quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

CIGANO

Já me mudei de cidade mais vezes do que manda o bom senso. Às vezes porque quero e gosto, às vezes porque preciso. O fato é que até 2001, quando a gente parou de contar, tinhamos feito onze mudanças. Agora, depois de passar um agradabilíssimo ano em Itajaí, fiscalizando a entrada e a saída dos navios no porto e tomando umas e outras no mercado, volto à congestionada Florianópolis. Pra ficar mesmo de olho na capital.

Tirante o endereço pra onde vão as contas, o resto continua igual. E as fotinhas que ilustram este post são uma homenagem a esta cidade, que entrou com méritos para a listinha de cidades do coração.

Neste blog, como sempre, é só clicar sobre a foto, qualquer foto, que se abre uma ampliação.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MAMÃE NOEL

A presidente da Aflov, Rose Berger, criou a Caravana do Papai Noel e vai distribuir 70 mil brinquedos nas comunidades carentes da capital, até o Natal.

ANO NOVO

Com o final do ano chegando, é bom a gente começar a se preparar para aquela vontade de dar a volta por cima, de recomeçar, de fazer direito desta vez, que sempre aparece na virada do ano.

Do blog do André Valente (meu filho, modéstia à parte), recolhi um decálogo de grande profundidade filosófica e enorme utilidade para esta época. E compartilho com vocês:
“Eu esqueço muitas coisas. Entre elas:

1 – eu já fiz muita porcaria;

2 – eu já fiz coisas que não eram péssimas;

3 – eu já terminei coisas que eu comecei;

4 – as coisas não-péssimas e as terminadas são quase sempre as mesmas;

5 – as coisas que eu pensei em fazer e não fiz se perderam pra sempre;

6 – as coisas feitas são muito melhores do que as que eu esqueci de fazer;

7 – é melhor uma coisa feita meia-boca do que uma sensacional esquecida;

8 – as coisas começadas e não terminadas não servem pra nada;

9 – terminar as coisas é muito diferente de pensar em um bom jeito de terminar as coisas; e

10 – ainda tem tempo pra terminar aquela cambada de coisas que eu comecei.”

CADEIA AQUI NÃO

O colega Carlos Damião (no blog dele, aqui) tem divulgado amplamente a movimentação de moradores de São Pedro de Alcântara contra a ampliação da penitenciária e a instalação de um cadeião por lá.

É um dos paradoxos da nossa civilização. Produzimos lixo, mas não queremos vê-lo depositado perto de nós. Aliás, não queremos nem saber para onde vai, desde que não fique à vista.

A mesma coisa com o esgoto e suas estações de tratamento. Em Santa Catarina ainda não é problema grave porque praticamente não temos redes de esgoto, muito menos estações de tratamento (exceto em Florianópolis, que, de tanta novidade, colocou-a bem na entrada da cidade). Mas, um dia, se e quando entrarmos para o mundo maravilhoso das cidades com saneamento básico, a localização das estações e a colocação de seus resíduos será também fonte de grande debate.

E não é diferente com os presídios e outras instituições semelhantes. Todos queremos que a polícia prenda quem viola a lei e ao mesmo tempo queremos distância das cadeias. Que sejam construídas em outro município. Outro estado. Outro país. Queremos, é claro, sempre mais cadeias, para evitar a superlotação e para atender à crescente deterioração social. Mas não vamos facilitar a vida daqueles que pretendem construí-las.

O que ocorre em São Pedro não é diferente do que ocorre em qualquer lugar do mundo em que se anuncie a construção de um presídio. Ou de uma estação de tratamento de esgoto. Ou de um lixão. A turma não gosta e reclama mesmo.

Ninguém vai condenar quem não queira esses equipamentos na sua vizinhança. Mas alguém terá que pensar nisso e propor alguma solução, ou pelo menos encaminhar algum debate desapaixonado (como se fosse possível).

Ou nos organizamos como sociedade inteligente e politizada, definindo prioridades e saídas para o que queremos e precisamos coletivamente, ou chegaremos a um impasse que tornará as coisas ainda piores e mais difíceis do que já se apresentam.

ACIDENTE NA 282

O gravíssimo acidente de sábado, envolvendo o carro de uma equipe da secretaria de Comunicação, na BR 282, perto de Lages, deixou os colegas do Centro Administrativo bem abalados. Morreu o motorista do carro do governo, Valmor Antunes. O jornalista Evandro Baron teve ferimentos numa das pernas e foi operado em Lages. Ontem estava se recuperando numa clínica, em Florianópolis e passava bem.

O fotógrafo Jaksson Zanco foi o que teve menos ferimentos. Logo após o acidente, foi ele que ajudou Evandro a sair e retirou o motorista (que, àquela altura, não se sabia ainda que tinha morrido) do carro. Em seguida, o fogo tomou conta do veículo. Jaksson está em casa, mas ainda muito traumatizado com a experiência terrível que viveu.

No outro carro envolvido diretamente, estava uma família do Paraná. Gabriela Rassi Bruder, 33 anos e Gabriel Bruder Bernardes, de 7 anos, morreram na hora e o pai estava, ontem à tarde, em situação crítica.

Embora a turma da Secom esteja sempre correndo contra o relógio (afinal, o governador viaja de helicóptero e avião e eles vão por terra), parece que o acidente não teve a ver com isso. Eles estavam voltado para Florianópolis, depois de terem trabalhado no Oeste.

A causa do acidente, ao que se sabe, foi um terceiro carro, provavelmente um Polo, que ao fazer uma ultrapassagem invadiu a pista onde ia o Astra do governo, obrigando-o a desviar para não bater. Mas, ao desviar desse imprudente, o Astra acabou atingindo em cheio o Golf de Curitiba.

VIZINHO BONZINHO

domingo, 16 de dezembro de 2007

FOTÓGRAFO NA BRONCA

O fotógrafo J.L. Cibils deixou um comentário tão azedo, injusto e mal humorado, que resolvi trazer aqui pra cima para poder me defender com um pouco mais de espaço.

Primeiro, sem tirar nem por, o texto dele:
“Sr. Cesar em se tratando de uma situaçao que ja virou corriqueira, no do outros e colirio, o Senhor ja tem costume de utilizar as fotos dos outros e ainda detonar com elas e fazer criticas a grandes profissionais do fotojornalismo local, como ja virou moda hapsssss utilizarem indevidamente pedaços de musicas dos outros e acharem que tudo que cai na rede e "peixe" ou e de quem pegar, e os direitos autorais onde fica seu Cesar? respeito e bom e todos os profissionais do Fotojornalismo gostao. ate aceito que voce critique algum texto mas fotojornalismo nem pensar.

É como se ei desse uma chupada em seu texto voce ia gostar? acredito que nao. na hora da pauta quem coloca a cara pra bater e o Fotojornalista e o canetinha fica na boa, lembre disto, o trabalho que da fazer uma otima foto nao e pra qualquer um e coisa de Arte Pura.

Sr. Cesar passe a Valorizar mais os profissionais que ajudam a ilustrar a sua coluna, de o credito merecido e passe a pedir ( conlicença, posso ulizar suas fotos? e o minimo ).

Outra coisa que virou rotina em Fpolis e achar que Fotojornalismo qualquer um faz, e so pra tampar um buraco do texto, e por isto que com um pensamento deste e que o Jornalismo esta onde esta em S.C. nao se valoriza os Profissionais e ainda acham que e pau pra toda obra.

VALORIZEM MAIS OS PROFISSIONAIS DE IMAGEM, VALORIZEMMMMMM........

J.L.CIBILS
FOTOJORNALISTA
Dezembro 16, 2007 6:24 PM
Agora, por partes, vou expor minha posição, mas ainda sem entender o que teria levado o fotógrafo a dizer tantas e tão despropositadas inverdades:

1. “O Senhor ja tem costume de utilizar as fotos dos outros e ainda detonar com elas e fazer criticas a grandes profissionais do fotojornalismo local”

Como assim? Onde e quando “detonei” com fotos dos outros? E qual o fotógrafo que foi criticado por mim? Se tem uma coisa que praticamente não tenho feito (talvez devesse fazer mais), é comentar fotos. Mas gostaria muito de saber quando foi feita ou a quem foi feita essa crítica que tanto irritou o comentarista.

O “detonar” será que se refere ao colocar legendas, usar a foto como base para uma “fotopotoca”? Seria isso que o teria incomodado? Ao escolher uma foto para ilustrar a coluna e tentar, sobre ela, fazer uma piada (nem sempre bem sucedida), estou, de certa forma, homenageando o fotógrafo, ou a fotógrafa, que captaram bem um momento de determinado personagem. Não usaria para isso uma foto ruim, mal enquadrada ou amadora.

2. “Sr. Cesar passe a Valorizar mais os profissionais que ajudam a ilustrar a sua coluna, de o credito merecido e passe a pedir ( conlicença, posso ulizar suas fotos? e o minimo ).”

Se existe uma coisa sobre a qual estou absolutamente tranqüilo é quanto ao fato de creditar todas as fotos que uso. Façam um teste, rolem a tela e onde encontrarem uma foto, passem o cursor por cima: aparece o crédito da foto. No jornal, a mesma coisa, peguem as várias edições e dêem uma olhada. Talvez o Sr. Cibils não conheça esta forma de creditar ilustrações na internet. É uma coisa que até podemos discutir. Mas sempre tenho dado o devido crédito.

As fotos que utilizo, em sua maioria, estão explicitamente disponíveis para uso gratuito. Quando se pega uma foto nos sites de notícias do palácio do Planalto ou do governo do estado, não há necessidade de ligar para o fotógrafo e pedir licença. Elas estão ali para serem usadas em veículos de comunicação. Naturalmente com o devido crédito, que tenho atribuído sempre. Cite, por favor, um caso em que tenha usado uma foto que não poderia ter utilizado, ou que não tivesse sido autorizado a isso?

Quando o premiado Olívio Lamas chegou a Florianópolis, um dos primeiros empregos dele por aqui foi como editor de fotografia de O Estado. Eu o convidei (era editor-chefe, na época), porque tinha aprendido, com Orestes Araújo, Lourival Bento, Paulo Dutra, Rivaldo Souza, Sérgio Rosário e Gilberto Gonçalves, a valorizar o fotojornalismo. As capas que produzimos, enquanto estive à frente do jornal, mostram exatamente a consideração e o respeito que sempre tive pela informação visual.

Depois, continuei aprendendo, com a nova geração, Lauro Maeda, Tarcísio Mattos e tantos outros de grande talento com quem sempre procurei trabalhar (o problema das listas é que a gente acaba deixando alguém de fora). Ao longo dos anos, aprendi a compreender exatamente a multidisciplinaridade da profissão e a necessidade da convivência de várias midias. Deixei isso muito claro, sempre que tive oportunidade, nas aulas que dei no Curso de Jornalismo.

Por tudo isso é que as afirmações de que eu “detono” fotos, uso fotos sem creditar e faço críticas “a grandes profissionais do fotojornalismo local” soam tão injustas e mesmo descabidas.

Então, Sr. Cibils, diga lá: que foto não creditei, qual fotógrafo critiquei injustamente e por que, sem motivo aparente, o Sr. resolveu usar-me para lançar uma campanha, que de resto é sempre necessária, pela valorização dos profissionais de imagem?

SEGUNDO CAPÍTULO
(update da manhã de segunda)

O meu mais novo desafeto enviou uma resposta, que transcrevo na íntegra abaixo, adicionando novas broncas. Primeiro, ele não gosta de ser chamado de fotógrafo. Prefere ser qualificado como fotojornalista, ou repórter fotográfico. Tudo bem, eu tenho os fotógrafos em alta conta, mas não me incomodo em chamá-los como eles preferirem. Depois, apesar do que ele escreveu e escreve, diz que não tem mau humor. OK, então retiro o que disse sobre seu humor.

Mas o importante é que ele explica de onde vem essa raiva toda (ele dirá que não tem raiva, mas não encontrei palavra melhor): uma vez ele mandou fotos para que eu usasse na coluna. Hum, quando um fotorrepórter envia uma foto para publicação, segundo entendo, está autorizando seu uso. Certo? Errado! Ele ficou irritado com o corte que eu dei na foto. Acha que eu deveria tê-lo consultado.

Bom, assim que tiver um tempinho, vou procurar a foto (que ele não diz em que mês foi publicada), para ver que grande maldade fiz, a ponto de deixar marcas tão profundas no J.L.Cibils. E olha que eu tomo sempre o cuidado de colocar, no crédito, “Molecagem sobre foto do fulano”, para que o leitor não tenha dúvidas que a foto foi modificada. Parece, no entanto, que não é suficiente.

Bom, não tomarei mais o tempo de vocês com este assunto. Taí a tréplica:
“J.L.CIBILS
FOTOJORNALISTA

Primeiro, nao tem mau humor nem um, segundo, Eu ja enviei muito material bom para sua coluna e vc deu corte para dar outro tipo de conotaçao, quer exemplo? tudo bem que vc tenha um humor sarcastico ate entendo, mas usar e dar corte em minhas fotografias indevidamente sem a minha expressa permiçao ai e de mais, usar seu texto com humor muito bem e de seu juizo. quer exemplo?

Antes quero te dizer que aprecio sua escrita, nao tenho odio ou outro sentimento a sua pessoa, nao lhe conheço pessoalmente, se nao apreciase nao o lia, tenho apreço por alguns de seus colegas que sao muito meus amigos e tem muito RESPEITO pelo meu trabalho.

Quer exemplo?
ai esta: vou citar um, os outros eu nao posso lembrar, nao os tenho de memoria, mas acho que voce deve estar lembrado da campanha ao governo passado, vc resolveu fazer em suas palavras uma " MULECAGEM " com as minhas fotografias, as fotos diziam uma coisa e vc decidiu por conta propria dar outra conotaçao, deu corte fez comentarios maldosos e teve outros se seguiram a diante.

Ja vi vc fazer isto inumeras vezes com material do palacio do governo mas que quese pode fazer, o profissional que esta la nao pode reclamar, se acha ruim morre com ele, se nao o chefe dele e que vai dar um pito nele.

Eu fico pensando, como o Sr. faz um negocio desse, no meu trabalho sem ao menos saber quem eu sou ?

Eu costumo ajudar muitos colegas com belas imagens para seus periodicos, Manipular minhas fotos? nao, nao corro mais este risco.

Outra coisa interessante e achar que as assesorias de imprensa tem obrigaçao de enviar fotografias excelentes, no meu ver nao tem nao, as redaçoes e que tem que valorizar os profissionais que tem em seu elenco e botar na rua pra trabalhar e trazer um otimo material.Voltando as minhas imagens, se vc pegasse a fotografia como foi enviada e fizesse sua critica seja la como fosse e utilizase as minhas fotografias criticando ou mesmo detonando a pessoa que eu fotografei nao estaria aqui escrevendo tudo isto, pois nao me cabe formular critica as pessoas fotografadas, mas se vc julga procedente criticar e um problema seu, nao meu, agora no momento que da corte e depois indus os leitores acharem que o Fotojornalista e que deu uma rabiada, pooooo, isto nao e bacana.

Por isto eu te digo, a memoria e curta, e quando chega o momento de lembrar....
Eu nao esqueci...

Eu ate hoje tinha ficado quieto, mas depois de ver que alguem deu uma usadinha no teu material, Eu lembrei, ah vou dar uma boa lembrada ao Sr. Cesar, ficaria joia se voce desse uma Valorizada aos Profissionais de Imagem.

Lembre que Profissional de Imagem, pra começo de conversa: E Fotojornalista ou como queiram, Reporter Fotografico, chamar um Profissional que atua no Jornalismo simplesmente de fotografo....

Vai ver no regitro profissional qual e a designaçao.

Quanto ao Maeda e o Tarcisio e vou citar tambem o meu grande amigo Sarara irmaozaooo e parceiro,o meu amigo Giba nao posso me esquecer do "Abaju" e por ultimo o nosso cricri e amigo Lamas, que Deus o tenha todos os conheço e aos seus trabalhos, tambem os admiro muito.

Fico pensando se da mesma forma que se envia fotografias a sua coluna, um destes colegas enviase alguma imagem e nao citase o nome e vc nao sabendo de quem era iria fazer alguma " MOLECAGEM ".

De "campanha" acho que vc esta enganado, nao mobilizei nem uma tropa de elite pra fazer qualquer tipo de "campanha", nem quero, e nao tem nada de " azedo " em lembrar fatos.

Continuo tendo Apreço pelos seus textos, sao muito ilustrativos de nosso cotidiaono, e pena que a maioria nao tenha acesso as redes informatizadas e nao tenha informaçao do que ocorre no mundo que vivemos.
Mas a vida foi feita para melhorar, todos os dias.”

TERCEIRO (E ÚLTIMO?) CAPÍTULO
(Update da tarde da segunda)

Achei só duas fotos creditadas ao JLCibils. Publicadas nas colunas dos dias 12 e 13 de setembro de 2006. É possível que alguma outra foto, distribuída por comitê de campanha, seja também dele, mas eu não tenho como adivinhar a autoria, se quem distribui as fotos não informa (foto sem autor foi comum, em determinado período, tanto na campanha do Amin quanto na do LHS e eu as creditava aos comitês).

Infelizmente, por motivo de escassez de espaço de armazenamento, não guardo os originais por mais de um ano, então não tenho como comparar pra ver qual teria sido o corte que tanto irritou o repórter fotográfico. Abaixo reproduzo as fotos tal como foram publicadas, mostrando também como aparecem creditadas no blog e no jornal impresso.

Pra encerrar de vez: se eu fizesse uma coluna como meus demais colegas fizeram durante anos, sem usar fotos, não estaria me incomodando com este assunto. Como uso fotos, sou acusado de não valorizar os artistas da imagem. Definitivamente, não se consegue agradar a todos.

Hehehe

Alguns leitores se espantaram com o fato do Cacau ter colocado, no blog dele (que é uma das “novidades” do DC on line, da RBS), o clipe de uma banda que usa, pra ilustrar os versos sobre especulação imobiliária, uma arte que eu fiz para a minha coluna no DIARINHO e que também foi publicada aqui (clique na foto acima, que se abre uma ampliação).

Ora, não tem nada demais. Afinal, de vez em quando cito o Cacau e outros colunistas da RBS aqui. Não tem por que eles boicotarem o clipe só porque a turma usou alguma coisa do concorrente. Além disso, no final do clipe também tem uma imagem do DC. Abaixo, o clipe.

sábado, 15 de dezembro de 2007

FOLHA CORRIDA

O Ministério Público de Santa Catarina exigiu e o secretário de Comunicação de Itapema atendeu: a prefeitura só vai anunciar em veículos idôneos. Boa medida. Diante da proliferação de jornaizinhos caça-níqueis e/ou picaretas, tem mesmo que tomar cuidado e só anunciar em jornais que de fato circulem, sejam lidos e tenham profissionais no comando.

Só que, a alturas tantas, surge uma exigência descabida: pedem “a relação dos jornalistas responsáveis pelo periódico/programa/veículo, com os números de inscrição dos seus editores responsáveis na Fenaj e/ou Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina”.

Isto é uma rematada bobagem: a sindicalização é optativa. O exercício profissional do jornalista não é assegurado pela filiação ao sindicato, mas pelo registro no Ministério do Trabalho.

No Brasil, nenhum jornalista precisa ser filiado a sindicato para editar periódico de qualquer tipo. E não existe “inscrição na Fenaj” (a Fenaj é a entidade que reúne os sindicatos). O mais estranho é que a informação foi distribuída pelo próprio sindicato dos jornalistas.

CHORORÔ

O presidente Lula quase não consegue se conter, de tão mordido que ficou com a rasteira que levou. Segundo o blog do Cláudio Humberto, o “Sistema S” (das Confederações da Indústria e do Comércio) está na mira pra levar uns cortes de orçamento. Claro, o governo não engoliu a campanha pelo fim da CPMF (que levou a Fiesc a colocar o nome dos parlamentares na frente da sua sede). E como o sistema tem telhado de vidro (usa dinheiro público), é um dos alvos preferenciais da revanche.

A líder Ideli Salvatti (PT), que não teve sucesso em manter a base do governo unida, tenta remediar a situação recomendando aos partidos aliados que expulsem aqueles senadores que “votam sistematicamente contra o governo”. Ah, e ela culpou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pela derrota. Poderoso esse FHC, hem?

CONTO DO VIGÁRIO: UM CLÁSSICO IMORTAL

(DA SÉRIE: OS PERIGOS DA INTERNET)

Aposto que, se alguém perguntar se o amigo leitor ou a amiga leitora acredita em papai noel, ou em dinheiro caído do céu, irá responder, rapidamente: “claro que não!”

Sim, somos todos gente capaz de perceber quando alguém tenta nos enganar, certo? Errado. O número de pessoas que cai nos diversos “contos” mostra que a cobiça pode nos cegar e que é muito fácil fazer pessoas aparentemente sensatas ficarem de quatro.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro publicou, em 2003, o resultado de uma pesquisa nas ocorrências policiais do estado, especificamente sobre o tipo de estelionato conhecido genericamente como “Conto do Vigário”.

No trabalho, ao buscar a origem deste nome, os autores, João Batista Porto de Oliveira e Walter da Silva Barros localizaram, no Manual de Investigação Policial, do Delegado de Polícia Coriolano Nogueira Cobra, a citação do livro Factos e Memórias, publicado em 1904 por Mello Morais Filho. E lá se informa que os contos-do-vigário no Brasil começaram a ser aplicados antes de 1884. E eram provenientes da Espanha.

Em resumo a história é a seguinte: as vítimas, sempre gente de posses, recebiam cartas e documentos falsos, informando sobre uma herança inesperada, de um parente distante e desconhecido. E diziam que, para regularizar a herança era necessário pagar algumas despesas inadiáveis (para buscas, pesquisas, processos, etc).

Para dar ares de veracidade ao enredo, quase sempre aparecia um vigário, que teria estado presente aos últimos momentos do falecido, dono do tesouro que será herdado. E recebera, em confissão, revelações que, sabe-se lá como, acabaram “descobertas” pelo autor da carta.

O dinheiro pedido, quando enviado, sumia. E é claro que as vítimas nunca mais ouviam falar da herança.

Pois bem, ao longo dos séculos a esperteza se manteve praticamente a mesma. Ou vocês também não acharam grande semelhança desse golpe do século XIX com aquelas cartas que nigerianos e outros africanos enviam (foto acima), pelo correio regular ou por e-mail, pedindo ajuda para lidar com fortunas de milhões de dólares?

A essência desses golpes, além da habilidade e da boa conversa do golpista e sua troupe, é a ganância da vítima. Pro golpe dar certo, a vítima tem que querer lucrar, convencer-se que será ela a autora do golpe.

AS 28 “MODALIDADES”
O trabalho da polícia carioca faz uma analogia interessante: “Eles [os vigaristas] são verdadeiros artistas, atuando permanentemente no palco do cotidiano de suas vítimas.”

E encontraram nada menos que 28 modalidades, ou “peças teatrais” delituosas. Taí a lista, por ordem de ocorrência, no levantamento de 2002:

1) Conto do prêmio ou da recompensa;
2) Conto do anúncio em jornal ou TV;
3) Conto do bilhete premiado;
4) Conto do empréstimo;
5) Conto do falso funcionário;
6) Conto do paco;
7) Conto do veículo com defeito;
8) Conto do emprego;
9) Conto das moedas;
10) Conto do falso depósito;
11) Conto da premiação;
12) Conto do ouro;
13) Conto da falsa revenda;
14) Conto do plano de saúde;
15) Conto do aluguel;
16) Conto da venda de imóvel;
17) Conto da troca de envelopes;
18) Conto do financiamento da casa própria;
19) Conto das ações;
20) Conto do visto no passaporte;
21) Conto da troca de peças;
22) Conto da reparação do gás;
23) Conto da licitação;
24) Conto do cartão;
25) Conto da aposentadoria;
26) Conto da maior probabilidade de sorteio;
27) Conto do feitiço; e
28) Conto do “laranja”.

O golpe mais usado, o do prêmio ou da recompensa, é aplicado por dois vigaristas. Como são bons atores, é certo que jamais parecerão desonestos ou despertarão desconfiança. E assim que a vítima acreditar que poderá levar vantagem, o golpe está pronto. Porque aí, para ficar com o bilhete premiado, com a grana do outro, dará aos vigaristas o que tiver. Quando cair em si, será tarde demais.

[Para baixar a íntegra do trabalho, onde está explicado o modus operandi de cada um desses delitos da lista acima, clique aqui]

“CLICA AQUI”
Pertencem exatamente a esta mesma linhagem de golpes, aqueles e-mails que prometem fotos exclusivas do acidente da TAM, as cenas proibidas de Lula com famosa atriz de TV, as fotos da fulaninha nua que nunca foram publicadas. A vítima (o otário), acha que verá coisas que ninguém mais viu e que ninguém verá e clica onde lhe mandam.

O resultado é sempre tão frustrante quanto o dos golpes tradicionais, aplicados em ruas movimentadas. Em geral o clique resulta na instalação de um programa-espião ou algum vírus no computador. Ou então leva o coitado para algum site onde, por todas as vulnerabilidades do programa de acesso à internet, ele acaba infestado por inúmeros artefatos nocivos.

Agora, me digam, que tipo de impulso maligno leva pessoas de bem a acreditarem num e-mail como este que recebi ontem, que diz, com todos os erros possíveis, o seguinte:
Novo acidente com avião da TAM

Outro acidente grave envolvendo aviões brasileiros.

O vôo do Airbus 3564 da TAM logo após a decolagem teve problemas ainda desconhecidos no seu painel de controle e em seguida caiu nas ruas de São Paulo. O incidente ocorreu em uma area não muito habitada onde 30 passageiros morreram e 5 pessoas onde caiu o avião.

Algumas filmagens feitas por um celular foram publicas no Jornal Hoje da Rede Globo.

Parentes das vitimas choram muito se perguntando porque estão acontecendo tantos acidades de aviões no Brasil. Vejam as imagens gravadas e algumas reportagens com a nossa comentarista Paula Vieira.

E abaixo do texto o “clique aqui” leva a um conhecido site de patifarias (www.qess.co.nz/images/faq/faq/).
[Atenção, não tente ir até lá, não cole este endereço no seu browser, se você não for um pesquisador ou um técnico habilitado para lidar com vírus, trojans e outras pragas].

Será que alguém acha que receberá antes, com exclusividade, por e-mail, uma notícia dessas? Se fosse verdade, estaria na TV e nos sites de notícias. Mas aí entra a essência do Conto do Vigário: a pessoa momentaneamente passa a acreditar em papai noel e, muito “esperta”, clica ali para poder contar para os amigos uma coisa que só ela viu.

Não só não vê, como se ferra e ainda acaba passando a maior vergonha, por ser um esperto tão burro.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

E AGORA, LUIZ?

Não queriam que a CPMF acabasse? Pois então, acabou. Agora não fiquem morrendo de medo do que o governo pode fazer. Como o próprio Mantega já disse, “é ruim, mas não é nenhuma tragédia”.

Lula tem reagido mal às contrariedades (vide vaia no Maracanã), mas tudo indica que ainda não esteja louco. Não vai jogar pelo ralo o terceiro mandato ou pelo menos a unção do sucessor, apenas para vingar-se. Até porque vingança é um prato que se come frio.

Os mais racionais até poderão perguntar, cheios de razão: “vingar-se de quem, cara-pálida?” Afinal, a base do governo tinha senadores suficientes para aprovar a CPMF sem precisar do DEM ou do PSDB. Portanto, se Lula perdeu, perdeu para ele mesmo. A derrota do governo foi muito mais dolorida do que a gente pode imaginar, porque Lula não perdeu apenas R$ 40 bilhões: demonstrou ser incapaz de aglutinar seus apoiadores em torno de si.

Façam as contas: os 14 partidos aliados, que formam a base, que participam do governo, que recebem os benefícios desse status, têm 53 senadores. Lula precisava de 49 votos para prorrogar a CPMF. A rigor, não deveria nem dar bola para o PSDB, poderia ignorá-los, e ao DEM.

Mas aí, conseguiu só 45 votos, mesmo tendo a ajuda incansável de todos os governadores, de todos os partidos. Além de cortar gastos (ui, ui, ui), Lula vai ter que reexaminar a engenharia política de seus líderes. Ideli à frente.

ERMO POLITIZADO

Li outro dia na Agência Brasil e depois no site ABC Digital, do meu amigo Arthur Monteiro, sobre um levantamento feito usando dados do IBGE e do TSE: habitantes versus eleitores.

Pois não é que a pacata Ermo, no sul catarinense, lidera o “ranking” das cidades brasileiras que têm um número maior de eleitores do que de habitantes? Moram no município cerca de 1,8 mil pessoas. E estão registradas para votar, 2,4 mil!

No país todo, são 50 municípios que apresentam este nível espetacular de engajamento, com mais eleitores que habitantes. Próximos disso, com o eleitorado representado mais de 80% da população, estão outros 1.379 municípios. Eita povinho politizado!

Naturalmente, os tribunais eleitorais tiveram que providenciar uma revisão em todos esses lugares, recadastrando os eleitores, pra ver o que está ocorrendo. Afinal, por mais que esta superpopulação de eleitores agrade aos políticos, alguma coisa não cheira bem nessa situação estranha.

POR QUE 100?

Vocês que são leitores ilustrados e sabem de tanta coisa, por favor me expliquem por que o limite de velocidade nas rodovias federais duplicadas de Santa Catarina é de 100 km/h e em outros estados é 110 km/h? Quando a gente vem de Curitiba, por exemplo, ao entrar no estado as placas indicam que mudou o limite. Mas a estrada é rigorosamente a mesma.

O INSANO FOGUETEIRO E O RABO ELÉTRICO

(DA SÉRIE: DESGRAÇAS VERANIS)

A chegada das festas de final de ano e do verão parece que desperta alguns instintos assassinos em seres com pouco (ou nenhum) estofo cultural e escassa massa cinzenta.

São, basicamente, dois tipos de monstros que se revelam nesta época. O primeiro podemos chamar de Insano Fogueteiro. Gasta milhares de reais durante o ano, para montar um estoque de foguetes que permita azucrinar a vida terrestre e marítima de todos ao seu redor, por um longo período.

E não são apenas locais. Há casos documentados de fogueteiros migrantes. Ontem me mostraram um que é de Londrina, no Paraná. Mas todo ano traz de lá um caminhão (e não é força de expressão, é um caminhão baú mesmo) de foguetes para soltar no sul da Ilha, aqui em Florianóplis, onde o desinfeliz tem uma casona de praia. A tortura se estende praticamente por todo o mês de dezembro e boa parte de janeiro.

Cada praia catarinense tem uma história de Insano Fogueteiro. Ele se acha o máximo, porque é rico (em alguns casos, bicheiro), usa colares de ouro e relógios de grife, dá festas tão barulhentas quanto os foguetes, mas a vizinhança toda os odeia.

O outro é o Rabo Elétrico. Transforma a traseira de seu carro (ou camionete), num arremedo de trio elétrico. Centenas de watts de potência, cornetas de todos os tipos e música da pior qualidade. Candidato a algum troféu de estupidez, o Rabo Elétrico não se contenta em circular pela cidade às duas da manhã acordando todo mundo. Estaciona à beira mar e fica admirando a desgraça que produz.

Alguns pesquisadores encontraram pontos de contato entre os dois tipos de imbecis: o Rabo Elétrico, em muitos casos, é filho de um Insano Fogueteiro. Não é raro, portanto, encontrar um Rabo Elétrico a todo volume, nas proximidades de um Fogueteiro alucinado.

Prainhas aprazíveis, de águas tépidas, vizinhança agradável e areia branca, transformam-se de repente numa sucursal do inferno. O Fogueteiro consegue manter as explosões dias e noites inteiros, sem parar. Se, às cinco da manhã, ocorrer uma pausa, não se preocupem que é só o tempo de buscar mais algumas caixas no caminhão e a coisa recomeça.

E para que vocês não achem que estou exagerando, aí está um gráfico, produzido pelo Ministério Público Estadual, dentro do Programa Silêncio Padrão de Florianópolis, com dados da Polícia Militar.

No verão 2005/2006, por exemplo, a absurda maioria das ocorrências no norte da Ilha foi por perturbação do sossego. Coisa que inclui som alto, barulheira fora de hora, bagunças em geral. Parece ser menos perigoso ou ofensivo que roubos e assaltos, mas não é menos violento.

Tanto que boa parte das “vias de fato” deve ser de gente que foi lá reclamar e teve que partir para a ignorância com os baderneiros.

O som alto, o barulho, é uma das formas mais insidiosas de violência urbana, porque entra na tua casa, atrapalha teu lazer, te impede de ler um livro sossegado, de ver um filme ou mesmo de ouvir outro tipo de música. Quem pratica esse crime não só demonstra que não está preparado para viver em sociedade, mas também que é burro. Quanto mais próxima a pessoa está da fonte daquela barulheira, mais cedo ficará com problemas auditivos, dos quais a surdez é o mal menor.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A CARÁTER

O novo ministro do STJ, Jorge Mussi, com a esposa e o LHS, na cerimônia de posse, que foi realizada ontem, em Brasília.

AOS GRITOS!

A senadora Ideli Salvatti quando vai à tribuna, especialmente em ocasiões de grande tensão, como ontem, durante a votação da CPMF, eleva a voz como se estivesse num ginásio lotado, sem microfone. Talvez seja um hábito herdado dos tempos de militância sindical. Ela grita como se esses aparelhos que amplificam a voz ainda não tivessem sido inventados.

Mas a verdade é que ontem a gritaria foi geral. Ela não foi a única a se esgoelar em defesa da CPMF. E houve quem se esgoelasse também para argumentar contra.

Em todo caso, falar assim não é só ruim para o aparelho fonador dos gritões. É péssimo também para quem os ouve. Mas parece que muitos senadores (e parlamentares de uma maneira geral, em todos os níveis) acham que, se não discursarem aos gritos, não darão a devida ênfase a seus argumentos.

Levam ao pé da letra aquela história de “ganhar no grito”.

SACO!
E por falar na discussão sobre CPMF, não tenho mais paciência para aquele terrorismo que é usado sempre antes de cada eleição, de cada votação importante: “vocês serão responsáveis pelo caos que virá se...”

Lembram que os adversários de Lula diziam, antes da eleição, que os empresários mudariam de país, que haveria uma bagunça generalizada, que seria o fim do mundo? Era um exagero, um terrorismo de campanha.

Pois agora Lula, no governo, faz a mesma coisa: “vocês serão responsáveis pelo fim do bolsa família, pelo caos na saúde, por deixar o povo mais pobre à míngua”. Exagero. Terrorismo de campanha.

Todo mundo que acompanha a política sabe que essas coisas são ditas meio da boca pra fora e fazem parte do jogo. Mas tem muita gente que acredita que as ameaças são reais.

Teve gente que ficou com medo do sapo barbudo e acreditou na Regina Duarte. Lembram? Pois agora vejo que tem gente que acredita mesmo que é impossível governar sem os recursos da CPMF. Ou que a saúde pública ficará ainda pior do que está.

Não dá um cansaço?

Todos os parlamentares e quem acompanha a política sabe que os discursos são só para marcar posição. Usam argumentos apenas para tentar sensibilizar o pobre povo brasileiro, que não tem tempo, paciência ou recursos (culturais, econômicos ou escolares), para discernir entre o jogo de cena e a realidade política.

Entre eles, com as honrosas exceções de sempre, valem coisas muito mais concretas e pragmáticas. Defende-se o imposto do cheque num ano, combate-se sua prorrogação no outro. Fala-se agora ardorosamente contra, amanhã cantarão as 1001 maravilhas do imposto. Só depende das circunstâncias.

Até o momento em que enviei a coluna para o jornal, a votação ainda não tinha começado. E, na verdade, não faz muita diferença. Com CPMF ou sem CPMF, as coisas continuarão do mesmo jeito.

Update da madrugada: houve uma proposta de adiamento, com debates adicionais, mas à 1h06min a votação iniciou.

O governo, apesar de todo o esforço e o empenho pessoal do presidente, não conseguiu votos suficientes para prorrogar a CPMF.

O próximo capítulo promete ser emocionante: como Lula reagirá? O episódio da vaia no Maracanã mostrou que o presidente não lida bem com a contrariedade.

TUDO EM FAMÍLIA

No Alto Vale do Itajaí o ex-prefeito e ex-deputado Gervásio Maciel (PSDB), era, desde o início de agosto, “Coordenador Regional da Previdência” com jurisdição nas agências de Ituporanga e Rio do Sul. É uma função do Ipesc que a reforma administrativa extingüiu, mas a conveniência política ressuscitou.

Até que, por qualquer motivo, Gervásio precisou sair. Para não deixar a peteca cair (no colo de outro), o previdente coordenador tratou de passar o cargo para Christiane Regina Maciel. No Diário Oficial que registrou a transferência não se informa o parentesco, mas um telefonema para a agência de Rio do Sul esclarece: “ela é filha dele”.

Vai ver os Maciel estão começando, no Ipesc, uma tradição como a da família que tornou famoso o slogan daquela empresa: “Conhaque Dreher: de pai para filho desde 1910”. Claro que os Dreher usaram seu próprio capital e os Maciel estão sendo pagos com dinheiro público. Mas isto é só um detalhe sem grande importância.

TEMOR VENEZUELANO

Depois que Chávez não renovou a concessão de uma TV privada, vários grupos ligados ao PT e ao governo começaram a falar em “reexame das concessões” no Brasil. Os mais delirantes chegavam a sugerir que seria bom para o País cassar a concessão da TV Globo, como forma de calar a boca da “mídia golpista de direita”. Claro que ninguém de bom senso levava a sério essas idéias malucas.

Pois parece que alguma coisa anda acontecendo. As emissoras brasileiras de TV estão com os cabelos em pé. E com toda a razão: o governo (a Casa Civil) ampliou enormemente as exigências para renovar as concessões. Segundo os radiodifusores, “não há nada abusivo nos pedidos técnicos, mas são informações complicadas de serem compiladas por um período de 15 anos”.

Talvez até seja um ajuste necessário (vai que antes ninguém pedia nenhuma informação). Mas, na conjuntura atual, não deixa de ser preocupante.

GOVERNO OPACO

Li ontem uma nota na coluna do Raul Sartori, em A Notícia, que levantava novamente a discussão sobre uma das novelas mais intrigantes do governo LHS. Governo que, como bem lembrou o Sartori, ganhou até troféu como “o melhor governo eletrônico do Brasil”.

A transparência usada e abusada nos discursos oficiais não chegou ainda ao Diário Oficial. Santa Catarina é um dos poucos estados onde essa importante ferramenta de fiscalização dos atos do governo não está disponível na Internet.

Desde que o LHS assumiu, foram feitas várias tentativas e nenhuma deu em nada. O DOE on line chegou a ser oficialmente anunciado. Fiasco. Mas também ninguém explica adequadamente o que está pegando, nem qual é a dificuldade intransponível que se apresenta.