sábado, 21 de julho de 2007

Sábado, domingo e segunda-feira


DEBOCHE
A cena que a TV mostrou, de um “assessor” desmiolado do Lula comemorando o fato da morte de 200 pessoas poder ter outras causas além do descaso governamental, é bem o retrato intestino de quem dirige o País.

Danem-se os mortos e feridos, o que eles querem é mostrar que, apesar de não terem feito o dever de casa, não podem ser acusados de nada. Não porque não sejam culpados, mas simplesmente porque apostam na dificuldade de reunir provas.

Mesmo flagrado em atitude indecente, imoral e rasteira, o “assessor” imbecil pretendeu justificar-se, com uma cantilena que poderia ser usada por qualquer um de seus colegas que nos últimos anos têm sido flagrados cometendo delitos.

Não vale a pena mencionar o nome do pulha, para não ocupar espaço na memória. Mas é preciso ter muito claro, agora e sempre, que é deste tipo de gente de que o presidente se cerca.

VÍTIMAS ESQUECIDAS
É claro que a explosão de um avião lotado, causando centenas de mortes ao mesmo tempo, causa um impacto enorme e perfeitamente justificável. Mas, mesmo que ainda entre lágrimas e com a imagem impressionante da tragédia, não podemos deixar de lembrar que o Brasil, assim como cria condições para que os aviões se espatifem, é um dos campeões mundiais de mortes no trânsito.

Jazem, em nossas estradas, milhares e milhares de corpos. Mas como não morrem em grupos grandes ou de uma só vez, a gente acaba não tendo uma idéia clara do tamanho do desastre. Num ano, em 2005, morreram nas estradas mais de 35 mil pessoas.

Mal comparando, seria como se, a cada ano, caíssem 175 aviões lotados, como esse que desabou em Congonhas. Algo assim como ter, ao longo do ano, um acidente como aquele a cada dois dias.

As causas dos acidentes no chão são tremendamente estúpidas: assassinos e suicidas imbecis que dirigem bêbados, cérebros de minhoca que aceleram a 130 km/h carrinhos feitos para andar, com alguma segurança, a 80 km/h, palhaços de pau pequeno que se metem a dirigir carros muito acima de sua capacidade mental e física. E os pobres coitados, que se enchem de droga para continuar dirigindo caminhões por dias e dias, só ajudam a aumentar a estatística, com a sua arma mortífera de várias toneladas e 18 pneus.

Santa Catarina é um dos três estados brasileiros onde mais gente morre em acidentes de trânsito. Basta trafegar em qualquer de nossas estradas para entender por quê. Quem dirige bem, é considerado um marcha-lenta. Quem ultrapassa perigosamente, acelera além do razoável e inferniza a vida dos demais motoristas e dos pedestres, é considerado um “ás do volante”.

Para que a gente veja como a coisa tem piorado: em 1994 ocorreram 29,5 mil mortes em acidentes de transporte. Dez anos depois, em 2004, o número macabro chegou a 35,7 mil. O aumento, de 20%, foi maior que a taxa de crescimento da população no período, que foi algo em torno de 16%.

Os governos nada têm a ver com isso. As estradas são maravilhosas e bem fiscalizadas. A culpa é toda nossa.

CASO SANITÁRIO
A prefeitura de Florianópolis resolveu montar uma comissão para apurar os atos de vandalismo praticados por servidor ou servidores municipais no gabinete do Prefeito Dário Berger.

Até aí nada demais. É perfeitamente normal que isto aconteça, até porque a lei manda não deixar a coisa em brancas nuvens.

Já ia passando adiante a página do Diário Oficial do Estado do dia 11 de julho, onde estava a portaria 229, que designava a comissão, quando caiu a ficha. Voltei e conferi. Reli. E, de fato, tava lá: quem assina a portaria criando a comissão para examinar o fato ocorrido no gabinete do Prefeito, é o Secretário da Saúde. Aí eu já não entendi mais nada. Como assim?

Vou passar o final de semana angustiado e quero compartilhar a angústia e o suspense com vocês. Só na segunda-feira vou conseguir falar com alguém que me explique por que diabos vandalismo no gabinete do Dário virou caso de saúde pública? Será que ocorreu alguma reforma administrativa e ninguém me contou?

Bom, vai ver que agora, os atos administrativos relativos ao gabinete do prefeito serão de responsabilidade do secretário da Saúde e os atos administrativos da área da Saúde serão assumidos pela secretaria de Obras e assim por diante.

Não é um danado dum mistério?

TÁXI!
Um leitor perguntou por que eu ainda não falei sobre aquele rolo da venda de licenças para táxi na capital. Ora, não falei porque ainda não entendi direito e não consegui alguém que me explicasse. Mas vou ver se consigo saber alguma coisa mais.

Por enquanto, parece que boa parte da confusão vem de uma visão um tanto quanto hipócrita e corporativista. Tem gente reclamando que investidores de todo tipo estão concorrendo às licenças. Ora, táxi é um excelente negócio, ainda mais numa capital como Florianópolis, que tem tarifas altíssimas e um número enorme de maus motoristas de táxi. Quando a gente encontra um educado, que trabalha com correção e sabe atender o freguês, trata de não soltar mais, porque é raridade. Existem, mas infelizmente são minoria.

Então, não é difícil entender por que tanta gente quer ter um táxi. Mas é difícil entender por que o amigo de um sujeito que já é motorista de praça é considerado candidato legítimo e outro, que fez carreira em outra profissão, não é. E olha que não é impossível que um dentista, ou um advogado ou um comerciante, administre melhor o carro e os motoristas que empregar para mantê-lo rodando, do que muitos daqueles que se acham com mais direito.

Mas isso não se pode falar em voz alta, porque tem gente que acha que táxi, tal como os boxes do mercado público e os cartórios, é capitania hereditária: passa de pai pra filho ou, no máximo, para amigos muito chegados. Os outros, ora, os outros são todos intrusos.

Bom, mas já estou de novo dando palpite sem ter estudado direito o assunto. Pode ser que esteja mesmo rolando uma bandalheira qualquer. Afinal, se tem alguma coisa que tem cada vez mais é fraude em concurso, desvio de verba, caixa 2 e gente dizendo que é inocente.

DEINFRA NA MIRA
Pode até ser que o Deinfra nem esteja entre os órgãos que o Ministério Público Estadual está investigando em sigilo sigilosíssimo, mas, aqui fora, a turma não larga do pé do seu Romualdo e demais diretores. Não tem uma semana que alguém não escreva ou telefone perguntando se não vai rolar alguma “operação Deinfra”.

5 comentários:

Carlos Damião disse...

Sobre a nota dos mortos nas estradas: concordo plenamente contigo. E mais: ainda acho que a aviação é o meio de transporte mais seguro que existe. Basta ver as estatísticas.
abraço, Damião.

Carlos Alberto Riederer disse...

O Airbus ou qualquer outro avião voa e pousa sem o reverso, mas escalar um vôo super-lotado para pousar em Congonhas, cuja pista tem só 1.940 metros e que, segundo relatos de outros pilotos, tem pouca aderência, ainda mais numa noite de chuva e sem reverso em uma das turbinas, aí já é dar muita chance ao azar !
Agora, fazer uma solenidade para entregar medalhas aos diretores da ANAC durante o luto pelos mortos da tragédia de Congonhas, período em que deveriam estar suspensas todas as comemorações oficiais, foi pior que o gesto do assessor especial do Presidente !
Carlos Alberto Riederer

Anônimo disse...

Cesar e Carlos Alberto,

Fazer comemorações nesse momento.... sejam quais foram os resultados das investigações é um caso não de polícia e sim de justiça divina.

Não tenho respeito por essa gente. Alias tenho desprezo.

Pedro de Souza.

Anônimo disse...

Cesar,

Rodando pela internet olhando as notícias sobre o velório do ACM pude verificar a ausencia de citações sobre o Jorge Bornhausem. Não sei se ele foi ao enterro. Se foi, até agora não li nada a respeito.

Não posso esquecer da observação do Senador Baiano quando o JKB Presidente do PFL fez uma reunião do seu Partido sem a presença do ACM. "Reunião sem minha presença nao tem validade".Outra observação: "Nao trato com político sem mandato". JKB nunca respondeu a essas obervaqções. No entanto, ACM perdeu o controle e liderança do Partido.

Pedro de Souza.

Carlos Andrade disse...

Realmente Pedro, também observei a não manifestação do político catarinense em relação ao seu correligionário.

Será que nos bastidores também o chamava de Toninho Malvadeza?

Fica agora a dúvida se o voto de cabresto, o coronelismo e todas as outras maracutáias e canalhices implantadas pelo T.M. vai continuar com seus herdeiros...
Infelismente quanto a isso eu figuro no grupo dos pessimistas...

Carlos Andrade