quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quarta

[Não tá conseguindo ver direito? Clica sobre as fotos que elas crescem!]

GOVERNO ELETRÔNICO
Repetem-se, no início do segundo mandato do LHS, cenas que já foram vistas no início do primeiro mandato. A cena da redução de despesas de custeio, a cena da “revogação do papelório e do carimbório”, as cenas da eficiência e da rapidez nas respostas, entre outras.

O problema é que mudar usos e costumes da burocracia estatal não é coisa simples, nem fácil. Não basta um governador criativo, sonhador, idealizar as coisas e verbalizá-las. É preciso dar a esse sonho uma consistência pedagógica, um fundamento teórico e uma conseqüência planejada. Implantar uma mentalidade de governo eletrônico, reduzindo, onde for o caso, os papéis e os carimbos, é tarefa que transcende o discurso do governante.

Não tinha lógica, por exemplo, deixar sucatear o Ciasc e falar, na tribuna, de modernizar os sistemas de informática que servem o governo. Não tem sentido desprezar a legislação que trata de arquivamento de documentos e manter o próprio arquivo público no século passado e ao mesmo tempo falar em digitalizar documentos.

É tudo integrado, orgânico. E secretários e diretores que chegam ao posto sem outro propósito que não o de ocupar espaço político e abrir portas para seus correligionários, não conseguem ver as coisas desse modo. Simplesmente não entendem um terço do que LHS quer dizer quando, nos discursos, sonha em voz alta. E a culpa, é claro, também cabe ao LHS, por achar que seus auxiliares são capazes do que não são.

A turma sonha com “gadgets”, brinquedinhos, computadores de mão, laptops, celulares incrementados, mas não tem noção do que seja abrir as entranhas do governo ao acesso público. E, os poucos que sabem do que se trata, morrem de medo.

ESSES GAÚCHOS...
O Delmar Buiz, de Navegantes, é leitor da coluna e, como ele diz, “gaúcho com orgulho”. Ele ficou cabreiro com aquela nota de ontem, sobre a notícia da “farra gaúcha”, porque entendeu que eu estava me referindo aos gaúchos de uma maneira geral. Claro que não, Delmar.

Deixa eu explicar uma coisa: nas rodas de jornalistas catarinenses, quando a gente fala nos gaúchos, está se referindo aos colegas da RBS. Assim como, anos atrás, falava nos galegos do Santa. Então quando falei na “desfaçatez usual”, estava dizendo que não gosto do jeitão de agir da RBS e me referia à forma como, costumeiramente, demonstram pouco caso e desprezo por este estado que tão generosamente os acolhe.

Conheço bem tanto os gaúchos quanto a RBS, onde já trabalhei. Fui o primeiro repórter do Campo e Lavoura, há uns 30 anos. Morei duas vezes em Porto Alegre e lá sou sempre muito bem recebido e tratado. Tenho dezenas de amigos gaúchos, muitos dos quais morando aqui em Santa Catarina. Portanto sei bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

NEPOTISMO INOVADOR
O LHS é mesmo um cara criativo. Acaba de inventar o nepotismo interestadual. É uma fórmula tão complexa que jamais algum promotor ranzinza conseguirá enquadrar. O velho amigo Leur Lomanto, da Anac, não pode empregar a filha lá? Não tem problema: o LHS coloca ela a administrar os recursos humanos do governo catarinense. E, quem sabe, indica alguém para alguma das repartições onde o Lomanto tem influência. Nepotismo cruzado, difícil de rastrear, impossível de identificar. E todos viverão felizes para sempre.

ESSES DEPUTADOS...

Piadinha que circula na Assembléia, sobre o empenho com que o Deputado Padre Baldissera (PT) luta contra o nepotismo: “claro, só mesmo um padre, que não tem mulher e não tem filhos é que pode querer acabar com o nepotismo”.

A LUTA CONTINUA
Depois do Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual também entrou na briga contra a tentativa do governo LHS, de legalizar na marra os caça-níqueis em Santa Catarina.

O Procurador-Geral, Pedro Steil, também protocolou uma representação junto ao Procurador-Geral da República pedindo uma ação direta de inconstitucionalidade contra as novas normas estaduais que liberam a jogatina.

Só quero ver até onde e até quando o governo estadual vai ficar insistindo nessa batalha inglória.

FOGO AMIGO
Na sessão de ontem da Assembléia uma coisa me chamou a atenção: os tucanos cobrando providências do governo. Primeiro, o deputado Marcos Vieira (PSDB) começou a falar sobre segurança e, aparentemente, a questionar as ações do governo que ele apoia. Logo depois, foi a vez do Nilson Gonçalves (PSDB) protocolar um pedido para que o governo que ele apoia resolva um problema de uma rodovia no norte do estado.

Mostra, pelo menos, que os tucanos não estão encontrando caminhos internos para fazerem-se ouvir.

A oposição não perdeu tempo e tratou de enfiar a colher torta: “se a descentralização é tão maravilhosa, por que os deputados da base ficam pedindo solução direto para o governador e não para o secretário da regional?”

4 comentários:

Upiara Boschi disse...

Um exemplo sobre a dificuldade de ter acesso a informações públicas está na Assembléia Legislativa. Quem visita o site sai satisfeito com a disponibilidade das informações, mas quando realmente precisa pode dar de cara com um link quebrado, um acesso negado.

Aconteceu comigo quando pesquisava sobre os funcionários lotados nos gabinetes. Existe no menu do site a opção serviços, que abre outras opçoes - entre elas "pesquisa lotação" e "pesquisa funcionários". Os links não funcionavam. Liguei na assessoria, que me passou o setor de informática. Alguém passou pra alguém que disse que as informações só estavam disponíveis na intranet. Perguntei porque aquele tipo de informação era considerado sigiloso. A pessoa não soube responder e passou para outra, que para minha surpresa disse que foi um erro, que a informação era pública e seria disponibilizada para a rede fora da Alesc.

Ontem, a história se repetiu. Após a entrega do relatório final da reforma administrativa, foi solicitado que o material (estava em um pendrive) fosse colocado no site. Detalhe, o pedido foi feito por jornalistas e encaminhado pelos assessores de imprensa ao Titon, presidente da Comissão, que logo autorizou o pedido.

Chego na redação, procuro o link e nada. Espero. Ligo uma hora depois para uma assessora e ela garante que o arquivo está lá. E estava, mas apenas na intranet. Ela foi atrás, mas alguém no setor de informática disse que aquela informação era só para a rede interna.

Alguém me passou o relatório, outro alguém me passou a lista com a lotação nos gabinetes. Mas é lamentável recorrer a subterfúgios para conseguir informações banais. E imaginar que dúzias de boas intençoes esbarrem no burocratazinho que mora no ombro de alguns funcionários públicos.

Anônimo disse...

Sobre nepotismo cruzado, acho que a Márcial Mel vai cantar em festinhas da Anac.
Aliás, ela tem tido muitas oportunidades (pagas) para cantar em solenidades do governo.

Anônimo disse...

Marcia Mel sendo paga para cantar em festas do governo? Sera? Que vergonha! Ainda por cima desafinada daquele jeito.


Pedro de Souza

Victor Carlson disse...

Vivemos um total desgoverno em todos os níveis (municipal, estadual e federal). Esse história de governo eletrônico nada mais é que propaganda de governo, a única tarefa que esses governos fazem competência além de negociar cargos.