quinta-feira, 3 de maio de 2007

Quinta

RECEITA PATROCINA JORNAL QUE AMEAÇA JORNALISTA DE MORTE
Ontem o novo Secretário de Comunicação do governo federal, o grandalhão Franklin Martins (na foto acima, com Lula) recebeu uma condecoração, no Ministério das Relações Exteriores (que maravilha, mal assumiu e já está sendo condecorado por serviços prestados). Sob a responsabilidade dele está a distribuição da verba publicitária do governo federal.

Pois o jornal Hora do Povo, do MR8 (movimento “revolucionário” do qual o Franklin participou), que na edição de ontem exibia um polpudo anúncio da Secretaria da Receita Federal (reprodução ao lado), fez, há alguns dias, na primeira página, uma ameaça de morte ao jornalista Diogo Mainardi, de Veja.

O “crime” de Mainardi: não reza pela cartilha petista. E a divergência de opinião e a crítica, no entender dos trogloditas que editam o HP, deve ser punida com a morte. E a morte no mesmo estilo das “fatwas” islâmicas: lança o desafio aos militantes e aposta que “não faltarão almas pias” para cumprir a tarefa.

O NOME DA COISA

Este aspecto terrorista da turma que ocupa o poder é muito preocupante. De vez em quando a gente, que trabalha em jornal, recebe material esbravejando contra a “imprensa golpista”. Ou seja, contra todos os jornais, TVs e rádios que ousam apontar erros no governo Lula. Eles não admitem que se faça com Lula o que sempre se fez com todo governante: falar mal do governo não é nem só um esporte nacional, é obrigação.

O ministro Franklin, como tantos outros, participou da luta armada. Em seu site, ao relatar o seqüestro do embaixador norte-americano, em setembro de 1969, evento do qual participou, como membro do MR8, chama de “revolucionários” os jovens que assaltaram bancos, explodiram prédios públicos, seqüestraram e mataram quem eles julgavam que fossem “carrascos e torturadores”. Por mais que sejamos simpáticos à causa da derrubada da ditadura militar, tais ações são nada mais que terrorismo.

À LUTA, COMPANHEIROS
Mesmo assim, mesmo tido trabalhado no Hora do Povo antes de passar para a “grande imprensa”, o companheiro Franklin Martins terá que explicar se este desvario extemporâneo do HP é coisa isolada ou se já se trata de uma nova orientação de confronto: imprensa engajada, chapa-branca, financiada com dinheiro público, contra a “imprensa golpista, vendida ao capital internacional”. Usando, como principal ferramenta de convencimento, não as palavras e as idéias, mas o terror.

Com a palavra, também, a Federação Nacional dos Jornalistas, a OAB e tantas outras entidades, que não deveriam calar-se diante de tal falta de apreço por esta democracia que, a duras penas, estamos construindo.

Este é um daqueles momentos em que a gente tem que fazer barulho, por mais que discorde do que o Diogo diz e da forma como ele fala. Hoje a ameaça é contra ele, amanhã será contra qualquer um de nós.

FARRA GAÚCHA
O Carlos Damião chama a atenção, no seu blog, para um fenômeno semântico muito interessante: pescadores do litoral catarinense correndo atrás de um boi (em geral é o contrário) é ato ilegal e imoral, de extrema crueldade. Ecologistas chegam a recomendar a eliminação física dos catarinenses do litoral que praticam essa ignomínia.

Mas a grande festa do Centro de Tradições Gaúchas Os Praianos, o Rodeio Crioulo de São José, é uma sadia tradição, onde o homem desafia seus limites ao perseguir e laçar um boi. Centauros cantados em prosa e verso mostram como subjugam novilhos, touros e outros animais. E, para coroar tanta adrenalina, nada como um bom churrasco, de preferência com a carne praticamente crua, sangrando.

Tem quem consiga ver enormes diferenças entre uma coisa e outra. Mas, se a gente fizer as contas direitinho, a farra é a mesma. E, descontados os imbecis que tem em todo lugar, quem se diverte numa, se diverte na outra. Até podia juntar tudo, numa grande festança. Mas, como fica claro nos jornais da RBS, uma coisa é a tradição dos gaúchos, outra, a crueldade dos manezinhos.

A ENQUETE DA ACIF
A Associação Comercial e Industrial de Florianópolis está fazendo, em seu site (www.acif.org.br) uma enquete onde pergunta:
“Qual a sua avaliação sobre a administração do Prefeito Municipal Dário Berger?”
Ontem, às 18h23min, quando fui lá dar uma olhada, o placar estava assim:

Ótima 10,53%
Boa 19,30%
Regular 24,56%
Ruim 45,61%

Não sei não, mas acho que a turma da Acif está querendo botar água no chope do “Alemão”. A enquete não tem qualquer valor estatístico. É, pura e simplesmente, um instrumento político.

A FAMOSA QUEM?
O carpete dos gabinetes e o rapapé dos puxa-sacos às vezes obnubila a visão e o pessoal acaba esquecendo de coisinhas básicas. Vejam só este exemplo: ontem o governo anunciou que Mariléia Gastalde assumiu a diretoria de Educação Superior da Secretaria de Estado da Educação. E só.

Nem uma única linha sobre quem é esta senhora (senhorita?), se é professora ou dentista, o que fazia antes e de onde veio. Eu, que sou um sujeito distraído e esquecido, fiquei boiando.

E perdi preciosos minutos da tarde pensando se ligava ou não ligava para a assessoria, pra perguntar o que eles não tinham contado de livre e espontânea vontade.

Aí pensei que decerto se tratava de um estímulo aos jornalistas, para que fizessem isto mesmo: ir atrás da informação, não se conformar com o press-release. Um ato, afinal, a favor da melhoria do jornalismo catarinense.

Como, além de não ser mais repórter, sou muito preguiçoso, preferi acreditar nessa hipótese e deixo aqui meus parabéns à secretaria da educação pela brilhante estratégia. E, acomodado, cansei. Não quero mais saber quem é a dona Mariléia.

Ê BRASILZÃO...
Sabem qual é a principal diferença entre alguém que mora nos Estados Unidos e no Brasil? Não é a inteligência, nem a cultura, nem a língua (afinal, até para comer um reles sanduíche a gente tem que falar inglês). São os impostos.

Olha só este exemplo da enorme desvantagem terceiromundista, que eu peguei no blog da Cora Ronai (cora.blogspot.com):

Um laptop (computador portátil) HP Tablet Pavillion TX1070BR, custa R$ 8 mil nas Lojas Americanas, em dez vezes “sem juros”. Cerca de US$ 3.636. No site da HP nos Estados Unidos, a mesma configuração custa US$ 1.131 (R$ 2,5 mil)!

Ou seja, aqui pagamos não o dobro, mas mais do triplo do preço que um consumidor americano paga pelo mesmo produto! Nada mais nada menos do que US$ 2.505 (cerca de R$ 5,5 mil) a mais! Só que o salário deles é maior: enquanto um profissional americano que ganhe salário mínimo trabalhará dois meses e já poderá comprar seu tablet pc, um profissional brasileiro levaria 22 meses para adquirir o mesmo produto, se não gastar seu salário em mais nada.

6 comentários:

Anônimo disse...

Em que país você vive, caro jornalista, que credita aos guerrilheiros a pecha de terroristas? Você vê alguma alternativa para aquela geração que não a luta armada? Chamar isso de terrorismo é vulgar, e mostra bem sua coloração política! As pessoas não aderiram a luta armada, foram obrigadas a isso! E que tal a Veja? bela revista não? Quero notícias da Operação Ouro Verde, isso sim!

Cristian Derosa disse...

Tens toda a razão, amigo Cezar Valente. Valente, aliás, é o que precisa ser o cidadão para levantar a voz contra a esquerda neste país. Conheço esquerdistas que apoiam consciente e seriamente a perseguissão física de pescadores farristas. São os mesmos esquerdistas que são capazes de depredar um Engenho de farinha original e em funcionamento para pegar os pedaços e fazer um estande de "cultura ilhéu" no campus da UFSC.
http://linknacional.blogspot.com

Anônimo disse...

Esquerda? Direita? Infelizmente, volto a repetir: ética, moral, honra, são palavras bonitas para enaltecer discurso de formatura e outros eventos deste calibre. Na vida real, o que manda é o dinheiro. Ainda bem que existem pessoas (poucas) que o preço delas ainda é alto e que o capital interessado não acha um bom investimento. Mas falando um pouco da MOEDA VERDE, já imaginou se a PF resolve investigar LHS e sua base aliada?... já pensou????

Anônimo disse...

Politicamente falando prefiro o centro. Mas na época da ditadura, seria da esquerda revolucionária sim, porque era só assim para aqueles milicos aprenderem...será que eles não ajudarem em nada na redemocratização desse país??

Cesar disse...

Naquela época em que o anônimo diz que as pessoas eram obrigadas a ir para a luta armada, havia, nos discursos que eu ouvia, uma distinção entre o terror de direita e o terror de esquerda (que, naturalmente, não era chamado de terror). A esquerda mirava alvos precisos, se possível sem danos colaterais, sem vítimas "inocentes". Enquanto a direita produzia atentados genéricos, onde a morte indistinta de militantes e civis era comum. Naquela época eu também acreditava que lutávamos pela liberdade, pela democracia. Ao longo dos anos e à medida em que a "esquerda" assumia postos de responsabilidade e revelava sua face humana, os conceitos foram sendo reformados. Atualizados. Adaptados à realidade. E quem me dera fosse tão fácil definir a "coloração política" de alguém. Conceito antigo, meio racista, meio futebolístico, que supõe que as pessoas precisam ser de um ou de outro time. Sempre a favor ou contra as posições oficiais do partido. E sobre a operação Ouro Verde, quando ela for desencadeada, falarei sobre ela. Como isto aqui é transcrição de uma coluna de jornal, sobre a outra, a Moeda Verde, só vai ter algo aqui depois que começar a impressão do jornal, ali pelas onze da noite.

Anônimo disse...

É... Isso incentiva o contrabando. Digo isso pois já vi várias ofertas de laptop desse tipo por 4, 5 mil reais, fruto de contrabando.