terça-feira, 9 de maio de 2006

TERÇA

A VELHA SENHORA
No dia 13 de maio a ponte Hercílio Luz, principal cartão postal da cidade, completa 80 anos. Mesmo enferrujada, sustentando-se sabe Deus como, apoiada nos últimos rebites, rangendo de cansaço, ela está lá ereta e orgulhosa. Acho que até ela sabe que só serve para aparecer nas fotos, mas mesmo assim ergue-se altiva sobre as águas cada vez menores das baías do Desterro.

Agora mesmo, enquanto ela passa por uma intervenção cirúrgica (que por enquanto só lhe retirou parte da maquiagem), caminhões, dragas e gente tratam de estreitar o estreito, para resolver o problema dos automóveis. Ou, como diria o mané descrente: “esses aterros só servem para criar novos locais de engarrafamento”.

É bom o pessoal da reforma da ponte se apressar. Nem tanto pelo perigo da velha senhora desabar, mas principamente porque daqui a pouco algum dos irmãos Berger pode ter a idéia de aterrar tudo para unir a beira-mar do continente à beira-mar norte e beira-mar sul, resolvendo de uma só vez vários problemas: acabaria a Ilha (será que viraríamos um imenso São José? Ou Palhoça, o que é mais provável, se levarmos em conta a força que o Ronério tem junto ao LHS/Dr. Moreira); não precisaria mais de ponte, pouparíamos a despesa de conservação e agradaria as empreiteiras de asfalto, viadutos e avenidas.

Pobre senhora. Merece todas as honras e todas as nossas preces neste aniversário.

ESSE WALMOR...
Sempre separo os entrevistões do DIARINHO (que saem lá no meio do transe-tudo de final de semana) para ler depois, com calma. Por isso, só ontem li o que o Presidente da Casan, Walmor de Luca, falou.

Para quem o conhecia, nenhuma grande surpresa. Mas aposto que tem gente que ainda se assusta com a forma como o velho emedebista se expressa, sem papas na língua.
A visão do político maneiroso, sempre tentando agradar não se enquadra a esse fã de Mário Covas (ou seria melhor chamá-lo de viúva de Mário Covas?) que ainda não conseguiu se acostumar com certas coisas destes novos tempos.

Na solenidade de posse do novo Comandante Geral da Polícia Militar (a que compareceu apesar de estar com uma costela avariada), ele me disse, quase em segredo, que uma vez recusou-se a ir receber uma honraria militar (a medalha do Pacificador): “ainda não consegui me esquecer de 1964”.

A gente pode não concordar com ele e pode achá-lo pouco hábil ou mesmo meio grosso. Mas não se pode dizer que não guarde uma certa coerência.

Em todo caso, não dá pra perder os entrevistões do DIARINHO.

AMBULÂNCIAS E ÔNIBUS
Deu no site Congresso em Foco:
“A quadrilha desmantelada pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal, que fraudava licitações para compra de ambulâncias com recursos do Ministério da Saúde, também atuava no Ministério da Ciência e Tecnologia, negociando a aquisição de ônibus de ‘inclusão digital’.”
A mesma empresa que comandava o esquema de fraudes (Planam) participou em dezembro da cerimônia de apresentação do Ônibus de inclusão digital que prefeituras adquiriram com dinheiro do governo Lula. Era uma brincadeira de uns R$ 15 milhões para a aquisição das unidades móveis.

Ah, e no Mato Grosso a Polícia Federal também investiga a “participação” de empresas envolvidas com a fraude federal das ambulâncias em “servicinhos” relacionados com licitações de ambulâncias, ônibus e veículos especiais feitas no estado, com dinheiro federal.

Isso é que é eficiência: monta um esquema pra roubar na venda de ambulâncias e reutiliza o mesmo “know-how” para outros “produtos” Brasil afora. Decerto diziam: “se não deixar a gente ganhar, o governo não libera o recurso”. Ou coisa parecida.

Deveriam prender quem fazia a proposta, quem a aceitava sem chiar e denunciar e quem, nos vários ministérios envolvidos, dava suporte a essa maracutaia.

ESSE SUPLICY...
O Senador Eduardo Suplicy (PT) é insuperável. Protocolou ontem no Palácio do Planalto uma carta para o Presidente Lula. Pede, apenas, que o Presidente vá ao Congresso se explicar sobre as declarações que o “desequilibrado” Sílvio Land Rover Pereira fez ao jornal O Globo. Maravilha.

BRASILEIRO SOFRE...

No ano passado, estava na França e comprei um cartão de memória para minha câmera fotográfica. Custou uns US$ 50. Há umas semanas atrás, o cartão pifou.

Falei com o fabricante e ele disse que trocaria por um novo, desde que eu o enviasse para um endereço nos Estados Unidos (ou fosse na loja que me vendeu). A remessa, pelo correio, não foi cara.

Agora chegou de volta. E junto, um presentinho do governo brasileiro: uma conta, de impostos, de uns R$ 200,00! Aí não dá pra ser feliz.

Já o meu amigo que mora n o Canadá e ganha mais que eu, se tiver problema com seu cartão de memória, manda para o mesmo lugar e recebe um novo, igual que eu, só que sem ter que pagar esse absurdo.

Bem feito, quem mandou ser otário: no próximo problema sai mais barato comprar outro, num desses camelôs que a mesma Receita Federal, que nos explora a nós cidadãos de bem que pagam impostos, faz de conta que não vê.

CASO DE POLÍCIA
Sem combustível, com enormes dificuldades para manter as “viaturas” funcionando e sem delegados na capital, a situação das polícias (civil e militar) é o próprio caso de polícia.

Em ano eleitoral, então, a gente fica com a nítida impressão que aquele pessoal (praças, investigadores e outros servidores menos graduados) é só uma massa de manobra para eleger este ou aquele.

Ninguém parece muito interessado em fazer com que eles exerçam as funções para as quais foram contratados e treinados, mas faz questão de tratá-los como votos certos, contados.

E o pior é que muitos já se beneficiaram desse enorme e paciente eleitorado cativo, sem fazer depois muita coisa a não ser gritar contra os desafetos que eventualmente ocupam a Secretaria de Segurança.

Isso que fizeram com a capital, permitindo um êxodo de delegados, que foram para outras cidades em busca de gratificações que às vezes não passam de uns R$ 200,00, mostra o tipo de preocupação do governo: atender pedidos de aliados, ajeitar as coisas dos amigos, somar votos. Enquanto isso, quem trabalha sério na segurança só se ferra.

Um comentário:

Ilton disse...

Sobre a "velha senhora" e parodiando Fernando Pessoa: "para que ela não mais separe, mas una", pois afinal para isto é que foi construída. Um abraço.