sexta-feira, 11 de maio de 2007

Sexta

O MPSC E A JOGATINA
O procurador-geral de Justiça de Santa Catarina, Gercino Gerson Gomes Neto acha que a nota “Bom senso?” que publiquei ontem, não estava correta nem contava a missa inteira. Li com atenção os esclarecimentos que ele enviou por meio da assessoria de imprensa e concordo com ele.

Dei voz àqueles que reclamaram da audiência que o procurador teve com o governador para tratar do tal decreto do LHS (que tenta, por todos os meios, legalizar a jogatina) e não falei no que foi feito antes pelo Ministério Público de Santa Catarina a respeito do assunto.

E simplifiquei a coisa, como se tivesse havido apenas um aconselhamento. Foi mais que isso: “foi feita uma recomendação, acompanhada de exposição de motivos, para revogação do Decreto Estadual n° 076/2007”.

Esta “foi apenas uma das medidas adotadas pelo MPSC, para reverter a exploração irregular de loterias no Estado”. Antes desta recomendação, o MPSC pegou no pé do governo várias vezes.

Por exemplo: a liminar proferida pelo Supremo Tribunal Federal no dia 8 de maio foi em resposta a um requerimento do Ministério Público de Santa Catarina feito em abril. Como a entrada do caso no Supremo é via Procuradoria-Geral da República, quando sai a notícia da decisão, a gente nem fala no MPSC, que provocou a iniciativa.

E, antes, também tinha representado contra a lei estadual que o Supremo acabou declarando inconstitucional em agosto de 2006.

O procurador-geral pede para informar que, além dessas iniciativas, “de forma permanente, os Promotores de Justiça das diversas Comarcas do Estado vêm obtendo ordens judiciais determinando o fechamento de bingos e a apreensão de máquinas caça-níqueis, sempre com fundamento na inconstitucionalidade das normativas estaduais”.

E afirma que teve que encaminhar uma recomendação ao Delegado-Geral da Polícia Civil porque aquele órgão estava se negando a cumprir “determinações judiciais que buscavam coibir a exploração irregular de jogos na Comarca de Balneário Camboriú”.

E AÍ, IÇURITI?
Feitos os esclarecimentos, mostrando a posição clara do Ministério Público de Santa Catarina contra as tentativas de legalizar o ilegal, que causam arrepios na Constituição Federal, pergunto novamente, ao meu considerado amigo Içuriti Pereira, presidente da Codesc: por quê? Por quê o governo gasta nosso dinheiro nessa causa?

Para servir de chacota no Supremo, onde um ministro coloca, no mesmo saco, os donos de bingos e o estado de Santa Catarina?

O espaço desta coluna continua à disposição, Içuriti, caso tu ou qualquer outra autoridade do governo estadual queira explicar aos contribuintes os benefícios que terão com esta batalha. Afinal, tanto empenho, peitando até o Supremo Tribunal Federal, deve ter um motivo forte, marcante. E é muito injusto deixar-nos sem conhecê-lo.

O silêncio do governo sobre este assunto levanta uma poeira mal cheirosa de suspeições e maledicências. Que deve ser combatida com a exposição clara e simples da verdade.

ÁGUA NO CHOPE
Lula e LHS têm alguma coisa em comum. Ambos gostam de falar de improviso e ambos, de vez em quando, largam umas bombas envenenadas no colo de seus ministros e secretários.

A compra do BESC pelo Banco do Brasil, por exemplo. Como o próprio secretário Ivo Carminatti já percebeu, tem, neste caminho, uma pequena pedra que atende pelo nome de Lei 8666, a lei das licitações. Se vai vender o BESC, tem que ser em leilão, venda pública. E aí, a menos que seja uma fraude de cartas marcadas, não tem como afirmar, desde já, quem será o novo dono.

E eu, que sou distraído, mal infomado e burro, gostaria de saber como que o Banco do Brasil, que acaba de anunciar um enorme enxugamento, prometendo demitir algo como 11 mil funcionários, terá disposição e grana para comprar, incorporar ou anexar o BESC. O Ministro Manteiga já avisou que o BB não poderá contar com o tesouro para essa.

Parece, portanto, que a piadinha do Lula sobre o seu amigo Mescolotto, presidente do BESC (“não é banqueiro, mas tem pose de banqueiro”) não foi a única daquele dia.

VOLTA, JUAREZ!
O governador LHS é amante das inovações e rompe convenções a todo momento. O mais recente fruto da sua mente criativa: se o conselho da Codesc quer mesmo afastar o Juarez Silveira do cargo de diretor, então ninguém mais poderá ocupar o cargo. LHS criou a cadeira vaga, esperando o Juarez.

Poderia, para marcar bem a posição, mandar fazer uma foto em tamanho natural do Juarez sentado e colocar na cadeira vaga. E, para completar, pedir à PF as gravações das conversas telefônicas, para deixar tocando na sala. Assim, os visitantes e funcionários da Codesc imaginariam que o Juarez estava mesmo lá, falando ao telefone.

PIROTECNIA CASEIRA

Tanto a ação da polícia catarinense no Morro do Mocotó como a ação da polícia federal na “moeda verde”, foram muito bem recebida por boa parte da população. E o LHS, desta vez, parece que não reclamou da pirotecnia.

Ô DONA MARISA!
Juro que não tenho implicância especial com a Dona Marisa, mas não posso deixar de registrar (foto acima), o horrendo presente que o primeiro casal brasileiro entregou ao coitado do Papa. E nem é um papa pop, é um papa alemão que só calça Prada, corta suas roupas nos melhores estilistas e é famoso por sua cultura.

Não será desta vez que o Brasil contribuirá com alguma das galerias do Vaticano com uma obra que faça jus à qualidade da arte brasileira. Caso você tenha achado muito legal o retrato do papa, deixa eu me explicar um pouco melhor. O fato de um artista conseguir fazer um quadro que parece uma fotografia não significa que seja uma grande obra de arte. E, mesmo que fosse uma obra de arte, não pega bem dar a uma autoridade a foto dela mesma. Pode parecer um culto à personalidade que, pelo menos em público, todos preferem evitar.

E o presente de um presidente brasileiro deveria permitir que, quando exposto numa das casas do papa, no Castelo Gandolfo ou mesmo no Vaticano, quem o visse lembrasse do Brasil. País de grandes artistas, mesmo figurativos, de paisagens soberbas, habitado por gente bonita, simpática e inteligente que sabe presentear com mais simplicidade, coração e afeto. Sem bajular a visita de forma tão desnecessária.

[Quer ver melhor as fotos? É só clicar sobre elas]

10 comentários:

marcello disse...

Prezado Cesar
Vc está coberto de razão!
Creio que são osso do ofício...

Anônimo disse...

Cesar,

Os amigos do Juarez que falam com ele no telefone quase todos os dias (a conta do celular dele nunca eh menos de 4 mil reais) estao morrendo de medo com aquilo que esta nas gravacoes da Policia Federal.

Seus colegas Diretores da Codesc e Vereadores nao dormem mais.

O contrabando foi pego pq ele estava sendo investigado/grampeado pela Federal.

Vem bucha por ai. E como vem.

Abs.


Pedro de Souza

Anônimo disse...

Cesar,

Um membro destacado da Policia Federal esta muito iritado com o LHS pelo jantar de apoio dado ao Fernado Marcondes de Matos horas depois dele ter sido solto.

Sei nao! LHS sempre muito esperto politicamente deve se incomodar com a Federal.

No jogo sera a primeira acao. Quem viver vera.

Abs.


Pedro de Souza.

Anônimo disse...

César,

Meu nome é Giovanna sou estudante de jornalismo e preciso de uma entrevista breve com a sua pessoa.
Como todo bom e velho estudante deixei para ultima hora! Hoje!

Nao sei como entrar em contato diretamente contigo. Entao em busca de uma gentileza envio meu email gikinha70@hotmail.com afim de receber o seu contato.

Obrigada!

Cesar disse...

Ô Giovanna, ali em cima, no cabeçalho do blog, tem o endereço de e-mail (é só tirar os colchetes que envolvem a @).

Anônimo disse...

Cesar
Caso venhas a conceder a entrevista para a Giovanna, favor explicar a ela a diferença entre "afim" e "a fim".
Tomara que ela esteja no início do curso e tenha tempo para aprender estas coisas básicas antes de começar a escrever profissionalmente.

Anônimo disse...

AFIM
Numa única palavra, corresponde a semelhante ou parente por afinidade

A FIM DE
Equivalente a para.

ESTAR A FIM DE
No sentido de estar com vontade de, só deve figurar em textos coloquiais ou declarações


1a fase de jornalismo!

Anônimo disse...

"...entrevista com sua pessoa" hein Gikinha?
Uma entrevista com você ou com o senhor é bem melhor, né?

Lia disse...

Realmente foi de muito mau gosto o quadro. Breguérrimo.O papa gosta de grifes... veste Prada. Dentro desse panorama, me parece que o Presidente queria dar uma coisa popular... ele poderia pensar em algo mais original... Uma grife que é a cara do Brasil, uma peça Daspu, q tal? Ou se não sabe comprar presente que delegue esta funçao a alguem com discernimento p comprar algo a altura do papa.

FÃ DA D. MARISA! disse...

SOU FANZONA DA D. MARISA....MAS SINCERAMENTE ACHO QUE SEU PRESENTE PARA O PAPA...FOI...
LAMENTÁVEL!!!
CONCORDO QUE PODERIA TER ALGO LEMBRANDO O BRASIL!!!!
QUE PENA!!!!