quinta-feira, 15 de março de 2007

Quinta

O PAÍS DA PIADA PRONTA
Quando meu amigo Luiz Lanzetta perguntou se eu tinha visto a capa do Correio Braziliense de ontem, não entendi direito. Mas aí, quando fui dar uma olhada, percebi que a ilustração da coluna de hoje estava ali, prontinha.

Naturalmente, o jornalão (foto ao lado) não tinha se dado conta do grande furo que a principal foto de sua capa representava. Na legenda explicam que aqueles são banheiros químicos instalados na esplanada dos ministérios para uso de 200 manifestantes contrários à transposição do Rio São Francisco, que estão acampados ali há dois dias.

Que nada! Trata-se da montagem do principal ministério do governo (de qualquer governo), cuja importância foi inicialmente ressaltada pelo grande Chico Buarque e que depois, modestamente, tratamos de repercutir aqui. O imponente, o insubstituível ministério do Vai Dar Merda!

Agora a coisa vai. Antes de iniciar qualquer projeto (como a transposição do Rio São Francisco, por exemplo) é só mostrar para o ministro do VDM e esperar pelo veredito. Se ele disser “hum... acho que vai dar merda”, é só engavetar o projeto e pronto. Não paga mico.

RE-REFORMA
Sou meio lento pra entender as coisas. No ano passado e começo deste, a Assembléia Legislativa ficou fechada um tempão para que fosse feita uma grande reforma. Está, de fato, mais bonita e mais arrumada. Ganhou novos espaços. Parece ter sido coisa muito bem planejada.

Só que ontem,se eu entendi direito, o presidente Júlio Garcia e o Ministério Público assinaram um termo de compromisso que dá um prazo até dezembro de 2007 para que a Alesc corrija os problemas e remova os obstáculos que impedem o acesso de pessoas com necessidades especiais. Ué?! Então a reforma já vai precisar ser reformada? Que coisa! Quem terá sido o arquiteto?

FOI MESMO
A saída do Hélio Costa do SBT, da rádio +Alegria e do jornal Notícias do Dia para retornar à TV Record (três anos depois de ter saído) está confirmada O negócio foi fechado nas primeiras horas de ontem. Um duro golpe para os Petrelli, sem dúvida.

SAIU A LISTA

Consegui ontem a relação completa da comitiva catarinense que visita a França, a Alemanha e a Espanha em busca de soluções para alguns de nossos problemas e tentando sensibilizar os europeus para que venham gastar seu rico dinheirinho no estado mais europeu do Brasil. Está logo mais abaixo.

Vários dos viajantes têm suas passagens e demais despesas pagas pelos cofres públicos. Do executivo, do legislativo e dos municípios. E os empresários e jornalistas são custeados por suas empresas e/ou com ajuda de suas entidades de classe. Mas isto nem é assim tão grave: tudo depende dos resultados (a médio e longo prazo) da viagem.

Vejam, por exemplo, como hoje soam infundadas as críticas àquela viagem a Hollywood, tempos atrás. Na época parecia um desperdício de tempo e dinheiro. Mas agora, com tantas produções internacionais usando Santa Catarina como cenário, dando emprego aos catarinenses e brasileiros, aquelas despesas ficaram realmente minúsculas. Portanto, muita calma nesta hora.

OS VIAJANTES
Listagem fornecida pela Secretaria Executiva da Articulação Internacional

Luiz Henrique da Silveira
Governador do Estado de Santa Catarina
Vinícius Lummertz Silva
Secr. Exec. da Articulação Internacional
Derly Massaud de Anunciação
Secr. de Estado da Comunicação
Jean Jackson Kuhlmann
Secr. de Desenv. Regional Sustentável
Gilmar Knaesel
Secr. de Estado da Cult., Tur., Esporte e Lazer
Capitão Renato José de Souza
Ajud. de Ordens do Governador
Jorginho dos Santos Melo
Deputado Estadual
Renato Vianna
Diretor Financeiro do BRDE
Anísio Anatólio Soares
Prefeito de Governador Celso Ramos
Orides Kormann
Prefeito de Guabiruba
Carlos Fernando Priess
Dir. de Ind., Com. e Serv. da Pref. de Itajaí
Nikolas Reis Moraes dos Santos
Vereador em Itajaí
Gerson Luiz Joner da Silveira
Reitor da Unisul
Fabrício Cardoso
Jornal Santa Catarina e RBS
Adriana Baldissarelli
Central de Comunicação
Vânio Bossle
TVBV (Barriga Verde)

Só foi à França:
Francisco Borghoff
Cônsul Honorário da França em Santa Catarina
e Diretor da PEB Planejamento e Comunicação

Só foram à Alemanha:
Ércio Kriek
Prefeito de Pomerode
Pedro David Schmitt
Açopeças – Indústria de Peças de Aço Ltda.

Só irão à Espanha:
Júlio Garcia
Presidente ALESC
José Roberto Martins
Prefeito de Imbituba
Alberto Raposo de Oliveira
Litoral Agência Marítima Ltda.

ABORTO TARDIO

A notícia do crime bárbaro de Araçatuba, onde uma mãe, desesperada com o vício e a irracionalidade do filho, matou-o a facadas, chama a atenção por seus componentes peculiares.

A mãe, que pariu aquela criatura, que colocou no mundo aquele indivíduo, ao vê-lo enlouquecido pela droga, sendo exatamente o contrário do que – imagino – qualquer mãe teria sonhado para o fruto do seu ventre, resolveu tomar uma atitude grave e extremamente insana (mas que não deixa de ter a sua lógica): retirar do mundo aquela experiência que deu errado. Poupar seus contemporâneos da convivência com aquele filho que se desgarrou.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Quarta

[Neste blog, sempre que quiser ampliar uma foto para ler o que está escrito, é só clicar sobre ela]

DE CASACA NOVA
O deputado federal Djalma Bergercolocou um ponto final na longa e chatíssima novela estrelada pela família dele: “Vou ou não vou?” Ele vai , quer dizer, já foi para o PSB. E pretende levar alguns cumpanheiros para engordar o partido em SC. Não falou nada sobre o irmão, porque, ao que tudo indica, esta é uma daquelas novelas com dois finais. Quando a gente pensa que acabou de um jeito, entra um novo personagem e leva o enredo para um novo desfecho.

Já de casaca nova, o neo-lulista Djalma Berger prepara uma grande festa para comemorar mais esta mudança de partido. Ele será um dos 29 deputados federais do PSB no País, que tem também três senadores e os governadores do Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. Todos devidamente abraçadinhos com o governo federal.

“PODER FABULOSO”
O líder do PR na Câmara dos Deputados, Luciano Castro, deu uma entrevista à Folha de S.Paulo onde escancara o mecanismo de poder que atrai deputados para os partidos ainda em formação ou com pouca expressão nos estados:
“O deputado tem o controle político do partido no Estado. Controla o tempo de TV, o Fundo Partidário. Nomeia todas as comissões provisórias municipais, escolhe os candidatos a prefeito, decide as alianças. É um poder político fabuloso.”
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“Estou me sentindo cada vez mais velho.

Quando comecei a freqüentar o Congresso, os políticos pediam segredo aos jornalistas sobre favores e cargos que imaginavam arrancar do governo.

Agora, não. Eles dizem abertamente o que querem e ainda pedem para publicar.


A taxa de sem-vergonhice aumentou muito.”


Jornalista Ricardo Noblat

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O BISPO AVANÇA
Depois de anunciar a compra da rádio e a TV Guaíba, no Rio Grande do Sul, a Igreja Universal do Reino de Deus, do Bispo Macedo, anuncia a compra do Correio do Povo. Um negócio que, segundo comentam nas conversas de botequim, pode envolver algo como R$ 100 milhões.

Nos sites especializados, a notícia do dia ontem foi a compra de fantásticos equipamentos de edição e armazenamento de conteúdo que diretores da Record/Universal fizeram nos Estados Unidos. O motivo das compras é que eles lançarão em breve um canal de notícias para competir com a Globo News.

E também, coincidindo com essa ofensiva, um dos diretores da Universal/Record gabava-se publicamente esta semana, de terem ultrapassado o SBT, como a segunda rede do País, antes do previsto. E já anunciava, animado, que em dois ou três anos a Record/Universal alcançará a Globo. E pretende deixar a todo-poderosa pra trás.

HÉLIO VALORIZADO
O apresentador de programas policiais da Rede SC/SBT, Hélio Costa, que vem ganhando muita audiência na hora do almoço e ameaçando a liderança da RBS no horário, estaria negociando com a Record/Universal de Florianópolis para transferir-se, de malas e bagagens para a emissora do Bispo. Não consegui confirmar a história, que circulava ontem até com informação sobre os valores (altos, para o mercado catarinense) envolvidos.

“E A COMITIVA?”
Pois não é que todo dia tem gente perguntando pela comitiva que acompanhou o governador? Como o palácio administrativo faz boca de siri (o que joga todo mundo na clandestinidade), o jeito é olhar as fotos da viagem e cada dia ir descobrindo uma nova criatura.

Ontem, por exemplo, reconheci o Renato Viana e o diretor de uma das agências de publicidade que atende o governo (PEB), mas que também é cônsul honorário da França em SC. Entre os coleguinhas, vi o Vânio Bossle, da TVBV e a Adriana Baldissarelli, da agência de notícias da associação dos Diários do Interior.

Confesso que não tenho dedicado muito tempo a tão momentoso assunto, mas diante do interesse de tantos, vou ver se consigo alguma coisa mais concreta para a amanhã.

PAULO DUTRA RECLAMA
O veterano fotógrafo Paulo Dutra (na foto ao lado), que durante décadas fotografou, para O Estado, não só os fatos jornalísticos mas, principalmente, mocinhas bonitas de roupa escassa, escreveu-me uma cartinha a respeito daquela história dos PMs tirarem fotos.

Ele está indignado com essa história de qualquer um se achar fotógrafo apenas porque sabe apertar o botão de uma câmera digital automática.

O ESTILO LHS
Pior do que viajar com grande comitiva, é o jeitão do LHS de transformar sondagens e hipóteses, em factóides.E a mania de convidar para vir para Santa Catarina geralmente com ônus para os cofres públicos, tudo o que ele acha bonito ou interessante.

Falta a Sua Excelência um pé no chão: quantas e quantas iniciativas catarinenses estão à míngua ou fenecendo, com enormes dificuldades para serem reconhecidas e estimuladas, enquanto os olhos governamentais deliciam-se com o que é estrangeiro e imaginam que nós todos estamos achando tudo o máximo?


INVESTIMENTO NO FUTURO – As semelhanças do governador Pavan com o ex-governador LHS são crescentes. Até discurso em inauguração de escola, para a clássica platéia de jovens ouvintes compulsórios ele já está fazendo.

terça-feira, 13 de março de 2007

Terça

Florianopolitanices
Umas fotinhas antigas, só pra refrescar a memória de como eram a capital e seus habitantes no início da década de 50.

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OS PRAZOS DO MP
Na coluna do final de semana comentei aqui sobre algumas suspeitas que estavam sendo levantadas a respeito do último concurso para promotores, em Santa Catarina.

O coordenador de Comunicação Social do Ministério Público informa que, de fato, em 20 de fevereiro de 2006, o Conselho Nacional do Ministério Público editou uma resolução regulamentando a contagem dos prazos de prática jurídica dos candidatos.

Só que o edital do concurso é de 24 de junho de 2005. E a resolução de 2006 assegura a manutenção daqueles concursos cujos editais já tivessem sido publicados, o que era o caso do concurso do MP catarinense.

Outro ponto levantado pela turma que tem enviado cartas para os jornais e para o Conselho Nacional, é a demora em dar posse aos procuradores.

O MP, por sua coordenadoria de Comunicação Social, afirma que o adiamento teve uma razão legal: a lei orgânica do MP catarinense prevê que não haverá nomeação “durante os 90 dias anteriores à eleição para o cargo de Procurador-Geral de Justiça”.

Assim, como a eleição do Procurador-Geral será dia 16 de março de 2007, não havia como empossar os novos procuradores antes disso. A posse deles, então, foi marcada para o dia 22 por esse motivo.

A VERVE DO VIEIRÃO
O ex-deputado Antônio Carlos Vieira, o Vieirão (PP), descobriu, durante a última campanha eleitoral, uma nova ferramenta, o blog. Blog é uma corruptela de “web log”, um diário pessoal na internet. E o vieirao.com.br passou a ser, depois que o deputado deixou a tribuna (não se reelegeu), um local onde ele comenta, do ponto de vista de seu partido e seu próprio, a política catarinense. E como blogueiro o deputado tem se saído melhor que a encomenda. Com bom humor e sarcasmo, a crítica ferina e inteligente acaba sendo sempre interessante. E acredito que o leitor nem precise ser apreciador do PP e do seu programa, para achar, em algum dos posts, temas para discussão e reflexão. No mínimo para dar um cacete no próprio Vieirão.

O último “post” (que é como se chama cada uma das notas num blog), fala, mais uma vez, sobre as despesas do governo do estado com propaganda. E usa, para fundamentar a crítica, dados da cartilha “Para onde vai seu dinheiro”, do Tribunal de Contas do Estado. Fonte insuspeita, portanto.

Na cartilha (edição nº 4, relativa às contas de 2005, páginas 20 e 21) está o seguinte número: despesas de R$ 63,5 milhões com propaganda, num ano.

E aí, depois de citar os números, o Vieirão coloca o dedo na ferida:
“A imprensa catarinense tem sua parcela de culpa. Além de levar a grana do contribuinte, jamais abriu a boca para denunciar essa canalhice.

“Com raríssimas exceções, direta ou indiretamente, a mídia como um todo está no passivo financeiro do governo. Sob esse aspecto essa história de imprensa livre e independente [royalties para o Moacir Pereira] é uma deslavada mentira.”
REFORMA ÀS PRESSAS
Quem quiser discutir a reforma Administrativa que o LHS propôs e deixou no forno enquanto passeia pela Europa, precisa correr. Hoje de manhã é a primeira e única audiência pública sobre as reformas, que são muitas e são tantas, mas são chamadas no singular.

As comissões de Constituição e Justiça, Finanças e Tributação e Trabalho, Administração e Serviço Público fizeram uma convocação conjunta, pras 9 da manhã.

Do governo, ao que tudo indica, o único Cristo que vai aparecer é o Ivo Carminatti, que ultimamente tem sido o enviado especial para tudo quanto é missão impossível.

Os sindicatos, que estão porraqui com alguns pontos da reforma, prometem lotar a Assembléia e fazer muito barulho. “Por nada”, dirão os pessimistas.

ENIGMA TURÍSTICO – Se o governador de Santa Catarina é este aí, abrindo a colheita das maçãs fuji, então o que é aquele outro que está negociando convênios na Europa? E se o governador é aquele, este aí é o quê? Não estaria na hora da gente resolver este enigma e parar com essa coisa de ter dois governadores sempre que um sai pra passear?

sábado, 10 de março de 2007

Sábado, domingo e segunda

MAJOR NEWTON:
“Se eu estivesse lá, isso não teria acontecido!”

O comandande do 4º batalhão da PM, que faz o policiamento da capital, major Newton Ramlow, disse ontem que ficou muito chateado com o ocorrido. E vai começar, na semana que vem, um treinamento específico sobre como os policiais devem relacionar-se com a imprensa.

O major se orgulha de ser considerado um “amigo da imprensa”, respeitado e reconhecido pelos jornalistas que cobrem a segurança pública e afirma que, sempre que pode, tenta informar os policiais sobre as atitudes a tomar. Mas ele admite que está faltando um treinamento mais intensivo, que prepare os policiais para relacionarem-se com os jornalistas que estiverem trabalhando.

O major acha que foi apenas coincidência o fato do soldado ter se atritado com fotógrafos de manhã (e ele próprio ter tirado fotos do acidente) e ser o responsável pela apreensão da câmera e prisão de um fotógrafo profissional à tarde. Credita o fato à pouca experiência do PM, que está na ativa há cerca de três anos. “Infelizmente não posso estar em todos os lugares, mas te garanto que se eu estivesse lá, isso não teria acontecido”, disse o major.

FORA BUSH?
Não entendi direito por que gritar “fora Bush”. Fora de onde? do Brasil? ele já saiu, era uma visitinha com data marcada para ir embora. Fora dos isteites? Isto é problema dos eleitores de lá, que o reelegeram. E se a grita é contra o capitalismo e o que o Bush representa, então não será gritando “fora Bush” que iremos a algum lugar.

Agora, cá entre nós, que paizinho furreca este em que estamos nos transformando. A melhor definição foi dada por uma anônima paulistana: “credo, parece que fomos invadidos pelos americanos”. De fato, sentimos todo o peso da preconceituosa arrogância imperial.

CAGÕES
As colunas de política nacional mostraram a relação dos 59 deputados que tinham assinado o pedido de criação da cpi do apagão aéreo e depois, no plenário, se acagaçaram, digo, cederam às pressões do Planalto e votaram contra a CPI.

Um catarinense aparece na lista dos que “mudaram de idéia”: Valdir Colatto, do PMDB.

PRIVILÉGIO SÓ AQUI
Os procuradores que estão há anos tentando pegar os Maluf e sempre esbarram em algum problema como o foro privilegiado que protege deputados e outras autoridades, estão comemorando festivamente o indiciamento da família Maluf pela Justiça norte-americana.

Não que vá acontecer alguma coisa, afinal, eles só serão presos se derem a bobeira de ir lá. Mas pelo menos serve de consolo ver que, em alguns lugares, se o sujeito roubou, tem que pagar.

A LETRA MORTA DA LEI
Está sendo levantada uma questão, relativa ao último concurso para procurador substituto do Ministério Público de Santa Catarina: dos 20 aprovados, quase a metade não teria os três anos de atividade jurídica que os requisitos para inscrição previam para que os candidatos pudessem participar.

Aqueles que enxergam traços de irregularidade no procedimento do MPSC, acreditam que a data da posse tem sido adiada (o concurso terminou há mais de três meses) para permitir que os candidatos aprovados alcancem o tempo de exercício profissional que, segundo interpretam os acusadores, deveriam ter antes do concurso e não na data da posse.

Citam uma decisão recente do STF onde fica claro que os três anos devem ser comprovados no momento da inscrição no concurso. Temem que os jovens bacharéis sejam empossados como promotores substitutos mesmo sem terem cumprido um dos requisitos básicos, o tempo de exercício jurídico.

Houve tempo em que, ao ouvir ou ler suspeitas deste tipo, diria sem muita hesitação que o Ministério Público não se prestaria a um papel desses. Agora, depois de ver tantas demonstrações de que o sol nasce para todos, e a sombra para os melhor apadrinhados, prefiro esperar para ver.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Sexta

“FOI O FOTÓGRAFO!”
Para mostrar que sabe mesmo lidar com a liberdade de imprensa e respeita o trabalho dos jornalistas, a PM grampeou outro fotógrafo que estava... fotografando. A vítima de ontem foi o Marco Cruz, do jornal Notícias do Dia, de Florianópolis. Foi algemado e conduzido à delegacia, como se criminoso fosse.

Um síndico alterado e policiais mal orientados foram a causa da prisão: o fotógrafo pretendia registrar um corpo estendido no chão, de uma mulher que se jogou ou foi jogada de um prédio, no Dia da Mulher. Informar é mesmo coisa muito perigosa. Ainda bem que a PM, pra isso, tem gasolina e tempo.

IVO VIU AS MULHERES
O governo do estado, sabe-se lá por que, designou o secretário Ivo Carminatti para atender a comitiva de mulheres camponesas que foi ao palácio administrativo entregar uma pauta simbólica de reivindicações no Dia Internacional da Mulher (foto acima). A senadora Ideli Salvatti e a ex-deputada Luci Choinacki participaram da comitiva. E, pelo que se viu nas fotos, divertiram-se bastante.

[Vocês já sabem, mas não custa lembrar: neste blog, quando a gente clica sobre as fotos, abre-se uma ampliação]

Ao mandar o Ivo atender as mulheres, LHS parece querer demonstrar que ele topa ficar de conversinhas com o Lula, mas quer distância da líder do governo no Senado. Coisas da política.

“TAVA TUDO CERTINHO”
O Jorge Welter, que era secretário da regional de São Miguel do Oeste à época dos fatos comentados ontem aqui na coluna, ligou para esclarecer a história.

Segundo o Jorge, durante o tempo em que ele foi secretário, tomou o máximo cuidado para que as coisas corressem dentro da lei. “Todas as seis ou sete empresas que participaram da carta-convite tiveram, antes, seus cadastros aprovados pela Diretoria da Secretaria da Administração que cuida disso”.

E a Empresa de Transportes Alain não faz só o que o nome diz. No seu contrato social está dito que também faz roçado, limpeza de bueiro e as outras coisas que a tornam perfeitamente capaz de assumir este tipo de manutenção nas laterais das estradas pavimentadas: cortar o mato, arrumar as placas, etc.

E o principal: era um serviço que estava orçado em R$ 90 mil e que a SDR conseguiu contratar por R$ 74 mil. Garante o Jorge (que agora é o chefe de gabinete do Eduardo Moreira na Celesc) que foi tudo feito nos conformes e procurando economizar o dinheiro do contribuinte.

A GRANDE VIAGEM
A coisa que os leitores mais perguntam, quando se aproxima uma viagem do governador, é quem está na comitiva. Quando eu não informo, alguns até me xingam, como se fosse fácil arrancar, deste governo que prende fotógrafos, informações que eles imaginam que poderão prejudicá-los de alguma forma.

A única lista divulgada é a que mostra aqueles agentes públicos e servidores cujas passagens e diárias são pagas diretamente pelo governo. Aí, por exemplo, não aparece a D. Ivete, os jornalistas, os deputados e outros convidados.

A listinha oficial: LHS, Vinícius Lummertz (articulação internacional), Derly (comunicação), Jean Kuhlmann (desenvolvimento sustentável), Gilmar Knaesel (turismo) e o Capitão Renato, ajudante de ordens. Mas a gente sabe que, entre outros, os deputados Júlio Garcia e Jorginho Mello também vão. Só que, aparentemente, como clandestinos.

ISOLAMENTO
O gesto do LHS, de ir ao exterior, parece significar que existe uma disposição de abrir Santa Catarina ao mundo. Mas enquanto Sua Excelência passeia e faz contatos, atraindo investimentos e oferecendo o mercado catarinense, sua Secretaria da Fazenda trata de dificultar a vida daqueles que acreditavam que viviam num mundo globalizado e que a época da reserva de mercado tinha passado.

Os diligentes fiscais da fazenda estadual estão passando um pente fino em todas as compras que os catarinenses fazem no exterior e que chegam pelo correio. Um deles chegou a dizer, em público, que “esta ação da Fazenda estimula a compra no mercado interno”. Os impostos dobram o preço de qualquer produto estrangeiro e isto, na visão tacanha de quem engendrou essa “política”, é bom para o “mercado interno”.

Impedido de comprar legalmente alguma coisa que não tem aqui (alguns cds jamais serão lançados pelas gravadoras trogloditas que moldam o “mercado interno”), o cidadão talvez comece a tomar consciência da falta de sentido que é pagar o que pagamos de impostos, para ter, como retorno, em vez de serviços eficientes, apenas mais arrocho e maiores dificuldades.

Não sonego impostos, não recomendo a sonegação e acho que fora do respeito à lei não há saída. Mas não dá para conviver com a falta de visão dessa gente que espera solucionar as dificuldades financeiras do governo taxando as pequenas alegrias que alguns de nós (que se imaginam cidadãos do mundo) importam. Santa Catarina, que depende tanto dos mercados externos, não deveria advogar o isolamento econômico.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Quinta

ESSAS MULHERES...
Hoje é Dia Internacional da Mulher e naturalmente é preciso fazer alguma referência a isto e ao papel que as mulheres têm, tiveram, terão e precisam ter no mundo. Nossa sociedade ainda é machista. Muitas mulheres são machistas. Educam seus filhos homens de forma diferente. Chegam a ofender, sem querer, suas filhas, ao dar-lhes desde cedo a clara impressão que elas são destinadas a uma vida menos divertida e mais trabalhosa que a nossa.

Mas as próprias mulheres estão mudando isso. Fazendo-nos conhecer o nosso lugar e ajudando suas irmãs a entender que não podem reproduzir, ingenuamente, um modelo de opressão que tem prejudicado a todos.

Gosto muito das mulheres. Acho-as muitíssimo mais interessantes que os homens. São lutadoras, complexas, cheias de nuances, ricas em estados de espírito e, quase sempre, mais inteligentes que os homens. Espero que vocês aproveitem bem o dia, que sejam mimadas, beijadas, abraçadas e presenteadas. Vocês merecem. Parabéns.

PÉROLAS REGIONAIS
Pois não é que de vez em quando chega mesmo alguma historinha das secretarias regionais? Parece que o pessoal quer transformar as “Pérolas” numa espécie de sub-coluna diária.

Pois então, no Extrato de Contrato nº 61 da SDR de São Miguel do Oeste, está dito que em setembro do ano passado a secretaria contratou a Empresa de Transportes Alain para... “execução de conservação em rodovias estaduais”.

Não sejam maldosos, uma empresa de transportes pode perfeitamente fazer a conservação de rodovias estaduais: é só transportar cargas e pessoas por rodovias municipais e federais, poupando as estaduais do trânsito, por exemplo.

Sem licitação, o contrato prevê, entre outros trechos, a conservação de 31,3 km da SC 386, pelo valor de R$ 74.312,00. Bom, se for um trabalho de conservação de rodovia pavimentada, pra valer, parece um custo excessivamente baixo. Se for para outras coisas englobadas sob o nome fantasia de “conservação de rodovias”, parece excessivamente alto.

Contei esta história só pra poder levantar uma questão: um dos pilares da descentralização é a idéia que, nos municípios, nas regiões, a fiscalização é maior, a população fica mais em cima e o governo acaba gastando menos.

Será? Será mesmo que o contribuinte dos municípios menores, das regiões afastadas, inexperientes com as malandragens de contratos e distratos, poderão exercer uma fiscalização eficaz sobre os poderosos locais? Ou a coisa fica ainda mais solta?

MARINAS E PIERS
O governo do estado fez ontem uma reunião de emergência “por orientação do governador LHS” para discutir o embargo, determinado pela Justiça, de marinas e ancoradouros irregulares na Ilha de Santa Catarina.

Caso o LHS ainda me leia (às vezes ele fica de mal, achando que eu sou contra ele e para de ler a coluna), gostaria de dizer apenas uma coisa que é curtinha, mas é bem certa: não adianta nada dizer no rádio e na TV que está do lado dos empreendedores náuticos, que ama Florianópolis, que vai dar um jeito nisso, se mantiver, na secretaria do desenvolvimento sustentável, um funcionário (tem épocas que é apenas meio funcionário), sem estrutura e sem condições, para tratar do zoneamento costeiro. Providências que dependiam do governo estadual se arrastaram feito cágado manco durante todo o primeiro reinado.

A melhor coisa, agora, é olhar pro teu rabo, macaco. Quando a tua turma tiver feito o dever de casa e União, estado e municípios tiverem um ordenamento legal em cima do qual for possível determinar como se deve usar o litoral, podes subir na mesa e falar à vontade. Sobre coisas concretas, providências feitas e requisitos cumpridos e não fazer discursos no futuro imperfeito e incerto.

A atitude do governo do estado, por falar nisso, passa uma mensagem muito perigosa e nem sempre verdadeira: dá a entender que a Justiça não embargou a obra porque ela descumpriu a lei e sim porque procuradores e juízes estão a serviços de outros interesses.


LULOPÉDIO FOLGAZÃO
Vocês têm todo o direito de achar que estou mentindo apenas para fazer graça com o Lula, mas no site da Presidência da República, junto a esta foto mimosa, acima, onde mais uma vez o Serginho adula Lula e Lula se deixa adular, estava escrito, sem tirar nem por:
“Presidente Lula e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, durante comemoração do Dia Internacional da Mulher e lançamento de medidas para o combate à Aids (Rio de Janeiro, RJ, 07/03/2007) Foto: Ricardo Stuckert/PR”.
Então comemoração do Dia Internacional da Mulher é isso? Tirar novas fotos rindo às bandeiras despregadas com o seu parceiro preferido?

Aí, depois, foram ao Maracanã, para liberar mais graninha para os Jogos Pan-pan-pan. Lula não resistiu e colocou o seu amigo Serginho Cabral no gol para defender um pênalti. O governador quase se rasgou, mas a bola foi pra fora. Diante das evidências, Lula não teve outro remédio senão voltar pra Brasília e botar o pé na forma.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Quarta

O AMOR RENASCEU
Ontem foi um dia lindo para o LHS e para o Lula. Estremecidos por rusgas de amor, mantiveram-se distantes, sofrendo em silêncio por muitos meses e ontem, finalmente, se reaproximaram, trocaram palavras, olhares e até algumas lágrimas furtivas.

LHS disse que estava satisfeito, que era o primeiro passo de uma longa caminhada e até ousou um pouco, acrescentando uma informação mais picante, um detalhe da intimidade do casal que demonstra que as coisas estão melhorando: “houve pela primeira vez um esboço de reforma tributária”, disse LHS, sem conseguir ocultar um sorriso maroto.

E daí, já de mãos dadas, conversaram sobre precatórios, isenção de PIS/Cofins para a Casan e até, quem diria, os recursos do Fundeb.

AO PÉ DO OUVIDO
O grande momento da reunião foi quando, ao posar para a foto oficial (acima), que consagraria o triunfo de Lula, o grande, sobre o exército brancaleone de governadores, o irmão do Adelmo ficou ao lado do LHS. Como se pode ver no detalhe, o ministro e genro, tal e qual boa alcoviteira, “fez a cabeça” do governador, na certa relatando como o afastamento dele estava fazendo mal para o ânimo do Lula.

Parece que a coisa funcionou, porque depois da reunião o LHS era outra pessoa e o Lula, então, era só alegria. Ainda bem que se entenderam, né?

VEREADORES
Pois foi só comentar ontem, aqui, sobre a fanfarronice de um empresário, que dizia que tinha vereadores na manga (no bolso) e minha caixa postal ficou cheia de mensagens. Alguns tinham outras histórias, outros queriam só dar força para que se continuasse a falar no assunto e teve até coisas bem interessantes que vão merecer um exame mais detalhado, com calma.

Uma das mensagens mais legais foi do Alfred Biermann, conhecido e respeitado arquiteto que vive em Florianópolis. Ele escreveu para lembrar que em 2002 tinha publicado um livro falando dessas e de outras bandalheiras.

O livro, cujo título é “Pêssego Gay/ Architectusaurus Erectus” está disponível para “download” (em pdf) no site www.biermann.com.br e foi escrito por ele e pelo Nestor Pinto Madeira (Obs: o site funciona melhor com o MS Explorer, com o Firefox ele reina um pouco).

Já ouvi falar do livro, mas nunca tinha tido a oportunidade de “folheá-lo” e ontem deliciei-me devorando-o. É escrito como se fosse uma troca de e-mails entre os dois autores (vai ver que até foi ou começou assim).

Biermann nasceu na Alemanha, formou-se em arquitetura em Porto Alegre e está em Florianópolis há algumas décadas. Nestor nasceu no Rio Grande do Sul e é sócio de um centro de terapias ocupacionais em Sydney, Austrália. E falam sobre uma grande variedade de assuntos, naturalmente tendo como centro o exercício da arquitetura e a vida nas cidades. Um outro livro, no mesmo estilo, tem como título “A Indústria da Corrupção Civil”. Os dois podem ser baixados e lidos naquele endereço.

ZONA
Biermann explica que a “mudança pontual de zoneamento”, que é o nom oficial da bandalheira, “é praticada rotineiramente nas Câmaras de Vereadores das grandes e médias cidades brasileiras, Florianópolis não foge à regra”.

Diz ele que, em termos de lucro, nada se compara aos resultados de uma mudança de zoneamento. Um terreno comprado em área com um índice de aproveitamento 1, por exemplo, a R$ 300,00 o metro quadrado, muda de valor quando a Câmara decide que naquela zona o índice de aproveitamento passa a ser 1,3 com gabarito de quatro pavimentos: valoriza 30%, passa a valer R$ 450,00 o metro quadrado.

E assim por diante, gerando ataques incontidos de generosidade nos empresários, que saem dando presentes, beijos e abraços para os ínclitos edis.

terça-feira, 6 de março de 2007

Terça


PROFESSOR UNGARETTI
Amanhã será lançado, em Florianópolis, o livro “Direito e Processo: estudos em homenagem ao Desembargador Norberto Ungaretti”. Como o próprio título já informa, é um tributo ao jurista e professor, que em 40 anos de Universidade Federal de Santa Catarina teve, como alunos, nada menos que 20 dos 40 atuais desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

A homenagem é promovida pelo TJ, Centro de Estudos Jurídicos e Fundação Boiteux. Será nesta quarta, às 19:30h, no auditório do anexo do Tribunal, sala de sessões do Tribunal Pleno.

REMOÇÕES
A prefeitura de Florianópolis vai gastar uma grana para construir casas para as famílias que ocuparam irregularmente a Ponta do Leal, no Estreito. Construíram palafitas sobre as pedras, a areia e o mar e agora serão removidos para um conjunto habitacional.

Jamais entenderei por que as prefeituras deixam formarem-se as favelas em áreas centrais e irregulares. Em geral a coisa demora um certo tempo. Um faz um barraco, dali a algum tempo outro e assim, em um ano ou mais, forma-se uma comunidade sob as vistas de todos, menos de quem deveria zelar para que a cidade não se transforme numa terra de ninguém.

Tivesse eu algum poder e trataria de cobrar, de todos os prefeitos, secretários e fiscais de todos os anos em que a palafita se formou e se manteve, as despesas de construção de moradia para aquele pessoal.

Se em determinada área não se pode construir, então não se pode construir. Mas parece que a jogada é deixar os pobres-coitados ocuparem, para que o preço dos terrenos baixem e aí, depois que os empresários espertalhões fizeram seus bons negócios, a prefeitura arca com o prejuízo e “limpa a área”.

VEREADORES VENAIS
Esta história ouvi numa mesa de restaurante, de um empresário de hotelaria que estava em outra mesa. Fanfarrão, falava tão alto, tão dono do mundo, que eu e mais uns tantos que estávamos ao redor ouvíamos perfeitamente.

Em resumo é o seguinte: ele compra, baratinho, um terreno numa área residencial. Como não se pode construir edifícios, o valor é baixo.

Aí, “conversa” com um ou mais vereadores, escorrega para os bolsos deles alguns milhares de reais (ou um carro de luxo, ou uma viagem ou algum outro mimo) e milagrosamente aparece uma proposta modificando o Plano Diretor e autorizando, por enorme coincidência, a construção de prédios naquela zona. Justamente onde o nosso gabola tem um terreninho.

Liberada a ocupação, ele vende o terreno e tem um lucro absurdo, que compensa fartamente os gastos que teve com seus amigos vereadores. É coisa de comprar o terreno por R$ 80 mil, dar R$ 50 mil para “abrir caminhos” e vender por mais de um milhão. Mina de ouro. E ele ria, como se tudo fosse absolutamente legal, normal e comum.

O pior é que, da forma como as coisas andam em muitas câmaras de vereadores, essas negociatas estão se transformando mesmo em coisas corriqueiras, banais e completamente integradas à paisagem.

CORAÇÃO DE JESUS
Florianópolis é uma cidade que se apega a umas coisas muito estranhas. Agora tem uma porção de gente achando ruim que o tradicional Colégio Coração de Jesus, que era das irmãs da Divina Providência, tenha sido vendido e mude de nome.

No século passado, os meninos riquinhos da cidade estudavam no Colégio Catarinense, dos Jesuítas e as meninas no Coração de Jesus.

O tempo passou, as coisas mudaram, o ensino nos colégios particulares perdeu qualidade e não faz mais sentido achar que mudar o nome ou fechar um colégio particular seja coisa muito grave. Grave foi o que fizeram com a educação como um todo (ou o que não fizeram, melhor dizendo).

Grave é a falta de escolas públicas de qualidade. Grave é a desastrosa falta de preparo da maioria dos professores e das professoras, analfabetos pedagógicos, sem didática, sem conteúdo e sem vontade de ensinar. O resto é perfumaria ou assunto para conversar nas esquinas e nos bares.

Muito mais interessante que a mudança de nome (virou Bom Jesus) é toda a história anterior do Colégio, que nas últimas décadas de seu século de existência, abrigou escândalos que mereceriam um livro picaresco.

Ou vocês já esqueceram da diretora, irmã da Divina Providência, que teve que sair na moita, para não causar escândalo. Teria dado um desfalque na tesouraria do Colégio. E ainda mantinha um romance tórrido com alguém Seria uma funcionária do departamento financeiro, ou um maestro, dependendo de quem conta a história.

Portanto, afligir-se porque uma referência histórica centenária como o Colégio Coração de Jesus vai mudar de nome ou de dono seria grave se esta fosse uma capital realmente preocupada com a sua cultura e seus monumentos. Nessa Florianópolis que está aí não faz sentido perder tempo com isso.

ISTO ERA
O “trouble-maker” e banqueiro Daniel Dantas (banco Opportunity) que iria comprar 51% das ações da Editora Três, que edita a IstoÉ e outros títulos, deu a ré e não assinou o compromisso.
De qualquer forma, Dantas já era praticamente um sócio da Editora Três, de tantas contribuições e negócios comuns. Comprar ou não comprar, a rigor, não mudaria muita coisa. Assim como dizer que não comprou não altera grande coisa. Tanto Alzugaray, o atual dono, como Dantas, são homens de negócio e saberão... negociar.

GOVERNO INCULTO
O ex-reitor da UFSC, ex-secretário da Educação e presidente virtual da Fapesc, Diomário Queiroz, anda desanimado com o futuro. A Fundação que ele dirige sem ter ainda sido nomeado, tem um passivo tão grande e as fontes de recursos para pesquisas e inovação andam tão escassas, que ele já fala em abandonar o barco.

Se alguém se desse ao trabalho de coletar todas as pérolas ditas por LHS sobre cultura, sobre apoio à inovação, sobre valorização da educação, da pesquisa e fizesse um comparativo com a prática, com o dia-a-dia dessas áreas, veria que tudo não passa de palavras ao vento.

Biblioteca estadual com problemas? Doe para o município. Universidade estadual com problemas? Crie novos campi, interiorize. Educação em crise? Construa galpões baratos para servirem de quadras cobertas. Modernização e governo eletrônico emperrados pelo sucateamento dos equipamentos e a fuga de cérebros? Vamos falar mais sobre isso, porque a cada discurso a plebe imagina que as coisas estejam acontecendo da forma como são ditas e descritas e não como de fato são.

Ah, e se começarem a reclamar muito que o principal teatro da capital está sem recursos, sem papel higiênico, jogados às traças, vamos construir um outro maior, mais bonito. Porque se não havia grana para manter um, certamente não haverá para manter dois, mas os idiotas acharão que o velho teatro só está decadente porque outro melhor está sendo construído.

E assim vai.

VAMOS PARA A EUROPA?
E aí, você minha amiga, você, meu amigo, já receberam convite para participar da alegre comitiva governamental que vai passear na Europa? Ontem o presidente da Comissão de Finanças da Alesc, deputado Jorginho Mello, que não é bobo nem nada, disse que também vai.

No período (de 9 a 23 de março) tem a tramitação da reforma administrativa do governo na Assembléia Legislativa, com audiências públicas e tudo mais. Mas o que é isso perto da enorme importância da presença do deputado Jorginho na comitiva? Como o governador poderá participar de almoços, jantares, reuniões e visitas, sem que o deputado esteja lá? Ele e mais uns quantos.

Por falar nisso, nunca convidaram o DIARINHO para esses passeios. Deve ser porque sabem que é capaz da gente ir e depois só contar os detalhes sórdidos e as ridicularias.

sábado, 3 de março de 2007

Sábado, domingo e segunda

ESCURO? CLARO!
Aquele calorão insuportável dos últimos dias, o ar parado e abafado, não podia dar em outra coisa. Um temporal daqueles de céu cinza-chumbo, raios, trovões e ventania. Como as câmeras digitais permitem que qualquer um (inclusive eu) ache que é fotógrafo, tomo a liberdade de publicar, acima, fotinha que fiz no final da tarde de ontem, do céu que cobria Itajaí, ali na altura do bairro Fazenda.

(E vocês já sabem, mas não custa lembrar: para ampliar a foto é só clicar sobre ela)

Embora tenha começado a trabalhar em jornal quando todas as fotos eram preto e brancas, tenha feito curso de fotografia na época do filme preto e branco, nos últimos anos ando meio mal-acostumado com a cor. Porque obter um bom efeito numa foto pxb, impressa num jornal, é muito difícil. A impressora é uma rotativa, que privilegia a rapidez da impressão e não a qualidade, o papel é áspero e o resultado, nas fotos, nem sempre é satisfatório.

Vou ficar aqui torcendo que a foto do início do temporal em Itajaí esteja hoje, no papel do jornal, parecida como estava ontem, na tela do meu computador: assustadora. Mas, se tudo correu bem, depois da tempestade veio a bonança e deve ter amanhecido um dia bonito, ensolarado e... quente pra chuchu!

O GRANDE EMPRESÁRIO
Já disse várias vezes que sou um sujeito muito tolo. Às vezes me sinto um bocó. E, como disse Sócrates (foi ele mesmo? a estas alturas nem sei direito), quanto mais sei, mais sei que nada sei.

Por exemplo: eu achava que se algum empreendedor resolvesse instalar uma empresa num determinado lugar, iria até lá, procuraria terrenos pra comprar, construiria o que fosse necessário, depois compraria máquinas, contrataria pessoal e começaria suas atividades.

Mas acompanhando as idas e vindas do empresário Nelson Piquet, que está à procura de um local para iniciar, com seus sócios, um estaleiro no litoral catarinense, começo a achar que não sei nada sobre a atividade empresarial.

Piquet está sempre visitando o governador e o governador e seus assessores sempre falam muito bem dos planos do Piquet. Ele almoçou com LHS e aí ficamos sabendo que o estaleiro seria em Tijucas. Daí, algum tempo depois, parece que descobriu que ali não era o local ideal e, naturalmente, voltou a almoçar com LHS. E aí ficamos sabendo que a procurar continua. Parece que o governador está atuando como consultor empresarial do tricampeão, que não toma decisões sem falar com o amigo. Ou será que é sócio?

OLHA O MÁRIO AÍ!
Os leitores do DIARINHO terão, a partir de hoje, na página 18, as opiniões do Mário Medaglia. Na época da foto ao lado, ele era um jovem editor de esportes de O Estado, nos idos de 1988. E eu era o editor-chefe daquele jornal. Naquele tempo, O Estado era o principal jornal catarinense, com circulação estadual e milhares de leitores.

E o Medaglia, além de ser um jornalista de primeira, sempre foi sinônimo de independência na área esportiva. Por isso, fiquei muito contente quando a diretora de redação do DIARINHO resolveu chamá-lo para participar da equipe de colunistas do jornal.

Espero que os milhares de leitores deste bravo e destemido jornal gostem do estilo Medaglia de escrever. Porque os cartolas, que preferem que as sujeiras sejam varridas pra debaixo dos tapetões, não vão gostar muito não.

ISTO ERA
A revista IstoÉ, de saudosa memória, atravessa mais uma crise. Desta vez os jornalistas de Istoé, Istoé Dinheiro, Dinheiro Rural, Istoé Gente, Planeta, Motor Show e Menu, com salários atrasados e outros problemas, resolveram entrar em greve. Ao mesmo tempo, para tentar resolver o aperto, a revista foi vendida.

O banqueiro Daniel Dantas (banco Opportunity) comprou 51% das ações da Editora Três, que edita as revistas. Como diz o Josias de Souza, da Folha,
“Daniel Dantas é sinônimo de encrenca. Nos últimos anos, foram poucos, pouquíssimos os escândalos que não trouxeram, de permeio, uma ou outra menção ao Opportunity, o banco dele”.
Que tipo de jornalismo fará IstoÉ a partir de agora, só o tempo dirá.

ATÉ TU, SERRA?
Ontem o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) foi recebido pelo presidente Lula numa audiência em Palácio. Gesto de deferência, porque o encontro acontece uma semana antes da reunião que Lula terá com todos os governadores. E o ministro da Fazenda esteve presente em parte da conversa.

Praticamente todos os governadores já foram beijar a mão de Lula. Uns porque são aliados, outros porque são oportunistas e outros porque entendem que, num regime presidencialista como o nosso, o governador não pode manter-se distante de Brasília por muito tempo. LHS, contudo, continua de mal, fazendo doce.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Sexta

A TOSQUIA
A coisa tá preta mesmo. Durante anos (séculos?) os governos exerceram, com a generosidade própria de quem gerencia o dinheiro dos outros, a dadivosa prática de oferecer “benefícios fiscais” a este ou aquele setor, a esta ou aquela empresa.

Oprimidos por uma das mais pesadas cargas de impostos, taxas e outras ziquiziras, os brasileiros comuns não têm muito o que fazer. É paga e não bufa. Mas aqueles que têm amigos bem situados, que ajudaram a eleger deputados, senadores e governadores, sempre conseguiam, aqui e ali, um “benefício fiscal”.

Pois agora o governo LHS diz que vai revisar todos esses favores. Criou uma comissão para analisar os tais “benefícios” um a um. Há quem duvide que a coisa seja pra valer (“quando querem mesmo fazer alguma coisa, não nomeiam uma comissão”). Mas não deixa de ser interessante.

O secretário da Fazenda usou imagens muito criativas para explicar o que estavam pretendendo fazer. Ele falou em “enxugar a gordura”. E também em tosquiar a lã das ovelhas. Lá do seu canto, o secretário da Agricultura ficou inquieto (“o que será que esse sujeito está querendo dizer com tosquiar e enxugar gordura? isso é atribuição da minha pasta!”).

Em todo caso, o secretário pretende enxugar R$ 150 milhões de gorduras por ano. Claro, porque a lã cresceu demais e aí, com esse calorão, não dá pra engordar o rebanho. Nem o caixa do governo.

Pensando bem, taí um excelente tema para um samba enredo.

PÉROLAS REGIONAIS
Enquanto aqui na capital a turma estava quase acreditando naquela história de que não se nomeia para cargos comissionados até resolver o imbroglio da reforma administrativa, nas regionais parece que a coisa é diferente. É bem como costuma dizer a secretária Dalva Dias: “comigo a conversa do governador é outra”.

Lembram daquele diário oficial do dia 9 de janeiro que eu citei ontem aqui? Pois então. Fui dar uma olhada com calma e achei, lá pela página 5, alguns atos da Secretaria Regional de Xanxerê que demonstram que a história de suspender nomeações é só para a parte florianopolitana do governo.

O Secretário Júlio Cesar Bodanese nomeou, no comecinho do ano (tá lá no DOE de 9/1), um Colato (é parente do deputado?) para a gerência de educação, uma Gaike para a gerência de administração, uma Chaves para a gerência de saúde e uma Vogel para assumir um programa de alimentação alternativa.

E aí, para surpresa dos meus olhos cansados e suarentos na tarde modorrenta e abafada, leio que o secretário nomeou Salete Salini Pelegrini para o “Gabinete de Estado da Secretaria Regional de Xanxerê”. Ué? Será que o Bodanese nomeou sua própria substituta? Não, vai ver que é problema de redação, deve ser a chefe de gabinete...

De qualquer forma, até 2006, nomear comissionados e secretários de estado era competência privativa do governador. Vai ver que, ao assumir o novo governo, essas coisas mudaram e a gente nem ficou sabendo...

Mais uma obra da descentralização: a coisa funciona de um jeito na capital e de outro no interior.

ATÉ NO PARAGUAI
Essa história de aparecerem uniformes escolares de SC (esses que o LHS desenhou) em lojas de Porto Alegre e até do Paraguai, seria muito engraçada se não fosse trágica. Os fabricantes dizem que são as sobras, que foram colocadas à venda por quem deveria transformá-los em estopa, o governo garante que não houve irregularidade e a gente, aqui, com a nossa habitual cara de palhaço, fica sem entender direito.

Afinal, que sobra enorme foi essa, suficiente para abastecer lojas fora do estado? Essa sobra, ou rejeito, estava calculada no preço? E, a mais importante de todas as perguntas: para onde foi o bom gosto e o capricho das pessoas? Tudo bem, nossos filhos são obrigados a usar, porque é de graça e a diretora exige. Mas o que levaria um pai ou uma mãe a pagar para vestir seus filhos com aquela coisa? Não seria o caso de acionar o estatuto de defesa da infância e da adolescência?

LHS agora vai passar 12 dias viajando e fica a dúvida: será que ele está pretendendo levar os uniformes para a União Européia? Seria a consagração dele como estilista tricolor...

O QUE VOCÊ TEM A VER COM A CORRUPÇÃO?
As imagens acima foram retiradas do filmete da campanha da Associação Catarinense do Ministério Público, que visa envolver os jovens na discussão sobre a corrupção. Usando como mote “a sociedade muda quando os indivíduos que vivem nela mudam”, o filme mostra que a corrupção começa nos pequenos gestos desonestos em casa e na escola. Uma mentirinha aqui, uma puxada de tapete inocente ali e vai se formando o grande corrupto. Para mais informações é só clicar aqui.

O AMOR DE LULA E SERGINHO CABRAL
Não me canso de registrar aqui as manifestações públicas de afeto irrestrito deste casal 20 da política nacional. O governador do Rio, sempre que pode, e o presidente da República, sempre que deixam, abraçam-se sorridentes e felizes, a comemorar o simples fato de estarem próximos e de se gostarem tanto. É até bonito de se ver...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quinta

Molecagem sobre fotos do Ricardo Stuckert/PR (Lula) e
do Fábio Pozzebon/ABr (governadores)


GOVERNO GASTADOR
O governo do estado tem dito, repetido, escrito e falado que precisa economizar, que vai cortar na carne, que vai reduzir gastos, que, enfim, enxugará o possível e o impossível para garantir que sobre alguma graninha para investimento e para pagar os servidores.

Pois qual não foi minha surpresa quando alguém colocou na minha porta um exemplar do Diário Oficial do Estado do dia 9 de janeiro (nº 18.039) com algumas coisas assinaladas.

1. Locação de veículos: estava lá publicado que a Secretaria de Articulação (antiga Casa Civil) pagaria a bagatela de R$ 1,5 milhão, durante 2007, para alugar veículos. Façam as contas vocês, porque eu sou péssimo com a matemática e sempre erro números: qual o tamanho da frota que será montada com esse dinheiro?

2. Combustível: claro, se alugou tanto carro, precisa também de muita gasolina pra abastecer. Na mesma página está o valor que a mesma secretaria gastará com isso: R$ 775 mil. Novamente, façam as contas vocês: quantos reais de gasolina a secretaria gastará por dia em 2007? Não será R$ 2 mil, né?. Minha conta deve estar errada.

Ou então, quantos quilômetros dá pra percorrer com essa gasolina toda? 8.000 km por dia? Não pode ser.

3. Helicóptero alugado: ainda no mesmo Diário Oficial, a mesma secretaria informa que pagará à Helisul a ninharia de R$ 1,76 milhão pelo fretamento de uma aeronave.

4. Gasolina de avião: e, como complemento, o governo vai pagar R$ 1 milhão para adquirir o combustível para a aeronave alugada. Como não sei quanto custa o litro e qual o consumo do helicóptero (ou do avião), nem me meto a fazer contas. Mas me parece bastante dinheiro, em todo caso.

E DAÍ?
Bom, parece natural que o governo tenha que pagar pelos carros que utiliza (em alguns casos é mais barato usar carros alugados que manter frota própria) e que os abasteça. O que surpreende é o descompasso entre a autorização dessas despesas, que parecem excessivas à primeira vista, e o discurso da austeridade e da economia. Ou eu entendi tudo errado?

TERCEIRIZADOS NA RUA
E por falar em economia, ontem e anteontem os funcionários terceirizados (Ondrepsb, Casvig, etc), que atuavam no Centro Administrativo, foram dispensados sem alarde. A maioria são profissionais que não têm padrinhos políticos e naturalmente as empresas agora darão aviso prévio a todos eles. Na campanha, tiveram que ir pra rua segurar bandeiras eleitorais, e agora terão que ir para o olho da rua.

O salário líquido da maioria não passava de R$ 400,00 mensais (claro, as empresas levavam a parte do leão). A situação social desse pessoal, em todo caso, não sensibiliza o governo, que acha que, com isso, demonstrará sua vontade política de economizar.

BENEDET VAI PASSEAR
Finalmente o Benedet, da Segurança (foto à esquerda), mostrou o guarda-roupa e acessórios que levará no passeio que ele e mais dois farão à Colômbia. Usar boné com terno, de fato, é coisa para rivalizar com o figurino do Dunga. Sem falar nos óculos escuros de grife. Os colombianos ficarão surpresos com a moda fashion do secretário. Ah, o patrocínio do boné é da rede Accor de hotéis.

Ontem a Secretaria informou que escolheram ir à Colômbia por causa de uma matéria que saiu na revista Época. Não é o máximo? As ações da Segurança de Santa Catarina serem pensadas e planejadas a partir do que sai nas revistas? Ó gente, tem uma reportagem ótima na Playboy deste mês.

Molecagem sobre fotos do Marcello Casal Jr/ABr que, por sua vez, também parece ter resolvido brincar com a cara do ministro.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Quarta

O MAPA DOS CABIDES
O Ministério Público de Santa Catarina divulgou, ontem, um estudo sobre o emprego de parentes nos municípios catarinenses. Dos 293 municípios, há casos de nepotismo em cargos comissionados ou terceirizados em 258 prefeituras. No legislativo (as câmaras de vereadores), como tem menos emprego, a situação se inverte: na maioria dos municípios as câmaras não empregam parentes dos vereadores. Abaixo, os mapas do emprego da parentada. O litoral não fica muito bem na foto.

E AGORA?
O Procurador-Geral de Justiça vai encaminhar as informações aos Promotores de Justiça das respectivas comarcas, para que sejam tomadas as providências (ajustamento de conduta, ações civis públicas e projetos de lei anti-nepotismo). A íntegra do diagnóstico, com mapas e tabelas, pode ser lida no site www.mp.sc.gov.br (portal do Ministério Público estadual).

“MAS ELES SÃO COMPETENTES!” – Acima, nos municípios mais claros, o MPSC não encontrou nenhum caso de nepotismo no Poder Executivo. Abaixo, é o mesmo mapa, só que com a região de circulação do DIARINHO ampliada (e para ampliar ainda mais os mapas, é só clicar sobre eles). Nele só cinco prefeituras não empregam parentes.

Aqui a mesma coisa dos mapas anteriores, só que em relação ao Poder Legislativo municipal. Nos municípios pintados de alaranjado escuro, tem nepotismo nas câmaras de vereadores. Itajaí, por exemplo, tem parentes empregados nos dois poderes.

[Nota do editor: Na primeira versão deste post havia um erro num dos números do gráfico do poder executivo (onde está 35 eu tinha colocado 19!). Já foi feita a correção (às 11:57). Os números anteriores não mudavam o quadro geral, mas este novo engano demonstra, definitivamente, que estou mesmo com a cabeça nas nuvens (ou gagá, como constato na nota abaixo). Uma outra mudança, nos números do legislativo (passaram de 47/246 para 46/247), foi para corrigir um equívoco do próprio Ministério Público (não sou só eu que erro, hehehe). Desculpem]
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TIO CESAR TÁ GAGÁ!
Na coluna de ontem mostrei uma simpática igrejinha e, no jornal, disse que ela ficava em “Santo Antônio do Rio Vermelho” (notei quando coloquei o texto aqui no blog e corrigi, mas àquela altura o jornal já estava sendo impresso)! Ora, isto é um disparate sem tamanho, por vários motivos: primeiro, porque este lugar não existe na Ilha de Santa Catarina. Existe Santo Antônio de Lisboa, que é onde fica a igreja. E existe Rio Vermelho ou São João do Rio Vermelho. Não são próximos e não faço a menor idéia por que misturei os dois.

O pior (e mais chato) é que eu me casei naquela igreja (em 1977) e, portanto, não poderia ter trocado o nome. Pra completar, a foto foi tirada agora, no domingo e não daria tempo para “esquecer” o nome. Perdão, leitores.

O QUE O RONÉRIO & O CÉSAR SOUZA Jr TÊM EM COMUM?
O prefeito de Palhoça e presidente da Associação dos Prefeitos do PMDB, Ronério Heiderscheidt e o novíssimo deputado César Souza Júnior (PFL), embora em partidos quase opostos (pelo menos é o que parece, na região) e aparentemente sem muita coisa em comum, agora dividem irmãmente a mesma assessora de imprensa.

A animada e folclórica Valquíria Guimarães, famosa nas redações pelos seus e-mails (“não são a cara do Ronério?”), agora está atendendo aos dois senhores. Das máquinas da Assembléia dispara e-mails sobre o César (“que está com a bola toda!”) e, da prefeitura mesmo, manda o material político do prefeito (isso de separar administração pública e atos políticos é coisa de gente desocupada, a Valquíria não deve ter tempo pra essas miudezas).

O que teria levado o César Jr, que é de geração diferente, de partido diferente e (espero!) de escola diferente, a usar a mesma assessora do Ronério, que produz o material de um e de outro exatamente da mesma maneira folgazã, como se fossem dois políticos iguais? Será que é contenção de despesas? Ou será que os dois estão mesmo mais próximos um do outro do que nós, tolos e ingênuos, achamos que estão?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Terça

OS FIOS E AS ÁRVORES
A av. Rio Branco, em Florianópolis (fotos acima), é uma das poucas que ainda mantém suas árvores. O pessoal da Celesc tem uma certa raiva das árvores, porque atrapalham seus postes e fios. Mesmo que, em alguns casos, as árvores tivessem chegado primeiro. Na Rio Branco, eles fazem uma poda maluca, que vai abrindo uma espécie de túnel do meio das árvores para os fios. Como não sou otimista, já sei quem perderá essa batalha. Daqui a pouco, ou as árvores morrem por causa das podas mal feitas, ou eles encontram uma forma de derrubá-las. E postes e fios, vocês sabem, não fazem sombra nem refrescam o ar. Mas tem gente que acha o máximo uma cidade toda espetada e com aquela fiarada horrorosa tapando a paisagem.

MALANDRÔ FRANÇAIS
Às vezes a gente imagina que só no Brasil tem malandro e só aqui os turistas passam maus bocados na mão de gente sem escrúpulos.

Casal amigo esteve há poucos dias em Paris e foi comprar uns perfuminhos numa das lojas da afamada rede Sephora (lê-se Ceforrá). São lojas grandes, muito bem conceituadas, tipo assim “último lugar do mundo” onde se imagina que a história a seguir poderia acontecer.

Feitas as compras e o pagamento no caixa, meu amigo pegou os pacotes (nem era tanta coisa assim) e a poucos passos do caixa deu pela falta da carteira. Voltaram imediatamente ao caixa, perguntando pela carteira, que poderia ter ficado sobre o balcão, ou caído por ali.

Até este momento, conseguiam se entender perfeitamente com a moça do caixa e demais funcionários em inglês. A partir da menção do desaparecimento da carteira, ninguém mais falava inglês e não entendiam o que meus amigos estavam perguntando.

Com a confusão, veio o segurança e nada de ninguém saber de nada. Até que minha amiga, brasileira, esperta, começou a espiar por dentro do balcão da caixa e viu a carteira, assim meio escondidinha atrás do teclado do computador. Fez um escarcéu, o segurança pegou a carteira, abriu e tinha uma foto dos dois, impossível duvidar de quem era a carteira.

A partir daí, o segurança começou um rosário de pedidos de desculpas e todos meio sem jeito, mas ninguém muito surpreso. Não era, certamente, a primeira vez que isso acontecia. E sabe-se lá quantas carteiras “esquecidas” de turistas apressados não ficaram por lá, caídas descuidadamente em algum vão?

Meus amigos pensaram em chamar a polícia, mas estavam sendo esperados em Frankurt e tudo o que eles não gostariam era de arrumar para a cabeça (polícia é sempre polícia, em qualquer lugar do mundo, tanto podem estar de bom humor quanto de mau humor e a burocracia às vezes abunda) e ainda acabar perdendo o vôo.

Fica a advertência para meus leitores e leitoras, que eu sei que vivem indo pra lá e pra cá, para mais esse golpe, o da carteira que caiu pra trás do teclado na loja chique, acima de qualquer suspeita.

GENTE BOA
Mas nem todo mundo é ladrão e nem todo lugar se aproveita das distrações. Há alguns anos fui comprar um paletó numa loja, em Washington DC e, naturalmente, tirei o casaco que estava usando para poder experimentar os novos. Num momento de bobeira, acabei deixando o meu paletó “antigo”, com passaporte, cartões e dinheiro, na loja.

Só me dei conta algum tempo depois, já na rua. Voltei correndo, já contando com o prejuízo e com a chateação que é perder o passaporte.

Mas o vendedor tinha, naturalmente, guardado o paletó. E telefonou para o hotel, cujo cartão estava em um dos bolsos, deixando recado. É claro que estava tudo intacto. Ao contrário dos filmes e das lendas sobre o espirito argentário dos norte-americanos, ele não aceitou a gorjeta que eu quis lhe dar. Disse que não fizera mais que a obrigação.

Já que falamos em fios na paisagem, lá em cima, na av. Rio Branco, deixa mostrar esta igrejinha, uma das mais antigas do País, na localidade de Santo Antônio de Lisboa, na Ilha de Santa Catarina. Mais acima, uma foto de 2003, com os fios de todo tipo atrapalhando a foto. E aqui, uma foto de 2007: a prefeitura e a Celesc enterraram a fiação e liberaram a fachada da igreja. Não ficou legal?