmo dispensará servidores, obtendo uma economia superior ao gasto mensal com a empresa que assumiu o almoxarifado. Será?

PAU NA MÁQUINA

A Fesporte (a tal, presidida pelo famoso Quem?), embora loteada ora pra um, ora pra outro partido, ainda pertence ao governo do estado. Ao mesmo governo que vive chorando pitangas, que não tem dinheiro para as baratinhas da polícia, que tem dificuldade para pagar os fornecedores.

Pois a Fesporte achou que deveria trazer de novo o Felipão a Santa Catarina, desta vez para permitir que alguns servidores, escolhidos a dedo, pudessem assistir, de graça, à palestra “Time de Máquinas”, do grande treinador, que é também garoto-propaganda do estado.

E o trouxe, no começo de julho. Ele até esteve visitando o Pavan (na foto acima).

Como eu sou um sujeito otimista, que acredita na humanidade achei que estavam cobrando ingressos para que o governo, que já gastou uma banana quando trouxe o treinador para uma Semana do Servidor, há poucos anos, não tivesse que novamente gastar com isso.

Lêdo engano. Fiquei sabendo ontem que a Fesporte pagou, na bucha, R$ 80 mil à Zaz3 Produtora Ltda. e ainda, de quebra, deu-lhe toda a arrecadação da bilheteria. Segundo o chefe de gabinete do presidente da Fesporte. o Leonardo Silva, os R$ 80 mil eram só para pagar o cachê do técnico. E a bilheteria, para que a produtora pudesse pagar o resto: passagens, hospedagem, etc.

Mas ele me tranqüilizou: “não teve quase procura pelos ingressos, foram vendidos uns 500, no máximo”. Ah, bom... Peraí, e aquele povo todo que estava lá assistindo? “É que a gente distribuiu 2.500 ingressos de cortesia para servidores públicos, que de outra forma não teriam oportunidade de assistir à palestra do Felipão”, disse o assessor.

E aí a pulga que mora atrás da minha orelha sussurrou-me: “pergunta qual foi o critério para a distribuição dos ingressos gratuitos!” E eu perguntei.

“Nós distribuímos um certo número de ingressos para cada secretário regional, para os secretários centrais, para os deputados (?) e eles se encarregaram de distribuir entre seus servidores. O Secretário da Educação, por exemplo, recebeu 200 ingressos para distribuir”, respondeu ele.

Bom... assim, à primeira vista, parece que a Fesporte usou dinheiro público para que os secretários fizessem um agrado seletivo, premiando alguns servidores. Mas devo estar errado: LHS jamais permitiria uma coisa dessas.

DÁRIO INVESTIGADO
O Procurador-Geral de Justiça, Gercino Gerson Gomes Neto iniciou uma Investigação Criminal para ver se, afinal, o Dário meteu ou não a mão no baleiro (ou os pés pelas mãos). Será uma tarefa para o recém-criado Grupo Especial de Apoio (uma espécie de swat do MP) para atuar nos casos em que o investigado tem foro especial.

No caso do Dário, o povo quer saber, e cabe aos procuradores encontrar respostas para duas questões principais. Uma, é se o prefeito usou seu cargo e influência para favorecer o interesse privado, aprovando a lei da hotelaria. Outra é se a Lei de Responsabilidade Fiscal foi cumprida: para um prefeito dar desconto em algum imposto (a tal “renúncia fiscal”), precisa dizer, na lei, de onde virá o dinheiro que vai cobrir o rombo.

Dário jura que é inocente. Espero que logo se comprove se é mesmo.

Não posso deixar de retribuir a “gentileza” do colega Túlio Cordeiro, que publicou, na sua coluna, uma foto onde apareço devidamente fantasiado, na recente festa julina do DIARINHO. Pois aí, na foto acima, está o Túlio, na mesma ocasião.

E já que isto aqui virou mesmo uma coluna social, registro acima o encontro dos dois colunistas de esporte do jornal (na festa, mas sem fantasia). À esquerda, o também radialista Aldo Pires de Godoy e, à direita, o Mário Medaglia. Entre um quentão e outro, passavam a limpo as mazelas dos vários esportes.

Dica: quem não é assinante do Diarinho ou está longe do litoral catarinense, pode ler a coluna do Medaglia (Batendo Forte) no blog dele: mariomedaglia.blogspot.com

2 comentários:

Gilson disse...

E é necessário algum comentário sobre a questão da Fesporte?
Bom, pelo menos eles tiveram 500 ingressos vendidos para cobrir gastos extras, senão o rombo poderia ser muito grande.

Anônimo disse...

Caro Cesar, é difícil viver num país onde as coisas acontecem e são tidas como banais. Essa situação provocada pela FESPORTE (leias-se goveno LHS) é um bom exemplo. Só resta-me ficar indignado. Abraços.
Geff Sbruzzi

EM TEMPO: Sou servidor público estadual e não fui "premiado".