terça-feira, 27 de março de 2007

Terça

MAIS UM QUE FOI ANTES DO TEMPO

O Horácio Braun, que morreu no sábado, era mais do que apenas um boêmio divertido, mais do que um piadista inconseqüente. Quando a gente o encontrava num bar e tinha a honra e o prazer de poder acompanhá-lo por algumas horas, talvez nem se desse conta da importância do Horácio.

Existem sujeitos que dão alma às cidades. Muitos fazem isso intuitivamente, sem entender direito seu próprio papel e importância. Outros, como era o caso do Horácio, publicitário, marqueteiro, sabem exatamente o que estão fazendo e a utilidade do seu jeito de ser para que as coisas sejam como devem ser.

Cada cidade com alma tem gente como o Horácio. E gente como o Ingo Quase (digo, Ingo Penz), para citar o companheiro do Horácio dos tempos iniciais da motocicleta do chope. O Ingo é outro, que tem enorme valor para que a alma blumenauense se revele.

Em dezembro, quando comecei a descobrir as delícias de morar em Itajaí e a explorar as atrações das proximidades, fui a Brusque, na Zehn Bier, num final de tarde. Por coincidência, encontrei lá o Horácio, que estava numa mesa com o dono da cervejaria. E é claro que a noite foi agradabilíssima.

A certa altura chegou um “Papai Noel” de MG (aquele carrinho conversível). Era um empresário brusquense, cujo nome não guardei, amigo do Horácio. Tão divertido quanto ele. Provavelmente daqueles que ajudam a dar alma à cidade. No caso, Brusque. O “Papai Noel” sai pela cidade distribuindo balas, divertindo a garotada no seu carrinho. Faz isso todos os anos.

E depois, um chope pra descansar da tarde de “trabalho”. Ficou muito engraçada, aquela mesa. Com o Horácio e suas tiradas e um Papai Noel, de barba branca e roupa vermelha, tomando chope.

Era assim, o Horácio: um agregador, um catalisador, um provocador e um instigador. Um daqueles sujeitos que dão alma às cidades. Sem gente como o Horácio, as cidades secam por dentro e ficam sendo apenas ajuntamentos de pessoas e casas, onde as aflições e tristezas do dia-a-dia parecem predominar e obscurecem a alegria de viver.

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OS LEITORES FALAM

A punição que o Tribunal de Contas do Estado aplicou ao ex-presidente da Santur, Jorge Meira por causa de aquisição irregular de material promocional, fez com que alguns leitores desta coluna levantassem questões correlatas. Reproduzo abaixo alguns trechos de comentários de leitores. Alguns servem como estímulo para que o Ministério Público e o próprio Tribunal de Contas continuem olhando com cuidado para como o nosso dinheiro é utilizado.

NINGUÉM ENTRA
“Existem no estado no mínimo uma dezena de empresas capazes de realizar o mesmo serviço, basicamente arte-gráfica, edição e tradução. Dizer que só a Letras tem capacidade de realizar essa produção é um acinte ao mercado. O argumento de que só essa Editora apresenta o material já pronto é furado, pois só ela, financiada por milhões, é que pode fazer isso num ciclo vicioso que ninguém consegue entrar. Outro agravante é que assim com eu, várias outras empresas estiveram na Santur apresentando seus portifólios e competências para realizar esse serviço. Outro detalhe que deve ser investigado é a gráfica utilizada (de São José), que não tem preço competitivo, mas que entrou goela abaixo da Editora”.
CPI DA HORA
“É por essas e outras que a CPI da moralidade está cabendo muito bem. São escândalos em cima de escândalos.”
UMA OLHADA NA DPM
“E já que é pra falar de concentração de verba do governo catarinense, que tal dar uma investigada no setor de produção de vídeo? A produtora DPM é a Letras Brasileiras da Secretaria de Comunicação, ou ninguém sabe disso? As agências de propaganda que dividem (não em partes iguais, é evidente) a conta do governo estadual, são pautadas para trabalhar pesado com a produtora de Joinville. Pautadas é pra ser delicado. Na verdade, se orçam com outras produtoras um trabalho, levam um baita puxão de orelha lá do Centro Administrativo”.

“Vale fazer uma comparação entre os mandatos do governador e o crescimento da produtora. Por outro lado, também basta verificar a situação dos demais players catarinenses nesse segmento, literalmente de pires na mão, pra desconfiar dessa hegemonia da toda poderosa DPM...”

“O esquema de fornecedores no setor de comunicação não foi, sequer, disfarçado como pretendia o secretário ao licitar a conta publicitária e entregar alguns pedacinhos dela para outras agências de publicidade catarinenses, além da titular. Aliás, por que não licitaram também o fornecimento de serviços de produção audiovisual?”
RIQUEZA SAZONAL
“Quem trabalha na campanha eleitoral, vira o fornecedor oficial por quatro anos. E em quatro anos, nascem novos ricos empresários de comunicação e propaganda. O pessoal é esforçado, trabalha pesado pra enriquecer no mandato, torce pra reeleição. Se emplacar, tá dez. Se não, lá vem falência. Essa troca de gentilezas toda é com o nosso dinheiro. Brincadeira, né?”

OS TRÊS PATETAS

Transcrevo abaixo a opinião do editor-chefe do Jornal do Brasil, Mário Marona, sobre essa piada que virou o caos aéreo brasileiro. O grifo é meu.
“O Brasil deve ser um dos únicos países do mundo em que uma neblina fecha aeroportos. Pior ainda: uma neblina com sol a pino paralisou Cumbica, o maior aeroporto brasileiro, durante quase quatro horas.

A explicação dos controladores de vôo é a de sempre: falha nos equipamentos. Não houve neblina que justificasse o fechamento dos aeroportos. O que aconteceu, pela enésima vez, foi que os controladores de vôo trataram o ministro da Defesa como um parvo e ele e os presidente da Infraero e da Anac como os Três Patetas.

Tem sido assim desde novembro, quando o apagão aéreo teve início. E foram necessários cinco meses de desrespeito com os passageiros e com os “comandantes” do setor para que Waldir Pires dissesse que, desta vez, vai punir rigorosamente os responsáveis.

Mandou abrir inquérito, mas tenham certeza: nada vai acontecer.”
REPUBLIQUETA
O equipamento que permite aos grandes jatos aterrisar mesmo numa neblina densa, já está consertado, mas espera um teste que um avião da FAB deve fazer: só que este avião está pifado.

O EMBAIXADOR
LHS, cada vez que volta de viagem dá entrevistas para explicar o que foi fazer e mostrar os “resultados”. Morre de medo, o governo (principalmente os secretários mais inseguros, aqueles que tratam como inimigos os jornalistas que têm uma visão mais crítica), que a gente diga que a viagem foi um passeio sem grandes conseqüências.

Jamais direi isso. Primeiro porque uma viagem oficial de um governante, mesmo licenciado (se passou o governo para o vice, quem viajou não foi o governador, foi um governador licenciado, o governador estava aqui) e comitiva, nunca é sem conseqüência. Segundo porque a história já mostrou que nas relações entre os povos e no desenvolvimento da economia, as relações internacionais são muito importantes.

Para isso é que os Países mantém embaixadas, embaixadores e outros funcionários especializados nesse tipo de trabalho internacional. A ida de uma delegação como esta, de governador licenciado e algumas autoridades locais, tem sua importância, mas não podemos superestimar seu potencial.

As decisões de negócios, principalmente de investimentos, são tomadas com base numa série de dados, prospecções e avaliações. O convite do governador licenciado, o aceno de auxílio público, as promessas verbais de facilitação, terão algum peso. Mas não todo.

2 comentários:

Carlos Damião disse...

E outra coisa, meu caro Cesar: uma das explicações para a falência das companhias aéreas nos últimos 10/15 anos é a evolução das comunicações (internet). Os executivos simplesmente reduziram em 50% suas viagens. Hoje você pode conferenciar com alguém a 10 mil quilômetros de distância, fechar negócios etc. e tal. Outro dia, visitando um cliente do AN, percebi que ele não estava. Um assessor encarregou-se de dizer: "Não se preocupe. Ele está em Porto Alegre. Nós vamos nos reunir por vídeo-conferência - ele lá, nós cá". Achei aquilo o máximo. Com o Governo do Estado e´a mesma coisa: pra quê viagem e comitiva imensa se tudo pode ser resolvido virtualmente?
Bem... Pra quê? ...
Abraços, Damião

Thiago Duwe disse...

Tudo bem que são gastos recursos públicos para essas viagens, que também há a possibilidade de fazer a tal da vídeo-conferência...Mas uma comitiva de promoção do Estado tem de mostrar sua cara, ou seja, realmente convencer. Aí que está a importância da presença do próprio governador nesses casos. Embaixadores e diplomatas têm o seu foco de trabalho na esfera federal e as unidades que a compõe ficam de lado. Como todos sabem, SC sempre ficou para trás na repartição dos recursos da União, mesmo apesar de nossa larga contribuição. Neste sentido, caminhar com as próprias pernas é necessário. A competição por atração de investimentos para os estados mostra também como os resultados são favoráveis. Claro que espero que seja tudo isso que o LHS vêm declarando...