quarta-feira, 2 de maio de 2007

Quarta

A força do hábito...
Ontem, quando o governador licenciado chegou dos Istaites, o ex-vice-governador, Dr. Moreira, estava lá, esperando por ele. Decerto esqueceu que não é mais vice e que, portanto, não precisa ir ao aeroporto a cada chegada internacional do LHS, para entregar o cargo. Em todo caso, como presidente da Celesc, deve ter ficado satisfeito com as novidades. Ah, o Pavan não estava lá. Pelo menos não apareceu nas fotos, devolvendo o cargo para o LHS.

Estava lá também o Içuriti, presidente da Codesc, aquele de camisa branca e barriguinha começando a ficar saliente, que está nos devendo uma explicação sobre os motivos que levam SC a querer legalizar o jogo de azar, mesmo contra a vontade do governo federal.

LHS, como dá pra ver na foto, estava radiante: “fomos recebidos em Washington com tapete vermelho”, disse. Foram iniciadas muitas conversas. Com o Banco Mundial, para que seja dado a Santa Catarina o mesmo tratamento que está sendo dado a Minas Gerais. Lá, um ousado programa de modernização administrativa encantou o BIRD, que está disposto a ajudar estados que queiram avançar neste campo.

E, como das outras vezes, LHS voltou cheio de esperança que empresários estrangeiros venham redimir o estado, trazendo investimentos, tecnologia e empregos. Ele disse que se encontrou com mais de 50 empresários que têm algum tipo de interesse de investimento aqui.

Maravilha. Resta saber se o LHS vai conseguir convencer o Banco Mundial que a reforma administrativa catarinense é tão modernizadora quanto a mineira. Não deve ser muito difícil, porque, apesar do marketing do Aecinho, Minas tem uma máquina bem pesada. Tá certo que são só 18 secretarias, mas tem 51 autarquias, fundações e empresas a mamar.

Santa Catarina, até onde sei, tem 27 autarquias, fundações e empresas. E um número variável de secretarias de estado. Variável porque, dependendo do objetivo, são só 18 secretarias centrais e 8 “meso-regionais”. Ou então, estas mais 24 (ou 26) “microrregionais”.

De qualquer modo, mesmo sem o Pavan ter aparecido por por lá para entregar o cargo pessoalmente, o Centro Administrativo já anunciou que LHS estava reassumindo o governo do estado. Eles devem ter conversado por telefone e o livro de atas segue pelo Sedex 10. Hoje já deve estar tudo resolvido e legalizado.

O Palomar, apesar de ser um cachorro de raça indefinida, é um sábio. E vive me mandando e-mails com seus comentários sobre a vida, a política e as artes. Para não ser acusado de esconder do mundo o único cão filósofo que eu conheço, de vez em quando vou publicar aqui algumas de suas colaborações.

OS TALHERES E A FOME
Fome Zero Urgente! Um grupo de amigos do Fome Zero do Lula criou um “movimento não governamental” chamado Talher... que é pra dar uma forcinha no combate à fome... porque sem talher fica ruim, né mesmo? Pois no último final de semana aconteceu em Lages um grande encontro dos membros do Talher catarinense, com dezenas de participantes. Com tudo pago. E quem pagou o rango do Talher? O Fome Zero, claro! Vocês queriam que fosse quem? É que nesse país tá tudo meio invertido mesmo, ou seja, a fome é que serve ao Talher...

Foi gente do estado inteiro, tudo pago: gasolina, passagens, rango às 7, às 10, às 12, às 16, às 20 e às 22 horas. Pô! Sacanagem com o Lula! Desobedeceram o homem! Na campanha ele falou que era para comer três vezes por dia e o pessoal do Talher tá comendo seis vezes. Este país não tem jeito mesmo. Temática do encontro: Estudo da Conjuntura Nacional...

Sim, é preciso estudar muito, debater, fazer muitos encontros... é que nós ainda não sabemos como acabar com a fome. É preciso estudar mais, fazer mais encontros, seminários, conferências...

TURISMO CULTURAL
E por falar nisso, em Itajaí, membros do primeiro escalão (Ôpa!) do governo, também tão estudando muito. E no exterior! Tem gente que já foi pro Chile, Argentina e Venezuela aprender como se faz estação de tratamento de esgoto, como se trata água...

No Brasil a gente ainda não sabe como cuidar do esgoto... Coitado, tá sendo muito maltratado... Em Cuba foram aprender como cuidar da saúde do povo... E tem otoridade peixeira na Venezuela aprendendo também como se faz casa popular... Claro! Nós não sabemos fazer casa pra pobre, temos que ir aprender na Venezuela, com o Chaves... E o Lula inventou o tal PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – que, dizem, tem dinheiro de montão pra esgoto, pra casa popular...

De que adianta, se nós não sabemos fazer a casa, nem onde jogar o esgoto? Precisamos estudar mais, no Chile, na Argentina e também na Venezuela... Esse PAC devia se chamar FAC: Fomo Aprendê cô Chaves... Sou mais a Ideli Salvatti, que disse, nós precisamos é de um PAB: Programa de Aceleração da Balada...
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O GRANDE AYRTON
O tempo passa muito rápido. Ontem completaram-se 13 anos da morte de um dos maiores pilotos de carros de corrida do mundo. E de todos os tempos. Morte pública e violenta, diante de seus milhões de espectadores, num feriado de primeiro de maio. Muita gente o idolatrava. E ainda o considera quase como um santo. Era apenas um brasileiro que sabia o valor do trabalho sério, da dedicação e do apuro técnico.

GUERRA E INFORMAÇÃO
O curso de Jornalismo da UFSC promove, dia 7 de maio, às 9h30, no auditório do CCE, a palestra “Comunicação e Informação no jornalismo de guerra”, com a professora Margarethe Born Steinberger-Elias, a primeira jornalista brasileira a cobrir uma guerra (os conflitos na ex-Iugoslávia, no início da década de 90). A palestra é aberta ao público e será transmitida ao vivo pela Internet em www.jornalismo.ufsc.br.

5 comentários:

Mauricio disse...

Cesar.
Parabéns! Trabalhando no feriado.
Gostaria de colocar em discussão neste seu blog, a questão do envolvimento do medina, Ministro do STJ, naquela quadrilha.
Não consigo entender o porquê da punição máxima ser a aposentadoria, em caso de ser provada a culpa dele.
Ora, se provada a culpa, ele será bandido como todos os bandidos e, ainda assim, será premiado com uma polpuda aposentadoria?
Não parece que seria mais lógico ser ele demitido por justa causa e perder todos os direitos, como mortal que é?
Penso, ainda, que no caso presente, todas as suas sentenças deveriam ser impedidas de ser utilizadas como jurisprudência para decisões em outros processos.
QUE PAÍS É ESTE?
Abraços e vê se descansa um pouco.

Jackson disse...

Olá caro Cesar.
Apenas um comentário e uma informação com relação ao "talher" ocorrido em Lages. Não é por nada não, nada contra você (exatamente o contrário, sempre o leio) mas a imprensa estadual quando cita Lages, até parece que é para denegrir, acredito que ainda reina um pouco daquela imagem (que não existe hoje) da década de 70, quando diziam que tudo em Lages se resolvia na bala. Pois bem, mesmo com este movimento "talher" que não sei do que se trata, que pelo jeito foi com gastança de dinheiro público, quero salientar que existe em Lages uma instituição (Centro Social Lupércio de Oliveira Koeche - bairro Santa Helena) que realiza almoço para as pessoas carentes (e qualquer um que chegar lá também almoça) três vezes por semana(seg/qua/sex - almoço, olha o cardápio - arroz, feijão e salada sempre tem, e o diferencial é quirera com carne de porco, outro dia macarronada com salsicha, outro dia carne seca ou peixe - viu não é sopão)atendendo em média 200 pessoas por almoço e ainda entregando marmitas para as pessoas levarem para casa, com um grupo de voluntários formado por quase 30 pessoas (entre os que fazem almoço, limpeza, servem) tudo regado a muito carinho e dedicação (claro que há ajuda para arrecadação dos alimentos que vem do poder público e de empresários, mas do FOME ZERO não vai nada!. Então mesmo na cidade que fizeram a farra com "comida" do FOME ZERO, há também outros exemplos de que a coisa pode dar certo sem ajuda deste FOME ZERO, onde ninguém está se promovendo politicamente, onde não há distinção de religião, cor, partido ou qualquer outra forma de discriminação, basta vontade, coragem e pessoas que tenham um sentimento mínimo de solidariedade, que a coisa funciona, mas é assim, as coisas que realmente funcionam e dão certo, a imprensa não fala (e poderia ajudar muito se falasse), mas a vida é esta, vamos em frente sempre procurando mais um talher (não o tal "TALHER") para saciar a fome das pessoas, diferente deste outro que você citou onde o "FOME" é que estava saciando o "talher". Abraços e sempre bm trabalho!

Cesar disse...

Fica tranqüilo, Jackson: acho que todo mundo entendeu que Lages foi apenas o local da reunião, como poderia ter sido Florianópolis, Itajaí ou Chapecó.

Cesar disse...

Pois é, Maurício, no batente. A "pena" de aposentadoria (com vencimentos integrais), até onde entendi, é aplicada administrativamente. Imagino que, no decorrer do(s) processo(s), ele esteja sujeito a outras penas, não tão brandas. Claro que tá tudo muito frouxo, mas tirar um suspeito do tribunal e mandá-lo pra casa já é alguma coisa. Quase nada. Mas melhor que nada.

Anônimo disse...

É uma pena que a Polícia Federal não tenha podido gravar as conversas do governador com os bancos americanos.