sábado, 6 de janeiro de 2007

Sábado, domingo e segunda

[Caros leitores e leitoras: como as últimas segundas-feiras caíram na terça, talvez vocês nem tenham notado: a coluna De Olho na Capital não é mais publicada segunda-feira. Só tem coisa nova de terça a sábado.
Obrigado e até amanhã]

O TEATRO INTERMINÁVEL
Quando o governador LHS comprou o Centro Administrativo e colocou os olhos naquele auditório enorme, os olhos brilharam: “vou fazer aqui o maior teatro de Santa Catarina”. Talvez isso seja um pouco de exagero, mas certamente o maior teatro do norte da Ilha de Santa Catarina.

E aí começaram as obras. Claro, a primeira providência foi destruir o auditório e derrubar as paredes. Ficou só a estrutura. E começaram a erguer a caixa do palco, um prédio de uns quatro ou cinco andares.

Aí, veio a seca. Os cofres começaram a secar, secar, secar e a obra do teatro foi parando, parando, parando, até ser completamente paralisada.

Ontem estava na situação que aparece na foto acima. A foto, por falar nisso, poderia ter sido tirada em julho do ano passado. Ninguém notaria a diferença. Bom, o fato é que ninguém sabe direito quando a coisa vai continuar. Pode ser que nem continue, porque a turma da cultura parece que não gosta nem um pouco de Florianópolis.

HELIPORTO DRAMÁTICO
Os fofoqueiros de plantão (e funcionário público gosta de uma fofoca, como todo mundo) já estão dizendo que a obra será terminada logo, porque o principal do projeto é o heliporto que será instalado acima da caixa do palco. E LHS precisaria dele, com certa urgência, para poder radicalizar a descentralização.

A CASAN É ÓTIMA
O presidente da Casan, Walmor de Luca, chamou a imprensa pra provar que a situação está melhor do que estava e que houve uma “repercussão exagerada” da falta de água no norte da Ilha. Segundo ele, “só” 200 pessoas ligaram para a Casan para reclamar de falta dágua e na região a Casan tem 40 mil consumidores.

O companheiro Walmor acha que o problema só será sério se o serviço receber 40 mil ligações. Ora, senhor presidente, aposto que com 100 ligações a turma tira o telefone do gancho e fica impossível falar. Ou então congestiona o serviço. É brincar com as estatísticas sobre a quantidade de pessoas que reclamam, achar que 200 telefonemas não são muito significativos.

E o presidente também pretendeu relativizar a situação do litoral catarinense dizendo que em todo lugar do mundo isso acontece (excesso de gente = dificuldade pra abastecer direito). E como, segundo ele, a Sabesp não consegue dar conta do abastecimento de verão no Guarujá, não precisamos reclamar de alguns problemas isolados na Casan. E ele sugeriu ou pensou em sugerir que se fizesse como em Veneza e no Hawaii, que limitam o número de visitantes.

Enquanto isso, em outro local da cidade, numa espécie de universo paralelo das histórias em quadrinhos, o prefeito da capital almoçava com o governador do estado para reclamar, entre outras coisas, dos problemas de abastecimento de água e do saneamento básico. No centro da conversa, o final do contrato de prestação de serviços da Casan ao município, que se aproxima rapidamente.

A POLÍTICA DA REDE
Os fiscais da SUSP (o órgão da prefeitura da capital que cuida dos ambulantes) apreenderam um caminhão com redes paraibanas e seus respectivos paraíbas. Daquela turma que sai pelas ruas e praias vendendo redes e outros utensílios feitos no nordeste.

Aí o cara que é responsável pela carga irregular (sem nota, essas coisas) saiu-se com uma que mostra bem como a economia e a política estão ligadas: “vou falar com os políticos da Paraíba que conhecem os políticos daqui, pra liberar a mercadoria”.

E o pior de tudo é que a gente nem duvida que um telefonema de um deputado paraibano para um vereador florianopolitano ou do governador paraibano para o prefeito da capital resolva o caso.

Afinal, se os vereadores atendem a tantos interesses locais, por que não atenderiam a alguns interesses interestaduais? E ainda poderiam ganhar, quem sabe, uma estadia nas belas praias da Paraíba. Ou um estoque de redes. Maravilha. A nota fiscal e o alvará são apenas detalhes que não podem entravar o bom entendimento nacional.


LULA NO TRABALHO
Praqueles preconceituosos que ficam falando que Lula não trabalha, reuni algumas fotos que mostram o presidente trabalhando. Acertando a vida do companheiro comunista Aldo Rebelo, que é candidato de Lula à reeleição como presidente da Câmara dos Deputados. O PT, partido de oposição a Lula, tem outro candidato: Arlindo Chinaglia. Naturalmente, com ele o presidente não troca confidências, não põe a mão no joelho e não chama de “meu querido”.

Hoje o presidente inicia umas férias no Guarujá, SP. Veraneio sem muitas das coisas que marcam o veraneio dos brasileiros: engarrafamento, atraso no vôo, praia lotada, assaltos e contas maiores que o salário.


Um comentário:

Luis disse...

Caro Cesar;

O companhiero Valmor está com razão. Nenhum sistema de abastecimento d´água pode funcionar com o dobro da população para o qual foi dimensionado. Porque não dimensionar-lo para a população do máxima no verão? É muito caro... imagina tua casa: tem a tua mulher, 2 filhos e cachorro, três quartos e dependencia é razoavel...e é a prestação que tu podes pagar... agora imagina que 31 de dezembro aparece sogro, sogra, cunhada e 3 sobrinhos... seria muito legal ter uma casa com 8 cômodos... mas quanto seria a prestação? e só por 30 dias... vale a pena?
Seguindo a analogia... sogro, sogra e cunhada nem ajudam na conta do super... merecem comodidade? Em floripa, quem lucra com o turismo? O cara que aluga a casa (e nem paga um tostão à Receita) o Camelô que vende óculos piratas e churrasquinho de gato na paria? O dono de hotel que só dá nota fiscal se ameazado pela policia? o dono de restaurante que joga esgoto na rede pluvial? o dono de lanchonete que coloca o som no máximo até as 5 da matina?