sábado, 21 de abril de 2007

Sábado, domingo e segunda

PARABÉNS!
Neste sábado, 21, a capital brasileira, construída para ser capital, faz aniversário. E aí, uma coluna chamada “de olho na capital” não poderia deixar de prestar uma singela homenagem a essa cidade que, ainda jovem e impetuosa, é tão mal compreendida.

Já morei três vezes em Brasília e se tiver oportunidade morarei de novo, com muito prazer. A primeira vez foi mais difícil. Claro. Estava fazendo mestrado na UnB (1979/1980, para sermos precisos). Logo descobri que a cidade tem camadas. Quando a gente só vai por uns dias, fica num nível superficial. E aí concordo com todos vocês, é uma cidade sem grandes atrativos. Mas ao morar em Brasília a gente mergulha para os níveis reservados.

Abaixo da superfície, a cidade continua complexa. Tem quem viva lá há décadas e não goste. Tem quem ame de paixão no terceiro mês. Porque descobre o jeitão da cidade que nasceu dentro daquela utopia. Claro que não é nada daquilo que foi planejado. Como aquelas plantas que brotam pelas frestas, abrem rachaduras, infiltram-se por todos os lados, menos pela boca do vaso. Mas é uma cidade inegavelmente charmosa.

Na segunda vez, já em 1985, fiquei pouco mais de um ano. E este tem sido, para mim, o problema principal de Brasília. Não se trata de um projeto de vida “vou comprar uma casinha e morar em Brasília”. É sempre um projeto profissional, uma tarefa, geralmente com tempo para iniciar e acabar.

A última vez, em 2000, novamente um convite profissional. Mais uma vez aceito com alegria. A gente (minha mulher e eu) sempre se deu bem com a cidade, sempre deu sorte para achar bons lugares onde morar e sempre foi muito feliz em Brasília. Quando os ventos profissionais nos levam embora, fica no ar uma tristeza, um ar de namoro rompido e uma sensação de que a gente ainda vai voltar.

Não sinto falta do mar, que é a queixa mais freqüente dos litorâneos que moram lá. Uns tantos, por falar nisso, parecem eternamente insatisfeitos. Falta mar, falta chuva, falta esquina, falta morro, falta tudo. Uma grande injustiça. O horizonte de Brasília, o céu imenso, supre satisfatoriamente a sensação que o mar oceano oferece. Não chover é bom, pelo menos para quem vem de lugares úmidos. Ter hora e data para chover é ótimo. Clima organizado, civilizado. E tem de tudo, em Brasília: cada um que chega de um canto do País ou do mundo traz um pouquinho da sua terra.

Mesmo que a realização tenha saído diferente do projeto, é inegável que Brasília cumpriu pelo menos uma das suas metas: é o centro do Brasil. O Brasil inteiro se encontra lá. Dá pra encontrar gente do Brasil todo em Brasília. Dá pro sulista aprender, finalmente, que os sotaques de Pernambuco, Bahia e Ceará são muito diferentes. E dá pros nordestinos verem que os sotaques de gaúchos, catarinenses e paranaenses são igualmente diferentes. Dá pra comer galeto na brasa como em Gramado e carne de sol como em Natal. E assim por diante.

Nos jornais e nas tevês do resto do País, Brasília é sinônimo do Congresso ou do Executivo. Ônus de capital. Mas nunca é demais lembrar que a maioria daqueles cuja má-fama contamina a imagem da cidade, chegam na terça-feira e vão embora na quinta. São gente de Alagoas, de Santa Catarina, do Rio, do diabo a quatro, eleitos não pelo pessoal que mora em Brasília, mas pela gente desses estados. E, é claro, quando eles pisam na bola, Brasília leva a fama.

OPOSIÇÃO DE MENTIRINHA
E já que estamos falando em Brasília, nada melhor, para ilustrar o lado ruim da cidade, que a foto da semana, a cena espantosa da ida do presidente do PSBD ao regaço de Lula. Não foi conversar com o presidente como um líder oposicionista que se dê ao respeito. Sequer informou a seus pares e a seus eleitores a pauta do encontro, seus motivos e objetivos. Tal e qual donzela apaixonada, entregou-se cegamente ao charme do Lula.

Tasso foi ao palácio como um compadre, a quem a comadre Roseana, líder do governo no Congresso, convidou para tomar um cafezinho: “no gabinete do Lula tem sempre um cafezinho muito bom, de primeira. Vamos lá?” E subiram os dois meio escondidos, sem permitir fotos do encontro com Lula. E o Tasso, com essa cara de menino manhoso que fez arte, de guri cagado (de medo? acho que não), não podia estar mais sem jeito.

4 comentários:

Sonia Campos disse...

Oi César! Concordo inteiramente com o texto sobre Brasília. Dia primeiro de março cheguei aqui com um projeto profissional e estou muito feliz. Acho importante o jornalista passar por aqui! Um abraço grande! Sonia Campos

Balzaquiana Histérica disse...

Olá!!!!


Comentando sobre BSB, me enquadro no time de pessoas que AMAM Brasilia, cidade linda, trânsito educado, céu maravilhoso e muita cultura, e as flores do cerrado!!!! Quando vou lá só sinto falta da limpeza de Floripa, o nosso pessoal é mais educadinho com relação a jogar lixo pelo chão... Mas não é nota dez ainda!

Balzaquiana Histérica disse...

Ahh,,, Alceu valença canta "Te amo Brasília" magnificamente, uma música dedicada para todos que também amam Brasília, como vc disse, seu clima seco, a data para chover e para estiar, poder programar uma festa magnífica ao ar livre com a certeza que não vai "molhar"! Não transpirar dentro de ônibus, o cabelo viver sedoso, descobrir que "se buzinou é Goiano", comer pato com tucupi, arroz com pequi e muito sushi, aliás, comer o que quiser a hora que quiser, observar aquelas mocinhas bem vestidinhas próximo aos ´SHN ou SHS final de tarde ganhando a vida, entender que se localizar em Brasília é quase como jogar batalha naval,enfim, pode-se falar muitas horas sobre esta atípica e linda cidade!

Anônimo disse...

"Lugar de bandido é na cadeia". Não é assim que os empresários catarinenses "presos", dizem nos consegs? Pois bem. Que fiquem presos agora, porque o que fizeram foi bandidagem, pura e simples. Nada de complascência com eles. Se são conhecidos ou não...Fernandinho Beiramar também é... Se originam emprego, traficantes també... E daí? Nenhuma diferença. LEI É LEI. Que a justiça seja feita.